Notas iniciais
OI GENTE ♥ Como cês tão? Tá super gay o capítulo, já aviso de antemão. KLSD~ÇL. Mas não resisti e espero que cês gostem! Esse tem bastante foco em KageHina. Boa leitura~

– A gente deveria estar na aula. – Hinata comentou, encarando o céu cheio de nuvens naquele dia ensolarado de primavera. – Já deve ter um substituto lá.

Era sexta-feira e um de seus professores havia faltado, o que havia lhes dado uma brecha para escapar por um horário. O problema é que ficaram muito entretidos no parque e terminaram por não voltar mais. Não tinha treino naquela tarde, portanto, era provável que sequer voltassem para a Karasuno naquele dia.

Não era do costume de Shouyou se importar com a escola e ele definitivamente não se importava de estar ali ao invés de estar estudando, mas tinha de fazer aquela constatação, porque o silêncio parecia estar se estendendo por tempo demais e Hinata nunca gostava quando isso acontecia. Eles estavam esparramados na grama, com as costas pinicando na terra úmida e observando o tempo passar. Sim. Era exatamente isso que estavam fazendo. Observando o tempo passar de mãos dadas. Era uma coisa esquisita para se fazer, mas sempre ficavam de mãos dadas quando podiam. Era quase automático.

– Eu sei. – Tobio respondeu, depois de algum tempo refletindo. – Mas eu não quero voltar pra lá.

– Eu também não. – Admitiu.

Apertou a mão do moreno, entrelaçando seus dedos nos dele. Era incrivelmente macia, o que não era esperado de uma pessoa que joga vôlei desde que se entende por gente. Virou o rosto para o maior, observando seus olhos azuis escuros intensos. Contrastavam com o azul anil do céu daquela manhã, mas não deixavam de ter a cor mais bonita e diferente que já vira na vida. Ele não tinha a expressão séria e aborrecida, com o cenho franzido e tenso de sempre. Parecia bastante calmo. Ultimamente, Hinata o via cada vez mais assim, talvez por se encontrarem cada vez mais fora das quadras. Gostava dessa versão do levantador. Era bom dar uma variada, de vez em quando.

– É a primeira vez que vemos as nuvens juntos. – Shoyou comentou como se fosse algo bastante corriqueiro a se dizer.

– Estamos fazendo várias coisas pela primeira vez. – Tobio retrucou, não dando a devida importância para o assunto. Ok. Na maioria das vezes ele não conseguia enxergar a beleza das coisas simples ou a relevância que elas tinham para Hinata, mas o ruivo não podia culpá-lo. Kageyama era um cara bastante insensível na maioria das vezes, mas estava claramente dando o melhor de si. Vendo que o pequeno ficou calado, contentando-se por observá-lo com uma expressão insatisfeita, terminou por se incomodar. – O que foi? Por que está me encarando assim?

– Você não acha que... Deveríamos notar o formato das nuvens? Sabe, essas coisas... – O moreno riu em resposta, desfazendo a expressão rígida que se formara há pouco. Trouxe Hinata para mais perto de si, envolvendo-o com um de seus braços. O pequeno aconchegou-se, com a cabeça no peito do levantador.

– Foi uma sugestão bem estúpida. – Ele teve de zombar. Sério mesmo? Olhar as nuvens? Não parecia nem um pouco divertido.

Shouyou lhe lançou um olhar de reprovação. O levantador não gostava de ter aqueles imensos olhos castanhos o encarando daquela maneira. Mas o que podia fazer? Não se interessava por aquele tipo de coisa e não conseguia fingir que parecia divertido. Não sabia bem por que o ruivo se entretinha com aquelas besteiras. Já fazia algumas semanas que estavam daquele jeito. Hinata não mudara seu posicionamento sobre eles continuarem se beijando, mas também não havia dito mais nada. No entanto, aparentemente estava tudo bem para Kageyama. O pequeno deixava que ele lhe tocasse, e, ainda que não tivessem passado dos beijos e das mãos bobas, o moreno estava bastante contente com seus avanços.

O ruivo também estava aprendendo a aceitar o sentimento de Kageyama. Era meio difícil acreditar no afeto que o moreno sentia, mas, quando ele lhe abraçava ternamente, ou lhe beijava timidamente nas bochechas, Hinata sabia. Sabia que havia algo ali que os tornava mais do que amigos ou colegas de equipe. Podia dizer que estava se apegando cada vez mais ao levantador, mas suas atitudes o descontentavam algumas vezes, o que fazia com que o pequeno se questionasse se de fato o correspondia. Parecia que, após Shouyou tê-lo aceitado, tornara-se um tanto desleixado quando se tratava dos dois. Tinham vezes que saíam juntos, e, na maioria delas, seguravam as mãos, mas Hinata não achava que relacionamentos fossem construídos só por essas coisas. E não sabia se podia se apaixonar por alguém assim.

Não havia muito diálogo entre os dois. Tobio era muito bom com beijos, mas deixava um pouco a desejar com palavras e muitas vezes parecia não se importar com o pequeno. Hinata tentava se esforçar para enxergar as entrelinhas, mas na maior parte do tempo, parecia que não havia nada ali. Talvez fosse realmente denso demais para notar, mas tinha a impressão de que algo faltava. Algo que era realmente importante.

– Por favor, Kageyama... – Pediu, com voz manhosa. Kageyama grunhiu em resposta, mas terminou por dar-se por vencido. Encarou o céu. A brisa matinal balançava seus cabelos, expondo sua testa e fazendo-o parecer engraçado.

– Hm... – Por mais que se esforçasse, todas aquelas nuvens fofinhas não adquiriam forma alguma a seu ver.

– Aquilo é... Um gatinho! – Shouyou apontou animadamente para algo que Tobio identificaria, no máximo, como uma batata. Apertou os olhos tentando ver o maldito gatinho de que o ruivo estava falando, mas não tinha nada ali. Não tinha forma alguma.

– Tem certeza? Parece com uma batata. – Tinha de ser honesto. Aquele gatinho estava muito mais para um tubérculo.

– Kageyama! – Hinata contestou. – Não é uma batata. É um gatinho. Olhe as orelhas ali!

Tobio terminou por achar graça. Sua risada sempre causava bastante efeito, talvez porque raramente o moreno risse de maneira sincera e despretensiosa. Não sabia se era a nuvem que era engraçada, ou sua falta de imaginação que tornava a situação ridícula, mas sentia vontade de rir. Aquele riso derretia o coração do ruivo, e o fazia repensar, pela milésima vez, sobre suas dúvidas. Não havia nenhum outro som que o fizesse se sentir tão... Confortável. A risada sonora de Kageyama era como chegar em casa após um dia cansativo e desgastante. Trazia-lhe uma paz que nunca sentira antes. Era impossível negar o quanto o moreno mexia com os sentimentos de Hinata, e não porque ele lhe fazia sentir borboletas no estômago ou o coração bater mais rápido. Não era nada exagerado assim. Eram os gestos simples, como aquela risada de quem estava realmente se divertindo, ou os olhares fixos que ele lhe lançava com frequência mais constante do que deveria. Ele era péssimo. Absolutamente péssimo em demonstrar o que sentia. Mas também era horrível em esconder. Como podia?

Todas aquelas primeiras vezes dos dois estavam sendo ridiculamente desajeitadas, mas Shouyou gostava delas mesmo assim. Era um engano comum pensar que relacionamentos eram feitos de cenas bonitas e momentos poéticos. Ele, como todas as outras pessoas, também tinha essa ilusão. Mal sabia que nem sempre era assim. Aliás, raramente era. Lembrava-se vagamente que sua mãe uma vez lhe dissera que os relacionamentos consistentes são compostos por vários momentos horríveis, mas que te fazem continuar com a pessoa porque os momentos bons sempre valem mais a pena. Não entendia o significado daquilo. Talvez a risada de Tobio e aquela tentativa muito falha de observar as nuvens algum dia fosse compensar pelos maus agouros que teriam de passar, caso continuassem juntos. Mas talvez não. O futuro era algo tão incerto... O ruivo não sabia por que estava refletindo sobre isso num dia perfeito para manter a cabeça vazia, talvez toda aquela situação lhe fizesse ficar mais pensativo. Não sabia dizer o que esperava do levantador, nem se suas expectativas estavam num patamar mais alto do que deveriam, mas tudo o que estava acontecendo entre os dois o deixava confuso. Queria conseguir expressar aquela frustração em palavras, mas sabia que a única coisa que sairia de sua boca seria um “GWAAAH!” alto e sonoro. Ah... Como era complicada a puberdade!

Passaram o resto da manhã observando o céu em silêncio, e aproveitando o momento para se beijarem diversas vezes. Não havia ninguém por perto, mas mesmo assim não avançaram muitos estágios – não que precisassem. Os mínimos toques bastavam para que o levantador ficasse excitado. Ereções inconvenientes haviam se tornado uma constante em sua vida sempre que o pequeno estava por perto. Mas, em sua defesa, a culpa era toda de Hinata. O ruivo sempre sentava em seu colo quando podia, e toda aquela fricção de corpos, saliva compartilhada, o cheiro forte de Shouyou... Eram demais para ele. Sobretudo o cheiro do rapaz. Era de suor, na maioria das vezes, mas atiçava Kageyama. Talvez porque fosse o cheiro natural do ruivo, e Tobio tivesse alergia a perfumes muito fortes... Mas gostava dele daquele jeito. E mesmo quando o suor salgava seus lábios, era uma boa sensação. Não dava para explicar o quanto beijar Hinata só se tornava mais prazeroso com o passar do tempo. Talvez porque ele realmente estivesse ficando melhor naquilo, e já não babasse tanto.

Quanto às ereções, bem, Kageyama se esforçou ao máximo para escondê-las das primeiras vezes, mas elas apareciam às vezes só de pensar no ruivo, ou de vê-lo em seu uniforme de vôlei. Era bastante incômodo, e quase incontrolável, mas uma vez ela surgira num momento constrangedor demais para que o levantador conseguisse escapar. O ruivo estranhara. Também ocorria com ele, ainda que com menos frequência do que com o moreno. Não imaginou que pudesse causar aquele efeito em alguém, e nem que aquilo fosse lhe atiçar tanto.

– K-Kageyama... Você está... – Foi a única coisa que conseguiu dizer na hora, enquanto sentia as bochechas ferverem. Deveria estar tão vermelho quanto seus cabelos. O moreno lhe lançou um olhar ameaçador, como se fosse matá-lo caso terminasse a frase.

Em seguida, Tobio murmurou um pedido de desculpas bastante insensível, despejando toda a culpa do ocorrido no ruivo (como sempre). Este, por sua vez, se sentiu particularmente ultrajado com toda a situação. Se o levantador não conseguia controlar as próprias calças, a culpa definitivamente não era dele. As desculpas prosseguiram até que ambos pararam de se importar, ou de se sentirem demasiadamente envergonhados para continuarem se agarrando. Se agarrar havia se tornado uma prioridade na vida dos dois, e não seriam impedidos por uma simples ereção.

A manhã (ou o resto dela) passou rápido. Quando o ruivo se deu conta, já eram três horas e Kageyama estava indo deixá-lo em casa. Estava levando sua bicicleta, o que só podia significar que ele estava de ótimo humor – e quem não ficaria depois dos amassos que haviam acabado de dar?

Hinata estava com os cabelos ainda mais bagunçados, e mesmo Tobio, que costumava ter os fios rentes, estava com as mechas desalinhadas, como se tivesse acabado de sair da cama. Havia um pouco de grama nelas também, Shouyou as ajeitou rapidamente, para que não denunciasse o que haviam acabado de fazer.

– Hinata... – Foi a vez de Kageyama quebrar o silêncio, o que era bastante incomum. – Mais cedo... Você ficou, uh... Chateado?

– Com o quê?

– Você sabe. Com as nuvens. – Retrucou, unindo as sobrancelhas. Esperava que não houvesse outros motivos para o ruivo se chatear, porque passara algum tempo pensando na melhor maneira de se desculpar pelas nuvens, ainda que a culpa fosse totalmente delas por parecerem tubérculos indefinidos. Ah, essa mania do levantador de sempre colocar a culpa nos outros... Mesmo que fossem objetos inanimados.

– Não. – Deu de ombros.

– Eu s-sinto muito... – As palavras saíram baixas, quase inaudíveis, e de um jeito muito esquisito, como se estivessem sendo pronunciadas de má vontade. Mas não estavam. Era um verdadeiro “sinto muito” que ele jamais diria para qualquer outra pessoa. E que lhe doía bastante pronunciar, diga-se de passagem. – Eu nunca fiz isso antes.

Shouyou arregalou os olhos.

– Sua mãe nunca te levou para observar as nuvens? – Perguntou, indignado.

– Não... – Negou. Kageyama não tivera o que se podia chamar de uma infância ativa. Seus pais não eram do tipo que faziam várias atividades ao ar livre com o filho, nem nada do tipo. Fora que o moreno também nunca fora exatamente interessado nesse tipo de lazer.

– Ora! – O ruivo mal conseguia acreditar. – Minha mãe sempre fazia isso comigo. E agora com a Natsu... Ela tem uma ótima criatividade. Teve uma vez que ela me disse que viu uma nuvem que era metade dinossauro e metade ornitorrinco. – Ele riu. – Eu não acreditei, mas é claro que ela me convenceu. Ela é muito inteligente.

Das conversas relevantes que Hinata e Kageyama tiveram, as que mais perduravam certamente eram as que eram sobre a irmãzinha do ruivo. Tobio estranhamente adorava crianças – talvez porque nunca tivesse que cuidar de uma –, mas não tinha muito jeito com elas (ou com pessoas no geral). Nunca havia conhecido a garotinha, mas aguardava ansiosamente por esse dia, e demonstrava profundo interesse em tudo o que se tratava da mesma. Pelo que Shouyou falava dela, parecia ser adorável, e o ruivo não poupava elogios para a irmãzinha, por mais que ela o perturbasse na maior parte do tempo – mas Hinata encarava isso como naturalidade, pois, afinal, era apenas seu dever como irmã mais nova. O levantador notava como os olhos do pequeno cintilavam quando se tratava de Natsu, e isso sempre o fazia se sentir mais leve.

– A Natsu parece ser bem legal. – Kageyama comentou despretensioso.

– Ela é.

– Mais legal do que você, inclusive. – Não conseguiu resistir ao comentário. No mesmo momento, chegaram a frente do portão de Hinata. A subida para lá era sempre cansativa, mas, como o dia estava fresco, não se sentiam tão cansados.

– Ha. Ha. Hilário, Kageyama. – Mostrou a língua para o levantador, um tanto irritado. – Você quer conhecê-la? Ela já deve ter voltado da escola.

Tobio surpreendeu-se com o convite.

– Eu posso?

– Claro que sim, idiota. Vamos entrar.

Entrar na casa dos Hinata era algo que Kageyama também faria pela primeira vez, e, honestamente, não sabia se estava se sentindo psicologicamente preparado para isso, mesmo que fosse só para conhecer Natsu. Mas o ruivo nem o deixou contestar, ou tentar inventar uma desculpa para ir embora, simplesmente o puxou pela mão. Tirou os sapatos – ao menos isso Hinata o deixou fazer – e caminharam para dentro. A garotinha ruiva estava sentada no chão com várias canetinhas e papéis rabiscados. Parecia realmente compenetrada no que estava fazendo, tanto que o moreno pensou seriamente em não interrompê-la, mas Shouyou logo foi sentando-se ao lado da menina e pegando um de seus papeis. Aparentemente, seus pais não estavam em casa.

– Niichan! – A menina sorriu, largando o que estava fazendo imediatamente para dar um abraço em Hinata, que retribuiu com o mesmo afeto. Tobio apenas ficou observando em pé, bastante sem jeito, com as mãos nos bolsos, até que Natsu finalmente percebeu sua presença.

Ela tinha olhos enormes como seu irmão mais velho, mas certamente era muito mais graciosa, e menor. Quando ela caminhou na direção do levantador, pareceu muito pequena. Kageyama ajoelhou-se para encará-la melhor. Ela tinha belos cachinhos ruivos e bochechas fofas.

– Niichan... – Virou-se para Shouyou, que não sabia muito bem como apresentá-lo. – Esse é o moço alto e mau de quem você falou?

Kageyama lançou um olhar ameaçador para Hinata por trás da garotinha. O ruivo deixou escapar um “Gaahh!” de puro terror.

– Eeh... Natsu. Esse é o Kageyama. – Coçou a cabeça. – Ele é alto e mau como eu disse. E aparentemente não sabe identificar formatos de nuvens, acredita nisso?

Não perderia a oportunidade de difamar o levantador para sua irmã mais nova. Mas ela não parecia muito convencida, virou-se novamente para o moreno e apertou suas bochechas, fazendo-o estranhar um pouco o gesto. Ela o analisava silenciosamente, como se quisesse estudá-lo ou como se Kageyama fosse uma espécie muito exótica de extraterrestre (o que, para alguns, ele era).

– Ele não parece mau. – Concluiu. – E nós sempre podemos ensiná-lo a observar nuvens!

Kageyama suspirou aliviado, mas Hinata estranhou um pouco. Qualquer um que o visse definitivamente poderia concluir que ele era mau. Era só olhar para aquelas sobrancelhas e sentir aquela presença ameaçadora. Mesmo na frente de uma garotinha ele parecia tenso e mantinha-se praticamente impassível.

– V-Você... Pode me chamar de Tobio... – O levantador gaguejou, fazendo uma breve referência. Estava realmente sem jeito perante Natsu, como se não quisesse passar uma imagem ruim. Ficou bastante feliz que ela não tivesse caído na lábia de Shouyou.

– Tobio-niichan! – Ela sorriu, e Kageyama fez o mesmo, sem sequer perceber.

– Eu agradeceria se você pudesse me mostrar as nuvens, porque seu irmão é horrível com isso.

– Não é? – A menina concordou. – O niichan vê umas coisas que não existem! – Ela arregalou os olhos indignada, fazendo Tobio rir e Shouyou surtar com o comentário. Havia certa semelhança entre aqueles dois irmãos, com certeza.

De repente, todos os traços da feição do levantador amoleceram. Hinata já o havia visto mais relaxado, mas definitivamente não daquele jeito. Ele estava... Adorável. Estupidamente adorável (havia virado uma piada interna para o ruivo desde aquele dia no vestiário). Parecia verdadeiramente fascinado com Natsu, que logo resolveu mostrar todos os seus desenhos para ele, começando pelo que ela fizera de Hinata com um gatinho e um dragão – não tinha muito nexo, mas ninguém se importava. “Ele não parece mau”. Daquele jeito, realmente não parecia. Aquele era um Tobio que o ruivo não conhecia, e que parecia bastante compenetrado em escutar o que sua irmãzinha mais nova tinha a dizer. Não sabia que ele podia ser tão afável com alguém, tanto que chegou a se espantar, mas não pôde deixar de apreciar a cena. Queria que Suga-san pudesse ver aquilo, porque era uma graça.

Dizem que crianças conseguem enxergar a aura das pessoas porque são puras. Shouyou não acreditava muito em superstições, mas talvez – só talvez – aquela fosse verdade. Kageyama parecia ter um muro a sua volta que o tornava alguém de difícil convivência, sobretudo por causa de seu temperamento esquentado e suas atitudes egoístas. Talvez as pessoas não conseguissem ver como ele realmente era. Talvez Hinata também não conseguisse ver, se não fosse por Natsu. Mesmo os olhares mais sinceros que o levantador lhe lançava não tinham tanta bondade quanto o que ele direcionava à pequena. E ele nunca pareceu tão interessado em seus assuntos. A ruivinha também parecia encantada com ele, o que nunca aconteceu com seus outros amigos. Natsu era uma criança bastante distraída – traço que puxara do irmão mais velho –, mas Tobio conseguira despertar seu interesse. Era realmente uma proeza do levantador.

– Você quer ver minhas pelúcias? – A garotinha perguntou, depois de ter explicado minuciosamente seu desenho de uma paisagem meio abstrata que Kageyama teve de se esforçar bastante para entender, ele concordou, e partiram para o quarto da menina.

– Desde quando você é tão legal assim? – Hinata perguntou, num tom baixo. Os dois haviam ficado um pouco atrás, não conseguindo acompanhar o passo de Natsu.

– Idiota. – Tobio corou vagamente, desviando o olhar, mas Shouyou depositou um rápido selinho em seus lábios, fazendo com que o moreno o encarasse mais uma vez. Hinata sorria timidamente.

– E depois eu que sou adorável...

Tobio puxou o ruivo para si e o beijou mais uma vez.

Não teriam parado se Natsu não tivesse aparecido no corredor para apressá-los.

Notas finais
Como eu disse: GAY. KLDSÇLFS. Mas não resisti. Amo a Natsu. Amo caras como o Tobio com criancinhas. Amo viadagem. ;O; Mereço review? Até a próxima semana~