Notas iniciais
Na boa, eu achei esse cap tão, mas tão, mas TÃO

“...Eu vou fazer você se sentir pura...

...Você pode ter certeza...

... Calmamente...”

Sakura se encarou mais uma vez antes de sair do banheiro, mexendo a cabeça, em frente o espelho, ela se examinou com cuidado.

Estava louca.

Não, Sasuke estava.

Mas não fazia diferença se estava indo na frente ou sendo guiada.

Com calma, ela arrumou os fiapos de cabelos que foram deixados em cada lado do rosto, o resto estava escovado, liso e posto para trás com uma presilha brilhante e pequena, que estava escondida sob um véu longo de tule até o quadril, cinzento, puxado para o creme como o vestido.

Um vestido que mais lhe parecia de festa, longo e fluido, sem cauda, graças a deus, pois seria muito constrangedor entrar num bendito cartório às quatro da tarde, puxando uma cauda atrás de si. A parte de cima era toda cheia de bordados brilhantes, que desciam para suas costas também. Sua maquiagem estava quase sem ser notada exceto pelo batom que não era exatamente forte. Na verdade, ela sentia como se não usasse nada, e sair assim, incomodava.

Mas não podia usar sombra e delineador fortes durante a tarde e o cartório fechava as seis.

Com um suspiro, ela parou de ignorar as batidas na porta e saiu encarando as duas dondocas.

– pronto, estou aqui, não tem que arrebentar a bendita porta. – Ino e Konan, deixaram de lado ou sequer deram atenção a sua reclamação, apenas encarando-a, e ela, sentindo o rosto praticamente limpo, voltou a sentir-se exposta.

– você está linda! – Ino afirmou.

– não precisa ficar nervosa!

– não estou, eu só... olha, podemos ir? Onde está Sasuke?

– oh, ele já foi.

– que? – ela as fitou incrédula, enquanto elas pareciam radiantes. – o que diabos... ele foi sem mim? Aquele bastardo...

– ele foi na frente, esperar você.

– huh?

– o noivo não pode ver a noiva no vestido antes da hora!

– oh, não, pelo amor de Deus, só podem estar... caramba! Isso nem é um vestido de casamento! E será apenas o civil!

– continua sendo um casamento! – Konan teimou, e ela quis arrancar seus fios, aquelas duas estavam acabando com seus nervos desde que souberam da peripécia daquele maluco.

Para ela, deveria tudo ser em sigilo, eles deveriam apenas ir no maldito cartório, assinar os benditos papeis e pronto, mas ao que parecia, precisavam de testemunhas, duas, e Ino fez todo um drama para conseguir uma das vagas, até tentou trazer o namorado de volta de uma viagem, mas então veio Konan, e tomou o segundo papel.

A ex meretriz não entendia nada destas coisas jurídicas, mas achava que um casal era quem devia servir de testemunha, mas Sasuke falara que isso era apenas o habitual, não uma regra.

– agora vamos, o noivo é impaciente, quase não conseguimos expulsa-lo daqui! – Ino disse, puxando-a rumo a saída do quarto.

– senhora – as empregadas cumprimentaram paradas na sala, uma segurava Gisé, e por um momento Sakura se perguntou com ela se sairia de daminha. Meneou a cabeça sentindo-se nervosa e louca.

Tudo o que pode fazer foi acarinhar a gata antes de continuar sendo arrastada para fora. Lá embaixo, James ofereceu-lhes um sorriso amplo e satisfeito, enquanto abria a porta para elas.

– madames.

– obrigada pedaço, digo, rapaz – Konan disse, Sakura e Ino se entreolharam, confirmando suas suspeitas de que a decoradora de interiores gostara muito do motorista de Sasuke.

Entraram no veiculo e Sakura se sentiu sufocada entre elas, e ainda com aquele bendito véu.

– cuidado querida, ou vai amassar, foi quase impossível achar um que combinasse com o vestido – Ino disse, toda zelosa com a peça que Sakura empurrou para trás rudemente, e soprou o fio de cabelo que insistia em se entremear em seus lábios.

– pare de bufar, parece um touro indo ao toureiro – Konan aconselhou, como se fosse uma figura materna – ninguém vai espetar espadas em você, querida.

– humpf.

– bem que poderia ter um champanhe, para noiva se acalmar. – Ino comentou, travessa.

– eu não me importaria de parar em um lugar e comprar algo, mas o patrão meu aconselhou a não demorar no caminho, uma vez que já esperava que fossem custar lá em cima – James, disse.

– uma pena que você não esteja disposto a transmitir meus recados, James, ou diria para manda-lo tomar bem no centro do...- as duas mulheres fecharam-lhe a boca. E ele riu um pouco.

– agora sabe porque não posso faze-lo, senhora, aprecio meu emprego – Sakura empurrou as mãos das duas e bufou, de repente, achando o caminho longo demais.

Mas com apenas um minuto ou dois de atraso, elas estavam em frente cartório. A única preocupação de Sakura agora era que Ino não tivesse obedecido seu veredito sobre nada de fotógrafos para a ocasião. Ela detestava fotos com todo seu ser, e já lhe incomodava saber que algumas circulavam na internet e imprensa quando Sasuke a assumiu como noiva, algo como um álbum de casamento era totalmente dispensável.

Desconfiada, olhou para todos os lados em busca de algum reflexo de lente, e se perguntando se Ino e Konan tagarelavam tanto apenas para distrai-la mesmo. Até que, localizou Sasuke na entrada, e se perguntou por que diabos aquele idiota não foi esperar lá dentro.

Ele achava mesmo que ninguém o perceberia ali, naquele terno negro perfeitamente alinhado em seu manequim desenhado por algum deus da luxuria, parado com um sorriso meio besta na cara, o cabelo perfeitamente penteado para trás, ela não quis aceitar que era perfeito, pois era a primeira vez que o via assim, como se estivesse enfrentado um pente e não uma simples passada charmosa de seus dedos longos e peritos por entre eles?

Aquela era oficialmente a pergunta mais longa que sua mente fez, e ela xingou aquele idiota por ser o protagonista dela.

Mas porque diabos ele tinha de encara-la com aquela cara boba e encantadora? Tinha algo errado com ela?

– uh, que noivo impaciente – Ino murmurou-lhe eufórica, mas Sakura só queria saber se não estava andando em alguma passarela que se movia na direção contraria a que ela ia, por que estava demorando tanto pra chegar logo ao lado dele? Não era ansiedade, que ficasse claro, apenas já estava farta de ficar sob o olhar dele, que parecia derreter e desacelerar o tempo.

Ou ela.

– vá devagar – Konan disse, ela a fitou quase xingando-a por dizer aquilo, alias, Sakura estava afim de xingar todo mundo.

Ela poderia sair pela rua xingando e ofendendo a todos, puta que pariu.

Puta que pariu, por que ele não parava? Suas bochechas ardiam.

E então, finalmente estava diante dele. E foi como se o tempo voltasse a transcorrer em volta.

– até que enfim – Sasuke disse, dando um olhar severo mas falso as duas mulheres.

– ora ninguém mandou se apressar.

– vamos, o juiz não tem todo o tempo.

– certo, certo apenas...- Ino avançou nele, que quase recuou como se fosse atacado pelo monstro oxigenado, Sakura se perguntou como ele poderia ter transado com Ino e em seguida tratar dela como se fosse uma praga chata, uma coceira no rabo.

Ino não parou até conseguir prender uma pequena flor no bolso do terno dele.

– prontinho! Ora não aja como se eu fosse uma praga.

– não vou nem responder – ele disse, encarando a flor com tanto desprezo que se fosse de verdade, teria murchado, a coitada.

Em seguida Konan estava empurrando para Sakura um pequeno buquê, de rosas em um tom violáceo e cinza, enroladas por longas fitas e uma renda cujas pontas eram longas e balançaram sob o vento.

– oh não...

– você não achou que não, teria um buquê certo? Alias, certifique-se de joga-lo pra mim certo?

– huh? Você nem tem namorado! – a loira protestou e encarou Sakura – jogue pra mim! Alias nem precisa, basta me dar!

– ora vá se danar, eu o comprei!

– já o teve por tempo o bastante então! Não dê pra ela! Você mesma viu, ela está tão na seca que estava babando seu motorista! Bem, não que precise estar na seca pra tal...- Sasuke pigarreou irritado, e as duas se encolheram sorrindo amarelo.

– ou pode ficar como lembrança, tentar pegar no próximo casamento será bem mais emocionante...- a morena sugestionou.

– vamos – ele disse, com um revirar dos olhos e ofereceu o braço para Sakura, ela fez menção de pegar mas parou no ar com a palma em forma de um pare, que chegou a roubar o ar dele.

Não era burro, sabia que estava sendo completamente inconsequente, apressado demais e sabia que ela estava uma pilha com isso.

Talvez, provavelmente estava sendo egoísta, empurrando-a para isso daquela forma, mas estava completamente disposto a fazer valer a pena. Ao menos se ela não desse pra trás justo agora. Como parecia que faria.

Sakura baixou a cabeça e respirou fundo, levantou e respirou outra vez, como fazia nos “ensaios” para o parto que Tsunade a recomendara passar.

Mas ainda sim não era o bastante, ela estava no limite, se aquele maldito véu viesse para sua cara outra vez ela o rasgaria em mil pedaços e atearia fogo, se Sasuke lhe sorrisse daquela forma linda e encantada ela daria lhe um tapa e o mandaria ser homem (mesmo que fosse completamente idiota visto que aquele sorriso bobo era muito sexy), e a gota d’água era aquela porra de buquê que ela só queria dividir e enfiar na goela daquelas duas dementes.

Mas no fim, ela engoliu tudo isso e liberou de outro jeito.

– PUTA QUE PARIU!

Os três chegaram a recuar ante seu lindo palavreado, e algumas pessoas que entravam e saiam do cartório a fitaram como se fosse uma maluca vestindo um vestido de festa comendo o próprio cabelo e com uma barriga de melancia.

Ela respirou outra vez e desta, ficou tudo mais leve e o ar entrou mais fácil em seu sistema. Endireitou os ombros e o fitou.

– podemos ir – Sasuke a fitava como se ela fosse uma psicótica, mas, em seguida, riu, os olhos negros brilharam travessos e deu-lhe o braço, no que ela aceitou e se deixou ser conduzida.

– melhor?

– não faz ideia do quanto.- admitiu.

– que bom, alias.

– hum?

– você está maravilhosa. – ela o encarou mau prestando atenção em cada degrau que subiam rumo ao segundo andar, naquele vestido longo deveria tomar cuidado, mas o olhar do Uchiha lhe assegurava de que não cairia e logo estavam num corredor amplo, apenas sem parar de se fitarem, ele parecia já saber o caminho, e ela não precisava lhe perguntar, apenas segui-lo.

As duas testemunhas cochichavam muito empolgadas com a cena, até mesmo não se importando de terem sido completamente ignoradas.

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– por que estamos aqui, Sasuke? – Sakura indagou, toda desconfiada, ele se limitou a fita-la pelo reflexo do espelho, seus belos olhos verdes desconfiados e brilhantes, também aparentava certo desgaste e ela já não fazia questão de ajeitar os fios que escapavam do penteado. Sasuke estacionou e lhe sorriu, diretamente.

– vamos? – ela se emburrou e revirou os olhos, ele saiu e abriu a porta oposta para sua passagem e então estavam diante do prédio em que passariam a morar logo. Estava tarde e Sasuke acenou para o segurança, o homem ainda parecia estranhar o fato de eles irem dormir num prédio ainda desabitado, mas ao menos ficara satisfeito que não eram um bando de adolescentes riquinhos querendo baderna.

O elevador os levou até seu ultimo andar, o andar deles, e Sakura encarou o enorme vazio que a sala era, somente haviam o piso de carvalho, a lareira e as janelas. Tão grande...

– por que estamos aqui? – indagou de novo, decidida a se livrar dos sapatos e zangada, ao perceber que não havia nem onde se sentar, que não fosse o chão. – Sasuke?

Ele a envolveu como fizera uma meia hora atrás, beijou-a e sorriu entre os lábios dela.

– vamos dormir aqui hoje – declarou, Sakura abriu os olhos e o encarou, incrédula.

– que?

– hey, não me olhe assim.

– como se fosse um louco? É exatamente o que parece!

– vamos lá, será divertido.

– divertido?

– sim – ele deu de ombros, tirando terno e finalmente amassando e desgrenhando o cabelo, Sakura virou a cara, preferindo encarar o ambiente que admitir que gostaria de vê-lo daquele jeito por mais um tempinho. – vai dizer que nunca acampou na sala? Quando era criança?

– por que faria isso?

– é coisa de criança, Sakura.

– e a única aqui, está dentro de mim, ou seja, você está maluco.

– ah, a campainha.

– oh, pelo menos tem isso – ela desdenhou, Sasuke seguiu para a porta, dando-lhe um olhar de reprovação e depois uma piscadela, ao abrir se deparou com Shikamaru o encarando feio e ainda portando uma enorme mochila, e uma mala das maiores.

– vai ficar me devendo essa – ele declarou antes de empurrar-lhe a pesada e gorda mochila de acampamento e adentrar puxando a mala. O Nara parou fitando Sakura com olhar franzido.

– estavam numa festa? – ela se empertigou, ainda no vestido, e temendo que o maldito véu denunciasse algo, afinal, não era como se ele gostasse dela, ainda era namorado daquela tal loira que só queria ver o circo pegar fogo e adoraria atear as chamas ao contar ao resto do grupinho deles sobre o casamento.

– algo assim, qual o problema? Você disse que não teria – Sasuke disse, pondo a mochila perto da lareira. Shikamaru tirou o olhar de cima da mulher intrigado e voltou um emburrado para ele.

– Temari está me enchendo, quer saber por que eu resolvi tirar esta tralha do fundo do armário.

– veja o lado bom, não é por causa da Konan – a careta do arquiteto se ampliou.

– ela está desconfiada justamente por causa da Konan, deve achar que vou acampar com ela.

O Uchiha riu meneado a cabeça.

– larga essa mulher, Shikamaru.

– não vou nem comentar nada sobre essa declaração, amigo – eles se encararam e desta vez o Nara sorriu de forma meio desafiadora e sugestiva enquanto indicava Sakura, brevemente, com o queixo. Sasuke entendeu e o viu dar as costas e acenar rumo à porta.

– boa noite, e é bom isso tudo voltar inteiro.

– tá...

Ele saiu e Sakura encarou o agora, marido, dando de ombros quanto a careta que ele ainda fazia.

– nem vem, ele tem razão.

– tch, que seja, pode me ajudar com isso aqui?

– sinceramente? Não.

– vamos lá, adorável esposa?

– se eu pudesse sentaria e assistiria, adorável marido.

Sasuke revirou os olhos, e para evitar mais reclamação dela, deu preferencia em encher o colchão inflável de casal, a bomba era elétrica e ele agradeceu por isso pois bombear aquilo manualmente ouvindo Sakura resmungar ou debochar o faria voltar naquela ideia de se jogar no poço do elevador, ou ela.

Ela se sentou no colchão cheio, estranhando aquela coisa com uma careta enquanto ele armava a barraca próxima em frente a lareira.

– eu não sei se consigo dormir nesta coisa, Sasuke.

– nunca dormiu num?

– não, e não me olhe assim, Yahiko iria preferir nos ver dormindo no chão que comprar estas coisas, mas foi bonzinho ao comprar colchonetes, assim os ratos não nos mordiam e não pegávamos doenças.

– bonzinho...

– é, tudo para manter a mercadoria, e claro, com o mínimo gasto possível, mas isso foi só no começo...- ela se deitou de lado, traçando com os dedos as ondulações na superfície do colchão – ele foi ganhando espaço aqui no “mercado” e logo podia nos manter naquele prédio, com algum saneamento.

– estava com ele por quanto tempo, considerando a época em que começou? – Sakura ergueu a cabeça, a luz tremulante da lareira bailando por sua face alva, os olhos verdes afiados e nebulosos.

– sempre estive com ele – Sasuke entreabriu a boca e ela baixou a cabeça sorrindo melancólica, e amargamente – Yahiko foi meu primeiro e... único cafetão, por onze anos...

Sasuke suspirou, decidindo voltar à pequena tarefa e esperar que aquilo não afetasse o resto da noite, porém, sua mente acostumada a trabalhar com números o ligou. E ele a encarou.

– Sakura... você é prostituta desde os dezesseis anos? – Sakura parou o dedo onde circulava o desenho, seu olhar viajou em varias direções, mas ela não ergueu a cabeça, apenas piscou, então, foi como se desse conta de algo.

– parece tanto tempo assim...?

Muito, demais, pra alguém tão inofensiva como ela, tão quebrável, e tão frágil.

Considerando que ele a mantinha em cárcere, Sasuke porém, não achara que ele a tivesse aliciado, as meninas que alugara com ele eram maduras, no máximo vinte anos, mas agora, Sasuke realmente se perguntou se tinham esta idade, se não eram apenas vitimas de suas belezas, dos tratamentos estéticos e baratos, forçadas a crescerem antes da hora. Seu corpo se arrepiou de auto repudio, ao cogitar a possibilidade de ter deitado com uma criança.

E tratado como se fosse apenas uma boneca de luxo.

O pior de tudo é que antes de Sakura, ele já não lembrava bem das outras garotas, houve uma morena, uma castanha, uma loira tingida, todas esculturais, maduras. Já, Sakura chamara a atenção dele tanto quanto a de Naruto, que depois de insistir e se gabar de como ela era e faze-lo busca-la, não mais sequer lembrou-se e continuou explorando o “cardápio” que Yahiko oferecia.

– não se preocupe – Sakura interrompeu-o – ele não usa crianças, pelo menos, não aqui.

– o que quer dizer?

– Yahiko tem uma rede... Grande, ele tem uma casa na França, uma na Turquia e aquela na Suíça para qual queria me mandar, eu não sei dizer se ele usa crianças por lá, mas aqui ele tem cuidado, a maioria foi aliciada por propostas falsas de emprego, ele as trouxe de outras partes do país prometendo emprego fora, para que a própria policia cogite que estão sendo mantidas lá fora, do mesmo jeito faz com meninas do México, Espanha, Brasil e Porto Rico, esses lugares com meninas exóticas, por isso não sei se mexe com exploração infantil, mas o conhecendo, não acho que tenha escrúpulos para isto, ele mata bebês, por que não mataria crianças?

Sasuke se levantou, verificando a armação e então pediu a ela que saísse do colchão, o que ela fez resmungando e se retirando toda preguiçosa. Pra quem não queria nem dormir, ele já tinha a impressão de que ela até roncaria. Mas ela estava apenas exausta demais. Ele pôs o colchão dentro da barraca com certa dificuldade o que a fez rir o chamar de burro por não ter posto a coisa antes de armar a barraca.

– cuidado com o poço – ele resmungou, ácido.

– huh?

– pronto – Sasuke se afastou oferecendo a entrada – madame?

– ah – ela revirou as órbitas e aceitou sua ajuda para sentar lá dentro, Sakura se livrou dos sapatos e do véu largando-os fora da barraca e desfez o cabelo.

Ele se sentou na beira do colchão na porta da barraca e abriu a mochila tirando dela uma caixinha térmica, abriu e sorriu satisfeito.

– boa, Shikamaru.

– hum? – Sakura espiou sobre seu ombro e ele lhe ofereceu uma lata de cerveja. — Que?

– é da boa, pode crer.

– você toma cerveja? – Sasuke assentiu abrindo uma e estranhando seu tom incrédulo.

– por que não?

– nunca te vi por uma gota do que não fosse champanhe, vinho ou aquelas coisas amargas na boca.

– cerveja eu tomo em dia de jogo, mas realmente, nem lembro a ultima vez que fui ver os Yankees, ou mesmo na TV, acho que vai ter uma final... que tal irmos?

– num estádio? Não, obrigada.

– qual é Sakura, são os Yankees.

– e você sobreviveu bem sem ir lá um tempo, vai sobreviver sem ter que me carregar.

– já sei!

– Sasuke – ela brigou, e ele se virou, beijando seu rosto.

– façamos assim, você vai comigo ao jogo...

– pfft.

– e em troca eu te levo aonde quiser.- Sakura estreitou o olhar para ele.

– onde eu quiser? – ele sorriu adorando a proposta.

– onde quiser, amor, Nova York é toda sua, podemos ir a um restaurante novo, uma boate, nunca mais fui numa.

– e certamente não vai com a minha barriga. – Sasuke riu, maldoso e mordiscou a orelha dela.

– se por uma minissaia e um tope, ninguém repara...

– ah vá à merda! – ela o empurrou e rindo e ele deitou, Sakura bufou e encarou as chamas pensativa, e sorrindo um tanto agradada, ele a observou, desconfiado.

– então? Já decidiu?

– já sim...

– ótimo, onde?

Sakura se voltou a ele e ofereceu a lata que segurava para um brinde.

– os Yankees vem primeiro, amor.

– ah, Sakura, sem essa.

– é pegar ou largar.- Sasuke bufou e brindou com ela tomando um gole enquanto que radiante, ela tomou o máximo de uma vez e tossiu – Deus, isso é bom.

– só não se mate, amor.- ele ironizou, ela pôs a lata no chão e se recostou nele.

– estou com fome...- disse, manhosa.

– tudo bem, vamos ver... — Sasuke puxou a mochila outra vez, tirando dela vario pacotes de salgados, batatas, doces, balas e chocolates que Sakura agarrou assim que pôs os olhos. Ele a fitou feio por ter tomado de sua mão, e ela rasgou o pacote num puxão que espalhou barrinhas pelo colchão.

Sasuke meneou a cabeça e encontrou um pacote de espetos e para sua alegria marshmallows, ele não era um fã de doces mas estes tinham seu especial carinho.

– agora sim, um acampamento de verdade – disse enquanto espetava-os e punha perto do fogo.

– oh sim, só faltam a mata, o frio, insetos e cobras.

– eu posso arranjar a cobra...- Sakura chutou-o – ai, não estou falando da minha, meu amigo tem uma, de verdade.

– anda brincando com as cobras dos seus amigos?

– olha a boca.

– bom, é melhor do que se fossem ursos.

– tem medo de ursos?

– só não dos de pelúcia, mas fico feliz em jamais ter encontrado um de verdade.

– posso resolver...

– não vou acampar com você de verdade – ela cortou-o.

– me refiro ao Zoológico, burrinha – levou outro chute e ela protestou.

– não me chame de burra!

– tsc, pelo coice...

– Sasuke! – ele riu e se deitou puxando-a.

– vamos esperar o jantar.

– ora...- ele a beijou, ela largou o saco de chocolates, deitando a cabeça em seu braço, levando as mãos para envolver seu rosto e tocar o peito.

Em algum momento, ele parou de tomar a liderança do beijo, aos pouco deixou que ela assumisse, para sua surpresa, Sakura não foi na frente, ela o instigou lentamente, acariciou sua língua de maneira sensual e ao mesmo tempo, delicada, cuidadosa. O fez agir da mesma forma. E pareceu durar mais que qualquer outro beijo cheio de paixão e volúpia que já tenha dado.

Mas para ela, era apenas, provavelmente, a primeira vez, em que beijava como gostaria de beijar, como gostaria de ser beijada sempre.

Seus rostos se afastaram alguns centímetros para se fitarem, tomando ar devagar, os narizes ainda em contato, Sasuke a observou, apenas maravilhado.

Parecia que algo dentro dele havia se derretido.

Via nos olhos dela que o mesmo fenômeno havia ocorrido.

E esta coisa, pareceu se fundir entre eles.

Mesclado, misturado.

Amalgamando-os.

– uau, isso foi... incrível. – Sakura acariciou seu rosto, afastando uma mecha ébano, revezando o olhar entre seus olhos e boca.

– tem muito mais de onde este veio. – ele sorriu, puxado, charmoso, também venerando-a, e acariciou o queixo dela, trazendo-o para si.

– eu quero todos, será uma ótima Lua de Mel, não?

– não tão boa quanto você gostaria.

– está ótimo assim – Sasuke deu uma risada, gostosa e baixa – está muito bom, perfeito, e eu quero muito mais disto...- e novamente, suas línguas se entrelaçaram, sem pressa.

Fundindo-os lentamente.

Eles comeram quase tudo o que trouxeram, depois resolveram dançar ao som do radio transmitido pelo celular dele, até que Sakura ficou enjoada e foi vomitar no banheiro.

Depois disto, assistiram um filme de terror sangrento e grotesco por meio de um projetor e um aparelho de DVD que também veio na mala, e foi Sasuke a ir vomitar no vaso, e Sakura quem segurou sua cabeça e cabelos, eles estavam meio alterados, e rodopiar com os estômagos cheios de besteiras, foi péssimo para os dois.

Mas ela ficou zangada mesmo foi por ele ter decidido não ver o resto.

Comeram o resto dos chocolates, ela se livrou do vestido e vestiu a camisa dele. Conversaram amenidades pelo o que pareceram horas, cochilaram. Ele puxou seu pé em um momento fazendo-a achar que fossem ratos, Sakura bateu uma garrafa de água em sua cabeça, e dormiu prometendo que o faria se mijar pela manhã.

Acordou com os raios solares adentrando o vidro das janelas e se desvencilhou dos braços dele, esfregou os olhos e olhou em volta bocejando para então mexer em Sasuke.

– acorda, Uchiha, acorda.

– hn.

– já é de manhã. Sasuke, acorda, é quinta feira, você tem trabalho, sabia? – Sasuke se sentou no colchão esfregando o rosto amassado.

– merda...

– da próxima vez, case num fim de semana, querido.

– vou lembrar disso – ele resmungou, mau humorado, Sakura deu de ombros, pouco ligando pra seu drama, ela não faria nada ao chegar em casa além de deitar de novo junto a Gisé, sentia uma pontadinha de culpa por não tê-la trago junto, afinal não era como se a Lua de Mel que tiveram fosse contra indicada para crianças. Sasuke desbloqueou o celular para ver a hora, e ela bebeu água, olhou para seu glorioso manequim agora desprovido de camisa, apenas de calça, e ainda por cima meio aberta. Será que ele brincara com o Sasuke Junior sozinho enquanto ela dormia? Ela riu disto e antes que Sasuke indagasse o por que, riu mais e se vingou, derramando a o que sobrara de água na garrafa sobre a calça dele, Sasuke suspirou encarando o teto da barraca.

– puta merda...- Sakura se deitou gargalhando. – você é uma vaca, você sabe.

– eu prometi! Eu cumpri! Agora vá trabalhar, senhor calças molhadas!

– heh, vá sonhando – ele disse, empurrando a coberta de sobre as pernas e saindo de lá, Sakura franziu o cenho e o seguiu curiosa, até encontra-lo na lavanderia, tirando a calça e jogando na secadora. Ela cruzou os braços e fulminou-o com o olhar, além do banheiro, somente a lavanderia estava montada. Ele se aproximou dela com aquele sorriso filho da puta e beijou seu nariz. – boa, não?

– babaca, alias, vai com a cueca molhada? – arqueando a sobrancelha, ela o viu dar de ombros, tirar a cueca e jogar dentro da maquina também. Então se apoiou na porta, fitando-a, enquanto ela tinha o olhar voltado para baixo.

– saudades, amor? – Sakura, fez um bico, pensativa, inclinou a cabeça analisando-o.

– achei que fosse maior...- disse, Sasuke riu, um tanto irritado mas antes que pudesse responder, ela agarrou seu membro, com firmeza, a mão gelada o fez se arrepiar, e a lentidão da caricia queimou suas veias e o fez responder rapidamente, ela recostou o ombro no batente da porta, passando a língua pelos lábios, vendo-o ganhar mais vida e pulsar em suas mãos, trabalhando juntas, numa na extensão e a outra na cabeça, cheia e redonda. – hhmm, agora sim está do tamanho certo...- Sasuke ofegou em seu rosto, agarrando o batente acima dela com força, a outra mão abriu e fechou no ar e ela ergueu os olhos encarando-o de maneira maliciosa.

– porra, Sakura, só agora?

– isso soa cruel? – ele baixou a cabeça sobre o ombro dela, enquanto que o resto do corpo se arqueava em direção a suas mãos habilidosas e macias.

– muito, ah, sim, baby, você sabe me agradar...

– claro que sei, amor. – Sasuke ergueu a mão e segurou seu rosto, beijando-a com fome na medida em que ela o ordenhava com mais energia, desceu os beijos, até seu pescoço, então soltou a mãos da porta e abriu os primeiros botões da própria camisa no corpo dela, seu cheiro misturado ao dele apenas intensificou seu prazer e seu sentimento de possessão enquanto marcava o pescoço dela, e ela o seu.

Até que ele apenas não conseguiu fazer nada além de gemer e ofegar, enquanto ela falava coisas sujas, promessas do que daria a ele depois, somente dali a alguns meses, para sua total desgraça, mas também o melhor orgasmo que teve desde a ultima vez em que estivera dentro dela, não poderia nem comparar, ela fora a ultima que tivera e apesar de parecerem apenas alguns meses, percebia agora o quanto estava necessitado de ao menos um carinho assim.

Um puta carinho.

Sakura continuou acariciando-o, apertando-o para ter o máximo dele mesmo que já tivesse inundado suas mãos em seiva, beijou-o seu rosto e o fitou, todo corado e suado, quase indefeso.

Ela tinha sua parte mais viril em mãos, e, ao menos fisicamente, a mais frágil também.

– posso retribuir? – ele pediu. Ela sorriu negando.

– minha libido está lá em baixo.

– está brincando, não ficou excitada? Comigo? Não ficou...

– sentimentalmente e mentalmente sim, adoraria tomar tudo na boca, Sasuke, mas meu corpo não responde, algumas mulheres ficam com a libido alta, Tsunade disse que comigo não, bom, talvez seja por eu ter sido tão... sexualmente ativa. – ele suspirou olhando para a maquina, Sakura puxou seu rosto e o fitou.

– você me excita, sempre excitou, sem pagar ou não, certo?

Ele assentiu abraçando-a. Culpa o atingiu por ter se sentindo ofendido. Ela tinha razão, fora sexualmente ativa por tanto tempo. Talvez seu corpo apenas desejasse sossego durante ao menos a gestação, talvez fosse mais do que não se sentir confortável com a própria forma física, e fosse seu psicológico defendendo-a um pouquinho de ser usada.

Deixa-la aproveitar a gravidez não devia ser problema, mas não podia negar que era sexualmente ativo o bastante para que a seca dos últimos meses viesse incomodar hora ou outra. Ainda mais, por que gravida ou não, ela o excitava.

– temos que ir não? Peladão. – ela disse. Sasuke sorriu concordando, embora não quisesse voltar para o mundo real ainda.

Se arrumaram, deixaram as coisas emprestadas num closet, Sasuke decidiu que mandaria o motorista vir buscar e devolver ao dono mais tarde.

Os dois saíram do prédio de mãos dadas, estava frio, afinal já estavam quase no meio de Outubro e era outono em seu auge, Sakura usava seu terno por sobre o vestido, e na outra mão o véu e a bolsa, ele levava o celular e as chaves do carro, e quando entraram ele ligou o aquecimento e encarou o buquê dela ainda deixado no painel. As flores não caíram nas mãos de nenhuma das duas testemunhas loucas por que os dois saíram de fininho enquanto elas discutiam que restaurante os quatro deveriam ir para comemorar. Deixaram-nas tagarelando e saíram às pressas rindo e até com certa pena, do prédio.

Mais tarde sabiam que elas duas comeriam o fígado deles.

Sakura pegara seu celular e parecia usar a internet para algo.

– o que está lendo?

– hum? Nada.

– nada? Então me deixa ver – ele levou a mão e ela escondeu o aparelho – deixa eu ver, Sakura.

– vá encher outro, e preste atenção antes que bata num hidrante.

– tsc, confere pra mim, que dia os Yankees vão jogar.

– oh, vai ser neste sábado.

– é? que ótimo...

– oh sim, é sim, seu jogo será no sábado e o evento onde eu quero ir estará disponível no domingo.

– e não vai me dizer o que é? – ela negou muito convencida – se for algo grande é melhor que me diga, eu posso reservar bons lugares em tempo.

– amor, você é rico, basta dizer seu nominho e vamos escolher nossos lugares.

– ah, sua confiança em mim me deixa honrado – ele ironizou.

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“O Multimilionário Sasuke Uchiha é flagrado deixando um cartório de mãos dadas, aparentemente, casado com sua namorada e futura mamãe. O casal já deu varias provas de estar bem avançado no relacionamento, e agora parece que se dedica a oficializa-lo, a questão é: teremos o deleite de acompanhar um casamento no religioso, ou tudo também será feito no mais profundo mistério e discrição, mais uma vez?”.

Liza terminou a leitura e o fitou, bastante apreensiva, Sasuke permaneceu pensativo alisando o queixo com um olhar distante.

– mais alguma coisa? – ela olhou para a revista mais uma vez, e sorriu ao recomeçar.

“...A muito misteriosa Sakura Haruno, provou mais uma vez ser digna de sua mais nova e muito competida posição, mal a vemos por aí, mas quando dá as caras ela toma a atenção de todos com seus modelitos mais do que bem selecionados, discreta, elegante e sensual, ela continuou seu estilo Dama do Refino e da Sutileza mesmo gravida de seis meses! Confiram este vestido assinado por: Jenny Packham e com corte império perfeitíssimo para grávidas. Ela casou com toda discrição, mas sobretudo, com todo glamour que tinha direito”

Ele arqueou as sobrancelhas, desde quando Sakura era a queridinha da moda?

Ela iria rasgar a revista em pedaços, provavelmente achando que era uma sátira. Se vestia bem sim, mas duvidaria que esse agrado todo fosse sincero.

Ela não se sentia bonita e ainda o culparia.

Oh, ela com certeza o culparia.

Agora toda Manhattan sabia do casamento, ela fritaria as bolas dele.

Dama do Refino e da Sutileza, acha que ela vai gostar?

– eu duvido, isso é por que não a vêem quando tem crises com o peso – ele resmungou, Liza sorriu-lhe de maneira maternal.

– este é um lado que só o senhor vê, não aprecia?

Sasuke arqueou o cenho, primeiro surpreso, e então girou na cadeira, sorrindo um pouco. Liza era tão assertiva que o assustava. Nem ele mesmo percebia que adorava ter cada lado, mesmo os mais lunáticos, de Sakura, apenas para ele conhecer.

Mas ela ainda fritaria suas bolas, eles saíram de lá muito distraídos, rindo a toa da maldade que fizeram com suas testemunhas e futuras Madrinhas e Dama de casamento deixando-as tagarelando sozinhas. Ele sequer atentou a possibilidade de serem flagrados, e só pensara nisso ao chegar, havia escolhido um terno ótimo, mas preto e discreto, e em vez de ficar esperando longe das vistas na sala ao lado, descera e ficara impaciente com a demora. E depois, embasbacado demais pra tirar os olhos dela.

Ele esperava não ficar assim no dia do casamento, ou um monte e fotos de sua cara de idiota voariam por toda a cidade.

– quer mandar alguma nota à imprensa? Estão cheio de suposições.

– que tipo?

– ah, sobre se viajaram, se já escolheram o novo ninho de amor, querem tudo que for “glamoroso” para mostrar.

– hunpf, deixe que se roam, vou pensar, posso ver a foto?

– curioso?

– sim, espero que seja um ângulo bom, ou alguém lá em casa vai me a fritar as bolas.

Liza sorriu, levantou-se da cadeira e deu-lhe a revista enquanto se retirava.

– ela estava com um sorriso muito bonito, e bem, o senhor também.

Ele pegou a revista ainda surpreso com a declaração, a secretária saiu e ele encarou a foto.

O cartório ficava em frente e uma praça e um chafariz, e o maldito paparazzi pegara os dois enquanto a atravessam rumo ao carro.

Estavam de mãos dadas, Sakura segurava o buquê na outra, e o véu de tule sacudia para trás com o vento, ela sorria os olhos quase cerrados. E para sua surpresa, ele também, não por sorrir, mas por que estava encarando ela.

Dava pra ver bem a aliança na mão dele, embora ele não a usasse agora, só puseram durante a assinatura, resolveram só começar após casarem outra vez, de uma vez por todas.

Mas parecia que teriam de apressar isso.

Oh, ela o mataria.

Mas ele agora se perguntava se seria muito ridículo recortar a revista e por a imagem em um porta retratos.

– senhor, a revista mandou um presente – Liza disse, entrando com uma caixa preta em laços brancos.

– é uma bomba? Podem querer me explodir e serem os primeiros a contar.

– quanta criatividade – ela riu, pondo a caixa sobre a mesa, como ele não fez muita questão, ela mesma abriu. – oh! Que surpresa agradável.

E dela retirou um porta retratos dourado, detalhes em porcelana delineavam um pequeno casal de noivos nas bordas, e uma frase: Sr. e Sra. Uchiha.

E a imagem da revista estava perfeitamente emoldurada ali, num retrato.

– nossa...

– ficou ainda mais bonito, senhor Uchiha!

– hn, será que posso usar como escudo? – ela piscou, brincalhona.

– não custa tentar, não?

– é, acho que não...

– vou mandar fazer uma cópia, para sua mesa, este o senhor pode levar, certo?

– Liza...

– certo! – muito empolgada, ela se retirou levando a foto.

E Sasuke, assistindo aquela animação tão genuína, se viu perguntando-se, se aquela tão polida e competente secretária, não era o mais próximo de uma mãe que ele realmente conhecera.

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– eu vou fritar suas bolas! – A gata gritou-lhe, Sasuke se afastou da porta ao fecha-la, e encarando a frigideira que ela levava. As duas empregadas os fitavam assombradas. E Sakura estava rubra de fúria.

Ele segurou a maleta em frente o corpo como escudo e se afastou com cuidado.

– em minha defesa, creio que não terão um sabor agradável...- ela golpeou o ar onde ele estava antes de se afastar.

– quem disse que eu vou comer?! Vou frita-las no óleo quente e dar para algum animal de rua!

– pode causar uma infecção intestinal, ainda mais considerando que você cozinha tão mal...- Sasuke se abaixou o objeto acertou a parede, derrubando um quadro que caiu sobre uma mesa aparador, derrubando um vaso sobre ele e espatifando-o no chão, além de inundar o tapete persa.

Ele se ergueu encarando o estrago. Parecia até um efeito dominó.

– eu não sei cozinhar! É diferente de cozinhar mal! Seu Babaca!

– outro vaso...

– Sasuke!

Sasuke largou a mala e agarrou os pulsos dela antes que suas unhas o retalhassem, então beijou-a e fitou com um sorriso carinhoso.

– a proposito, você estava linda na foto.

A mulher enrubesceu primeiro, e depois bufou como um touro, baixando as mãos aos poucos, ele fitou as empregadas com um olhar que dizia, que a situação estava controlada.

– quem tirou aquela foto?

– um paparazzi, provavelmente um freelancer, não tem jeito, eles são astutos, se fossem da revista tinham avançando em nós como abutres.

– hn.

– tivemos sorte, não?

– sorte? Por que não é você que está sendo motivo de chacota! – ela seguiu para o sofá e se sentou pegando a revista e largando sobre a mesinha com grosseria. Cruzou os braços e encarou a edição como se pudesse fazê-la virar pó só com o olhar.

Sasuke abriu o terno e largou-o no outro sofá, sentou-se ao lado dela e a abraçou, ela já estava com lágrimas nos olhos. As mudanças de temperamento atacando de novo.

– ninguém está chacoteando certo? Nem de você, li a reportagem e apenas elogiaram, que eu saiba.

– humpf, como se estivessem interessados em puxar o saco de uma grávida, eles só se importam com socialites de plástico e modelos, Sasuke.

– bom, você é quase uma socialite...

– humpf.

– e a melhor parte é que nada é de plástico...- ele murmurou passeando a mão por sua cocha.

Sakura bufou, mas ele sabia que ela havia gostado.

– você recebeu convites, querido, estão nos convidando para um monte de eventos.

– é? Querem ver você mais vezes, sabia?

– ou a minha barriga enorme, ou as alianças, agora temos de usar?

– é melhor, quanto menos perguntas inconvenientes, melhor.

– hum.

– então o que temos de interessante? – Sasuke pegou o pequeno, ou não tão pequeno, bolo de convites e panfletos de eventos.

Ele sempre recebia alguns, quando anunciou o noivado com uma moça misteriosa, vieram vários que ele escolheu aceitar à dedo, com o anuncio da gestação, mais ainda. Com a gestação em risco, ele rejeitou todos e foi para Montenegro. O que deu-lhe a fama de pai coruja, e à Sakura, a de dama misteriosa e refinada. Poderiam chama-la de tímida, mas Sakura transparecia tudo menos isso.

Dificilmente corava, sua atitude era sempre segura, confiante, e de um charme muito polido, elegante.

– jantares beneficentes...

– esse povo adora fazer caridade hein? Bando de modinhas...

– Jogo de polo numa fazenda...

– cavalos? Estrume? Argh...

– baile de quinze anos...

– quem vai ser a ator bonitão que vai dançar com a garota?

– por que quer saber? Não basta o escândalo que fez quando viu o Clooney em Montenegro?

Sakura corou, ficou um tomate, muito indignada.

Ela simplesmente surtara, ao saber que o ator estava lá, queria de todo jeito um autografo, queria uma na barriga, na barriga dele, ou nos seios, que também eram dele. Enfim, queria que o astro lhe marcasse a pele, e foi um porre tirar esta ideia de sua cabeça. Ela parecia uma fã girl.

Ele a teria trancado no quarto, mas ela pediu ajuda a insuportável da Ino e as duas conseguiram chegar no ator, Sakura teve a audácia de usar a barriga dele, para fazer drama e disse até que o menino se chamaria Jorge, em homenagem.

E conseguiu seu tão amado autografo num caderninho, como todo fã normal deveria querer.

E também um beijo no rosto, e também ficar três dias sem sair do quarto do hotel apenas observando Sasuke trabalhar, resmungando que ia mandar prende-lo por maus tratos.

Mas ele só estava esperando a estadia do ator findar e ele partir, por que sabia que aquela gata astuta e louca iria dar um jeito de chegar no coroa de novo.

– isso é um ultraje! Eu só fiquei curiosa! Se quer saber não dou a mínima pra esses atorezinhos de hoje, só tem carinha e nenhum talento!

– aham.

– exceto Jonny Deep.

– sei.

– e Christian Bale...

– tá.

– e o Clooney, é claro, alias, ainda acho que o Ryan Jorge, ou Jorge Ryan ficaria perfeito no bebê.

Sasuke a fitou e sorriu.

não.

– por que tem que ser sempre como você quer? – ela lamuriou inconformada.

você escolheu Ryan, criatura.

– pra você!

– eu não tenho culpa se adora me agradar.

– Babaca!

– então, só sobraram a festa de Hallowen nos Hamptons, e um monte de coquetéis, estreias de peças, shows...

– de quem?

– Justin Bieber... Ariana Grande...

– aff.

– não gosta?

você gosta? Por que vou logo avisando que meu filho não vai ouvir essas aborrecências não...

– eu não disse que gosto, Deus, que mau humor.

– humpf, quem vai dar a festa em Hamptons? – Sasuke jogou os outros panfletos fora e se recostou, abraçado a ela, encarou o convite.

– quem diria, é o Jiraya, padrinho do Naruto... – Sakura puxou o convite de sua mão e jogou na mesa.

– já decidi, vamos ficar em casa! – e beijou o rosto dele.

– espera aí...- ele pegou de volta e ela virou a cara. – ele é padrinho do Naruto e meu amigo também, certo?

– cruzes.

– na verdade, vai gostar dele, é um velho pervertido..

– e o que te faz achar que eu gosto de um cara destes, Sasuke Uchiha?

Ele não quis demonstrar, mas olhou em volta rapidamente, pra ter certeza de que não havia nada que pudesse ser usado como arma branca. O tom dela foi no mínimo, assassino, ele já sabia que estava entrando no modo matadora.

– não foi o que eu quis dizer...

– ah é?

– ele é divertido, uma figura, eu disse que ia gostar dele...

– sim?

– por que é marido da Tsunade, sua médica. – Sakura arregalou as bagas, muito surpresa. Ele não estranhou que ela não soubesse do fato, a médica era muito discreta e profissional, além de que, sua relação com o marido era muito conturbada, idas e vindas motivadas por muitas traições da parte dele.

Pensando nisso agora, Sasuke via quão rodeado de maus exemplos sempre fora, o único homem de total boa índole e caráter que conhecera foi seu pai. E por pouco tempo demais para aprender com ele como ter uma relação fiel com uma mulher. Afinal, era uma criança.

Então cresceu sempre ouvindo das traições de Jiraya e dando pouca importância já que tinha uma mãe que não valia o esforço pela fidelidade. Ele chegara a se perguntar, se Tsunade também não fazia por merecer e era apenas mais discreta. Seus amigos trocavam de namoradas como de meia. Ele não dava nem um mês as dele. Naruto chegara a ter duas garotas, namoradas oficiais e começava a se interessar pelas garotas de programa.

Mais adulto, ele viu o quão polida Tsunade era, talvez fosse muito frigida e limitada na cama. E o velho que até escrevia romances picantes, se via na obrigação de procurar aventuras para se inspirar até hoje.

Antes Sasuke o achava o cara, agora, era apenas um amigo babaca.

Assim como ele próprio fora com Karin, mas em sua defesa, ela estava sempre ocupada demais zangada por ele não se abrir e mostrar toda sua sensibilidade para ela. Sempre exigindo tudo logo. Quando ele tentava decidir que posição exatamente ela tinha em sua vida.

Primeira amiga, primeira namorada, primeira noiva, quase primeira esposa.

Mas primeiro amor? Primeiro frio na barriga? Esta sensação ele só sentira na primeira transa, e se foi logo, simples, era pura ansiedade juvenil.

Mas e aquela de saber quando ela chega? Quão bonita deveria estar? O que estava pensando quando sorria de tal forma ou quando sua testa se enrugava?

Aquela ânsia de agrada-la que quase a ultrapassava a de ser agradado...

Não havia, era tudo apenas confortável, corriqueiro, porém, ele ainda assim não sabia se era isso que queria para o resto da vida. Teve um momento em que a pressão em volta foi tanta que ele achou que sim, e fez o pedido, esperando bem mais no fundo, que tudo voltasse a ser como era e ele tivesse sossego.

Qualquer um estranharia isso de alguém que corria em carros de corrida, saltava de paraquedas, nadava com tubarões e outras coisas, Mas a verdade é que a forma como Karin agitava a relação deles o fazia preferir o enfado da rotina.

Só houve mais pressão, mais ansiedade que ele não sentia, o enfadava, irritava. E tudo para que? Acordar ao lado de alguém que nem sabia se era feita para ele?

Ele decidiu que não arriscaria, nem procuraria mais.

Até agora, e estava bem assim. Mesmo que ainda fosse acordar ao lado de Sakura para sempre. Não sabia o que realmente sentia por ela, muito menos se era de grande relevância.

Não, havia relevância, ele não conseguia mais mensurar, não depois daquele beijo na Lua de Mel, aquilo mexeu com ele de um jeito intenso, misterioso, um jeito bem Sakura, na verdade, tudo era sobre ela.

Sentia algo, algo tranquilo e que não o enfadava, as vezes era adrenalina demais, as vezes era chato e confortável, era uma mistura complexa que o desafiava. Ele queria definir mais que tudo.

E esta busca poderia se estender para o resto de suas vidas, ele seguiria sem medo de cansar.

– aquela velha é casada? – Sakura indagou – tem um homem e está sempre com aquela cara ruim? Nossa, deve ser um velho babão mesmo...

– ela está assim por causa dele, ele não é um exemplo de bom marido.

– ah, mais um do clube “Eu traio minha esposa com muito orgulho”.

– vivem se deixando e voltando, ele vive mais nos Hamptons, perto das amantes e ela aqui. Mas se vão dar festa é porque estão temporariamente juntos.

– por que acha isso?

– ele não daria uma festa na casa com alguma amante como anfitriã, se está dando é com Tsunade e a permissão dela, se ela sonhar que ele promoveu algo lá sem consulta-la põe o lugar abaixo.

– difícil imaginar, que alguém tão pavio curto aguente algo como traição, cada um com seu carma, ugh.

– pois é, então nós vamos, certo?

– por quê? Quer ter aulinhas de como trair sua esposa é? – ela o acotovelou, desdenhosa, ele beijou seu pescoço.

– longe disso, mas ele, tirando esta parte, que convenhamos é problema dele e da esposa, é um cara muito divertido, as festas são ótimas e assim você conhecerá nossa casa nos Hamptons... – Sakura se virou para ele de uma vez, o olhar incrédulo.

– temos uma casa nos Hamptons? – ele deu de ombros.

– uma mansão, na verdade, acho que você vai adorar, tem natureza, espaço, perto da praia...

– quando comprou uma casa lá?

– é da família, Sakura, meu pai comprou, se quer saber, podemos ir lá sempre, é uma casa de veraneio.

– puta merda, Sasuke, onde mais vocês tem essas... essas “casas de veraneio”?

– hm, meu pai investiu em vários imóveis fora, Sakura, eu só saberia dizer quantos se visse a lista...

– puta que pariu.

– uma mansão nos alpes suíços, um apartamento em Paris onde a senhora Mikoto praticamente mora, e acho que temos algo numa ilha na costa da Espanha, não me recordo, esses eu visitei em férias quando meu pai ainda era vivo.

– rico é tudo louco, pelo amor, pra quê tanta casa se não vão nem visitar? – ele riu, achava tanta graça quando ela falava assim, toda deslumbrada e assombrada com seu mundo.

– não se trata de morar, ou visitar, Sakura, imóveis são investimentos, um bem de longo prazo, quase tão bom quanto guardar dinheiro num banco, todo mundo investe nisto, em carros de luxo, iates, também usam pra lavar dinheiro. O valor é a casa, e quando se precisa do dinheiro, basta vender.

– hum, entendi.

– vai ser um fim de semana ótimo, certo? Vou fantasiar você e vamos brincar muito.

– boa sorte encontrando algo que não me deixe ridícula, não vou usar nada!

– vai sim, façamos deste modo, eu escolho sua fantasia, e você a minha.

– outro trato?

– exatamente, e aconselho que não escolha algo muito sexy, posso acabar sendo sequestrado para alimentar as fantasias de alguém.

– me deixe ridícula e só terá de se preocupar em viver se eu te pegar – ela beijou-lhe o rosto, sorriu docemente e se levantou indo para o quarto.

Este modo, ele chamou de: Modo doçura macabra.

Ela estava sempre mostrando algo aterrador e diferente.

E ele mesmo assim gostava. Liza tinha razão, ele gostava de monopolizar cada parte de Sakura, e desvenda-las.

Mas agora tinha outra coisa para se ocupar. O jogo dos Yankees e enfim, saber aonde Sakura queria que ele a levasse.

Sasuke se levantou decidido a tomar uma ducha, ela não lhe dera nem sequer uma dica.

“...Mas sua inocência é minha...

...Me satisfaça....”

Notas finais
ai que amor... *-----*