Undisclosed Desires
17 A almejada Definição e a inevitável Revolução.
Notas iniciais

"...Você é a única...”
– ssshhh... Com fome? Com fome é?
Sakura se sentou na poltrona, delicadamente, acomodando a criança nos braços.
– ui, que pesado, você vai virar uma bolota... cheia, de cabelo ainda por cima...
Longos fios negros começavam a nascer, e embora ela ainda preferisse manter os gorrinhos em publico, sabia que logo o menino ostentaria uma cabeleira semelhante a do a pai.
Ryan já tinha mais de um mês e dez dias, e aquele foi um mês entre o céu e o inferno.
Sentar assim, amamenta-lo, sentir seu cheirinho único, maciez e calor eram a melhor mostra do paraíso que já teve. Os berros durante a madrugada, as fraldas cheias e algumas cólicas eram uma parte do inferno que ela começava a conhecer, mas que já tinha preferencia.
A melhor parte tanto para ela quanto para o bebê ou mesmo Sasuke, era se sentar e sossegar, podia organizar seus pensamentos, imaginar alguns planos, tentar se encaixar e se acostumar com eles. Bem Sakura não se acostumara em ser mãe, as tarefas de esposa/socialite a perseguiam. As pessoas os queriam em eventos e com o bebê, a variedade de convites aumentou, foram em festinhas de crianças com as quais Ryan jamais iria brincar pois quando pudesse, estas crianças já seriam adolescentes.
E claro, ainda havia o casamento. O segundo.
A festa pomposa, o vestido majestoso, um bufê para centenas, igreja, Hotel, Lua de Mel, convites, padrinhos, damas de honra...
Pensar nisso a fazia querer jogar tudo na mala e fugir com seu bebê pra um lugar quentinho e sossegado.
Ela sabia que era impossível, que este era apenas um detalhe a mais, um plano que seria realizado de todo jeito.
Por isso não entendia, por que simplesmente, e ao mesmo tempo em que se via bastante empolgada com os preparativos, Sakura não queria casar.
Era como se houvesse algo errado, uma parte dela protestava que era cedo, mas não sabia lhe responder por que, por quê? Ryan estava ali, saudável e lindo. Por quê? Não havia mais segredos entre ela e Sasuke. Por quê? Por que se sentia sufocada? Algo entalava nela, seria medo? Yahiko nunca mais apareceu, mas ela ainda tinha seu número, e era apenas porque não queria ter aquela surpresa, de atender um telefonema sem número e ouvir a voz repugnante dele.
Se lê-se seu nome na tela, ela teria tempo de se recompor e responder friamente, pois agora, ela temia mais que tudo, qualquer proximidade com ele, com aquele ser corrupto perto de seu pequeno ser celestial.
Ryan, de todas as coisas, era a que ela jamais suportaria ver ser corrompida.
Quanto a Sasuke, estava tão encantado com a paternidade quanto ela podia imaginar. Não podia negar, uma partezinha maldosa e descrente dela, ainda esperava que ele enjoasse do bebê tal como se enjoa de um brinquedo.
Uma parte descrente dela, ainda temia que ele lhe tomasse seu bebê.
Sakura estava muito acostumada a ter o mundo a sua volta desmoronando de uma hora pra outra.
Mas prometera a si mesma que não ficaria parada observando, ela juntaria os cacos necessários, faria de tudo para remenda-los e fazer outro mundo a partir dele.
Pelo menos em teoria, esperava ser capaz disto.
– então aí estão vocês. – Sasuke disse, da porta, ele veio sorrindo e se abaixou em frente ela – vivem se escondendo de mim.
– não sei do que está falando.
– ela é uma fingida não acha, rapaz? Uma hora está na sala, noutra no jardim, vou por um rastreador em um de vocês.
– humpf, isso se chama tédio, querido, seu pai não sabe nem definir pois sempre que fica, ele pega um carro e tenta dirigir na velocidade da luz.
Sasuke revirou os olhos, e curvou-se para beijar a cabeça do menino.
– aposto que você enche o saco falando mal de mim, que bom que ele prefere dormir, tenho que ir – Sakura o beijou, ainda que só para uma despedida, Sasuke sempre alongava mais. Ele era um homem naturalmente discreto.
Mas só uma porta não perceberia que Sasuke Junior estava ficando impaciente. Embora o calendário dissesse que Sakura já podia arriscar uma relação. Parecia que fazia tanto tempo... Não era como se não desejasse, mas estava confortável, além de que, toda a dor que Ryan a fez passar a deixava receosa.
Ela não podia tomar anticoncepcionais sem ficar uma baleia, Sasuke não gostava de camisinha, e mesmo que usasse, Ryan estava de prova que eles tinham bastante azar com probabilidades.
Ela não queria provar, pelo menos não tão cedo, que um raio caia duas vezes no mesmo lugar.
– tenha um bom dia, querido – Sasuke sorriu, ante a frase clichê, mas que estava se tornado habitual.
O clichê estava ficando famoso entre eles, até Izuna comentava e revirava os olhos.
– até mais, querida – beijou a testa dela, e mais uma vez se despediu do bebê.
Sakura suspirou após sua partida, ela sentia que estava ficando tão tediosa em certos momentos, pelo menos aos olhos de terceiros, incrivelmente, estava até gostando de aprender a cozinhar e estava se saindo bem. Gostava de passear pelo Central Park com o bebê no carrinho, ainda que só raramente, gostava de estar atenta a toda a arrumação da casa quando recebiam visitas, de vigiar as rosas embora não confessasse a adoração que estava adquirindo por elas.
Até mesmo estava se acostumando a estar na porta quando Sasuke chegasse pela noite, a primeira vez foi sem querer, estava decorando um vaso da entrada com orquídeas, e ele chegou relativamente mais tarde que de costume, atrasado para o jantar. Sakura não se importaram muito, já estava acostumada, embora ele ficasse emburrado por chegar e não encontrar o bebê acordado. Uma tolice, Ryan fazia questão de ver um deles todas as uma, três, e seis da manhã e às vezes, amanhecia na cama com eles.
Viu o elevador, abrir e dar com um Sasuke acabado, ela reconhecia só pelos ombros caídos, a gravata quase solta do pescoço, tal como a maleta da mão.
Ela estava pronta a lançar lhe uma bela piada, mas então, ele a viu. Sakura não entendeu o que houve, algo em seu cabelo? No vestido? Sorrira de forma estranha? Sasuke apenas não parou de encara-la até estar diante dela, ele a envolveu com o braço vago, e apertou contra si, não de forma sugestivamente sexual, mas ainda sim, necessitada. O beijo em seu pescoço, tão costumeiro, ela sentiu de forma diferente. Foi quente e acolhedor.
Foi um outro momento impar, que ela preferia não ficar pensado muito, por que bem lá no fundinho, não tinha coragem para descobrir porque eram tão... tão.
Tão algo que não podia definir, e nem queria mensurar.
Sasuke, beijou seu rosto, e novamente soltou outra frase clichê, desta vez, não dotada de um sadio tom de ironia, mas com todo o real significado que as palavras deveriam ter, naqueles filmes antigos.
“- querida, cheguei”.
Ela não pensou muito nisso, depois que o momento passou, e enfim pode fazer sua piadinha sobre o estado de Sasuke, ele se livrara da gravata e entraram na casa, ele havia tido uma reunião cansativa e que parecia não ter dado o resultado que queria. Como sempre fazia, ia primeiro lavar as mãos, e então pegar Ryan ou apenas apreciar sua visão dormindo, durante o jantar que só ele comeu, Sakura apenas acompanhou tomando uma leve sobremesa. Izuna estava bem focado na faculdade ou em ganhar o próprio cantinho logo, ele não tinha humor para ficar rodeado por fraldas e um bebê que vez ou outra atrapalhava seus estudos.
Sakura teve que aceitar que os Uchihas podiam ser mortos de ricos, excêntricos, dominadores e inconsequentes, mas também sabiam focar quando deveriam. Sasuke as vezes parecia um moleque que não queria nada da vida, noutra hora, virava a noite no escritório.
Principalmente porque queria evitar qualquer contratempo que o fizesse ter de sair da cidade, embora Sakura pudesse facilmente acompanha-lo, seguir a agenda de viagens que ele tinha quando solteiro era impossível, tendo um bebê.
E ele não queria se afastar do menino ainda tão novo nem ela viajar.
O dia seguinte àquele foi tão comum quanto os últimos, exceto por ela ter ligado para marido para manda-lo marcar um horário com a loja de noivas, para tirar as medidas para o traje do casamento.
Sakura havia cogitado que ele nem se importaria, afinal quase havia casado com Karin e deveria estar acostumado com estas coisas, mas soube que o noivado não avançara tanto até a data, eles haviam organizado muita coisa e até mandado os convites, mas só Karin havia encomendado o vestido, um detalhe que Sakura não se sentira a vontade em saber, mas não comentara.
E então ele perguntou se estaria na porta para recebê-lo, o tom foi de provocação e brincadeira, mas Sakura sentiu uma pequena tensão no silencio que ele impôs depois. Ela não sabia se era algum tipo e jogo, mas este silêncio não era incomodo, e ela não querendo aceitar que gostara da pergunta, e da resposta, disse logo.
“- tudo bem, só não se atrase ou vai dormir na casa do cachorro.
– não temos cachorro, amor.
– azar o seu.”
Pelo menos pôde ter a diversão de desligar na cara dele, quem no mundo dos negócios ou mesmo fora dele poderia se dar tal luxo de desligar na cara de Sasuke Uchiha?
E mais um ritual clichê foi instaurado...
Sakura deitou o bebê, delicadamente no berço após a refeição, com um suspiro, ela se levantou e caminhou para fora do aposento deixando apenas uma suave luz iluminando o local. Caminhou até a sala e encontrando Izuna jurando exclusividade para a terceira menina àquela manhã, apenas bateu em seus pés, que ele deixara sobre o encosto do sofá em que estava deitado.
– tira o pé do meu sofá, Dom Juan.
– hey! – ele reclamou sentando-se e afastando o telefone do ouvido – não me sacaneia tá?!
– humpf, tenho certeza que as duas outras meninas vão te consolar...
– hey?! – ele praticamente afundou o telefone contra o peito temendo que a tal garota a tivesse ouvido. – puta que pariu! – levou-o até o ouvido – alô? Holy? Holy? Porra! Ela desligou! Você me paga!
Sakura apenas acenou, seguindo na direção da cozinha, embora estivesse louca para gargalhar, quando entrou se apoiou no balcão e o fez. As duas empregadas a fitaram muito apreensivas, mas ela fez um rápido aceno indicando que não estava louca ainda.
Se sentou no banco e puxou a garrafa de café para perto, uma das moças, rapidamente lavou as mãos para vir ajuda-la a se servir, a outra cortava legumes para algum prato complicado.
Sasuke gostava de variar, embora também não fosse lá um tirano que exigia pratos exóticos em toda refeição, elas já o conheciam o bastante para saber quando surpreende-lo. E havia ainda o fator de que Sakura parara de desejar coisas estranhas e em horas pouco propícias (graças a deus) e precisava de uma alimentação adequada, afinal, ela era a alimentação de Ryan. Ele bem tentara ser delicado ao pedir isso, mas de toda forma ela se sentiu como uma vaca leiteira.
A parte boa é que não perdera o bom costume de ameaça-lo com vasos.
– alguém chato ligou hoje? – indagou.
– apenas para perguntar quando mandaria os convites de casamento.
Ela revirou os olhos enquanto mordia uma torrada.
– que gente chata, eles vão ser convidados, cruzes, parece até que são convites para salvação do Apocalipse.
Após o café, ela deu mais uma olhada em Ryan, e, não tendo realmente muito o que fazer, resolveu ceder a uma pequena tentação que vinha tendo nos últimos dias.
Sasuke lhe dera um carro.
Ela nunca sonhou que receberia tal presente, embora muitas esposas tivessem esse privilégio.
Sabia muito bem por que não ganhara antes, primeiro porque estava gravida, e segundo porque estava maquinando sim, uma forma de escapar do Uchiha, e ele sabia.
Dar-lhe um carro era tolice. Naquela época.
Sakura jamais iria reconhecer que era um atestado de confiança, até porque, na verdade sentia mais que era um atestado de “você não vai escapar mesmo, então tome as chaves e se divirta”.
Izuna devia estar no quarto tentando convencer a tal Holy de que era papo da esposa louca de seu sobrinho que era mais velho que ele e por isso não o respeitava como tal.
Boa sorte pra ele.
Sakura foi até o quarto e catou as chaves com toda a pompa de uma garotinha, ela não dirigia desde que tivera de tirar carteira e obviamente fazia muito tempo, mas dera umas voltinhas com Sasuke e até mesmo com James, não era lá um esportivo de luxo ou coisa do tipo Sasuke fez questão de dizer que não era burro de deixar uma maquina que pudesse chegar a duzentos por hora nas mãos dela, e nem ela o queria.
Mas sendo excêntrico como era, ele não se importou de dar a uma bagatela de mais de dois milhões de dólares no carro.
Eram um Rolls Royce, mesma marca de luxo que ele já tinha de exemplar na garagem, menos amplo, mas seguro, sofisticado e familiar, perfeito para andar com Ryan, embora não se sentisse segura para leva-lo sozinha. Nem mesmo Gisé!
Pegou a bolsa e seguiu quase saltitante para a sala, não iria em nenhum lugar importante, no fim, ela apenas circulava por aí, passava em alguma loja infantil, ia no shopping, até mesmo buscou a irmã para um passeio em seu dia de folga.
– hah! – gritou Izuna abrindo a porta de uma vez ela saltou para o lado quase jogando as chaves na cara dele. – onde pensar que vai hein, dona?!
– seu fedelho! Vá assistir pornografia! O que eu faço não é da sua conta!
Ele riu e se recostou na porta cruzando os braços.
– talvez eu vá mesmo, já que arruinou minha saída!
– ótimo! Tem refrigerante na geladeira, salgadinhos no armário e se quiser umas revistas, Sasuke pensa que as esconde na caixa preta da prateleira de cima.
– huh? Que nojo!
– até que estão limpinhas e você sendo homem, não acho que vá engravidar se toca-las ou sua mão já teria tido vários nenéns, né?
– você é maluca.
– humpf – ela ajeitou a bolsa sobre o ombro e continuou o caminho – e não toque nas HQs são minhas.
– hein?
Sakura ajeitou o cabelo de lado, muito orgulhosa de ter tomado as revistas de Sasuke num jogo de buraco, ele prometera que compraria raras edições de luxo e nunca a deixaria tocar, claro que ela tomaria elas também.
Só quando chegou na porta, notou que era seguida, se virou vendo Izuna terminar de vestir uma jaqueta de couro e o fitou, desconfiada.
– aonde vai?
– dar uma volta.
– dar uma volta? Que eu saiba anda tão pobre que só pode andar a pé, mas boa sorte em não ser assaltado, sem dinheiro, podem te tomar outras coisas...
Ele sorriu maquiavelicamente parecido com Sasuke e ela até olhou em volta em busca de um vaso.
– é aí que está, vou com você!
– huh? Mas nem vem, encosto!
– Qual é, não custa nada dar uma voltinha com seu adorado tio né? A não ser... que esteja indo a algum lugar que não queira que saibam.
Sakura riu e seguiu, saindo.
– claro, acertou em cheio, mas pode vir se quiser, vai que te arranjo um empreguinho na casa de strippers masculinos?
– se queria me ver nu era só pedir.
– humpf, quando eu quiser ver um franguinho depenado, vou no supermercado.
Sakura realmente não estava alegre em sair de carro levando o pirralho, mas, decidiu que ele era um bom teste antes de resolver sair com Gisé ou Ryan.
Depois de uns quinze minutos, Izuna finalmente percebeu que ela não parecia ter um rumo certo.
– você não sabe usar o GPS?
– sei, mas não preciso.
– então está indo pra onde? Viajar pra fora da cidade?
– na verdade, estou apenas dando uma volta...
– que?! Não fode! Então é isso que você faz?! E eu achando que ia sei lá, fofocar num salão de beleza, se entupir de besteira escondida, usar drogas ou mesmo ver um amante.
– primeiro, mulheres podem fofocar em qualquer lugar, segundo, ainda bem que não sinto mais necessidade de comer besteira, terceiro, a única droga a que estou exposta é você e quarto, não to dando nem pro seu sobrinho, pra outro é que não vou dar.
– eu não precisava dessa informação, não, pera, posso usa-la, haha!
– fique a vontade para extorqui-lo, ah quer saber? Vou lá.
– o que? Na empresa? Que tédiooooo, acho que prefiro a casa de stripp.
– posso te deixar lá, eles tem a noite gay, vai adorar.
– humpf.
Ela só tinha um pouco de dificuldade na hora de estacionar, seu senso de espaço não era muito aguçado, e com Izuna infernizando em seu ouvido, como todo homem que acha que mulher não sabe dirigir, foi ainda pior.
– cala a boca! Se seu bater meu carro vou te vender pro tráfico pra pagar!
– ce tá fazendo tudo errado!
– espero que menos errado que passar por cima de você com o carro!
– sério, olha o tamanho dessa vaga, eu poderia dar umas voltas aqui e fazer drift!
– tenho certeza que sim, porque a Ferrari do seu irmão não foi parar num poste sem querer!
– pra sua informação, era um arvore!
– o que maravilha! Isso, acaba com a natureza, infeliz! Quero que o meu filho viva pra conhecer as arvores!
Ela conseguiu, e embora pudesse sair cantando já estava irritada demais, e saiu do carro bufando e a passo rápido se não voltaria e espancaria o menino com a bolsa.
– maluca!
– fraldinha.
– fresca.
– emo.
Entraram no elevador do estacionamento e a discussão só parou quando as portas se abriram, Sakura sorriu com gentileza e ele fez a cara de bunda de sempre, ignorando quem entrara.
Quando sozinhos novamente, ele resmungou.
– tomara que seu filho seja a minha cara.
– pra jogar praga é mais caro! – indignou-se ela – pois espero que fique na punheta pelo resto do ano!
– com meu charme? Impossível.
– então é bom não trazer nenhuma namoradinha pro meu teto, por que ela vai saber poucas e boas.
Quando enfim chegaram no andar de Sasuke, Sakura passou acenando para Liza, mas ela rapidamente impediu-a com um aceno apressado.
– ele está em reunião! – murmurou.
– oh? Então volto outra hora.
– já está terminando, não quer esperar?
– hum tudo bem, enquanto isso, você teria veneno para pragas aí? – Sakura pediu docemente, dando uma breve olhando no rapaz já largado no sofá de espera tal como ficava no dela.
Liza riu e negou, para a decepção dela.
Se sentou na poltrona e cerca de cinco minutos depois, Sasuke saiu, dando passagem a um grupo de engravatados que pareciam estrangeiros, o que ela confirmou quando ele se despediu em francês.
Ouvi-lo falar em francês era bastante nostálgico.
Sakura se levantou indo até ele.
–tudo bem? – ele indagou, o cenho vincado em preocupação, Sakura amenizou, beijando o canto de sua boca.
– oui– respondeu.
– hn, bom saber...- ele envolveu sua cintura mais forte.
– ah, vão transar aqui mesmo? – Izuna resmungou.
– o que essa coisa faz aqui? – Sasuke indagou, enquanto ela apenas riu e jogou mais o corpo contra o dele.
– oh você não percebeu? Esse era o meu plano, eu vim pra transar no escritório. – disse, encarando o rapaz, maldosa. Izuna revirou os olhos.
– sério? Quem diria... – Sasuke começou, ela nem pode explicar que era só brincadeira, logo estava do outro lado da porta, e sendo espremida contra ela e contra sua boca.
– era brincadeira...- arfou.
– não precisa ser mais...
– pervertido.
– vem. – Sasuke a puxou pelo braço até a mesa, contornou-a e sentando na cadeira, puxou-a para o colo. – deixou o bebê pra cuidar de mim? Estou honrado.
– não precisa ficar tanto, ele me sugou por tempo o bastante pra esquecer e mim, mas logo tenho que voltar.
– então eu preciso aproveitar ao máximo...- ele puxou sua blusa de dentro da saia de cintura alta abrindo os botões em seguida.
– Sasuke!
– dois números a mais, amor, eu preciso aproveitar isso.
– babaca!
Ele apertou sua cintura beijando-a e logo descendo para o colo, Sakura ronronou puxando-lhe o cabelo e balançando-se sobre seu colo, a mão dele logo escapou para dentro de sua saia, apertando as cochas.
No fim, não passaram de amassos, mas ela saiu satisfeita e arrumando a blusa.
– aposto que daqui a nove meses não vai ser tão legal – Izuna resmungou.
– aposto que daqui a nove meses vai estar estudando demais pra pensar em namoradinhas, ou mesmo em punhetinhas, isso me consola em te aturar agora.
– humpf.
– vamos embora, pirralho.
– se ele encher o saco, deixa na esquina, a carrocinha sempre passa nesse horário – Sasuke disse da porta ainda a fitando com malicia.
– vou lembrar disto, querido, até o jantar.
– claro, querida.
– que melosos... – o rapaz resmungou.
– como se não falasse assim com a Holy.
– me poupe!
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– esse é o vestido! – anunciou Ino batendo palminhas como uma criança.
– magnifico! O que acha Sakura? – Konan, a sacudiu na cadeira.
– hum? – Sakura se sentou direito, e fitou a modelo a sua frente, ela vestia uma modelo que parecia prata e cinzas misturadas, o véu era longo, o colo nu, a saia longa e elegante, três damas de honra em vestidos que casavam com o da noiva seguravam o véu. — é lindo...
– é perfeito! Tem que ser esse, Sakura é puro glamour!
– é realmente encantador...
– é lindo, você não gostou? – Imogem disse.
Sakura a fitou, surpresa, a garota não estava tão a vontade entre tantas peças caras, e o ambiente requintado, e se limitara muito nas opiniões.
– bem...- ela olhou mais uma vez o vestido, a jovenzinha que o trajava deu uma volta. – é maravilhoso, você gostou?
– me parece a sua cara.
– ela tem toda razão Sakura! Vamos lá, você não decidiu por nenhum e pelo amor de deus, esse é um Elie Saab, querida!
Sakura se levantou, decidida a fazer um esforço se aproximou da moça encarando cada detalhe da peça, de longe e sob a luz, ele parecia muito mais claro, mas de perto via que o tecido era bem mais escuro, trabalhado e refinado.
Observou o véu com atenção, achando-o o longo, mas lembrando das três damas, entendeu que era assim que tinha de ser.
Ela não estava com ânimo para escolher o vestido, cada visita havia sido irrevogavelmente frustrada. Novamente, todos aqueles porquês ela não sabia, nem queria saber.
E mais uma vez, escolheu ignora-los, olhou em volta, procurando ver se algum outro modelo lhe interessava mais, mas não encontrou, e sorriu.
– é, vai ser esse.
Konan e Ino bateram palmas feito duas sem noção, e Imogen soltou um suspiro, aliviado.
– ótimo! Agora precisamos tirar suas medidas para que possa experimenta-lo, quem sabe assim se anima mais um pouco – a loira falou. – quando ela pode vir?
As moças da loja que já circulavam Sakura com suas fitas métricas, sorriram.
– amanhã mesmo.
– ótimo!
– até que enfim, meu traseiro já estava doendo de ficar aqui. – Konan disse, se levantando, as modelos se retiraram, e Sakura foi pegar a bolsa na cadeira.
– hora de ir.
– tenho um imóvel pra ir olhar – a morena disse, e Ino a acompanhou.
– tenho meu homem pra ir olhar.
– oh, vá se danar.
– invejosaaaaa.
Sakura revirou os olhos e seguiu ao lado da irmã.
Se despediu das duas patas e foram pela calçada mesmo.
– que tal um café?
– por mim tudo bem.
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– fique surpreso, com o chamado – Sasuke confessou, sentando em frente a mesa, Karin lhe sorriu, mas ele sabia quando parecia ser forçado e fitou-a atentamente.
Ela vestia algo bem pratico, optando por calça e blusa, e uma echarpe cinza, diferente de seu usual, calças de tecido, e principalmente vestidos.
– desculpe, eu atrapalhei?
– não, não mesmo.
Mas ele estava intrigado, e um pouco aborrecido, não a via desde o nascimento de Ryan, em nenhum evento e muito menos na pequena recepção feita após o batismo do bebê, os padrinhos foram seu tio Obito e a esposa, Rin, que caíram de amores pelo menino, estavam completamente encantados com a ideia de serem pais pois haviam acabado de descobrir que ela estava grávida.
– você sumiu, estava ficando preocupado – Karin se encolheu um pouco, parecendo constrangida.
– eu... acabei precisando.
– como?
Ela respirou profundamente, antes de encara-lo.
– Sasuke, eu só o chamei aqui, porque, bem, quero me despedir.
Ele se ajeitou no lugar sem entender.
– vai viajar?
– é, vou, uma viajem bem longa, sem destino, eu preciso de um tempo, sabe?
– um tempo? Por que...
– por você – cortou-o, e novamente seus olhos se inundaram daquele sentimento, que ele não sabia se era reciproco, não sabia definir, mas que agora, com estas palavras, batia em seu peito mais alto que nos últimos dias em que ficaram sem contato. Mesmo que houvesse terminado de forma má, eles haviam retomado a amizade de antes, o que para ele era um alivio, adorava passar o tempo com ela, conversando amenidades, rindo de bobagens do passado, fazendo planos em conjunto para o futuro, programas e saídas, ele sentira falta disto no ultimo mês, Karin o ajudou tanto quando Sakura quase o deixou, senão fosse a paciência dela ele já teria avançado de forma inconsequente (de novo) para a esposa.
– Sasuke, eu não posso mais, não o estou culpando, mas não dá, observar vocês...sua esposa linda, seu filho lindo... sua família linda, a família que eu queria com você... Eu não posso, Sasuke, eu preciso desse tempo, preciso por minha cabeça no lugar, e também meu coração, eu não quero ser alguém invejoso e amargurado, eu quero me libertar disso, me dar uma chance, uma chance de aceitar da melhor forma.
– eu... nunca quis magoar você... embora o tenha feito.
– eu te conheço melhor do que ninguém, você é apenas prático demais, e impulsivo, mas sim, me magoou, e eu tenho que a aprender meu lugar...
O problema era, que ele não sabia qual se lugar, ela era a mulher que sempre estaria ao naquela cadeira, ou a mulher que deveria acordar com ele todos os dias?
E quanto a Sakura? Como definir? Estes estavam sendo os melhores dias de sua vida, mas eles continuaram incompletos sem estas leves conversas durante um bom café, ele havia aceitado que Sakura era seu melhor caminho, por mais tortuoso e íngreme que ele fosse. Havia tomado para si, o dever de protegê-la e cuida-la. Mas e se fosse só isso?
Ele a magoara tanto tentando entende-la e doma-la, talvez não o tivesse conseguido até agora, por que ela não poderia ser domada por ele?
Mais do que nunca ele queria mais, ele queria definir, ter certeza, sobre o lugar de cada uma, ainda que, se os resultados se invertessem em relação aos seus lugares, ele não as mudasse deles.
Ele não sabia como definir as coisas com Sakura, ela era completamente evasiva com seus sentimentos, e talvez, também estivesse com medo de sua resposta. De estar errando ao mais uma vez tentar manipula-la e obter reações dela.
Mas quanto a Karin, ela sempre lhe dera a resposta que queria e também a que não queria.
Karin suspirou, e afastou o copo de si. Pegando a bolsa e deixando uma nota.
– eu tenho que ir, meu voo sai daqui a pouco e tem alguém me esperando, até, Sasuke.
Quando ela enfim virou as costas, ele cedeu a sua maldita impulsividade, teria a controlado, mas se ela já ia partir e que chances teria de definir isso novamente?
Puxou-a pelo braço, e ali mesmo no meio do local, a beijou.
Como sempre, Karin mau pode lutar, logo o havia respondido, ela sempre respondia, doce e apaixonadamente, ele buscou tudo naquele beijo, todas as respostas, lembrar todos os momentos, buscou sentir aquele famoso frio na barriga, ou aquela ânsia de nunca deixa-la sair de seu lado, procurou lembrar se seu calor de mulher era-lhe uma necessidade, e se cogitar um futuro com ela era algo que o aquecia por dentro.
No fim, ele lembrou apenas, daquele sorriso arteiro de Sakura, o esperando na entrada do apartamento, de seu abraço quente e aconchegante como o de um gato manhoso, seu beijo exótico e inflamável, de seu sorriso surreal quando tinha o filho deles nos braços, quando cantarolava uma musica clássica para ele, e por fim, de suas curvas felinas nas mãos deles, coisa que vinha o infernizando de saudade a tempos.
Ele beijou Karin, e suas perspectivas todas se voltavam para Sakura.
Inclusive a ideia de que a estava traindo, e magoando Karin quando sentiu o salgado de suas lagrimas misturar-se ao beijo.
Afastou-se dela e a viu respirar e soluçar.
Arfando, ele a fitou, derrotado.
– você ainda sente não é?
Ela assentiu, rindo dolorosamente, e a garganta dele doeu, por ter de confessar e machuca-la mais.
– me desculpe... eu... eu não sinto... eu não deveria...
Karin assentiu, sorrindo um pouco e tentando conter as lagrimas.
– eu precisava ter certeza, Karin, é tão confuso, Sakura é tão confusa e frágil... eu não saberia...chegar nela...
– você não a quer magoar, isso já deveria ser o bastante, e você também não a quis trair, isso é mais que o bastante, não vê? Sasuke, o que você quer tanto definir, já está definido.
– eu não sei... Eu não posso ter mudado pra esse ponto, não se trata de trair... por que é você...
– não importa em que posições estejamos, você me traiu com ela e com tantas, mas mesmo que eu tenha importância pra você, mesmo que ela saiba que tenhamos assuntos pendentes e que não poderia estar em posição de empatar nossos sentimentos, você está aqui, se desculpando pra mim e se sentindo culpado por ela, por que você sabe a pessoa que ela é, você sabe o que ela está fazendo agora, e você sabe que ela não é mais capaz de fazer aquelas coisas, por que nunca quis, e por que você sabe que mudou isso nela.
– acha mesmo que eu posso? Sinceramente, estou começando achar que o problema sou eu, por que não tem com não amar qualquer uma de vocês.
Ela riu, os olhos avermelhados tal como o nariz.
– você é tão bobo às vezes, por que não vai pra casa? Olhe pra ela, sinta ela, ouça ela, Sakura é uma pessoa tão machucada, mas desde o primeiro momento em que a vi, a achei cativante e misteriosa, e se fosse em outras circunstancias, teria me aproximado dela e tentando fazer amizade, mesmo que ela pareça intimidante, não chegava perto de você, e você, eu já sabia dobrar faz tempo.
Sasuke assentiu rindo um pouco, ainda lembrava como aquela gata o hipnotizava com o olhar e o caminhando, com sempre o fazia encara-la, e como sempre o fazia ansiar seu olhar quando não queria dá-lo.
– eu tenho que ir... tem alguém me esperando.
– alguém?
– é-é... um cara.
– um cara?
– sim, o conheci no hospital, nos dias do parto, falamos pouco, e acabamos esbarrando no shopping, e conversamos mais, ele também está saindo de um relacionamento difícil, começamos a falar de viagens e acabamos decidindo sair juntos, como amigos numa, ele é um cara interessante, e eu não queria viajar completamente sozinha.
– tem certeza que e seguro? Ao menos o conhece bem?
Karin riu e o abraçou.
– não seja super protetor, já me basta Naruto, que fez um escândalo com isso, eu tenho que ir, prometo que mando uns postais.
Sasuke a envolveu num abraço apertado.
– se cuida, e tente não sumir de uma vez, pequeno fosforo.
Karin apertou os olhos, deixando mais lagrimas escaparem, apenas mais uma lembrança de infância, poderia adoçar este momento, mas agora mais do que nunca ela entendia, que amores de infância também podiam acabar, e amores reais poderiam nascer de pequenas tragédias como julgara ser a sua, quando Sasuke a deixou por uma meretriz.
Algo além daquele doce bebê nasceu, e ela estava feliz por ser algo bom como ele. Isso conformava, um pouco, e ela esperava que no futuro, pudesse observar, e se conformar ainda mais.
– tente não ser um cavalo, embora eu tenha ouvido dizer que ela sabe lidar com você nesses momentos.
– sim, ela destrói os vasos tentando me “acalmar”.
– vasos? Porque nunca pensei nisso? – brincou – até mais, Sasuke.
– até mais, Karin.
Ela se foi, ele se sentou a mesa, mais uma vez, e tomou um gole de café.
Ele amava Sakura Haruno?
Parecia que sim, ainda precisava de uma ultima confirmação, mas agora se sentia culpado por aquele beijo, culpado demais para seguir pra casa e encara-la.
Era estranho, Karin tinha razão, ele não tivera escrúpulos em trai-la, mesmo que com prostitutas, mas saber que poderia minar a confiança que estava construindo com Sakura chegava a ser apavorante.
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– você tem certeza que gostou do vestido? – Imogen indagou – não pareceu animada.
– ah, acho que só estou cansada, tive uma sessão de banho, troca de fraldas, e leite antes de sair e realmente espero que ele ainda esteja no quinto sono quando eu voltar.
– talvez, provando amanhã, você fique animada.
– é, talvez.
– e quanto ao Sasuke? Ele ao menos tem tempo pra ir ver a roupa?
Sakura quis rir enquanto adentravam o café, estava um tanto quanto pouco movimentado aquela hora da manhã, já estava perto do almoço, então era compreensivo que ninguém quisesse café.
Provavelmente pela alta disponibilidade de lugares ela passeou com o olhar pelo local, nunca vira muita graça em cafés, na verdade, não gostava de estar comendo entre um monte de gente.
Tirou os óculos escuros e antes de indicar um lugar para a irmã, seus olhos captaram bem o cabelo negro e rebelde de Sasuke, parou no lugar estranhando vê-lo se movimentar de forma tão afobada para longe da cadeira, e inclinou a cabeça muito estranha em vê-lo agarrar o braço de uma ruiva que lhe era inconfundível, e beija-la.
– onde a gente...- Imogen parou captando a mesma imagem que ela.
Sakura soltou o ar dos pulmões, quando ela o abraçou e parecia que iam transar ali mesmo.
– Sakura...
Ela deu as costas e seguiu de volta para as portas automáticas que se abriam para sua passagem enquanto recolocava os óculos.
– vamos, perdi a fome.
Imogen a seguiu apressada.
– ma-mas, não vai fazer nada?
– o que eu deveria fazer?
– ele é seu marido!
Sakura parou na calçada, e acenou para um taxi.
– ele é pai do meu filho, se trata apenas disto, desde o começo.
Ela entrou e Imogen seguiu logo atrás, as duas não trocaram palavras, e a mais velha parecia uma estatua, encarando a frente, o queixo altivo, a postura alinhada.
Quando estavam chegando a sua casa, Sakura soltou o ar pela boca.
– vamos pra Ithaca amanhã – anunciou.
A jovem piscou atordoada, com o novo rumo.
– no-nós?
– quero te ajudar a encontrar um bom apartamento, ver a universidade, você terá de ir essa semana logo não? Vamos amanhã, encontramos um lugar, e você volta pra pegar o resto de suas coisas.
– mas e o bebê? E Sasuke?
– eu posso levar o bebê, vamos no jato, será mais rápido, e Sasuke, já sabemos que ele não sentirá falta exceto do bebê, mas ele vai sobreviver uns dois dias sem ele.
O veiculo parou em frente a casa.
– não precisa levar muita coisa certo?
– certo...tudo bem mesmo?
– por que não estaria? Eu apenas estava lá na hora, não muda nada.
Imogen saiu, vendo o taxi se afastar, não sabia o que pensar, deveria mudar algo, não? E se não mudava, isso era bom ou ruim?
Sakura percebeu que estava num bom taxi quando viu que havia uma janela que podia tirar-lhe a visão do motorista, deu o novo endereço, e fechou-a.
Então puxou os óculos, e quando esta ridícula mascara caiu, seu corpo todo tremeu e ela arquejou como se estivesse saindo de um quase afogamento.
“O que merda... foi aquilo?”
Ainda mais assombrada, ela olhou as mãos, elas não paravam de tremer. Elas se apertavam cada vez que aquele beijo de cinema aparecia em sua frente.
Sua mente se inundou de tantas perguntas que ela simplesmente não sabia por onde começar a responder.
Como?
O que?
Por quê?
Quando?
Isto estava mesmo acontecendo? Ela fora mesmo atingida por aquilo? Porque estava tão surpresa?
Pior.
Por que tão... indignada? Por que quis ir lá afasta-lo e armar um escândalo?
Ela odiava escândalos, mas as perspectiva de que eles pareciam não se importar a encheu daquela coisa...
Ódio.
Logo ódio, algo tão inútil, sentiu ódio por tanto tempo, e há tanto tempo havia desistido dele também, ódio não lhe dava forças, toda vez que sentiu ódio foi inútil, ela continuou no inferno, presa e incapaz de lutar pra se defender.
Há quanto tempo aqueles encontros estavam rolando? Era por isso que ela estava sempre por perto? Esteve no parto de Ryan, esteve ao redor durante a gestação inteira. Sakura nunca compreendera, como uma mulher que fora abandonada era capaz de viver de tal maneira. Porém, como nunca tivera amigos de verdade, sempre atribuiu ao fato de que não sabia como era uma amizade para julgar.
Talvez, por que ela não fora abandonada de verdade.
Ah, aquele mundo de aparências... Não podia acreditar que se iludira com ele, logo ela que as conhecia com a palma da mão. Seria apenas porque mudou de lado?
Ela não podia acreditar que não percebera os sinais.
Pior, não podia acreditar que se arrependia de não tê-los visto.
Por que não era da conta dela, era um casamento de aparências, era por Ryan e apenas por ele.
Ela não tinha o direito de se sentir enganada por que entrara naquela merda ciente de que ela e Sasuke jamais seriam marido e mulher de verdade.
Por que seus sentimentos não eram reais.
Ele não poderia amar ninguém além de Ryan e talvez... talvez aquela mulher.
E ela não poderia amar um homem, ela não era mulher para o amor, amor não existia em seu mundo, amor não a moldara para nada, não fazia parte de sua constituição, por que passara anos de sua vida destruindo o amor dos outros. Inclusive o de Karin, ou ao menos achou que tinha destruído.
Ao menos achou... que ele era só seu...?
– não! Não! Não! Não!
NÃO!
Isso não estava acontecendo.
Ela não estava sentindo isso.
Ela não estava com ciúmes.
Ela não estava magoada.
Não se sentia traída.
Aqueles votos diante do juiz não valiam nada.
Aquela lua de mel patética não significava nada.
Ela não estava chorando por isso ser verdade, ou por ser mentira.
Ela não amava Sasuke.
Algo assim não acontece de uma hora pra outra, só estava magoada e ofendida, se algum fotógrafo estivesse ali, no lugar dela, estaria com a cara na lama, presa a um homem considerado infiel pela mídia.
Incapaz de se soltar, por que o que os prendia não era amor, era um trato.
– senhora, nós chegamos – o taxista chamou-a, Sakura se forçou a limpar a garganta e o rosto, se pegou a bolsa e saiu do taxi, pagando a corrida pela janela dele, então, se voltou para o prédio.
Sua casa estava ali, Ryan a esperava e ela devia ir para lá, cuidar dele e esperar Sasuke, sabendo que ele não estaria se matando de trabalhar para vir mais cedo estar com eles.
Ele devia estar dando continuidade ao que começara na cafeteria.
E seus pés simplesmente não podiam avançar para o prédio.
Pânico a tomou, a verdade a assolou e tudo o que ela quis foi fugir dali.
Os passos elegantes se tornaram rápidos demais, e então uma corrida, e seu vestido branco de camadas leves de renda e corte decoroso sacudia em suas pernas.
As lagrimas escorriam viscosas misturadas à maquiagem quando entrou numa loja de bebidas, seus passos vacilaram pelas estantes e ela avançou na primeira garrafa de algo forte que viu.
Agarrou-a e seguiu para o caixa que a fitou receoso, Sakura buscou algo no balcão e pegou apenas uma barra de chocolate, pagou e saiu. Abrindo a garrafa despejou o conteúdo na garganta e em seguida, gargalhou de sua grande desgraça.
Ela o amava.
Estava malditamente e irrevogavelmente apaixonada por cada parte dele, mesmo a que não lhe pertencia.
Era tão humilhante, ela que sempre zombou e teve pena daqueles que sofriam desta maldita doença, e daqueles que se regozijavam nela ao ponto de parecerem completos retardados.
Eis a resposta para as perguntas que nunca quis responder.
Ficava perturbada e constrangida com seu sorriso, por que o amava.
Ficava irritada facilmente com seu jeito de moleque, por que ele era malditamente desconcertante, cativante, e ela se prometera que nunca mais acharia um moleque atraente, um moleque ferrara sua vida, mas ela amava aquele moleque.
Era completamente atraída pelo homem sedutor e imponente, por que amava o jeito que a tocava, e levava ao céu com o silencio de seus beijos peritos.
Ela amava seu marido, e era uma desgraça saber disso, por que precisou saber que ele ainda tinha sentimentos por outra pra descobrir.
Ela precisou ver, e aqui estava ela, saindo no carro que ele lhe deu, ouvindo qualquer merda romântica no radio, comendo chocolate compulsivamente, tomando álcool, soluçando e querendo acelerar para qualquer poste ou muro que via.
Quantas merdas ela precisava passar pra ter certeza de que não nascera pra ter uma vida normal nesta encarnação?
Deus, desde quando ela era tão passional?
Ela estava com tanta raiva, que só queria ir pra casa descontar a raiva nas coisas, dele, destruir suas roupas, suas revistas, seu veleiro, pegar Ryan, e desaparecer com ele.
Ryan...
Ryan.
Agora estava tão óbvio, ela lembrou por que havia marcado território ao redor de Sasuke, e de que talvez não devesse ter parado.
Não se tratava apenas de sua vida, mas seu bebê. Bebê que Sasuke poderia arrancar dela tão facilmente, ele tinha poder, influencia, ele poderia sumir com ela, afastar-lhe de seu menino e cria-lo junto da mulher que realmente era adequada para ser sua mulher, e mãe de Ryan.
Ela vinha pensando nisso a algum tempo, tantas pessoas sabiam seu segredo, quantas delas poderiam se voltar contra eles no futuro, num futuro em que Ryan pudesse saber quem ela fora no passado?
Suportara tantos olhares de nojo e repudio em sua vida, de pessoas importantes demais, e de pessoas insignificantes mas que mesmo assim, magoavam, feriam.
Se um dia Ryan a fitasse desta forma, ela morreria.
Ele era sua vida, por ele arriscara tudo, arriscara ser pega e morta por Yahiko quando fuçou no escritório dele por provas para apresentar a Sasuke. Por ele arriscara entrar num mundo que jamais lhe pertenceria por mais normal que sua vida tivesse seguido. Por ele se pôs nas mãos de um homem que não conhecia além da cama.
Por ele estava amando esse homem e sabendo que só conseguiria mais sofrimento.
Por ele estava completamente amarrada a um relacionamento falso.
Ryan era a coisa mais real e pura que ela tivera na vida.
Se ela perdesse isso, não haveria vida.
E por cruel que o mundo fosse, ela queria viver nele, tanto quanto queria que seu bebê vivesse, por que queria vê-lo crescer, queria vê-lo andar, correr, fazer dever de casa, namorar, se magoar, se encrencar, ir pra faculdade, ser bem sucedido e se casar, queria ver seus filhos, e queria ver que a família que ele formaria seria real.
Por Ryan ela perderia toda e qualquer chance de ter uma vida real, desde que ele tivesse a sua.
Por Ryan, ela se prenderia a Sasuke.
Mas se Sasuke o tomasse...
Ela quebraria estas correntes.
Quebraria este mundo.
E faria um apenas para ela e seu bebê com os restos.
E o pior de tudo era que nada apagava aquela imagem de sua cabeça.
Um beijo tão longo que nem conseguira ver tudo, um abraço apertado e uma harmonia que só os anos de pratica e conhecimento recíproco poderiam dar.
Eles deviam se conhecer como a palma da mão.
E ela nunca tivera alguém para conhece-la tão bem.
Fugira e se pusera na indiferença a cada tentativa de Sasuke de se aproximar, e odiava que agora se ressentisse consigo mesma por não tê-lo deixado entrar.
Era tão injusto, por que ela tinha que se sentir culpada? Por que ela tinha que se entregar sempre?
Por que ela tinha que sair perdendo?
Por que tinha que ir pra casa agora, se livrar deste cheiro de bebida, cuidar de seu filho e espera-lo na porta como se não se soubesse de nada. Como se não sentisse uma faca em suas costas, como se não fosse dormir ao lado dele temendo acordar fora da cama, fora da vida dele, longe de seu filho?
Como se estivesse no corredor da morte mas não soubesse dia que a sentença seria aplicada.
A garrafa estava com bem menos da metade quando ela voltou para casa, largou-a no lixeiro perto do elevador tal como a embalagem do chocolate, seguiu pelo corredor até a porta do apartamento.
Até sua luxuosa cela.
Até Ryan.
Tentou enxugar o borrão do rosto, e entrou. Izuna estava no sofá a cara dominada pelo o que o celular oferecia, Sakura passou sem olha-lo.
Eles eram muito parecidos afinal.
– Demorou hein? Estava fazendo o vestido?
Ela não respondeu, e seguiu para o quarto, no vazio, em meio a todo aquele espaço, ela perdeu o ar e tentou recupera-lo jogando o vaso no chão.
O som ecoou pelo aposento, um monte de espaço inútil, um monte de espaço frio e opressor.
– hey? O que houve? – Izuna indagou batendo na porta.
– nada, eu tropecei e derrubei o vaso.
– que? Que desastrada! – ele provocou, rindo – você... está bem?
– estou, apenas cansada.
– hn, tá.
Sakura engoliu o choro e tentou escapar daquele aposento de amor falso, ou unilateral. Inútil, não importava como fosse.
Ela seguiu para o quarto do bebê, trancando a porta.
Se aproximou do berço, e viu a criança acordada, os olhos ainda muito fechados, e cinzentos mas brilhantes, ela caiu sentada ao lado das grades, e espremeu as anáguas do vestido, por que não podia se dar ao luxo de espremer a própria face ou o próprio coração para que aquele sentimento fosse expulso dali como a uma doença.
Mas amor não era uma doença.
Apenas era destrutivo para ela.
Então soltou o choro mais uma vez, que criança tola ela era, chorando por amor, chorando por ciúmes, com carência, se culpando.
Faminta de atenção, faminta de compreensão, faminta de segurança, faminta de liberdade, faminta de amor.
Amor ela não teria.
Mas tinha de saciar as outras fomes ou enlouqueceria nesta prisão.
Tinha que se libertar destas amarras, ou elas a enforcariam e ela se mataria se perdesse Ryan.
Ela viveu sem amor por muito tempo, e por mais que Sasuke a tivesse feito descobrir que podia amar, não ficaria esperando ter certeza de que não era a digna de ser amada em comparação à princesa Uzumaki.
Ryan chorou, talvez ciente da angustia que o cercava, ela se levantou esfregando o rosto, e o pegou, ninando-o até que cochilasse de novo.
Então ela deitou contra o ombro e dançou lentamente, cantarolando qualquer coisa.
– vamos dançar, “Revolução sem dança não vale a pena”.
Ela o pôs no berço, e foi em busca de um banho quente e de acabar com aquela cara inchada.
Ela tinha a tarde para ficar novamente como deveria estar sempre, uma esposa perfeita.
Por isso, mesmo que depois do jantar, ela estava lá, na porta, esperando o elevador abrir.
Por isso, ela deixou seu coração palpitar quando viu seu marido, por que era exatamente assim que uma esposa deveria se sentir, e que não haviam farpas aguilhoando a cada retumbar.
Ela sorriu, ou ao menos forçou, e fingiu que era natural desfaze-lo, quando Sasuke a encarou.
Fingiu que era parte do papel ficar ansiosa a cada passo que ele dava em sua direção, e fingiu que não estava inspirando profundamente pra sentir outro perfume além do dele.
E fingiu que ele a estava olhando como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, mesmo que parecesse realmente isso.
Fingiu, por que ele também estava fingindo, por mais que ele fosse melhor ator que ela.
Sasuke a abraçou, apertado, e quente, ela fingiu não ansiar seu beijo no pescoço e fingiu que por um momento não quis que o que tinha visto fosse uma mentira.
Apertou os olhos respirando o perfume dele, e se xingando por estar sendo passional de novo.
Onde você estava?
Por que demorou?
Tem algo que queira me contar?
Você realmente tem estado tão ocupado como diz?
Por que está tão carinhoso? Se sente culpado?
Está me enganando? Quer me fazer depender mais de você?
Você já tem tudo, quanto mais quer ainda? Não vê que estou acabada?
Por que quer acabar comigo assim? Devíamos ser parceiros, companheiros, não?
Como pode mentir tão bem? Você não pode ter vivido tão mau quanto eu, é apenas divertido? Ou apenas parte de seu plano?
– desculpe a demora – ele sussurrou, e Sakura suspirou, tremulamente, o abraçando mais.
– tudo bem... Nós ainda estamos aqui, esperando.
Ainda.
Por enquanto...
“...Você engana seus amores...”
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