Undertaker [Hiato]
16 Laços
Notas iniciais
Bom, primeiro queria dizer que Under chegou aos 100 reviews! Muito obrigada a todas as pessoas mais que lindas que me mandaram reviews, escrever essa fic é cada vez mais divertido graças aos minutinhos que desperdiçaram escrevendo meio dúzia de coisas para mim com tanto carinho!!
Em segundo, graças aos deuses que não serei mais bombardeada com fics de 1D e similares, mas quando voltava a sonhar com o fim das de Crepúsculo, eis que surge algumas de Cinquenta Tons de Cinza..... ai minha gente, esse site tá perdido! (o.o)'
E em terceiro.... algumas leitoras (ou leitores né) sempre se destacam assim como alguns autores: a Super Nani, que leu mais fics minhas que qualquer um e sempre me põe pra cima, a Kiss que é a Keaven mais convicta e pira lindamente, a Flávia que é sempre presente e não tem dó de dar uma opinião sincera... mas uma meio que se destaca:
Inner Beauty, esse serzinho que já me viu postar loucamente e ter bloqueios de criatividade horrendos; já me viu espumar de raiva e saltitar de felicidade, sabe muita coisa sobre a minha vida e as vezes até troca umas MPs toscas comigo.... amei sua recomendação.
De coração, nem tenho palavras, amei mesmo.
O azul do céu, o porte majestoso das árvores, a ausência de corujas, a joaninha passeado perto da campainha de sua casa.... tudo ganhou ares mais especiais e coloridos para Raven.
Mas nada sublime o bastante que apagasse a presença de Keane da sua mente. Na verdade, a última se encontrava dividida em vários pedacinhos que indiretamente conflitavam entre si: uma parte estava devaneando sobre seu vizinho, colega no colégio e aparentemente o novo amor de sua vida; outra, esperneava em apontar fatos como ele ser um frequentador assíduo de cemitérios, a menininha de azul, os sonhos no corredor escuro, as corujas e similares; uma outra estava realmente saltitante por Vlad estar fora de um hospital e queria acima de tudo abraça-lo e comemorar, pois ele ficou naquele estado para salva-la; uma quarta estava em luto assumido por Gabe e ainda não havia se livrado totalmente do peso da culpa pelo fim trágico de sua vida; ainda tinha uma que se encarregava de questões mais habituais, como a saudade do irmão mais velho, o ódio pela falta de peito e a necessidade de comprar um par de luvas novas para o inverno que se aproximava.
Para evitar crises de bipolaridade, insanidade ou simplesmente dor de cabeça, a garota focou toda a sua força de vontade em apoiar a primeira parte de sua mente, deixando as outras como meros ecos coadjuvantes em algum canto.
Suspirou uma, duas, três vezes; podia ficar o dia ali vendo como as folhas do jardim tinham um formato sinuoso e engraçado, mas seu celular tocou novamente, dessa vez avisando a chegada de uma mensagem:
“Espero sinceramente não ser obrigado a esperar uma menina se arrumar E comer um almoço vegetariano no mesmo dia. Jay.”
Com isso, ela abriu a porta – ou melhor, se atrapalhou uns instantes na fechadura – e correu para seu quarto, encontrando sua mãe na metade da escada.
-Olá querida! Dormiu bem? – ela analisou o sorriso imenso e cheio de subtendidos nas entrelinhas que Julia lhe dava.
-Aham, dormi sim.... sozinha.
-Ora sua boba, claro que sim! Ou em algum momento seu amigo Morgenstern não foi muito respeitador....?
-Mãe! Respeitador?! – chiou ela – Em que década estamos? – a mulher riu.
-Vou tomar isso como um sim, agora suba está bem?
No estado de constrangimento em que estava, ela simplesmente acatou a ordem e subiu; em circunstâncias normais, ela se perguntaria porque a mãe lhe mandou ir para o quarto ao invés de lhe arrastar para a cozinha e exigir os mínimos detalhes do que aconteceu como uma adolescente animada.
Mas ela não pensou em nada disso, simplesmente abriu a porta e deu de cara com cinco figuras esparramadas pelo cômodo. Fechou a porta logo em seguida, com o coração disparado pelo pânico. Alguém tentou abrir do lado de dentro e ela segurou a maçaneta firmemente; podia ser pequena, mas decididamente tinha força nos braços.
-A Ray, para de graça vai. – a voz veio abafada e acompanhada por uma rodada de risos.
-Graça? Graça??! Graça é vocês surgirem no meu quarto quando deveriam ir pra casa do Vlad desenhar e aguentar os caprichos dele!
-Que caprichos??! – berrou uma voz furiosa do lado de dentro – Não é como se eu tivesse feito algum pedido extravagante!
-Cara, você pediu suco de mara... nem lembro o quê.
-É maracujá, e é uma fruta totalmente comum. – rebateu Vlad, com seu costumeiro tom displicente.
-No Caribe sua anta, não nos EUA! – ralhou Sammy.
-Vem me xingar mas a anta é você... maracujá é do Brasil. – Raven já imaginava a expressão de triunfo insuportável do amigo só pelo tom de sua voz.
-Oh que lindo – rebateu Becky – mas agora a pergunta que não quer calar: quem liga pra essa porra? – a menina se pegou rindo do lado de fora do quarto junto com os outros dentro.
-Não falo nada porque você foi de grande valia no meu estado de enfermo.
-Ou seja, ela tirou umas fotos bem tensas de você enquanto dormia. – disse Jay.
-Digamos que na próxima vez que mais pais não puderem ser meus acompanhantes por uma noite, eu vou chamar a Su, o único coração razoavelmente puro aqui. – retrucou ele.
Deixando de lado o medo, ela resolveu que não podia ficar ali do outro lado da porta de seu próprio quarto ouvindo as piadas e brincadeiras do lado de dentro, por isso entrou com um sorriso apaziguador no rosto.
Alguém a puxou com tudo para dentro e ela se viu na cama, fortemente segurado por Vlad e cercada pelos rostos dos outros.
Rebecca usava um vestido azul bem escuro e mascava chiclete enquanto brincava com um de seus cachos negros, fingindo estar desinteressada; Susan estava com suas costumeiras roupas cheia de babados rosas e se agachava ao pés de Raven com os olhinhos brilhando de ansiedade; Samantha, com seu cabelo roxo espetado e uma bata verde limão era o retrato da pessoa curiosa, com o corpo curvado e os olhos fixos na amiga; Jared estava largado na escrivaninha ao lado de Sammy, usava uma camiseta do Led Zeppling e tinha afanado o DS de John, que jogava compulsivamente e Vlad estava sentado na cama atrás dela, segurando-a pela cintura e com um sorriso meio maníaco.
O silêncio se arrastou por pelo menos três minutos até ela se dar por vencida.
-Ok, porque vocês estão aqui? – perguntou ela aborrecida.
-Vou te contar uma história engraçada. – disse Vlad, alargando o sorriso.
-Ok. – retrucou ela; os outros trocaram olhares, visivelmente animados.
-Mas se me interromper, se prepare pra uma seção mortal de cócegas. – as seções de cócegas de Vlad sempre terminavam com ela revirada pelo avesso, então se limitou a concordar com um aceno de cabeça.
Ele pigarreou de modo dramático e começou:
“Era uma vez...“
-Era uma vez? Sério?! – perguntou Jared incrédulo.
-Cara, você quer uma se...
-Não, mantenha suas mãos suspeitas longe de mim, obrigada. – cortou o ruivo.
-Ótimo, então cala a boca. – chiou Vlad; o outro deu de ombros.
“Era uma vez um príncipe de um reino distante e feito de trevas – começou ele, ignorando os olhares dos outros – como ele era um cara muito demais, bonito, inteligente e sensual, vivia com pena dos reles mortais e fazia as coisas para que eles achassem que tinham um lugar no mundo. Um sujeito realmente admirável.”
Jared enterrou o rosto nas mãos pra esconder o riso e Becky começou a simular vômitos.
“Uma dessas façanhas foi salvar uma camponesa realmente tapada e sem-sorte de ser atropelada por uma carroça, custando alguns dias sofridos na condição de enfermo... pelo menos, ele pode contar com a ajuda de adoráveis ninfas em sua recuperação.”
-Adoráveis ninfas de seios fartos e sotaque hispânico? – perguntou a morena.
-Exatamente. – respondeu ele, todos reviraram os olhos.
“Quando se viu livre para ir e vir, ele resolveu fazer uma visita surpresa a mesma camponesa, pois sabia que ela se culpava pelo seu estado e também não estava em seus melhores dias pelo luto em relação a um amigo recentemente falecido.”
Suas palavras foram uma espécie de golpe na boca do estômago da menina.
“E sabe o que aconteceu? Não imagina a surpresa quando ele e sua comitiva de fiéis arcanas e cavaleiro flamejante chegaram em sua humilde residência e descobriram que ela não estava. Mas não pense que a pobrezinha estava se matando de trabalhar logo cedo, não, ela passara a noite fora na casa de ninguém mais, ninguém menos que o coveiro do condado.”
-Uau, a fofoca do ano, imagino o ultraje que essas arcanas sentiram. – comentou Sammy.
-Jay, quer ser uma arcana? Prefiro sinceramente ser o cavaleiro. – disse Becky.
-Claro, porque usar vestido de veludo e uma tiara exótica sempre foram os meus maiores sonhos. – retrucou ele.
Vlad pigarreou novamente, fazendo eles se calarem.
“Mas... – recomeçou ele, com uma entonação de advertência – ele a perdoou de coração imediatamente, pois sabe que ela nunca foi normal mesmo.”
Todos olharam pra ela, aguardando sua reação.
-Me desculpe. –disse ela, sem conseguir encara-lo.
-Que mané desculpa! – disse Susan – O que eu quero saber é se vocês dois se pegaram loucamente a noite toda ou não!
-Oi? Não era pra mim as desculpas? – perguntou o loiro, fingindo indignação.
-Tanto faz, deixa ela responder. – disse Sammy, quicando de animação.
-Não! Não peguei ninguém loucamente!
-Aham sei. – disse Becky sarcasticamente.
-É verdade! E não tô nem aí se não acreditam em mim!
-Woa, alguém aqui ficou possessa! – zuou o loiro.
-Deixem ela em paz vai. – disse Jared, suspirando de irritação enquanto mexia a canetinha do console freneticamente.
-Verdade, se ela é lenta desse jeito e arranjou um viado gótico, em parte é culpa da nossa falta de apoio. – disse Vlad, com uma expressão sentida.
-Amiga, é hora de ignorarmos esse babaca e termos uma conversa séria. – disse Susan, com um ar compreensivo.
-Que conversa? – perguntou ela desconfiada.
-Vou te contar como contaram pra mim – começou ela animada – quando um homem e uma mulher se amam muito...
-PELO AMOR, CALA A SUA BOCA SU! – berrou Jared, enquanto o resto tinha uma enorme crise de risos; Vlad chegou até a soltar Raven, que por sua vez se dobrou de tanto rir.
-Ai gente, é natural isso, vocês não perceberam que a Ray passou a noite lá e claramente.... não rolou nada? – ela sussurrou a última parte.
-Olha, tem argumento aí viu? Tem argumento aí! – salientou Raven.
-Eu acho que nós realmente devíamos ter aquela conversa.... – começou Vlad, fazendo uma pose dramática – e pensar que ontem mesmo você era um Texugozinho feliz que vinha chorar pra mim cada vez que perdia os besouros de estimação e agora está aí tendo os primeiros ciclos no cio.
-CALA A BOCA! CALA A SUA MALDITA BOCA! –disse ela, batendo em todos os cantos dele que conseguia alcançar.
-Que foi? Nega que era essa sua intenção ontem a... AAAAAAAAAAAAAH! – berrou ele, assustando a todos.
-Que foi??! – berrou Becky irritada; ele se limitou a cair de lado na cama com as mãos sobre as costelas que tinha partido no atropelamento.
-Ah Vlad, me perdoa! – disse ela, estendendo os braços sobre ele.
Ficaram naquele pseudo abraço em silêncio, enquanto os outros abafavam o riso. Podia ter sido em tom de piada, mas aquela vaga menção a infância de ambos a arrastou para um turbilhão de lembranças: quando ela arrastava besouros ou lagartas para serem seus novos bichinhos, ele arranjava aquários para eles e a consolava quando os perdia; ele a ensinou andar de skate, fazer bolo de chocolate, equação do segundo grau e a rackear o Facebook de outras pessoas.
Mais do que isso, ele foi o amigo, irmão, professor, conselheiro e inspiração em praticamente todos os dias desde que se conheceram, quando ambos eram pequenos demais até para escrever o próprio nome. Mais do que Rebecca, Jared, Susan ou Samantha, Vlad tinha uma posição única dentro de seu peito.
E então percebeu que não tinha dado a devida importância — em meio à tristeza por Gabe e as confusões que Keane lhe causava – ao ato dele; sem pensar duas vezes, ele salvou sua vida e arriscou a dele, pois nada garantia que ele não pudesse ter morrido naquele cruzamento. Raven segurou as lágrimas de emoção e medo, pois se o perdesse, perderia um pedaço de si mesma pra sempre e se pudesse nunca o largaria de seus braços.
Porém a presença de Keane veio em sua mente e seus sentimentos entraram em choque: o que de fato ela sentia por cada um? E qual o papel que Jared, alguém tão importante e querido, teria nessa história? Será que ela, alguém que sempre ficou quieta em seu canto e desdenhou tantos livros de vampiros, estaria amando mais de uma pessoa?
Sua cabeça latejou e faltou ar em seus pulmões. Ela percebeu que os outros estavam quietos, quietos demais.
-Bom, a julgar pelo modo como ele comprime a lateral do corpo, posso presumir que esse é o seu amigo que quebrou as costelas no atropelamento não é?
Raven num pulo encarou o panorama: Becky com um sorriso sacana na cadeira, Jared finalmente com os olhos despregados do DS na escrivaninha, Sammy ao seu lado, praticamente caindo do móvel de tão inclinada pra frente que estava e Su no chão ao lado da cama, olhando para cima com a boca aberta.
Seguindo o olhar dela estava... Keane, encarando os dois na cama com um olhar gélido e desafiador; quando a menina tirou os olhos dele e os voltou para o amigo, percebeu assustada que Vlad devolvia o olhar na mesma intensidade.
“Ah não, isso não.” Pensou ela em pânico.
“Me desculpe por te dizer mas... ah sim, isso sim.” disse a voz da menininha de azul.
Notas finais
Beijos amorecos!! (sim, tô feliz, hoje, desconsiderem)
(*--*)//
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