Notas iniciais
N/A: Não se esqueçam de comentar, seja uma crítica boa ou ruim, ok? Sempre é bom receber um feedback!! =]

Understatement

Por: Ji-Yeon Black

Lavi x Hikaru

Andava pelas ruas de Londres com passos lentos, marcando a branca neve com as minhas pegadas carregadas de cansaço, deixando meu rastro pelo chão claro. O vento era frio e cortante, o qual uivava assustadoramente à medida que o tempo se passava. Os poucos agasalhos que tinha, os quais eu havia ganhado de uma jovem que cuidava de uma floricultura ali, não eram o suficiente para conseguir me aquecer por completo. Sentei-me ao meio-fio, balançando o meu corpo na tentativa vã de me aquecer. Fechei os olhos e comecei a cantar baixinho uma canção da minha infância, que havia aprendido com meu irmão mais velho antes dele partir.

Black Rock Shooter, where did you go?
Can you Hear me call?
How much more should I shout out to you?
How much more should I cry out to you?

A melodia fluía lentamente e eu não sentia mais tanto frio quanto antes. Estava tão concentrada que um riso baixo – e estranho — não me incomodou. Achei que tivesse sido minha imaginação, nada fértil se é que me entendem. Abri os olhos e observei ao meu redor, rindo divertida logo depois. Cheguei a pensar que fora o vento que fizera aquele barulho, pelo menos era a única coisa que poderia ter feito, afinal, não havia ninguém ali além de mim. Fechei os olhos novamente continuando a canção calmamente, ignorando os dentes que começaram a bater graças ao frio estranho que estava sentindo.

Black Rock Shooter, theres a tender scent in the air
It hurts, its tough; but I have to swallow those words
Black Rock shooter, you have to move those feet
Overcome this world, this world

Escutei novamente o riso baixo, mas dessa vez um pouco mais amedrontador. Abri os olhos fitando a escuridão.

“Quem está aí?”, perguntei ao nada, na ânsia de uma resposta. Já que não queria ter a certeza que já estava enlouquecendo de frio.

Nada. Nenhuma resposta. Soltei um suspiro cansado e encostei minha cabeça ao poste, olhando para cima e observando o céu coberto pelas nuvens. Minha atenção foi tomada pela lâmpada do poste que acendia e apagava, lembrando-me um vaga-lume nas noites de verão da minha antiga cidade. As lembranças da minha infância me fizeram sentir saudades e fizeram com que meus lábios se repuxassem em um sorriso suave e divertido. Algo gelado tocou-me a ponta do nariz e eu não precisei abrir os olhos ou tocar para saber que era um floco de neve.

“Hikaru?”, escutei uma voz infantil me chamar.

Num pulo rápido me pus de pé, virando meu olhar para o local de onde a voz saíra. Dentro da escuridão vi uma menina de cabelos roxos, repicados e às vezes espetados para cima, sair. Sua pele era escura e tinha tatuagens na testa pelo que eu pude perceber. Tatuagens em forma de cruz. Ela segurava um guarda-chuva com uma abóbora na ponta e andava pela neve como se o frio não a atingisse, como se não sentisse o ar gelado contra o seu corpo. Ao ver aquela imagem, meu corpo se ergueu com um arrepio forte, fulminante, que me fez ficar em alerta. Quem era ela e o que queria?

“Como sabe o meu nome?”, perguntei assustada.

Ela riu e me olhou nos olhos. Seus olhos claros me fizeram tremer. Eram assustadores.

“Quem é você?”, perguntei um pouco mais alto, dando um passo para trás.

Pisquei por um momento e não a vi mais onde ela estava e sim ao meu lado. Gritei assustada e logo depois levei as mãos à boca. Já estava tarde para eu fazer aquele estardalhaço e num ato de burrice me permitir continuar naquela posição.

“Shhh. Nossa! Como você é escandalosa!”, a voz infantil soou bem perto do meu ouvido, me fazendo prender a respiração. “Sou a Rhode, e você é a garota que eu estava procurando.”, sua voz soou simples e sincera.

“Para que e como me encontrou?”, perguntei, achando aquilo meio suspeito.

Ela riu divertida e depois se virou olhando para mim.

“Eu sei o que você tanto almeja. Sei o que você quer encontrar mais do que tudo e também sei como te ajudar a conseguir isso.”

Aquilo me soou altamente estranho, devo admitir, mas algo em mim ainda fazia com que eu quisesse apostar em que fosse verdade. Talvez minha ambição infantil. Minha tola esperança ainda se fazia forte.

“O que procuro então?”, perguntei, querendo testar se ela realmente sabia o que eu tanto queria encontrar.

“Seu irmão, Deak.”, ela falou fitando o céu. A forma como ela falara parecia ser a coisa mais fútil do mundo, como se não importasse. Como se fosse algo besta demais, mas o peso e o significado de encontrá-lo eram ainda maiores.

“Você conhece o Deak? O viu? Como sabe disso?”, eu me virei histérica. A idéia de poder encontrá-lo, de estar com ele, de poder vê-lo depois de dez anos era simplesmente maravilhosa.

“Oe, oe. Calma. Eu disse que podia te ajudar, mas eu posso ajudá-la a achá-lo.”, a vi tirar de dentro da blusa uma espécie de cristal verde e brilhante. “Sabe o que é isso, Hikaru?”, a voz dengosa dela me fez estremecer de apreensão.

“Não...”, respondi por fim, odiando ser uma ignorante no assunto.

“Innocence.”, ela respondeu fitando a coisinha brilhante.

Arqueei a sobrancelha. Sim, Inocência. Ta... Mas o que diabos aquilo era? Continuei a fita-la e nada. Nenhuma resposta. O que aquela coisa que mais parecia um átomo brilhoso significava? Era tão forte assim? Minutos depois do silêncio, a risada dela inundou meus pensamentos. Um arrepio de medo se fez crescer dentro do meu corpo. Engoli em seco me agarrando ainda mais aos agasalhos.

“Tudo bem. Vou explicar. É uma espécie de arma que auxilia os humanos a lutarem contra os Akumas. Essas pessoas são chamadas de Exorcistas. Elas destroem os Akumas que surgem graças a um desejo de reviver alguém querido para os humanos.”, ela explicou de uma forma simples.

Confesso que na hora eu nada entendi, mas aceitei a proposta. A idéia de poder encontrar Deak, de revê-lo era incrivelmente perfeita.

Notas finais
N/A: Espero que essa fic continue a ser desenvolvida na minha cabeça! x-x Tenho até o 4º Cap. pronto! =D