Notas iniciais
OI GENTE o/ Capítulo novo saindo na segunda mais uma vez (tive que me segurar pra não postar antes, mas né). Espero que gostem. Tem uma pontinha de Daisuga e de Tsukkiguchi porque achei necessário ;o; Vou parar de enrolar, boa leitura~

– Mn- Ahn- Kageyama… – O ruivo se afastou minimamente do levantador, ofegante.

Fazia alguns dias desde que Hinata lhe propusera que se beijassem mais vezes para ver o que acontecia, e, até então, as coisas estavam indo descontroladamente bem. Descontroladamente porque se beijavam em praticamente todos os lugares, bastava que ficassem a sós ou escondidos. Naquele momento mesmo, Tobio prensava Shouyou contra uma das paredes do vestiário, torcendo para que ninguém os visse. Beijava-o com tanta vontade que pareciam amantes calorosos que não se viam há tempos (ainda que tivessem feito a mesma coisa nos dias anteriores). Haviam aprendido a usar a língua recentemente – graças aos conselhos úteis que Sugawara havia dado a Kageyama – e desde então não pararam mais.

Os lábios de Hinata não eram macios. Eram um tanto ressecados pela falta de cuidado, já que o pequeno se exercitava tanto que por vezes esquecia-se de beber água ou se cuidar (e, é claro, ele não passava gloss ou batom porque era coisa de menina). O hálito do pequeno não tinha um aroma de menta inebriante capaz de deixar qualquer um louco e ele também não tinha beijos capazes de deixar qualquer um louco, com técnicas exóticas e inovadoras. Mas, ainda sim, Tobio gostava bastante de beijá-lo. Sabia que era bastante desajeitado fazendo esse tipo de coisa, mas estava melhorando.

No começo foi bastante esquisito. Na verdade, foi desastroso. O ruivo não conseguia respirar durante o beijo e Kageyama não sabia exatamente como deveria movimentar a própria língua, ou onde deveria segurar. Mas, aos poucos, ambos foram descobrindo várias coisas juntos e aperfeiçoando-se. Não sabiam dizer se estavam ficando bons, já que nunca haviam beijado outras pessoas antes, mas satisfaziam um ao outro. E, por hora, isso estava funcionando. Funcionando até demais. O levantador sempre tentava ser o mais gentil possível quando ia agarrar Hinata, mas nem sempre funcionava. Às vezes, ele se empolgava um pouquinho mais do que o necessário, como naquele dia. Já deveriam estar fazia meia hora ali. Haviam chegado cedo demais para o treino, “sem querer” obviamente, mas por que não aproveitar enquanto podiam?

– Kageyama... – O pequeno insistia em chamar seu nome, por entre gemidos e muita troca de saliva. O levantador ficava totalmente hipnotizado nessas horas, ao ver o garoto mais corado do que o usual, e por saber que era a causa daquilo. Já o vira adquirir certo rubor, até porque sempre acontecia durante os treinos, mas, naquela situação, era completamente diferente, e deixava o moreno muito mais satisfeito do que em qualquer outra. – Kageyama! – Tobio balançou a cabeça, percebendo que, na verdade, Hinata realmente estava querendo chamar sua atenção. – Os... Os outros vão chegar daqui a pouco...

– Ah, sim. – Kageyama se afastou do menor, dando-lhe espaço. Realmente, logo os outros chegariam e os dois sequer haviam se trocado. “Droga. Eu preciso aprender a me controlar melhor.” Ficava realmente frustrado quando não conseguia ficar com o ruivo o tempo que gostaria, mas havia prometido a si tentar ser o mais paciente possível. Chegava a ser engraçado que tentasse, justo ele que era tão apressado, mas até que estava conseguindo, na medida do possível.

Virou-se para ir pegar seu uniforme, ainda um pouco desnorteado. Shouyou também estava, afinal, era ele quem estava sendo alvo daqueles beijos tão intensos dados pelo levantador. Seus cabelos estavam ligeiramente bagunçados, o que lhe dava uma aparência adorável, que Tobio tentava ignorar o máximo que podia, mas parecia impossível. O ruivo bagunçava toda a sua cabeça, que agora sempre estava alternando entre pensamentos sobre jogar vôlei, agarrar Hinata e, ocasionalmente, agarrar Hinata enquanto jogavam vôlei. Era bizarro. Os pensamentos mais errados vinham à sua cabeça nas horas mais inoportunas, e ele simplesmente não conseguia evitar.

Quando estava junto a Shouyou, tentava ao máximo não saciar suas vontades obscenas quando se beijavam, contentando-se em percorrer suas mãos apenas pela cintura do rapaz, e, quando muito, bem discretamente por seu quadril. Mas seu real desejo era simplesmente prensar o corpo do rapaz junto ao seu até dizer chega. E fazer várias outras coisas que tinha receio de falar – e até mesmo de pensar. Sabia que tinha de ir com calma, mas aquela puberdade tardia não o ajudava nem um pouco. A excitação que nunca sentira em seus quinze anos de vida agora estava lhe aterrorizando mais forte do que nunca.

– Kageyama, você viu minha blusa? – O pequeno perguntou, aproximando-se de Tobio. – Eu acho que você colocou na sua mochila ontem, por engano.

– Não sei, acho que não... – O levantador revirou as coisas, só para ter certeza. Estranhamente, lá estava a blusa. Esperava que Hinata não pensasse que ele era um pervertido esquisito que andava roubando suas roupas para ficar cheirando depois. Podia até estar se tornando um pouco pervertido, mas jamais faria esse tipo de coisa. – Uh. Na verdade, está aqui... – Entregou-a para o garoto.

– Obrigado. – O ruivo ficou na ponta dos pés para dar um beijo na bochecha de Kageyama, como agradecimento. Andava fazendo isso naqueles últimos dias, o que o deixava um tanto desconfortável. Não que não gostasse. Muito pelo contrário. Ficava tão feliz que era até incômodo. – Você está vermelho! – Shouyou observou, sorridente. É claro que ele sempre tinha que fazer esses comentários quando o rosto do levantador ficava ruborizado, o que só piorava as coisas.

– Cale a boca, idiota. – Kageyama uniu as sobrancelhas, irritado. – A culpa é toda sua.

– O que foi que eu fiz? – “E ainda pergunta...” Tobio estava indignado. Céus. Hinata o provocava sempre que possível. Fazia-se de inocente boa parte do tempo, mas não perdia uma chance de incitá-lo. Na verdade, talvez não tivesse mesmo muita noção do efeito que causava no moreno, mas ainda sim era imperdoável.

– Você é adorável. – Comentou quase como se fosse um insulto. – Irritantemente adorável! – Berrou.

– Quem é adorável? – Daichi entrou no vestiário junto com Sugawara e Tanaka, fazendo com que Kageyama quisesse enfiar a cara no buraco mais próximo e ficar lá durante o resto de sua vida. Parecia que as pessoas calculavam sempre que o moreno iria falar algo constrangedor, e aí apareciam na hora exata. Koushi deu uma risada breve, porque era o único que sabia o que estava se passando ali. Piscou para o outro levantador, como se quisesse incentivá-lo.

– N-Ninguém! – Tobio retrucou quase imediatamente. E não convenceu ninguém.

– Está gostando de alguém, Kageyama? – Tanaka lhe lançou um olhar bastante sugestivo, logo imaginando que deveria haver uma garota realmente bonita na história, que o chamaria de senpai e tudo o que sempre quis. Tobio balançou a cabeça negativamente, recusando-se a dar qualquer outra explicação. – Ora, vamos, pode ser honesto com a gente... – Deu alguns tapinhas nas costas do levantador, quase o fazendo engasgar de tanto constrangimento.

Nessa mesma hora, Noya, Asahi, Yamaguchi e Tsukki chegaram. Bem a tempo de ouvir a pergunta. “Que maravilha. Todo mundo chegou para me ver passando vergonha também.” Ultimamente os únicos comentários que fazia para si mesmo eram repletos de ironia pelas besteiras que andava fazendo, ou então eram reprimendas pelos pensamentos inadequados que tinha. Se martirizou até não poder mais, sentindo-se um pouco tenso com a pressão que os rapazes lhe faziam. Noya estava tão curioso quanto Ryuunosuke e incentivava Tobio a falar. Tsukki não poupava os comentários de como o Rei havia se apaixonado por algum plebeu – porque jamais perderia a oportunidade de zombar com a cara de Tobio. Asahi pedia amigavelmente que os amigos não pressionassem o garoto, mas mesmo Daichi parecia interessado no acontecimento inusitado, encarando Sugawara e se perguntando se ele sabia de alguma coisa (porque sempre era Suga-san quem sabia o que estava se passando no coração daquelas crianças esquisitas e inconsequentes).

Kageyama engoliu seco, estranhando um pouco aquela reação toda. Deveria ser realmente estranho que gostasse de alguém, porque havia causado uma comoção generalizada. Não sabia se isso deveria lhe fazer ficar feliz ou ofendido. Era quase como se fosse uma coisa muito estranha de sua parte se apaixonar. Quase podia ouvir as vozes ao fundo perguntando-se com incredulidade “Como assim, Tobio Kageyama tem um coração? Ele tem sentimentos como qualquer outro mortal?”. Mas, de qualquer forma, não se sentia muito bem o que dizer. Se é que deveria dizer alguma coisa. Era uma resposta óbvia. Simples. Mas muito complicada de ser pronunciada.

– Uh... Eu diria que sim. – Assentiu um tanto receoso quanto ao que viria a seguir.

– Mesmo? Quem é? – Nishinoya arregalou os olhos surpreso, praticamente avançando com perguntas para cima do levantador, juntamente com Tanaka. Tsukishima contentou-se em ajeitar seus óculos (mesmo ele estava um pouco afetado com o fato do moreno ter admitido), mas todos os outros demonstraram certa surpresa com a afirmação de Tobio, exceto por Sugawara, que, como já foi dito antes, sabia de tudo com mais detalhes do que qualquer outra pessoa.

O moreno suspirou e sutilmente encarou Hinata, que parecia bastante distraído de todo aquele assunto. Bem, não era muito interessante mesmo. O levantador provavelmente estaria da mesma forma caso não fosse ele próprio sendo alvo daquelas perguntas um tanto invasivas e inconvenientes dos amigos. Era ele. O maldito nanico que mexia tanto com o coração do levantador, e não parecia dar a mínima para aquilo. Tobio perguntava-se como ele reagiria – se é que esboçaria alguma reação fora do comum – se soubesse como sempre estava nos pensamentos do rapaz, como lhe causava as reações mais diversas quando gemia seu nome, como lhe fazia sentir-se alegre mesmo quando só estava sendo ele mesmo. Talvez não. Provavelmente não. Era lento demais para isso, mas não fazia mal algum ponderar.

– Vamos, Kageyama, diga quem é! – Noya insistiu.

– Hm... – O rapaz coçou a cabeça. – Não me sinto muito confortável para falar sobre isso.

– Ela sabe, pelo menos? – Tanaka perguntou. – Porque nós podemos te ajudar. Somos muito bons com garotas.

– Essa é boa. – Zombou Tsukki, com uma risadinha vaga. – Ele já vai fazer tudo errado sozinho, imagine com vocês ajudando...

Sugawara não pôde deixar de rir do líbero e de Ryuu enchendo o loiro de ameaças e comentando o quanto eram bons com garotas, o quanto garotas eram adoráveis quando vestiam uniformes ou quando faziam coisas bonitinhas, etc, etc. Talvez porque soubesse que não era uma garota que era “irritantemente adorável” para Kageyama, mas sim o rapazinho ruivo que estava logo ali, e que provavelmente passaria despercebido dentre as opções de prováveis interesses amorosos de Tobio. Pelo olhar que Daichi lhe lançou ao ouvi-lo, com os olhos semicerrados, notou que talvez o capitão estivesse cogitando aquilo. Mas certamente ele seria o único. Assentiu a cabeça discretamente, dando um sorrisinho para Sawamura, como quem dizia “É isso mesmo que você está pensando”.

Para a sorte de Kageyama, a discussão com Tsukki ficou tão acalorada que a hora do treino chegou e os rapazes pararam com as perguntas – isso porque Daichi interrompeu, dizendo que não podiam se atrasar de forma alguma. Ainda bem que não teria de falar mais nada sobre aquilo, pelo menos por hora. Não saberia inventar uma mentira qualquer, dizendo que estava interessado numa garota. Nunca soube mentir. Mesmo omitir era uma tarefa complicada para si. Era realmente difícil ser honesto demais.

– Irritantemente adorável? – Provocou o ruivo, quando os dois estavam caminhando para a quadra, arqueando uma das sobrancelhas.

– Eu não vou repetir isso nunca mais. – Resmungou, fazendo o pequeno rir discretamente.

Um pouco a frente, Sugawara e Daichi estavam se alongando, enquanto os outros corriam pela quadra. Não que o capitão estivesse bravo com Koushi por não ter lhe contado sobre isso antes, mas definitivamente estava encucado com o assunto. Ele sempre lhe contava aquelas fofoquinhas, por que dessa vez fora diferente?

– Eles estão namorando? – Perguntou, num tom baixo. – Aliás... Quanto tempo faz que isso está acontecendo? E por que você não me contou? – Encarou o levantador com um tom meio ameaçador, que, na verdade, nunca funcionava. Suga-san já conhecia o moreno o bastante para saber que aquela expressão brava era pura faixada.

– Faz uns dias. – Deu de ombros, alongando as pernas. – Acho que deve ter feito uma semana que eles se beijaram pela primeira vez, mas não estão namorando. Tobio é bastante devagar. – Sorriu. – Parece alguém que eu conheço.

Daichi fez uma expressão afetada, mas tinha de concordar, por mais que a afirmação ferisse um pouco do seu orgulho. Realmente era muito devagar para esse tipo de coisa. Também era um capricorniano, no fim das contas.

– Desculpa. – Murmurou. Já fazia um tempo considerável desde que se declarara para Sugawara, mas fora desajeitado o bastante para tornar o dia fatídico inesquecível. Para ambos. Obviamente fora Koushi que tomara a iniciativa, mas o pedido de namoro ficou por conta do capitão, e ocorreu depois de longos meses de espera e muito receio de não atender às expectativas do levantador. – Foi o Kageyama que te contou?

– Ah, sim. Foi meio sem querer. – Riu. – Ele terminou falando por quem ele estava apaixonado num acesso de pânico. E eu, que sabia como ele se sentia, tentei incentivá-lo a se declarar. Ele saiu bem melhor do que eu esperava. Mas ainda precisa aprender a ser mais contido... – Sugawara encarava o moreno brigando com Hinata enquanto levantava para ele durante o aquecimento. – Obrigado por tê-lo salvado hoje. Sabe que Tobio é horrível para inventar mentiras e provavelmente não está pronto para falar que está com o Hinata.

– Eu imaginei. Só estranhei você não ter me dito nada antes. – O capitão sorriu, era incrível como conseguia se comunicar perfeitamente com Sugawara através do olhar. Ficou realmente feliz por ter ajudado, pois ficaria igualmente desconfortável se estivesse na mesma situação que Kageyama. Praticamente ninguém sabia que ele e Sugawara estavam juntos, mas não era por medo, vergonha, ou qualquer coisa do tipo... Apenas porque eram imensamente discretos, e ninguém jamais perguntava. Se perguntassem, falariam sem problemas, mas os amigos eram desligados demais para isso. – Você vai lá pra casa mais tarde? – Perguntou, bem-humorado.

– Esse é o tipo de coisa que não posso sair contando para você. – Explicou. – O Tobio confia em mim, então, por favor, sem fofocas. – Brincou, fazendo Daichi torcer o nariz. – E eu conheço essa sua cara de alegria, Daichi...

– Isso quer dizer que você vai? – Insistiu, quase como um cachorrinho sem dono.

– Vou sim.

Sawamura alargou o sorriso quando ouviu a resposta do levantador. Por mais que sempre combinassem de fazer coisas daquele tipo, sempre ficava bastante contente quando o rapaz aceitava seus convites. Seus pais não estariam em casa, obviamente Koushi já sabia disso. Surpreendia-se ao ver como o capitão podia ser cheio de segundas intenções. Justo ele que parecia tão bonzinho – na medida do possível, sobretudo se não se tratasse de Asahi –, não perdia uma chance de arrastar Koushi para sua casa para que ficassem sozinhos. Mas Sugawara não via nada de ruim nisso, muito pelo contrário.

Do outro lado da quadra, Tsukki e Yamaguchi davam voltas pela quadra. O loiro de óculos acompanhava o ritmo do menor, apenas porque não queria se esforçar o bastante para correr mais rápido, como costumava fazer. Nunca se empenhava a ponto de gastar energia, e esperava se conservar assim por muito mais tempo. Não pôde deixar de notar o olhar do amigo, que estava um pouco ofegante por ser menos astuto e, definitivamente, por não estar tão em forma. Tadashi não conseguia entender como o loiro conseguia manter-se tão bem mesmo evitando atividades físicas e sempre parecendo indisposto quando era obrigado a fazê-las. Ele era mesmo muito bom. Tinha sorte que ele desacelerasse para acompanhar seu ritmo.

Tsukishima não se importava que Yamaguchi fosse mais devagar, e muito menos o desmerecia por isso. Não sabia por que, mas o garoto era uma das únicas pessoas que não o irritava. Até mesmo diria que gostava dele, mas achava esse termo um tanto errôneo. Talvez só fosse apegado com o rapaz devido à convivência, terminando por acostumar-se com a presença dele. Entretanto, de fato achava que Tadashi era uma boa pessoa. Bastante desajeitado e um pouco ingênuo, mas definitivamente muito melhor do que a maioria. Tê-lo fazendo-lhe companhia não era ruim.

– Tsukki... – O moreno chamou. – Alguma suspeita sobre quem é a pessoa em que Kageyama está interessado? – O loiro estranhou a pergunta. Não achava que aquele era o tipo de assunto que geralmente atraía a atenção de Yamaguchi.

Suspirou antes de formular uma resposta.

– É bem óbvio, na verdade. – Retrucou. – Chega a ser desinteressante, mas acho que ainda vai demorar um pouco para que os outros descubram. Fiquei realmente surpreso quando o Rei admitiu, porque, para mim, ele sequer desconfiava de seus sentimentos.

Tsukishima não era como os outros colegas de equipe. Por mais que pudesse afirmar veemente que se apaixonar não estava na sua lista de coisas para fazer, sempre fora um bom observador e estava a par de tudo o que acontecia à sua volta. Não costumava ser da sua conta, por isso, raramente se metia ou expressava qualquer opinião – para ser bem honesto, sequer tinha opiniões formadas sobre esses assuntos –, mas sempre sabia. Sabia sobre Daichi e Sugawara, por mais que não fosse muito próximo do capitão e do levantador reserva. Era o tipo de coisa que dava para notar só por ter um olhar mais crítico sobre a situação, e era justamente por isso que ninguém mais percebia. Os membros do time de vôlei de Karasuno simplesmente não tinham noção do que se passava fora das quadras.

Mas tinha de dizer que a química entre o Rei e Hinata era um tanto óbvia demais. Sempre foi. Desde que se odiaram no princípio e depois se tornaram uma dupla formidável, sempre esteve na cara o que sentiam um pelo outro. Era a típica atração instantânea, e era realmente fascinante o quanto eles conseguiam ser estúpidos e ignorantes sobre os sentimentos que tinham um pelo outro. Kageyama tinha um olhar diferente para o ruivo, um olhar que ia além de admiração ou afeto. Era um olhar de completa satisfação. Um olhar que ele nunca lançava para os outros jogadores, por mais que fizessem lances formidáveis na quadra. Aquele olhar só era mostrado quando Hinata pontuava seus lançamentos.

Shouyou, no entanto, não era tão óbvio. Ele tinha aquele olhar de fascínio quase infantil que sempre lançava para quem era mais habilidoso que ele (o que não era difícil, ao ver de Tsukki). Mas com Tobio também ia além. Quando o levantador lhe elogiava, seu desempenho melhorava ainda mais. Era como se fizesse as coisas inconscientemente pensando na aprovação de Kageyama. Sabia que não era só por isso – o ruivo era determinado mesmo antes de conhecer o Rei –, mas o ponto era que sempre dava o seu melhor quando estava próximo ao moreno. Os dois juntos eram devastadores. Mesmo alguém como Tsukishima, que pouco se importava com essas coisas, tinha de admitir.

No entanto, por mais que fosse óbvio, Yamaguchi ainda estava esperando uma resposta mais concreta por parte do Tsukki, o encarava com uma expressão de “vai falar ou não?” um tanto ansiosa demais. O loiro apontou discretamente para Hinata, que estava recebendo os levantamentos do maior dando saltos energéticos. Tadashi cobriu a boca com uma das mãos, surpreso e um tanto horrorizado.

– Não! Sério? – Tsukishima deu uma risadinha, porque o amigo acabara de soar como uma garotinha histérica com fofocas.

– É sério. – Assentiu. Era uma informação difícil de processar de primeira, mas o moreno sardento logo teve de admitir que era óbvio mesmo. Como não suspeitara de todo aquele tempo que os dois passavam juntos? Ou das brigas incessantes? E mesmo das jogadas absurdamente bem sincronizadas? Tinha de ter algo a mais ali.

– O Hinata sabe? – Perguntou.

– Isso eu já não posso te responder... – Ajeitou os óculos, dando de ombros. Talvez ele soubesse. Ainda sim, era mais provável que não. O ruivo era denso demais. As pessoas daquele clube eram bastante tapadas no geral, mas ele conseguia superar a todos ali. – Mas não é da nossa conta.

– Ah. – Yamaguchi tinha de concordar. Sentiu-se um tanto culpado por ter ficado curioso quanto ao assunto. Gostaria de ser mais como Tsukki, que não ligava para a maioria das coisas simplesmente por achá-las desinteressantes. – Bem, espero que funcione... Entre os dois.

Tsukishima esboçou um sorrisinho irônico.

– Essa é uma das poucas coisas que Vossa Majestade não sabe fazer. Ele ficou bastante desconfortável ao ser pressionado. Vai ser divertido ver no que vai dar.

– É. – Tadashi encarava Hinata e Kageyama e não podia deixar de se sentir um tanto feliz pelos dois. Não que fosse um rapaz romântico, mas eles combinavam. – Mas deve ser legal ter alguém assim para passar o tempo com você. Digo, alguém que goste das mesmas coisas que você e essa coisa toda de sincronia.

– Pff. – Tsukki lançou uma olhada levemente debochada para o amigo. – É bastante desnecessário.

– Bem... Eu não me importaria de viver algo assim. – Yamaguchi deu de ombros, recobrando o fôlego e terminando por despontar na frente de Tsukki. Eram poucas vezes que ele o ultrapassava, mesmo que o loiro estivesse fazendo de tudo para desacelerar.

Observou o moreno sardento fazer a curva, sem se importar em ir atrás dele.

Não entendia porque a última afirmação feita pelo rapaz o deixava tão desconcentrado.

Notas finais
Não foi tãão focado em KageHina (?), mas achei que os outros casaizinhos mereciam essas pontinhas na história, dsclp. ;u; Bom, acho que cês perceberam, mas a cena do prólogo meio que foi encaixada aí, mas só que mais detalhada e tal. q Mereço review? Até a próxima semana :3