Underwater Love
1 Prólogo
Notas iniciais
Talvez algum dia eu escreva uma lista de razões pelas quais você não deve vir para o colégio interno Knowledge, e não poderei me esquecer de incluir que a comida daqui causa câncer no paladar.
Eu estava sentado em uma das mesas vazias do refeitório, olhando desgostosamente para a comida e desenvolvendo um tipo de estratégia para escapar do almoço obrigatório, como fingir um ataque cardíaco ou uma ideia melhor. A pior parte do almoço de Knowledge não era em si a comida, e sim o fato de que éramos obrigados a comer aquilo.
Lancei um último olhar ao patê de espinafre espalhado sobre o prato de plástico.
Ótimo, pensei. Agora estou três quilos mais fracote.
Levantei a cabeça, com a sensação de que meu estômago havia brincado em uma montanha russa, e tentei detectar o rosto de Grover entre as dezenas ou centenas de pessoas que estavam no refeitório. Grover era meu melhor amigo no colégio, e aparentemente a única pessoa que não me tratava como a cebola da pizza. Avistei-o parado em frente à porta de saída, bebendo algo em uma lata. Me levantei, ainda sentindo-me nauseado, e passei apressadamente cortando caminho por entre as pessoas que estavam espalhadas no refeitório. A expressão de Grover se tornou engraçada quando eu me aproximei dele, e eu posso jurar que seu rosto empalideceu.
Grover estava com uma latinha de refrigerante na boca... Mastigando-a.
Eu sinceramente não soube o que pensar daquilo. Meu cérebro demorou alguns segundos a processar o que estava acontecendo, e meu estômago estava pior do que nunca. Ouvi Grover dizer apressadamente algo semelhante a "este não era o momento certo para você ver isso".
Tudo aconteceu de um jeito muito rápido, e eu só me lembro agora que estou consciente: me lembro de estar parado em frente a Grover quando algo muito forte me atingiu pelas costas. Não me importei em descobrir o que era, ou talvez não houvesse uma maneira de fazer isto, porque o impacto havia me derrubado com a cara no chão. Senti que minha cabeça poderia explodir a qualquer momento.
Quando pude abrir os olhos, percebi que havia um pedaço de papel caído em frente a mim. Esfreguei os olhos, com a sensação de que meu corpo poderia ser vaporizado. Cada parte de mim doía, mas a tentação de pegar o papel foi incontrolável: fazendo um pequeno esforço para me mover, deslizei um pouco para a frente e estiquei o braço para pegá-lo. A escrita no papel poderia ter transformado meu cérebro em suco, pois não havia entendido nada. A princípio, achei que fosse uma consequência da dislexia, mas logo percebi que as palavras estavam nítidas, mas não obtive nenhum significado para elas.
Se você não encontra o Acampamento, o Acampamento encontra você.
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