Notas iniciais
Demorei né? Socorr

“...Você engana seus amores

Dizendo que é cruel e divina...”

“ Ao menos pode ir embora? Eu não quero olhar pra você agora.”

Ele encarou a copo do Starbucks como se visse a própria sentença. Era a prova dela, estava tomando café ali, em vez de em casa, ouvindo um monte de gente reclamando numa fila ou tagarelando nas mesas ao redor, em vez de ouvir a esposa resmungar por ele a obrigar a acordar cedo para comer com ele.

A pressão de Sakura subiu tanto que ele teve de leva-la direto ao hospital, ela estava lívida e emocionalmente descontrolada.

E não o queria perto, foi clara e escandalosa o bastante sobre isso até que Tsunade o mandasse embora.

Disse que a levaria para casa quando a achasse melhor, e ele se viu indo ao apartamento apenas para pegar algumas roupas e ir para um hotel.

Tinha que dar um tempo a ela antes de tentar qualquer reaproximação. O que o estava matando era ficar longe dela quando corria o risco de perder o bebê.

Ele não se perdoaria.

Passou a noite em claro esperando uma ligação, Tsunade não o respondia e ele simplesmente não sabia se era tortura por parte dela ou se estava ocupada com outras gestantes.

Estava esgotado física e mentalmente um pilha.

Péssima combinação.

– raspe essa maldita barba! É a ultima vez que eu digo! – Karin protestou enquanto adentrava o local, Naruto fez uma careta.

Sasuke os fitou, com o olhar tão cansado quanto o Uzumaki e os dois o viram.

– Sasuke?

– que cara horrível, não devia estar em lua de mel? – Naruto disse.

– hn, posso dizer o mesmo de você, mas estou acabado demais para isso.

Karin suspirou, e puxou a cadeira em frente ele, sentando-se.

– o que aconteceu?

Sasuke suspirou, olhando para fora.

– não precisa fazer isso, você sabe.

– eu sei, mas eu quero, o que aconteceu?

Sasuke puxou o copo para si novamente, e então fitou Naruto.

– eu disse que não sabia dela ainda, era melhor não ter descoberto, agora ela me odeia.

Naruto estreitou o olhar ante suas palavras, mas com um suspiro, puxou a outra cadeira e se sentou.

– onde ela está?

– na clinica, com Tsunade, ela passou mal, mas não quer me ver nem pintado.

– o que vez fez, Sasuke? – Karin indagou, angustiada.

Ele esfregou o rosto, exasperado.

– não sei se posso dizer, já quebrei demais a confiança dela e agora meu filho está em risco de novo.

– você fodeu com meu casamento, me deve isso.

– Naruto! Você fodeu você mesmo, assuma! – ela reclamou.- talvez quando assumir Hinata volte, por agora, raspe essa barba parece um idiota!

– isso é verdade...- Sasuke riu, amargamente.

– olha, você não está tão diferente.

– merda, eu sei.

– tudo bem se não quer entrar em detalhes, mas seria bom se entendêssemos o seu lado.

– não se trata do meu lado, mas o dela, acham que podem ouvir?

Os Uzumaki se entreolharam de maneira desconfortável.

Mas, assentiram.

E Sasuke, desfiou toda a verdade.

Quando terminou, Karin respirou fundo muito abalada para dizer algo, enquanto que Naruto permaneceu pensativo. Talvez duvidoso. Para Sasuke já não importava mais.

– você não devia ter feito isso – Ela disse, por fim.

– hah, sério? Em que parte?

– tudo, esta pessoa não confiava em ninguém, até você chegar e a levar a faze-lo, agora você quebrou isto, confiança não é algo que se conquiste facilmente, e se perde muito fácil, Sasuke, e alguém como Sakura, é uma tarefa ainda mais difícil, talvez impossível, devia ter esperado, é obvio que ela não tinha estrutura para lidar com isso agora.

– pôs seu filho em risco – Naruto suspirou. – ela não vai confiar em você novamente, não como homem, talvez nem como pai do filho dela.

– ela não vai confiar em qualquer figura masculina, Naruto, pai, irmão, namorado ou amigo, não importa e certamente nem uma figura materna, uma mãe que expulsa a filha de casa assim não merece muito.

– não a acho , mas a acho rígida demais, e inflexível, tratou Sakura como um erro e percebi que criou a outra como se devesse ser um acerto, a menina parece engaiolada nas próprias roupas.

– é bonita como Sakura?

– bonita? Sim, mas não maravilhosa, não sexy, nem enigmática, não é um imã de homens, ela é normal e mau saiu das fraldas também.

– quantos anos?

– acho que vinte.

– nossa... – ele se levantou de uma vez assim que o telefone começou a tocar rezando para que fosse a médica e quando viu que era, para que não fosse o pior.

– alô?

– Sasuke, tudo bem?

– com ela está? – ela suspirou pesadamente.

– ela quase perdeu o bebê duas vezes cheguei a cogitar um parto induzido ou mesmo uma cesárea para salva-los.

– meu deus...

– mas ela vai ficar bem, estava muito exaltada, teve um descolamento de placenta, um pouco de sangramento e está sentindo algumas contrações também.

– não posso ir vê-la não é?

– melhor não, vou acompanha-la essa semana e então você pode pedir para alguém leva-la pra casa, deixe a poeira baixar e seja extremamente cauteloso, e mais uma coisa, não é uma dica ou sugestão, procure um psicólogo pra ela o mais rápido possível.

– Tsunade...

– você não vai querer que esta situação chegue ao limite, Sasuke, vou facilitar as coisas e conversar com ela primeiro, ela precisa de acompanhamento psicológico ou esta criança nem ela, podem ter outra chance.

– tudo bem.

– ligo se tiver qualquer novidade.

– obrigada.

– comece a ter juízo, moleque – ela desligou, e ele se sentou, largando o celular na mesa.

– de novo.

– ela vai ficar bem?

– ela quase abortou, duas vezes.

– meu deus!

– não posso sequer chegar perto, ela é uma bomba relógio e eu sou o maldito detonador.

– então fique distante até que ela desarme – Naruto disse.

– fácil falar, ela ainda pode passar mal, ela pode morrer, e o meu filho também.

– é tudo que pode fazer agora, você já fez o bastante.

Embora ele soubesse que Naruto estava apenas pisando-o por mágoa e rancor, também sabia que ele estava certo.

Não tinha se casado nem há um mês e já estava enfrentando a primeira crise, briga e separação.

Grande começo este.

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– muito bem, mais alguma coisa? – Ino indagou, com um sorriso empolgante, em resposta só recebeu um suspiro perdido, Sakura passeou com os olhos pelo quarto, estava deitada, bem recostada em pilhas de travesseiros, o controle da TV e o telefone estavam ao seu alcance, uma balde com gelo estava repleto de garrafas de suco natural e água, tal como uma bandeja com doces, salgados assados e frutas.

Ela estava vestida em uma camisola confortável e sobre o ventre tinha uma tigela com bolo de chocolate tão exageradamente recoberto com glacê que Ino sentia arrepios só de imaginar o teor calórico daquilo.

Havia tomado para si a responsabilidade de trazer Sakura de volta para casa, não fazia ideia do que havia acontecido e segundo a médica disse, indagar sobre isso era ativar a bomba relógio que Sakura era no momento.

Ela lutou para engolir toda a curiosidade e ânsia de ser a primeira a saber qual fora a primeira crise que o mais novo casal da nata de Manhattan estava passando.

Cogitou ser o mais leve possível e arrancar nem que fosse uma casquinha, mas a mulher na cama estava enorme, em sua opinião, inchada, os olhos opacos e fundos, e uma personalidade vazia.

– estou bem, obrigada – ela respondeu, fracamente. Ino assentiu tentando manter o sorriso, e pegou a bolsa.

– que bom, querida, qualquer coisa me ligue, eu tenho um compromisso agora, e Sai está me enlouquecendo com os preparativos para a nova exposição dele, volto assim que puder, sim? Beijinho e cuide bem desse pequeno príncipe!

Tão rápido quanto uma patricinha podia ir em dia de liquidação, ela se foi. Sakura piscou lentamente e trouxe mais uma colher do bolo para si além de, ligar a TV.

Embora soubesse que estava usando um comportamento rude, ela tampouco queria manter alguém por perto. Achou bom a partida da loira, Ino poderia ter a melhor das intenções, mas não resistia a seus instintos mais básicos; Pegar uma fofoca e repassa-la em primeira mão devia ser algo prescrito em seu DNA, não conseguir nada como um desabafo desesperado, devia tê-la deixando mais intolerante a dividir um cômodo com uma mulher enorme, de péssimo humor, que comia tudo o que ela fez promessa de joelhos de jamais tocar, sem pensar duas vezes.

Mas, pelo menos estava sozinha agora.

Como nunca desejou estar antes, tanto que a assustava, até onde ela iria por um pouco de solidão?

Sakura pôs o prato sobre a cômoda e desligou a TV, deitando-se de lado procurou ocultar ou desfazer toda e qualquer intenção ou pensamento estranho que lhe viesse a mente.

Como por exemplo, sair para o terraço, observar os prédios da beirada, dar um passo para o vazio... pareciam uma ideia... Libertadora.

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– sério, você tem que me dizer o eu está acontecendo, do contrario, não posso ajudar – Ino insistiu.

Sasuke meneou a cabeça em negação mais uma vez, e ela bufou, indignada.

Ele queria muito acreditar que ela pedia isso apenas com intuito tão generoso, mas Ino era Ino, e ele a conhecia desde o colégio, a vira ser indiretamente responsável por muitos escândalos. Ino era aquele tipo de fofoqueira, o pior tipo, que além de abrir boca o tempo todo e ter sempre uma fofoca na ponta da língua, ela era aquele tipo que não conseguia medir o que falava, e além de soltar bombas com toda a intenção, ainda soltava sem querer. Como uma arma sem trava de segurança e de gatilho frouxo.

Nada, nada mesmo lhe garantia que a conversa não vazaria com ou sem intenção dela. Então, simplesmente não arriscaria.

Nem tinha necessidade, embora fosse ainda orgulhoso demais para admitir, abrir tudo aquilo para Karin e Naruto o ajudou imensamente. Afinal, eram eles que o ouviam quando raramente se abria.

Ainda eram seus amigos, amigos tortos, mas ele também era torto.

– como ela está? – Indagou, ela bufou e viu que até cogitou sair e deixa-lo ali, mas suspirou e revirou os olhos.

– bem, eu acho.

– acha ou tem certeza?

– eu não sei tá? Ela não quer falar comigo, praticamente nada, até onde sei só fica deitada o dia todo e temo chegar lá e encontra-la fundida à cama.

– ela tem que repousar, absolutamente.

– oh ela está fazendo isso, pode crer! – resmungou, então fez uma careta agoniada – e ela tem que comer tanto?

– hn? Talvez, não a está deixando comer porcaria né?

– tipo uma confeitaria inteira?

– Ino...

– dormir, doces, TV, brincar com uma pena velha e a gata, e talvez chorar, mas deste ultimo não tenho certeza, as vezes parece que estava chorando antes de eu chegar, as vezes só com uma cara mau humorada e depressiva.

– é tudo o que ela faz?

– uhum, tentei chama-la para sair, mas ela não quer ir nem na piscina, nem pegar um solzinho.

– deixe como está, e quanto a casa?

– oh, está ficando linda! Ela tem bom gosto, não tirando os créditos da Konan, é claro, mas sei que ela só tem de mostrar revistas, eu também posso fazer isso.

Ele revirou olhos, decidindo ignorar a rixa entre aquelas duas e arriscar pôr mais lenha na fogueira delas.

Sua ansiedade já o estava matando, não via Sakura quase um mês e a medida em que Dezembro se aproximava, mais ansioso ficava, ansioso e temeroso.

Também culpado.

O bebê estava cada vez mais perto de nascer, com o ultimo agravante poderia vir mais cedo, e em vez de estar perto ele tinha que saber noticias por uma socialite cuja língua era maior que um caminhão de bombeiro, mais barulhenta que um e nunca podia ser completamente integra com suas informações.

Ele precisava de mais. Precisava vê-la e caricia-la, tocar cada pedaço dela e olhar em seus olhos pra saber se estava bem, e principalmente, saber se eles estavam bem, ou se ao menos algum dia, ficariam.

– tudo bem – disse, e a loira o fitou com aqueles olhos enormemente azuis cheios de esperança.

– vai me contar?!

– hã? Ah, não, eu quis dizer que já entendi, pode ir.

– ora seu... não me trate como um dos seus empregados!

– então eu vou indo – ele declarou, se levantando e deixando uma nota sobre a mesa.

– o que? Oh não, Sasuke!

– até mais. – Ino se agarrou a bolsa e tentou segui-lo por cima dos enormes saltos rumo a saída do refeitório da empresa.- Sasuke? Sasukito?! Por favor?! Sasuke!

– vai procurar uma liquidação, Yamanaka. – ele brincou, achando hilário vê-la tão desesperada em alcançar ele, não cair dos saltos e não deixar o minúsculo vestido subir demais.

– Sasu?!- suplicou manhosa.

– vai pitar as unhas, insuportável...

Eles saíram pelas portas de vidro e Sasuke se deparou com uma cabeleira rosada que quase o fez ter um enfarte.

Porém tão logo sentiu o palpitar, viu as roupas recatadas e sóbrias e concluiu, decepcionado e surpreso.

– Imogen?

A jovem se voltou para ele, muito nervosa e ele via que parecia completamente perdida ali, estava com um crachá de visitante.

– eu...

– de onde eu te conheço? – Ino indagou muito intrigada, ele revirou os olhos, vendo as duas mulheres, totais opostos se avaliando, quando cada uma estava para dar seu veredito ele preferiu cortar e deu um passo na direção da moça.

– perdida?

– é... com certeza, eu posso falar com você?

– oh meu deus você parece a Sakura! É uma parenta? – a loira disse, chocada, e Sasuke quase deu uns parabéns a ela, não achou que fosse perceber tão “cedo”.

– foi o cabelo rosa? – ele desdenhou.

– ora seu... nossa conversa não acabou! Sasukito – ela ajeitou a bolsa sobre o ombro e foi para a direção oposta, Sasuke sabia que a saída não ficava para lá.

Se perguntava se o cérebro daquela criatura não estava invertido....

– Sasu...kito? – Imogen proferiu, o fitando com estranheza e também, desconfiança.

– esqueça, é uma maluca, e uma insuportável, vamos.

Ele a conduziu até o escritório, percebeu que a moça não ficou confortável em dividir um elevador com ele, por maior que fosse.

Ela estava tão menos acostumada com homens a sua volta quanto um dia Sakura estivera. Ainda mais entre homens que induziam uma imagem dominadora e superior como ele sabia que tinha.

Por isso, julgou que algo poderia estar acontecendo, para ela ter criado coragem de vir de tão longe até ele.

Quando saíram no andar de seu escritório, ele passou direto pela secretária que fitou Imogen muito surpresa obviamente percebendo a semelhança.

– traga uma água e algo mais para senhorita, Haruno, Liza.

– sim senhor – ela prontamente se levantou, dando um sorriso gentil e carinhoso a moça antes que os dois entrassem e ela mesma cerrasse as portas com o máximo de gentileza.

Sasuke contornou a grande mesa de pedra negra e polida, sentando-se e acionando as cortinas automáticas que se abriram dando vista do centro comercial ao redor, enormes prédios se igualando ao que estavam, a luz solar vindo entre eles e jogando um pouco de si para dentro.

Muito arisca ainda, ela se permitiu sentar numa das cadeiras em sua frente, ele tomou a poltrona.

Sasuke esperou, pacientemente enquanto ela decidia como e o que falar, e também admirava a beleza sóbria do recinto. Seus olhos verdes recaíram sobre o porta-retratos com a única foto do casamento.

Sorriu um pouco, e pegou-a.

– eu vi esta foto na revista do escritório onde trabalho... – comentou, um olha admirado deslizou a ponta dos dedos finos sobre a imagem de Sakura – ficou tão bonita...

– que bom, por que foi a única – ele comentou.

– sério? – indagou, surpresa como uma criança, ele assentiu girando a cadeira de um lado para o outro.

– ela detesta fotos.

– oh...

– eu também não sou fã, nem pretendíamos divulgar, nos pegaram com a mão na massa.

– entendo... Ela não deve gostar desta exposição...

– como talvez tenha lido, ela ser tão arisca os deixou ainda mais fascinados, cada aparição dela os deixa em polvorosa.

– eu não sabia até alguns meses... também não podia acreditar, e quando o fiz...- com um suspiro resignado, ela devolveu o retrato ao lugar. – o que poderia fazer? Procura-la? Passei toda a vida querendo, depois apenas ansiei saber se estava bem, eu poderia tê-la procurado... mas diria o que? “Olá, sou sua irmã, não nos vimos desde que mamãe te expulsou de casa, e adivinhe, ela ainda te despreza, nem podemos falar seu nome...” Eu não queria ser um motivo para deixa-la infeliz, também não sabia se encontraria a minha irmã.

– ela nunca a culparia, mas não vou mentir e dizer que a receberia com abraços, acho que ficou óbvio que aquilo não teve haver com a vontade dela.

– sim... eu entendo, ela nunca nos procuraria, é o que ela e mamãe tem em comum, são orgulhosas demais para ceder.

– está tudo bem, na sua casa? Pedi a Kakashi que ajudasse a expulsar Paretti de lá, mas ele não voltou ou ameaçou vocês?

– não, ele sumiu, no fim, acho que cansou de fingir, pegou tudo, não se importou em reivindicar nada, e se foi, ele sabia que havia atiçado a pior fera, tentar dormir outra vez ao lado de mamãe seria assinar a sentença de morte, ela é muito passional e violenta.

– entendo.

– e o senhor Hatake foi muito atencioso, disse que poderíamos ligar se meu padrasto voltasse, e também deixou o numero de um amigo da policia.

Sasuke arqueou a sobrancelha, um tanto surpreso com o pequeno fato. Kakashi nunca se prendia a um caso, ou se deixava ser conhecido por um cliente. Fazia esses trabalhos para Sasuke a mais de cinco anos, e até então, o Uchiha só sabia o que estava em seu currículo, seu contato, e que gostava de ler livros eróticos visto que, o mais próximo que chegou de ser informal com ele foi quando lhe perguntou se poderia conseguir lhe um autógrafo de Jiraya.

Ele lia seus livros...

Não entendia por que ele manteria contato com aquela família, mas imaginou que talvez, o que lhes acontecera, pesou no ser humano dele.

– entendo...

– mamãe está melhor, como sempre faz, age como se estivesse tudo bem, agiu como se Sakura não existisse, e agora age como se nunca tivesse havido um segundo marido, mas eu sei que ela está... acho que... ansiosa.

– ansiosa?

– ela deve estar perturbada, depois de tudo... das coisas que disse e não podem se retiradas, das coisas que fez e do que causaram... ela é um ser humano afinal – afirmou, encarando-o. Sasuke evitou seu olhar de gatinho que suplicava que tentasse entender o lado de sua mãe.

Mal ela sabia que com o tópico: mãe ele era péssimo para ser compreensivo. Se Imogen tinha qualquer expectativa de que ele permitiria Mariah Haruno ter contato com Sakura, seria muito frustrada.

– eu não a vejo desde aquele dia – confessou.

– como?

Ele voltou-se para a moça, apoiando os braços na mesa e encarando-a.

– ela passou mal, a gravidez já era de risco, ela quase perdeu o bebê.

– de... risco? Então por que a levou ate nós?! Meu deus... não podia ter feito isso!

– eu sei! Acredite, eu sei e estou pagando por isso agora, e talvez continue pagando pra sempre, mas Sakura estava bem, estávamos bem e eu esqueci do risco, também queria que ela finalmente... se livrasse desse peso, não há nada pior do que viver com a verdade entalada em sua garganta, Imogen, ela te sufoca, se torna veneno, intoxica, aconteceu comigo e com Sakura não há nem como mensurar, ela definitivamente não é a moça doce que você conheceu, ela é fútil, fresca, mau humorada, preguiçosa, adora jogar veneno sobre a vida alheia e sobretudo, é amarga.

– eu não quero ouvir isso...

– mas deve, também deve ouvir que é geniosa e manhosa, esperta, astuta e perspicaz, muito inteligente, e as vezes muito boba também, tem um ótimo gosto, modos maravilhosos, e é muito, muito gostosa.

A jovem enrubesceu e ele percebeu que soltara um pouco demais, riu.

– me desculpe...- ela estreitou o olhar afiado e emburrada.

– não está arrependido – alfinetou.

– verdade, mas só disse o que aprendi com ela nos últimos meses.

– de onde se conhecem?

– eu fui cliente dela.

– entendo...

– ela engravidou e não podia simplesmente deixa-la.

– por que não?

– acha que deveria?

– claro que não, mas não é o que homens como você fariam?

– eu me orgulho cada vez mais de não ser tanto assim como eles, é o meu filho, Imogen, não importando quem fosse a mãe.

– quem dera mais homens pensassem assim...

– não me julgo um grande exemplo, a gravidez dela não seria de risco se não fosse por minha causa, agora nem posso vê-la.

– está muito zangada?

– talvez me odeie, nossa relação nunca foi muito água e açúcar, nenhum de nós é um romântico, e este foi um relacionamento forçado, ela queria que lhe desse dinheiro para fugir do Yahiko e cuidar do menino.

– também poderia ter feito isso.

– eu sei, eu sei que forcei muitas coisas sobre ela, e sobre mim mesmo, eu também não me considero alguém pronto para ser pai.

– ninguém nasce formado... Meu pai dizia que quando ela nasceu, era tão pequena que praticamente não a pegou até o terceiro mês, tinha medo de quebra-la ou deixa-la cair, a gestação dela também foi de risco, mamãe tinha uma pressão muito alta.

– tsc, quem diria.

– imagino que também seja hereditário.

– e é.

– duas cabeças quentes, acho que por isso nunca se batiam, elas são muito parecidas e as duas adoravam o conforto do papai, do sossego que ele passava.

– você também passa sossego – declarou, fazendo-a fita-lo perplexa – por isso ela a adora.

Imogen se encolheu, tentando não se emocionar e respirou fundo, juntando as mãos.

– eu... posso vê-la?

– sinceramente, eu não sei.

– eu entendo.

– vou tentar, infelizmente, vai ter de ser de longe, vou ter que usar aquela loira insuportável.

– aquela...

– ela está cuidando da sua irmã, no momento.

– o que? Aquela lá?

Sasuke riu um pouco, se recostando na poltrona e brincando com uma caneta.

– vejo que não é só Sakura que fala da vida alheia.- comentou, e moça bufou virando a cara.

– só sei o que vi, e ela mostra demais.

– as vezes os que mostram muito são os que escondem mais, Imogen.

– hum.

– mas no caso da Ino, ela é realmente o que parece.

– oh, jura?- ironizou.

– com certeza, e muito fofoqueira, se tiver contato com ela fale o mínimo possível, ela consegue tirar informação até de suas expressões, é uma profissional, vou falar com ela e ver o que ela tira de Sakura, eu não quero que ela se estresse mais, então com o mínimo sinal de desconforto eu vou cortar o assunto por um tempo certo?

– certo.

– eu sei que não tenho direito de restringi-las de se verem, mas estou pensando nela e no bebê, os dois correm risco.

– não, eu entendo, aquilo já foi muito, muito mesmo, eu a sinto perto de novo, como se estivéssemos conectadas, penso nela o dia todo, e eu sei que ela pensa em mim.

“Quem dera eu pudesse dizer o mesmo”

Mas ele aceitou a punição.

Liza finalmente trouxe a um pequeno lanche, e os dois comeram conversando sobre a nova casa, e o bebê, além de claro, o casamento, ele não precisou dizer, a moça já devia ter visto o bastante dali para saber que seria uma cerimonia mais que pomposa, e mau pode esconder expectativa de um casamento de princesa.

Mas tinha alguém com quem ela poderia falar seria Sakura ou Ino e ele torceu para que gata a deixasse a filhote se aproximar.

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– não.

Ino apertou o telefone contra o colo, mordiscando o lábio.

– você tem certeza?

Sakura apenas se virou para o outro lado.

– não.

Não era Não.

Ino suspirou e pôs o telefone contra o ouvido outra vez.

– ela disse que não.

Sasuke suspirou.

– merda.

A loira saiu do quarto e seguiu para a sala, jogando-se no sofá.

– era sua esperança?

– também, como ela está? Parece zangada? Parece que quer afundar algo na minha cabeça se me vir?

A loira riu, muito incrédula.

– está nervoso? Sasuke Uchiha, nervoso por causa de uma mulher?

– eu quero vê-la, Ino.

– quer que tire uma foto? Posso perder cada dedinho e talvez os dentes, mas posso tentar.

– preciso vê-la de verdade, e preciso saber se posso.

– ela não quer falar sobre você, não quer falar sobre nada, maaass, eu consegui convence-la a sair.

– não é essa a intenção, Ino, ela tem que descansar.

– mas foi a única coisa que a animou! Vamos olhar a casa, a decoração está pronta e Konan está ansiosa para mostrar.

– ela está animada?

– bom, não no sentindo feliz da palavra, mas quis sair de casa o que já é alguma coisa.

– droga... tudo bem, mas certifique-se de que ela esteja ótima, bem, sem tonteiras e nada de paradas desnecessárias, nada de degraus, e pelo amor de deus, não importa se as joias da rainha estão em liquidação, não desça pra passar horas comprando, Ino.

– cruzes! Tá bom, já entendi! Nós vamos, e voltamos! Entendido, chefinho!

– humpf, tenho que desligar, vou pra uma droga de reunião, mas qualquer coisa me liga.

– sim senhor!

Ele bufou e desligou, ela se sentou gargalhando com vontade e recebendo um olhar do desnudo felino deitado na poltrona, Gisé a encarava como se fosse Sakura, dizendo silenciosamente um “querida, apenas pare”.

Ino se recompôs e saiu da sala.

E pensar que animais podiam mesmo parecer com seus donos...

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– oh meu deus...! – Ino exclamou enquanto adentrava e tirava as luvas de couro, estava muito frio agora e Sakura se arrependera amargamente de sair, agora entrava na enorme sala do apartamento novo.

Tirando o casaco ela passeou com os olhos pela decoração insólita, cores sóbrias, tons escuros, a iluminação clara e amarelada que dava um ar mais familiar e as vidraças no teto que permitiam a visão do céu e uma impressão de liberdade.

Os sofás cinzentos, ela imaginou que talvez ficasse melhor noutra extremidade da sala, mas lembrou da área do bar e da mesa de ping-pong. Sakura atravessou a sala rumo a mesa de centro, achou-a maior do que vira no catálogo, e se perguntou se as outras mezinhas próximas aos sofás não eram um exagero.

O lustre ficara perfeito, ao menos.

A lareira estava discreta, as janelas enormes e bem localizadas, e a primeira mesa de jantar atrás do sofá, tinha seu destaque em frente outra grande janela e perto de uma bela estante.

Preferiu não demonstrar o quanto gostou do arranjo de metal sobre a mesa e tocou as flores sobre a mesinha de centro. Sasuke talvez não fosse ficar feliz de não haver uma TV na sala acima da lareira, e ela viu que era realmente estranho, mas eles tinham uma confortável sala de Cinema agora, próxima o bastante para que qualquer convidado se sentisse a vontade, porém ainda pensaria se removeria o quatro de vidro, não gostara mais tanto dele.

Ino e Konan observavam cada passo seu, cheias de expectativa, mas ela resolveu guardar cada observação para quando terminasse a “inspeção”. Seguiu para a cozinha, e ficou realmente agradada do resultado, gostou muito dos lustres com ar antigo, quase vitoriano, do balcão de madeira e do fogão mesclado a uma estante com lindos vasos chineses. A cozinha era um dos menores cômodos mas conseguira aproveitar o espaço bem o bastante para que parecesse grande, mesmo que provavelmente não seja adequada para uma festa grande no lugar.

Não gostava de festas, e agora tinha uma desculpa.

Ela amou a cozinha agora.

A sala de jantar foi a próxima, muito enxuta, sem adornos demais, as paredes eram as lâmpadas, o que permitia o charmoso lustre ser o centro das atenções do teto, a mesa grande e escura, dez lugares lhe pareceram o bastante e uma bancada com bibelôs, cortinas leves mas escuras. Atenção seria focada apenas na refeição e na conversa.

– muito bom – acabou resumindo.

E voltou ao corredor, não gostou das lâmpadas nele, muito fortes e mandaria trocar tão logo fosse possível, o banheiro de visitas era puro luxo, os quartos de hospedes, diferenciados o bastante para que não parecessem os de um hotel, e então a suíte dela.

Gigantesca, em tons brancos e delicadamente dourados, preencheu bem as grandes paredes com obras, e quadros raros. Ino se derreteu de amores ao ver uma obra de seu amado branquelo ali, Sakura revirou os olhos e tocou as cortinas discretas que escondiam as janelas.

O piso era todo de cerâmica e cintilava, o tapete redondo, ficou até bom com a cama também redonda. Ela sinceramente achou que pareceria um Motel, mas a elevação ao redor da cama, que formava a cabeceira mudou isso. Os lençóis de linho egípcio também.

Ela visitou o closet ainda vazio, e também o escritório de Sasuke, fizera questão de manda-lo se virar e decorar como quisesse. E o idiota se virou bem, Konan foi quem decorara o outro apartamento afinal, e ao gosto dele.

Ficou surpresa de não ser tão escuro como o outro, o tom pastel era forte e sem brilho, alternado ao amadeirado e o piso de madeira clara com carpete, tirando o ar opressor que o outro escritório tinha, a mesa, o teto tinha mudanças de relevo, e a mesa era reta e grossa, as poltronas para visitas eram de couro e a poltrona era quase comum demais para alguém como Sasuke Uchiha se sentar, preta e prática. Os sofás também eram de couro negro e ao lado havia um aparador sustentando apenas um veleiro, Sakura quase se abaixou para encarar a miniatura não tão pequena, e então pegou-a com as mãos achando-a bem leve até.

– oh! Cuidado Sakura, Sasuke tem apego com esta coisa! – Konan implorou agoniada. E Sakura não podia negar que estava louca para pegar uma tesoura e picotar as velas para transforma-lo num navio fantasma ou coisa assim. Com um suspiro fatigado, ela deixou o brinquedo no lugar, e observou os quadros nas paredes.

– isto é um Kandinsky? – indagou.

– oh sim...

– desde quando ele aprecia Kandinsky?

Ino e Konan se entreolharam receosas, se Sakura não sabia da historia, não seriam elas que contariam ou além do barquinho, a obra também estaria em perigo e talvez o escritório todo.

– ah sei lá, ele gostou acho...

– humpf, homens.- ela resmungou dando a volta. – Vou ver o quarto do bebê.

– ah! Tenho certeza que irá amar! Ficou do jeitinho que você queria!

No corredor, Konan fez questão de abrir a única porta branca dali. Por mais estranho que parecesse Sakura não desgostou do óbvio e pouco elegante destaque ao quarto do filho.

Ao entrar, era como entrar num pedacinho de sonho.

Tudo branco e luzes naturais, havia quase ao lado da porta, um cercadinho em tom barroso, revestido de veludo, e então a cômoda, o armário, closet e banheiro. Do lado oposto, uma poltrona com um pufe quadrado, e uma mezinha com delicados porta-retratos em cima e um lustre maravilhosamente pequeno e gracioso, o carpete felpudo e macio. Um urso de pelúcia e uma almofada estavam sobre o poltrona, e mais ao lado, o berço.

Era branco e tinha laços de tecido em volta das grades, e acima uma cortina presa á parede. Esta era destacada do resto em tijolinhos pintados de branco e em relevo mais profundo tal como o teto. Depois do berço, o segundo espaço que ela mais gostou.

Um pequeno sofá de madeira em frente as janelas agora fechadas e com cortinas na frente, havia uma luz mais clara atrás dele, e na parede e no teto acima, um papel branco com flores brancas e rosadas, talvez Sasuke fosse preferir um tema esportivo, mas para ela flores eram flores, não queriam dizer gênero. Apenas pureza.

Sakura puxou o ursinho sobre a poltrona e se sentou, com ele no colo, passeou mais uma vez o olhar, e um pouco constrangida até, comentou.

– está perfeito.

Konan e Ino deixaram os ombros caírem em total alivio e sorriram muito empolgadas.

– que bom!

– está perfeito, uma mudança aqui e ali e estará ótimo, não gostei das luzes dos corredores por exemplo.

– oh, eu também não, claro demais, ascende-las durante a madrugada com certeza cegará alguém.

– exatamente, agora falta o terraço... – ela se levantou e as duas mulheres quase saltaram sobre ela.

– espere! Eu não sei pode ver ainda!

– como?

– Sasuke mesmo mandou cuidar do terraço, ele disse pra deixar com ele e agora não sei se ele já terminou por lá.

– humpf.

– eu vou ligar pra ele – Ino pegou o telefone e seguiu para fora.

Sakura se levantou e foi até a cômoda abriu a primeira gaveta encontrando-a repleta de roupinhas de bebê, a todas brancas e para recém-nascido, já na segunda haviam as para crianças maiores, e com cores, como azul bebê, vermelho, verde e até um macacão com símbolo dos Yankees.

Na terceira, haviam gorrinhos e meinhas, nas outras já sabia que apenas fraldas de pano e descartáveis.

Sobre a cômoda estavam os produtos de higiene, uma escova de cerdas completamente macias, cremes, loção de banho e um perfume tão delicado e delicioso que ela quis usar em si mesma. Foi até o armário e o abriu, os cabides pequenos estavam repletos de conjuntinhos, mini bonés, sapatinhos, mais fraldas e brinquedos embalados, a banherinha de banho estava lá, cheia com um conjunto de toalhas, uma caixa com um jogo de mamadeiras, e a bolsa para a maternidade também.

Ela havia até esquecido desde detalhe e tirou-a logo dali, já estavam no começo de Dezembro, logo começaria a nevar, e Ryan viria a qualquer momento.

Algo tão essencial para quando chegasse a hora não podia ser esquecido, mesmo que ela estivesse ansiosa em sair logo do outro apartamento, estar perto daquele quarto a aquecia como nunca sentiu.

– ele disse que tudo bem! Que havia até esquecido e que quer sim que você veja, principalmente antes de começar a nevar – Ino disse, empolgadíssima.

– hum.

Sakura entregou a bolsa para Konan e deixou o ursinho em seu lugar. As três seguiram de volta a sala, havia uma escada discreta que levaria até lá, não foram muitos degraus mas ela estava cansada mesmo era de andar.

As portas eram de vidro fumê e quando saiu a luz solar irradiou sobre ela, um cheiro de terra molhada invadiu suas narinas, tal como fragrâncias adocicadas.

– oh meu...- Konan soltou – ainda bem que Sasuke preferiu correr da arquitetura ou Shikamaru e eu estaríamos passando fome...

Sakura piscou muito perplexa com a visão, caminhou com cuidado e assombro sob a sombra de grandes árvores por um caminho de grama formado por paredes de flores e mais flores, vermelhas de um lado, algumas rosas, amarelas e laranjas, misturadas de forma tão natural que nem pareciam a projeção de algum paisagista famoso.

O apartamento tinha setecentos metros quadrados, e era exatamente esse o espaço que o terraço tinha, ela viu até uma parte do chão rodeada de concreto e no centro havia vidro, e ali soube que estava acima da sala principal. Continuou pela serpente de grama e jurou ter ouvido um passarinho.

Chegou a uma parte com degraus longos e largos sem muita diferença de relevo o que facilitou sua caminhada, as duas frescas atrás dela imploraram para que tivesse cuidado para não escorregar, a grama e as plantas estavam úmidas mostrando que haviam acabado de ser irrigadas pelo sistema, Sakura chegou ao topo da escadaria, e encontrou caminhos opostos, um que devia adentrar de novo e outro que levou para as extremidades do prédio, e uma área com um cercado de ferro.

Havia um banco de madeira com um teto de madeira acima e vidrou ou outro material, e arcos recobertos de samambaias e grades garantiam a segurança de quem se aproximasse da beirada, mas não de uma criança que poderia escalar a grade, foi quando ela notou o porque daquela parte ser separada por uma cerca, bastariam trancar o portão e a criança não teria acesso àquela parte, então cogitou que as outras extremidades fossem completamente elevadas e muradas preservando ainda mais o ambiente.

Nem parecia que estavam a tantos metros do chão se não fosse aquela área.

Ela se sentou no banco, fatigada de tanto andar, e imediatamente foi açoitada pelo perfume de rosas, se virou e deparou-se com um canteiro inteiro atrás de si, rosas vermelhas como sangue. Duas variedades, uma que crescia no canteiro e em grandes vasos pendurados no teto de madeira e outra que era uma trepadeira que cobria um arco atrás do canteiro.

Sakura se levantou e se aproximou das flores, tocando fracamente as pétalas grossas que exalavam um perfume forte e sem igual.

Quando ela sentira o real perfume de uma rosa afinal? Dormira e transara sobre camas repletas de pétalas, mas o cheiro de luxuria e perdição era maior que qualquer outro.

Ela percebeu uma placa de madeira entre elas e entalhada nela, uma frase destacada entre aspas.

“...Na primeira vez em que nos beijamos, eu soube que nunca mais iria querer beijar outros lábios que não os dela...”- V de Vingança.

Ela certamente não entedia o por que ser justo aquela frase, ou talvez não quisesse entender.

Sasuke certamente estava querendo desarma-la lembrando de algo que a maioria dos fãs ignoravam, preferindo as frases de cunho anarquista, em vez das palavras de amor de uma amante para outra.

Um romance proibido.

– que romântico...- Ino comentou, acariciando as rosas.

Sakura inspirou e deu as costas seguindo para longe dali, pegando o outro caminho e chegando a uma pequena fonte de concreto, e também um balanço e um escorregador, como preverá, as extremidades do edifício foram amuradas e recobertas por palmeiras. E mau via algum arranha-céu dali.

Ela também não quis ceder as imagens agradáveis que formara e seguiu de volta para dentro da casa.

De volta para fora de um sonho familiar.

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– parabéns, você conseguiu – Ino disse. Sasuke mordiscou os lábios girando na cadeira mau contendo um sorriso ansioso.

– ela gostou?

– ficou muito balançada, tanto que deu o fora o mas rápido possível.

– como assim? Ela odiou?

– ela adorou, Sasuke, ou ficou balançada o bastante para sair o mais rápido possível e não deixar ninguém perceber, meu deus que mulher difícil.

– ah,você acha?

– azar o seeeeeeu! Você merece, fez muita garotinha sofrer nesses vinte e oito anos sabe?

– humpf.

– eu tenho eu desligar acho que isso de ligar pra você a está irritando e não quero ser acusada de espionagem.

– certo, então...

– qualquer coisa eu te ligo, já sei, Sasukito!

Ela desligou depois de uma sonora gargalhada e Sasuke largou o celular na mesa.

– vaca.

Se levantou e afundando as mãos nos bolsos encarou a selva de pedra pela vidraça, já anoitecia, e ele não se importaria de virar a noite trabalhando, trabalho era sua única distração, e mal funcionava. Observou também, que começava a nevar.

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– completamente desnecessário – Sakura afirmou, largando o Papai Noel de volta na caixa.

–ah pelo amor de deus! É Natal Sakura! Você não pode ser tão cruel! – Ino reclamou, trazendo mais uma caixa com enfeites natalinos enquanto Sai lutava para por em pé, a enorme árvore de natal perto da lareira do novo apartamento.

Ela não admitiria nem morta, e usou a desculpa de que seria mais prático, mas a casa recém decorada a animou sim, estar perto do quarto do bebê a distraiu e deixou-a mais ansiosa, embora, pensar na dor que viria logo não fosse reconfortante.

Ela ao menos estava mesmo pronta para ser mãe?

Ela ao menos daria conta?

Com um suspiro, voltou a atenção para a TV, já estava no finalzinho do filme do V, nunca havia se animado para assistir por que se nem o próprio deus e criador de V, Alan Moore gostou, não devia ser grande coisa.

Mas lá estava ela quase chorando com aquele enredo cheio de buracos...

Malditos hormônios.

Ela sentiu um chute quase violento e suspirou, passando a palma sobre o ventre. O bebê estava cada vez mais agitado e isso só a deixava mais apreensiva, a médica disse-lhe que estava tudo bem e que era um bom sinal.

Um sinal de que o parto estava próximo, e isso não a tranquilizava.

Ela não estava pronta para o que viria, estava com medo, com raiva e magoada, solitária e principalmente, ansiosa.

Completamente dividida, por que não era uma gravidez comum, ela tinha em mente que talvez não desse conta, que talvez Ryan não desse conta. E só poderia culpar a si mesma, por que não fora feita para ser mãe, ela nunca tivera contato com um bebê, nem sequer saberia como segura-lo, dar banho.

Como faze-lo crescer e ser uma boa pessoa, ela própria não sabia, e não sabia se, deixando-o longe e protegendo-o de tudo que um dia lhe fez mal era um bom caminho.

Ela ao menos era capaz disto? Como alguém que nunca soube se defender e passou a vida inteira baixando a cabeça esperando que acabasse com uma mascara de “Eu não gosto, mas também não ligo” poderia proteger alguém tão frágil?

O mundo estava tão errado, erros por todos os lados, muralhas que deveriam proteger se tornavam a celas de tortura. Campos abertos de liberdade se tornavam áreas de guerra.

Ela estava apavorada, por que absolutamente, não sabia para onde seguir, se queria seguir, se ao menos sobreviveria para tal.

Tirou olhos da TV e observou Ino e seu namorado, se perguntando se eles não perceberam que estavam decorando a árvore alheia e não a deles, para estarem tão naquele clima de romance natalino. Usando suéteres de lã, brincando com os enfeites e ajeitando alguns presentes sob a árvore.

– que presentes são esses? – indagou.

– huh? Pensado bem, que tal olharmos?

– Ino...- ele censurou e ela riu como uma criança, se sentando no tapete e pegando um embrulho vermelho com laço verde.

– não vou abrir, amor, vou apenas ver de quem veio! Muito bem o primeiro é, oh é o meu!

Sakura revirou os olhos e Sai fez o mesmo, rindo em seguida, a loira pôs o presente de lado e pegou o próximo um tanto maior.

– huuum, e este é de Sasuke.

– humpf.

– nem pense em jogar na lareira, é para o Ryan!

– sei.

– ai, estou curiosa, como será que imponente senhor Uchiha se sai comprando presente para o filhinho?

– você não tem jeito...- o moreno resmungou.

– o próximo é... do Naruto?

– jogue fora, é uma bomba.

– haha, é para o Ryan também! Então acho que ele está bancando o titio em vez do terrorista.

– humpf.

– o próximo, é da Temari e do Shikamaru, e vejam só, é para o Ryan.

– espera aí? É tudo para o bebê?

– ao que parece, mas tenho certeza que te amam indiretamente!

– não tente me bajular, aquele bando de puxa sacos...- resmungou.

– presentes da velha Mikoto para o netinho e para o filhinho, oh, e do senhor de aço, Itachi Uchiha!

– nunca vou vê-lo como um tio, o homem é aterrador.

Ela continuava achando isso mesmo tendo tido uma curta mas a amistosa interação com ele em Hamptons.

– uh! E ao que parece ele também não acha isso.

– hum? – Ino lhe fitou de maneira maldosa.

– é para você! – Sakura encarou o embrulho com uma sobrancelha no alto, era grande, largo mas baixo, embrulhado em papel chumbo e com um laço rosa.

Estendeu a mão para ele.

– me dá.- exigiu.

– mas nem pensar! Faltam quatro dias para o Natal ainda!

– dane-se, acha mesmo que vou me roer de curiosidade até lá? Você viu o homem, nunca esperaria algo dele, deixa eu ver essa droga, Ino!

– não!

– dane-se – ela bufou – vejo depois.

– boa sorte se abaixando para pegar!

– sua vaca...!

– não seja cruel, Ino, ela vai se vingar quando for o nosso – Sai comentou, muito alheio enquanto envolvia a arvore com aquela cosia felpuda e brilhante. Ino arregalou os olhos em choque e Sakura fez um bico, impressionada.

Até onde sabia, os dois nunca sequer falaram de casamento, e lá estava ele comentando casualmente sobre os filhos que teriam.

Ela viu que Sai eram de tão poucas palavras quanto Sasuke, e para ele as coisas já deviam estar subentendidas, talvez esquecesse o quanto Ino era cabeça oca. Ela ansiosa por um pedido formal de noivado...

E ele já planejando filhos, por que pra ele já estavam juntos.

Talvez fosse o tipo que achasse que cerimonias e oficializações fossem desnecessárias.

A boca da loira abria e fechava com um peixe, e ela achou que teria um ataque de pânico ou coisa assim, pegou uma das trufas que comia a atirou na testa dela. Ino a fitou e Sakura meneou a mão, mandando-a se controlar.

A maluca assim o fez, voltando a respirar e quando se acalmou, sorriu feito uma idiota.

Sakura então, preferiu que fosse um ataque de pânico mesmo, uma DR seria mais divertida de se assistir.

– mu-muito bem, vamos ao próximo – ela disse, tentando passar normalidade, o outro estava muito concentrado com a decoração e Sakura se perguntou se ele tentaria fazer daquilo algum tipo de obra também. – este é da sua médica, querida, do tal marido dela, olha o que o estranho escreveu, que velho safado! “Para apimentarem a relação mesmo com crianças por perto” esse velho não presta mesmo!

Pela estrutura do presente, Sakura julgou que fosse um tipo de box com livros, provavelmente todos os livros de putaria dele.

Que velho bobo, ele esqueceu que ela daria uma escritora de erotismo tão boa quanto ele jamais seria?

Em matéria de sexo ela era e sempre seria, profissional, está foi sua única formação, afinal.

– humpf, coitado – resmungou, pondo uma trufa na boca.

– este é de algum puxa saco de Sasuke, e aquela vaca da Kushina teve a coragem de mandar presente também, espero que não esteja achando que vai ser madrinha do bebê, por que eu vou ter que cortar a liga dela. – Ino prosseguiu – mais puxa-sacos, olhe só querida tem presentes pra você também, mas admitamos, nosso Ryan está fazendo sucesso.

– nada mais justo – ela comentou, acarinhando a orelha de Gisé.

– até Gisé ganhou presente, que glamour! É da Konan!

– ela está tentando ganhar minha gata?

– haha, ela mandou um pra cada um! E também a Tenten e também o idiota do Neji, é para o Sasuke claro, ele ainda não admite que tem adoração secreta pelo Sasuke.

– ainda acho que ele não admite que eu tenho o que ele nunca vai poder dar ao Sasuke, e não estou me referindo ao bebê.

– já disse, ele não é gay, na verdade ele é muito... – Ino se calou lembrando da presença do namorado, e Sakura virou a cara disfarçando quando ele ficara atento a conversa – muito arrogante, só isso, e narcisista claro, um insuportável...

– de fato...

– hey... este aqui, que estranho... – Ino disse, pegando uma caixa pequena em tom te madeira e com um laço fino e vermelho.

– o que é estranho?

– esse nome estranho... é para você, Sakura.

– pra mim?

– sim, sim, mas não faço ideia de quem seja, e tem algo estranho, escrito, “Para minha Eterna Evangeline, este ultimo volume encerra as aventuras dela, e também, as nossas, com carinho...

– Shukaku?! – Sakura se levantou do sofá o mais rápido que pode e seguiu até ela – me dá!

– opa espera aí! cuidado! Em quem diabos é Shukaku?! Aliás, que diabo de nome é esse?!

– lembra que eu te falei que conheci o irmão escritor da Temari?!

– oh?! Quer dizer... OH?!

– Me dá logo! – ela tomou o embrulho, e arrancou o laço tirando de dentro da caixa um exemplar volumoso, de capa dura, encouraçada e vermelha. – aquele idiota está no país? Ele me achou? E que maldita historia é essa de eu ser Evangeline?! Eu odeio a Evangeline!

Ela voltou ao sofá e muito intrigada e irritada, se sentou, revirando as primeiras folhas.

Evangeline era o nome da protagonista dos romances policiais de Gaara, uma mulher belíssima que encantava e intrigava qualquer um, cheia de dores do passado, pouco crente sobre a vida e que vivia metendo o bedelho sem querer em tudo.

Ela era uma versão moderna e corrompida de Sherlock Holmes, uma mulher que mesmo tendo um intelecto acima da média, não tinha a força masculina necessária para cumprir suas investigações e sempre acabava fazendo algo baixo e indigno para terminar um caso, ela não gostava, mas fingia que gostava. Seu caráter era duvidoso e sempre deixava o leitor em duvida se ela realmente era uma mocinha.

Mesmo quando Patrick apareceu e se tornou seu Watson, e também seu amante mais sincero, ajudando-a de toda maneira e sendo um porto seguro para ela, ela o magoava, ele sim era um mocinho, um santo por aturar aquela vaca!

E Sakura a detestava, amava os casos, o suspense, a construção do cenário moderno e sua mescla com o passado quando um mistério vinha dele, e tomava forma no presente por meio de algum crime hediondo e cheio de contradições.

E que historia era essa de ser o ultimo?! Ela nem sabia que ele estava trabalhando no próximo, desde a última vez que o viu, ele estava fazendo pesquisas para escrever um romance de volume único que se passava na Irlanda, na idade média.

E era esse romance que estava esperando para comprar, mesmo que não pudesse ter o autografo dele.

Yahiko era ignorante o bastante para achar que livros não tinham valor, ele devia achar que Gaara era rico por causa da família. E por isso, nunca fez questão de tomar dela os livros que o escritor lhe dava, edições de luxo, caríssimas, autografadas e com dedicatória.

Algo que qualquer fã dele mataria para ter.

Shukaku era seu pseudônimo e nem ele sabia de onde tirou, algo sobre estar bêbado e tido alucinações com um bicho feito de areia. Ele era maluco.

E agora lhe mandava a ultima aventura de Evangeline? Com tanta coisa ainda para acontecer? O ultimo terminou com Patrick finalmente dando um pé na bunda dela e deixando-a refletir o quanto era uma vadia sem coração e medrosa. E ainda tinha o vilão que ainda estava por se revelar. Haviam milhares de suspeitos e sem seu amante e escudeiro, Evangeline estava fodida!

Aquele bastardo achava mesmo que poderia fechar o livro sem deixar milhões de lacunas vazias?

Oh, ele era bem arrogante para achar isso, e sempre que ela reclamava de uma parte ria em sua cara como se ela tivesse um intelecto inferior demais para compreender a dimensão de sua obra, e a desfiava a decifrar. Era monstruosamente excitante e frustrante estar tão perto e longe dos spoilers, só os quartos dos hotéis em que ficavam sabiam o quanto ela cansara a boca num oral caprichado para conseguir nem que fosse uma linha do próximo livro.

E quando ele era bonzinho o bastante para dar, ela não conseguia entender porcaria nenhuma até ler o maldito livro todo.

– aquele bastardo... – resmungou, e muito irritada, leu a dedicatória.

“Evangeline era um passarinho, um passarinho enjaulado de diversas maneiras, acompanhamos ela se libertar e buscar a chave para fora dessas gaiolas, mas só neste ultimo volume iremos vê-la, ou ao menos torcer para isso, conseguir se libertar de sua mais firme e sufocante jaula.

Ela mesma.

Tal como você, Sakura.

Sei que deve estar me xingando e odiando, mas é a verdade, eu tinha o piloto para o primeiro livro quando te conheci, era só a ideia, eu nem tinha protagonista, então conheci você, você é minha Evangeline, e se você a odeia, é por que se via tão bem nestas paginas que te assustava. Estou orgulhoso de ter conseguido colher sua essência tão bem. Ainda mais de alguém como você, um verdadeiro cofre sem chave ou segredos.

Nestas paginas, Evangeline vai ou pode morrer tentando, reconhecer a si mesma, se libertar e soltar sua verdadeira essência.

Eu não sei se está acontecendo com voc, agora, mas eu torço.

Enquanto todo mundo torce por Evangeline.

Eu torço, e sou seu fã numero um.

Obrigada pela inspiração, de seu escritor favorito ( foda-se o Alan Moore), Gaara Sabaku.

Ps: Ah, e obrigado pelos orais, não foram um desperdício, ou esqueceu que Evangeline é boa de boca também? Eu pensei em não usar isso, que você perceberia, mas pensei no pobre Patrick e que ele merecia alcançar o paraíso de vez em quando, ainda mais estando encantado por uma mulher que lhe trazia o inferno a tona a cada esquina.

Ps2: o outro livro eu mando logo, quando soube que você foi embora, Evangeline exigiu sua liberdade também, haha.

Atenciosamente, Shukaku, para minha agridoce Evangeline rosada.

Ps3: Feliz Natal e ano novo, e que este pedaço de gente que carrega não faça a maldade de acabar com esse belo corpo que me enche de inspiração.”

– seu...bastardo...- murmurou.

– o que? Ele foi grosso com você?! – Ino indagou, Sakura negou esfregando o nariz e se levantou.

– não, foi só...eu vou para o quarto, tenho que ler isso.

– ler agora?! Como você é estranha! Mas é melhor do que ficar comendo...

Ino revirou os olhos quando ela catou caixa de trufas e seguiu para quarto com o livro.

Se aquele bastardo pensava que iria engana-la ou amolece-la com aquele discurso todo estava enganado, ela leria aquele livro de cabo á rabo e ai dele se ficasse alguma pontinha solta na historia, ela seria tão ruim quanto qualquer critico fresco desses que ele detestava.

No caminho para a cama, ela acabou desistindo de ficar tão sozinha em um lugar tão grande, e deu a volta rumo ao quarto do bebê lá também era grande mas reconfortante para ela.

Sakura pôs a caixa de trufas sobre a mesinha e puxou o urso para por no colo, mas tal como ele o livro também foi ao chão.

Uma facada atingiu-a em cheio e suas pernas trepidaram, Sakura se sentou na poltrona agarrada ao volume do ventre e em pânico. Uma pontada forte e que logo se foi, atingiu-a de novo.

Era isso que chamavam de contração? Ela já estava morrendo com aquilo? Por que se no começo já estava ruim ela já não sabia se daria conta de ir ao até o final.

– Sakura?! Sakura! Venha ver a árvore! E mais um presente chegou!

– Ino?! – gritou e a loira logo achou seu caminho e encontrou-a se contorcendo.

– Sakura?! Oh meu deus, não me diga que...

– está doendo Ino, meu deus... como dói! Eu não vou dar conta, Ino.

– cla-claro que vai! Não seja boba! Vem cá! – Ino a ajudou a levantar mas outra pontada a fez gemer se agarrar na poltrona voltando a sentar – ai meu deus! Espere aqui! – ela saiu correndo e quase tropeçando. – meu deus! Sai?! Sasuke?! Ela começou! O bebê vai nascer!

Sakura apertou os olhos sentindo eles marejarem e se recusando a abri-los mesmo quando ouvia os passos abruptos e gritos no corredor e quisesse implorar para que eles viessem logo.

– Liga pra Tsunade, agora! – ouviu Sasuke gritar, e pode reconhecer até mesmo seus passos, sua voz que ela não ouvia a talvez mais tempo do que gostaria, lhe trazia mágoa, um pouco de alivio, mas principalmente, medo. – Sakura? Sakura, por favor querida, não chore, e não entre em pânico – sentiu-o envolve-la com o braço e lhe apertar a mão e quis chorar por que isso a estava acalmando e ela não queria depender dele mais do que dependia.

Mas outra pontada a fez apertar a mão dele e se contorcer.

– calma querida, ligou pra ela Ino?!

– sim! Mas não sei o que dizer, ela está com dor ora! – ela reclamou no telefone.

– merda, me dá! – Ino lhe entregou o aparelho – alô Tsunade? Sim ela está com dor, acabou de começar? – indagou para as duas, Ino assentiu ainda que sem certeza, mas Sakura confirmou, apertando os olhos.

– não, não parece que a bolsa estourou ainda.

– então fiquem calmos, provavelmente são só as primeiras contrações.- a médica instruiu calmamente.- Sakura deve estar nervosa com a dor, tentem acalma-la, ainda vai piorar.

– isso não é reconfortante – ele reclamou sentindo as unhas da gata cravadas em suas palma.

– esse é o milagre da vida, acostume-se se quer ser pai uma segunda vez, quero que a ponham num lugar confortável e observem o tempo entre as contrações, eu estou indo para aí, estou por perto e posso medir a dilatação dela, e ver se já devemos leva-la ao hospital, é um parto de risco então talvez seja melhor interna-la logo.

– não seria melhor leva-la logo?

– se acalme, ou será pior, nesta situação alguém tem que estar com a cabeça no lugar e tem que ser você.

– certo.

– vou desligar.

Ela assim o fez e ele jogou o telefone para Sai. Se levantou e tentou ajudar Sakura a levantar.

– está tudo bem? Passou? – ela assentiu sem abrir os olhos e o deixando passar seu braço a volta do pescoço para sustenta-la, a passo lento ele começou a guia-la para fora do quarto do filho, nem teve tempo de admirar e decoração, talvez só soubesse que era branco.

Viera para lá o tempo todo julgando a si mesmo por ser impulsivo e impaciente, mas estava para enlouquecer sozinho no hotel ou no escritório. Tinha de vê-la e estava disposto a aceitar um tratamento de gelo ou um vaso na cabeça.

Era quase Natal e ela estava o tirando de perto do único presente que ele pediria esse ano. E a data que se acostumara a passar na casa dos amigos ou mesmo em alguma confraternização da empresa ele não conseguiria passar sem ela por que como um menino bobo ansiando pegar o Papai Noel descendo pela chaminé, ele queria saber como era passar o natal com sua própria família, a que ele tentou tanto formar.

Sentou Sakura na cama redonda e mau se deu ao trabalho de olhar a decoração, se sentou na beira e não a deixou soltar sua mão mesmo estando mais calma e virando a cara.

– eu vou pegar água – Ino disse, puxando Sai para fora do quarto.

Sasuke suspirou, olhando seus dedos, e as unhas pintadas de um verde claro. Gisé saltou na cama e ele sorriu vendo que ela já se sentia totalmente em casa.

– olá madame? – cumprimentou-a com um afago que ela respondeu com tanto carinho que ele ficou orgulhoso de saber que lhe fez falta.

Pelo menos uma gata sentiu.

– parece que seu presente vai vir mais cedo – Sakura comentou, ele assentiu beijando seus dedos.

– precisava te ver – respondeu a questão que ela deveria estar fazendo desde que chegara. Ela não pediu para vê-lo, então não queria vê-lo, ou era orgulhosa demais para admitir.

– grande hora para chegar – ela resmungou.

– eu acho que foi uma boa hora.

– é, temos de conversar, sobre o bebê.

– Tsunade disse que você só está nervosa com as primeiras dores, é normal, é uma mãe de primeira viajem.

Sakura inspirou e enfim voltou os olhos para ele, Sasuke não gostou daquele olhar, não havia a magoa pelo o que ele fez, mas um pesar que o perturbou.

– não sabemos se vai correr tudo bem.

– Sakura...

– a tendência é não correr.

– onde quer chegar?

– salve o bebê.

– o que?!

– se for preciso, se tiver de haver uma escolha, salve o bebê.

– do que está falando? Não tem que haver uma escolha, Sakura, e eu não posso escolher entre vocês.

– mas vai, o bebê é mais importante, embora eu não veja mais nada de válido neste mundo, não aguento a ideia de não deixa-lo conhece-lo, é uma droga, e eu odeio sentir isso, este mundo é uma merda, mas ainda me parece cruel demais não querer que ele o conheça, parece injusto...

Sasuke se curvou para ela, juntando a testa á sua.

– isso por que você é mãe, e não importa como o mundo é ruim, você ainda quer que ele venha e quer dar-lhe o melhor de tudo.

– eu não sirvo pra isso...

– você não sabe se serve, está com medo e quer fugir até para a morte, se possível for, mas ninguém vai deixar você morrer, e Ryan vai conhecer você, por que ele também tem esse direito.- ela respirou fundo e sugou os lábios enquanto chorava, com a mão tremula, tocou o peito dele.

– só-só prometa que ele vai ser sua prioridade, por favor, eu não me importo com o resto, só não o abandone.

– eu não vou, nem ele nem você.

– apenas prometa, por favor, mo dornaisc.

Sasuke suspirou, ele não queria uma briga, mas tampouco queria concordar com ela, beijou sua testa e rosto.

– prometo que vou fazer tudo pelos dois, por favor não peça algo além disso, eu também não vou aguentar, Sakura.

Ela assentiu, deprimida e se encolheu deitando de lado. Ele esfregou o cabelo, frustrado, e se levantou e caminhou pelo quarto. Cinco minutos depois Ino entrou com Tsunade logo atrás.

– muito bem, muito bem, parece que chegou a hora huh? – ela disse muito bem humorada, Sakura se virou encarando-a nada amigável.

Se ela era um demônio quando davam tudo o queria, morrendo de dor e com medo, ele só temia o que ela faria deles nesse período.

A mulher a analisou rapidamente e mais contrações vieram ajudando-a com o resultado, ela se levantou da cama e guardou o estetoscópio na maleta tal como o medidor de pressão arterial.

– bom, as primeiras contrações começaram, e pelo visto, ainda vai demorar para o rapazinho nascer.

– ainda?! – indignaram-se os três.

– sua dilatação ainda está longe do ideal, a bolsa não rompeu e nem vai ainda, você está num falso trabalho de parto, as dores estão no mesmo nível por enquanto e como você disse, fora isso, só sente essa dor nas costas.

– pelo amor de deus, você tem certeza? E se ela entrar a qualquer momento? – ele disse.

– por isso, ela vai ter que ir para a clinica, sua pressão está oscilando, vou pra lá agora e vou mandar arrumar tudo, obrigada, Sakura, vou passar o fim de semana trabalhando em vez de comer peru, tomar vinho e ajudar Jiraya com o próximo livro.

– eu estou aqui morrendo de dor, por causa do filho dele – Sakura apontou o Uchiha – e você reclamando por que não vai transar?!

– Oh! – as bochechas da medida ficaram rosadas – soou tão óbvio assim?

– ele escreve romances eróticos, quer que pensemos que vai ajuda-lo a escolher a capa? – Sasuke reclamou, ela abriu e fechou a boca, mas desistiu de se defender e se apressou para a saída.

– vou cuidar das coisas, recolha sua bolsa, pegue as algumas mudas de roupa e vá para a clinica, até mais.

Ela saiu e Sakura encarou o Uchiha muito revoltada.

– eu me arrependo de ter escolhido aquela porra de fantasia.- ele riu um pouco, concordando que se fosse a velha Tsunade em crise amorosa, estaria muito mais atenta e profissional na situação.

Mas sabia que ela não falharia em tomar conta de Sakura e do bebê.

– tudo bem! Vamos arrumar suas coisas! – Ino disse – oh nem acredito, meu afilhado já está vindo! – ela cantarolou correndo para o armário.

Sasuke se voltou para a espora.

– afilhado? Não fode, Sakura – ela bufou e virou a cara, com uma careta de dor.

– eu disse pra ela se virar com você.

– tsc, ninguém merece.

– oh meu deus! Esse casaco é um arraso! – Ino gritou do closet.

– é branco?! – Sakura disse.

– oh, sim, é sim, você me...

– nem encosta! Ainda não usei!

– então vai usar agora, está muuuito frio lá fora.

– não vou usar, é de pele, vou parecer uma ursa polar!

– ai que bobagem!

– Ino, encontra algo leve pra ela usar lá, não pra uma passarela – Sasuke reclamou, e voltou-se para Sakura – a bolsa do bebê?

– no quarto dele.

Ele concordou saindo e seguindo para lá, enfim podendo admirar o recinto. Uma sensação de ansiedade e calor o tomou.

Estava chegando a hora. E ele quis rir tomar uma boa cerveja, mas Sakura enfiaria a garrafa em sua goela.

Procurou a bolsa em todo lugar e se perguntou se era meio gay ficar tanto tempo admirando as roupinhas, mas se encheu de um orgulho (muito viril, alias) quando encontro o macacão dos Yankees.

Achou a bolsa dentro do berço e a pegou, e antes de sair, localizou um livro no tapete, imaginou que ela tivesse tido sua leitura interrompida pelas contrações, e o pegou largando dentro da bolsa imaginando que ela se agradaria de ler entre as contrações ou depois do parto, enquanto descansasse.

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Ele voltou e encontrou-a já de pé, com Ino ajudando-a a vestir um sobretudo negro, Sakura pôs um par de luvas e tentou ajeitar o cabelo, mas estava muito irritadiça e dolorida para insistir.

– vamos lá. – passou a alça da bolsa ao redor do tronco e conduziu-a para fora.

– onde Sai foi? – ela indagou estranhando não acha-lo na sala.

– deve ter ido fofocar. – Ino deu de ombros.

– mas essa função não é sua?

– ele aprende com o tempo, acredita que sou ótima desenhista?

– me poupe, nada de notas na imprensa.

– sim senhora! Vai ter mais graça quando anunciarmos o bebê! Tipo no rei leão!

Sakura balançou a cabeça em descrença, e Sasuke tentou não rir ou xingar Ino.

James os recebeu na porta com um guarda-chuva preto, estava caindo uma fraca nevasca e as calçadas mau haviam sido limpas.

Quando chegaram na clinica Tsunade e uma enfermeira já esperavam e um quarto de visitas estava pronto para eles.

– só quero que saiba e que você vai interromper o Natal de muita gente – Tsunade brincou.

– diga isso ao filho dele – indignada, ela apontou Sasuke outra vez.

– eu devo lembrar que você também gozou então nem disso pode reclamar certo? – Sasuke rebateu.

sua porra foi responsável por isso!

– ai meu deus...- disse a enfermeira, mais velha saindo quase correndo do quarto, Sakura bufou, e ele revirou os olhos.

– por que diabos eu tenho de sentir dor afinal?! Alguém chute o saco dele!

– eu posso?! – Ino pediu, radiante.

– vem com essa que eu te escalpelo – ele ameaçou.

– ain...

– chega, certo crianças? – Tsunade pediu, e até ele já estava ficando puto com todo aquele bom humor.

Ela sorriu de maneira reconfortante para Sakura já deitada na cama.

– vai ficar tudo bem, você vai ser monitorada e vamos esperar pacientemente que o pequeno aí venha no tempo certo, sua pressão está oscilando um pouco mas nada muito grave.

– sei.

– procure descansar, mais tarde alguém trará algo leve pra você.

Ela se retirou, Ino se sentou na beira da cama, e Sasuke ocupou a poltrona.

– algo leve? Deus, por que eu não trouxe minhas trufas?

– você ainda consegue pensar em chocolates, sentindo dor? Incrível.- Ino reclamou.

– quero chocolate pra não pensar na dor, insuportável!

A boca da loira abriu e fechou muito chocada e Sasuke riu.

– eu disse, eu sempre disse.

– oh, cale-se ou chuto suas bolas mesmo!

*********************************************************************

– pelo amor de Deus... eu não aguento mais!

Sasuke girou nos calcanhares, e seguiu para fora, ele também não aguentava mais. Nada a fazia se acalmar, ela estava chorando a horas seguidas e ele enlouqueceria se ficasse ali, tendo que observar e nada mais.

Uma enfermeira mais velha tentava acalma-la, mas mesmo que as dores fossem consideradas de menor grau, Sakura já não suportava mais atura-las por praticamente três dias.

Ela não fora feita para dor, e já sentira demais nesta maldita vida que foi forçada a ter, era ainda mais cruel que a coisa mais importante para ela, para eles, tinha de vir sob essa tortura toda.

Tsunade conversava com um outro obstetra no corredor, não fora só Sakura que resolvera dar a luz no feriado, mas três partos começaram e findaram naqueles três dias, e sua ainda gata sofria.

Ele tinha que assistir outros pais e familiares comemorando e adorando seus rebentos através da vidraça do berçário.

Ele ia ficar louco.

Com a demora do parto foi inevitável que mais gente aparecesse, Ino combinou sua histeria com sua língua solta, e até Mikoto dera as caras.

Não que fizesse muita diferença, mas ela se calou e observou tudo calmamente, e isso até foi bom.

Ela estava sentada num dos muitos bancos do corredor próximo ao quarto e mesmo de lá podiam ouvir o choro de Sakura, ela estava farta de se fazer de forte, farta de segurar a dor e ansiedade, não conseguia fazer nada, mau comia, e nem dormia direito.

E quando pensava nisso ele ficava apavorado, e quando ela o fitava, o fazendo lembrar de qual seu maldito desejo, ele se sentia um inútil.

Ele não podia tomar sua dor, nem conforta-la, ela não queria conforto, só que acabasse. Era muito injusto.

Itachi estava recostado na porta, com os braços cruzados, Sasuke não sabia dizer se ele dormira desde que chegou, mas o terno largado numa das cadeiras e os ombros um tanto caídos não davam um ar de muita tranquilidade.

Naruto já estava impaciente, e totalmente deslocado com a situação e Karin não conseguia desfazer a expressão de angustia. Ino saíra com Sai para comerem algo, junto a Temari e Shikamaru, que estava mais ocupada em manter ele longe de Konan, que muito provavelmente, nem os notou ali.

– isso tem que acabar, Tsunade – ele exigiu, pouco se importando se interrompia algo sério, podia ser sobre outra mãe tendo dificuldade, mas ele não era um cara altruísta e não seria agora, com sua esposa agonizando naquela merda de quarto – ela não vai dar conta.

Ela suspirou e o outro médico se retirou dando um olhar compreensivo.

– eu sei que parece cruel, mas também não posso induzi-la, está correndo de forma natural, Sasuke.

– natural? Aquilo é natural?!

– Sakura está sensível psicologicamente, isso pode a estar fazendo sentir mais dor do que a realidade, mas o bebê está bem, e ela também, a bolsa nem rompeu e como percebeu as contrações continuam constantes e alternadas sem muita diferença, só podemos nos preocupar se ela sentir mais dor ainda e a bolsa não romper.

– tem certeza que não pode intervir antes disso? – disse Itachi.

– tenho, se as contrações vierem mas a bolsa não estourar aí sim o bebê pode estar em perigo, e eu terei de intervir, mas até lá depende dos dois.

– e se ela passar mal? E se não der conta até lá?!

– ela está estressada e ansiosa, tanto quanto você, e está morrendo de medo, ela não é boa para lidar com a dor, mas sua pressão é o que mais me preocupa e embora esteja tão nervosa, não precisamos nos preocupar agora.

– mas...

– volte para lá e fique com ela – ela cortou-o – é melhor que pode e deve fazer.

Ela se retirou indo para outro quarto, Sasuke esfregou o rosto, ainda mais frustrado, girou nos calcanhares e seguiu para quarto, mas foi contido pelo irmão.

– o que?

– vá comer alguma coisa, e beber água e dar um jeito nesta cara, tão nervoso assim vai deixa-la assombrada.

– não fode.

– é o melhor, Sasuke – Karin reforçou.

Ele suspirou e soltando-se seguiu o mais rápido possível para a refeitório no andar de baixo. Entrou e seguiu direto ao balcão, pedindo um café e algo para engolir junto.

– como ela está?! – Ino indagou, vindo até ele.

– a mesma coisa...

– oh deus, isso é normal? Por que nos filmes é tão rápido...

– cada parto é um parto, Ino, os filmes só gostam de dramatizar – Sai explicou a ela, de forma carinhosa.

Sasuke se voltou para a o balcão e pegou a bandeja, seguiu para uma mesa e comeu sem nem sentir o gosto. Percebeu vagamente que em um canto, Shikamaru discutia com Temari, e viu Ino menear a cabeça de forma irritada.

Logo Shikamaru veio e se sentou.

– agora deu.

– o que foi desta vez? – Sai disse – ela saiu chorando.

– ela queria ir embora.

– não precisa ficar direto – Sasuke disse – e obrigada, estão sendo ótimos.

– eu não me importaria de ir, voltar, tomar um banho e comer algo é tentador, mas não vou pelos caprichos dela, acha que assim que der as costas vou começar a falar com Konan, fala sério, eu nem notei a mulher lá, a própria Temari me avisou.

– Konan, tampouco está ligando, ela está muito ansiosa, é mais tia do que eu, Sasuke.

– tia...- ele se levantou um pouco, o bastante para pegar o telefone no bolso e ligar – Liza? Pode me fazer um favor?

Quando terminou, continuou a comer.

– quem mandou buscar? Aquela garota? – disse Ino.

– ela é irmã caçula da Sakura.

– oh?! São muito parecidas mesmo! Mas é muito menininha, e deus, precisa de um guarda roupa novo, tenho certeza que é tão linda quanto a Sakura.

– deixe a garota. – Shikamaru resmungou.

Logo após diminuir um pouco o vazio no estomago, ele lavou o rosto no banheiro e trocou a camisa social por uma de mangas longas e preta, voltou ao quarto. E seguiu até Sakura que rejeitava comer qualquer coisa, sentou na beira e se curvou abraçando-a.

– querida, se acalme por favor.

– onde você estava? – ela indagou entre soluços, Sasuke beijou sua cabeça. Uma parte contente por ter-lhe feito falta, outra odiando a demora e ter cedido á coação.

– me desculpe, não saio mais tudo bem?

– eu não aguento mais, Sasuke... por favor...

– me desculpe, mas não podemos induzir, querida, você não pode ser simplesmente levada a esse extremo.

Ela se agarrou a ele, chorando, Sasuke permaneceu segurando-a, uma enfermeira permanecia no quarto, de prontidão e foi atender a porta.

Sasuke olhou por cima do ombro reconhecendo Liza, Sakura permanecia com o rosto escondido no tronco dele, as pernas se movendo inquietas por baixo do cobertor.

– querida, querida? Tenho uma visita pra você.

– não, por favor, não quero ver ninguém, eu estou horrível, Sasuke.

– tenho certeza que ela não vai ligar. – ele se sentou e logo Liza voltou trazendo a mocinha consigo.

Imogen nem pensou duas vezes em entrar no quarto correr e se jogar na cama abraçando-a.

– Sakura...

Sasuke suspirou, observando-as e afagando as costas da mulher, sentiu uma mão gentil no ombro e fitou a secretária.

– o senhor já comeu algo?

Ele apenas assentiu.

Ficou sentado na poltrona o resto da manhã, Imogen se deitara na beiradinha da cama e tentava conversar com Sakura.

E apenas das seis da tarde em diante, ele teve um sopro de alivio e mais apreensão.

As contrações aumentaram.

O intervalo diminuiu.

A bolsa estourou.

E tudo virou um alvoroço ao redor.

Seu filho ia nascer.

Tsunade veio acompanhada de uma maca e dois enfermeiros, que puseram Sakura lá, e seguiram e direto para o centro cirúrgico.

– vai acompanhar? – disse Liza. E ele assentiu muito atordoado ainda, tonto.

Ela sorriu como se achasse graça e ele se indagou quão ridículo estava. Ela o empurrou delicadamente.

– então vá! – incentivou.

Sasuke correu seguindo os enfermeiros e tentando adentrar o local mas sendo parado por uma enfermeira.

– senhor tem certeza que quer entrar?

– é claro.

Ela assentiu e mandou vestir a bendita roupa por luvas e uma mascara além de uma touca que o fez se sentir ainda mais sufocado.

Quando enfim chegou perto de Sakura ela estava tendo o cabelo recolhido e trançado por uma mulher, que logo lhe pôs uma mascara de oxigênio e o chamou para perto. Sasuke segurou sua mão e se recostou na cama, não estavam bem em um centro cirúrgico, ela estava numa cama e não haviam cortinas impedindo-o de ver suas pernas, apenas um lençol a cobria e ao nos cantos da sala estavam aparelhos e apetrechos médicos.

Seria um bendito parto natural e só a removeriam para o centro cirúrgico se houvessem mais complicações.

– dói mais do que antes, inferno, muito mais, eu não devia ter reclamado – ela choramingou.

Ele recostou a testa na sua, já suada e quente.

– só mais um pouco, amor, e nós vamos vê-lo, eu prometo.

– muito bem – Tsunade disse, após um rápido exame – sua dilatação está perfeita, querida, espere a próxima contração, e empurre, empurre muito, e não esqueça de respirar com calma.

– meu deus.

– é uma boa opção também.

– juro que se ela brincar comigo de novo eu chuto ela – Sakura reclamou baixinho, ele tentou rir mas não conseguia. Ele só sentia o aperto da mão dela e só conseguia acompanhar com os olhos, cada movimento paciente de Tsunade e dos outros profissionais.

Seus ouvidos só ouviam Sakura.

E sentiu, viu e ouviu quando ela se arqueou com a contração e Tsunade manteve suas pernas separadas.

– empurre.- ordenou, com firmeza. E a gata grunhiu entredentes apertado a mão dele e ficando vermelha com a tentativa – respire, respire querida.

Sakura gritou desta vez e deitou contra a cama deixando mais lágrimas caírem em dor e frustração.

– eu não vou conseguir...- lamentou.

– nós mal começamos, Sakura, apenas se concentre em empurrar, empurre o quanto puder.

Como ele havia previsto, Tsunade estava firme e centrada, ainda sim queria estar mais tranquilo também, e passar isso a mulher.

– empurre!

– está coroando! – disse uma mulher, vibrante. Ele não sabia o que isso significava, só esperava que fosse realmente bom, pois Sakura parecia desfalecer mais a cada tentativa e ele estava ciente de que estavam demorando demais.

– ela está perdendo muito sangue, fique atento à pressão dela! – a médica ordenou para outro alguém. – força Sakura! Força querida! Estamos quase lá!

Ele não pode nem ficar feliz, o grito de Sakura lhe foi aterrador demais e ele passou o braço a volta dela sem saber o que fazer, apenas com medo de algo acontecer com ela.

– mais um pouco! Isso! – a mulher vibrou, Sakura se deitou, arquejando e soluçando. E Sasuke segurou seu rosto tentando ter seu foco.

– Sakura? Sakura!

– aqui está! – Tsunade vibrou e só então ele ouviu.

Um guinchado estridente e muito, muito alto, sentia que ficaria surdo, e parecia que suas forças também tinham se esvaído.

– olhe só, Sasuke?! Venha aqui, moleque!

Ele se ergueu como pode, e viu a mulher se aproximar com aquela coisinha suja de sangue e algo branco, se debatendo em suas mãos e berrando como se só tivesse ar para isso.

– meu deus...

Ela gargalhou pondo a criança em suas mãos, ele imediatamente trouxe para o peito, inseguro de como segurar, sentindo as mãos tremulas demais para manter o peso que também o atordoou.

– meu deus, ele é lindo... lindo...

A mulher gargalhou sonoramente, e ele encarou a criatura que era parte sua, sua pele parecia muito rosada, principalmente o rosto inchado, que se contorcia de tanto chorar, simplesmente não sabia dizer se parecia consigo ou com Sakura, só conseguia acha-lo a coisa mais linda que já vira no mundo. Só queria leva-lo logo e protege-lo de tudo. Era tão pequeno e frágil, e ele desejou que esse choro de vida, essa anunciação divina fosse a única vez que o veria chorar, que ele jamais teria motivos de chorar.

Deus, isso era ser pai?

Ou ele estava muito abalado com aquela maratona de ansiedade, pouco alimento e muita pressão?

– como previsto, é um garotão, Sasuke, e muito saudável – Tsunade afirmou.

– você tem certeza?

– claro, mas claro que faremos toda a bateria de exames, agora pode leva-lo para a mãe dele? Pode parecer injusto considerando que ela esteve com ele o tempo todo, mas é ela que ele quer agora.

Ele assentiu, sentindo a vista embaçar, riu abobado.

– é realmente injusto.

Mas ele estava ali, em seus braços.

Ryan finalmente havia chego.

– doutora! A pressão dela está caindo! – a mulher gritou e tudo pareceu se anuviar de novo, toda a luz se apagou.

A enfermeira tirou o recém-nascido de suas mãos e ele se voltou para cama, vendo o rosto de Sakura ficar lívido, e seus olhos perderem o foco. Como se delirasse.

Como se estivesse se perdendo. Partindo.

Ele agarrou seu rosto e tentou ter seu foco, mas ela enxergava além dele e o desespero o tomou com a perspectiva de ela indo para além dele. E de Ryan.

– Sakura! Sakura?!

“...Espero que o mundo mude, que a situação melhore. Mas o que mais quero é que você entenda o que estou dizendo quando falo que, apesar de eu não conhecer você, apesar de talvez nunca me encontrar com você, rir com você, chorar com você ou beijar você. Eu te amo, de todo o meu coração, eu te amo – Valerie” — V de Vingança.

“...Eu vou fazer você se sentir pura...

... Eu quero reconciliar a violência no seu coração...

.... Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração...”

Notas finais
T-T Só pra fechar e emocionar um pouco mais...: http://i.imgur.com/FI38MX7.jpg?1 Links das decorações. Sala: http://maiorlegal.com.br/wp-content/uploads/2013/11/cobertura-soho01.jpg http://maiorlegal.com.br/wp-content/uploads/2013/11/cobertura-soho02.jpg http://maiorlegal.com.br/wp-content/uploads/2013/11/cobertura-soho03.jpg Cozinha. http://decoracaodecasa.com.br/wp-content/uploads/2015/06/cozinha-de-luxo-10.jpg Sala de jantar. http://msalx.casa.abril.com.br/2014/01/23/1259/18-salas-de-jantar-projetadas-por-profissionais-do-casapro.jpeg?1390489646 Quarto. http://4.bp.blogspot.com/-K43v1fn_iE0/UTDHC-ZJaDI/AAAAAAAAbHk/Yo89QPzOzd0/s1600/quartos-luxo-decorados3.jpg Escritório do Sasuke.http://cdn1.mundodastribos.com/380615-Escrit%C3%B3rio-masculino-como-decorar-fotos-9.jpg Terraço. http://s2.glbimg.com/DN8wQviUJtruLHOoCXW0asQ5mgos7pCLaH2rmxfT5JiZ7KhpK4ITbd87X0AruRjE/e.glbimg.com/og/ed/f/original/2013/06/03/1_7.jpg http://images.forwallpaper.com/files/thumbs/preview/29/291382__red-flowers-garden_p.jpg