Underneath it All
10 Even when it hurts me
Notas iniciais
Ele falou tão rápido que Shouyou teve de repassar a frase na cabeça algumas vezes para ter certeza de que estava ouvindo bem. Seus olhos piscaram vagarosamente. Não, aquilo não era um sonho, mas era próximo de inacreditável ter Tobio Kageyama na sua frente tentando se redimir. Havia acontecido numa fração de segundo, como se ele tivesse cuspido as palavras, mas... Não deixava de ser um pedido de desculpas. Hinata não podia culpá-lo. Ele não tinha cara de quem se desculpava com frequência. Na verdade, não tinha cara de quem se desculpava, no geral.
Ele não gaguejou, hesitou ou deu a entender que não era aquilo que queria de fato. Fora isso, seus olhos ferinos encaravam o ruivo sem desviar o olhar por nenhum segundo. E pareciam vagamente desesperados. Suas bochechas estavam coradas, e ainda que o quarto fosse um tanto mal iluminado devido às janelas fechadas e luzes apagadas, Hinata podia notar claramente o rubor. Esse era Kageyama, afinal de contas. Ele não sabia mentir. Tudo o que o levantador falava era puramente o que sentia. O ruivo não pôde deixar de se sentir lisonjeado ao ouvir aquelas palavras. Mas por mais que quisesse esboçar um sorriso, se conteve.
Ok, ok. Era lindo que o moreno estivesse ali à sua frente lhe pedindo desculpas, mas não podia simplesmente achar que só porque ele estava fazendo aquilo, havia mudado. Sentia-se um tanto mal pelo fato de tais pensamentos passarem por sua cabeça, mas não podia se deixar levar só porque o momento era maravilhoso. Não recusaria as desculpas dele, mas teriam de ter uma boa conversa antes de seguirem em frente – ou tomarem qualquer decisão.
Mas antes que falasse qualquer coisa, Tobio prosseguiu:
– Eu sei que só pensei em mim mesmo quando estávamos juntos. – Ele respirou fundo. Suas mãos tremiam e suavam tanto que ele as colocou dentro do bolso da calça. – E... Foi idiota. E-Eu não entendia nem o que eu mesmo estava sentindo, muito menos o que passava pela sua cabeça. Mas eu reconheço que... Que... Estava errado, ou qualquer coisa assim. – O moreno fez uma careta ao pronunciar a última frase, mas o que importava era que suas intenções eram verdadeiras. Ainda que fossem admitidas com certo azedume. Entretanto, não deixava de ser adorável a seu modo peculiar. – E eu sei que não estou em condições de pedir pra voltarmos- Mas...
– Até porque nós não tínhamos nada.
Não esperou o levantador terminar, com receio de que aquele “mas” fosse seguido de um “eu gostaria que nós tentássemos mesmo assim” ou qualquer coisa do tipo. Shouyou sentia que não deveria se render facilmente, mas era inegável o quanto se tornava vulnerável quando se tratava de Kageyama. Tinha de se manter inabalável. Aquelas poucas e desajeitadas palavras já tinham mexido bastante com ele, não podia permitir que continuasse. Ter o maior próximo a si, olhando firmemente em seus olhos enquanto dizia que estava errado... Cada vez mais se tornava uma cena inacreditável. E irresistível. Mas Hinata também sabia que reconhecer um erro não era o bastante para corrigi-lo. O próprio Tobio havia dito que não entendia o que sentia, ou o que se passava em sua cabeça. Esse tipo de coisa levava tempo mesmo, e o tempo é algo que nenhum dos dois conseguiria driblar.
– Kageyama, é realmente muito legal que você esteja vindo aqui me pedir desculpas. Nesses dias que ficamos sem nos falar... Foi bem complicado. – Talvez por não tentar ser tão articulado quanto Tobio, o pequeno conseguia fazer com que as palavras fluíssem mais facilmente. Ele não estava dando uma reprimenda no moreno, estava apenas sendo sensato. E por mais que aquilo torturasse o levantador, ele decidira que ouviria até o fim. – E eu digo isso porque gosto muito de você... – “Acredite, Kageyama, é bem mais difícil para mim do que para você.” Seguido de um breve silêncio, ele continuou. – Como amigo.
–... Por quê? – Kageyama perguntou, num tom tão baixo que dava pra notar seu desapontamento. Apesar disso, o fato de não ter se irritado mostrava que realmente estava se controlando.
Mas Tobio não entendia.
Talvez houvesse algo de errado com os conselhos de Sugawara, porque, pelo que lembrava (e olhe que tinha uma memória muito boa mesmo), havia seguido tudo certinho. Fora mais honesto naquele momento do que provavelmente em toda a sua curta vida. Esforçou-se ao máximo para não omitir nada do que sentia de lado. E, mesmo assim, tinha de ouvir Hinata dizendo que gostava dele... Como amigo. Amigo? Que tipo de pessoa consegue falar essas coisas de um modo tão insensível? Ainda mais depois de terem ficado? Tudo bem que fora algo bem breve, mas o fato de Shouyou conseguir dizer que o via como um amigo com tanta naturalidade talvez indicasse que ele não se importava tanto quanto Kageyama pensava. Talvez Tobio não despertasse sentimento algum no pequeno, afinal de contas.
O levantador não sabia o que deveria fazer. Aliás, não sabia nem se o ruivo tinha aceitado suas desculpas. Era verdade que não estavam prontos pra um relacionamento, mas como poderiam fazer isso, se não tentassem? Bom, não importava. Aquilo parecia um fora. Definitivamente soara como um fora. E, embora odiasse admitir isso, era demais para o orgulho do moreno aceitar mais aquela. Abrir seu coração, algo que até então nunca havia feito, e ter de ouvir que era visto como um simples amigo era demais. Shouyou já duvidara de seus sentimentos – algo que Kageyama até entendia, afinal, ele não demonstrava de um modo convencional –, e, como se isso não bastasse, agora estava lhe rejeitando. Parecia que estava brincando com toda aquela situação.
O pior de tudo era ver como aquilo não deixava Tobio enfurecido. Só o entristecia.
– Não me entenda mal, Kageyama. – Hinata percebera a mudança brusca na atitude do rapaz. E, ele podia até não acreditar, mas não queria magoá-lo. O ruivo se importava muito mais com o levantador do que ele jamais imaginaria. – É só que... É confuso. Nós dois não sabemos muito bem o que estamos fazendo. – Ele mordeu o lábio inferior, estreitando o olhar vagamente. – E enquanto nós... Não. Enquanto eu não descobrir o que se passa na minha cabeça, não vou conseguir fazê-lo entender também.
Então, num gesto sutil, Shouyou segurou um dos pulsos do moreno. Kageyama encarou o braço pálido do ruivo, e a mão dele segurando-o gentilmente. Tirou as próprias mãos do bolso, e Hinata desceu a sua, até entrelaçar seus dedos com os do levantador. Deram as mãos como faziam quando estavam juntos, mas, estranhamente, parecia que havia mais sentimento daquela vez. O ruivo diminuiu ainda mais a distância entre os dois, com um sorriso terno nos lábios, sem parar de olhar para Tobio.
Não havia qualquer pretensão ali. Ele estava apenas tentando confortá-lo de alguma forma. Era seu modo de pedir que tivesse paciência, ainda que soubesse que o levantador continuaria a tomar decisões precipitadas. Naquele momento mesmo, Kageyama só conseguia pensar na rejeição. Sentia seu corpo pesar. Sem pensar duas vezes, apoiou a cabeça no ombro de Shouyou, que, apesar de um pouco tenso pelo gesto, deixou que ficasse ali. “Tem de ser desse jeito, Kageyama.” Pensou, levando a mão livre até os fios negros dos cabelos de Tobio e acariciando-os. Ele tinha um cheiro forte. Não chegava a ser tão forte quanto o que costumava ter durante os treinos, mas era peculiar. Era o tipo de aroma muito bom de sentir, provavelmente de shampoo. Hinata se permitiu inalá-lo por alguns instantes, fechando os olhos.
– Por que você está fazendo isso, idiota? – Tobio murmurou descontente. Precisava de uma resposta. Se ele estava o rejeitando, por que pegara sua mão? Por que deixara que recostasse a cabeça em seu ombro? – O que fizemos não significou nada pra você?
– Eu estou fazendo justamente porque significou. – Hinata respondeu de maneira dócil.
Não queria que Kageyama pensasse que ele havia desistido completamente do que tiveram. Era só que... Precisava pensar. Havia tanta coisa passando por sua cabeça. Mesmo sua sexualidade era algo a se pensar com seriedade. Por mais que tivesse aceitado ficar com Tobio da primeira vez, não sabia se conseguia se sentir atraído por um homem. O levantador podia até mexer consigo, mas talvez não se sentisse da maneira que pensava sentir. Como poderia assumir um compromisso com alguém com todas aquelas incertezas que tinha sobre si mesmo? Só iria sofrer se assumisse um risco daqueles.
– Se nós voltássemos agora... – O ruivo continuou levemente receoso. – Não funcionaria. Você me magoou da primeira vez por causa do seu jeito. É justo que me dê um tempo para eu colocar as ideias no lugar, não?
– Então... Você não está me rejeitando?
– Não. – Hinata retrucou. – Mas também não estou dizendo que vamos voltar. Estou dizendo que preciso de um tempo.
O ruivo virou um pouco a cabeça e deu um beijo na bochecha de Kageyama. Não que quisesse criar qualquer expectativa naquele gesto, mas sentia que ele precisava. Podia até não parecer, mas Tobio era um rapaz inacreditavelmente inseguro quando se tratava de si mesmo. Por mais que fosse um levantador excepcional e confiante, fora das quadras, era um garoto de quinze anos passando pela puberdade. Tinha dúvidas e conflitos internos como qualquer outra pessoa.
O fato de levar tudo num sentido demasiadamente literal o impedia de ver as entrelinhas, e ele muitas vezes levava tudo ao pé da letra. Era como se sua visão não conseguisse ir mais além do que lhe era mostrado. Por isso achou que o que Hinata estava lhe dizendo era equivalente a um pé na bunda. Bem... De fato, era mais ou menos isso mesmo. Mas não significava que não voltariam depois. Se Shouyou estava pedindo um tempo para pensar, ele tentaria suportar sua ansiedade. A possibilidade de se decepcionar de novo não havia sumido, mas, por hora, decidiu que deixaria estar.
Afastaram-se e se encararam por um instante breve. Kageyama não sabia como os grandes olhos de Hinata conseguiam expressar tanta serenidade e acalmá-lo. Era uma proeza significativa. Justo o ruivo, que era tão inquieto, parecia muito seguro naquele momento. E, de fato, estava. Apesar da hesitação, Shouyou sentira-se satisfeito ao ver que conseguiu tomar a decisão certa. Talvez finalmente estivesse conseguindo trazer um pouco de sua rapidez em jogadas de vôlei para suas atitudes na vida cotidiana. Ou não. Não importava. De qualquer forma, o fato de Tobio não ter ido embora dessa vez era um avanço. E, embora pequeno, não deixava de ser notável.
– Não faça essa cara de cachorro sem dono. – Hinata pediu, com uma risada breve. Havia inclinado um pouco a cabeça para poder encarar o levantador, já que ele superava e muito seus meros 1,62 de altura. – Nem parece o mesmo Kageyama.
– É só que... – Tobio sentiu um aperto no peito. Era muito difícil querer falar algo, mas não encontrar as palavras certas para se expressar. – Seja sincero... Você realmente duvida do que eu sinto por você?
– Eu nunca disse isso. – O ruivo lhe lançou um olhar confuso. – Disse que era difícil de acreditar, mas não que eu duvidava. Eu nunca diria uma coisa dessas. Vê? Esse é o seu problema, Kageyama. Você sempre toma suas próprias conclusões. Naquele dia que brigamos, nem me deixou chegar onde eu queria. Simplesmente disse que não iria mais “me perturbar” e saiu emburrado. – Shouyou fez aspas no ar e gesticulou exageradamente para enfatizar o que queria dizer, fato que Kageyama acharia um tanto cômico se não se tratasse de uma reprimenda. – Aí você ficou todo nhéé nos outros dias, e nós ficamos totalmente fora de sincronia. Tudo isso porque você sempre é precipitado. Você tem que aprender a deixar as coisas fluírem naturalmente, sabe?
Era como se aquelas palavras lhe atingissem como um tapa na cara. Mas decidiu ouvir os conselhos de Sugawara mais uma vez. “Tenha paciência.” Repetiu para si, como se fosse um mantra. “É, Tobio, se prepara porque ‘cê vai precisar, mesmo. Toda a paciência que não tive durante minha vida toda vai ter que ser usada agora. É bom que isso adiante, Suga. Se não...” Até pensou em terminar a ameaça, mas não ousava ameaçar Koushi nem em pensamento. Vai saber? Aquela aura maternal dele parecia conseguir ler os pensamentos de todas as pessoas. Não seria nada bom se ele descobrisse que Kageyama andava lhe ofendendo, ainda que fosse só mentalmente.
– Você tem que levar as coisas menos a sério. – Shouyou concluiu, com um sorriso breve. – Eu sei que é difícil, mas eu vou te ajudar.
– O- O quê? – Kageyama indagou, arqueando as sobrancelhas.
– Ora, Kageyama, não pense que eu acho que você foi o único que errou nessa história. – O ruivo admitiu, um tanto sem graça. Bem, já que Tobio estava se redimindo, tinha de aproveitar a deixa. – Eu também deixei de fazer minha parte, algumas vezes. Então, agora, vamos trabalhar juntos nisso.
– Juntos?
– Como amigos. – Hinata se apressou. O moreno já estava se cansando daquela palavra, mas, né, paciência. – Como nós sempre fomos.
A mãe de Shouyou já lhe dissera algumas vezes que bons relacionamentos costumam surgir de boas amizades. Era um conselho que ele considerava um tanto inútil (como costumamos achar muitos conselhos de mãe), mas agora estava começando a entender melhor como funcionava. O primeiro passo que deveriam ter dado desde o princípio era se tornarem mais próximos. Se não eram sequer tão amigos, como poderiam ser namorados?
Apesar de estar criando um ódio mortal do termo “amigos” e tudo o que o envolvia, Tobio sentiu-se estranhamente contente de ver Hinata se dispondo a lhe ajudar. Era muito idiota de sua parte ficar feliz só por pensar em tê-lo ao seu lado, mas era exatamente o que estava acontecendo. E, honestamente, naquele momento, não se importou nem um pouco de estar parecendo um bobo apaixonado. Aliás, isso sequer passou por sua cabeça. Se o ruivo estava fazendo aquilo, era porque se importava, não? Talvez estivesse sendo muito pretensioso, mas queria acreditar que sim.
Não era idiota o bastante para acreditar em destino, entretanto, o pensamento de que aquela segunda chance estava lhe sendo dada tinha de significar algo. Tobio prometeu a si mesmo que não cometeria mais os mesmos erros da primeira vez. Se tornaria um bom amigo (na medida do que era possível para ele), se era isso que Hinata queria. E, quando finalmente estivessem prontos para dar o segundo passo num relacionamento, faria o possível para que Hinata sempre se sentisse bem. Talvez você esteja pensando “é fácil falar, cumprir é outra coisa”. O próprio Kageyama também pensou a mesma coisa no pequeno intervalo de tempo que se pôs a encarar o pequeno ruivo, mas, se havia algo em si que não tinha limites, era sua determinação. E uma vez que decidira que iria reconquistá-lo, faria de tudo para conseguir. Até mesmo engolir o orgulho que todos diziam que ele tinha.
– Então... Você me desculpa? – Kageyama uniu as sobrancelhas. – Porque eu não vou pedir de novo. – “Ok. Talvez esse negócio do orgulho tenha sido um pouco demais, mas o resto tá valendo. Mesmo.”
O ruivo deu uma gargalhada, fazendo com que Tobio corasse. Todo aquele clima tenso de pouco tempo atrás se dissipou num instante. Ainda bem. Nenhum dos dois gostava de ter de submeter a discussões sérias, e lá estavam eles... Acabando de conversar com uma maturidade que nenhum dos dois sabia que tinha. Felizmente, não durou muito.
– Não é óbvio? – Hinata retrucou. – Você pode ser uma péssima pessoa, mas eu sentia falta das suas conversas esquisitas. E do seu jeito metódico, assustador e paranoico. – Ele riu mais uma vez, observando a mudança da expressão do levantador, que voltava a ser como antes: rabugento e mal-encarado. – Não sei como alguém consegue sentir falta de uma pessoa tão chata, mas talvez eu não seja tão normal quanto acho que sou.
– Idiota. – Ele uniu as sobrancelhas, dando um peteleco na testa de Hinata.
– Ouch. – O ruivo resmungou.
Sempre lhe irritava quando Kageyama fazia aquele tipo de coisa, mas, naquele momento, não conseguia sentir qualquer outra coisa que não felicidade pelo fato das coisas terem se resolvido. É. Realmente não deveria ser normal gostar tanto da amizade que tinha com aquele gigante desajeitado. Os parceiros da chutada estranha de Karasuno estavam de volta. E, embora o ruivo achasse um tanto presunçoso de sua parte dizer aquilo, tinha um bom pressentimento quanto aos acontecimentos que se seguiriam. Desentendimentos eram, a seu ver, algo importante para estreitar laços. Ou para desatá-los de uma vez. Logo, se aquele momento não havia dado um ponto final na história dos dois, significava que o relacionamento entre os dois se fortalecera.
Foi quando a mãe de Hinata bateu na porta para avisar que o lanche estava pronto. Shouyou esperava que ela não tivesse escutado a conversa, pois sabia que sua mãe podia ser muito curiosa, ainda mais quando se tratavam dos “amigos do Shou-chan”. Kageyama, em especial, era relativamente “famoso” pela casa. Talvez porque Natsu o conhecesse e sempre perguntasse sobre ele (odiava admitir, mas sua irmãzinha tinha uma boca grande demais para sua idade), ou porque o ruivo estava constantemente – e inconscientemente – falando dele. Fossem resmungos, elogios ou ofensas, era sempre a mamãe Hinata quem os ouvia. Tobio era quase uma celebridade naquela casa.
O ruivo disse que eles já estavam indo. Afastaram-se ainda mais, com naturalidade e sem deixar de se encarar. Ainda estavam meio aéreos. Talvez, para os dois, aquela cena fosse um tanto inacreditável. O silêncio que perdurara por aqueles instantes não havia sido desconfortável, como se ainda tivessem algo para falar. Era o silêncio de quem já tinha dito tudo. E os sorrisos que trocavam só confirmavam isso.
Tobio só conseguia pensar o quanto era estranho gostar tanto de alguém. Finalmente começava a entender como era uma sensação boa, mesmo que de um jeito muito peculiar. Podia até ser que os dois ainda não estivessem num relacionamento físico, mas aquele momento descontraído que estavam tendo depois de uma conversa séria era algo que levaria consigo por um bom tempo. Uma boa memória.
Quando finalmente perceberam que estavam levando tempo demais para sair do quarto, Kageyama se afastou para que o ruivo pudesse abrir a porta. Mas, antes que as coisas estivessem oficialmente resolvidas, sentiu que deveria falar algo. Só para complementar mesmo. "Nunca deixe para falar amanhã o que você pode falar hoje. Se Hinata é importante para você, faça-o perceber isso. Ele não vai descobrir sozinho." Era o que Sugawara havia lhe dito quando conversaram no último treino, e parecia um bom momento para colocar isso em prática.
Discretamente, o moreno levou uma de suas mãos aos ombros de Hinata, fazendo-o parar. O pequeno virou o rosto para si, que, num gesto simples, disse:
– Também senti sua falta, nanico.
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