Undisclosed Desires

18 A Anarquia de Sakura.


Notas iniciais
Penúltimo cap ;-;

“...Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração...”

– você está deslumbrante... – Ino disse.

– com este véu, o cabelo dever ser mesmo preso, o que acha desse penteado? – Konan indagou, mostrando-lhe a revista, Sakura mau olhou a revista e apenas assentiu voltando-se para o espelho e encarando o vestido, não a si mesma.

As duas mulheres se entreolharam e se afastaram discretamente.

– estou morrendo de fome, vou pedir um cafezinho.

– ótima ideia, preciso fazer umas ligações.

Elas se retiraram implorando por meio de gestos que Imogen fizesse algo.

A jovem suspirou a após ver a porta se fechar, talvez fosse melhor não saber de nada tal como elas, por que saber e não poder fazer nada a respeito era sufocante.

– você disse que estava tudo bem.- comentou.

Sakura suspirou, e se voltou para ela.

– e está, só não estou... habituada...

– depois de tanto tempo?

A Haruno se voltou para o espelho, encarando o próprio rosto, ergueu as mãos e lenta e delicadamente traçou os próprios contornos.

– tanto tempo... as pessoas vivem dizendo que não se deve olhar apenas a beleza... que um dia ela irá embora...as vezes só consigo pensar que está demorando demais, afinal, o que eu seria sem esta beleza? Minha vida seria melhor? Ou outra carga de sofrimento seria posta sobre mim? Afinal, é tudo apenas por causa deste rosto? Ou o que tinha de acontecer era inevitável de uma forma ou outra?

– Sakura... você está sofrendo?

Ela deixou uma fraca risada escapar pelo nariz e a fitou, pelo reflexo.

– a questão, pequena, é quando não estou...- ela girou no vestido e sorriu, estendo as mãos – estou ótima não? Poderia estar linda...

– como?

– vamos, tenho que tirar este vestido, e você tem de ir pra casa, pegar suas coisas.

– tudo bem...

Sakura seguiu para o trocador e então se despediu dela, já lá fora, cada uma pegou um taxi.

– Me espere aqui — ela ordenou ao taxista. Ela saiu do carro, e seguiu ajeitando os óculos escuros, e andando de cabeça baixa, o lugar onde ia era o ultimo em que precisava ser vista, ela tinha muita coisa, pra fazer.

E apenas um dia para tal.

Uma chance, nenhum erro.

*******************************************************************

– se-senhora? O que está fazendo? – a empregada indagou, Sakura arqueou as sobrancelhas mas logo sorriu jogando mais roupas na mala.

– nada de mais! Apenas me livrando de algumas roupas! Estou meio gorda, e algumas nem fazem meu estilo, então vou doa-las.

– mas tantas?

– ah, não é grande coisa, alias, tenho algo pra vocês duas...- ela se virou pegando dois cabides, tinha elegantes e discretos vestidos nele, claro que não podia dar nada de muito espalhafatoso para duas empregadas, mas escolheu os mais suntuosos e discretos – gostaram?

– para nós? — Disse a outra.

– são lindos, senhora, tem certeza?

– claro que sim! Acho que já terminei – ela se jogou na cama fechando as malas e então as pôs no chão, indo até a porta puxando-as.

– vou indo, até mais.

– vamos chamar o James para...

– Não! Quer dizer... Não precisa, eu vou e volto num pulo, e além do mais, ouvi Sasuke comentar que talvez fosse precisar dele, então eu pego um taxi né, meu bem? – disse, pegando Ryan no colo e pondo na cadeirinha, as duas jovens a fitaram, receosas.

– tem certeza senhora?

– claro, oh, pode deixar tudo lá na portaria, esqueci a bolsa e o endereço do tal centro comunitário, nem sei onde é, apenas peguei o endereço no jornal.

– claro — as duas guardaram os presentes e seguiram para foram com as malas, sozinha, Sakura foi até o quarto do bebê e olhou em volta, para ter certeza que não esqueceu nada ou deixou muito óbvio. Seguiu até próprio quarto, tudo o que viu, foi Gisé rolando na cama e quis chorar.

Foi até ela e se abaixou pegando-a e dando um beijo em sua cabeça, abraçando-a apertado, apreciando seu ronronado gostoso.

– meu benzinho... vou sentir sua falta... fica com o papai tá? Hum? – beijou sua cabeça, marcando-a com o batom carmim.

– hah, então eu estava certo, você tá aprontado – Izuna disse, ela inspirou profundamente, tentando não tremer, e pôs a felina de volta na cama, dando uma última caricia em sua macia coluna, então voltou-se para o garoto, a fitando desconfiado.

E se aproximou dele encarando-o fixamente, tudo o que precisava era distrai-lo ou mesmo engana-lo.

– não sei do que está falando – seu tom foi propositalmente macio e inocente, a resposta dele foi um ajeitar dos ombros e um engolir desconcertado. Ele era como um franguinho mesmo.

Mas ela não era uma galinha, e sim uma raposa.

– na-não vem com essa! Tá toda esquisitona desde ontem! Quebrou um vaso, se trancou no quarto do bebê, passou a tarde pela casa olhando pros lados como se estivesse pronta pra assaltar alguém.

Sakura não pode deixar de se retesar um pouco, o havia subestimado, talvez ele não passasse tanto tempo assim vendo bobagens nas redes sociais.

Tinha que ser Uchiha.

– acho que está passando tempo demais isolado, Izuna, se quiser eu até te faço empréstimo, pra sair e parar de me encher o saco...

– aha! Você tá mesmo aprontando! Onde vai? O que são aquelas malas? Por que não acha que eu engoli essa de doação né?

– pareço tão mesquinha assim?

– Sakura, se não me disser o que tá aprontando, eu ligo pro Sasuke agora.

– ah, me poupe! A criança aqui é você! E esta casa ainda é minha então...

Ele vincou a testa.

ainda?

Sakura fechou a boca engolindo o ar e os olhos dele brilharam de assombrando entendimento.

– puta merda... vo-você é louca! Você... com o Ryan? Nem pensar! – ele girou e ela avançou puxando sua camisa.

– deixe o meu filho em paz! – Izuna se soltou dela, grosseiramente.

– seu filho porra nenhuma! Ele é um Uchiha, caralho!

Ele marchou para o corredor e Sakura o seguiu desesperada, as mãos no rosto, as unhas ficando a pele até que localizou o vaso na mesa aparador do corredor e não hesitou em pega-lo e arremessa-lo em cheio na cabeça do jovem, quando ele tombou, ela tapou a boca, horrorizada.

Se aproximou dele, e com as mãos tremulas o cutucou, sangue saia de sua cabeça, mas era bem pouco, Sakura verificou o ferimento, vendo que era superficial, e o ouvindo gemer, se levantou e correu para a sala pegando a cadeirinha e a bolsa, ela correu para o elevador e praticamente socou o painel até que a portas enfim fechassem.

Limpou o sangue na ponta dos dedos e ajeitou o casaco cinzento sobre os ombros e o vestido branco com fenda na perna, talvez ter optado por algo mais prático pra uma corrida tivesse sido o certo a fazer.

Ryan lamuriou um pouco e ela tentou acalma-lo, mas estava tão nervosa que quando chegou ao térreo apenas disparou rumo à saída.

O bebê estava aos berros mas encontrando a porta do taxi aberta, ela se recusou a parar, entrou pondo a cadeirinha ao lado e tentou fechar a porta, mas foi impedida por uma das moças que alternava olhares assustados entre ela e o bebê.

– senhora? Está tudo bem?

– claro que está, por que não estaria? Solte a porta.

– o bebê...

– ele está bem – Sakura puxou a porta e encarou motorista. — vai.

O homem a encarou pelo retrovisor e também as empregadas que agora negavam freneticamente com a cabeça.

– quem está pagando sou eu, não elas.

Ele se voltou para a frente e arrancou.

Sakura olhou para trás, e logo viu Izuna sair, ainda cambaleante do prédio, as empregadas entrarem em pânico apontando o veiculo e ele correu provavelmente para pegar um carro.

Mas ela sabia que logo o veiculo em que estava se misturaria entre os milhares de taxis que Nova York dispunha.

Se voltou para o bebê, o soltou da cadeira e o trouxe para o colo.

– shhh, desculpa, mo ghrá, mamãe te assustou né?

– pra onde quer ir, madame?- o homem indagou.

– Me leve ao shopping, por enquanto.

Ele arqueou a sobrancelha, mas deu de ombros, Sakura pegou o telefone.

Ela encarou o numero, mas preferiu não pensar muito, apenas discou e tentou ignorar o olhar desconfiado do motorista.

Tinha que se livrar dele logo.

– alô?

Ele realmente cumprira o que prometera, pelo menos desta vez, mas ela não devia se surpreender.

Desde que lhe fosse conveniente, ele faria tudo e esperaria o tempo que fosse. Agora sabia.

– eu estou voltando. – anunciou, sem mais delongas.

– ah? O que? Sério? Não está brincando comigo, né Sah?

– você não me conhece tão bem? Porque eu te ligaria depois de tanto tempo? Estou voltando, onde posso te encontrar?

– hum... as coisas com o Uchiha não foram bem como imaginou?

– eu nunca imaginei nada, e você sabe que não estaria com ele, se você não tivesse... você sabe.

– claro, e o remelento também não tem nada haver, né?

– pelo menos eu pude ter meu filho, e não me arrependo, agora a questão é, Suíça ainda está de pé ou não?

– eu não sei...

– você sabe que eu posso me virar sozinha né? Mesmo que não seja aqui, viu minhas fotos? Nem parece que tive neném.

– ah, sim eu vi sim, Sah, você está uma delícia, é bem verdade que essa coisa de filhos ajuda hein? Quer saber? Claro que Suíça está de pé, baby, ainda mais pra você, o bom filho a casa torna, não? Tenho certeza que vai se sair bem lá, me diga, onde posso pega-la?

– eu ainda estou em processo de me livrar do Uchiha, então me passe o endereço, vou direto pra você.

– as coisas não funcionam assim, Sah.

– qual é, sou eu, porra! Acha que vou o que? Mandar a policia até aí e me foder junto? Eu tenho um bebê comigo, Yahiko, e não vou correr o risco de perder ele, pois é exatamente o que vai acontecer se Sasuke puser as mãos em mim, ele é louco, um tirano e obsessivo.

– entendi... tudo bem, ouça direitinho, minha deusa..

– hum – ela puxou um bloco de notas da bolsa e anotou o endereço – acho que sei onde é, vou estar de taxi, obviamente.

– até mais baby, ligue quanto estiver com a barra limpa.

– claro, até lá, chefe.

Ele riu, jocoso com o velho apelido.

– até logo, Sah, sinto saudades da sua gostosura, vamos brincar muito.

– claro.

Ela desligou e guardou o caderno.

– chegamos, senhora.

– obrigada.- ela desceu e ele a ajudou com as malas.

– mais alguma coisa, madame?

– não, obrigada.

Ela o pagou e o viu partir, até onde pode encara-lo, via que ele não lhe tirava os olhos.

Tinha que ser rápida, estava realmente mais cercada do que cogitara. Logo que avistou outro veiculo, deu com a mão.

– taxi?!

********************************************************************

– não, espera...- Sasuke se contorceu na cadeira de tanto rir, e Naruto já estava a ponto de cair da outra gargalhando como um idiota.

Karin revirou os olhos ante o ataque dos dois.

– idiotas – resmungou.

– não posso acreditar...puta merda... como assim? Do nada mesmo?

– não foi do nada, Naruto! Ele comeu algo ruim e passou mal, grande coisa, ora parem de rir!

Eles tentaram, mas não deu, estavam rindo desde que ela enfim confessara o que a impediu de viajar no dia anterior. Parecia que o cara que lhe acompanharia passou mal na fila de embarque e saiu correndo derrubando metade da fila até achar um banheiro.

Imaginar a cena de Karin tentando acudir o pobre coitado era demais para as entranhas deles.

– aiai... eu acho que quem vai passar mau agora sou eu...- Naruto disse, retomando o ar, e Sasuke tentou fazer o mesmo, já e sentia com calor e provavelmente quente.

Sakura o chamaria de retardado se o visse agora.

Ele relaxou na cadeira só em pensar nela.

Quando chegara em casa a noite, fez tudo o que Karin lhe recomendou.

Olhou-a, sentiu-a, ouviu-a.

Beijou-a e quase não quis parar, abraçou-a e quis fazer amor.

Observou-a dar banho em Ryan e quis dizer o que sentia, dizer o que tivera que fazer pra admitir isso e que não se arrependia completamente.

Mas ele não queria estragar mais nada, só queria elaborar votos de casamento que dissessem o que sentia sem parecer muito gay.

Ele queria dizer, mas também queria ouvir, e isso era uma droga, por que tinha medo da resposta dela.

Tinha medo de perder qualquer parte dela dali em diante.

– já terminaram? – Karin resmungou, foi como estar nos velhos tempos onde passavam horas zuando um ao outro. Ele percebeu que talvez o que Karin precisa-se não era uma viajem mas por tudo em pratos limpos com ele, ela estava mais leve e solta novamente, seus olhos não mostraram dor ao encara-lo e ele ficou aliviado.

Tudo bem se ela quisesse viajar com esse cara, ele não diria nada até quem sabe conhece-lo.

– seu celular tá tocando, ô anta – Naruto reclamou e só então ele sentiu a vibração no terno, o pegou e revirou os olhos ao denotar que era Izuna, se ele pedisse mais um empréstimo ou pra vender algum item da casa Sasuke o despacharia direto para a Itália numa caixa.

Se levantou pondo a outra mão no bolso e encarou Manhattan pela vidraça.

– o que é? pirra-...

– vem pra casa agora!

– hã?

– vem pra casa, porra! A Sakura...!

Sasuke se voltou para a frente apertando o aparelho contra a orelha, Izuna parecia ofegante e ele também estava ficando.

– o que aconteceu com a Sakura?

Karin e Naruto pararam de resmungar sobre a viajem um com o outro.

– Izuna?!

– ai... A Sakura caiu fora, Sasuke, tem que voltar aqui agora!

– Sakura? Cair fora? Que porra está dizendo?

– a-ai! Cuidado!

– estou fazendo o que posso – uma voz feminina disse, ao fundo.

– Sakura caiu fora, levou malas, carteira e acho que até as joias, ela foi embora, Sasuke, fugiu como uma louca e quase me matou! E ela também levou o Ryan.

Ele só sentiu tamanho choque uma vez, e era muito pequeno na época. Não fora a morte de seu pai, nem conviver com a indiferença do único irmão, foi quando encontrou sua mãe naquele... estado.

Ele nunca se sentira tão traído, mas desta vez, o que lhe surpreendeu foi que aquele sentimento de traição não existia agora.

Mesmo que o tom de Izuna tivesse soado cheio de raiva e acusação e mesmo que fosse verdade, era como se ele tivesse explodido com uma bomba em mãos, uma que podia desarmar.

Sakura estava indo embora.

Ele não fazia ideia, ou talvez fizesse do que havia causado para isso.

Mas só conseguia culpar a si mesmo.

– Sasuke? Acorda porra! Ela fugiu! Fugiu! Tem que achar ela! Tá maluca! Tá descontrolada! E tá com seu filho!

– quanto tempo faz?!

– uns quinze minutos, não sei! Ela vazou! Me acertou com um vaso, ela tava toda estranha desde ontem...

– ontem? Ontem como? Quando?

– eu não sei, ela saiu pra escolher o vestido, e voltou toda estranha e quieta demais.

– não pode ser...

Aquilo não podia ser possível. Ela não poderia...

– tenho que desligar, fale com as empregadas diga pra ligarem pra alguém chamado Kakashi e fale toda a historia pra ele.

– que? Kakashi?

– é, vai logo, Izuna! – ele desligou e logocomeçou a digitar outro numero.

– Sasuke, o que houve?

– alo? Ino?! Pelo amor de deus Ino! Você viu a Sakura?

– ai cruzes, que grude, claro que sim! Fomos fazer a primeira prova do vestido hoje, e ficou liiindo!

– sem moleza, Ino, que horas foi isso, não! Me responde onde fica essa merda de loja, e que a Sakura fez quando saiu?

– hum? Aquela na Boulevard com nona avenida...- Ele caiu sentado.

– não...

– claro que sim! Não sou tão burra, você sabe! É perto da cafeteria que você e o Naruto amam e tal.

– o que a Sakura fez depois da prova?

– hoje?

– ontem!

– ontem ela escolheu, enfim, o que fizeram depois? Sei lá acho que deu uma volta com a irmãzinha dela...

–Imogen? Ela estava com Imogen?!

– sim! Não sei onde foram acho que deram umas voltas por lá, já que não pegaram o taxi...

– merda...

– o que foi? Você não fez merda, fez?

– Ino, ligue pra Sakura, ligue até explodir a linha e pelo amor de deus, convença-a a ir te encontrar.

– Sasuke, está me assustando!

– eu to apavorado, ligue pra Konan também e por favor procurem onde ela possa estar, ela está com Ryan, e quase matou Izuna.

– por deus! O que está havendo?!

– apenas faça tudo para acha-la, revire sua memoria, e descubra qualquer lugar onde ela possa ter ido.

– ta-tá...

Ele desligou e marchou para a porta.

– o que diabo está havendo Sasuke?! – Naruto exigiu seguindo-o ele pegou o casaco no cabideiro e vestiu um par de luvas de couro.

– ela nos viu, só pode ser isso...- ele tragou, tentando manter a calma e fitou, Karin – ela nos viu.

A ruiva deixou a boca abrir e empalideceu.

– não...meu deus ,não...

– ela nos viu, Karin, e deus... Ela está me deixando, e levando nosso filho.

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– por que está me ligando? Resolveu pisar no meu orgulho um pouquinho hoje?

Sakura revirou os olhos ante tamanho drama.

– tenho coisas muito mais importantes que pisar na sua auto piedade, Hinata.

– então o que você quer? Não está satisfeita em estragar meu noivado?

– é muito fácil pra você agir como se fosse a vitima não é? Ensinam isso no convento?

Hinata arfou do outro lado, e então riu, amargamente.

– então é isso não é? No fim você quer provar que sou tão vadia quanto você.

– ser vadia foi escolha sua, ser vadia foi minha sobrevivência, você nunca saberá o que é isso enquanto não tiver a verdade esfregada em sua fuça não é, princesa? Pois bem, vá no endereço que eu vou te passar e fale com as pessoas que vou te indicar, elas vão te levar num lugar e se colaborar com elas, talvez descubra que o mundo não é este globo de vidro entupido de luxo, luxuria e glamour que você pensa.

– e por que eu te obedeceria? O que a faz achar que quero sair do meu “globo de vidro”?

– por que você ainda ama Naruto, se você quer estar com ele, vai ter que quebrar esse globo.

Ela esperou apenas o tempo que levou para pegar a agenda de novo.

– vou passar o endereço, é bom anotar, não me faça perguntas e vá pra lá agora.

Sem esperar objeção ela disse tudo. Desligou e se recostou no banco. Olhou para o bebê ressonando e tentou se convencer de que era o certo.

Só porque doía não queria dizer que era errado.

– qual lugar senhora?

– me leve para o aeroporto.

**********************************************************************

A empregada já abriu a porta se afastando da frente, sabendo que poderia ser atropelada ao passar, Sasuke adentrou a casa como um furacão e olhou em volta procurando Izuna, ele estava no sofá com um pano e uma bolsa de gelo pressionada na cabeça pela outra empregada.

– como ela saiu? Como vocês deixaram ela sair assim? Com mala e tudo?!

– Sasuke se acalme, não é culpa delas! – Karin pediu.

– ela tem razão, aquela maluca é esperta! – Izuna resmungou – ela disse que ia levar as roupas pra doação.

– e levou o bebê junto? Ela nunca sai com o bebê se não for com James!

– ela disse que ouviu o senhor comentar que poderia precisar de James hoje, então que poderia ir de taxi! – a moça disse e Izuna se contorceu de dor.

– não aperta tanto!

– de-desculpe!

Sasuke marchou até o quarto não estava realmente crente, uma parte dele ainda queria que fosse uma brincadeira idiota, mas os armários estavam praticamente vazios do lado dela e até mesmo o closet.

– preste a atenção no que ela levou, Sasuke! Pode dar pra saber onde ela vai, se levou mais roupas de frio ou de calor – Naruto disse.

– ela levou tudo, o que usava e o que não.

– e as joias?

Sasuke largou a caixa de joias no chão, praticamente vazia, as de maior valor como o primeiro colar que lhe deu, anéis, e pulseiras se foram.

– Sasuke...- Karin proferiu, assombrada e ele se voltou para o próprio lado do armário, onde ficava o cofre.

– impossível! – ele se aproximou, arrancando das roupas da frente e encontrando o cofre vazio, além de alguns milhares de euro e até mesmo ienes, ele ficou estupefato ao dar por falta do Santine que deu a ela, que ela deveria usar no casamento deles – merda! Ela levou o Santine dela!

– o Santine? Porra! Sasuke aquilo vale mais de cem milhões de dólares! Como você deixa essa porra aqui?!

– ela ia usar no casamento...

– com cem milhões ela pode sumir!

– eu não entendo, ela não tem a senha desse cofre, é impossível, ela não o arrombou.

– você não deixa anotado em algum lugar? – Karin interveio.

– claro que não! Sei de cabeça, merda! Izuna?! – ele voltou ao corredor, ignorou entrar no quarto de Ryan em busca de pistas e dar falta de suas coisas ou não daria conta de mais nada. – Izuna?! Ligou pro Kakashi?

– liguei, ele disse que ia procurar novidades, mas ele mandou perguntar se você sabe se Sakura cortou o contato com um tal de Yahiko.

Sasuke parou, tonto como se tivesse levando uma tacada na cabeça.

– Yahiko?! Ela tem contato com Yahiko? Como você permitiu isso?! – Naruto esbravejou para ele.

– ele... merda, ele tentou coagi-la uns meses atrás.

– meses? Quando?

– antes da viajem pra Montenegro, foi por isso que a levei, ele tentou coagi-la, praticamente a sequestrou e tentou faze-la querer voltar pra ele, claro que eu esperava que ela tivesse se livrado do número que ele pôs.

– ela não pode ter voltado pra ele, é burrice! – Karin disse – aquele homem nunca a permitiria viver dignamente.

– muito menos com Ryan... não, ela não fez isso! Ela não pode ter feito isso!

– se acalme, temos de tentar pensar em mais lugares que ela possa...

– Imogen! – Sasuke saltou do sofá e pegou o telefone – merda, ela não atende.

– ligue pra casa dela!

– pegue a minha agenda! – ele ordenou a empregada que correu logo voltando com o ela, Sasuke a revirou até achar o número, e engoliu todo desgosto em ter de entrar em contato com a sogra, desde que Ryan nascera, o único contato que permitiu que houvesse foi uma breve visita que ela fez, para ver o bebê ainda no berçário, ele nem iria contar a Sakura, mas Imogen o convenceu de que contar a verdade era sempre melhor.

Ele devia ter lembrado disto ontem.

– alô? Senhora Haruno, pelo amor de deus, diga onde Imogen está e porque ela não atende o telefone.

– Imogen? Oras, foi viajar, para Ithaca, com Sakura, esqueceu-se disto?

– com a Sakura?! Ela ia com a Sakura?!

– claro, e por favor, não grite, algo aconteceu?

– Sakura fugiu, com o bebê.

– fugiu? Tem certeza? Imogen disse que ela queria acompanha-la para achar um apartamento em Ithaca, que levaria o bebê.

– Quando elas vão? Como elas vão?

– Imogen disse que de jato, saiu tem meia hora, depois de voltar da prova do vestido.

– o jato?! Procura o número do piloto! – ele gritou para empregada que o fez mas não achou.

– se-senhor, eu não encontro a folha!

– como não? – Sasuke tomou a agenda e revirou até achar onde estaria a pagina, frustrado e já com raiva, largou-a no chão.

– ela arrancou a folha!

– que? Essa mulher pensou em tudo? – disse Naruto – tá bom, eu subestimei ela.

– acredite subestima-la pode ser seu último erro – Izuna falou, deitado no sofá, com a bolsa de gelo.

– ela te pegou hein?

– em cheio!

James adentrou a porta encarando-os com o telefone.

– liguei para pro aeroporto, a senhora pediu o jato para Ithaca, e ligou para os outros dois pilotos.

– ela já saiu?

– consegui que segurassem o voo, com uma desculpa.

– vamos!

********************************************************************

Yahiko, não poderia estar mais exultante.

Como sempre soube, as coisas com Sakura eram sempre uma questão de tempo. Mesmo que não pudesse negar que já havia achado que nunca mais a teria em mãos.

Alguém não pode negar seu passado, muito menos alguém como ela, poderia apostar um braço com alguém “lá em cima” já havia descoberto da farsa que o Uchiha armara, e talvez a estivesse até chantageando.

Sakura não sabia lidar com pressão, ela cedia logo, desistia, por mais que odiasse, ela se encolhia e descontava em si mesma.

Era até um pouco deprimente, mas cada um tinha seu jeito de descontar as frustrações, ele, por exemplo, descontava nelas.

A ideia de deixa-la vir a até ele não o agradou, foi difícil achar um bom lugar onde pudesse circular com as garotas sem chamar atenção. Mas não queria perder o gosto de vê-la voltar por vontade própria, afinal qual delas faria isso?

Como se Sakura já não fosse especial o bastante, uma das primeiras meninas, uma das mais rentáveis, uma das que mais o provocavam.

– o taxi chegou – Stanley disse, ainda com uma cara de merda porque não gostara da ideia, Yahiko bateu em seu ombro e saiu do escritório sorrindo de orelha à orelha pelo corredor do andar ocupado apenas por ele, ouvia tanto musica erótica que as meninas ensaiavam para suas danças como Joseph e os outros homens educando as novas garotas. O negócio estava crescendo, ele precisaria tomar mais cuidado ainda de agora em diante.

Saiu lá fora, inspirando o ar puro, maravilhado, e avistou o taxi parado do outro lado da rua um pouco mais longe da frente do prédio.

Era uma ruazinha pacata no subúrbio, alguns fedelhos matadores de aula brincavam na porta dos poucos prédios de moradia, um caminhão de lixo fora largado por ali, e também um de dedetizadores estava parado mais adiante.

Como de costume, ele olhou em volta atentamente buscando qualquer movimentação suspeita e tudo o que viu foi um casal de bêbados discutindo perto de um beco, e um grupo de mendigos disputando uma sacola com comida perto de seu prédio.

Yahiko então voltou-se para o taxi de vidros fumê, saudoso do jeito arisco de Sakura, de como ela devia estar gostosa depois de tanto tempo sendo mimada, e de poder encoleira-la como apreciava.

Se aproximou estendendo os braços num cumprimento.

– Sah, saia daí, é seguro, baby.

Sem resposta, ele abriu a porta e estendeu a mão.

– não precisa ficar desconfiada, eu falei sério, você vai se sair muito bem no seu novo cargo.

Olhando em volta outra vez, ele sentiu a mão macia que envolveu a sua e puxou para fora.

– cargo novo? Estou curiosa. – ele se afastou quase num salto ao encarar a mulher que tirara do carro.

Uma estonteante morena de olhos exóticos, e cabelos negros que soltou sua mão como se fosse a coisa mais nojenta em que pegara na vida, usava um vestido formal, justo e laranja nas curvas abundantes e bem postas.

– que merda... quem é você? Onde está a Sakura?!

Então tudo revirou, ela se enfiou dentro do carro e antes que ele avançasse para esbofeteá-la até ter a maldita informação, dois homens armados até os dentes saíram do taxi o que estava do outro lado apontou-lhe a arma o que veio pelo que ele estava agarrou seu braço e empurrou com força contra o veiculo.

– mas que merda?!

– você tem o direito de permanecer calado, está preso por suspeita de escravidão, prostituição, sequestro e entre outras acusações.

– é o que?!

Os mendigos, viraram policiais, o carro da dedetização era policial, o carro de lixo cuspiu policiais, um helicóptero da policia apareceu do nada, e dezenas de viaturas adentraram a rua assim como dezenas de fardados invadiram seu prédio.

Parecia que a única coisa que não era uma farsa ali, eram as crianças correndo para dentro de casa e os adultos fechando suas portas.

Yahiko gritou, de ódio, e principalmente porque sua mente rodava em confusão.

Ouvi-a seus homens trocando tiros e os gritos das vadias.

Tudo estava caindo ruindo e ele estava algemado com um cara enorme pronto para estourar sua cabeça se reagisse.

– você fique aqui e espere até acabar – disse o outro policial enquanto seguia para o prédio, a mulher morena assentiu, parada perto da parede abraçando a si mesma.

– você! — Yahiko, gritou e ela o fitou arrogantemente, tal como o tipo de gente que ela parecia ser, um bando de porcos falsos que usufruíam da boa vida que tinham. E cuspiam na cara de quem se ferrava pra ter algo pra comer.

– tem certeza que sou eu? – ela respondeu, presunçosa e a mente dele se iluminou, cheia de ira.

– Sakura! – rosnou – aquela cadela!

touché – a morena rebateu.

– fica quieto aí! – rugiu o policial no ouvido dele, mas estava cego demais para isso, e se debateu contra o carro e as algemas.

– aquela vagabunda! Quando eu pega-la eu vou bater tanto nela! Eu vou enraba-la até que sangre e morra! Diga isso pra ela! Ela nunca vai se livrar de mim! Eu vou estuprar aquela puta e matar aquele fedelho na frente dela!

A mulher recuou o encarando, horrorizada.

– vo-você é um monstro...

O som de tiros encheu o local um policial se jogou sobre ela e o outro jogou Yahiko no chão com brutalidade o fazendo desmaiar.

Ainda sim, ele se recusava a acreditar, que passara onze anos educando Sakura, passara onze anos adorando o que fizera ela se tornar.

Pra descobrir que de todas as outras, logo ela seria sua ruina.

Logo ela seria quem se rebelaria a tal ponto.

“Eu adoro quando você finge que não gosta”

Ele enfim percebeu, que ela não fingia.

**********************************************************************

O jatinho ainda estava na pista quando eles chegaram, Sasuke saltou do carro e correu até ele.

– onde ela está?

– lá dentro — disse, o piloto que o fitou muito aturdido. James não disseram o porque de impedirem o voo, pediu que falassem que era só um problema que estavam verificando.

Sasuke escalou as os degraus seguido de Naruto e Karin e correu pelo ate visualizar uma cabeça cor de rosa numa das poltronas, praticamente caiu de joelhos ao lado dela e quando viu que era Imogen bateu a cabeça contra a poltrona, derrotado.

Ela estava sozinha, apenas com uma caixa no colo.

– Imogen... onde você vai?

A jovem o fitara primeiro muito aturdida, depois encarara Naruto e ele soube que vira Karin, quando voltou-se para frente e fechou a boca mantendo-se calada.

– Imogen por favor, seja lá o que pense de mim, não releve isso, agora e me diga, onde está sua irmã?

– eu não sei, e mesmo que soubesse não te diria.

– Imogen, por favor, estou implorando, Sakura saiu descontrolada de casa, ela está com Ryan, tenho medo do que possa fazer.

– ela nunca machucaria meu sobrinho!

– nós sabemos que não – Karin disse, com todo cuidado e a moça empinou o nariz se recusando a encara-la – mas ela está muito nervosa, na verdade, tememos que se machuque e ninguém possa ajuda-la.

Sasuke percebeu que a jovem tinha muito do sangue orgulhoso da mãe e irmã.

– Imogen, eu preciso encontra-la, preciso esclarecer as coisas com ela, por favor me diga onde ela está, eu sei que você sabe.

– eu não sei!... eu pensei que... eu pensei que ela iria comigo, ela disse que iria comigo... nós vimos aquilo e... ela não disse nada... que não tinha importância, que... que era só isso... então...- ela arfou chorando e abriu a caixa que tinha o brilho chamou a atenção e Sasuke encarou as joias dentro da caixa.

– porra...- Naruto proferiu e moça entregou um papel para Sasuke que se levantou.

– ela disse que iria comigo, mas não estava aqui e o piloto disse que não sabia nada, apenas falou que ela deixou esta caixa aqui... ela diz pra eu vende-las e usar o dinheiro pra faculdade ou qualquer projeto que eu quisesse...eu não quero dinheiro, quero a minha irmã, ela está indo embora não é?

“Devem ser o bastante para começar, desculpe não estar com você, mas você cresceu melhor sem mim e vai continuar crescendo.

Is breá liom tú.

Sakura.”

– Imogen você entende irlandês? – ela assentiu, fungando.

Ele se abaixou e tentou puxar a memoria.

– me diga, o que significa: “Mo dornaisc”?

Esperava ter dito corretamente, mas a moça corou um pouco.

– significa... “Minha algema”.

E só então ele entendeu, ele era uma algema para Sakura, e ela o estava quebrando.

– eu preciso encontra-la, Imogen, você não tem mesmo ideia de onde ela pode ter ido e ainda com o Ryan?

Ela negou querendo chorar mais.

– eu não faço ideia! Eu juro, ela disse que iriamos juntas e então... faz isso, eu não sei onde ela pode ter ido.

– tudo bem não é sua culpa, vou pedir pros pilotos seguirem a viajem, você tem que ir afinal.

– não, hoje não, não vou estar com cabeça pra isso, é a minha irmã e o meu sobrinho, e isso também não é meu – Imogen se levantou dando-lhe a caixa.

– o Santine não ta aí — Naruto alertou.

– eu já devia saber que não estava, só aquele colar pode banca-la bem longe daqui, eu preciso ligar pra policia.

– policia?! – Imogen se assombrou.

– não tem jeito eu tampouco quero um escândalo, mas Sakura roubou meu cofre, levou o bebê, agrediu Izuna e está com um colar que pode bancar a vida dela fora do país, eles vão emitir um alerta na cidade toda e todas as casas de penhores mais caras vão dizer se ela passou por uma delas tentando penhorar o colar ou mesmo vende-lo, é uma forma de rastreá-lo, usei quando fui assaltado uma vez.

– isso é tão injusto... minha irmã sofreu tanto, agora sendo tratada como se fosse uma criminosa....

– Imogen a última coisa que eu quero é fazer Sakura sofrer, mas preciso que ela esteja aqui pra isso.

– não foi o que pareceu ontem – ela acusou, os olhos verdes afiados e magoados. Era isso que ele queria evitar, se fosse Sakura seria dez vezes pior.

– o que vocês viram ontem foi algo muito complexo e pessoal entre Sasuke e eu, mas não significa que estejamos juntos ou que vá voltar a acontecer – disse Karin, calmamente – Sasuke errou em não contar, mas as coisas entre eles estavam muito boas e ele não quis estraga-las com isso, com algo que não existe mais, Imogen.

– agora que tal pararmos de discutir e irmos atrás daquela maluca?! – Naruto disse.

– Imogen, vá pra casa e tente ligar pra Sakura, se conseguir, invente qualquer coisa, qualquer coisa que a faça vir até você ou te indique onde ela está entendeu?

A jovem assentiu e todos eles saíram da aeronave.

No carro Sasuke agarrou o telefone quando o ouviu vibrar, cada ligação era uma esperança que fazia torcer que fosse ela que estivesse arrependida e nervosa, que quisesse que ele fosse busca-la onde estivesse.

Mas era outro fio falso.

– Kakashi, descobriu alguma coisa?

– descobri sim, ligue o radio na estação de musica.

– huh? Eu pedi pra encontrar Yahiko!

– eu encontrei e agora toda a cidade pode acha-lo facilmente.

Sasuke xingou e ligou o radio, em vez de musica apenas a estática e a voz de uma locutora formal demais para agradar quem gostava de ouvir musica.

“-As ruas do Harley ganharam uma violenta agitação essa manhã quando por meio de uma denuncia anônima, a policia chegou num prédio que era suspeito de manter uma quadrilha de exploração sexual, a denuncia se confirmou e mais de trinta garotas foram libertadas do domínio de pelo menos quinze homens violentos fortemente armados, a quadrilha ocupava um andar inteiro do prédio e para a vizinhança se passava por uma agencia de modelos iniciante...”

– eu não to ouvindo isso – Naruto disse.

– meu deus...ela...?

“- ... a operação envolveu troca de tiros e pelo menos dois suspeitos foram mortos, mas o cabeça do grupo está preso e a agora a policia e autoridades médicas estão dando assistência às moças encontradas em condições sub humanas de vida, sinais de estupro e tortura foram encontrados além de um escritório repleto de recibos, e diários de contas que podem ajudar a policia a encontrar mais braços da organização, esta situação nos leva ao seguinte questionamento, até quando este tipo de barbaridade vai ocorrer embaixo dos olhos da nossa sociedade?”.

Sasuke desligou e se focou na frente.

– o Harley, não é?

Pisou fundo, e não foi difícil achar a rua, todos os carros pareciam querer ir para lá, ainda havia o som de sirenes.

E não conseguiram entrar na rua pois estava barrada pela policia, e só ambulâncias entraram ele passou por baixo da faixa e correu rua acima, encontrando um verdadeiro pandemônio, policiais ainda lutavam para enfiar homens dentro de viaturas e até mesmo as garotas.

Ele rodou o corpo tentando encontrar qualquer sinal de Sakura.

– senhor Uchiha? – Sasuke parou e encarou um homem alto e forte usava camisa social mas no pescoço estava pendurado um distintivo e ele estendeu a mão para cumprimenta-lo, muito atordoado Sasuke o fez por costume. – gostaria de agradecer pela ajudar de sua esposa, deve estar orgulhoso.

– o que? Como? Minha esposa?! Onde está minha esposa? E o meu filho?!

O delegado o fitou com estranheza.

– me desculpe senhor, mas eu não sei, sua esposa apareceu na delegacia hoje e contou todo o esquema da quadrilha.

– hoje? Sakura?! Meu deus...ela... contou pra vocês? O que ela tinha na cabeça? Se isso vazar...

– o senhor não precisa se preocupar com vazamentos, ela exigiu ter o nome fora de qualquer inquérito e veio até nós como uma denunciante anônima, contou como foi vendida ao senhor e exigiu que também não fosse envolvido no caso, não pudemos ir contra ou ela não nos daria os nomes e muito menos o endereço, tivemos trabalho mas conseguir armar uma boa cilada pra eles.

– ela se foi? Apenas isto?

– apenas nos mandou uma boa distração, e se foi assim que pode.

– meu deus... ela fugiu, tem que me ajudar, ela fugiu com meu filho, nosso filho!

– fugiu? Estaria feliz em ajudar, embora seja um pouco traição, ela nos deu um caso e tanto...

– Hinata?! – ele ouviu Naruto gritar e olhou em volta, localizando Hinata num sensual mas discreto vestido laranja falando com um policial.

Naruto foi até ela encarando-a, estupefato.

– o que está fazendo aqui? Num lugar desse? Meu deus Hinata! Sabia que houve um tiroteio?!

– claro que sim, eu estava aqui na hora – ela respondeu, ríspida.

Sasuke seguiu ate ela e o delegado também.

– ela nos ajudou a ter o chefe do esquema de bandeja, também estamos gratos, senhorita Hyuuga.

Ela assentiu apenas.

– só não quero meu nome nisso.

– como preferir.

– como diabos você veio parar aqui, Hinata? – Naruto indagou, já se descabelando.

– foi a Sakura? – Sasuke disse.

Ela suspirou profundamente e mandou um olhar atento e atormentado para o prédio.

– Acho ela queria que eu visse... o lado dela, o verdadeiro.

Os três encararam o prédio, policiais ajudaram paramédicos a arrancar mulheres de lá, em roupas mínimas, descabeladas e com as faces borradas de medo, raiva, ignorância, como verdadeiros animais que não sabiam o que era liberdade a tanto tempo que ao encontra-la apenas temiam e queriam fugir dela.

Algumas se mantinham caladas e entravam nos carros sem nada dizer, e a quem as encarassem, mandavam olhares de arrogância e superioridade, como se a vida que tinham fosse muito melhor e não quisessem se livrar dela. Fingindo que gostavam, fingindo que eram o que as fizeram ser.

Fingido pra escapar da dor e muito desconfiadas pra acreditarem na liberdade que estavam recebendo, Sasuke reconhecia aquele olhar, o mesmo olhar que Sakura dava sempre que a vida deles estavam entrando nos eixos, aquele olhar de: “Eu vou seguir seu roteiro então me deixe em paz”.

Outras choravam nos braços de qualquer um, e ele sabia que elas eram novas, ou apenas haviam chegado ao limite, afinal, nem todas podiam ser fortes como Sakura foi, nem todas poderiam fingir para sempre. Elas berravam como crianças, arquejavam como se o ar que respirassem lá fora fosse mais essencial que qualquer outro, agradeciam até para os vizinhos como se vissem neles seu herói posto que não sabiam quem era o verdadeiro.

E ele quis que ela estivesse lá, que essas meninas soubessem que quem a salvou realmente as compreendia e que não era um reconhecimento publico, ou recompensa que a motivava.

Mas Sakura optou por ser não só uma heroína de capa, mas de mascara também.

E ele ainda tinha que encontra-la, pois quanto mais tempo passava, mais longe ela estava.

Ele se voltou para Hinata e segurou seus braços.

– onde ela está? Diga que sabe, uma pista, qualquer coisa Hinata.

– eu não sei, ela me ligou, me mandou ir para delegacia e me envolver na operação e só.

– o que deu em você pra se meter numa coisa dessas? Poderia levar um tiro ou coisa pior! Isso não é lugar pra você, Hinata, olhe onde estamos! – Naruto esbravejou e ela o e encarou mortalmente.

– o lugar onde tenho de estar será onde eu decidir estar, Naruto, Sakura não estava tão certa, eu tinha que sair deste globo, mas você também.

Dito isso, ela tomou uma forte inspiração e caminhou, atravessando a rua até uma ambulância.

Eram tantas moças e com algumas dando tanto trabalho, as autoridades esqueciam de outras, enfermeiros dopavam uma mulher que se debatia numa maca e que tinha sangue escorrendo entre as pernas e outra estava apenas sentada na calçada, encarando céu com olhos castanhos grandes e perdidos.

Hinata pegou um lençol grosso e se abaixou ao lado dela cobrindo-a e ocultando a diminuta e fina camisola que usava.

– está frio demais pra ficar desprotegida.

A jovem a fitou, um pouco chocada, e não parecia ter mais que dezessete anos então voltou os olhos para o céu e eles se encheram d’água.

– foi o que mamãe disse, quando fui embora... era inverno... faz apenas alguns meses, mas parece tanto tempo... ela deve me odiar... eu a deixei pra ter a vida perfeita aqui...

– sua mãe deve estar preocupada, você está muito longe de casa?

– um pouco... eu sou do Maine... tão frio e gostoso...

– Maine? Eu só conheço por meio de Stephen King – a moça riu um pouco e a fitou docemente.

– garanto que é bem menos assustador...- então se encolheu, abraçando a manta – mas esse lugar... esse lugar é o inferno...! Eu não posso voltar pra casa... eu sou um lixo! As coisas que fizeram, as coisas que eu fiz! Não, não posso voltar, eu a mataria de desgosto, ela não merece isso, eu nem sei se está viva, saí de lá pra lhe dar uma vida melhor... e sumi, ela deve achar que sou pior que o papai... Não, por favor, me faça sumir, me faça sumir! Eu não quero que ela veja o que me tornei, por favor, por favor.

Hinata a apenas a deixou abraça-la, não sabendo o que dizer ou como proceder, apenas desejando que sua irmãzinha, por mais que a relação delas fosse ruim, nunca tivesse de passar por isso.

Sasuke olhou em volta, frustrado, ainda tinha esperança de encontra-la em algum canto, observando sua obra, mas já devia saber que ela não faria isso.

Ela já estava vingada, pessoas se aglomeravam perto de algumas viaturas e ele soube que nelas estavam os homens presos e Yahiko, logo a fuça deles estaria em todos os jornais e não sairiam na rua sem serem linchados. E ele não mediria esforços pra fazer da vida deles um inferno na prisão.

Isso se conseguisse ao menos encontrar sua esposa e filho.

– vamos embora – Karin disse – ela não deixou nada aqui.

– ao contrário... ela deixou muito, deixou esperança e um começo... só não para mim.

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– esse mundo está perdido mesmo... – O motorista remoeu, desgostoso a após desligar o rádio.

Sakura sorriu de lado, encarando o transito.

– não fazemos ideia do quanto...- voltou o olhar para o bebê que mamava avidamente em seu colo e que ela dera privacidade cobrindo com a manta, embora achasse uma idiotice, seu filho tinha o direito de mamar a vontade e mulheres andavam mostrando os seios na TV por coisas esdrúxulas se comparadas ao ritual mais lindo do mundo.

– mas sempre podemos ver nascer uma linda esperança, né? Mo ghrá.

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– nada?! – Ino indagou quase saltando em cima dele quando entrou.

– nada...

– nós vimos o noticiário, aquilo tem haver com ela? – disse Sai.

– foi tudo por causa dela – disse Naruto, ainda irritado, Hinata simplesmente se recusou a sair de lá, mesmo com a chegada da imprensa, mas devia estar mais incomodado com sua postura nada dócil.

– não acredito, como ela fez isso?!

– ela fez muita coisa, e estou tonta só de tentar imaginar como – Karin disse, se sentando no sofá, com ar exausto.

– mentira que não conseguiram alcança-la, que vacilões – Izuna reclamou.

– você era o único que poderia tê-la segurando e caiu como um pato, então cale a boca.

– como um pato não! Eu fui alvejado! Ela quase me mata!

– já ligamos milhares de vezes, você tentou, Sasuke? Ela pode te atender agora – Konan disse.

Ele estava acabado, queria enfiar um caminhão de bebida na garganta e entrar em coma alcoólico, tudo menos se ver sozinho naquele apartamento. Olhar para o berço e não ver o menino e nem ouvir o som dos saltos de Sakura ecoando pela casa de forma suave.

Ele tirou o telefone e ligou para o numero sem muita confiança, chamou e chamou muito, mas quase entrou em choque quando ouviu que foi atendido, porém não ouviu nada apenas o que pareciam ser carros em movimento e quando ouviu uma buzina ao fundo, se levantou.

– Sakura?! Sakura? Pelo amor de deus Sakura, sei que está aí, amor, volta pra casa, por favor, eu juro que não vou fazer nada, eu nunca faria nada, Sakura, volta pra casa, trás o bebê, amor, Sakura?!

– Sasuke se acalme! – brigou Konan tomando-lhe o telefone e ele se afastou repuxando o cabelo – Sakura por favor, estamos todos preocupados com você querida, e com o Ryan volta, vai? Estava tudo indo tão bem!

– deixa eu falar, umas poucas e boas pra ela! – ralhou Ino tentando tomar o telefone – olha aqui sua filha da mãe! ponha essa bunda no caminho pra casa ou juro que arranco seu cabelo!

– não está ajudando Ino!

– ela tem que ouvir umas verdades! E traga meu bebê pra casa sua vaca!

Karin avançou e tomou o telefone das duas se afastando.

– Sakura, por favor, sei que está zangada e confusa, mas por favor, não seja precipitada, você tem que voltar, tem que me ouvir, tem que ouvir Sasuke, Sakura?

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Ela sabia desde o começo que era burrice.

Mas ainda estava lidando com esta verdade.

Esta a verdade que a forçava ao cumulo de cometer o erro de atender aquela ligação. De querer ouvir a voz dele uma última vez enquanto encarava Ryan dormir na cadeirinha.

Ouvir Konan foi engraçado, e quis rir com as balelas de uma Ino tão indignada.

Mas um soco no estomago foi ouvir aquela voz, que a fez lembrar que não era uma brincadeira.

Ela arfou mesmo sem querer, e Karin ouviu-a.

– por favor, sei que está aí! Sei que está ouvindo, sei que está confusa e com raiva, eu sei como é e não estou te culpando, ou me vingando, não é assim, Sakura! Sasuke precisa de você, é você que ele quer e o que viu foi um erro e...

Era tão fácil despejar isso agora. Como se pudesse remediar tudo.

Sakura não queria acreditar, e mesmo que acreditasse, ela não queria ceder e cair na tentação de o amar, não queria cair noutra corda bamba. Não queria dar mais do que já deu, e perder tudo.

Ela tinha que fazer isso, tinha que se desvencilhar de tudo, de Sasuke, Yahiko, sua irmã.

Tinha que desfazer esses laços se livrar deste passado, construir algo que pudesse ter as rédeas, seu futuro, sua vida, seus sentimentos.

Suas escolhas.

– Sakura, por favor, Sasuke precisa de você, precisa de vocês...

Ela espremeu os olhos deixando as lágrimas escaparem e respondeu com toda a súplica que poderia reunir tentando não se ofender nem odiar dizer isso.

– fique com esta casa...

– Sakura...

– Case com este homem...!- rosnou — dê muitos filhos a ele... E o faça o me esquecer.

– Sakura, não.

– assim quem saiba eu possa esquece-lo – ela desligou e lançou o telefone pela janela. O motorista a fitou pelo retrovisor, apreensivo, mas ela enxugou o rosto e pegou Ryan da cadeirinha, apenas queria o abraçar, apenas ter certeza que estava fazendo o certo, para si e para ele.

Um dia ele iria querer conhecer o pai, mas o dia que ela o permitiria saber demoraria muito ainda.

Só esperaria que ele a perdoasse.

Os dois.

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Karin afastou o telefone, derrotadamente. E se aproximou de Sasuke entregando-o.

– precisa encontra-la, e precisa dizer o que descobriu, ela já tem sua resposta, mas também está com medo de dá-la.

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– Sasuke? Sasuke? – Sasuke saltou no lugar encarando Karin atordoado, ela sorriu de maneira complacente lhe oferecendo uma xícara fumegante de café, e ele teve que lidar com a realidade de novo e mais pesada.

Ela se foi e quase um dia.

Não dormira direito a noite, entrando em contato com um monte de gente, pessoas com ligação aos meios de transporte, buscando imagens ou qualquer coisa que indicasse por onde ela fugiu e nada.

Ainda tinha esperanças que ela estivesse esperando a poeira baixar pra sair do país era só essa esperança que o mantinha com um pouco de sanidade pois estava a ponto de sair batendo de porta em porta e por o rosto dela e o do bebê na televisão.

Kakashi avisara que pra sair do país ela precisaria ter a autorização de Sasuke assinada para partir com a criança, e ele tinha certeza de não ter assinado nada para ela nos últimos dias e Liza também confirmara não ter feito nada do tipo para Sakura.

Ainda sim ele não estava seguro, deus ela pôs uma quadrilha de exploração sexual na cadeia, quase matou Izuna, e o fez andar de um lado para o outro seguindo Imogen como se ela fosse uma isca.

Pegou a xicara e tentou beber além de pôr algo no estomago, Ino montou acampamento em sua casa e quando não estava chorando, estava xingando Sakura por todo lado e bisbilhotando suas coisas atrás de pistas.

– devia tomar um banho, ficar fedendo assim, não vai ajudar – Naruto disse, batendo em seu ombro.

– ele tem razão, você está uma droga – Izuna disse.

– Izuna, você é o único que eu poderia usar como bode expiatório agora, lembre-se disso – ele avisou, se levantando e seguindo para o quarto.

– quantas vezes eu tenho que dizer que fui alvejado?!

Sasuke tentou seguir no automático pra não se dar conta do silencio e vazio dos quartos, se enfiou embaixo do chuveiro por uma meia hora e saiu vestindo apenas uma calça e uma camisa qualquer. Com o cabelo ainda ensopado ele seguiu para a sala.

– sinceramente, acho que isso é totalmente inútil agora – Naruto disse.

– não foi você que disse que toda ajuda era bem vinda? – Tsunade rebateu, ao lado de uma mulher.

Ela era ruiva, e usava um corte meio espetado e óculos de grau, vestia-se formalmente e parecia ter a idade de Tsunade, e seios quase tão avantajados quanto os dela, além de uma expressão compenetrada.

– Tsunade?

– aí está ele, eu devia acertar sua cabeça com um destes vasos, moleque.

– pelo amor de deus, vasos não – pediu Izuna.

– o que quer, Tsunade?

– está é Mei Terumi, ela é psicóloga, foi ela que eu indiquei para você, para que acompanhasse Sakura.

– Sakura fugiu, caso não saiba.

– Sakura precisa ser compreendida, antes de ser achada – Mei disse, ajeitando as armações – apenas traze-la de volta para casa não vai ser o bastante se não puder compreender o que a levou a sair.

– Sakura me viu com Karin, ela acha que posso me separar dela e tomar o bebê, foi por isso que ela fugiu.

– Sakura conviveu com você por quase um ano, e o tempo todo tenho certeza que a ideia de você tomar o bebê dela ainda estava em sua cabeça, então por que ela fugiria logo agora? – Tsunade.

– porque ela estava em condições? A gravidez era de risco...

– e o risco estava ao lado dela o tempo todo, era você – Mei disse, ele ficou irritado tanto pela acusação, que no fim, tinha fundamento, quanto ela estar a par disso.

Sabendo que ganhou o pequeno embate, Mei se sentou num dos sofás, educadamente.

– por que não vamos do começo? Você me diz como conheceu Sasuke, cada um aqui diz o que viu dela.

– uma consulta logo agora?

– não é como se pudessem fazer algo é?

A campainha tocou e Imogen entrou seguida da mãe.

– nenhuma noticia?

– nada.

– lembrei que viajamos para Connecticut uma vez – Mariah disse – apesar de que ela era muito pequena, ela e o pai gostaram de lá, tinha mais liberdade, a casa tinha um quintal, eu não achava que ela lembrasse, mas agora...

– o que tinham ido fazer lá? – Sasuke indagou enquanto já digitava uma mensagem para Kakashi.

– eu tinha uma parenta lá, distante, mas era a única, ela estava doente e já não ia dar conta, ficamos um mês lá, cuidando dela até que partisse e dando destino em suas coisas, ela doou quase tudo, Sakura tinha três ou quatro anos.

– a senhora é a mãe dela? – Mei disse, e ela assentiu.

– poderia me dizer como Sakura era, assim, quando menorzinha?

– isso é importante agora?

– parece que é – Sasuke resmungou.

– mas é a cara dela hein? – Izuna comentou encarando Imogen, a moça o encarou também e piscou meio perdida, logo direcionando o olhar para Sasuke.

– i-irmão?!

– tio dele! – ele reclamou.

– Hã?!

Ainda desconfortável em um âmbito tão caro, Mariah se sentou no sofá próxima das médicas.

– não sei o que dizer, o que quer saber dela?

– seu comportamento, é um começo...

– comportamento? Ela era uma criança muito calma, um bebê adorável, era bonita e todos queriam pega-la, também era muito inteligente... ela começou a andar tão cedo, com oito meses e meio, acho, e era incrível, quero dizer, ela realmente andava como um adulto... e quando caia... ela não chorava, se apoiava num móvel e voltava a andar, era tão...destemida, o pai dizia que nasceu uma guerreira celta como a das historias do avô dele, ele tinha muito orgulho...

– e na escola? Como ela era?

– muito inteligente, na quinta série ela foi eleita presidente de turma, mas renunciou.

– por que?

– ela era contra o corte de verbas do clube de música, ela moveu uma manifestação na escola, era quase uma ativista, depois se interessou pela musica com mais afinco... e as coisas pararam nesse sentido...quando disseram que ela ficou presa por tanto tempo... eu não podia acreditar, porque ela era muito audaciosa para permitir-se isso, eu sempre temi que se torna-se uma criança rebelde tal como o pai foi, ele deixou a Irlanda e os pais pra ganhar a vida aqui, e mesmo não conseguindo uma grande melhora, nunca quis voltar, nunca quis reaver estes laços, mesmo depois que os pais morreram ele nunca se sentiu muito mau por isso, ele os agradecia claro, e os amava, mas era de uma personalidade tão solta, desapegada e independente, e Sakura parecia seguir o mesmo caminho, e eu não queria que ela se desviasse para seguir perdida, queria que tivesse um bom emprego, uma vida estável... não pude acreditar que fizeram aquilo com ela, mas percebi que... eu fui a primeira que quebrou sua determinação.

– é normal temer que os filhos se afastem, muitos pais exageram em sua forma de controlar a criança quando ela se mostra muito propensa a tanta independência, é claro que devemos incentivar a andarem com suas pernas, mas acaba sendo difícil quando isso bate com o medo de deixa-los saírem de nossos ninhos.

Mariah assentiu, suspirando.

– e agora, quem pode ser? – disse Konan quando a campainha tocou mais uma vez. E desta quem entrou foi Hinata, ela parou encarando-os surpresa mas tragou de forma calma e continuou.

– vim apenas saber se Sakura já chegou, mas pelo visto...

– quer falar com ela?

– não seria grande coisa...

– e o senhor? – indagou a empregada ainda na porta, e eles viram um homem ruivo, num sobretudo preto e pesado adentrar já o tirando, estava de calça presa e usava uma camisa vermelho escura de gola rolê e sorria de maneira presunçosa.

– vim falar com uma pessoa.

– que seria?

– Sakura Haruno, claro, ou Uchiha, bem, tanto faz.

– quem diabos é você?

– Gaara, Gaara no Sabaku.

– Sabaku? Tem haver com Temari? – Naruto disse.

– ah, sim, ela é minha irmã. – ele respondeu, com enfado.

Sasuke se recordava dele, ele era um ex cliente.

E como se já não fosse o bastante para detestá-lo, Sakura era aficionada por seus livros, passara os dias de repouso no hospital, grudada num livro que ele lhe mandou, xingando, resmungando e arregalando os olhos com incredulidade a cada página.

Ela adorava aquele cara. Mesmo que nem ela admitisse.

– o que você quer? – Sasuke disse, o que menos lhe importava agora, era ser cortês.

– eu vi o noticiário, ainda no aeroporto, Yahiko foi preso não? Nunca imaginei que ele estivesse nesse nível. – o ruivo respondeu, com um suspiro enquanto tirava as luvas e o casaco.

– você também...? – Hinata proferiu e ele deu de ombros.

– não é como se eu estivesse compromissado.

– claro.

– Sakura não está aqui, ela fugiu.- Naruto cortou.

– hã? Como assim? E o bebê?

– o levou.

– ah, por que não cogitei isso? É exatamente o que ela faria.

– você parece conhece-la bem – Mei disse – e me perdoe a hora inoportuna mas... sou sua fã!

– ah? Bom saber, então presumo que estão todos aqui para pensar numa forma de acha-la não é?

– exatamente, sou psicóloga, e Tsunade que foi obstetra de Sakura me falou do caso dela, Sakura passou por uma gravidez com muitas complicações, principalmente emocionais.

Ele assentiu, ouvindo tudo com a atenção de um profissional.

– entendi... ela nunca foi alguém que falava a torto e direito sobre si mesma, por isso me orgulho de dizer que a conheço bem, ou do contrário, nunca teria escrito os livros...

– livros? Que livros?

– não que seja exatamente um segredo, mas Evangeline de René, protagonista da série Bloody mysteries é inspirada em Sakura.

– é o que?! – a sala exclamou.

Ele apenas se sentou numa das poltronas, muito à vontade.

– sou cliente da Sakura a mais de cinco anos, quer dizer, era, nessa época eu ainda não havia decidido bem se queria ser escritor, tinha apenas uns pilots e contos avulsos, como sempre estava afim de algo novo, não vi muito problema em contratar uma prostituta, ainda mais uma que parecia mais bem educada que eu, Sakura era muito... profissional, ela conseguia ser totalmente indiferente mas ainda sim, não era como transar com uma maquina ou boneca, isso era muito complexo, e fascinante, então eu a pedi mais vezes, tentei puxar assunto mas ela nunca dizia nada, até que Yahiko a ofereceu para um fim de semana, e foi quando ela não podendo apenas sair da cama e dar o fora me ignorando, que eu consegui conversar com ela, falamos de livros, filmes e música erudita, eu comecei a reparar o jeito dela, seus modos, seu jeito de falar, e até de olhar, e foi quando finalmente encontrei um protagonista a altura da historia de mistério que eu queria tanto escrever.

– foi assim que Evangeline nasceu? – Mei proferiu, muito consternada.

– é, eu então parti para o trabalho, comecei a escrever, e sempre que precisava rever o original, pedia Sakura de novo, lancei o primeiro livro e teve mais recepção do que imaginei, mas a melhor parte de tudo foi, ela odiou Evangeline.

– que?! Como ela odiaria alguém que era praticamente ela? — Izuna indagou, descrente.

– foi aí que eu percebi que ela era mais profunda do que o que aparentava, Sakura odiou a mulher de temperamento frigido, metida a espertalhona e principalmente muito submissa ao que o destino lhe impunha, Evangeline não teve um começo na vida muito tranquilo, o marido foi um babaca, a família foi babaca, e ela teve que aguentar isso por muito tempo antes de enfim começar a resolver mistérios, mas ainda sim, esta parte do passado era seu ponto mais frágil, o que a obrigou a se encobrir com uma capa de indiferença, sarcasmo, e sedução, não confiava em ninguém e todos estavam sob sua suspeita, se fazia de dócil mas era muito maquiavélica, parecia ter alergia à ternura... mas ela apenas não a conhecia.

– eu não posso negar, ela era mais uma antagonista, mesmo que estivesse completamente do lado do bem, os métodos que usava...- Mei disse.

– ela não se importava de descer muito baixo... quando percebi isso em Sakura, achei que era indiferença e foco, com o tempo ela me mostrou que apenas se sentia alguém realmente digno de coisas assim, ela não fazia por que precisava, ela fazia porque achava que não valia muito mais que isso, e assim, Evangeline foi se desenvolvendo, e a minha “musa” a foi odiando cada vez mais, mas, algo que Sakura nunca pôde contestar, e que não poderia odiar, era a determinação de Evangeline, algo que ela nunca teve, ou que nunca pode praticar, Evangeline ia baixo, mas com uma gana invejável e inabalável, ela era...

– destemida – Mariah completou, mesmo com o pensamento longe.

– é impressão minha ou...

– sou a mãe dela.

– hã?! Assim não dá, vou acabar fazendo outro livro! Sakura tem sempre uma faceta nova mesmo.

– nós precisamos achar ela, ela saiu daqui muito transtornada, e tememos que se machuque ou machuque o bebê.- explicou Karin.

Gaara assentiu.

– tudo bem, eu sempre quis fazer algo assim mesmo...

– como?

– eu não teria baseado cinco livros em Sakura se não a conhecesse, mas principalmente se não pudesse pelo menos adivinhar o que ela poderia fazer, houve muitas lacunas na personalidade de Evangeline que eu mesmo tive que preencher, mas não foi totalmente inventado, quando você pensa numa pessoa e esta pessoa é parecida com outra, você pode passar a imaginar o que estas duas pessoas podem fazer de semelhante, Evangeline é na maior parte do tempo uma mulherzinha bem preguiçosa...

– acertou – resmungou Ino.

– as atividades dela se resumem em livros, revistas, jornais, fuçar e infernizar o chefe de policia, e dormir até tarde, se acordar antes das nove...

– vira um demônio...- Sasuke admitiu com desgosto. Inferno, ele achava que só ele conhecia esse lado dela.

– de fato, mas sobretudo Evangeline é inteligente, ela parece não funcionar bem sob pressão, e de fato na maioria das vezes é assim, ela age com indiferença e espera acabar, ou, age precipitadamente e tem uma ideia perigosa mas que dá certo.

– tipo acertar um vaso na cabeça de alguém? – meteu-se Izuna e recebeu uma coletiva olhada feia.

– ou mesmo um tiro, ela já fez isso...

– Sakura?!

– não, Evangeline.

– assim fica difícil, misturando ficção com realidade...- disse Imogen.

– você é a cara da dita cuja hein?

– hã?

– mas ainda falta aquele charme...

– oh.

– e um pouco mais de pele...

– podemos prosseguir? – Tsunade interrompeu enquanto Imogen queimava de vergonha. Izuna a fitava parecendo concordar e Ino deu-lhe um tapa bem onde fora machucado.

– tá louca?!

– foi sem querer, cale a boca.

– voltando para Sakura, ela acertou um vaso em você? – indagou para Izuna.

– foi, em cheio.

– uma atitude precipitada eu presumo, o que você fez pra ela recorrer a isso?

– huh?

– vamos lá, se não fosse uma situação extrema ela não teria recorrido a isso, ela teria chegado em você, jogado charme e te feito de pato, ela tem esse poder, e um frangote como você cairia com um coelhinho...

– mas que porra...

– diga como foi, Izuna. – Sasuke pediu.

Izuna xingou inconformado e se recostou no sofá, cruzando os braços.

– ela estava estranha desde que chegou da loja de noivas...

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– isto por que nós vimos Sasuke e ela se beijando numa cafeteria – Imogen disse. Izuna encarou o sobrinho feio.

– depois eu sou o...

– cala a boca e continua.

– ela voltou, não jogou piadinhas em mim, e foi direto pro quarto, quebrou um vaso e disse que foi sem querer, então se trancou no quarto do bebê por uma hora ou quase.

– Ryan estava bem? – disse Mei.

– estava.

– você passou bastante tempo com eles não? Mesmo quando Sasuke estava fora, trabalhando, com ela era com o bebê?

– hum? Acho que normal, quer dizer, não é com se eu soubesse como uma mãe deve tratar seu filho, mas ela estava sempre lá quando ele chorava, trocava as fraldas e ameaçava jogar em mim quando a provocava, dava banho e essas coisas, e as empregadas ajudavam, ela só o deixava quando estava alimentado e dormindo.

– e ela saía?

– não muito, e só pra ver coisas do casamento, mas depois que o Sasuke lhe deu o carro ela sempre dava uma fugidinha...

– quanto tempo ela ficava fora? – Sasuke indagou.

– só o tempo que o bebê dormia, pensando agora, ela era bem metódica com horários..

– eu lhe recomendei isso, que acostumasse o bebê a dormir e acordar pra comer em horários fixos, ficava menos cansativo – Tsunade falou.

– não serviu muito, ele acorda pelo menos três vezes de noite – Sasuke suspirou.

– porque é um recém-nascido, logo ele vai aumentar o tempo de sono e comer em horários apropriados, sem falar que, eu temia que Sakura tivesse depressão pós-parto, por isso tentei ajudar ao máximo, se ela se estressasse com o bebê, se afastaria dele, e isso seria pior.

Izuna prosseguiu.

– depois que ela saiu do quarto ficou toda quieta, mas a noite parecia normal, então de manhã depois que o Sasuke saiu, ela foi provar o vestido, e quando chegou começou a jogar roupas na mala dizendo que queria doa-las.

– mas não te pareceram muitas pra uma doação? – Gaara disse.

– sim! Ela até deu vestidos pras empregadas, em pressionei ela e ela deixou escapar que ainda era dona da casa quando ameacei ligar para o Sasuke, foi quando a fixa caiu.

– e o que você fez?

– ora, eu fui mandar as empregadas dispensarem o taxi e principalmente ligar para o...

– não, o que você fez? Você disse algo? Algo que a deixou desesperada, a ponto de quase te matar, o que foi?

– eu... eu percebi que ela ia dar o fora, e com o Ryan tá? Quando saquei eu gritei com ela, foi do momento, ela pirou quando imaginou que eu afastaria o bebê, eu disse que era um Uchiha e quando dei as costas levei a pancada e apaguei.

– mas que merda, Izuna! – Sasuke gritou.

– apenas saiu tá? Eu também fiquei nervoso, porra!

– certo, você deu a entender que por ser um Uchiha, Ryan jamais estaria com Sakura se ela fosse embora – Mei disse.

– e isto, combinado com a tal cena que ela presenciou no outro dia...- complementou Gaara – aumentou a crença dela de que se viesse a se separar dos Uchiha, perderia o bebê.

– eu jamais tomaria o bebê dela. – Sasuke suspirou.

– mas se fosse nove meses atrás o faria?

– eu corri o risco de cair num escândalo se alguém descobrisse o passado dela, mas estava disposto a formar uma família com ela, confesso que no começo tudo se resumiu a compra-la, achei que se lhe desse uma boa vida, ela não teria por que argumentar, mas ela não queria, exigia que lhe desse dinheiro para sumir com o bebê.

– ela ameaçou levar tudo a imprensa?

– não! Mas eu temi isso, antes claro, de perceber como Yahiko trabalhava, que não era apenas um agente, eu tive que compra-la, a dívida que ele a fez contrair era enorme, e ainda paguei pra ele se livrar de qualquer prova física de que ela era uma das meninas, recibos, contas, diários, fotos, tudo.

– primeiro, ela não levaria para a imprensa, seja como for que ela tenha chegado em você para te exigir o dinheiro, foi por baixo do nariz do Yahiko, li ontem alguns dos relatos de algumas das garotas, aquele bastardo batia nelas até perderem o bebê.

– eu sei...

– o que nos leva a mais um fato sobre Sakura, sobre pressão ela pode ser uma maravilha, aquela menina é inteligente, como ela provou que o filho era seu?

– trouxe recibos, cópias, até mesmo contracheques meus, e uma Xerox das folhas de um diário dele, o diário em que ele anotava os programas das garotas, como uma tabela, lá tinha a data da nossa... noite, e também mostrava que ela não teve mais clientes no período da concepção, primeiro por que esteve doente uns dias, e segundo, depois de mim, ela não foi muito solicitada, fez um exame de farmácia mas daqueles que conseguem dizer até mesmo quantos dias de gestação e quando contei por mim mesmo, tudo bateu.

– metódica... – disse Mei, impressionada.

– e tudo por baixo do nariz daquele idiota, Yahiko não é tão inteligente assim quanto pensa, ele quebra a mente daquelas meninas por meio da violência e nada mais, física, mental, sentimental, mas fora isso é um ignorante, ele tomava tudo dela, uma vez lhe ofereci um pulseira, e ela mandou eu encontrar alguém que ao menos pudesse ficar com ela, então dei pra Temari.

– que? Se ela sonhar com isso...- disse Ino.

– Yahiko tomava estes presentes, joias, roupas, perfumes caros, tudo, menos livros, ele era aquele tipo que acha que livros não tem valor, então nunca se importou muito com os que eu dava a ela, dei edições que um fã mataria pra ter, além de livros de outros caras famosos e que já bateram as botas...

– deu HQs?

– o que? Detesto aquela coisa, nunca entendi como ela gostava, parecia um moleque discutindo esses filmes e adaptações e não me fale de...

– Alan Moore? – Sasuke sorriu, pela primeira vez desde que esse pesadelo começou. Gaara revirou os olhos.

– argh, aquilo era um saco, mas prova o quanto ela tinha uma personalidade determinada mas estilhaçada por esta vida, Sakura ansiava liberdade mesmo que também se conformasse, e era por isso que odiava Evangeline, por que ela relutava em se libertar e se permitir quando tinha tantas oportunidades, Sakura não achava que as tinha.

– então depois que acertou Izuna, o que ela fez? – disse Tsunade.

– as empregadas disseram que ela desceu no térreo muito apressada com o bebê chorando muito, quando desci atrás ela, já tinha escapado de taxi. – Izuna respondeu.- pensei em segui-la de carro mas seria impossível então liguei para o Sasuke.

– e aí que fica tudo louco! – disse Naruto – ela foi na policia, foi fazer prova de vestido, praticamente usou a irmã com isca... e ainda mandou a Hinata pra um tiroteio!

– não é que não dá pra entender, é uma questão de organizar – Gaara disse – Sakura é metódica, vemos isso pela forma como cuidava do bebê e até mesmo como organiza os livros nesta estante – ele caminhou até a estante – são livros de Economia, ela não lê isso.

– não, são meus – Sasuke disse.- nunca a vi como alguém metódica, ela vivia me chamando de obsessivo por organização.

– você é – disse Karin.

– humpf.

– você provavelmente os organizaria por ordem alfabética...

– claro.

– mas eles estão em ordem alfabética, ano de edição, volumes e até mesmo cores.

– que?

– exatamente, este é um lado bem discreto, todo mundo tem aquele costume não? Que nem mesmo a gente percebe, claro que vivendo no chiqueiro do Yahiko ela abdicou de seu senso de organização e até o esqueceu um pouco, mas então a tiram de lá e lhe dão a oportunidade de fazer as coisas como quer, esta sala tem uma combinação de cores interessante também, agora voltando ao dia de ontem, vamos do começo, pelo menos alguns de vocês teve um tempo com Sakura ontem, vamos organizar esse tempo, e pôr em ordem cada coisinha que ela fez desde que acordou.

– você quer dizer, traçar uma linha cronológica com todas a atividades que ela exerceu nesse período – disse Hinata.

– exatamente, bela dama, agora, Izuna, certo? O que Sakura fez quando Sasuke saiu?

– foi para a tal prova do vestido de noiva.

– e quem esteve com ela nesse tempo?

– ela me pegou em casa – Imogen disse — de taxi, e fomos para loja, Sakura disse ontem que iriamos para Ithaca.

– o que tem em Ithaca?

– vou cursar arquitetura lá, ela queria me levar pra vermos um apartamento ou como era a república, ela não admitiria nunca que estava preocupada em me deixar numa casa de fraternidade...

– ela andou lendo demais sobre casos de abuso nessas fraternidades, não tem jeito, todo mundo acha que é como no American Pie, sexo, festas, sexo e bebida.

– e não é? No meu tempo foi... bons tempos...- O ruivo disse, satisfeito. Sasuke revirou os olhos, embora não pudesse negar que aproveitou muito as festas de fraternidade.

– ela estava preocupada com Imogen, eu sei que ela tem medo dela passar por algo semelhante ao que passou no colégio, por isso queria um apartamento num lugar seguro, e também um carro, dar-lhe toda segurança e eu não vi por que negar, mesmo que parecesse super proteção, mas ela não falou comigo que viajaria.

– pra que horas ela marcou essa viajem? – Gaara disse, se curvando e pegando um canetão no porta trecos sobre a mesinha de centro, ele seguiu até a vidraça a lado da lareira.

– ela marcou para dez e meia.

– dez e meia, que horas ela foi para a prova do vestido?

– as oito e meia por aí – Ino disse – ela estava aérea, na verdade não vinha demonstrando muito entusiasmo em alguns momentos, o vestido é perfeito e achamos que se animaria quando provasse.

– ela já estava planejando ir...- Imogen murmurou.

– oito e meia ela provou o vestido – ele disse escrevendo isto na vidraça. – espero que seja removível...

– eu também – Sasuke reclamou.

– que horas saíram da loja, pequena Imogen?

– quase nove horas...

– que horas ela chegou em casa e começou a arrumar tudo, Izuna?

– eram quase dez, caramba...

– então temos uma brecha neste intervalo – ele sublinhou o espaço vazio entre as nove e dez horas.

– Izuna me ligou por volta das dez e quinze – Sasuke disse – foi quando me avisou que ela estava fugindo.

– ela tinha fugido a cerca de quinze minutos – Izuna disse.

– o que nos leva a uma fuga efetiva no horário das dez, alguém que esteja ou não aqui, se recorda de ter falado com ela entre nove e dez horas?

Hinata cortou o silencio que se fez.

– ela me ligou...

– sim?

– eram cerca de nove e quarenta, algo assim, ela disse que se eu quisesse reconstruir meu relacionamento deveria ir onde ela me indicou.

– que era? – ele incentivou, Hinata suspirou.

– a delegacia...

– delegacia?!

– ela mandou-me falar com o delegado Harry Fords, ele me disse que já estava me esperando para eu ajudar na operação.

– operação para prender Yahiko, o que você teve de fazer?

– nada demais, eu me passei por ela, ele a estava esperando, o delegado me disse que ela ligou pra aquele homem horrível dizendo que iria encontra-lo, que estava fugindo do marido, então eu iria em seu lugar.

– então você não viu Sakura?

– não mesmo.

– mas agora fechamos nosso rombo de uma hora – ele escreveu no horário dito com a palavra “denúncia”. – não acho que seja mais necessário, mas se ligarem para o delegado ele vai dizer que Sakura esteve lá depois das nove, este tempo entre a prova do vestido e a fuga com o bebê, ela usou para ir denunciar Yahiko, falou tudo o que podia, e exigiu continuar no anonimato.

– sim, ele me disse isso – Sasuke falou. – o nome dela, o de Hinata, e o meu estão fora do inquérito.

– exatamente, agindo de forma anônima, ela não gosta de atenção excessiva, nem câmeras ou entrevistas, ela precisava sair enquanto o circo pegava fogo, e foi o que ela fez, então, bela senhorita, que horas exatamente foi a operação?

– eh? – Hinata piscou surpresa e Naruto bufou irritado – bem... cerca de dez horas.

– como eu previ, enquanto ateava fogo no Yahiko, ela pegou o bebê e deu no pé, pra onde ela foi depois das dez, pequena Imogen?

– eu não a vi, fui para o aeroporto de taxi, lá os pilotos me disseram não saberem nada sobre ela ir comigo, eu entrei e só tinha uma caixa... ela passou lá pouco antes de eu ir, cheguei as dez e vinte, o trânsito me atrasou um pouco.

– o que tinha na caixa?

– Joias – Sasuke disse – deixou-lhe as joias para que se virasse em Ithaca.

– mas ela levou a mais cara – disse Karin – uma versão ou replica de um Santine que Sasuke mandou fazer para ela usar no casamento.

– aquilo vale mais de cem milhões de dólares – Sasuke disse.

Gaara assoviou.

– ela pode fazer muito com isso, mas tenho certeza que não agora, ela vai precisar achar um lugar antes, bem longe pra vender a joia, duvido que venda por esse valor todo, mas deve dar pra viver bem, investir na educação do menino e na saúde, além de ter total discrição.

– ela levou cinquenta mil dólares do meu cofre, vinte cinco mil euros além de dez mil ienes.

– dinheiro vivo o bastante para fugir, dormir, e subornar... ela arrombou seu cofre?!

– é aí que está, foi aberto, mas eu não tenho a senha em lugar algum anotado, está na minha cabeça.

– hn... ela pegou sua agenda?

– pegou sim, roubou a página com o contato dos pilotos, foi assim que falou com eles sem eu ou meu motorista sabermos.

– então as dez e meia Imogen estava esperando a irmã para sair, mas você ia sair mesmo que algo estivesse errado, por que, Imogen?

– o-os pilotos disseram que estavam conferindo um problema mecânico e pediram para eu esperar, eu já sabia que ela não viria, mas ainda quis esperar...

– James ligou e o fez te fazerem esperar, achávamos que ela estava com você, que te deixaria em Ithaca e fugiria de outro jeito – Sasuke esclareceu.

– entendo.

– o que fizeram quando não a acharam?

– Kakashi é um detetive e trabalha para mim, quando mandei avisar a ele sobre Sakura ter sumido, ele me perguntou se eu sabia se Sakura tinha cortado contato com Yahiko, a alguns meses, ele praticamente a sequestrou e tentou coagi-la a vir pra ele.

– claro, ele não cederia Sakura mesmo que você enfiasse dinheiro na garganta dele, ele tem apego com ela, ela foi uma das primeiras garotas do negócio dele, um apego doentio, ele deve estar se mordendo de ódio por isso lá na prisão.

– Kakashi me ligou quando estávamos deixando o aeroporto, mandou ligar o radio e só falavam da operação, fomos pra lá, obviamente.

– e só encontraram você, certo? – o ruivo voltou-se para Hinata.

– é.

– agora me diga? Você viu o que Sakura queria mostrar?

Hinata encolheu os ombros, desconfortável, por fim suspirou com um olhar pesado.

– sim.

– então valeu a pena.

– acho que... sim.

– depois disso ninguém teve contato com ela? Nenhum?

– passamos o dia todo ligando, mas ela só atendeu uma vez. – falou Sai.

– o que ela disse?

– nada, não respondia...

– ela só falou comigo – Karin interpôs – disse pra eu casar com Sasuke, ela realmente acha que estamos juntos e não posso culpa-la.

– ouviu algo interessante?

– só que ela chorava...

– mas isso é interessante, Sakura chorando? Eu não tive tal privilégio – mas alguém ouviu algo mais?

– ela estava num carro, ouvi sons de trânsito, mas não sei dizer mais que isso. – o Uchiha disse.

– não ouviu nem o bebê?

– não.

– ele é muito novinho, dorme bastante – Tsunade explicou.

– a ligação foi por volta do meio dia, eu ainda a procurei em alguns hotéis, Kakashi disse que ela poderia ainda estar na cidade esperando a confusão acalmar.

– nah, ela não quer isso, ela quer que todos fiquem como baratas tontas.

– conseguiu então.

– certo temos tudo o que sabemos que ela fez entre oito e onze da manhã.

– e dali pra cá não fazemos ideia, não parece que adianta muita coisa – Izuna resmungou.

– de fato, eu esperava conseguir alguma falha dela, algo que indicasse pra onde foi, mas apurando tudo isso, tenho certeza que ela está bem longe agora, ela tem dinheiro vivo, e duvido que seja burra de pisar num aeroporto.

– ela pode pegar um navio! – disse Ino.

– não pra fora do país, não sem minha autorização assinada para levar Ryan pra fora – Sasuke lembrou.

– ela não te fez assinar nada?

– não.

– que inteligente, mesmo que você tivesse assinado sem saber, se você procurasse saber onde a licença foi usada, poderia saber que voo ela pegou.

– não fode...

– pois é, parecia uma falha, mas foi tudo perfeitamente contado.

– merda!

– mas ainda sim ela não tem como sair do país. – disse Naruto.

– olhem o tamanho deste país, pessoal, tem muito lugar onde ela poderia se enfiar com o bebê, mas Sakura sabe que você não vai sossegar até encontra-la.

– e não vou mesmo!

– então ela vai para o mais longe possível...

– cem mil na mão, e mais cem milhões na mala...

– meu palpite é que ela procurará lugares frios, ela fala italiano, e irlandês, mas é esperta e aprende rápido, aprendeu até sua senha do cofre!

– o que? – Gaara lhe sorriu ladino e Sasuke lembrou que mesmo ele ajudando, ainda não gostava dele.

– tenho certeza que você se acostumou e ter Sakura passeando ao seu redor não?

– como assim?

– vamos lá, com que frequência mexia no cofre? Você fazia isso sem que ela estivesse por perto?

– no começo sim, mas como eu disse, ela não poderia abri-lo sem arrombar, e obviamente, eu tenho um bom alarme.

– pense nas vezes sem que abriu o cofre, quando ela estava no quarto, o que ela fazia?

Sasuke esfregou o rosto, não sabia onde ele queria chegar, não queria lembrar de Sakura andando pelo quarto com aquela barriga enorme e linda quando moravam no antigo apartamento. Ele usava a mesma senha que usava no cofre que tinha ali agora... Franziu o cenho lembrando da vez que ela se pôs a revirar o armário de seu lado procurando um anel que caíra da caixa, ou quando ele mesmo ficava impaciente e tirava os ternos do armário para ter melhor visão e espaço para mexer nos documentos que guardava no cofre, dela soltando piadas sobre as roupas largadas na cama enquanto comia sorvete. Lembrava de seu olhar afiado... das voltas que dava pelo quarto enquanto brincava com Gisé e uma pena.

– não pode ser... é impossível.

– que? Que ela possa ter visto você digitar a senha por vezes os bastante para decorar?

– é impossível! Ela nunca ficou perto o suficiente, embora eu admita que as vezes dei brechas, ela ficava tagarelando pelo quarto falando com a gata ou jogando alguma piada.

– e você estava concentrado em tirar ou pôr o que precisava, senhora Haruno, Sakura era boa em que matérias na escola?

Mariah piscou surpresa e seu cenho se franziu, pensativa.

– além de ler, ela era boa com números.

– algo que ela era ruim, rostos, ela não decorava rostos, mas coloque números na frente dela e voilá, temos uma rosada com ótima memoria.

– ela dizia que não fazia questão de lembrar das caras dos clientes – Ino disse.

– eu me orgulho em dizer que sou um dos poucos que ela lembra, sou o mais irritante – ela dizia.

– isso me lembra, quando me disse que Yahiko lhe propôs voltar, ele lhe ofereceu um trabalho novo, na Suíça – Sasuke falou.

– um cargo? lembro dele ter mencionado...- Hinata comentou.

– sim, lhe propôs algo como uma gerencia, queria ela na Suíça.

– ele sabe que ela era inteligente com números, ela já foi quase uma contadora pra ele durante uns meses quando um dos idiotas ficou doente, Sakura sabe lidar com números, ela os decora fácil, foi por isso que ela decorou sua senha sem você saber, te assistia discretamente sempre que podia, falava besteiras pra te fazer concentrar mais em seu trabalho e esquecer da aproximação dela, ela te rodeou, como um gato que cerca a toca do rato.

– é uma filha da ...merda! Certo que ela teve meses pra decorar isso, mas e o resto? Tudo na porra de um único dia?!

sobrevivência, amigo, ela é uma lutadora, como Evangeline é capaz, eu já devia esperar que ela também fosse, Sakura sentiu-se ameaçada quando soube da gravidez, não, ela sentiu que o bebê era ameaçado e fez de tudo pra chegar em você, agora ela se sentiu ameaçada por você, temeu perder o bebê de novo e se virou sozinha pra dar o fora.

– então podemos descartar cumplices? – disse Naruto.

– totalmente, no fim todos foram como peças, ela mandou Imogen pra longe, mandou um belíssimo cavalo de Tróia para Yahiko, quebrou a cabeça do garoto ali, e te fez correr por essa cidade de ponta a ponta até ficar tonto, eu não descarto também que ela vá procurar alguém que lhe faça passaportes falsos e documentação para sair do país com o bebê, e vai por mim se Yahiko consegue prostituir mais de trinta garotas embaixo do nariz do FBI, e todas essas autoridades, até mesmo tirar garotas de fora do país pra cá, Sakura pode conseguir vazar daqui, a questão é: Em quanto tempo, ela pode estar longe do estado, mas onde e como encontraria um falsificador é a questão.

– você pretende chamar a policia? – Hinata indagou.

– eu não sei, ainda tinha esperanças de que ela voltasse...

– ela não vai voltar – declarou Mei, com convicção – não agora.

– o que quer dizer?

– depois de ouvir tudo isso, não foi tão difícil entender o lado de Sakura, e agora sei que tudo o que ela precisa é de tempo e esclarecimento, Sasuke você deve encontra-la, e dizer a ela a verdade e que tudo não passou de um engano ou erro, mas deve dizer isso, e deixa-la.

– como assim?

– Sakura era um bebê incrível e foi uma criança acima da média, tão autossuficiente e independente que a mãe temia que deixando-a andar com os próprios pés, ela se voltasse para um caminho ruim, limitou sua vida aos estudos, já entendi que não foi uma adolescência fácil, ela foi muito cobrada, e muito julgada, de alguma forma caiu nas mãos de um homem que simplesmente destruiu toda e qualquer liberdade que ela pudesse ter, diminuiu-a e enfiou nela um senso de inferioridade que ficou tão profundamente enraizado que só o tempo e muita paciência poderiam reverter.

– acho que sei onde quer chegar – Gaara falou, enquanto se curvava e devolvia o canetão para a mesa de centro.

– ela perdeu muita da sua auto estima, não como mulher, mas como pessoa, como ser humano, então você veio e agiu exatamente como ela estava acostumada a ser tratada, a comprou, como um objeto.

– era tudo o que eu podia fazer! Se eu fizesse um escândalo que vida nós teríamos? Estariam esfregando isto na cara dela o tempo todo, e o nosso filho?!

– Eu entendo, era necessário, mas não era o que ela precisava, ela continuou se vendo como um objeto, e mais ainda como uma barriga de aluguel, este mundo...- ela indicou a sala e em volta — não era algo que Sakura desejasse se envolver, mas ela aceitou o trato, pelo bebê e também porque ela não se sentia com forças para escapar de você, e então temos você como seu terceiro carcereiro, primeiro a mãe, então este tal Yahiko e você, você passou a estar por trás das escolhas dela, uma coisa que Tsunade me ressaltou foi esta capacidade que Sakura tinha de fingir, ela fingia que aceitava, ela fingia que queria, que precisava, por que ela achava que não tinha escolha, e é de escolhas que isso se trata, Sakura não escolheu virar prostituta, não escolheu ter um bebê, não escolheu se casar, eu sei que ela o ama, mas Sasuke, ela está tão afogada nestas correntes, que não tem como ela te amar sem primeiro aceitar que quer que te amar.

– ela precisa escolher voltar, escolher trazer o bebê de volta, escolher continuar esta família – Gaara disse.

– ou vai continuar sendo mais um papel, ela tem medo de dar e perder tudo, ela tem medo da exposição e o que há de mais expositivo que o amor? Ainda mais se ela acha que você não vai retribuir isto? Sakura se acostumou a perder tudo, ela se acostumou a ter o mundo sendo roubado dela, mas ela tem seu ponto de limite e ela o alcançou duas vezes.

– Ryan...

– Apenas Yahiko poderia mata-lo e toma-lo dela, e por mais que possam ter havido ameaças sobre vocês, ela só temia você, você é o pai do bebê, você é o magnata multibilionário, e ela era apenas uma moça sem ensino completo, sem família, e um rosto ao qual ninguém iria querer se associar, quando ela teve duvidas de que você poderia tomar-lhe o bebê, e formar outra família e ainda sabendo que o ama, Sakura não teve duvidas em te deixar, Ryan é o ponto fraco dela mas também seu gatilho, pra ela, é mais fácil amar um filho que você.

– ela bem que está certa...- resmungou Ino.

– juro que ainda te atiro pela janela. – Sasuke rosnou para ela.

– seria um desperdício...- comentou Gaara, ela corou e Sai estreitou o olhar firmando a mão na cintura da loira.

– como é?

– ah, nada demais.

– o que quero dizer é, encontre Sakura esclareça tudo com ela, não apenas a situação, seus sentimentos também e lhe dê liberdade, lhe dê escolha, lhe dê livre arbítrio, ela precisa se governar, precisa sentir-se dona de si uma vez na vida, ela deve estar confusa e inconformada por te amar porque isso a faz se sentir mais vulnerável ainda ao seu controle, ela jamais poderia fazer com você o que fez com Yahiko, o expôs para o mundo, mas mesmo se expondo para a policia ela exigiu que nada te atingisse, entende? Você já tem muito domínio sobre os sentimentos dela porque lhe fez despertar algo que ela nem mais julgava ter, você lhe deu um filho lindo e uma vida feliz, você lhe fez descobrir que era humana e mulher o bastante para amar, mas ela precisa sentir por si mesma que pode escolher estar ao seu lado, assim como escolheu entregar Yahiko.

– ela poderia ter dado o fora sem falar com Yahiko – Gaara disse – pense nisso, não foi só vingança foi justiça, e não só justiça, mas o que ela precisava, se libertar de vez do medo que tinha dele, é isso que Sakura está realmente fazendo, se livrando das correntes, se livrando dos domínios, sendo como uma pessoa normal, buscando justiça e livre arbítrio como um ser humano merece.

– “Igualdade, justiça e liberdade – ele murmurou. – são mais que palavras, são perspectivas”... – Sasuke se sentou no sofá outra vez, soltou o ar meneando a cabeça, estupefato – é como uma revolta... uma revolução... não, uma Anarquia*.

Foi então que ele percebeu, que Sakura era realmente uma heroína de capa e mascara, mas que buscava salvar a si mesma.

*Anarquia
[Do gr. anarchía.]
Substantivo feminino.
1.Falta de governo ou de outra autoridade capaz de manter o equilíbrio da estrutura política, social, econômica, etc.
2.Confusão ou desordem gerada por essa situação.
3.Negação do princípio da autoridade.
4.Estrutura social em que não se exerce qualquer forma de coação sobre o indivíduo.
5.P. ext. Ausência de comando ou de regras em qualquer esfera de atividade ou organização.

“...Me mostre como se faz...”

Notas finais
Roupa da fugitiva caso alguém tenha visto :v : http://i.imgur.com/6EQkc1z.jpg?1