Underneath it All
8 No, you boys never care
Notas iniciais
“A gente precisa conversar” definitivamente é o tipo de frase que acaba com o humor de qualquer um. Tobio não sentia mais vontade de beijar Hinata, aliás, sequer tinha vontade de olhar para ele. Não entendia o que poderia haver de errado na situação dos dois, mas não tinha a mínima vontade de descobrir, também. Respirou fundo algumas vezes, esforçando-se para manter a calma. O problema de ter um pavio curto era que em ocasiões como aquela o levantador tinha de se esforçar muito para não ser grosseiro.
Ainda sim, quando Shouyou pediu que esperassem que a sessão que acabasse para terem a tal conversa, ele concordou sem protestar nenhuma vez. Ótimo. Fariam como ele quisesse. Tentou não ficar ansioso, mas não conseguiu prestar mais atenção em nenhuma fala do filme e roeu as unhas até o talo. Dois de seus dedos já sangravam, de tão agressivas que eram as dentadas que dava. Não sossegou até que os créditos finais rolassem e os dois fossem para fora do cinema. Sentaram-se num banco qualquer da pracinha vazia, rodeados por vários pássaros que cantarolavam animadamente nas árvores verdes cheias de flores.
Aquele era definitivamente um dia bonito, uma pena que não fosse aproveitado da maneira como deveria. Ficaram quietos por um bom tempo, apenas observando a fonte que havia no centro da praça. Tinha uma estátua desgastada de baleia que jorrava uma água rala, ainda que cristalina, formando uma cascata. O barulho que ela fazia poderia ser extremamente relaxante em qualquer situação que não fosse aquela.
Era a primeira vez, em todo aquele tempo, que saiam sem dar as mãos um para o outro.
– O que você acha que nós somos? – Hinata fez a indagação tão rapidamente que Kageyama demorou uns quinze segundos para processá-la. O pequeno lhe encarava com os olhos amendoados de modo um tanto receoso, como se realmente tivesse se segurado para não trazer o assunto à tona.
– P-Porque você está me perguntando isso? – O moreno desviou o olhar. Ora, era uma pergunta estúpida. Mas talvez fosse muito mais estúpido de sua parte não ter uma resposta para ela. Não eram namorados. Oficialmente, sequer eram ficantes, ou sabe-se lá como estavam chamando nos dias de hoje. Talvez fossem amigos coloridos, mas esse era um termo brega demais pra ser dito em voz alta.
O ruivo coçou a cabeça. Era mais complicado do que imaginava esse negócio de tentar ter uma conversa séria.
– Porque sim. – Ele retrucou. – Kageyama, eu não sei o que a gente ‘tá fazendo. De verdade.
– O que você quer dizer com isso? – Tobio arqueou as sobrancelhas. Ele também não sabia, mas exigia uma explicação mais bem elaborada.
– Digo... É legal quando a gente se pega. – Hinata concluiu que não havia um modo mais sucinto de falar aquele tipo de coisa, então foi dizendo qualquer coisa que lhe viesse à cabeça e que parecesse fazer o mínimo sentido. – Nós temos uma coisa que é bem... Não sei explicar... Mas eu gosto. O problema é que eu também ando muito confuso.
– Ótimo. – O moreno bufou. – E você acha que eu não estou confuso também? – Mentalmente, ele dizia para si repetidas vezes que deveria se controlar, mas parecia que sua paciência (que já não era muito grande naturalmente) ia se tornando cada vez menor à medida que a conversa prosseguia. – Ainda não sei aonde você quer chegar.
– Droga. Eu também não sei. – Murmurou. Parecia que sua voz ia sumindo, como se sua garganta estivesse se fechando. Podia sentir suas mãos suando como nunca suaram antes na vida. E olhe que elas já ficavam bastante encharcadas antes de jogos, mas, naquele dia, definitivamente estava pior do que nunca. Sentia-se pressionado, mas, ao mesmo tempo, não tinha como deixar a oportunidade passar. – Você não mudou nada, sabe? Continua sendo o mesmo Kageyama de sempre... Não que seja algo ruim, mas é que... Às vezes não demonstra o que você diz que sente. Fica difícil de acreditar assim. Sei lá. O que quero dizer é que... No começo... Eu já tinha avisado que não podia dizer se te correspondia. Eu prometi tentar, e estive realmente me esforçando nesses últimos dias. Mas não vi você fazer o mesmo. Isso... Foi frustrante. Você não estava levando em consideração o que eu estava sentindo, contanto que te satisfizesse... Eu tentei ver o seu lado, mas eu sinto muito. Eu não consigo corresponder alguém assim. O que quer que a gente tenha tido até agora... Não dá. Não dá mesmo pra continuar. Desculpa, Kageyama.
Shouyou pode ver a expressão de Tobio mudar vagarosamente, à medida que ia falando aquelas coisas, sem comedir muito bem o que de fato queria que elas significassem. Talvez tivesse sido um pouco duro demais em seu julgamento, pois o levantador parecia indignado. Mais do que isso... Ele parecia magoado? Não dava para dizer exatamente o que era. Seu olhar pesou sobre o ruivo, como se recusasse a acreditar no que acabara de ouvir. O silêncio entre os dois ecoou de novo, e, fora o barulho da cascata e dos passarinhos, parecia que não havia mais nada ali. Só havia se passado alguns segundos, mas, ainda sim, doía não receber nenhuma resposta do levantador. Logo ele, que costumava reagir tão rápido, não esboçava nada num momento tão crucial como aquele.
Kageyama realmente quis brigar com ele, a princípio. Mas ficou mudo ao compreender o que o pequeno tentava lhe falar. Não imaginou sequer por um instante que estava dando a entender que não se importava com Hinata, ou que só queria trocar uns amassos com ele. Mas tê-lo duvidando de seu sentimento era algo que não conseguia aceitar. Ele conseguia fazer várias coisas relativamente bem, mas fingir nunca fora seu forte. Não tinha culpa se não conseguia se expressar do modo como gostaria. Não conseguia acreditar que Hinata, mesmo após aquele tempo considerável de convivência, ainda não havia entendido o modo como ele demonstrava o que sentia. Ele não entendera absolutamente nada, e tal conclusão só conseguiu fazer o levantador ficar ainda mais triste. Apesar da notável irritação, a tristeza prevalecia sobre todos os outros sentimentos que invadiam sua mente.
– Certo, então... – Kageyama finalmente começou a falar, após passar um breve tempo refletindo. Seu tom era um tanto ácido. Era bastante parecido com o Tobio prepotente e arrogante que o ruivo conhecera em seu Ensino Fundamental. – Eu não sei se você acha que eu vou pedir outra chance, ou dizer que posso mudar. Esse é o meu jeito, e eu achava que você entendia. – Semicerrou os olhos. Sentia-se a pessoa mais estúpida da face da terra, mas não conseguia se desfazer de seu orgulho nem mesmo por um instante. – Eu odiava a ideia de ter me apaixonado por você, mas então, quando começamos a sair, eu pensei “ei, talvez não seja tão ruim assim”. Mas aí você vem me dizer que não acredita no que eu sinto? Isso é ridículo. E eu não preciso ficar com ninguém que pense dessa forma. Porque alguém que realmente compreendesse como eu me sinto definitivamente não duvidaria da minha palavra desse jeito.
– Kageyama, eu... – Queria arranjar um modo de dizer que não duvidava da palavra do levantador, mas ele já parecia ter tomado suas próprias conclusões e não estava muito a fim de prolongar o papo. – Não é isso...
– Então o que é? – O moreno indagou bruscamente, unindo as sobrancelhas. – Eu entendi que você não quer ficar comigo. Se duvida de mim, tudo bem. Se acha que não me esforcei, bom pra você. Não precisa ficar se explicando. Não me interessa.
Então ele se levantou, sem mais nem menos.
– Eu não vou mais te chatear com isso. – O moreno continuou, suspirando brevemente e colocando as mãos nos bolsos da calça. Encarou Shouyou de relance. – Ainda vou levantar para você, até porque não tenho escolha. Mas não precisamos nos falar fora das quadras.
Ele não esperou qualquer resposta. Algo dentro de Hinata já estava preparado para aquele momento, ainda que não quisesse vê-lo ir embora. Pelo menos não daquele jeito. Só conseguia enxergar naquele Tobio a pessoa que conhecera e que o humilhara numa partida há um ano. Parecia que ele tinha voltado a ser o Rei Egoísta de sempre. Incapaz de dialogar com alguém ou de assumir seus próprios erros. Shouyou não queria ter trazido aquele Kageyama de volta.
Mas talvez ele nunca tivesse saído dali, e só estivesse esperando uma oportunidade para aparecer de novo.
O pequeno ficou sentado encarando a cascata por mais alguns instantes. O que ele realmente havia esperado trazendo aquilo à tona? Não sabia dizer. No fundo, tinha de admitir que aquele desfecho era o único possível. Precisava conversar e dizer o que sentia, por mais que aquilo significasse enfurecer o levantador. O tipo de relacionamento que estavam vivenciando não era saudável e precisava ser mudado. Uma pena que Kageyama não estivesse tão receptivo para queixas quanto Hinata imaginou que estaria, mas, se esse realmente era o caso, terminar não podia ser tão ruim.
Só não conseguia entender por que fora invadido por um vazio tão grande quando o moreno sumiu de sua vista. Ainda tinha dificuldades para entender aquela coisa toda de sentimentos. Talvez só estivesse assim porque se importava com a amizade que tinha com ele. Não queria que as coisas mudassem. Possuía um sentimento pelo levantador que ainda precisava ser lapidado, mas que certamente existia. As coisas dali pra frente tomariam um rumo diferente, até porque Tobio não costumava voltar atrás em suas decisões, a não ser que se provasse que ele cometera um erro ao tomá-las. Fora desse jeito quando ele decidira ser o levantador do ruivo. Mas, infelizmente, aquela situação era completamente diferente. Não estavam falando de uma simples posição em um jogo, e sim de um possível relacionamento amoroso entre os dois.
Suspirou, levantando-se. Restava-lhe ir embora também. Nunca gostara de questões complicadas, porque nunca sabia como resolvê-las. Ali não era diferente. Teria de passar um bom tempo pensando no que faria a seguir. Não sabia bem como Kageyama estava se sentindo. Talvez Shouyou tivesse ferido seu orgulho mais do que imaginava ao duvidar de suas palavras, e isso era o que mais pesava em sua consciência. Para alguém como Tobio, que considerava coisas como a moral e a decência realmente importantes, questionar suas intenções talvez fosse um gesto ainda mais ofensivo do que um simples confronto direto.
“Merda.” Hinata desgrenhou os cabelos com as mãos. “O que foi que eu fiz?”
–x-
– Bola de graça! – Daichi exclamou, fazendo uma recepção sólida, como sempre.
Ao vê-la rolar para as mãos de Kageyama e, de lá, para as de Hinata, presumiu que havia se precipitado um pouco. A chutada estranha, que sempre fora um movimento de perfeita sincronia entre levantador e atacante, e que era a jogada mais brilhante daqueles dois, saiu de um jeito estranhamente desajeitado. Quase como se estivesse sendo feita com má vontade. Tinha funcionado – como ocorria na maioria das vezes –, entretanto, todos perceberam que, apesar da precisão de Tobio, faltou-lhe um pouco de... Entusiasmo? O golpe matador sempre era feito com euforia e animação, mas naquele dia parecia um ataque mediano qualquer. E continuou sendo repetido dessa forma até o final do treino.
Já era o quarto ou quinto treino em que isso ocorria, e por mais que todos se esforçassem para achar que era só uma fase, estava perdurando por tempo o bastante. Kageyama e Hinata não se encaravam fora das quadras, e, mesmo dentro delas, parecia que estavam fazendo um esforço tremendo para não cruzarem o olhar. Era incômodo. O clima pesava para todos os membros de Karasuno. A dupla sempre brigava. Isso era fato consumado, e nunca foi novidade para ninguém, até porque logo se reconciliavam. Mas aquela demora toda fazia com que todos ponderassem se o conflito não era mais sério do que imaginavam que fosse.
– Kageyama. Hinata. – Sawamura os chamou com uma expressão séria, quando os dois já estavam prestes a deixar a quadra. Tinha uma vaga suspeita do que estava acontecendo (até porque era um dos únicos que sabia o que a dupla andavam fazendo fora das quadras), mas não queria acreditar que os dois ficariam daquele jeito no primeiro desentendimento mais grave que teriam. – O que está acontecendo com vocês?
– Nada, Daichi-san. – Hinata retrucou, tentando parecer o mais normal possível e evitando encarar o moreno ao seu lado. Dava para ver que seu sorriso era falso, o que preocupava o capitão.
– Mesmo? – O moreno arqueou uma de suas sobrancelhas, sem se dar por convencido. – Porque o que eu vi aqui foi um total exemplo de falta de compromisso e descaso com o time. – Cruzou os braços. Tanto Kageyama quanto Shouyou morriam de medo de Daichi, ainda mais quando ele lhes dava aquelas reprimendas que os enchiam de culpa. – A chutada de vocês sempre foi algo promissor e todos nós apostamos muito nisso. Eu não sei o que está acontecendo entre os dois, mas espero que não intervenha nos treinos... Eu exijo nada mais do que um excelente desempenho por parte dos dois. Não me façam me arrepender disso.
– Osu! – Retrucaram em uníssono.
– Estão dispensados. Não teremos treino amanhã, então até sexta-feira.
Kageyama foi pegar sua mochila no vestiário, com a toalha sobre os ombros e a garrafa em mãos. Sua expressão era indiferente, mas não enganou Sugawara, que também estava lá se aprontando. “Droga. A última pessoa que eu queria encontrar.” Podia enganar qualquer um que fosse com aquela pose, mas Koushi era uma das pessoas mais sensitivas que já conhecera. Ele com certeza tinha percebido o que estava acontecendo, e só estava esperando o momento mais oportuno para conversar com Tobio sobre isso.
– Algum problema com o Hinata, Kageyama-kun? – O outro levantador perguntou com o sorriso amigável de sempre, aproximando-se de repente e quase fazendo o coração do maior saltar pela boca. Céus. Essas pessoas que brotavam do nada... Era impossível conviver sem estar num estado de alerta constante.
– Porra, Suga. – Ele resmungou, com uma das mãos no peito, encarando o menor.
– Não fale palavrões na frente do seu senpai. – Retrucou, com uma risada breve. Apesar disso, dava para ver que ele estava sério e que realmente pretendia falar sobre o assunto. – O que aconteceu? Já faz algum dia que vocês estão esquisitos. Eu tentei falar com o Hinata, mas ele saiu correndo...
– Aquele idiota. – Murmurou. – Acabou. Simplesmente acabou. Ele me disse que não acreditava que eu gostava dele, e depois que não queria mais ficar comigo. – Desabafou, tirando a toalha dos ombros com tanta raiva que Sugawara achou que ele fosse rasgá-la e engoli-la. Felizmente, ele só a guardou na mochila. Ou melhor, socou ela lá dentro. – Eu não consegui acreditar. Depois de tudo o que eu fiz... Merda. Eu nunca devia ter tentado...
– Ei. Ei. Calma. – Koushi pediu, quando percebeu que o moreno ia levantando cada vez mais o tom de voz. – Foi tão ruim assim?
– Foi uma merda. Eu queria socar ele... Mas não consegui falar nada do que eu pretendia. Eu só fiquei lá ouvindo... E depois disse que não queria mais que nós nos falássemos. Daí eu fui embora e-
– Kageyama! – Sugawara o interrompeu de súbito, como se fizesse uma reprimenda, e cruzou os braços em seguida. Ok. Quando Daichi fazia aquilo, era assustador, mas quando Suga-san o imitava, conseguia ser ainda pior. Talvez porque ele fosse realmente amável quando não estava bravo, diferentemente do capitão. – Você percebe que agiu como se fosse uma criança de cinco anos? – Inclinou-se para o levantador, semicerrando os olhos. – “Não quero mais ser seu amigo!”... Parece coisa de quinta série. E depois você ainda foi embora? – Balançou a cabeça negativamente. – É em você que eu não consigo acreditar.
– O quê? – O levantador até se endireitou para ouvir. Uma criança de cinco anos? Não foi assim que havia retratado sua atitude. Madura e sensata seriam as palavras que usaria. Com certeza. – Mas ele tinha acabado de dizer que não acreditava que eu gostava dele!
– E isso virou justificativa agora? – Koushi realmente não conseguia acreditar. Esse era o mesmo garoto que ele acreditava que conseguiria se adaptar bem num relacionamento. – Você ao menos perguntou para ele o que o havia feito tomar essa decisão?
– Não...
– Kageyama! – Exclamou novamente.
– O quê?! Ele disse que eu não demonstrava e que ele achava difícil acreditar. Isso não é o bastante?
– Você já parou pra pensar... Assim... Só por um instante, bem breve mesmo, que talvez você realmente não demonstrasse e que isso deixou o Hinata magoado? E que ele possivelmente só queria conversar pra vocês arranjarem um jeito de superar isso?
– Uh, eu... – “Merda. O que foi que você fez agora, Tobio Kageyama?” – Na verdade...
– Por que vocês homens são todos iguais, hein?
– Suga-san... Você é homem também. – Kageyama coçou a cabeça, meio sem jeito ao fazer aquela afirmação. Achava que Sugawara já soubesse.
– Eu sei, eu sei... É só modo de falar. – Explicou-se rapidamente. Não era aquela questão que estava em pauta ali, de qualquer forma. – Mas... Céus. Você ao menos disse a ele que gostava dele?
– Disse sim. No dia em que me declarei pra ele.
– E depois?
– Bem... Não... Mas ele já sabia! – Justificou-se. Realmente, não entendia por que as pessoas tinham essa necessidade de ficar frisando o tempo todo como gostavam de alguém. Toda aquela excessiva demonstração de afeto o irritava um pouco.
– Eu ainda não consigo acreditar. – Sugawara descruzou os braços e pôs-se a andar de um lado para o outro. – Hinata devia se sentir como se estivesse namorando uma porta.
– Mas eu- eu beijava ele. E... E fazia outras coisas... Que ele gostava... – Kageyama corou vagamente, lembrando-se das diversas situações em que tocara o rapaz. “Não é hora pra pensar nisso, idiota!”
– Era uma porta pervertida, então. Por favor, Kageyama. Relacionamentos não são feitos puramente de contato físico. – Koushi disparou. – Aaargh. Esse é o problema. De verdade, você tem que começar a pensar com a cabeça de cima, e não com a de baixo.
– C-Como assim?! – Indagou. Nunca achou que viveria para ouvir Suga dando aquele tipo de conselho.
– É isso mesmo que quero dizer. Você basicamente só se aproveitou do Hinata. Tem noção do quanto egoísta é isso? Consegue imaginar como ele se sentiu?
Tobio suspirou. Egoísta... Essa era uma palavra que realmente não gostava de ouvir. Ainda mais quando se referia a si próprio. Era difícil encarar o peso de suas ações. Provavelmente não enxergaria o problema se não fosse Sugawara brigando consigo naquele momento. Havia agido de modo precipitado no dia da briga, como sempre. Se deixara levar pelo calor do momento. A única coisa que ecoava em sua mente era que Hinata não acreditava em suas palavras, e que não queria continuar o que estavam tendo. Sequer tentou prestar atenção nos pormenores. Fora que tomar a decisão de parar de falar com ele fora algo realmente estúpido. Sentia muita falta do anão hiperativo, mesmo que não deixasse transparecer. Droga. Ficara realmente bom nessa coisa de reprimir os sentimentos, tanto que não conseguira expressá-los nem quando queria.
– Mas o que eu posso fazer agora? – Coçou a cabeça, um tanto nervoso. – E-Eu acho que posso ter estragado um pouco as coisas...
– Bom, vamos esperar que não. – Sugawara retrucou, tomando um ar pensativo. Não achava que Shouyou era do tipo que guardava rancor, mas também duvidava que ele fosse aceitar Kageyama de volta com um simples pedido de desculpa. Nada podia ser tão fácil assim. Precisaria dar um empurrãozinho naqueles dois. – Eu vou tentar te ajudar a ajeitar as coisas com o Hinata, mas você tem que prometer que vai me ouvir. Já vi que do seu jeito não funciona, então vamos tentar do meu. Certo?
– ... Certo.
Tobio assentiu. Por impulso. Claro, como sempre. Não sabia como era o jeito Sugawara de fazer as coisas, mas tinha a impressão de que seria mais complicado do que imaginava.
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