Underneath it All
9 Ego
Notas iniciais
Kageyama encarou o papelzinho que se encontrava em sua mão pela milésima vez. Já estava desgastado por causa das inúmeras vezes que o desdobrou e dobrou de novo. A caligrafia delicada e bonita que estava naquela folha amassada com certeza faria qualquer um pensar que havia sido escrito por uma mulher. O próprio levantador acharia isso, se não estivesse com Sugawara no momento em que ele escrevera. As letras garrafais ali estampadas pareciam se esforçar para relembrá-lo de todas as vezes que fora um “estúpido orgulhoso” – nas palavras de Koushi:
“1º — PEÇA DESCULPAS. DECENTEMENTE.”
Tobio suspirou, massageando as têmporas. Quando Suga disse que o ajudaria, ele não imaginou que seria daquele jeito. Por favor... Até o próprio moreno sabia que a primeira coisa que tinha de fazer era se desculpar. No entanto, quando foi contestar o levantador reserva sobre isso, ouviu uma longa reprimenda, seguida de um sorriso amigável e um “Deixe isso comigo, Kageyama. Apenas faça o que eu digo e tenha paciência.”
Paciência. Essa era uma palavra que Tobio desconhecia. Odiava ter que esperar porque sempre ficava ansioso. Sempre que queria uma coisa, fazia de tudo para tê-la o mais rápido possível. Nunca sentiu necessidade de esperar por algo. E era basicamente a mesma coisa que sentia em relação a Hinata, mas então lembrava-se que ele não era uma coisa e que não podia tomá-lo para si a força. Uma pena. Se as coisas fossem do seu jeito, certamente tudo seria muito mais fácil e muito mais relacionamentos dariam certo (ele ignorava totalmente o fato de que isso traria a sociedade de volta para algo semelhante à Idade da Pedra, onde os homens arrastavam as mulheres pelos cabelos quando se interessavam por elas. Oras, e daí se era algo primitivo? O que importava era que seria muito mais prático).
Só estava levando a ajuda de Koushi tão a sério porque tinha certeza de que ele tinha muito mais experiência naquele campo. Sim, exatamente. Para o levantador, o amor nada mais era que um campo inexplorado.
Entretanto, apesar de ser uma descoberta recente para ele, já podia presumir que era totalmente inapto naquela área. E se tinha algo que Kageyama definitivamente não gostava eram coisas em que ele não era bom. “Tch. Eu definitivamente não teria de lidar com isso se não fosse pelo Hinata. Aquele idiota. Um dia ainda vai me pagar por isso.”
Foi então que se deu conta de que uma mulher o observava da janela da casa dos Hinata. Ela parecia pequena, tinha cabelos ruivos na altura dos ombros e olhos amigáveis – ainda que estivessem um tanto perplexos naquele momento, mas, convenhamos, qualquer pessoa ficaria da mesma forma se houvesse um rapaz alto e esquisito sondando sua casa. De qualquer forma, ela não parecia velha, mas as rugas em alguns pontos de seu rosto denunciavam a idade que deveria ter.
Tobio engasgou imediatamente ao se dar conta do quão esquisito ele deveria estar parecendo. Fazia pelo menos uns quarenta minutos que ele estava parado na frente da casa de Shouyou, encarando o papelzinho com a escrita de Sugawara e hesitando em tocar a campainha simplesmente por não ter coragem de fazê-lo. Era patético, ele sabia. E tudo porque ele finalmente havia resolvido deixar o orgulho de lado e pedir desculpas. De verdade, não sabia por que as pessoas se davam o trabalho de fazer aquele tipo de coisa. Era a primeira vez que pensava em se redimir com alguém, e já estava dando tudo errado.
– O senhor está precisando de alguma coisa? – Kageyama presumiu que aquela era a mãe de Hinata (não precisava ser muito esperto para presumir esse tipo de coisa, mas vamos levar em conta o nervosismo do rapaz incapacitando seu raciocínio rápido). Ficou extremamente vermelho quando ela lhe dirigiu a palavra. “Ótimo. Tudo o que eu preciso é ficar com fama de mentalmente perturbado na família dele.” – Está perdido?
– Uh... – Ele coçou a cabeça de maneira desajeitada. – Na verdade... E-Eu gostaria de saber se o Hina- Shouyou... Hinata Shouyou...
– Oh! Você é amigo do Shou-chan? – A mulher sorriu. Era muito parecida com Hinata quando o fazia, ainda que não esboçasse a mesma empolgação que o garoto. – Por que não disse logo?
Ela sumiu por alguns instantes, até que abriu a porta e seguiu para destrancar o portão. Era pequena como Kageyama imaginou, e ficava ainda menor se comparada ao moreno de 1,80. Mas era graciosa. Tobio herdara o olhar ameaçador de sua mãe, que também tinha uma personalidade forte e arisca, logo, nunca a vira como uma pessoa fofinha, ou qualquer coisa do tipo. Mas a mãe de Hinata definitivamente era. Parecia ser uma pessoa prestativa; dessas que assava bolo e biscoitos para agradar as visitas.
– D-Desculpe o incômodo... – O moreno gaguejou, fazendo uma breve reverência para a mulher, como se quisesse cumprimentá-la devidamente.
– Imagine, querido. Shou-chan não recebe muitas visitas. – A senhora Hinata comentou, levando uma mecha de seus cabelos ruivos para trás da orelha. Kageyama a seguiu até finalmente adentrarem a casa. Já fazia um tempo considerável desde que o levantador estivera ali pela última vez, mas suas lembranças eram frescas. Quase como se tivessem ocorrido no dia anterior. – Ele foi levar a Natsu no parquinho, mas já faz mais de uma hora que eles saíram. Devem voltar logo, logo. Por favor, entre e fique à vontade.
– Obrigado.
Kageyama não sabia como reagir a gentilezas, mas definitivamente simpatizou com a mãe de Shouyou, tanto que se esforçou ao máximo para não parecer o Tobio de sempre – não que visse qualquer problema nisso, mas, aparentemente, os outros demoravam um pouco para se acostumar com sua personalidade, então era melhor se retrair um pouco. Não pôde deixar de notar o tom de voz alegre com que ela lhe recebera. Era verdade que Hinata não tinha o que se pode chamar de “amigos próximos”, talvez por isso aquela reação tão enfática. Mesmo os colegas de Karasuno, de quem ele havia ficado amigo recentemente, não deveriam ir visitá-lo com frequência.
O levantador sentou-se na primeira poltrona que viu na sala de estar e ficou analisando o local. Era a primeira vez que parava pra prestar atenção em como era tudo delicadamente bem decorado. Bastante diferente de sua casa, onde quase não tinham enfeites. Muito menos aquele ar aconchegante.
– Desculpe, querido, mas não perguntei seu nome... – A mulher disse, encarando-o.
– Hm... D-Desculpe. Eu quem deveria ter me apresentado... – Ele deu uma risadinha nervosa. “Merda.” Esperava que a senhora Hinata ainda não estivesse o achando um total mal educado. – Eu sou Kageyama Tobio.
– Oh. – A expressão da ruiva mudou vagamente, esboçando certa surpresa. Talvez Hinata já tivesse lhe falado sobre ele? O levantador estremeceu. Sabe-se lá o que aquele nanico diria sobre sua pessoa; só podia presumir que não seria coisa boa. – Você é o famoso Kageyama? Meio diferente do que o Shou-chan havia me dito.
– O-O que ele disse? – Perguntou, arqueando uma das sobrancelhas. A mãe de Hinata recuou um pouco. Pensando melhor, agora conseguia entender o que o filho queria dizer quando afirmava que Tobio era um rapaz assustador.
– Que você é um levantador muito, muito mau. – Ela riu graciosamente, como se estivesse se recordando da cena. O próprio moreno conseguia imaginar Shouyou falando isso enquanto tentava imitar sua expressão “amedrontadora” e falar algumas ofensas típicas de seu vocabulário vasto (“idiota” e “tremendo idiota”, por exemplo). – Mas que é muito bom no que faz, também. Ele parece especialmente contente quando fala sobre a... Como é o nome mesmo?
– A chutada estranha?
– Essa mesma! – A moça assentiu veemente. Falando daquele modo enfático, as semelhanças entre ela e o ruivo ficavam ainda mais evidentes. Talvez todos naquela família se parecessem, uma vez que Natsu também era como uma versão miniatura e mais fofinha de Shouyou. – O Shou-chan nunca teve a oportunidade de jogar num time de verdade, então, fico feliz que ele esteja conseguindo se adaptar bem na Karasuno.
– Ele está, com certeza. – Kageyama sorriu.
Quem visse aquele levantador todo derretido pelo coleguinha dificilmente o reconheceria como o Rei Egoísta que costumava ser. Droga. Ele realmente estava amolecendo. Sentia falta do nanico. Todos aqueles dias que ficaram sem se falar foram como tortura. A companhia dele, por mais irritante que fosse, era insubstituível. Era difícil não se lembrar de todos os momentos marcantes que vivera desde que Hinata entrou em sua vida. O vínculo criado entre os dois fazia parecer que se conheciam há anos. Era o tipo de encontro que só ocorria uma vez na vida, e ele definitivamente não queria abrir mão disso por causa de seu egoísmo. Talvez devesse se esforçar para ser menos babaca de vez em quando, por mais que tal pensamento não passasse por sua cabeça naquele momento. Ao menos, finalmente parecia perceber o quanto era necessário que se desculpasse. E não com um pedido de desculpas muxoxo. Tinha de ser mais honesto, se quisesse que o ruivo não saísse de sua vida.
Uma coisa muito engraçada sobre mães é que elas sempre sabem das coisas. Você pode até não falar nada pra elas, mas elas com certeza já têm uma ideia do que está acontecendo. É quase como se desenvolvessem um sexto sentido especial quando se trata de seus filhos. A mãe de Hinata notou o sorriso formado nos lábios de Kageyama. Podia até não entender o que ele significava naquele momento, ou o que estava se passando entre os dois, mas sorriu também. Aquele garoto alto e desajeitado parecia estranhamente afeiçoado ao seu pequeno Shouyou, mesmo que não demonstrasse isso em alto e bom tom. Nunca vira alguém sorrir de maneira tão sincera quanto o moreno naquele momento, e sabia que aquele tipo de sorriso só aparecia quando as pessoas sentiam verdadeiramente. Fosse qual que fosse o sentimento, ela ficava grata que ele o tivesse.
– Sabe, Kageyama-kun. – A mulher começou a falar, fazendo o moreno levantar o olhar em sua direção novamente. – O Shou-chan não me conta muito sobre a vida dele. Talvez seja a puberdade, não sei. Só sei que ele não me fala muito sobre o que está acontecendo com ele. Como mãe, eu fico muito preocupada, mas eu não posso acompanhá-lo em todo o lugar que ele vai, por mais que eu quisesse fazer isso... – Kageyama não entendia muito bem onde a mãe de Hinata queria chegar, mas continuou ouvindo atentamente o que ela queria dizer.
– E-Ele não está fazendo nada de errado, senhora. – O moreno se apressou a dizer, assumindo que a ruiva já estivesse achando que Kageyama levaria seu precioso filhinho para o mau caminho.
Estranhamente, ela deu uma gargalhada alta. E foi aí que tudo se embaraçou na mente do levantador.
– Ora. Eu sei. Mães sempre sabem, Kageyama-kun. – Ela fez uma pausa por um breve instante, diminuindo o tom de voz em seguida, como se quisesse falar um segredo. – O que quero dizer é... Cuide bem do Shou-chan, tudo bem?
Mas antes que o moreno pudesse digerir aquela frase e responder qualquer coisa, alguém escancarou a porta com a delicadeza de um hipopótamo dançando ballet e berrou:
– MÃÃÃE!
Aquela voz era inconfundível, por mais que Kageyama estivesse sentado numa poltrona que ficava de costas para a porta de entrada. Nenhuma outra voz o faria estremecer tanto. Hinata havia chegado. Sentiu como se uma escola de samba tivesse resolvido dar uma festa em seu estômago. Não podia dizer que havia ensaiado para aquele momento, até porque, a princípio, não pretendia pedir desculpas de nenhum jeito excepcional, mas então finalmente se deu conta de que estava de mãos atadas. O que poderia dizer? Aliás, havia algo que deveria dizer? Talvez houvesse alguma frase crucial que fosse fazer as coisas se ajeitarem num passe de mágica. Mas caso tal frase existisse, ele não fazia a mínima ideia de qual era. Aliás, não fazia ideia de nada exceto do lugar onde estava e de seu próprio nome. “Tobio Kageyama, da última vez que chequei” ressaltou, esperando que não estivesse errado.
O ruivo tirou os sapatos e os largou num canto com displicência. Natsu passou correndo pela sala e foi para seu quarto. Se bem lembrava, ela fazia isso quando estava emburrada. Shouyou nem esperou resposta da mãe, que já cruzava os braços, pronta para dar-lhe uma repreensão.
– Nem vem! – Ele prosseguiu. – Natsu quis sorvete e eu não tinha dinheiro, aí ela abriu um berreiro sem fim e- K-KAGEYAMA?!
Os olhos de Hinata ficaram ainda maiores do que o de costume, encarando o moreno num misto de perplexidade e confusão. Estava boquiaberto. Ele era a última visita que esperava receber. Acreditava que fosse mais provável o Pequeno Gigante tocar sua campainha do que aquele levantador egoísta. Até correria o risco de se beliscar para ver se não estava sonhando, mas isso seria algo muito idiota para se fazer. Algumas gotas de suor formaram-se em sua nuca. Estava tenso. Claro que estava. Não conseguia entender o motivo de ele estar ali, uma vez que fazia um tempo considerável que não estavam se falando e nenhum dos dois havia apresentado qualquer sinal de que queria uma trégua.
Honestamente, Hinata não sabia se estava pronto praquela trégua, se é que ela viria. Ok. Sentia falta de conversar com o moreno e toda aquela falta de interação estava tornando as jogadas entre os dois cada vez mais difíceis de serem executadas. Mas não podia evitar se perguntar o que aconteceria caso voltassem a se falar. Talvez as coisas voltassem a ser como antes, mas não tinha como apagar o que havia acontecido. Havia sido breve e ninguém além dos dois sabia, mas, mesmo assim, era um fato concretizado. Como falar com Kageyama sem se lembrar de que já tinham trocado carícias e se beijado num passado recente? Ele havia sido o seu primeiro beijo! Ninguém ignora esse tipo de coisa.
E mesmo se ele não quisesse ignorar os ocorridos e simplesmente pedisse para voltar, Hinata duvidava que o rapaz houvesse de fato mudado. Não era possível. Não fazia nem três semanas que os dois tinham “terminado” – entre aspas porque se fosse parar para pensar nada havia começado ali –, ninguém consegue mudar num período de tempo tão curto um hábito que arrastou consigo por anos. Independente do motivo pelo qual o levantador o havia procurado, não sabia se estava pronto para recebê-lo. Talvez se ele tivesse esperado um pouco mais, o ruivo conseguisse chegar a qualquer conclusão em sua mente. Mas não naquele momento e muito menos naquela situação.
Os dias que passaram sem falar com Tobio foram passados por Hinata sem pensar muito na situação dos dois. Shouyou sabia o quanto aquilo podia parecer frio da sua parte, mas optou por não esquentar a cabeça e não se arrependeu daquela decisão. Não tentou procurar Kageyama porque achou que seria impossível terem uma conversa que não terminasse em mais desentendimentos e agravasse a situação dos dois. Também não tentou descobrir o que sentia pelo rapaz, uma vez que estava convicto que não voltariam a ter qualquer relacionamento que fosse além de simples parceiros de equipe. Claro que o rendimento baixo que os dois estavam tendo o preocupava, mas o ruivo concluiu que melhoraria assim que a situação esfriasse um pouco. Mas, independente do sentimento que nutria, era melhor abafá-lo, ao menos por enquanto. Tinha coisas mais simples para se preocupar e problemas menos sentimentais para resolver.
A verdade é que não se sentia pronto para um relacionamento, e tinha certeza que Kageyama também não. Não tinham essa maturidade. O que tentaram iniciar juntos havia sido algo equivocado e por isso dera tão errado. Só tinha certeza de que não queria cometer aquele tipo de erro de novo. Não dava para dizer se Tobio estava machucado, mas Shouyou podia afirmar por si próprio que havia saído magoado. Pelo descaso, pelas palavras que não foram ditas, por tudo. Havia sido um erro. E se tinha uma coisa que sua mãe lhe dizia constantemente era que todo erro tinha de vir obrigatoriamente com um aprendizado – e você só não percebia isso se fosse muito burro. Sim, ela falava naquelas palavras mesmo. E o que ele aprendera com tudo aquilo era que jamais deveria tratar seus próprios sentimentos com tanto descuido, para que não brincassem com eles.
– Shou-chan, seja mais educado com o Kageyama-kun! – Sua mãe imediatamente lhe repreendeu, unindo as sobrancelhas. Céus. Como odiava que ela o chamasse de Shou-chan na frente dos outros. Ela fazia isso com um ar excessivamente... Maternal. Era quase como estivesse lhe chamando de pimpolho ou de qualquer coisa brega do tipo. – Ele veio te fazer uma visita e ficou uns quarenta minutos parado na frente da porta sem conseguir nem se mexer.
Tobio ficou vermelho como um tomate. “Ela me observou por tanto tempo assim?”
– Quarenta minutos? – Hinata perguntou, desviando o olhar para o levantador como se exigisse uma explicação. Como assim? Ele não sabia tocar uma campainha?
– Uh... E-Eu... – O levantador não sabia nem o que dizer. Até porque não havia justificativa para aquilo.
– De qualquer forma. – A senhora Hinata o interrompeu, percebendo que talvez, só talvez, tivesse falado demais. – Depois conversamos sobre a Natsu, Shouyou. Pode ir receber seu amigo agora. Vocês devem estar com fome... Vou preparar um lanche pros dois, ok?
– Hai. – Hinata concordou.
Sua mãe logo deixou a sala, e os dois por fim ficaram a sós. Não dava para dizer se aquilo era algo bom ou não. Ficaram algum tempo se encarando sem dizer nada, até que Hinata resolveu quebrar o silêncio:
– Quarenta minutos? – Não era exatamente um expert em quebrar a tensão, mas não conseguiu pensar em qualquer outra coisa pra falar. – Deve ser importante.
Tobio uniu as sobrancelhas por alguns instantes. Não dava pra saber se ele estava prestes a brigar ou só agindo normalmente. Na verdade, ele estava apenas tentando procurar as melhores palavras para serem ditas naquela ocasião, mas, mais uma vez, nada lhe vinha à mente.
– Hinata... – Começou, após respirar profundamente. Levantou-se da poltrona e caminhou até parar em frente ao pequeno, que hesitou por alguns instantes. Talvez devesse recuar, pro caso daquele gigante querer atacá-lo de súbito. – Eu... Precisava- na verdade... Eu preciso conversar com você. Sobre... Podemos ir pra outro lugar?
– Por quê? – Shouyou perguntou, arqueando as sobrancelhas em desconfiança.
– É um assunto sério. P-Por favor. – O levantador levou o olhar ao chão, cerrando os punhos para evitar que tremessem ainda mais.
Ouvir aquele “por favor” foi o bastante para convencer Hinata de que o negócio era realmente sério. Assentindo com a cabeça, ele começou a caminhar em direção ao seu quarto. Talvez não fosse o melhor lugar, mas com certeza era onde teriam mais privacidade. Para conversar. Claro. Esperava que Kageyama não tentasse jogá-lo na cama e agarrá-lo. Mas não deveria ser isso. Não tinha como ser. Estranhamente, ele não estava exalando aquela aura intimidadora de sempre. Sequer parecia estar na defensiva.
Quando finalmente entraram no cômodo, Shouyou fechou a porta. Estavam próximos. Mais do que ficavam geralmente, mas aquela distância – ou a falta dela – não era desconfortável. Parecia que estavam prestes a ter uma conversa realmente íntima. E, de fato, era o que iria acontecer.
– Escute. – Kageyama começou, surpreendendo o menor. Não esperava que ele fosse ser tão direto ao ponto assim, mas Tobio parecia mais determinado que nunca. Se não estivessem em seu quarto, Hinata juraria que o levantador estava no meio de uma partida de vôlei. – Eu queria te pedir desculpas.
Fale com o autor