Undisclosed Desires

19 Undisclosed Desires. Fulfilled Desires. Freed Desires.


Notas iniciais
Cara, sinceramente não sei o que dizer. É o fim e eu to chorando feito uma garotinha, é tanto drama que eu to quase me batendo e me mandando ser macho! Mas é isso, só quero agradecer aos mais de duzentos e cinquenta acompanhamentos e quase cinquenta favoritos, além das sete recomendações lindas e carinhosas que recebi até aqui mesmo antes de postar o ultimo cap, obrigado mesmo Alanisfics, NiaraUchiha e Misaki Uchiha q recomendaram nessa ultima semana. Aiii! Chega de frescura, vão ler. Amo vcs ♥

Islândia, Reykjavík, meia noite e trinta.

E era como se fosse dia.

Sasuke nunca achou que um fuso poderia balança-lo tanto, fizera escala em Amsterdã, e pegara mais de dez horas de voo.

Como se já não bastasse todas aquelas horas, fora parar num país insular cuja época do ano em que estava fornecia cerca de vinte horas de luz solar. Isso com certeza não era bom pra ele.

Ainda sim, dez graus era um verão que ele jamais se acostumaria. Preferia mil vezes o sol quente da Califórnia, férias numa praia paradisíaca, ali sentia-se a ponto de congelar e por isso afundou as mãos nos bolsos do casaco que usava, as pessoas o fitavam com certa estranheza, num país de maioria loira e tão branca quanto ele, seus cabelos chamavam atenção e principalmente o fato de se comportar como se estivesse enfrentando uma nevasca.

“- Se acha frio, não vai querer estar aqui no inverno”, dissera a recepcionista do hotel, e então se oferecera para ajuda-lo a se aquecer.

Ela tinha muita disposição para fazer a estadia dele no pequeno hotel o mais confortável e agradável possível. Falava inglês fluentemente o que era bom, porque aprender uma língua como a Islandesa era um desafio que ele não queria enfrentar.

Sentindo o celular num dos bolsos, ele lembrou que ainda tinha os fones em volta do pescoço e continuou caminhando agora ouvindo musica e até cantarolando. Embora com todos os desafios que a viajem lhe trouxe, como o cansaço e transtornos no trabalho, ele nunca se sentira mais leve.

Passara os últimos dois meses como um cão rastreador, procurando pessoas, pagando pessoas, buscando evidencias e tudo para no fim a melhor pistar estar servindo de cama de sol para Gisé.

Ela fora realmente a melhor coisa que Sakura poderia ter lhe deixado. Sentira tanta falta da dona quanto ele, e os dois se aproximaram ainda mais naquele mês, meio que consolando um ao outro.

Era melhor do que ficar bebendo e trabalhando até tarde, Naruto dizia que ele estava virando uma versão da velha cheia de gatos, ainda mais quando o vira cogitar arranjar outro felino, para ser companhia de Gisé.

Enquanto os dois discutiam, Gisé rolava sobre uma revista velha largada no banco do jardim de Sakura, ele já havia reparado que a revista estava sempre ali, e deixara passar justamente pela gata sempre deitar nela. Mas com Naruto falando besteiras ao pé de seu ouvido, ele preferiu ir bisbilhotar a bichana, notou que a revista estava aquecida, sob o sol e percebeu que Gisé deitava nela justamente por isso, ela gostava de banhos de sol, e o papel aquecia mais e mais rápido que a madeira do banco, sentou com ela no colo e se pôs a folhear a revista.

Era uma revista simples destas de mulher, mas ainda sentiu falta da outra gata por isso.

“ – agora tá lendo revista de mulher, meu deus” Naruto resmungara, e antes que atirasse a edição em sua fuça, Gisé dera uma patada na revista o fazendo derruba-la e se esfregando no braço dele, exigindo atenção. Ela adquirira esse bendito habito, saltava sobre qualquer mesa em que ele ou uma visita estivessem, e atrapalhava qualquer atividade para se esfregar querendo afagos.

Sasuke acariciara sua cabeça, cansado aquele dia, e então encarou a revista, largada aberta e virada para baixo, pegou-a e quando encarou a parte em que ficara aberta, deu com uma matéria.

“Dez destinos para quem ama a natureza, goste de climas frios e aprecie a beleza das coisas simples, além de, uma recordação para a vida”.

Haviam dez países que tinham em comum singularidades naturais e culturais, para quem gostava de passear e conhecer a cultura, e não quem apreciava encher as malas de compras e lugares muito movimentados. Normalmente ele teria ignorado, se pelo menos cinco desses lugares não estivessem sublinhados.

No canto havia uma anotação com a rebuscada e preguiçosa letra de Sakura com o dizer: “talvez”.

Talvez...

No segundo seguinte ele estava pagando pra ter qualquer pista de uma mulher e um bebê chegando num destes países, levou mais de uma semana e ele nunca foi tão agradecido por ser tão rico.

Ela entrara no país com nome falso, e até peruca, mas ele reconheceria seu andado de gata em qualquer lugar, ainda mais empurrando um carrinho de bebê.

Sakura estivera na Romênia, inicialmente, passara quase uma semana em Bucareste, depois fora para Amsterdã e então, estava na Islândia, e parecia que ficaria por lá, ainda não tinha vendido o colar mas se mantinha bem com o dinheiro que conseguira juntar roubando de uma das casas de prostituição de Yahiko.

Deus, ela fora até lá, se passara por alguém enviada por ele e conseguira tomar quase um milhão de euros de seus cofres. Aproveitando que o ruivo estava incomunicável na prisão e usando obviamente muitos fatos que conhecia dele para convencer os caras que gerenciavam o lugar, então, com uma mala cheia de dinheiro, joias e números de contas ela os havia mandado se prepararem para sair dali antes que a policia batesse e disse que mandaria seu pessoal ajuda-los. E o pessoal que veio, era a policia internacional e a de Bucareste.

Enquanto a policia derrubava o local, ela limpava as contas e ia embora de novo. E desta vez ela poderia sumir de verdade.

“Eu sei que você sofreu

Mas eu não quero que você esconda

É frio e sem amor

Eu não vou deixar que você seja negada

Ele não reconhecia a música em seus fones, mas quando se viu murmurando a letra, lembrou que fazia um bom tempo que não ouvia suas próprias músicas e não reconhecia nenhuma outra da playlist se não fosse do ACDC.

Era estranho ver casinhas tão simples praticamente no centro da cidade, mas Reykjavík era simples assim, e descer uma rua vendo o mar ao fundo e casas coloridas era uma visão ótima também.

...Calmamente

Eu vou fazer você se sentir pura

Confie em mim

Você pode ter certeza...”

Ele percebeu aos poucos que não era difícil percorrer a capital a pé e talvez por isso não houvessem tantos carros.

Até parar, na esquina de uma rua. Já não conseguia mais saber onde ir, tinha o endereço e a recepcionista lhe indicara onde ir, mas se perdera.

Felizmente, não foi difícil conseguir informação, mesmo que em inglês.

Seus pés pararam diante de um prédio de três andares, branco e com uma varanda no último andar, o segundo tinha quatro janelas, e no primeiro, duas vidraças e portas.

Sasuke entrou deparando-se com a recepção cálida daquele pequeno conjunto de apartamentos.

“...Eu quero reconciliar a violência no seu coração

Eu quero reconhecer que a sua beleza não é só uma máscara

Eu quero exorcizar os demônios do seu passado

Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração...”

A mulher que ele procurava, estava registrada num nome russo, Natasha Candidov, era engraçado que mesmo o nome falso soasse sensual e combinasse com ela.

“...Você engana seus amores

Dizendo que é cruel e divina

Você pode ser uma pecadora

Mas sua inocência é minha...”

Foi gentilmente direcionado para um dos apartamentos, e embora tivesse ofegado ao ver a porta se abrir, deparou-se com uma moça nova e de cabelos bem claros presos num coque.

– você fala inglês? – ela assentiu, sorridente – vim falar com sua patroa, ela está?

– sim, por favor entre.

Ele não gostou de ter tido permissão tão rápido, ela nem lhe indagara o nome. Isso passou uma vulnerabilidade angustiante. Mas já lera que o país era bem tranquilo quanto as taxas de criminalidade.

– eu sou Kristeva, a babá.

– babá... então o bebê está aqui.

– sim, sim.

Ele a seguiu pela sala, não muito grande mas decorada com elegância em estilo escandinavo. O piso era parquet, além da sala, havia uma cozinha, um banheiro e mais dois quartos.

Uma das portas estava entreaberta e ele ouviu o som uma música infantil. Parou na porta entreaberta e visualizou a cama king-size, onde havia uma espécie de cesto branco com um mini lustre de brinquedo onde giravam aviões, carrinhos e navios com luzes coloridas leves e de onde vinha a música de ninar enquanto pequenos pés dentro de uma calça azul se debatiam vez ou outra.

E numa das janelas pode ver mulher em frente, percebeu que o apartamento era dono da sacada, e ela estava perto da porta que lhe que dava acesso. O vestido era cinza escuro dois palmos de cumprimento e gola rolê, mangas longas, justas, e meias pretas cobriam completamente as pernas.

O cabelo estava mais curto, pouco abaixo do pescoço e um pouco repicado.

Sasuke entrou fechando a porta e se aproximou da cama, quando encarou a criança ele percebeu que passaram-se dois meses, seu filho estava maior, completamente ativo tentando tocar os brinquedos girando acima de sua cabeça. Quando o percebeu, ele o encarou com um sorriso sem dentes, e olhos bem abertos, extremamente verdes, e do gorro que usava lisos e abundantes fios negros escapavam da peça que já escorregava de sua cabeça por tanto se movimentar.

Ele não resistiu, não havia como deixar em segundo plano de qualquer forma. Queria falar com Sakura primeiro antes de ver seu menino, resolver as coisas, mas pegou o garoto, quase querendo chorar de vê-lo tão mais pesado e balbuciando sons que pareciam deliciosas risadas. Sasuke o abraçou e beijou sua cabeça negra e perfumada, apertou seu corpo quente e macio e tentou não soluçar. Respirou fundo e o devolveu ao cesto.

Então voltou-se para ela.

...Eu quero reconciliar a violência no seu coração

Eu quero reconhecer a sua beleza, não só uma máscara

Eu quero exorcizar os demônios do seu passado

Eu quero satisfazer os desejos secretos do seu coração...”

Puxou os fones dos ouvidos e se aproximou, parando quando ouviu sua voz baixa.

– você anda como um turista perdido, qualquer um te reconheceria a quilômetros.

– deve ser o costume, acho que não sei brincar de Bond tanto assim.

Ela soltou uma risada anasalada continuando a ter os braços bem cruzados.

– eu poderia ter saído pelos fundos, você sabe...- Sasuke parou as suas costas e segurou seus braços, muito bruscamente, a fazendo arfar amedrontada. Ele apoiou a testa em sua cabeça e aspirou seu perfume.

– porque não saiu?

Sakura deu de ombros.

– acho que estou cansada... ou conformada... eu te subestimei.

– não, eu que te subestimei, subestimei sua capacidade, suas necessidades, e eu fiz pouco por elas.

– porque está aqui? Porque não está gritando? É pra me assustar mais? Eu sei o que eu fiz e você sabe o que eu fiz, acabou.

– Sakura, não precisa ser o fim, mas um novo começo.

– mas eu não quero...- ela pediu, e Sasuke a puxou virando-a e encarando-a, segurou seu rosto cansado e limpo.

– eu sei que não quer, amor, pelo menos não agora, mas por favor, pense nisso, pense na gente, eu não quero me afastar de você, eu não quero perder você ou Ryan, e definitivamente não quero outra família além da nossa.

– mas você... você estava... com... estava – ele segurou seu rosto mais firme tentando encara-la. Ela estava tão frágil e transtornada, que sabendo que não se viam a dois meses o fez remoer de remorso em imaginar como ela estava quando foi embora.

– eu sei o que você viu, e amor, eu não posso negar, e eu não contei porque não queria mais nada abalando nossa relação, aquilo foi um erro, que nunca mais vai se repetir, mas que ainda sim acabou sendo um pouco necessário... Sakura, eu não posso dizer quando ou mesmo como, pode ter sido depois que Ryan nasceu, ou mesmo na nossa primeira noite juntos porque fiquei lembrando de você por mais dias que o normal, o que eu sei é... porra, eu amo você, eu quero você, eu preciso de você.

Sasuke a deixou se soltar, se ele próprio estava tonto com aquilo, não poderia culpa-la. Sakura caminhou até o lado da cama, inquieta e assustada.

– você só quer que eu volte...- acusou.

– claro que quero, eu amo você, certo? É normal te querer por perto, não? Na verdade estou menos acostumado com a ideia do que uma pessoa normal – Sasuke se virou encarando suas costas – e talvez menos que você.

Viu quando ela ficou rígida, tensa, e o fitou de lado, com aqueles olhos cheios de água e desconfiança.

– não sei do que está falando.

– não vem com essa, você me ama, por isso foi embora.

– fui embora porque não queria perder meu filho!

Foi quase um instinto, na verdade já tinha se tornado um, e ele olhou furtivamente ao redor procurando algum vaso que ela pudesse lhe lançar ou qualquer coisa perigosa. Ele conseguira viver quase um ano com ela sem ser pego, e viu o que ela fez em Izuna. Não seria uma boa perder a “invencibilidade” logo nesta altura do campeonato.

Felizmente, não havia nada, a decoração era simplista e não oferecia bibelôs sobre os moveis, mas Sakura ainda estava completamente na defensiva. Ele esperava que fosse assim, compreendia que ela não estava pronta para aceitar os sentimentos dele, muito menos os próprios. Ele tivera tempo para se adaptar e se perguntar porque não percebera aquilo logo, mas ela continuara pensando o mesmo que a levou a fugir.

Ele pode amadurecer a ideia, ela não.

Ela precisava de mais tempo e era isso que o corroía.

Sasuke suspirou, se aproximando o mais suavemente possível, e vendo aqueles olhos verdes o fitarem receosos. Naquele momento ele viu que Sakura não estava com medo que se aproximasse de seu corpo físico, mas da muralha emocional que tinha em volta de si.

Pousou as mãos em seus pulsos e massageou, subindo pelos braços sem qualquer pressa, encarando-a fixamente, tentando acalma-la e faze-la ver, que não podia afasta-lo de seus muros, pois ele já estava dentro deles.

– eu te amo – reafirmou, com uma mão em seu ombro e a outra, roçando seu queixo – é por isso que vou esperar o tempo que quiser.

Ela piscou, desentendida e atordoada.

– que...?

Sasuke inspirou seu perfume.

– eu não vim aqui, pra te arrastar de volta, mesmo que eu queira, nem pra te tomar nosso filho, mas tínhamos que conversar, você precisava saber que é a única pra mim a partir de agora, e que eu sou o único pra você, e se acostumar, eu não quero te forçar a nada, e eu sei que foi tudo o que fiz, Sakura, eu não quero mais que fique comigo, que por que deve, porque tem, porque é obrigada, amor, eu não posso te obrigar e você já me mostrou isso, aliás, parabéns, estou orgulhoso, embora ainda doa no meu ego, um pouco...

– eu só fiz pelo Ryan...- ela sussurrou, muito confusa ainda.

– eu sei, eu também te amo por isso, isso me fez mais feliz por você ser a mãe dele, nenhum de nós escolheu, mas você fez valer a pena pra mim.- Sasuke ergueu seu queixo – eu quero fazer valer a pena pra você.

Então beijou-a, apenas um toque cálido dos lábios, mas que afirmou o que queria declarar e sua proposta de espera-la. Envolveu Sakura num abraço, e beijou sua cabeça.

– fico feliz que estejam seguros, isso me deixou completamente louco, aquela casa é uma droga sem você, Sakura, uma droga, mas eu aguento o que for pra esperar você, certo?

– certo...?

Sasuke a soltou beijando sua boca rapidamente.

– não vou demorar, prometo.

Então voltou-se para a cama e se sentou, sorrindo, enquanto se livrava do casaco e pegava o menino no colo erguendo-o e sorrindo para ele tal com ele fazia.

– meu garoto, você está enorme! Ah, e esta boca grande? Isto é um sorriso? Que banguela mais charmoso você é.

Sakura se sentou na beira da cama, ainda arisca e receosa com ele, como a gata que era, observando-os atentamente sem se manifestar, mas ela estava mais perdida ainda. E mesmo fazendo o possível para esclarecer, ele sabia que agora ela estava ainda mais confusa, então aproveitou o máximo de tempo com o menino, e com o cheiro dela ao redor.

Ryan parecia, tão vivaz e alegre, rindo para ele, e Sasuke se perguntou se o sentia como alguém próximo ou como um estranho que lhe agradava. A pior parte realmente era ficar longe dele, afinal, sabia que não poderia sequer convencer Sakura a voltar para casa mesmo que ele próprio saísse e morasse noutro apartamento enquanto ela pensava melhor. Ela recuaria se sentindo manipulada e coagida.

Para dar tempo a ela, teria que dar tempo a Ryan também, e era uma droga, quando voltaria a vê-lo de novo? Foram só dois meses e o menino parecia outro. Mas tão seu, tão dela, tão deles.

– ele tem seus olhos, amor – disse, rindo. Embora a íris do menino fosse um verde mais escuro, o formato dos olhos era como o dela também.

– sim... tem...- ela murmurou, alheia a tudo e ainda inquieta.

Sasuke mau conseguia segura-lo direito no colo de tanto que se movia e debatia as pernas.

– que cara forte, não para quieto não, hein? Você quer o que, huh?

– ele parece uma pilha às vezes – Sakura comentou, por alto – parece você quando pega um daqueles carros...

– é? temos um futuro amante da adrenalina aqui? Que demais!

– hn...

Sasuke rolou na cama com as costas contra o colchão e ergueu o menino acima de si, vendo-o rir arregalando aquela boca vermelha e soltar gargalhadas quase ofegantes, era o som mais gostoso que ouvira na vida a visão mais linda vê-lo contorcer o rosto de tanta e tão pueril alegria.

Ele foi o maior golpe que a vida poderia lhe dar, o jogou no chão diversas vezes, mas o fez levantar sempre mais forte, expandiu seu mundo e sua mente, e o fez mudar, e continuaria o fazendo mudar pra melhor.

– eu amo você – afirmou, convicto e se sentou trazendo-o para o peito – meu moleque, eu amo você, certo?

Brincou com ele até que dormisse exausto, o que Sakura até reclamou, embora ela admitisse que não conseguia acompanhar o menino com tanta disposição.

Ela gostava mais de quando ele dormia bastante e podia andar pra todo lado com ele no colo, já Sasuke queria que crescesse mais ainda para brincar com ele.

Então ele os deixou, quando voltou ao hotel era oficialmente dia (pelo menos na concepção dele) e preferiu fechar logo a conta e partir ou não conseguiria se abster de voltar lá.

Mas pelo menos quando o avião pousava em solo americano ele se sentia mais leve, sem qualquer culpa e apenas corroído de saudades.

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– até amanhã, senhora Candidov.

– até amanhã.

A mocinha saiu, sempre sorridente, e Sakura suspirou, desfazendo o próprio, seguiu até a cozinha e pegou um copo de água.

Antes de levar a água à boca, ouviu uma risada cristalina e dengosa e não pode evitar sorrir com ela. Era impossível, ela não conseguia evitar.

Mas quando relanceou o olhar de volta para a sala, encarou o tapete felpudo repleto de brinquedos, e a criança perto da mesa de centro, ela se viu empalidecendo, e deixando o copo se chocar contra o piso.

Porém, Ryan não entendia seu choque e estava alegre e sapeca com sua nova conquista e apenas riu para ela, não só chamando-a com as mãos rechonchudas, mas indo até ela.

Foi quando Sakura percebeu, que não podia mais ignorar o que tanto queria. Nem negar a Ryan.

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– eu odeio quando isso acontece – Sasuke murmurou, irritado e sem disposição para voltar para casa.

Havia esquecido vários documentos para uma reunião e o trânsito estava especialmente uma droga aquele dia.

Era Setembro, e lembrar disso o deprimia, lembrar disso e voltar pra casa era pior.

Subiu e entrou no apartamento com pressa e xingando alto, ao cruzar a sala e chegar ao corredor, ele ouviu uma risada infantil e meneou a cabeça julgando que estava meio doido. E muito afetado pela visita que tivera a uma semana, de seu tio Obito. Um homem que nem parecia o mesmo enquanto segurava sua criança nos braços. Era uma menininha e tinha nascido apenas a duas semanas. Mas o fez o lembrar de quando seu filho nasceu, e que aqueles dias que seguiram depois, foram os melhores.

Ouviu outra risada e o miado de Gisé e por isso parou e olhou para o centro da sala.

Haviam malas ali, e encarou em choque uma cabeleira negra e a cauda de Gisé. Sasuke soltou a maleta e caminhou até lá, contornando o sofá e vendo um menininho usando pijama branco e se apoiando na mesa de centro. Os olhos verdes muito espertos focados na gata que se esfregava a todo momento em suas pernas, tanto que uma hora chegou a faze-lo perder o equilíbrio e derruba-lo sentado. Gisé aproveitou e empurrou o corpo contra o dele, roçando a cabeça em sua bochecha corada ele agarrou sua cauda e puxou rindo.

– meu deus...

A atenção dos dois foi para ele, o menino sorriu e jogou corpo para frente, apoiando as mãos no solo e voltando a tentar se erguer mesmo com as investidas da bichana. Elas somente o faziam gargalhar mais.

Sasuke se curvou muito incerto de que o que via era real. E então quase perdeu as forças nos joelhos quando viu o menino dar um impulso do solo e erguer tronco.

– meu deus, você não.... você está aqui, meu garoto, você está aqui e está andando?

Ryan trepidou nas pernas gordas, arrastou um dos pés para frente.

– você está vindo? Você vem? Vem querido, meu deus, você está mesmo andando?

Ele só tinha nove meses, achou que só veria tal cena quando estivesse com cerca de um ano, não podia crer nisso mas estendeu os braços para ele, Ryan sorria de maneira que suas bochechas pareciam ainda maiores, os olhos afiados e espertalhões lhe faziam parecer um gatinho malandro.

Gisé se esfregou nas pernas dele o fazendo trepidar, mas antes que Sasuke tentasse segura-lo o viu se apoiar na mesinha e ficou de boca aberta. Então riu, riu e chorou, e isso fez o menino gargalhar e dizer algo em sua intraduzível língua de bebê. E continuar a caminhar em sua direção.

Ele logo não teve mais o apoio da mesa mas continuou sempre o encarando, e Sasuke sabia que ele não pararia enquanto não o encontrasse e nunca se sentiu tão afortunado quando pode abraça-lo.

– meu garotão! Você é incrível! Lindo, você é lindo – ele se levantou com ele os braços, apertando-o e achando a coisa mais macia do mundo, quando o encheu de beijos o menino riu até ficar vermelho. Sasuke olhou em volta não vendo nem as empregadas ali.

Caminhou para os quartos com ele nos braços e Gisé o seguindo, como vinha sendo sua única companhia, ela sempre ficava em seu encalço quando estava em casa, ou talvez estivesse tão pouco afim de se afastar de Ryan quanto ele.

– onde está sua mãe hã? Ela te deixou e foi passear? Onde está a mamãe? Não sabe? Está vendo? Esse é o seu quarto. – mostrou, o menino observava tudo curioso mas todo risonho e puxando sua gravata, Sasuke logo a tirou e lhe deu, deixando-o brincar com ela enquanto explorava o resto da casa.

Seguiu por fim, até o jardim do terraço e foi lá que a encontrou, parada perto das rosas que continuavam bem cuidadas.

Sakura se voltou para ele, logo ouvindo a voz do menino que se inclinou para a frente estendo as mãos para ela.

– você já acordou?

– ele estava andando na sala.

Sakura parou de andar em sua direção, dando-se conta de que era ele que estava ali.

Ela usava um vestido vermelho de seda e sem alças o decote fazia um V, e o cumprimento era na canela, porém sensual mesmo assim.

– você voltou – ele disse o óbvio.

– eu...

– você pensou? Você decidiu? – indagou se aproximando dela, Sakura encolheu os ombros desconcertada, e Ryan fez manha, querendo colo, ela o pegou e sorriu, mas ele viu que ela queria chorar de novo.

– me desculpe.

– Sakura...Pelo amor de deus...

Não.

Ele queria implorar e iria, se fosse preciso, e ela soluçou.

– me desculpe, eu não queria ter demorado tanto, juro, o tempo foi passando, as coisas foram ficando tão confortáveis, mesmo que pensasse em você, e quisesse voltar, acabava sendo um pouco assustador, e acho que me acomodei daquela forma.

– Sakura, o que você quer dizer?

– olhe pra ele, está enorme, meu deus, como eu não vi isso? Como pode ter passado tanto tempo? Ele estava andando, nunca imaginei que andaria tão cedo, então eu vi que passou tanto tempo... ele está crescendo, e eu estava fazendo você perder isso, me desculpe, me desculpe.

Sasuke não podia negar que ela estava certa, que uma parte dele se ressentia por ela não ter vindo atrás dele quando fora lá, e que essa mesma parte estava magoada porque tinha ideia de que o filho deles estava crescendo longe de seus olhos, a mesma que temia também que ela encontrasse sentido na vida que conseguiu com aquele nome falso, que encontrasse algo e alguém verdadeiro nela.

Mas isso tudo simplesmente evaporou agora, mesmo que tivesse consciência que aqueles não foram os primeiros passos de Ryan, e que não estava lá para espera-lo antes. Isso não importou porque Ryan não se importara de vir para ele, e o fez com valentia e audácia.

Nada mais importava, só precisava da resposta dela. Era isso que estivera realmente ansiando.

Se aproximou abraçando-a, Ryan puxou seu terno e lhe ofereceu a gravata, pra ele e depois para Sakura, aquele tecido parecia lhe interessar muito e ele teve certeza que o menino não se recordava de nenhum, nem vira porque não houve qualquer presença masculina com ele naquele tempo e país.

– tudo bem, não estou zangado, você o trouxe, eu o vi andar e foi a coisa mais linda que já vi na vida, vocês estão aqui, mas Sakura, eu preciso saber, você vai ficar aqui?

Sakura fungou e pegou a gravata do menino, usando para limpar os cantos dos olhos e bufando.

– seu babaca, acha que eu daria outra volta ao mundo se não fosse pra isso? Faz ideia do quanto é cansati-...

Ele a beijou, e ela retribuiu aquele mesmo beijo que só ela sabia dar.

Ryan sorriu e Sakura se afastou, corando constrangida.

– pa-pare com isso, vai corromper o menino!

Sasuke puxou sua cintura com firmeza encarando-a malicioso.

– não é nada que ele não vá saber daqui a alguns anos.- então beijou-a de novo.

– eu te amo – ela enfim admitiu.

– eu sei, eu também, agora vamos ter tudo o que sempre desejamos, aliás, nós já temos, amor.

– sim, obrigada por me deixar escolher, eu não achei que precisasse tanto disso...

– eu que agradeço, por ter me escolhido.

– hn. Vamos pra dentro? Ele precisa dormir, embora não pareça.

Sasuke sorriu e conduziu-a abraçando sua cintura e com o menino no outro braço, bocejando.

Enquanto caminhavam sem muita pressa, de volta para a casa, Sasuke foi contando o que de interessante ocorrera enquanto ela esteve fora.

Ino aceitou o pedido de casamento de seu amado branquelo. E era a noiva mais neurótica que já existiu.

Temari largou o ciúmes de lado quando finalmente viu que Konan realmente não tinha interesse em seu homem. Infelizmente, Sasuke fora quem confirmara em primeira mão quando a pegou praticamente estuprando seu motorista... Sakura adorou esfregar na cara dele que estava certa sobre o fetiche da amiga.

Naruto e Hinata estavam reconstruindo seu relacionamento aos poucos, mas a nova Hinata, ou a verdadeira, que seu amigo estava encarando, não era nada fácil. Ela se mostrava voraz e independente de qualquer aprovação dele, e enquanto estavam apenas como amigos, não dispensava sair com outros homens. Recentemente evoluíram para transa sem compromisso, mas Naruto não estava muito satisfeito, a tinha de volta na cama, mas ela permaneceu tendo outros na dela...

Karin encontrara dois novos amores, o primeiro, foram as viagens pelo mundo, conhecendo novas culturas, novos ambientes, novas pessoas. O segundo, era o cara que a acompanhava nessas aventuras.

E ele, começou a deixar uma abertura, uma pequena brecha para uma reaproximação com sua própria família. Sasuke estava realmente tentando deixar o passado de lado e construir o uma relação com o irmão e mãe, embora não pudesse negar, que com Mikoto era mais difícil. Ela estava se esforçando e ele percebeu que suas defesas contra ela eram mais rígidas do que imaginava.

Mas a parte que com certeza foi mais difícil falar foi... Que Izuna e Imogen estavam namorando.

Levara meia hora pra convencer Sakura de que as intenções do tio não eram estritamente sexuais. Que ele nem a tocara, que a maior parte do relacionamento deles se resumia a conversas pela internet, afinal ele estava em Nova York e ela em Ithaca cursando com afinco e dedicação a faculdade. E que só se viam nos feriados.

Ele não podia negar que ficara de olho no garoto, mas aos poucos percebeu que Imogen sabia leva-lo no bico muito bem, ela era muito mais durona do que Sakura e não permitira muita intimidade, além de que, ela ainda tinha uma mãe nada dócil. Mariah estava sempre monitorando-os mas, isso não impediu Sakura de por o bebê no cercado e apontar um vaso para Sasuke. E ele sabia, Izuna não teria problemas maiores com a sogra e nem para avançar no namoro com Imogen.

O inferno ele iria verdadeiramente enfrentar quando Sakura ficasse a par de tudo.

E Sasuke estava tendo uma prova dele antes do rapaz chegar. Izuna tinha um quarto na fraternidade, mas como os colegas eram arruaceiros demais ele praticamente não conseguia dormir lá, era período e provas e não querendo ser minimamente perturbado ele vinha dormir no apartamento calmo e silencioso do sobrinho.

Chegou com uma baita cara de sono o que Sakura viu como claro sinal de que estava fanfarrando ate tarde.

E Sasuke quase viu em primeira mão como ela acertara um vaso no garoto. Izuna corria dela, virando um alvo fácil e Sasuke sabia que pra desviar tinha que ficar e encara-la, manter distancia segura e observar cada movimento dela. O vaso acertou a parede e Izuna se trancou no quarto, aterrorizado.

Sasuke só a fez parar quando ela ia com um martelo de moer carne para quebrar a tranca.

– me solta! Eu vou acabar com a cara desse Dom Juanzinho de merda!

– chega, amor, Izuna já sofre o bastante com sua mãe e Imogen tem ele na palma da mão.

– porra nenhuma! Como você deixa isso?! Eu devia acertar você!

Sasuke tomou-lhe o martelo e a jogou nas costas.

– me solta! Me solta! Sasuke?!

Ele olhou para trás vendo as empregadas observarem, uma com Ryan no colo.

– cuidem dele, certo?- elas assentiram mais que satisfeitas e seguiram para o quarto dele. Já o Uchiha caminhou rumo ao próprio aposento.

– tira ela daqui pelo amor de deus! – Izuna ainda gritava.

– vai dormir garoto! – ele respondeu, rindo.

– não dorme não! Se dormir é pior pra você! – ela ameaçou – fique de olhos abertos e mantenha essa calça fechada perto da minha irmãzinha!

Sasuke bateu a porta do quarto e caminhou até a cama.

– Sasuke me põe no chão!

– não tão cedo amor, vem aqui, eu quero amar você.

Largou-a na cama e ela o puxou pelo terno.

–então ame, ame com tudo que você tem.

– é isso que quer?

– é tudo que eu quero.

– então eu vou te amar.

Ele se curvou e ela, de repente pensativa, parou seu beijo.

– o que foi?

– nós vamos casar ainda né?

– claro, e por mim seria semana que vem.

– ótimo que tal fazermos assim? Sexo apenas depois do casamento?

Sasuke riu ante a piada, mas os olhos dela brilhavam muito alegres com a ideia.

Bufou e puxou o decote do vestido de seda, rasgando-o e expondo seus leitosos seios.

– nós já temos um filho – disse, e puxou a seda, rasgando na altura de seu ventre – já transamos até ficar de pernas bambas – rosnou quando rasgou na altura do quadril e teve a visão de sua calcinha também vermelha, arfou e encarou seu olhar felino e sensual antes de rasgar a última porção que ainda envolvia as pernas, arqueou a sobrancelha para ela – e já somos casados, querida – e rasgou o resto. Sakura envolveu seu quadril com as pernas e ele avançou em seu pescoço.

– oh, e não é que tem razão?

– completamente, e você vai me dar sexo quente e selvagem exatamente como combina comigo.

– hum, vou dar algo melhor...

– que seria?

amor quente e selvagem.

– muito melhor, eu realmente te amo.

– eu também.

– ô seus tarados?! Parem de safadeza, o bebê tá com fome! – gritou Izuna do outro lado.

– diga que ele come papinha – Sasuke suplicou, encarando-a. Ela deixou a cabeça cair em derrota, contra o colchão.

– ele só come papinha mais tarde...e ele ainda mama.

– venham logo seus safados!

Sasuke se levantou e foi para a porta fazendo questão de levar o martelo de moer carne.

– amor, cuide do bebê, eu me livro do moleque.

– obrigado amor.

– de nada, Izuna, deixa eu ver o quanto essa sua cabeça é resistente...

– é o que?! Ih, qual foi! Essa família deu pra ter psicopata agora?! Tem um bebê aqui quer dar esse tipo de exemplo?!

– venha aqui garoto, te ajudo a se livrar da Sakura, ela não vai partir dessa pra melhor tão cedo.

– sai fora!

Sakura riu, rolando no colchão a apreciando o cheiro do marido, e para seu maior deleite, o cheiro de casa.

Ryan chorou de algum ponto da casa, e ela suspirou, derrotada, e pegando um roupão.

– to indo mo ghrá – o pegou no colo e sentou na poltrona da sala, ainda ouvindo Sasuke perseguir o tio. E as empregadas se descabelarem nervosas. Ela suspirou alegremente e beijou a testa do menino — bhfuil muid i ár bhaile*... E essa é a nossa teaghlach* finalmente.

Fim.

bhfuil muid i ár bhaile*= Estamos em casa.

Teaghlach* = Família.

Notas finais
Porque toda familia é uma familia, desde que aja amor
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