Undisclosed Desires
10 Mascaras de ferro também caem. Algemas que nunca se partem.
Notas iniciais

“...Me satisfaça...”
Como sempre, quando estava disposta a adiar um pouco o confronto quando percebia que não estava a seu favor, Mikoto vinha com alguma interrupção, desta vez, ela respirou fundo tentando disfarçar o quanto estava desnorteada com a reação do filho, ajeitou a expressão severa e fria da melhor maneira possível e pediu que fossem discutir isso num lugar apropriado, longe dos empregados.
Embora Sasuke quisesse manter a corja o mais distante de Sakura, sabia que ela não ousaria sair do quarto.
Entre as quatro paredes do calmo ambiente, ele tomou outro gole da garrafa e a pôs sobre a mesa, onde se sentou e cruzou os braços.
– por onde podemos começar? – a ironia em sua voz era palpável e opressiva, o sorriso que delineava sua boca um aviso perigoso de que ele estava longe de seu habitual modo de proceder.
– me diga você, comece do inicio, como deveria ter feito, o que o faz pensar que pode agir desta forma? – Mikoto recomeçou, o nariz aristocrático erguido, o olhar altivo e pisando sobre qualquer rebelião, mas ela já havia perdido as rédeas a muito tempo. – fui para a França ter um pouco de paz e quando volto os jornais e a internet estão estampando que o meu filho mais novo vai se casar com uma desconhecida, e pior, fico sabendo ainda que além de uma ninguém, é um serzinho barato.
– resumindo, você estava gastando a fortuna família com seus luxos fúteis e egoístas e quando soube que movi meu pé por onde não queria, veio aqui agir como se fosse minha mãe, obviamente muito bem informada por outras pessoas que parecem ter o mesmo complexo de controle que você. – ele declarou. – esquecendo é claro, mais uma vez, que não dou a mínima pra o que você acha que tenho de ser e como tenho de viver minha vida, mas continue.
– Sasuke Uchiha – ela rosnou entredentes, o mais novo deu de ombros como se dissesse: “sim, esse é meu nome, e daí?” — como isso foi acontecer?! Como engravida uma mulher assim? Uma mulher da vida! E ainda faz a idiotice de assumi-la publicamente?! Quase um mês depois de ter arruinado seu noivado?! O que acha que as pessoas vão dizer?!
– voltemos à parte em que eu disse que não dou a mínima, certo? Agora, você tem mais algum argumento?
– Sasuke!
– como ela engravidou? Não se protegeram? – Itachi disse, Sasuke voltou um olhar entediado para ele, mas este não mudou sua expressão inatingível.
– a camisinha estourou, não percebemos, quando ela me procurou achei que fosse um golpe, verifiquei a possibilidade e ela estava certa.
– hn – o mais velho anuiu, pensativo – agora vamos a parte em que você resolve assumir uma prostituta, porque? O está chantageando?
– vocês só tem isso na cabeça não é?
– gostamos de pensar que você não seria tão burro a ponto de querer casar com ela, o que foi? Vai dizer que está apaixonado? – a matriarca desdenhou.
– não, não estou, e daí?
– e daí? O que diabos tem na sua cabeça?! Casar com uma vagabunda?!
– ela está gravida, queria o que? Que mandasse matar meu filho?
– não significa que tinha de se casar, por que não a resguarda e pega a criança? – Itachi sugestionou e Sasuke riu.
– foi isso que disse a ele! – Naruto esbravejou – eu falei! Esconda a maldita cadela e pegue o bebê, caramba!
– apenas vá à merda, Naruto – Sasuke rebateu enquanto bebia.
– caramba Sasuke! O que temos de fazer pra que você compreenda que estamos querendo seu bem?!
– e quando vai parar de se meter na minha vida?! – o rugido dele inundou a sala e a fez mergulhar em silencio – vá à merda Naruto! Vá se foder no inferno! Você não tem moral pra ficar mandando o que tenho de fazer!
– ah, eu não tenho moral?! Pelo menos não ando engravidando prostitutas!
– mas anda comendo, meio passo para isso, camarada!
– o-o que? – a voz tremula de Hinata chegou até eles e o Uzumaki empalideceu.
– não escute ele Hinata, está descontrolado!
– ah estou? Sabe o que estou de verdade?! Estou com a garganta cheia, entalada! E sabe o que acho? – com o olhar avermelhado, ele tomou outro gole da bebida, mau sentia a ardência agora, sentia como se nem piscasse, seus olhos incomodavam, e tudo parecia estranhamente mais leve e ao mesmo tempo, sobrecarregado. Ele detestava indecisão, indefinição, meias partes, e resolveu tornar o ambiente uniforme de uma vez. Enxugou a boca contra a manga da roupa e então os encarou – estou farto de carregar toda esta merda aqui – indicou o pescoço. – vocês gostam muito de falar...
– Sasuke, olha que vai dizer – Karin pediu.
– vocês gostam muito de falar! – rugiu de novo — então agora vão ouvir!
O silencio retomou o recinto, Sasuke se ergueu da mesa e caminhou de um lado para o outro, os ombros tensos e as mãos nos quadris estreitos podiam indicar que estava pensado no que dizer, mas ele estava apenas, ordenando.
Por que o roteiro já estava pronto, só faltava a ordem, então começaria do começo. Girou sobre os calcanhares e encarou a mãe.
Um adjetivo que não era realmente adequado para ela.
– Mikoto, toda vez que olho pra sua cara... sou o obrigado a lembrar que não se deve bater em mulheres.
– Sasuke...- a voz do irmão foi um aviso, a expressão da mulher, puro assombro.
– quando papai morreu, eu tinha sete anos, mas tudo o que você fez, foi bancar a viúva cheia de dores, depois que viu que a empresa poderia ir pra lama, tomou... Como podemos dizer? Disposição? Deve servir, mas ao contrário do que deveria ser mas o que todos pensam, você não tomou a rédeas da empresa como uma digna mulher que fez administração faria, não tentou cuidar dos negócios, o que você fez? Ah, você montou no colo de metade dos acionistas pra tentar evitar que saíssem ou tentassem comprar nossas ações, você jamais aceitaria deixar de ser a sócia majoritária, certo?
– Sasuke, o que está insinuando? Ela é sua mãe! – Hinata disse, e ele a encarou de forma que a fez tremer.
– espere a vez, Hinata, caladinha, como a cadela adestrada que gosta de fingir ser, como uma... santinha, que tal? – a mulher empalideceu e ele piscou para ela de forma cafajeste, confirmando suas duvidas.
Voltou-se para a mãe, ela tinha o olhar em outra direção o queixo ainda erguido por que não poderia negar estas acusações, por que não poderia negar o que Sasuke vira.
Numa fria manha de outono, três meses após a morte do pai, Sasuke saíra da escola mais cedo e fora ao escritório da empresa ver a mãe, lembrava facilmente ainda, o orgulho que o motivara a ir visita-la levando sua flor favorita, disposto a agradecer todo o esforço que ela estava fazendo para manter a família deles no nível que sempre deveria estar.
Apenas para encontra-la de pernas abertas sobre uma mesa em frente um dos sócios da época.
Sua elegante, astuta e perspicaz mãe, cujas veias corriam sangue nobre ainda que distante da realeza francesa, tida como a lady Uchiha um exemplo de refino. Recorreu a mais antiga peripécia feminina para obter algo dos homens.
Deu pra eles.
– manteve um casinho aqui e ali para instiga-los a ficarem na empresa, dando a eles a ânsia de se tornarem quem sabe, os próximos “Uchihas” não? Você foi capaz de negligenciar seus filhos pra isso, estar no topo era mais importante que cria-los.
– nunca negligenciei vocês!
– deixa de ser falsa cacete! – ele gritou – mandou Itachi pra França! Assim que ele soube que estava dando pro contador da família! Você não podia suportar que seus dois filhos soubessem que não passa de uma puta de luxo!
A mulher estalou a mão em sua face outra vez mas antes que afastasse ele agarrou seu pulso e berrou em sua frente fazendo-a recuar.
– UMA PUTA DE LUXO! VOCE SIM SÓ PENSA EM FUTILIDADES, MIKOTO! E você não tem moral pra falar da minha mulher!
– está me machucando...
– você não pode negar, olhe pra Itachi por que ele não está te defendendo huh?
– não me use, Sasuke – Itachi ordenou, com um ar exasperado que arrancou um olhar indignado da mãe, ele porém, apenas mexeu o cabelo demonstrado um mínimo teor de nervosismo, e virou o rosto.
– você é a prova pura, você a odeia tanto quanto eu, mas você também é que nem ela e gosta de agir como se fosse tudo as mil maravilhas.
– e você é como seu pai! – ela acusou.
– corno? Acho que não, eu sou como você também, não me importo de passar por cima de algumas coisas pra conseguir o que quero, mas ao contrario de você, não passo por cima de mim mesmo, independentemente de qual seja a origem daquela mulher, eu a tomei como minha responsabilidade, e não vou negligencia-la por conta de caprichos alheios.
– é um capricho querer seu bem?- Naruto disse, aquele mesmo olhar ameno de quem tenta alcança-lo de maneira calma. Sasuke soltou a mulher, não tinha vontade de continuar perto dela, e seus olhos negros cheios de lagrimas pararam de fazer diferença para ele desde que a viu naquela sala, alguns diriam que ele perdera inocência ao ver aquilo, mas ele via mais como um ganho. Seus olhos se abriram para o mundo ao seu redor, poucas coisas o cegaram a partir de então, era a única coisa que Mikoto lhe dera de bom além da vida, o que duvidava que tivesse sido de bom grado, era de se esperar de uma mulher como ela não querer estragar o corpo mais ainda com uma segunda gestação, já tendo dado o herdeiro que precisava para garantir-lhe a boa vida que quisesse.
Ele riu cinicamente ante a expressão do “irmão” seu primeiro passo para quebra-la.
– você adora agir como o meu pai não é?
– sou seu amigo, Fugaku...
– você não conheceu meu pai, era um moleque remelento assim com eu, então pare de falar como se tivessem sido grandes amigos, ouvir isso de você me dá nojo – cortou – e sabe por que Naruto? Você não tem moral pra me criticar, você se acha, é um arrogante, um babaca arrogante que age como se devesse e pudesse sair concertando a vida dos outros só porque cresceu numa “família” harmonizada e completa – desdenhou.
– não ouse falar da minha família, Sasuke! Todos o tratamos como se fosse um de nós, minha mãe...
– me poupe de ouvir sobre a velha hipócrita – ele cortou, desdenhoso e entediando, o loiro rangeu os dentes. – você é que nem ela, sempre agindo com se devesse salvar as pessoas, para que elas os vissem como heróis imaculados, e nem percebessem, quão podres são, quer uma prova disso? Vamos lá, Hinata...
– Sasuke?!
– como você acha que Naruto descobriu sobre a Sakura?
A pergunta assolou a sala, e Hinata piscou atordoada.
– co-como assim? E-ele contratou um detetive.
– e você acha, que seu namorado, burro como uma porta que não consegue nem terminar uma simples transação sem praticamente dar a empresa de graça, saberia pensar nisso?
– todo mundo contrata detetives, Sasuke – Karin disse, suplicando que ele parasse.
– ótimo detetive, sabia até o nome do cafetão, o que eu teria levado semanas para conseguir se o Yahiko já não estivesse abanando a cauda para eu contratar mais serviços das garotas dele.
– onde você quer chegar? – Hinata cortou, ele a fitou com desprezo.
– talvez você não seja tão sonsa, apenas burra como ele, vão ter um ótimo casamento, se houver...
– ora seu...- Naruto avançou nele, Sasuke desviou fazendo-o cair sobre a mesa e se aproximou apenas para pegar a garrafa e tomar mais um pouco, já estava quase no fim, mas isso não o preocupou, apenas se apressou para porta, correndo como um garoto pelo corredor até adentrar o quarto, e encontrar Sakura encolhida no canto da parede abraçada a gata.
– amor, querida, venha aqui, preciso de você...- Sakura o fitou horrorizada, pânico subiu por sua garganta como bile, ouvir tudo o que gritavam naquele escritório fora uma sessão de tortura para sua mente, a ideia de encarar Sasuke após digerir ou não o que ouvira a deixara com medo.
E lá estava ele, a puxando do chão com força, sorrindo quase de maneira alegre enquanto praticamente a arrastava para aquele inferno.
– eu não quero, não quero ir, Sasuke, pare Sasuke!
– calma amor, só precisa dizer umas coisinhas...- ele pediu Sakura encarou aquela gente em pânico, retraindo-se para longe dele. Karin virara o rosto ao vê-la, Naruto afitava como se pudesse mata-la, Hinata parecia estranhamente avoada, perdida e aquele belo homem a encarara profundamente, inexpressivo e carregado demais, ela estava farta de olhos negros sobre si, a mulher, ergueu o queixo como se quisesse mostrar quão acima estava dela. Sakura se perguntou se ela não imaginava quão bem ela os ouvira.
– me solta, Sasuke – exigiu enquanto tentava encara-los e ao menos demonstrar que não era uma presa pra eles, ou predadora. Sasuke a puxou para si, abraçando-a por trás, tocando seu rosto e cabelos, beijando sua cabeça como se quisesse acalma-la.
– shiii, apenas fique quietinha, pequena gata, shiii. – ela sentiu o ar dele, álcool puro e o encarou assombrada, voltando a tentar se desvencilhar dele com mais vigor.
– você-você está bêbado! Me solta! Me solta agora!
– shiiiu, eu ainda não terminei...
– dane-se você! Me solta! – ele a puxou pelos ombros, suas mãos a apertaram com tanta força para encrava-la no lugar que as pernas dela vacilaram por um momento e dor apavorou tal como o tom dele.
– quieta.
Sakura se forçou a tal, respirando apenas quando ele afrouxou um pouco a força, mas não a firmeza, percebendo que era encarada, virou a cara recusando-se a mostrar o terror que sentia, mas se encolhendo quando Sasuke cheirou seu cabelo e pescoço soltando uma risada leve e sensual que outrora a teria deixado molhada. Mas estava seca, e com medo.
– ela não é linda? – ele disse, empurrando seu cabelo para o lado acariciando o pescoço dela com a ponta dos dedos.
Mais uma vez ela lembrara das palavras dele, sem quaisquer indícios de hesitação.
“- não, não estou, e daí?”
Isso passou longe de incomoda-la por que com ela era o mesmo, embora a convivência entre eles fosse muito melhor de uns tempos para cá. Era mais como uma parceria.
Ou achava.
Agora ele a exibia, como um troféu.
E aquela declaração teve mais peso, não era amada, mas agora via que também não era uma pessoa.
– agora voltemos a pergunta de um milhão de dólares – Sasuke disse, o tom brincalhão a fez sentir arrepios, ela decidiu por ignorar tudo ali, embora estivesse quase encarando a mãe dele e devolvendo seu olhar arrogante e hostil com um: “e aí? Coleguinha”.
– me diga Hinata, você acha mesmo que Naruto seria tão genial ao ponto de pagar um detetive e que esse cara fosse descobrir tudo assim? Num piscar de olhos?
– não foi num piscar de olhos, Naruto estava desconfiado dessa aí desde que você anunciou o noivado, ele contratou o detetive e só no fim de semana da corrida obteve algo. – ela rebateu na defensiva, mais de si mesma, que de Naruto, mas Sakura, sabia onde Sasuke chegaria com isso. Ou ao menos achava.
Essa historia de detetive tinha falhas grotescas pelo simples fato de...
– vou te explicar uma coisinha, Hinata, Sakura, estava nas mãos de um cafetão, ao contrario do que todos os clientes de alto nível dela, pensavam, Yahiko não as estava só “agenciando”, ele as mantinha em cárcere, eles as escravizava, sabe o que isso? Os termos “exploração sexual” e “escravidão sexual” fazem algum sentido pra você? Por acaso já leu sobre isso nas revistas feministas que lê mas que obviamente não segue de exemplo? Elas eram obrigadas, Hinata, a se prostituírem e adivinha, isso dá cadeia, e adivinha? Significa que não tem como um simples detetive ficar a par de tudo, isso é coisa que só a policia se mete, eu, tive de contratar um ex policial para chegar a Sakura, e você me vem com essa de que seu heroizinho Naruto salvou o dia?
– onde você quer chegar?!
– eu paguei Yahiko tanto por Sakura quanto pra que ele apagasse a vida dela como prostituta de seus registros, fotos, boletos, datas, tudo, Hinata, ninguém tem provas de que ela foi uma meretriz agora, mesmo que houvesse uma fila de ex clientes lá fora, eles só podem falar e falar!
– pelo amor de deus, diga o que tem de dizer – Karin implorou e ele a fitou.
– certo, não me importa mais, você quis estar aqui.
– o que...
– o que eu estou tentando dizer, é que eu era cliente de Yahiko a mais de seis meses antes disso – ele apontou ao ventre de Sakura – acontecer.
Ela rosnou de ódio ao vê-lo se dirigir ao filho dela assim.
Karin deixou a boca abrir e fechas varias vezes, o olhar vidrado em choque, com aquele simples trecho: “mais de seis meses”.
– shiii — ele ordenou à noiva – e adivinha por que? Por pura indicação, oras, eu não saio por aí contratando qualquer serviço, gosto de históricos, e, principalmente, referencias.
– Sasuke – Naruto rosnou e só serviu para antecipar o raciocínio de Hinata empalidecendo gradativamente. Ela levou a mão para boca e o encarou em choque.
– você...
– não ouça ele, Hina, eu posso explicar.
– ele era cliente do Yahiko, a mais tempo que eu – Sasuke prosseguiu, cinicamente.
– cale essa boca Sasuke Uchiha – Mikoto ordenou altiva, mas a face úmida.
– você já pode ir embora – ele rebateu com descaso – prosseguindo, eu contratei as garotas do Yahiko por que Naruto me indicou e acredite, ele era um cliente vitalício, por assim dizer.
– seu maldito! Quer o que? Acabar com a minha vida?!
– você sabe se foder sozinho, foi você que trepou com até três garotas dele num só dia, e você me indicou varias delas, você, me indicou até mesmo esta aqui – segurou os ombros de Sakura.
Ela girou a cabeça para encara-lo, estupefata.
– o que? Você não lembra? Você já transou com Naruto, Sakura, foi ele que me indicou, disse que eu não ia me arrepender, que você era ótima, ele estava certo – Sasuke beijou seu pescoço carinhosamente – até agora, você esqueceu Naruto? Como foi que disse mesmo? Ah foi: “ tem que come-la Sasuke, ela é demais, faz tudo e tem uma bunda de matar! Sem falar nos olhos, adorei eles, tão selvagens, parece até que não gosta do que faz, aquela danadinha!”
Ela encarou o vazio ainda em choque, encarou o loiro procurou se recordar dele, mas nada veio, mesmo estudando o físico dele, os olhos, o cabelo, as marcas em seu rosto, nada em Naruto a fez lembrar dele ou de ter tido sexo com ele, Sasuke já havia mencionado que a alugara por uma indicação, mas não ligara, não achou que pudesse ser de um amigo tão intimo. E quando toda esta merda começou, ficou aliviada.
E Naruto agia como se ela fosse uma doença. Como poderia sonhar ou ter pesadelos em que transaria com ele? O achava hipócrita, mas a tal nível, era assombrante.
Ele a comera, ela o fizera gemer e implorar por um orgasmo, disso sabia, ela era ótima no que fazia, e tendo ouvido o que ouvira de Ino, nem duvidava que fosse fácil agrada-lo.
E ele tinha a cara de pau de agir como se fosse um homem integro acima de tudo, mesmo agora ante a noiva que dizia tanto amar.
– não perca seu tempo lembrando, se nem sequer imaginou deve ser por que não foi mesmo grande coisa – Sasuke disse, sarcasmo puro.
– vá se foder! Eu comi essa cadela e ela pediu mais! – Hinata soltou um grito afobado e ele se calou e Sakura o encarou com desdém.
– você me pagou para isso – rebateu e recebeu seu olhar assassino – era paga para isso, acha que não dizia isso pra todos? Se fossem tão bons de cama, não precisariam pagar uma mulher.
– exceto eu – Sasuke comentou.
– é...- ela se irritou por ter concordado automaticamente e ele riu muito satisfatoriamente, beijando seu ombro, Sakura ignorou mexendo-os numa tentativa de se desvencilhar.
– e não, não lembro, nunca faço questão mesmo, pergunte a Yahiko se o conhece, ele dirá que eu era uma cabeça de vento, mas eu fazia era questão de esquecer mesmo.
– não pode ser...- ouviram o murmúrio de Hinata, Sakura a fitou ao se sentir encarada por ela ainda estática, os exóticos olhos cheios de água e aquela expressão de quem implorava para que não fosse verdade, expressão essa que Sakura já desconhecia a muito tempo, ela aceitava o que vinha e pronto. Estava na hora da senhorita perfeição. A santinha, provar um pouco do mundo real.
E por isso, por mais cruel que estivesse sendo, ela a encarou com desdém e respondeu:
– touché.
Hinata quase caiu ali mesmo e segurou o rosto.
– não! Não!
– Hinata...- Naruto suplicou ao puxa-la e ela se desvencilhou e disparou pela porta do escritório deixando a bolsa pelo caminho. – meu deus, Hinata! – Naruto a seguiu correndo como um louco. E por um momento a Haruno suspirou e se perguntou se ele realmente a amava.
Mas...
Isso era amor?
Não, obrigada.
Karin foi a próxima a se mover e caminhou até eles, apanhando a bolsa da outra no caminho, ela manteve a cabeça baixa até vir e encarar Sakura. E esta a fitou de lado, desconfiada de qualquer gesto seu.
– você... você é um monstro.
Sakura a fitou perplexa, o peso de sua provocação bateu duro em sua mente, e embora pudesse pensar assim de si mesma no momento, o que ela sentiu foi toda a gama de vivencia que teve se passar até chegar ali. Quando percebeu, sua visão tinha embaçado e algo quente escorreu por seu rosto o olhar de ódio e desprezo da outra se transformou em choque. Afinal, monstros não choravam. E Sakura bem que queria ser um.
– não...- negou sua voz tremulou, seus lábios também, e ela rosnou o resto, se recusando a enfraquecer diante de mais alguém que tivera uma vida perfeita demais para poder julga-la. — eu não sou um monstro, sou um objeto.
Sentira a pressão das mãos de Sasuke nos ombros mas se recusou a ser protegida por ele, se recusava a voltar para a berlinda de vidro, para entre os troféus que ele exibia, outra vez.
– e isso é muito diferente. – declarou.
– vá para o quarto.- ele ordenou, calmamente, ela se desvencilhou de uma vez e seguiu para porta.
– pro inferno! – gritou – você e essa loucura toda! Eu vou embora! Vou embora! Me deixem em paz caramba!
– vá para o quarto, Sakura!
– vá se danar! A culpa disso é sua! Toda sua! Eu não vou ser sua propriedade! Chega!
Ela bateu a porta do quarto, ele suspirou, cansado esfregou o rosto.
– por que é isso que ela é, não é? – Karin indagou, ele e a encarou duramente.
– e você, achei que fosse melhor que isso, mas no fim, é tão mesquinha e controladora quanto ele.
– e você é arrogante e frio como todo Uchiha, além de um rebelde sem causa.
– exatamente, seu super controle nunca bateria com minha ânsia de liberdade, queria saber por que não deu certo? Eis a sua resposta, nossos temperamentos nunca bateriam por tão longo tempo, que dirá, nossos sangues. – desdenhou secamente, ela meneou a cabeça desacreditada, e partiu dali.
– se vai continuar com essa idiotice, saiba que nunca terá nosso apoio – Mikoto declarou.
– não preciso do seu apoio, eu nunca tive seu apoio, estou acostumado com minhas próprias pernas a muito tempo, Mikoto, e não se preocupe, eu não pretendia te convidar pra esse casamento, nem mesmo para o outro.
A mulher arfou primeiramente, sua boca abriu e fechou por muitos segundos, mas surpreendentemente, nada saiu, e provavelmente mais atordoada com isso que com todo o resto, ela deu as costas e saiu da sala com pressa. E então só restou mais silencio, e garrafas de bebida, o que Sasuke apreciou e abriu outra. Só então voltou-se ao irmão.
– mais alguma coisa? – indagou. Itachi deu de ombros.
– diga você, já falou tudo?
– posso lembrar um pouco mais, se é o que deseja.- o mais velho soltou uma risada anasalada e meneou a cabeça, olhando para a porta pensativo.
– ela parece uma mulher bem forte.
Sasuke o observou analisando cada palavra, e então tomou outro gole, desta vez voltou a arder e ele até sentiu falta de ar, se sentou na mesa, arfante, tonto, e se serviu outra vez.
Itachi suspirou, e seguiu para a porta.
– apenas tente não quebra-la. – comentou. Embora em sua opinião, já não houvesse nada a ser preservado naquela pequena criatura rosada.
Ou mesmo de seu irmão. Falar não adiantaria, agir apenas inflamaria mais fúria e rancor.
Só lhe restava observar, e esperar para que pelo menos dos três, um não saísse destruído.
E que fosse seu sobrinho, esperava.
Quando teve certeza que ele havia partido, Sasuke esfregou o rosto úmido e enpreguinado, o álcool subira sua cabeça, e pela primeira vez, ele agradeceu, nada do que dissera a Naruto foi mentira, nada do que disse a sua mãe também fora, mas nada daquilo dito a ela era repetido, mas um discurso que vinha empatando sua existência a anos. Seu pai era seu herói, e quando ele se foi, achou que ao menos tivesse deixado uma heroína para ele, mas havia apenas um monte de mentiras, uma mulher falsa e egoísta, de caráter inexistente quando se tratando de dinheiro, e nem mesmo um irmão para tomar o lugar vago. Apenas alguém que não se importava, e se distanciava ao máximo, sofrendo por si mesmo, Itachi sabia que não tinha direito de criticar suas escolhas, o tempo de ajudar ou interferir em suas decisões já passara.
Sasuke viu pela primeira vez, o quão sozinho estava, rodeado apenas de pessoas que alimentavam as próprias ambições, razões e desejos, uma hora manipulado e noutra era manipulador.
Quando se dirigiu ao quarto esperava de verdade, encontrar um pouco de companhia, mas o peso de suas decisões e ações o acertou outra vez quando viu Sakura derramando roupas sobre uma mala, apressada e tremula.
– o que está fazendo?! – indagou num fio de voz patético, ela parou, mas por pouco tempo, apenas embolando as roupas e afundando-as na mala.
– vou embora.
– você não pode ir embora.
– você não pode me impedir, não tem esse direito!
– eu sou o pai do seu filho!
– não importa! – ele seguiu até ela puxando-a pelos braços e virando-a.
– não importa? Não importa?! Está maluca?! Depois de tudo o que fiz pra ficar com você?!
– eu não pedi por isso! Não pedi sua casa nem tampouco sua vida! Você me forçou a isso, e olhe no que deu! Estou farta desta merda! Chega! Chega! Isso nunca vai dar certo e não vou mais fingir que vai!
– claro que vai dar certo! Tem que dar certo!
– querer não é poder, Sasuke ponha isso na sua maldita cabeça e pare de agir como se fosse dono de tudo!
– não sou dono de tudo, mas sou de você!
– eu não sou um animal!
– mas é minha! – calando-a a beijou, empurrando a boca contra a dela, Sakura tentou empurra-lo pelo peito e só conseguiu que seus pulsos fossem apertados de maneira dolorosa, além de bêbado ele estava inconsciente da força que empregava, e ainda, alucinado.- não podemos desistir agora, querida, por favor.
– eu não sou sua querida, por favor, Sasuke, por favor, eu quero ir embora, juro que não vou fugir...
– você não vai pra longe de mim! – ele a atacou outra vez empurrando-a para a cama, caiu deitado ao seu lado, prendendo-o seus pulsos acima da cabeça dela, e Sakura debateu as pernas chorando e gritando por ajuda, implorando que ainda houvesse uma empregada ali.
– Sasuke! Sasuke!
– você vai ficar aqui, você e Ryan...- ele murmurou debilmente em seu ouvido.
– para com isso, tá me machucando!
Sasuke beijou seu pescoço, adorava aquele pedaço de pele dela, tão sensível e sensual, olhou para a bagunça de roupas sobre a cama e notou uma peça diferente e delicada sobre ela. Se sentou e pegou.
– o que é isso? Huh? Muito bonita, ah, aposto que é coisa da Liza não? – Sakura não respondeu tentando conter os soluços e esperando que ele ficasse distraído o bastante para que pudesse fugir, precisava fugir. Aquela outra face de Sasuke a assombrava, uma que ela jamais gostaria de ter descoberto. – vai ficar linda em você, amor, por que não experimenta?
– não quero, Não quero! – gritou quando ele a puxou pondo-a sentada e começou desabotoar seu sobretudo – eu não quero, Sasuke!
– vai ficar linda, você é linda, de todo jeito. Quantas vezes. Tenho que dizer. Que você é linda? – cada sentença foi um botão arrebentado de sua blusa, Sasuke esgarçou a peça puxando-a brutalmente de seus ombros, os olhos avermelhados brilharam de adoração ao vê-la exposta, e ela se encolheu tentando se afastar de suas mãos quando a envolveram entre abraços e beijos – você é linda...
– para, por favor, eu não quero ouvir, por favor...
Ser chamada por aquela palavra era como invocar seu inferno pessoal. Como ela odiava aquela palavra.
– vai ficar mais linda...- segundos foram o bastante para que ele despisse por inteiro e enfiasse a camisola por sua cabeça. Quando a obrigou a ficar de pé a sua frente, para ela foi o mesmo que continuar nua e exposta, suas pernas tremiam e doíam, e Sasuke a encarou como se visse uma divindade. — Você está linda, Sakura, por favor, não desista de nós, não desista de dar a Ryan a família que ele merece.
Como ele podia falar em família ante todo o lixo que a sua revelava? Como achava que poderiam construir algo sadio e real em meio aquela gente? E quando eles próprios eram criaturas tão sujas?
– por favor, por favor, Sasuke, me deixe ir...
– minha pequena gata, você não pode, você não vai – o tom carinhoso apenas desesperava-a mais, Sakura se deixou cair lentamente e se recostou na cama, Sasuke viu sua derrota como se a tivesse convencido, o moleque brincalhão voltou, ele se deitou na cama, e passou o braço ao redor do pescoço dela, beijando e aspirando seus fios, revezando o ato com a garrafa de bebida.
Em algum momento, ele apenas parou, sua cabeça deitou no ombro dela, a mão na garrafa afrouxou, mas a em volta dela, não.
E Sakura parou de conter seus gritos e soluços, ela chorou e berrou naquele espaço, como uma criança, mau respirava de tanto soluçar e tremer. Ela nunca chorou assim, e ver isso apenas inflamava seu desespero.
Ela se perguntou:
Será que jamais estaria livre daquele homem?
Jamais estaria livre de um homem?
A algema que os unia nunca poderia ser desfeita? Ou apenas aquela criança, razão de tudo seria o problema e a solução?
Quando ela parou de arranhar o rosto e as mãos desceram para o ventre, ela ouviu passos, e encarou a porta entreaberta, sapatos perfeitamente lustrados entraram em sua visão e então ergueu os olhos para encarar James adentrando o recinto, portando uma pequena bandeja de prata com uma xicara de chá fumegante.
– madame – cumprimentou, seu olhar calmo e gentil passeou momentaneamente pelo quarto, e com um suspiro ele se abaixou e a fitou, vendo suas unhas cumpridas, arredondadas e bem feitas, paradas a ponto de se encravarem na carne esticada abaixo do tecido da peça. – madame, isto não adiantará de nada, e tenho certeza, que a senhora também não quer isso.
– você não sabe de nada, você não me conhece! Me tira daqui! Por favor, me tira daqui, me tira de perto dele.
– não poderia trair Sr. Uchiha desta maneira, mas tampouco posso permitir que passe mau.
Sakura ignorou todo o resto, e voltou a chorar, ele deixou a bandeja ao lado e rodeou a cama começando a tirar a mala e as roupas de cima. E até mesmo Gisé, com um educado com licença para com ela.
Quando voltou, se abaixou e pegou a xicara oferecendo à mulher.
– vai acalma-la, não pode permitir que sua pressão suba, madame. – sempre aos soluços, e com as mãos tremulas ela apanhou a xicara e provou do chá que aos poucos poderia salgar com as lagrimas que desciam por seu queixo e gotejavam no conteúdo. James se ergueu mais uma vez e se dedicou a liberta-la de Sasuke, pondo-o em seu lado da cama e tirando-lhe os sapatos, logo veio e a ajudou a se levantar, sentou-a em seu próprio lado e cobriu-a até as pernas com a coberta.
– As empregadas irão cuidar do resto amanhã, se me permite, estou me retirando, e caso se sinta mal, pode chamar ajuda pelo numero de emergência, madame – com uma reverencia educada, ele se retirou.
Sakura permaneceu olhando a porta da piscina, o corpo em espasmos alternados por soluços, ela pegou o controle sobre o criado, e ligou o som, deixando a faixa de musicas tocar, a faixa que só ouvia quando estava sozinha. Seu gosto oculto.
Com um suspiro, ela acompanhou com os ouvidos, a mente embaçada e as lagrimas nunca cessando, as primeiras notas do “The Requiem Mass in D minor (K. 626)”.
Mozart era o único que ela ouvia agora, e, o único que a ouviria.
O homem ao seu lado não se moveu, mesmo o som sendo quase ensurdecedor no ambiente fechado, desde que tombara, hora outra ele apenas murmurava que ela não fosse, que não podia ir.
Ele era sua algema, um grilhão e uma cela.
Tudo de novo, sem perspectiva de escapatória, e mais uma vez, ela se calaria, e aceitaria a situação. E ainda, agiria como se fosse, dona e causadora dela. Mais uma vez vestiria sua mascara.
Mais uma vez, ela se tornaria o resumo de sua existência.
“Você engana seus amores
Dizendo que é cruel e divina...”
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