Undertaker [Hiato]
17 Azul
Notas iniciais
Ok, antes de mais nada, venho orgulhosamente (?) dizer que estou um pouco mais de cem dinheiros mais rica por conseguir ficar mais tempo longe da internet..... sem trapaças. Sem vídeos. Sem blogs. Sem face. Sem e-mail. Nem mesmo Google.
Me sinto uma vencedora.
Eu escrevi sim coisas nesse meio tempo, mas ficava com ânsia de postar e foi terrível.... só não supera os feelings malditos que tive na terça por ter lançado o trailer de Iron Man 3 - sério, quase pus dias de sofrimento a perder pra assistir.
Mas... consegui! Tentem fazer isso com seus amigos, no começo estressa, mas é gratificante: li livros que queria a tempos, tomei mais sorvete, vi mais seriados, fui em mais churras da faculdade, garimpei mais coisas em lojinhas legais e alternas aqui em sampa.... tudo que deixava de fazer por que estava brisando em frente ao PC; colocar money na jogada realmente me motivou. (*-*)
Ok, voltando..... ufa, vocês devem ter morrido né? Achei que já tinha postado esse aqui, mas não tinha e o fim do outro foi bem, mas bem fdp ao extremo.... fiquei com dó, então modifiquei um pouco esse.
Boa Leitura amorecos, senti saudades de vocês!
Ela encarou a menina, as roupas de palhaça realmente tinham dado adeus, dando lugar ao delicado vestidinho azul de bolinhas brancas e miúdas; não tinha a menor vontade de aguentar mais uma rodada de lamentações irritantes por parte dela, por isso preferiu encara-la e esperar que se manifestasse. O que não aconteceu.
O cabelo, arrumado, os babados rendados nas bordas, as pequenas pérolas, as mãos torcidas nervosamente na frente do corpo, os cílios longos que emolduravam olhos que não a fitavam diretamente... os minutos se arrastavam e Raven se entretinha em manter a atenção nos detalhes além da altura que tornavam a menininha tão diferente do que havia sido até então. Após o que lhe pareceu pelo menos meia hora encarando aquela figura delicada e com ar deprimente, resolveu voltar sua atenção para outra coisa que não a enlouquecesse de tédio ou ódio. Bufou alto, para demonstrar seu desagrado, e pôs-se a olhar em volta.
Plumas. Nuvens. Pompons. Não sabia ao certo do que chamar a matéria estranha e ao mesmo tempo encantadora que cercavam ambas – os flocos se destacavam da maioria e caiam numa suavidade digna de um dente-de-leão.
Em um de seus devaneios nos momentos errados, perguntou se iria parar num local como aquele quando por ventura morresse. Era lindo, lírico e sem dúvidas muito tranquilizador, mas a enormidade e a incontestável solidão foram demais pra ela.
Chutou a matéria estranha e a observou se desprender e voltar ao “chão” em movimentos lentos. Passou então a fazer uma série de pequenos experimentos por pura diversão, como tentar achatar a massa azulada, enrola-la, amontoa-la e coisas assim. Mostrou-se mais sólida do que parecia a primeira vista, porém era ainda mais leve e os movimentos necessários para não arrastar uma grande quantidade dela deviam ser precisos – por mais que tenha forçado, não conseguiu comprimir nada.
Podia imaginar mil e um meios para se distrair infinitamente com aquele cenário curioso, mas se deteve da ideia de tentar escalar uma das colinas fofas; a menina continuou quieta e na mesma posição durante todo o momento. Resolveu parar de birra e começar a falar.
-Só pelo fato de ter falado comigo eu vim parar... er... nesse lugar?
-Me desculpe – apressou-se a dizer a menor – eu não a traria se tivesse algum controle quanto a isso.
-Em primeiro lugar – respondeu ela raivosamente – pare de pedir desculpas! Não quero ouvir você se lamentar mais nem um segundo se não for realmente necessário...
-Me desculpe te dizer isso, mas vou me lamentar e muito.
-Quer fazer o favor de olhar na minha cara enquanto fala comigo? – vociferou a menina.
A outra encarou, e apesar de mais alta que quando a conheceu, ainda precisava esticar o pescoço para lhe alcançar os olhos. Raven se sentiu secretamente satisfeita com isso.
-Ok.... – ele suspirou e fechou os olhos, para por as ideias em ordem – Enfim; porque você diz que vai se lamentar e muito?
-Porque tenho motivos?
-Está mesmo respondendo uma pergunta com outra pergunta?! – perguntou ela, entre o choque e a raiva.
-Me desculpe, me expressei mal.... porque você tem motivos.
-Eu tenho motivos pra me lamentar? – não era exatamente uma novidade.
-Sim, e me desculpe por isso.
-A culpa é sua?! – exclamou ela horrorizada.
-Não.
-É... minha? – não era uma ideia reconfortante.
-Não.
-Diabos garota, de quem é a culpa??!
Então ela a encarou, deixando claro que não poderia responder; mas ao contrário de antes, no qual ela faria um sorriso cruel e soaria como “é óbvio que não posso de contar, sua anta”, agora estava mais para um “me desculpe, eu sinto muito, mas eu realmente não posso te contar nada”, o que no mínimo, era irritante em duplo sentido.
-Tudo bem, vamos por partes: minha vida vai ficar mais bizarra do que está agora, certo?
Ela confirmou com a cabeça.
-E provavelmente eu me machucarei de novo, certo? – continuou, com uma pontada de raiva.
Ela confirmou com a cabeça.
-Talvez mais gente morra, certo? – agora ela estava realmente com raiva, mas havia também o medo.
-Sem dúvidas que sim. – disse a outra num sussurro.
-Pelo jeito, as pessoas próximas a mim ainda vão me surpreender, certo? – disse, com a cabeça em Keane e no Dr. Roberts, sem saber quais emoções sentia em relação a isso.
Ela confirmou com a cabeça.
-Tem algo que eu possa fazer? – perguntou desesperançosa.
-Não sentir medo? É a única coisa que faria tudo passar mais rápido.
-Passar mais rápido? Não posso me livrar de tudo isso?
Ela negou com a cabeça.
-Me desculpe Raven.
Esse “me desculpe” em particular a fez refrear sua raiva assassina e olhar diretamente para a menina; por mais estranho que isso soasse, vindo do ser inexplicável que a atormentou, machucou, caçoou e tornou as coisas bem difíceis nos últimos dias, ela sentia que a mágoa que a menininha de azul expressava era sincera.
O porquê ela a fazia ser atropelada para logo em seguida lamentar sua vida azarada, permanecia o mais completo mistério.
-Não devo sentir medo?
-Não importa o que aconteça.
-Mais alguma coisa?
-Tente não sentir ódio e aceitar o rumo das coisas; nem tudo acontece como queremos.
Foi sua vez de acenar; ela sabia que aquilo era mais que um conselho.
-Então... acho que acabamos por aqui certo?
-Sim, e não esqueça de manter a calma.
-Ok.... fiquei muito tempo aqui?
-Milésimos de segundos, se voltar agora, pode até mesmo fingir que apenas baqueou um pouquinho.
-Tudo bem e...obrigada.
A menor suspirou e a olhou de modo sofrível, como se soubesse exatamente o quanto Raven se perturbaria nos próximos dias e o que a faria sofrer. E talvez soubesse mesmo.
Notas finais
E acabou Av. Brasil, Gabriela..... sei lá porque, mas adoro ver última semana de novela, mesmo que não acompanhe... como eles deixam tudo pro final, fica um ritmo alucinado, com mil coisas acontecendo em cada dia, tipo um 007 tupiniquim, mas sem martini, carro invisível, ternos impecáveis ou glamour. Acho divertoso.
*voltando ao que interessa*
Sim, a menininha vai ficar um tempinho com essa personalidade lamentável; nem eu aguento mais ela. E hoje vou deixar aqueles ocasionais spoilers de fim de cap que prometi (porque ser bacana só com as leitoras regulares também é sacanagem)
"Um dos motivos de a Sra. Castle ser obstetra era porque ela desde jovem sabia que seria incapaz de ter filhos; nem mesmo menstruação ela tinha."
Hohohoho, fica a dica.... ou não.
Beijos!! (*---*)//
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