Notas iniciais
oi!

“Você engana seus amores...

...Dizendo que é cruel e divina...”

A bandeira estava bem à frente, ninguém entre ele e ela. Uma ultima guinada que fez o carro dançar na pista, e uma reta perfeita, o publico apesar de pequeno vibrou e ele agora via a bandeira balançar frenética após sua passagem.

Sasuke mau quis parar nos boxes e sua vontade era dar a volta e recomeçar tudo de novo, não era preciso, a vitória era sua, tudo sob seu controle, e ele estava triunfando outra vez. Parou o Viper e saiu dele sendo recebido por uma dezena de homens que saltaram sobre ele batendo em seus ombros e no capacete ainda em sua cabeça.

Ele não se importava e apesar de achar estranho, se deixou ser carregado até o pódio e posto no lugar mais alto, enfim se livrou do capacete e recebeu a enorme a taça platinada.

–vai ficar me devendo essa, idiota – Naruto disse, mais abaixo, no segundo lugar.

–tem certeza? Está tão bem aí – Naruto riu meneando a cabeça e se pôs a espirrar o champanhe nos outros. No terceiro lugar Sasori sorriu fazendo o mesmo.

Já sem muito saco para entrevistas, ele desceu levando a champanhe intacta e o troféu.

–ah Sasuke – Karin, surgiu do meio da bagunça e o abraçou – saudades do pódio? – ela brincou ele assentiu puxando seu quadril para passarem mais rápido pelo bolo de gente.

–bastante, mas foi uma boa volta não?

–sim! Foi demais, estava com saudades de te ver assim, achei que não viria.

–heh, como se eu fosse perder, de todo jeito.

O hotel ficava a menos de um quilometro e eles seguiram fazendo quase um desfile, uma bagunça, pela ruas. Sasuke entrou de novo no Viper, levando a ruiva, não queria perder a sensação de conduzir o carro, mas com muito esforço não fez algumas manobras.

Estava extasiado, tudo finalmente estava entrando um pouco nos eixos embora com tantas mudanças.

–você não vai embora hoje, certo? Fique até amanha, vamos nos divertir, Sasuke – Karin pediu, empurrando seu ombro de forma meio infantil, como quando eram menores. Ele não gostava de magoa-la, ela provavelmente foi a única garota que ele não quis magoar, mas não sentia que seus sentimentos eram realmente mútuos, ela estava sempre lá, sempre um apoio e não queria que isso mudasse mesmo quando terminaram, ele não poderia trocar um filho por um sentimento indefinido. A ideia de cria-lo com duas mães diferentes, ou de só conhece-lo tarde ou nunca, era-lhe repugnante. E ainda tinha Sakura, ele prometera cuidar dela, e embora não tivesse conseguido faze-la se encantar e facilitar sua união. Ele não iria descumprir a promessa.

E não pretendia se demorar, não mais, pela manhã mandou mensagens ela, mas nada de resposta, a empregada disse que já havia ido ao consultório e foi aí que ele se viu entre a ânsia de saber como foi, e a ânsia de entrar no carro.

Acabou que entre a corrida teste, o coquetel e a corrida principal, nem tocara no telefone. Mas Liza, a secretária estava com ele e lhe comunicaria até mesmo se ainda estivesse correndo na pista, caso algo tivesse acontecido. O silencio de Sakura sempre o incomodava, e quando desatava a falar ele ficava meio puto, ela não era uma boca fútil que só cuspia sapatos e bolsas, se provava esperta e refinada em alguns momentos, noutros parecia uma menina de cidade pequena, falando que ricos eram loucos por comprarem certas coisas tão caro, apenas pra facilitar coisas tão simples.

Ela era uma incógnita, que ele só saberia interpretar se fosse o mais profundo em sua mente e passado, e uma sacana, porque era justamente fechada nesses dois quesitos, porém não poderia exigir muito, sua própria família não era seu assunto favorito.

–eu não sei...- disse sendo sincero.

–vamos Sasuke, você adora São Francisco, ao menos um passeio de lancha vai?

–Karin...

–é algum problema na empresa?

–não, mas acho que devo ficar em casa um pouco.

–é com o bebe?

–espero que não, tudo bem, eu vou ligar, e se estiver tudo bem... Eu fico.

–yup!

Tsunade iria comer o fígado dele, mas sabia que Sakura não se importaria. Apenas esperava que não fosse dia dela ficar louca e descontar na única empregada presente.

Ele parou o carro em frente o hotel e desceu, puxou-a para fora e saiu e jogando a chave para alguém da equipe. Ainda levando a garrafa e Karin, mal se lembrava do troféu, mas a ruiva o trazia e exibia ao seu lado.

O salão estava reservado, e a festa continuou com fotos, drinks e bebida, enquanto um grande almoço também era organizado no restaurante.

Sakura se recostou num pilar ao lado de uma mesa com bebidas, cruzou os braços e observou, ao que parecia o Uzumaki também corria, ela ouvira pelo radio que Sasuke ficara em primeiro e o babaca loiro em segundo. Pelo menos pra ela, essa posição combinava, o idiota parecia estar sempre atrás dele.

Ele usava um macacão de corrida laranja, parecia um gari, (nada contra a classe) e infantilmente a todo momento pegava uma garrafa de champanhe e espirrava em alguém, e Hinata estava banhada naquilo. Ela avistou o cabelo rebelde de Sasuke adentrar em seguida, mas não se manifestou a sair do lugar já vendo a ruiva a tira colo.

Eles combinavam, não podia negar, sorrisos que já pareciam sintonizados devido a longa convivência.

Ela se sentia a rainha ao lado do rei, e Sakura sabia que não poderia questionar, ninguém se sentiria feliz em ser destronado da forma como foi.

Ainda mais por uma puta. Karin não precisava saber disso, no entanto.

O grupo se reuniu entre fotos e abraços. E ela esperou apenas que a maré, de vozes baixasse. Seu estomago estava um tanto gelado, ela não queria de novo estar em meio aquela gente. E sinceramente, não achava que Sasuke valesse o esforço.

Porém, ela estava lá, ela passara e por cima de coisa pior, para não deixar-se ser pisada por coisas ainda mais piores.

Ela sobreviveu. E ela tinha um motivo a mais para isso agora. Tinha ganhado um lugar, e sido presa nele, mas não deixaria que ninguém a tirasse mais.

Que a ruivinha a perdoasse, mas ela nunca mais teria seu lugar ao lado do campeão.

Sakura, com um longo suspiro, olhou em volta e notou um balde com gelo e três garrafas de champanhe das mesmas usadas no pódio. E a mesma com que Sasuke acabara de dar um banho na ruiva e em Naruto.

Que desperdício...

Avistou duas taças e as trouxe para a beira da mesa e então se ocupou de sacudir a garrafa e intensificar a pressão, uma garçom que tinha a atenção voltada para a festa e a fitou e logo notando seu estado de graça, se aproximou.

– senhora, eu...

Ela negou o fitando e sorrindo para ele de forma charmosa e envolvente.

–não se preocupe — disse de forma baixa e suave, as pupilas dele dilataram um pouco e ela percebeu que ainda tinha um pouco do “encanto” – eu sei balançar a garrafa – completou com uma piscadela, que o fez enrubescer e travar encarando-a. hum, talvez tivesse pegado pesado no duplo sentido...

Ela notou que estava no ponto, e escorregou a mão do meio da garrafa até a tampa, e jurou ter ouvido o moço gemer. Ignorou e começou a girar o saca rolhas, deu uma rápida olhada na festa e notou Sasuke e os outros vindo, o grupo abraçado e rindo entre flashs. Rapidamente fez o trabalho e com uma pequena pressão do polegar para cima na rolha, esta saiu fazendo o som que ela queria, chamando toda a atenção para si, e derramando o espumante no tapete, teve pena, mas já estava feito, o silencio que seguiu confirmou.

Pegou uma taça, sorrindo um pouco, adorava abrir champanhes, era uma vontade boba e infantil faze-lo, apenas pelo som e pra ver a espuma e bebida derramarem.

Voltou seus olhos para frente sorriu fazendo-se de surpresa, embora a intensidade do olhar incrédulo de Sasuke a tenha impressionado.

Fitou a todos, o sorriso idiota do amigo se desfazendo, Hinata passando a se enxugar mais lentamente fitando-a atordoada.

E por fim, embora houvesse mais conhecidos de vista, ela fitou Karin rapidamente, mas captando seu olhar atordoado, ela empurrava as mechas ruivas e úmidas do rosto, a leve maquiagem se desfazia aos poucos. E ela parecia ver um fantasma, provavelmente um que estragaria todos os seus planos. Quando Sasuke se moveu, soltando-se dela, foi inevitável que as duas o fitassem, e ela visse uma pontada de humilhação e derrota nos olhos da moça.

Conhecia tal olhar, não por ter o costume de causa-lo.

Mas de se olhar no espelho e se ver carregada dele.

Focou em Sasuke até porque era impossível tirar os olhos dele, cabelos mais desgrenhados do que quando acordava, uma leve camada de suor que devia ser causada pela tal adrenalina e pelo macacão preto e azul escuro cheio de marcas de empresas que ele ainda usava, aberto até a cintura dando a vista da camisa branca de mangas curtasm grudada ao belo tórax.

Ele veio até ela com um sorriso meio desconfiado, não parecia irritado, nem feliz, mas ela não lhe deu tempo para interrogatórios. Quando ele quase parou ao seu lado, ela se aproximou, apoiando-se no amplo peito e ficando na ponta dos pés, subiu para encontrar sua orelha, satisfeita por ele já a ter esperado em sua boca, e murmurou-lhe.

Se abaixou e o fitou. Consciente de um peso saindo, um alivio adentrando-a e expectativa e ansiedade que passara a viajem inteira se recriminando por ter se dissolvendo.

Por um momento ele a apenas a encarou com seus olhos negros em poças embaçadas de incredulidade e a boca num O tão atraente que a fez querer morde-lo.

Sasuke então deixou escapar uma risada anasalada, e a fitou se inclinando para pegar a garrafa de sua mão, seu olhar se tornou meio malicioso enquanto a pegava de seus dedos com suavidade, acariciando-a, e ela sabia que ele já tinha olhado em seu decote que sabia que não era muito descente.

Usava um vestido verde escuro, solto, de tecido mole mas com um cinto dourado e fino acima da barriga e abaixo dos seios cujo decote cavado só não estava completamente solto e a mostra pelos cadarços dourados que chamavam atenção direto para lá.

Ele se voltou para o grupo, flashs os atingiram e ela não pode evitar virar um pouco o rosto como reflexo ao desgosto que tinha por aquilo, Sasuke envolveu sua cintura e com a outra mão ergueu a garrafa bem alto.

– é um menino! – anunciou, e ela o fitou incrédula com como sua voz saíra eufórica, alta, vivida. E com a resposta a ela.

–AEEEEEEE! –Gritou Kiba e todos gritaram embora nada saísse da boca dos mais íntimos, mas nem ela ligava agora.

Sasuke serviu uma das taças que ela tinha e então a outra, pôs a garrafa na mesa e antes que Sakura pudesse se dar ao luxo de beber, ele a envolveu de novo e capturou sua boca. Mais gritos de provocação soaram e ela se sentiu constrangida como a muito não se sentia. Mas ele apenas continuou a prova-la até onde seus pulmões permitiam. E então a encarou.

– isso é sério?

Sakura revirou os olhos, ofegante e apertando sua camisa.

– acha que eu viria pro outro lado do país só pra te contar uma piada? Você é muito...- ele a beijou de novo e ela quase deixou a taça cair. O homem estava quente e ela não sabia se era só o bendito calor da cidade.

– um menino? Espero que não tenha sua boca afiada...

– espero que tenha sua bunda de bebe – ela rebateu e vendo que isso o surpreendeu, ousou levar a mão para suas costas e desce-la aos poucos, Sasuke riu e a puxou para caminharem impedindo-a de continuar. Ela fez um muxoxo inconformado e ele apertou contra si murmurando-lhe manhosamente.

– se comporte, gatinha.

– só não te chuto porque está um tesão nesse macacão, senhor Uchiha.

– deixo você tirar depois então.

– que eu saiba sou a única que deveria faze-lo.

Ele riu e a conduziu agora para o restaurante, a barulheira a volta deles era tanta que por isso ela não se incomodou de conversarem desta forma nem de dar um olhar de cumprimento aos amigos dele.

– ciúmes?

– isso é de comer?

– com fome então?

– vá se danar!

Ele riu, ela sabia que estava em seu modo “moleque”, quando seu humor estava tão bom que ele ficava a provocando o tempo todo, era raríssimo, e concluiu, suspirando, que duraria mais graças a corrida, avistou o troféu na mesa que deveria pertencer a eles e sorriu levemente.

– eu posso pegar no seu troféu?

– posso entender isso como quero?

– não.

– então pode, e na minha marcha também, você conduz muito bem.

– seu tosco!

Ela não pode evitar achar, graça. Não pode evitar sentir-se leve. Como se ao menos uma vez estivesse levando a vida de uma mulher comum.

Ela queria ter mais disso, embora não pudesse mergulhar definitivamente, nunca.

Se sentaram a mesa e a proximidade com o sol que vinha das vidraças a incomodou.

– você parece uma vampira – Sasuke disse, e ela deu de ombros.

– talvez por isso tenho vontade de beber seu sangue.

– achei que fosse desejo de grávida.

– idiota.

– mas sério, o que tem contra o sol?

– apenas não gosto de suar a toa, ou de calor a toa, entre ficar queimando no sol prefiro ler um livro enrolada num edredom sob um ar condicionado na medida certa.

– ah sim? E o que mais? – ela o fitou estreitando o olhar mas ele caprichou em mostrar genuíno e inocente interesse, Sakura suspirou e tentou pensar em seu ideal, também não era como se detestasse a luz direta, uma vez quando fora para Washington era inverno mas os dias eram ventilados e frios, o sol batia em sua janela mas não vinha um calor que incomodava, e o melhor foi apreciar isso a noite ao pé de uma lareira, o único defeito para ela era estar na cidade grande.

Seu olhar vagueou pela mesa e ela notou uma garrafa de vinho esperando para ser aberta, no rotulo uma paisagem de vinícola e um campo aberto, imaginar caminhar por ela sob o mesmo tipo de sol claro mas sem calor, a fez sorrir.

– também tomaria uma boa taça de vinho apreciando esta vista e o frio dela – comentou pegando a garrafa, Sasuke revirou os olhos e tomou dela.

– sem bebidas.

– é só vinho, Sasuke, faz bem à saúde, uma taça por dia sabe? – ela resmungou.

Ele serviu uma taça para si e outra, pelo meio para ela, que fez um muxoxo inconformada.

– meia taça e nada mais.

– tirano – ela resmungou olhando para o lado e tomando um gole.

– me chame de rei, gracinha.

– se não calar a boca agora...

– então acho que não vai querer sair de lancha certo?

– lancha? Não, obrigada.

– você sabe nadar?

– não é da sua conta, Sasuke.

– oh, acho que não, tudo bem então, eu já nem queria ir mesmo.

– boa tentativa, mas como eu disse, não é da sua conta.

– então você vai?

– não obrigada, estou cansada da viagem, mas se quiser ir...

Ele riu um pouco, seu olhar desceu para o ventre dela enquanto ela olhava em volta insatisfeita com a falta de algum garçom.

Sasuke baixou a mão da mesa e levou até a arredondada elevação no ventre dela, nunca se acostumando, ela se remexeu surpresa e o fitou, vendo seu sorriso satisfeito.

– não mesmo... Mas que tal sairmos durante a tarde?

– pra que?

– você fica muito tempo sozinha – suspirou e a fitou, ela piscou sem entender – me desculpe.

*********************************************************

– você é idiota?

–depende do angulo...- Sasuke desdenhou, Sakura entrou em sua frente e se pôs a encara-lo, ele olhou em volta percebendo que algumas pessoas no shopping observavam, voltou-se para a mulher que o analisava com a sobrancelha no alto e as mãos ao redor da cintura – o que?

– é, parece um idiota, de todo angulo que eu olhe — ela concluiu com seu olhar impertinente e braços cruzados.

– o que foi dessa vez, Sakura?

– sério? – ela se afastou um passo para indicar a loja de animais a qual pararam em frente, Sasuke suspirou pondo as mãos nos bolsos da calça de linho.

– o que tem? Não gosta?

– primeiro pede desculpas por me deixar sozinha, o que por si só já é bem estranho, agora me trás a uma loja com bichos? O que pretende? Me deixar aqui?

– talvez comprar uma focinheira?

– seu...

– deixa de ser boba, vem – ele a puxou pelo braço e adentraram a loja, sendo cumprimentados na porta por uma jovem, o som de latidos, miados, grasnados e o cheiro forte de ração, feno que forrava algumas gaiolas o deixou enjoado e inseguro, ele queria mesmo sentir aquele cheiro quando chegasse em casa? Quando acordasse? Ouvir latidos?

Talvez devesse se aproveitar do descontentamento dela e apenas dar a volta, tinha que admitir que fora uma ideia boba, ela não era uma criança, como poderia querer que se conformasse em ter um bicho como companhia? Ela sequer gostava? Tivera um quando criança? Ele não, antes queria ter um cão, mas com o tempo deixou a vontade morrer e começou a desgostar da ideia de pelos, baba e excremento.

– quer saber...- voltou-se para a própria mão agora vazia, no ar, olhou para em volta e a moça que os recepcionara antes apontou para mais adiante com um sorriso encabulado, ele seguiu e viu a mulher caminhando para um corredor repleto de gaiolas, o olhar meio curioso para cada bicho, Sasuke sacudiu a cabeça e foi até ela, se conformando em segui-la silenciosamente, também observou cada animal, vendo um filhote de Golden Retrivier, lembrou que fora ele seu sonho de criança uma vez, Sakura se aproximou da gaiola e os três filhotes lá dentro se precipitaram para as frestas da portinhola ganindo ansiosos por um contato, lambendo os dedos dela.

Ela os deixou aproveitarem esse contato por um tempo, então seguiu arrastando a mão pelas grades.

– desejam alguma coisa? – disse uma mulher, cerca de trinta nos ao lado dele.

– Ah, é com ela – indicou dando de ombros.

– eu não disse que queria, e você que teve a ideia – Sakura rebateu já indo para o fim do corredor, a mulher a acompanhou sorridente.

– nenhuma preferencia? O que lhe agrada mais? Ah, está gravida? Quer um bichinho para o bebe? Está raça de cão adora crianças – ela indicou filhotes negros e meio novos ainda – são muito protetores também, e umas gracinhas, ficam tão grandes...

– grandes? – disseram os dois.

– oh sim, ah, moram em apartamento?

Sasuke assentiu ela concordou seguindo a frente.

– então que tal um pug? Pequenos e menos ativos, também gostam de crianças.

– e de babar...- Sakura disse com um pouco de asco.

– sim, sim, e yorkshire? São umas gracinhas...

– muito pelo –Sasuke disse, Sakura revirou os olhos, mas em parte concordava.

– talvez um peixe? –

– um macaco? – Sakura desdenhou para ele.

– é uma companhia, Sakura, se quer macacos te levo ao Zoológico.

–humpf.

Ela continuou e ele já estava meio emburrado, a mulher como pede etiqueta de vendedor, sempre sorrindo e parecendo apenas mais disposta em ajuda-la, devia estar matando-a de treze formas diferentes na mente...

Miados soaram mais alto no próximo corredor, cheio de felinos.

– veja esse Abissínio, o pelo não é lindo?

Sakura concordou amaciando o pelo do animalzinho.

–são muito carinhosos, mas muito ativos, talvez não seja bom para um apartamento, mas também temos uns beeem preguiçosos e carinhosos.

–um gato para a pequena gata? –Sasuke provocou.

– a senhora não teria um daqueles pitbulls enormes e bem monstruosos aqui? Adoraria dar comida a eles. – a mulher riu e bufando, ela seguiu em frente, ouviu um miado meio rouco e preguiçoso e parou, encarou olhos cor de safira, de um gato estranho, seu pelo...

Oh, não tinha, mas era de um tom claro, ou cinzento, nem sabia definir, e todo enrugado, com anéis e uma barriga lisa e cheia, como se tivesse se entupido de comida.

Deitada de forma preguiçosa, ele parecia desdenhar de sua presença já que os outros gatos estavam agitados ou brincando entre si dentro das gaiolas.

As orelhas pontudas se mantinham eretas, mas como se nada o pudesse incomodar.

– e esse aqui?

–oh, essa, é uma matriz, a usamos para reprodução da raça, é um Sphinx.

–vocês vendem...isso?- Sasuke disse, sem esconder a incredulidade, quem diabos compraria um troço pelado e enrugado como aquele? A porta foi aberta e viu a Haruno tira-la sem dificuldades ou resistência e encara-la em analise.

–Sakura...não.

–ora o que foi? Só estou avaliando...

–isso nem é um filhote, Sakura, e você ouviu, ela pertence a loja.

– como ele é? Digo no comportamento? – Sasuke deu as costas irritado enquanto sem jeito a mulher respondeu.

– é um gato muito afetuoso até possessivo, tipo "chiclete-no-sapato", gosta muito de ser mimado, mas é também muito enérgico e brincalhão.

– esse aqui? Não parece...

– ela já é adulta, por isso mais calma.

– é quente...- ela disse admirada, e também com a maciez da pele do bicho, mau começou a alisa-la e ela ronronou em seu pescoço.

– oh sim, a temperatura é de 39ºC a do ser Humano é de 36ºC,por isso dá essa impressão de que estão com febre, mas é exatamente como tem de ser.

– por que tem esse nome, digo, a raça?

– Sphinx por que se parece com a Esfinge de Gizé, o rosto, percebe?

– oh, sim! E que nome glamoroso, não acha Sasuke? Combina com ela, porque não a chamamos disso? De Gizé, não é bom?

– o que?

Ela sorriu completamente satisfeita, até radiante, e se voltou para mulher.

– vamos leva-la!

– o que?!

*********************************************************

Cinco. Mil. Dólares.

Cinco mil dólares foi o que custou aquela... Coisa. Isso não contando com os gastos para manda-la para Nova York, e ao veterinário para que fosse castrada.

Sasuke encarou o teto ainda sem entender onde fora chegar com aquilo. Sakura pisara tão forte por aquele bicho quanto faria uma criança birrenta. Ele precisou recorrer aos próprios talentos de negociante para conseguir fazer a compra, por que a gata era uma importante matriz da região, e eles não tinham nenhuma outra para substituir, nem mesmo um filhote, os da ultima ninhada dela haviam sido vendidos pra fora do estado e ele quis matar a mulher quando soube o que teria desembolsar para tomar o bicho.

– cinco... mil... dólares.

Sakura revirou os olhos de onde estava.

– por favor, não é grande coisa.

Ele se sentou observando-a com um dos pés na beira da cama enquanto se passava hidratante, deslizando o creme pelas pernas sem pressa.

– a questão não é dinheiro... Você vai mesmo cuidar daquilo? Ou vai apenas largar no canto e ler suas revistas?

– aquilo não é um objeto, Sasuke, eu não uso os outros, esse tipo de coisa foge a minha realidade, eu vou cuidar dela, eu gostei ora, achei uma gracinha.

–pft, você precisa de óculos, Sakura, aquela coisa é horrível... como pode gostar de algo pelado e enrugado tão...

–se eu não gostasse nem seria mulher...- ela comentou consigo, em voz baixa e olhando pra calça dele, pensativa.

– muito engraçado, e nada aqui é enrugado.

– ainda – ela riu.

– tsc.

– na verdade ele está agora, a diferença é que não fica o tempo todo, de graças por que nem todos tem essa sorte, sir. Uchiha.

– então já teve que lidar com os que ficam o tempo todo?

– oh sim, é trabalhoso deixa-los... lisos e...

– eu entendi.

– mas pelo menos pagam mais, principalmente quando a gente consegue de primeira, eles ficam achando que somos a formula, homens...

Sakura se afastou indo guardar o creme dentro da nécessaire em cima da cômoda, então voltou e ele se viu admirando cada detalhe de sua beleza natural, usava uma camisola branca de alças finas e solta até o centro das cochas, o cabelo recém lavado e meio úmido estava amassado e desalinhado. E a barriga ficava cada vez mais evidente. Ele também percebeu que não usava nenhuma maquiagem e sentiu-se brindado com isso, não que ela fosse uma viciada em coisas fortes mas seus olhos estavam sempre contornados pelo lápis preto, e ele só via seu rosto limpo, amassado pelo sono e mau humorado. Ela era o tipo de pessoa que odiava acordar, e não sorria pra nada antes do café da manhã.

Seu rosto assim, normal e limpo, dava-lhe um ar ainda mais angelical, gravida, de branco, ficou apenas muito bonita pra não se olhar.

– o que foi? – ela resmungou enquanto subia na cama e se enfiava embaixo das cobertas. Sasuke apenas se deitou e puxou o edredom grosso sobre si, ficando de lado e de frente para ela. O quarto estava frio, como ela gostava, e ele nem tanto, se aproximou envolvendo sua cintura delicadamente e deitando a cabeça no travesseiro, a beijou.

Sem pressa, com calidez.

Seus olhos se abriram para os dela e viu que ainda tentava entende-lo, ela suspirou, talvez desistindo, daquela vez, de não deixa-lo se aproximar.

Ele roçou o rosto no seu, uma caricia que não conhecia mas veio de forma natural, fazendo-o sentir seu cheiro adocicado e misterioso, leve, que as vezes parecia tão fraco que ele se via obrigado a cheira-la de forma mais profunda.

Seu braço passou por baixo dela envolvendo-a mais, o outro aqueceu seu filho, e a beijou mais uma vez.

A tarde passou rápido, ele descansou da corrida, ela da viagem, e os dois se entregaram a um tipo de intimidade que nunca conheceram. Entre conversas aleatórias, pequenos planos para o futuro, breves discussões, e calor compartilhado de maneira estranhamente... Doce.

– ele já chuta?

–que? Tch, claro que não — ela resmungou, Sasuke deu ombros encarando a sacada, já anoitecia, e ele estava meio sentado na cama, Sakura ignorava sua presença de novo, mas abraçada a ele com a cabeça recostada em seu ombro, com o braço a volta dela, acariciou seu ombro lentamente, e apreciou o som de sua respiração. Mas, não por muito tempo, e não podia negar a si mesmo, a noticia do sexo da criança o deixara empolgado.

– pensou em algum nome? — Sakura suspirou profundamente, mas desistiu de manda-lo calar a boca, talvez começando pensar nesse detalhe também.

– achei que iria querer escolher.

– hn, não faço ideia.

– talvez Sasuke Junior? — ela desdenhou.

– esse nome quem tem é o meu pênis.

– ah, pelo amor de deus!

– você não a chama de Sakurinha? — ele provocou ao descer a mão do ombro dela e dar um leve tapa entre suas cochas, Sakura beliscou seu flanco.

– babaca! Já sei, Babaca Junior!

– não precisa ser tão cruel com o menino, Sakura.

– humpf.

– você não pensou em nada mesmo? Algo que goste?

– você não?

– talvez...- aspirou pensativo, encarando o teto — se fosse menina...

– hum...

–Sakura Haruno não é japonês?

– é por parte materna, meu pai era descendente de irlandeses, se chamava Brandon.

– é um bom nome...

– hum...- Sakura se sentou na cama, a mão sobre o ventre e o olhar viajando para sacada, Sasuke observou-a, calmamente, colhendo em mente cada informação e impressão que o assunto estava lhe passando, talvez isso fosse útil, ou mesmo necessário, de alguma forma. — eu acho que... Ní B'fhiú tar éis an tsaoil ... — comentou com um suspiro resignado. Sasuke franziu o cenho, se sentou e pousou as mãos nos ombros dela, se aproximando de seu ouvido.

– como? — Sakura soltou uma risada anasalada, e sorriu um pouco, pôs a mão sobre a dele e se recostou em seu peito.

– nada, eu não gosto de Brandon, eu prefiro...prefiro Ryan.

– Ryan...- ele não sabia se podia casar bem com o sobrenome, porém era um nome forte, preciso.

– Significa "pequeno rei" — ela o fitou de soslaio, a sobrancelha arqueada de forma sugestiva — parece bom, não?

Sasuke riu um pouco, e de repente a puxou para cama.

– Sasuke! — ele deitou ao lado, passeando com a mão pela cocha dela e a outra entremeada em seus cabelos enquanto beijava seu rosto e pescoço.

– é um ótimo nome... vai ser esse?

– você aceitando tão fácil assim? — ela resmungou.

– vale a pena...desta vez.

– humpf — ele mordeu seu lábio de forma lenta e a encarou.

– então, que tal brincarmos com o Junior?

– babaca!

– hora de visitar Sakurinha, não?

– Sasuke Uchiha!

“Eu quero reconhecer que a sua beleza não é só uma máscara...”

Notas finais
Uma pena que nem tudo podem ser flores assim né? Enfim, até segunda!