Notas iniciais
OOOI. Postando capítulo na segunda pra dar uma animada na vida de vocês e tal, porque né, tá fácil pra ngm. LKJS~LDS. Foi meio complicado escrever esse porque eu tô meio na dúvida quanto ao rumo da história, mas vai dar tudo certo (eu espero, pfvr). Não sei se ficou muito OOC, mas se ficou, peço desculpas, acho que eu ando com a cabeça meio nas nuvens. Corrigi meio porcamente porque tava ansiosa pra postar, entãão, se acharem errinhos, me avisem, okay? ^~^ Boa leitura!

Ao ouvir o ruivo pronunciar o nome de Tsukishima, Kageyama agradeceu a distância que havia entre os dois, pois ela o impediria de acertar um soco bem no meio da cara do pequeno. Como era possível que fosse tão lento? E, além disso, perguntava-se que tipo de raciocínio Hinata usara para chegar àquela conclusão. “Tsukishima. Sério?” Arrepiava-se só de cogitar aquela possibilidade. “Nem em um milhão de anos.” Balançou a cabeça negativamente, tentando afastar qualquer tipo de pensamento. Ficaria traumatizado só de imaginar isso.

Vendo por esse lado, gostar de Shouyou nem parecia tão ruim assim. Se tivesse se apaixonado pelo loiro, teria tido muito mais problemas. Mas certamente ele não deveria ser tão devagar quanto o rapazinho à sua frente. A paciência de Tobio nunca fora algo admirável, mas Hinata conseguia tostá-la em tempo recorde. O levantador se questionava se em algum momento sequer fizera parecer que estava minimamente interessado em Tsukki, porque isso sim seria um mal entendido tremendo.

– Desde nunca! – Retrucou ríspido, depois de contar até dez pelo menos dez vezes para tentar manter a calma (não que tivesse funcionado, mas pelo menos ele tentou). – Tsukishima... Honestamente. De onde você tirou isso?

– Bom... – O menor tentou pensar a respeito. Para ele, fazia total sentido que fosse Tsukki de quem o levantador falava. Os dois funcionavam muito bem quando decidiam cooperar, e o loiro definitivamente tinha uma presença marcante. – Você disse que ele te irrita. O Tsukishima te irrita mais do que qualquer outra pessoa. Mas vocês fazem umas jogadas incríveis quando estão juntos! É inacreditável.

– Céus. Não. Nem que me forçassem. – Kageyama tinha calafrios só de pensar em ter qualquer tipo de relacionamento com o rapaz de óculos que não fosse estritamente profissional. Ele não achava legal quando as coisas funcionavam entre os dois, por mais que se esforçasse. Era bom quando pontuavam, mas não era legal. O máximo que o garoto fazia era lhe encher o saco o chamando de Rei, o que também era bastante desagradável. Ele preferiria ter um encontro com uma das garotinhas histéricas por Oikawa do que com Tsukishima. A personalidade do rapaz lhe enervava até demais.

– Não precisa ficar constrangido com isso, Kageyama. – Hinata riu, encarando o moreno de uma maneira engraçada. Não sabia por que, mas não ficara tão feliz assim agora que sua curiosidade fora saciada. Não sabia exatamente o que se passava na própria cabeça, era um misto de pensamentos embaralhados e um leve incômodo. Tsukishima. Era realmente estranho pensar no tipo de pessoa que atraía Tobio, mas achou que o melhor seria esboçar um sorriso encorajador. – Digo, eu não imaginaria que você gostasse de caras, mas... Eu não entendo bem como essas coisas funcionam e-

– Não é o Tsukishima. Droga. – Cortou o pequeno antes que ele continuasse falando. Massageou a testa, tentando não surtar. Odiava conclusões precipitadas. Shouyou simplesmente não conseguia captar mensagem. – E eu não gosto de caras!

– Então é uma garota? – Perguntou. Estranhamente, caso realmente fosse uma garota, a sensação esquisita do ruivo talvez ficasse ainda maior, mas ele não entendia. Bem... Talvez ele fosse sentir falta de Tobio caso ele arranjasse uma namorada, e passasse a se dedicar menos ao time, mas esse tipo de pensamento não lhe passava pela cabeça. Ao menos, não claramente.

– Não é. Não sei. Isso está me aborrecendo. – Bufou.

– Desculpe. – Murmurou, encarando o chão.

Hinata pensou que talvez fosse realmente melhor deixar o assunto para lá. Kageyama ficava assustador quando estava bravo, e estavam tendo um dia relativamente agradável. Ele havia até lhe convidado para chamar sorvete, por algum motivo muito incomum. Deveria ser um de seus raros dias de bom humor, que o ruivo até então achava que eram apenas uma lenda. Nunca havia visto o levantador feliz sem motivos. Ele não era o tipo de pessoa que ria à toa e fazia gracinhas, apenas esboçava certo contentamento ocasionalmente, com gestos discretos demais para que o pequeno notasse qualquer mudança.

Ainda sim, ele gostaria de encerrar aquele assunto. Continuava curioso para saber quem era a pessoa que andava atraindo o interesse do levantador. Que tipo de pessoa poderia ser? Nunca vira Tobio reparando de modo diferente em alguém. Talvez estivesse mentindo sobre Hinata conhecer quem era. Mas Kageyama não parecia conhecer muitas pessoas fora do Clube de Vôlei, então o grupo de pessoas que poderiam atraí-lo era bastante restrito. Será que era Kiyoko? Ela era realmente muito bonita, mas o levantador não agia como se estivesse interessado (ou irritado) com ela. Aliás, como um Kageyama interessado agiria? Ele não parecia levar muito jeito para aquelas coisas. O mesmo havia dito que era bastante ruim quando se tratava de relacionamentos. Era impossível saber.

– Só me diga, como você faria para se aproximar de quem você gosta, Kageyama?

– Hm. – O moreno coçou a cabeça. – Sugawara anda me ajudando um pouco com isso. Não que tenha funcionado. – Comentou, semicerrando os olhos.

– Então você fala pro Suga-san, mas não fala pra mim? – Perguntou, fazendo bico. Era injusto que Sugawara soubesse e que, quando fosse ele que perguntasse, Tobio simplesmente ficasse na defensiva.

– O Sugawara pelo menos tem um pouco mais noção do que você. – Retrucou, demonstrando-se impassível. Se Hinata não havia captado sua mensagem até agora, então o azar era todo dele.

– Você tem razão. Eu não entendo muito bem como relacionamentos funcionam. Mas acho que devem fazer a gente ficar bem feliz... Feliz como... Quando você joga a bola exatamente na minha mão e eu acerto em cheio do outro lado da rede! – O ruivo sorria de orelha a orelha lembrando-se dos belos passes que Kageyama lhe fazia. – É a melhor sensação do mundo! Gostar de alguém deve ser legal assim...

Tobio ficou um tanto consternado pela vagueza do comentário. Não sabia o que aquilo queria dizer para Shouyou, e muito menos que sensação era aquela. Seus passes costumavam ser bastante bons em praticamente todas às vezes, tanto que, ao longo do tempo, se tornaram comuns. Não conseguia captar o que o pequeno sentia. A melhor sensação do mundo? Kageyama nunca sentira isso. Vitórias costumavam fazê-lo sentir-se bem. Vôlei, no geral, lhe causava ótimas sensações. Mas não sabia dizer qual era a melhor. Não sabia nem dizer se havia uma melhor. Mas isso não impediu que suas bochechas esquentassem com o comentário.

– Você está comparando paixão com vôlei? – Perguntou, um tanto atônito. Era uma comparação esquisita e que, honestamente, nunca vira antes. Mas Hinata raramente fazia sentido e Tobio aprendera isso após alguns meses de convivência.

– Não. Estou comparando com o que você me faz sentir quando estou jogando. – Retrucou, dando de ombros.

Mais uma vez, o levantador não sabia muito bem o que responder, então optou por ficar quieto. Uma parte de si realmente acreditava no que Sugawara havia lhe dito; que o ruivo só precisava descobrir que nutria uma paixão por ele para que as coisas engatassem entre os dois. Mas como fazê-lo perceber? Não conseguia tomar iniciativa – na verdade, nem sabia como fazer algo assim. Tinha certo receio que o sentimento se esvaísse caso nada acontecesse. Não conseguia correr contra o tempo.

– Vamos indo, então? – Kageyama sugeriu.

O ruivo assentiu.

– Você vai me deixar em casa de novo?

– Uhum.

Realmente queria passar mais tempo com o pequeno. Sentia-se um idiota por isso, mas andava fazendo qualquer coisa para prolongar o tempo que passava com ele ultimamente. Na verdade, sempre fizera isso, ainda que de maneira inconsciente, mas agora que tinha noção disso não conseguia encarar como algo normal. A desculpa que inventava para enganar a si mesmo era que a casa de Hinata ficava há pouco tempo dali, e que, portanto, não lhe faria mal algum acompanhá-lo. Tê-lo por perto lhe trazia uma certa sensação de conforto, por mais que ainda não tivesse se dado conta disso. Ou melhor, por mais que se recusasse a perceber tal fato.

Enquanto caminhavam, pensava no quanto àquela situação lhe lembrava de uma música que ouvira uma vez. Não era muito de prestar atenção em letras de canções, muito menos se elas fossem românticas. Romance era definitivamente uma das coisas que menos lhe interessavam na vida. Mas aquela, em especial, ficara em sua cabeça por vários dias.

“I don't want to leave her now,

You know I believe and how.

You're asking me ‘Will my love grow?’

I don't know, I don't know.

You stick around now, it may show.”*

Era Something, dos Beatles. Ora, é claro que era Beatles... Que outra banda escrevia tão bem sobre sentimentos? Eram esses os caras que escreviam que amor é tudo o que você precisa. Eles, no mínimo, deviam saber o que estavam falando, para assumir algo tão sério assim. Mas eles tinham razão. "Não quando dizem quando tudo o que precisamos é amor, claro." Tobio corrigiu a linha de pensamento que ia criando antes que o próprio cérebro tomasse conclusões precipitadas.

Bem, a letra de Something podia ser piegas e melosa, mas expressava coisas que Tobio não sabia como colocar em palavras. Esse era o bom das músicas, e, ainda que jamais fosse fazer uma serenata para Shouyou, associar a canção a ele fazia todo o sentido naquele momento. Falava sobre um amor puro, que era exatamente o que, na medida do possível para um garoto na puberdade, sentia pelo rapaz. Era sobre um amor que ia se descobrindo vagarosamente, como uma brisa tranquila. Um amor que funcionava mesmo com poucas palavras, e que um dia iria aflorar.

Um dia, Kageyama haveria de descobrir que gostar de alguém não era algo que podia ser expresso com gestos majestosos, por mais que fosse isso que ele sempre notava nos filmes. Gostar de alguém era algo tão simples que podia ser provado simplesmente por não querer que a pessoa fosse embora e por se esforçar um pouquinho mais só para deixá-la em casa. Todo esse tempo que ele gastava achando que estava fazendo coisas em vão pouco a pouco ia acrescentando um pouco mais em seu relacionamento com Hinata. Seria isso que eles lembrariam mais para frente. Esses pequenos detalhes aparentemente insignificantes. Porque amores costumam ter a mesma fórmula, o que muda mesmo são as peculiaridades. São as coisas que vocês fazem juntos e que valem a pena serem guardadas na memória. Um dia, aquelas caminhadas para a casa de Shouyou talvez fossem lhe fazer falta. Um dia talvez se recordasse de quando o ruivo ainda não sabia sobre seus sentimentos. Um dia talvez aquelas memórias se tornassem coisas boas. Ou ruins. Nunca dá pra saber, por isso, era preciso viver um dia de cada vez.

E naquele dia, o que estavam vivendo era uma tarde juntos. Talvez viessem mais dias como aquele, talvez não. Kageyama tinha a tendência de apressar muito as coisas. Era ansioso pelo que ainda iria acontecer, mas precisava entender que tinha de ter paciência, que nem sempre as coisas aconteciam rápido como gostaria que acontecessem. Tinha de parar de pensar no que ainda estava por ocorrer e aproveitar o que estava fazendo. E daí que era só uma caminhada até a casa de Hinata? Tinha de fazer daquela caminhada a melhor de todas.

– Kageyama. – O ruivo parecera inquieto durante todo o trajeto, mas Tobio não havia reparado porque estava muito absorto nas reflexões e nas canções dos Beatles.

Estava num transe tão grande que quase levou um susto ao ser chamado. E ao perceber que Shouyou segurava numa das mangas de sua blusa. Seria uma cena muito bonitinha se não tivesse ficado tão tenso apenas com esse toque vagaroso do rapaz. Ele parecia bastante sério, ainda que não o encarasse nos olhos. Tobio se perguntava por que, mas não conseguia encontrar uma resposta plausível. O pequeno sempre olhava os outros nos olhos, independente da altura, destemido como sempre. Mas parecia um tanto hesitante naquele momento.

– Mesmo se você arranjar uma namorada... Por favor... Não pare de jogar comigo. Eu realmente gosto de você.

Hinata encarava o chão, aparentando estar um tanto acanhado. Definitivamente não tinha a mínima noção do impacto que aquelas palavras tinham no levantador. Independente se aquele “gostar” fosse como um amigo, como um simples levantador ou um interesse romântico em potencial... Independente se Tobio fosse ou não fosse apaixonado pelo pequeno... Aquelas palavras teriam tido o mesmo impacto independente da situação em que fossem pronunciadas. Nunca acreditara que alguém fosse falar que gostava dele. Não era um colega ruim, mas digamos que era apenas alguém aceitável, na melhor das hipóteses. Era alguém cujas pessoas ou eram indiferentes ou desgostavam pelo fato de ser uma pessoa extremamente egoísta.

E não costumava esperar que as pessoas nutrissem qualquer tipo de afeto por ele. Tinham de aceitá-lo. Ou melhor, engoli-lo. Melhorara bastante depois de entrar no time da Karasuno, entretanto, por mais que tivesse melhorado bastante no quesito “trabalhar em equipe”, ainda era muito difícil se desprender de alguns hábitos. Não esperava muito mais do que respeito por parte de seus colegas. Não se considerava uma pessoa agradável. Tragável, talvez. Mas agradável nunca. Tinha noção de seu narcisismo, de ser habilidoso e bastante controlador. As pessoas o admiravam e o reconheciam por ser um bom levantador, e não por ser uma boa pessoa. Não era à toa que costumava ser um rei, mas também não era simples acaso que, junto desse substantivo que aderia tanta propriedade, também viesse o adjetivo que o caracterizava e que pesava muito mais que o nome. Egoísta.

Era conhecido por sua tirania. Ninguém gostava de um rei opressor, tanto que seus antigos colegas de equipe o abandonaram. Mas então vinha Hinata. Ingênuo. Esquisito. E estupidamente sincero. Dizendo-lhe que gostava dele de modo extremamente incerto, numa situação no mínimo improvável. Encarando o chão, talvez pela timidez ou por qualquer outra coisa que simplesmente não importava ao levantador naquele momento. As palavras ditas pelo ruivo ainda ecoavam em sua cabeça, o que fazia com que o moreno sentisse vontade de sorrir, mas obviamente não o faria. Seria uma cena bastante assustadora caso ocorresse.

Afagou os cabelos do pequeno com uma das mãos, fazendo com que ele finalmente olhasse para cima. Era um gesto desconfortável. Kageyama estava se sentindo extremamente desconfortável, mas concluiu que gritar e chamar Shouyou de idiota estragaria um pouco o clima (que ele nem sabia que era um clima por ser tapado demais). Estavam parados no meio da calçada estreita, o que poderia ser bastante inconveniente caso alguém estivesse tentando passar, mas felizmente não era o caso. Esboçou um discreto sorriso de canto, que não era o usual sorriso psicótico que costumava mostrar. Hinata pensou que era um sorriso bastante bonito, e que ele deveria mostrá-lo mais vezes, mas obviamente não falou nada, porque achou que não tinha intimidade o bastante com Tobio para fazê-lo – o que era bem verdade se fosse parar para pensar.

– Não vou parar. – Assegurou. Até porque nem tinha namorada alguma em vista. Só Shouyou, mas ele não era uma namorada ainda. Abdicar dos treinos em qualquer hipótese só faria o levantador passar ainda menos tempo com o ruivo. – E... Obrigado. – Agradeceu timidamente. – Eu também... É... Você sabe... – “Nossa, mas que bela declaração, Kageyama. Meus parabéns.”

Hinata sorriu para o moreno e o encarou, como se esperasse que ele continuasse. Parecia que ele sabia. Se ele não fosse tão lerdo, Tobio juraria que ele tinha perfeita noção de seus sentimentos. Ele parecia saber como agir nessas horas, apesar de sua inexperiência com relacionamentos. Parecia que estava sempre dando corda para que o levantador prosseguisse com o que quer que estivesse pensando em fazer. E, dessa vez, definitivamente havia dado brecha demais.

Kageyama nem sentiu suas mãos indo parar nos ombros do pequeno. Como já estavam virados de frente um para o outro, tudo parecia mais fácil. Inclinou-se e beijou o ruivo mais uma vez, sem nem pensar. O segundo beijo dos dois, mas o primeiro em que Hinata tinha noção do que estava ocorrendo, porque, felizmente ou infelizmente, estava num estado de perfeita consciência. Foi um pouco mais devagar do que o primeiro, mas tão desajeitado quanto. O ruivo teve de ficar na pontinha dos pés para alcançar Tobio, mas o correspondeu. Apertou ainda mais a manga da blusa do maior, na dúvida do que fazer com as mãos (era seu segundo beijo, mas acreditava ser o primeiro devido às circunstâncias do outro). Era um selinho demorado, se comparado ao outro, e acabou quando o moreno se deu por si mais uma vez, percebendo o que estava fazendo.

Ambos estavam com as bochechas vermelhas como tomates quando se afastaram. Não estavam ofegantes porque o beijo havia sido quase infantil de tão bobo, mas seus corações batiam descompassados e acelerados. Nenhum dos dois esperava aquilo. Tobio estava tão desnorteado que nem sabia o que dizer para se desculpar. Aliás, deveria se desculpar? Pelo menos agora Hinata sabia de quem ele gostava, mas ainda sim não era legal beijar alguém do nada. Era falta de educação, na melhor das hipóteses (na pior, era assédio sexual).

– K-Kageyama. – Shouyou não sabia bem o que deveria falar naquela situação, porque finalmente estava entendendo todo aquele papo que tiveram há pouco e sobre quem Tobio estava falando. Infelizmente, ainda não havia descoberto os próprios sentimentos porque era coisa demais para descobrir em uma tarde só e seu cérebro ainda não processava informações nessa velocidade toda. – Você- Você é apaixonado por mim?! – Não precisava berrar, mas é claro que Hinata o fez, porque estava totalmente incrédulo e apontando para si mesmo como se estivesse falando com um deficiente auditivo.

Droga. Ele sempre piorava as coisas com essas reações exageradas e imensamente desnecessárias. Tobio não sabia o que responder. De repente, tudo havia ficado constrangedor até demais. Quase se arrependeu de tê-lo beijado. Só não o fez porque havia sido uma sensação agradável e por estar se sentindo como se houvesse tirado um peso imenso das próprias costas. Ok, não havia sido como planejara, mas, para ser honesto, sequer havia planejado alguma coisa. De qualquer forma, era bom que ele soubesse.

– Não é óbvio? – Murmurou com certa má vontade. Sim, ele estava apaixonado. Sim, estava óbvio. Não iria falar de novo e se expor ao ridículo mais uma vez.

– Inacreditável. – Hinata realmente ficara surpreso. De todas as pessoas por quem Kageyama poderia se apaixonar, ele definitivamente não se cotava na lista. Por quê? Não conseguia imaginar qualquer motivo plausível. Jogavam demasiadamente bem quando estavam juntos, isso era fato, mas fora das quadras as coisas seguiam um curso diferente. Fora que não era uma garota, muito menos um cara atraente (ou, ao menos, não se considerava um). E definitivamente não tinha nenhum apelo sexual que fosse chamar atenção. Tobio deveria ser uma pessoa muito estranha mesmo. – Tem certeza?

– Q-Que tipo de pergunta é essa, idiota?! É claro que eu tenho certeza!

– Calma, calma, eu só queria averiguar se você não estava fora de si. – Shouyou estava perplexo. Tão perplexo que toda a sua agitação deu lugar a uma longa reflexão. – Isso significa que você me quer como sua namorada?

– CLARO QUE NÃO! – Exclamou. Qual era o problema dele? Tinha de ser sempre direto ao ponto assim?

– Hm... Bem. Isso é contraditório, mas... – Estava receoso no que diria a seguir.

Não tinha muita certeza se o correspondia, aquela era a primeira que alguém se declarava para ele. E essa pessoa era um cara. Era Tobio. De todas as situações, certamente para Hinata aquela era a mais improvável que algum dia se concretizasse. Mas lá estavam os dois e não dava para negar o que estava acontecendo. Aquilo o deixava confuso. Não sabia dizer se o via daquele jeito e nem se estava disposto a tentar, se não fosse o caso. Simplesmente nunca cogitara em tê-lo junto a si daquela forma. Aliás, nunca cogitara ficar com um cara em toda a sua vida. Gostava dele, claro que gostava. Mas era muito provável que não fosse daquele jeito. Ainda sim, o fato de ter se sentido esquisito ao saber que Kageyama estava apaixonado por alguém (quando não sabia que, na verdade, ele próprio era esse alguém) o fazia se questionar de várias coisas.

– Eu não estou te fazendo um pedido de namoro. – Kageyama afirmou. De fato não estava. O próprio ainda estava descobrindo a real natureza dos sentimentos, seria algo muito inconsequente fazer um pedido sério como aqueles. – Eu- Eu também não estou pedindo que você me corresponda. Nem que me dê uma chance, ou algo assim... – Uniu as sobrancelhas ao ver o quão estranho soava falando aquilo. – Então... Faça o que quiser. Eu nem pretendia falar nada. É só que você... Ficou... Me pressionando... – Coçou a cabeça, sentindo-se desconfortável.

Hinata riu, achando a atitude do levantador pouco usual, mas condizente com a personalidade do mesmo. Sempre teimoso, até para admitir o que sentia de fato.

– A gente pode se beijar mais vezes e ver o que acontece. – Deu de ombros, sorrindo como se a decisão que tomara fosse a mais natural do mundo (talvez fosse até algo normal, mas isso não impediu que Tobio o encarasse bastante perplexo). – Tudo bem pra você?

_

*"Não quero deixa-lá agora,

Você sabe que acredito e muito.

Você me pergunta se meu amor vai crescer,

Não sei, não sei.

Fique por perto e você verá."

( www.youtube.com/watch?v=FX92FJ-lwXI )

Notas finais
Eu tô nesse clima super romântico porque ando ouvindo muito Beatles, aí decidi apressar o beijo (que foi bem podrinho mas eu prometo compensar vocês logo logo). -q Mereço review? :* Até a próxima!