Undisclosed Desires

11 Algemas reforçadas. Queda sem fim.


Notas iniciais
Cap adiantado pra vcssss

“...Calmamente

Eu vou fazer você se sentir pura...”

“A luz que irradiava sobre ele era estranhamente clara e fria demais, iluminava todo o terraço e refletia na piscina, seus ouvidos estavam empatados pela musica clássica, e ele percebeu que não ouvia alguma obra de Mozart desde a infância, na verdade, detestava, na época, era forçado a aprender pela megera da mãe, e desde que conseguiu se libertar dela, passou a ignorar o estilo.

Sasuke caminhou calmamente pela área, ele olhou em volta a procura da fonte do som, e nada encontrou, exceto uma sombra branca sobre a amurada do terraço. Com a testa ainda franzida, ele caminhou para perto, e parou no lugar, ao reconhecer os fios rosados sacudindo com o vento que quarenta andares de altura proporcionavam.

Sakura estava descalça, vestindo algo branco e leve, a face voltada para baixo.

– Sakura? Que porra...

– apenas tente não quebra-la.

Ele girou para o lado encarando o irmão.

– Itachi? – ao contrario dele, que ainda se via em roupas de dormir, Itachi estava exatamente como o vira na hora da discussão, os olhos negros voltaram-se da direção de Sakura para ele.

– mas já é tarde.

A musica foi apenas tensa e ensurdecedora, ele não gostava de Lacrimosa, e voltou-se para Sakura, ela o fitava de soslaio, embora o vento jogasse mechas em sua face, ele ainda via que estava ao natural bela como um anjo, mas de olhos e nariz avermelhados, ela soluçou, e se virou para frente e ele se viu caminhando aos berros quando a viu cair.

Quando a viu se lançar.”

Ar faltou-lhe e ele acordou num solavanco violento, como se ainda gritasse, algo abafado escapou de sua garganta e Sasuke piscou, atordoado encarando a cabeceira da própria cama.

Sacudiu o rosto e uma dor miserável atacou sua cabeça, pesada e latejante, ele gemeu e mexeu o cabelo, tonto, o corpo exausto e o estomago revirado. Se levantou e seguiu vergonhosamente cambaleante para o banheiro, enfiando-se embaixo do chuveiro ainda de roupas e percebendo que nem pijama usava. Ele deixou o rosto sob o impacto da água, e embora até o som fizesse sua mente querer explodir, ajudou a situa-lo sobre a noite passada. Não lembrava como havia feito aquilo, mas sim, ele provavelmente destruíra o noivado de seu melhor amigo, e tratou a mãe como a pior meretriz existente, se ele nunca havia falado com Mikoto, dito a ela tudo o que tinha entalado na garganta a mais tempo, foi por que, estando bêbado, perdeu o único traço de consideração e talvez, carinho, por aquela mulher.

Lembrava vagamente de qual fora a reação de Hinata, mas suspeitava que fora horrível, ela era tolamente confiante em Naruto, e quando sua mente voltou-se para Sakura, ele lembrou e se xingou por tê-la arrastado para o meio do furacão, e, foi quando imagens vagas dela jogando roupas numa mala o deixaram assombrado. Ele apagara, e se aquela briga ou o que lembrava dela, era real, estaria no mínimo, fodido.

Sua mente e emocional estavam acabados demais para dar conta de correr atrás daquela mulher, ele provavelmente se desgastaria ainda mais e acabaria deixando-a partir nem que fosse por um tempo, e isso era impensável dado o estado dela, temia ate mesmo o que brigar fizera à sua pressão, Sasuke mau enrolou uma toalha em volta de si ao sair do banheiro quase correndo, o quarto estava em perfeita ordem, o lado dela na cama, também e nem mesmo Gisé perambulava ou ressonava por ali, antes de seguir para o armário ouviu um ronronar, e encarou a porta do quarto, entreaberta, lá estava a gata, encarando-o.

– garota...- sua voz saiu rouca, quebrantada, tonto com a dor de cabeça e a movimentação brusca ele lutou com a vontade de se lançar na cama e se encolher. Seguiu para a porta e Gisé correu pelo corredor. Sasuke foi a passo rápido, o cheiro de bebida o fez querer vomitar, vinha de seu escritório e ele viu uma das empregadas limpando e recolhendo garrafas de sobre a mesa, seguiu para a sala, e Gisé miou para ele da poltrona, mas ele não tinha tempo para brigar e mandar ela sair de seu lugar. Ela parecia querer sempre provoca-lo.

Seguiu para a cozinha, as grandes janelas estavam bem abertas e a claridade junto aos tons claros do cômodo quase o cegaram, ele encarou primeiro a outra empregada, que servia suco numa taça, e então a cabeleira rosada pouco acima da cabeceira da cadeira. Quando o viu, a servente quase deixou a jarra cair, mesmo trabalhando para ele a tanto tempo nunca o vira em menos que um roupão, ele caminhou ignorando o quase desmaio da mulher, e esta deixou a bebida sobre a mesa se retirando apressada.

Sasuke se abaixou ao lado da cadeira e encarou Sakura, vendo-a levar uma xicara de café à boca, de forma quase mecânica, grandes óculos escuros tomavam seus olhos e ela ainda vestia um robe preto. Primeiramente, ele não sabia o que dizer, então apenas se apegou ao alivio e se ergueu para beijar seu rosto.

– Sakura...

– hn – parecia que ela o estava imitando, e com o rosto recostado no pescoço dela, Sasuke suspirou e desistiu de arrancar qualquer coisa dela, qualquer impressão, se Sakura tivesse algo a dizer sobre o que achou daquele show de horrores, ela teria dito, e ele, não queria lembrar disso pelo próximo ano, se possível. Por um momento, esperou que Sakura desdenhasse como ninguém de sua relação familiar, ela poderia ficar muito satisfeita em saber que nem tudo são nuvens de glamour e glitter no mundo dos ricos e famosos. Porém seu silencio, talvez demonstrasse algo pior. Que ela estava ainda mais convencida de que não poderia ficar em seu mundo.

O dele se firmava em aparências, capas de revistas, gráficos e coquetéis, o dela em noites de luxuria e dias de prisão, ninguém nunca deve ter dito a ela, que não era uma prostituta, tentado diminuir ou mudado a verdade sobre o que ela era para tornar mais aceitável.

Aquele submundo oculto e mundano, era mais verdadeiro que todas as capas de revistas que mostravam a vida de quem estava no topo.

– está molhando o piso – ela proferiu, roucamente, ele sabia que era egoísta, (ao lembrar aos poucos que gritara com ela também) tentar esquecer-se do porque de ela estar rouca. Ele se forçou a rir um pouco e só conseguiu gemer de dor. Se levantou tonto e puxou a cadeira à esquerda da cabeceira da mesa onde a mulher estava. Ao sentar-se e encarar o prato em sua frente, deu com um pacote laminado de aspirina e ao lado, um copo de água. Desta vez, ele riu de verdade, e pegou o remédio.

– obrigada, querida.

– não tire o crédito da empregada – ela comentou enquanto cortava o bacon no prato, ele não pode deixar de encarar mau aquele pedaço gorduroso – tome isso e pare de encarar a comida como se você fosse a mulher gravida e enjoada aqui.

Sasuke revirou os olhos, ao menos algo estava normal, o mau humor dela antes das dez da manhã...

Se preocupou em comer algo e olhar o telefone e agenda que estavam também sobre a mesa, ao lado do jornal.

Nada de Liza ou da empresa, ou mesmo familiar.

– parece que a festa de aniversário está cancelada – Sakura comentou enquanto tomava do suco.

– é... mas ao menos um presente eu já ganhei.

– rapaz de sorte.

Ele inclinou a cabeça, encarando-a, enquanto girava no dedo a haste da taça de suco.

– eu percebo. – não sabia se ela havia reparado, quão profundo havia ido, os óculos não permitiam. Sakura estava no modo “não tente me interpretar” ao máximo. E estava maquiada, o que lhe pareceu estranho, ela não o fazia antes de se alimentar, mas achou melhor, outra vez, deixar passar.

Com um suspiro, ele olhou mais uma vez a agenda digital, tentando maquinar algo que os tirasse daquele clima mórbido, a aspirina e o banho estavam devolvendo seu vigor e aumentando sua disposição.

Sakura e o bebê ainda estavam com ele.

E nada mais parecia pesar em seus ombros.

Algo de muitos anos havia sido removido.

– tive uma ideia.

– que desnecessário...

– vou ignorar isso.

– que novidade, espere, essa é a ideia? – Sasuke revirou os olhos e bufou um pouco.

– não estou com saco pra trabalho hoje, que tal irmos ver a casa?

– hoje?

– por que não?

– hum, que seja.

– ótimo, vou ligar pra decoradora e ver se ela está disponível, assim também começamos o planejamento logo. – ela deu com os ombros suavemente, mas ele já estava empolgado o bastante. Sasuke se levantou e seguiu para a saída antes de dar-lhe um beijo no bonito pescoço. Porém antes de sair, a voz feminina e rouca o pegou de novo.

– quando você disse que eu nasci pra ser Uchiha... Foi por causa da sua mãe?

A resposta para ele era tão fácil que até achou graça.

– você nasceu pra ser uma Uchiha, por que é a única que pode compreender quão longe posso e vou por você, e porque, provavelmente é a única que está autorizada a ir tão longe por mim, uma vez meu pai me disse que eu tinha que encontrar alguém, um único alguém em que eu pudesse confiar tudo sobre mim, eu poderia ter amigos, e irmãos, mas somente esta pessoa saberia tudo sobre mim, agora, esta pessoa, é você, Sakura.

O dia parecia conspirar pra que ele se sentisse leve, talvez até purificado, ele seguiu de volta ao quarto e tratou de se trocar.

Sakura tirou os óculos e apoiou a testa contra o punho.

Derrota, era a única palavra que a resumia.

Quantas e quantas vezes Sasuke conseguiria desarmá-la e prendê-la?

Mas uma coisa ele tinha razão. Ela estava começando a saber tudo dele, e o pior. Sentia-o cada vez mais próximo de si.

*******************************************************************

Está bem, ela não ficou feliz.

Mas não podia culpa-la, Sakura havia idealizado algo bem diferente em uma casa de família e já sabia.

Ela provavelmente não estava brincando quando falou em casa com quatro quartos, quintal e casinha do cachorro, mas não tinha jeito, moravam em Nova York, capital, jamais teriam uma casa com quintal, e ele não poderia se domiciliar fora de lá, deixaria seus negócios ainda mais apertados e dificultaria ainda mais que comparecesse ao lar.

Com um filho chegando e uma esposa voluntariosa e astuta, ele não poderia brincar.

Shikamaru era um ótimo arquiteto e não duvidava que o apartamento seria espetacular. Só de imaginar setecentos metros de espaço ficava tonto, talvez fosse até grande demais pra dois, ou três, mas ele e Sakura poderiam cuidar disso, futuramente, e talvez estando avizinhados com o Central Park ela pudesse apreciar a vista natural.

Ela fazia um leve muxoxo e por mais que quisesse apertar sua bochecha ele preferiu não cutucar onça com vara curta. Gisé, cochilava em seus braços, e Sasuke resolveu aproveitar uma das poucas vezes em que dirigia ele mesmo, e por isso correu para as chaves do Lamborghini. Sakura achou que ele fosse pra uma corrida clandestina quando viu, e só o som do motor acelerando a fazia silvar perturbada.

Adoraria provoca-la, mas não podia, e o transito tampouco permitiu, então parou o carro em frente ao prédio dito no endereço e saiu, pondo os óculos e olhando em volta a procura de algum enxerido, ele contornou e abriu a porta para ela. Sakura saiu com os olhos também encobertos de lentes escuras, acariciando atrás da orelha da gata que tinha a vista semicerrada em puro êxtase. Para Sasuke, ela parecia um adolescente viciado em punheta, não sabia que prazer tinha hora.

A gata mulher perscrutou a vista ao redor, também desconfiada, a rua tinha bastante movimento e obviamente o carro dele chamou atenção mesmo sendo aquela uma das regiões mais nobres. Sasuke sabia que não demoraria pra um fotografo ou mesmo repórter vir descobrir de quem era o possante, e guiou a arisca noiva para dentro.

– estou com fome – ela avisou.

– acabamos de tomar café.

– e daí? – tão naturalmente irritante...

Entraram no espaçoso elevador e ele quis se atirar no poço.

– quando terminarmos aqui, nos entupimos do que você quiser.

– porque você também tem que se entupir? Ora, segure essa boca, não quero homem gordo.

Agora ele queria atirar ela no poço.

Gisé fez manha e ela beijou sua cabeça.

– você também acha não é? Hum? Meu benzinho...

Sasuke afundou a mão que não enlaçava a cintura dela no bolso e revirou os olhos, era um prédio relativamente baixo comparado ao que ele morava agora, mas altura não era importante e quanto mais perto da visão das arvores, melhor.

Quando saíram, ele encontrou o amigo parado num pequeno hall, um espaço comum ainda em reforma para os habitantes dos últimos andares. Shikamaru estava profissional como sempre, e a cara de tédio e sono de sempre. Vestia um terno escuro talvez mais barato do que se podia esperar pra alguém em sua posição. Mas Sakura podia ver facilmente ele entrando em qualquer loja pra comprar roupas. Não parecia alguém que levava a aparência a sério, ou qualquer outra coisa...

Ela se limitou a cumprimentar com a cabeça e olhar para as grandes janelas enquanto Sasuke o cumprimentava.

– cedo demais pra você? – o Uchiha provocou.

– não vou me dar ao trabalho de responder – o Nara rebateu emburrado.

– eu já sabia, podemos subir?

– você quer mesmo a cobertura? Saiba que o preço vai ser um estrondo, a economia não anda lá essas coisas mas rico gosta de gastar...

– eu sou rico – ele deu ombros e a mulher revirou os olhos.

– e babaca.

– por que não leva a gata pra alguma caixa de areia? – ele brincou, e recebeu um duplo olhar felino. Aquela gata o assustava as vezes, tão esperta parecia.

– grosso – Sakura acusou.

– e duro.- ele sorriu sacana e Shikamaru esfregou o rosto, seja por sono ou por aborrecimento.

– não agora – ela rebateu, dando um olhar sugestivo ao cinto dele e virando as costas para caminhar até uma das janelas.

– desista, esse round já era – o Nara avisou, quando o viu abrir a boca para contestar, foi bom por que estava sem ideia.

– tsc, que seja, mostre a planta – o preguiçoso riu com deboche e abriu a planta da cobertura para os dois, enquanto Sakura encarava o movimento lá fora, indo em cada janela, ele observava cada espaço. O terraço seria todo seu, a suíte quase tão grande quanto a sua e se perguntava o que poria lá pra se distrair em tanto espaço, ou talvez quando a gata estivesse em forma ele nem precisasse pensar nisso. Cozinha, sala de jantar, uma sala de TV que Shikamaru sugeriu que mesclasse a um bar.

Ele sempre quis um e a ideia o agradou muito. O quarto do bebê seria enorme também, e mais dois para hospedes ou futuros filhos, quatro banheiros, e a única coisa da qual ele sentiu falta foi ter uma piscina. Teria de mandar fazer uma no terraço, mas estava pensado noutra coisa para ele. Algo, de certa forma, especial, um presente.

Mas isso teria de discutir com outra pessoa.

Ele olhou no relógio e quando ouviu o som de saltos não pode deixar de sorrir em satisfação.

Junto a Shikamaru, se voltaram para a entrada, o salto meia pata de oncinha se destacava do modelito todo preto, e Sakura arqueou a sobrancelha em analise.

A mulher era alta e esbelta como uma top model. Usava calça preta social e regata, um blazer que parecia de couro e o cabelo curto e repicado, um tom negro quase azul. Cada passo dado com precisão e confiança e a Channel no antebraço arrematava o resto. Ela parou e sorriu para os dois homens com todo charme.

– olá amores?

– ah não, você chamou ela? – Shikamaru resmungou, ele e Konan já haviam trabalhado juntos, também haviam transado e por isso ele queria distancia, Temari era um porre de mulher ciumenta, e mesmo que hoje em dia ele se arrependesse e a morena quisesse ve-lo se explodir, ele não queria arriscar.

Mas Sasuke estava cagando e andando pra proximidade que criou entre eles, nem trabalhariam juntos, Konan era uma verdadeira profissional e não uma socialite que se considerava a rainha do refino.

Tinha um jeito extravagante, mas dava-lhe bastante fama.

– ah, a preguiça humana – ela resmungou, revirando os olhos dourados, e sorriu para o Uchiha. – olá Sasu?

Sasu? E eu achava que não podia piorar — Sakura disse, e ele suspirou, lançando um olhar feio para a morena, mas foi ignorado, ela e Sakura estavam muito entretidas em sua troca de avaliações, e ele temeu o que diabos sairia dentre elas.

Konan, foi a primeira a comentar sua avaliação.

– eu amei seu cabelo!

– não sei se gosto de muito curto – Sakura disse meio pretenciosa, mas sorriu um pouco logo depois – mas o blazer precisa dele assim. – admitiu. A morena seguiu até ela sorrindo orgulhosa do sutil elogio.

– eu seeeeei! E que tintura é essa?! Está fantástico parece até que...

– nasci com ele? – ela completou presunçosa, a outra arregalou os olhos.

– oh meu deus! – voltou-se para encarar Sasuke – oh meu deus! Eu sabia, sabia que você curtia uma exótica!

– hum?

– cale-se, sua louca.

– oh que gatinho lindo!! Tinha visto numa revista, e é ainda mais fabuloso ao vivo! – disse, acarinhando a cabeça da gata, Sakura a fitou primeiro com desconfiança, mas sorriu muito orgulhosa em seguida.

– é uma garotinha.

– awwnt! Tão lindaaaa!

– se chama Gisé, não é glamoroso?

– muito digno! Os egípcios tinham bom gosto, escolheram o animal certo para adorar! Tenho peças lindas diretamente do Cairo, queridinha.

– oh? Fantástico, mas não gosto de lugares quentes.

– nem eu, mas o homem com quem estava sim...- a rosada arqueou as sombrancelhas impressionada.

– um... egípcio?

– árabe, mas e daí?

– é como nos livros?

– ah, venha aqui! — ela chamou e Sakura se aproximou cheia de curiosidade para ouvir suas asneiras ao pé do ouvido.

– ela vai contamina-la, soube que passou três meses isolada num oásis com esse tal árabe — Shikamaru alfinetou. Quando viu Sakura corar com o que ouvira da outra, o Uchiha resolveu cortar a conversa. Se Konan tinha como impressionar alguém como Sakura que era expert no campo do sexo, ele tinha até medo do que poderia sair naquela conversa. Tomou o projeto das mãos do amigo e seguiu até elas.

– certo, chega – ordenou, puxando-a de perto e empurrando a folha para a morena.

– não seja chato, Sasu!

– não enche ô babaca! – Sakura reclamou – como é o troço do...

– vocês não deviam estar discutindo a decoração?

– ah... é mesmo – Konan abriu a folha e voltou a atenção para ela, Sakura bufou, e ele sorriu satisfeito ao ver a morena concentrada no desenho, ela estava no modo profissional agora.

– oh, Sasu, que bom que me chamou! Então enfim vai dar adeus para aquele antro de hospício que você chama de lar? Vou adorar encher de cores aqui, meu bem – ela disse, muito empolgada, e ele deu de ombros.

– isso você vai ter que resolver com a senhora Uchiha aqui.

– eh? Como assim? Vocês já casaram?! Pelo amor de deus, Sasuke, nos conhecemos desde que babávamos na roupa e você não me chamou?!

– só á titulo de informação, ele babou na própria roupa até que idade? – Sakura indagou.

– hein?

– calada – Sasuke ordenou, emburrado.

– que calada o que? Eu to levando sua cria tenho que saber os precedentes, ora pois.

– então eu também deveria, ora pois – ele desdenhou.

– eu era uma criança muito auto suficiente, se quer saber – ela comentou orgulhosa, Sasuke revirou os olhos.

– nós não casamos, ainda sua boba – ele disse ante o olhar suplicante e chorão da morena.

– aaaawwwnnt!! Que bom então!

– vamos deixar pra depois que o bebê nascer – Sakura continuou.

– fazer o que? Já adiantaram a Lua de Mel mesmo, como vai a organização? Oh! Serei sua madrinha!

Os dois se entreolharam receosos.

–hum... bem..., Ino já se ofereceu para ser minha madrinha.

– oh? Aquela puta oxigenada! Nunca mais fomos as compras! Como ela está?

– insuportável como sempre, já tomou frente para a organização do casamento – ele resmungou.

– ah sei que ela me deixará ajudar, nós duas organizamos o Baile de Formatura, lembra Sasu? – pelo sorriso que ele soltou, Sakura presumiu que havia sido uma festa e tanto.

– é, foi.

– você pode ser a madrinha dele – Ela sugeriu, e Sasuke a fitou tão surpreso quanto a morena.

– e-eu?! Do Sasuke? mas e o Naruto e a gorda-cega-cafona-e-mala dele?

– você também acha?! – Sakura disse, e Konan revirou os olhos.

– a senhorita quero ser “a rainha da delicadeza”? ECA! – imitou a voz fina de Hinata.

– posso ficar com ela? – Sakura pediu a ele.

– não o tempo todo, uma hora você enjoa, por isso só a vemos de tempos em tempos.

– não seja mau, Sasu!

– é a pura verdade, agora que tal subirmos logo e olharmos o lugar? – Shikamaru disse, Konan revirou os olhos para ele e então os quatro seguiram de volta ao elevador.

Muito enciumada ainda, Sakura permitiu que ela segurasse Gisé um pouco.

Ela era a única coisa de que devia ter algo como ciúmes, além do próprio corpo, mas Sasuke sabia que este sentimento pela aparência era mais um reflexo de sua autoproteção emocional.

Enquanto nutria genuíno afeto pela mimada gatinha.

Ela sentiria algo parecido por ele algum dia? Antes esta questão nem o perturbava, mas agora queria ter Sakura tão dependente emocionalmente de si, quanto estava sentindo-se sobre ela.

E mais ideias “loucas” começavam a se formar em sua mente, por conta disso.

********************************************************************

– foi tudo como você queria?

– Hum, talvez.

Com um suspiro ela deitou a cabeça em seu ombro, Sasuke voltou a visão para o telão, o filme era desinteressante para dizer o mínimo, só a pipoca valia o programa, mas ela já havia dado cabo de mais da metade e agora ameaçava cochilar ali mesmo.

– por que talvez? Achei que sendo tudo como você queria...

– não sou tão prepotente assim, Sasuke, sua amiga está sendo ótima, tanto que até duvido que seja amiga mesmo – ela murmurou contra seu pescoço, Sasuke não pode deixar de achar graça. Ela tinha um ponto, afinal.- ela quer que almocemos juntas – Sakura prosseguiu, após um bocejo — pra decidir as cores de cada ambiente, e então vamos aos moveis.

– hn.

– Sasuke, isso ficará enorme, o preço, Konan só me mostra coisas de primeira linha.

– você me pediu pra comprar um hotel, um dia desses, agora acha que não posso mobiliar um apartamento?

– humpf.

– fique tranquila, o custo parece grande mas mau faria cocegas no patrimônio da família.

– da família, ou o seu?

Ele entendeu onde ela queria chegar, depois da carnificina em família, Sakura presumia que a mãe e o irmão dele fechariam todos os cofres e fariam aquela coisa de manda-lo á pobreza caso quisesse continuar com sua camponesa. Mas esses clichês não eram novidade pra ele, e estava mais do que prevenido, além de Mikoto não ter mais direito em tocar na parte dele da fortuna do pai, ele era diretor executivo da empresa, enquanto Itachi não era mais que um administrador e fiscalizador que se revezava entre as multinacionais espalhadas pelo globo, tais como as de Montenegro que ele acabara de fundir. Então sua adorada mãe jamais poderia manda-lo à miséria, na verdade, ele era quem poderia por ela na rua, e até mesmo Itachi, um simples processo interno, uma sujeira plantada, ele poderia sair fora.

Mas Sasuke já não o considerava perigo, e o fundo de viúva de Mikoto já estava bem esgotado, Fugaku lhe deixara muitos e muitos bens, ela só tocara neles quando os dois filhos, passaram a mandar nos próprios narizes e dinheiro, na verdade, ela não se preocupara em tomar a herança deles, ela em toda sua prepotência de mãe ou rainha inabalável, jamais achou que precisaria desviar algo para si enquanto eles eram incapazes, de modo que, viveu gastando o que era deles enquanto era sua responsável legal, mas quando os dois cresceram, ela teve e ainda tem, de se conformar com os bens deixados pelo marido, e alguns investimentos na bolsa.

Só.

– pode ficar tranquila quanto a isso, quer ir pra casa?

– hn, sim.

– vamos, eu quero falar sobre algo, em casa.

– isso cheira a encrenca – ela disse, Sasuke levou a mão até seu rosto e apertou-lhe o nariz.

– você fareja demais, querida – Sakura resmungou algo, e os dois se levantaram. Ela comeu o que sobrara da pipoca no carro, ficando exatamente como estava no cinema, recostada nele assistindo o tráfego como se fosse o filme.

Ao chegarem no apartamento, ele a deixou tomar banho primeiro, e então tomou sua vez, quando saiu, foi encontra-la na sala, ela estava perto da janela, apenas parada, vestia um blusão de lã escura, as mangas arrematadas até os cotovelos, e as mãos sobre a barriga, o cabelo cobria sua vista, mas ele sabia que ela estava sorrindo.

Ryan devia estar num daqueles momentos agitados.

– mexendo muito? – indagou seguindo até ela, Sakura o fitou, mas desta vez não pareceu aborrecida, irritada ou constrangida por ter sido pega com um sorriso bobo sobre o bebê deles.

– um pouco, acho que foi a pipoca doce, Tsunade disse que açúcar o deixa agitado.

– entendo – Sasuke parou diante dela, pondo a testa contra sua cabeça, e as mãos na barriga, sentiu leves chutes, e ouviu uma baixa risada da parte dela. Uma risada doce e contemplativa. — quer se casar comigo?

– eu já vou, bateu a cabeça na pia, foi? – ela teve o rosto erguido pelas mãos dele, seus olhos negros a encararam cheios de intensidade e calor.

– quer casar comigo agora? Este mês, se possível ainda essa semana?

Ela franziu a testa, atordoada.

– co-como? Do que está...

– no civil, — ele esclareceu – casa comigo no civil?

– por que está querendo isso agora? – Sasuke meneou a cabeça, e deu de ombros.

– apenas quero.- Sakura suspirou.

– até quando vai apenas querer as coisas? – indagou, exasperada – sempre querendo e tendo...

– você é a melhor coisa que eu poderia ter e querer, Sakura, quer casar comigo?

Sakura o encarou, por um momento, ela viu que era uma pergunta sincera, uma proposta adorável.

Por um momento, pareceu possível que pudesse negar, e pedir pra que esperassem.

Mas ela lembrou mais uma vez, que eram só aparências, um pedido. Mas no fim, ela obedeceria, ela ia obedecer, como sempre.

Por que não tinha jeito.

Já estava presa a ele.

Piscou lentamente, permitindo-se admirar quão ansioso ele estava, como até prendera o ar. Seu interior lamentou que não pudesse ser real, não pra ela. E se reprimiu por isso. Por gostar tanto da sensação.

– sim, Sasuke, eu quero me casar com você.

O sorriso de Sasuke era glacial quando em sua face de titã, o de agora, caloroso e reconfortante, ele beijou sua boca, e abraçou, um abraço quente e aconchegante. Ela se permitiu se iludir no calor e no som de seu riso de menino, apenas um pouco, pra amenizar a dor que as algemas cada vez mais apertadas causavam. Ela se permitiu achar que era exatamente isso que queria, deixa-lo feliz, depois de tudo o que ele passou, recompensa-lo.

Sakura não sabia quando passou a almejar que ao menos um deles estivesse realmente feliz em meio aquilo, talvez por que queria que seu filho vivesse junto a alguém realmente feliz. Talvez por que Sasuke tivesse ido mais longe que qualquer um por ela, mesmo que apenas pra prende-la mais do que qualquer um pudera.

Enquanto Ryan chutava vigorosamente em seu interior, ela torcia pra que isso fosse um bom sinal. Por que se sentia cada vez mais perdida.

Sem expectativas.

Como se caísse num buraco sem fundo.

“...Você é a única...

...Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração...”