Notas iniciais
OIOI. -3- Entãão, capítulo novo pra vocês, porque eu tô simplesmente obcecada em escrever essa história, JKHWSLDKLÇ, sério. ;~; Ando super inspirada, e os reviews andam me deixando bem contente, fico mó empolgada em ver vocês gostando. Escrevi esse capítulo ouvindo uma música que eu sinceramente acho que tem tudo a ver com KageHina. O nome é Hell of a Season, dos Black Keys (pra quem quiser ouvir: www.youtube.com/watch?v=nt_ddUrNzDU / pra quem quiser ver a letra: http://letras.mus.br/the-black-keys/1995150/traducao.html ) e acho que expressa bem o que o Tobio tá sentindo, além de ter um ritmo super dançante. q Anywaay, boa leitura! Espero que gostem~

Tobio não sabia muito bem como interpretar o que Sugawara acabara fazê-lo perceber. Em toda a sua vida, nunca ninguém havia lhe falado sobre paixão. Já havia visto casais apaixonados na televisão, já ouvira músicas sobre amores não correspondidos e já folheara alguns livros de romance da estante de sua mãe (não o culpe, estava no fim das férias e já não havia mais nada para fazer), mas nunca pensou que algum dia sentiria isso – até porque não era nada idealizado como a forma que costumavam retratar em ficções.

Era confuso. Não sentia borboletas no estômago ou vontade de sorrir compulsivamente quando Hinata estava por perto. Era bem o contrário, na verdade. O mundo não se tornava mais belo nem mais agradável com a presença do ruivo e, definitivamente, não começava a tocar a música romântica brega que tocava no programa da rádio toda vez que Shouyou aparecia. Como era possível que fosse paixão se nada daquilo acontecia?

– Kageyama, está tudo bem? – Suga-san fez a pergunta parecendo um tanto preocupado com o fato de Tobio estar realmente pálido e talvez hiperventilando.

– Sugawara, eu- eu... Não é possível. O Hinata... Eu não... – Koushi esforçou-se ao máximo para não deixar transparecer seu estado de estupor. Bem... Não deveria ficar surpreso. Quem mais poderia ser se não o ruivo? Era óbvio, mas, ainda sim, surpreendente.

Kageyama, percebendo que havia acabado de dizer quem era a pessoa que estava lhe causando aquelas sensações, ficou com o rosto ainda mais ruborizado do que antes.

– Tobio... – Sugawara sorriu amigavelmente, só se referia ao garoto pelo seu primeiro nome quando não queria que ele entrasse em pânico, ou quando a conversa estava realmente muito pessoal. Coincidentemente, as duas coisas estavam acontecendo naquele momento. Apenas ele sabia fazer esse tipo de coisa funcionar com o levantador, que geralmente não se acalmava por nada no mundo. – Não tem problema nenhum se apaixonar por alguém. Não é algo para se envergonhar.

– M-Mas ele é... Irritante. Idiota, pra dizer o mínimo. – O moreno gesticulava de modo demasiadamente inquieto, com as mãos trêmulas. – E é um nanico inconveniente...

– E o único que consegue acertar suas jogadas rápidas. – Sugawara completou, deixando Kageyama sem saber o que dizer para contestá-lo. Droga. Era sempre difícil lidar com quem sabia o que estava falando. – O único que consegue fazer você aumentar sua capacidade ainda mais. Você e o Hinata, juntos, têm uma ligação que é impossível descrever. Se você não se apaixonasse por ele, acho que nunca se apaixonaria por outra pessoa.

– Ele é um cara. – O levantador suspirou, sabendo que esse argumento não era exatamente válido. “Quem se importa se ele é um cara? Provavelmente é isso que o Sugawara vai tentar me dizer. E é claro que ele tem razão.”

– Isso nunca impediu ninguém. – Comentou com um ar pensativo. – É amor, não é? É o tipo de sentimento que não dá pra controlar por quem a gente vai sentir... – Koushi sabia muito bem do que falava, porque o mesmo acontecera com ele, há algum tempo. Mas isso era história para outra hora. Um dia, quem sabe, contaria à Tobio. – Honestamente, acho que é bem legal que seja pelo Hinata. É a primeira pessoa por quem você se apaixona, não é?

– Hm... É... – Admitiu bastante sem jeito. Qualquer outra pessoa seria melhor. E com certeza seria mais simples e fácil de entender do que o ruivo. – Não posso estar apaixonado por ele, Sugawara. – Desabafou, depois de alguns breves minutos de reflexão.

– Não pode. Mas já está. E agora, vai fazer o quê? – Suga-san deu o típico sorriso ‘conforme-se com isso’ que dava quando queria fazer alguém encarar os fatos. – Vai falar pra ele?

– Claro que não! – Exclamou, assustando-se só de pensar na possibilidade. O que Shouyou iria pensar se ele se declarasse? O outro levantador riu da reação imediata e desesperada de Tobio, achando secretamente adorável vê-lo apaixonado pelo colega de equipe. – Fora de cogitação. Mesmo. Prefiro guardar pra mim.

– Bem, levando em consideração que é o Hinata, realmente é melhor não falar nada. – Koushi coçou a cabeça, tentando achar uma solução viável para o caso. – Ele provavelmente não entenderia. Mas, se quer saber, acho que você é correspondido, Kageyama. – Concluiu. – O Hinata só não percebeu isso. Ainda.

– E nem vai... – Tobio fez questão de ressaltar. Não que fosse adiantar muito, já que Sugawara estava com a cabeça feita e totalmente disposto a fazer aquilo dar certo. Apenas ignorava os protestos teimosos do moreno.

– Você vai ter que ser bem sutil. – Parecia que Kageyama estava reclamando para os ventos, então, achou melhor ficar quieto e ouvir o que o outro rapaz tinha a dizer. Bem, não lhe faria mal, não era? Havia cogitado pedir alguns conselhos, de qualquer forma. – Indiretas não funcionam, mas ser direto pode assustá-lo. Você tem que fazê-lo enxergar os próprios sentimentos.

– Tch. Você faz parecer tão simples. – O moreno rolou os olhos, não conseguindo suprimir o comentário de deboche. Mas sabia que tinha razão. Como conseguiria ‘despertar’ o amor de Hinata? Era mais fácil ensinar uma lhama a dançar pole dance. – Eu deveria chamá-lo para um encontro romântico no parque? – Sugeriu ironicamente.

– É uma ótima ideia. – Koushi sorriu. Tobio era bem melhor nisso do que acreditava que era; só tinha de dar um empurrãozinho para que tudo funcionasse. – Não precisa ser no parque. E você também não precisa usar a palavra ‘encontro’, porque, como eu disse, não queremos assustá-lo, não é?

– Eu deveria chamá-lo para um treino? – Indagou pensativo. Sugawara balançou a cabeça negativamente. Ok. Talvez ele não fosse tão bom assim e precisasse de atenção especial. O menor deu um peteleco na testa de Kageyama, que grunhiu, em protesto. – Ouch. Por que fez isso?

– Não seja idiota. – Ralhou. – Se chamá-lo para treinar, vai parecer uma coisa comum. Tem que ser algo mais... Especial. Vocês deveriam ir tomar sorvete juntos. Hinata gosta bastante. O sabor preferido dele é melão.

“Eca. O sabor mais enjoativo que existe.”

– É, pode ser. – Deu de ombros. Decidir o que iriam fazer não era complicado, o problema era fazer o convite sem parecer estranho. Não que fosse um total desconhecido para Hinata, mas digamos que também não era um amigo íntimo do pequeno nem nada do tipo.

– Só faça como se fosse um encontro casual. – Era como se Suga-san estivesse lendo os pensamentos de Kageyama. Deu uma piscadela para o rapaz, tentando encorajá-lo. Sabia o quanto poderia ser difícil para Tobio ter de convidar Hinata, mas ele precisava fazê-lo. Ao menos para ver no que daria.

O levantador não estendeu a conversa por muito mais tempo; ouvira mais alguns conselhos de Koushi e tentou lembrar-se de todos eles no caminho para casa. Tentar parecer natural. Ser simpático. Não assustar Hinata. Parecia impossível conciliar as três coisas sem parecer alguém totalmente diferente de si próprio, mas agir como de costume jamais lhe renderia um encontro. Nunca havia pensado em fazer isso antes. Estranhamente, algumas garotas já haviam se declarado para Kageyama, mas, com ele era sempre vôlei, vôlei e mais vôlei. O vôlei acima de tudo e todos. Até o baixinho aparecer. Apesar de não poder afirmar com certeza que ele estava acima do vôlei, ele certamente estava entrando na sua lista de interesses.

“Apaixonado. Eu não diria que estou apaixonado. Isso é meio idiota... Soa idiota, pelo menos.” Caminhava chutando pedrinhas. Apesar de todos os protestos, já estava se cansando de contestar o que sentia. Demorara um tempo para descobrir e restava-lhe aceitar agora. Só era... Muito improvável. Mas concluiu que seria esquisito com qualquer pessoa, e isso lhe acalmava. Não era só o fato de ser Hinata que o deixava tão consternado. Era a sensação de estar apaixonado pela primeira vez. Talvez se já tivesse ocorrido antes, soubesse lidar melhor com a situação. Mas não era o caso. Experimentar aquela sensação lhe causava certo incômodo, entretanto, concluiu que deveriam ser apenas os hormônios.

O fato de ter de tomar a iniciativa também era desconfortável. Nunca havia se esforçado muito para manter qualquer relacionamento, e, de repente, tinha de criar um. Tinha de ‘criar laços’ ou sabe-se lá como chamavam aquele tipo de coisa. Sempre usavam e abusavam desses termos ridículos que davam gastura no levantador só de ter de pensar neles. “Deveriam usar umas coisas menos piegas. Talvez assim me apaixonar não fosse tão ruim. Será que agora terei de usar essas metáforas também?”

Mas é claro que ele não usaria. Tobio Kageyama apaixonado era uma pessoa como qualquer um de nós, por incrível que pareça. Talvez um pouco mais antipático à ideia do que a maioria das pessoas, mas, fora isso, era exatamente como nós. Ninguém em sã-consciência saía por aí usando e abusando de preciosismos para falar da ‘pessoa amada’, e ele também não faria isso. Mas dramatizaria a respeito sempre que pudesse. Isso sim. Como o bom capricorniano que era, Tobio não perdia uma oportunidade de fazer drama. Qualquer coisinha era motivo para uma tempestade no copo d'água e se martirizar à toa. Fazia drama até sobre cadarços desamarrados e reclamava até dizer chega. Porque é assim que capricornianos são.

A diferença é que Kageyama não era apenas um capricorniano. Era um capricorniano apaixonado, e isso é algo, no mínimo, interessante.

Capricórnio é um signo puramente racional. Há quem diga que capricornianos são frios, insensíveis e calculistas. O levantador se encaixava bem nesse perfil, em partes. Mas capricornianos apaixonados são sempre engraçados, por mais trágica que seja a situação deles. São atrapalhados, nunca sabem como agir e sempre metem os pés pelas mãos. É realmente difícil roubar o coração de um capricorniano. Hinata conseguira uma proeza para poucos, e acertara em cheio.

Qualquer um diria que Tobio era cercado por uma parede intransponível. Nunca tivera melhores amigos, amores e qualquer coisa que envolvesse relacionar-se com alguém por mais tempo que o necessário. Nunca julgara ter pessoas ao seu redor algo essencialmente importante, e, além disso, não havia ninguém que não terminasse por irritá-lo mais cedo ou mais tarde. Com Shouyou não era muito diferente... Mas havia algo nele que fazia o moreno considerar, mesmo que por poucos instantes, ter uma amizade sólida.

Não o leve a mal, ele também gostava de seus companheiros de equipe e estava realmente disposto a ser um bom colega. Mas o ruivo era exatamente como Sugawara lhe dissera. Criara uma ligação com o levantador que ninguém conseguiu antes. Ele sabia se moldar para ser o que o levantador queria que ele fosse. Era um nanico irritante, extremamente empolgado e dotado de uma força de vontade que Kageyama nunca vira antes. Mas o complementava. Talvez por ser tão diferente, se encaixava tão bem com o rapaz.

Os dias se passaram sem que Tobio criasse coragem para convidar Hinata para sair. Os treinos pareciam passar duas vezes mais rápido do que o normal, e as chances esvaíam num piscar de olhos. Podia ver Sugawara encarando-o, esperando o momento em que finalmente tomaria atitude para fazer o que tinha de fazer, mas nunca lhe aparecia nenhuma brecha. As raras vezes que ocorria, suas mãos começavam a suar e era impossível achar as melhores palavras. Parecia que seu raciocínio simplesmente travava. Nunca pensou que fosse capaz de desaprender a falar coisas que fizessem sentido.

Era pelo menos a vigésima vez que tentava; o treino havia acabado e todos já haviam ido embora. O ruivo e ele estavam na salinha onde se guardava os equipamentos do time. Só havia sobrado os dois, como o usual. Sempre terminavam por treinar mais do que o resto do time e ficavam encarregados de fechar a quadra depois. Kageyama não estava exatamente comunicativo. Limpava o suor da testa com uma toalha e podia sentir as mãos tremulando enquanto isso. Sempre suava nos treinos, mas estar sozinho com Hinata certamente contribuía para que suas glândulas sudoríparas trabalhassem um pouco mais.

“Você nem falou nada ainda. Quer parar de tremer?” Costumava se reprimir em terceira pessoa quando estava perdendo o controle, chegava até a unir as sobrancelhas, como se estivesse de fato brigando com outra pessoa; Shouyou, por sua vez, estava tranquilo trocando de roupa, ignorando o mundo exterior. O moreno estaria mentindo se dissesse que não deu umas reparadas no corpo do menor, até porque ele estava na sua frente e se quisesse ignorar teria de fechar os olhos, o que seria muito mais estranho do que simplesmente olhá-lo. Não era afeminado. Não tinha belas curvas. Era um corpo bem sem graça, se fosse parar para analisar. Tinha algumas marcas roxas – resultadas daqueles saltos absurdamente altos e de um esforço tremendo –, era branquelo e vagamente definido. Bem menos do que Kageyama, mas dava para ver os pequenos músculos em formação. Era esquecível. E seria esquecido por qualquer outra pessoa, provavelmente.

Tobio nunca foi um apreciador de formas voluptuosas. Convivendo com rapazes diariamente, sempre ouvia os comentários obscenos que eram feitos sobre as moças, mas nunca tinha uma opinião sobre o assunto. Não conseguia gostar muito dos termos que seus colegas costumavam usar. “Gostosas... Parece que estão falando de carne.” Era o que costumava pensar. Não era uma palavra que lhe soava bem para descrever uma menina. Ou para descrever pessoas, no geral. Já ouvira falar de comidas gostosas, mas gente gostosa era uma história totalmente diferente.

Em toda a sua vida, raramente se sentira atraído por pessoas do sexo oposto. Havia, sim, moças bonitas. Ele reconhecia isso na maioria das vezes. Mas elas nunca lhe despertavam o desejo que costumavam despertar em outros rapazes.

Naquele momento, porém, sentiu-se brevemente hipnotizado pelas formas do rapaz. Aquele corpo era pequeno, comum e insosso, disso ele não tinha dúvida. Mas, ao mesmo tempo, era tão... Desejável. Não havia outra palavra que descrevesse a sensação do levantador ao encará-lo. Seus hormônios realmente lhe faziam querer tocá-lo de uma maneira que Tobio nunca pensou que gostaria de tocar alguém. Obviamente não faria isso, ainda que a proposta fosse tentadora. De repente, quase não conseguia conter o que estava acontecendo por baixo de suas calças. Era o típico impulso que surgia do nada, e o moreno detestava isso. “Se controle. Se controle. Se controle.” Piscou algumas vezes, tentando se recompor. "Tudo o que eu definitivamente não preciso é de uma ereção."

– Hinata. – Chamou-o, com a voz rouca, depois de muito pensar em várias coisas que não o remetessem à vontade que tinha de agarrar o pequeno ali mesmo. Pigarreou antes de dar continuidade. Pôde ver o ruivo erguendo a cabeça para encará-lo. Não haviam conversado muito naquele dia, pois Kageyama estava no típico dia quieto e compenetrado. – Você...

Era complicado fazer o pedido com Shouyou olhando-o nos olhos. Aqueles enormes olhos castanhos lhe dando toda a atenção do mundo faziam o levantador estremecer e hesitar várias e várias vezes. Podia imaginar várias outras situações em que Hinata o encararia daquela forma, e todas elas envolviam coisas demasiadamente indecentes. Queria muito entender o que estava acontecendo com seu corpo. Era só o que lhe faltava desaprender a controlar seus movimentos voluntários também.

– Sim? – Ele insistiu para que Tobio prosseguisse, e o rapaz finalmente percebeu que estava demorando demais para ir direto ao ponto.

– Bem... Você- você... Sorvete. Qualquer dia desses. Quer? Comigo? – “Merda. Nem eu entendi o que eu queria falar.” – Digo. Tomar sorvete... Comigo... – Sua voz ia ficando cada vez mais baixa, até chegar num ponto praticamente inaudível.

Ou era o que pensava. O sorriso do ruivo se alargou, repuxando um pouco os olhos de forma extremamente adorável, o que significava que ele havia captado a mensagem, e, pior, que estava feliz com ela. O levantador imediatamente corou e desviou o olhar. Obviamente não havia pretensões naquele sorriso que o menor lhe lançara, mas, mesmo assim, significava bastante para ele.

– Claro! – Exclamou, assentindo com a cabeça. Ficou tão contente com o pedido que sequer parou pra pensar o quanto era esquisito algo do tipo vindo do moreno. – Por que não vamos agora? – Sugeriu. – Está tão calor... Eu realmente queria um sorvete.

– Oh. Uh... Claro. – Concordou imediatamente, não esperando uma resposta tão rápida. Será que pareceria um encontro se fosse tão de repente assim? Bem, talvez fosse melhor se não parecesse. Não fazia tantos dias desde que consertara a bicicleta de Hinata, talvez ele encarasse isso como outro dia daqueles, o que não era exatamente ruim, ao ver de Tobio, já que ele realmente não queria assustar o rapaz. – Só vou trocar de roupa.

Estava relativamente sujo, mas homens não costumam se importar com esse tipo de peculiaridade, e não havia motivos para ser diferente com o moreno, embora ainda fosse mais asseado do que a maioria – por pura paranoia, vale dizer. Tirou a camiseta e foi procurar a outra em sua mochila. Os olhos de Shouyou lhe observando lhe faziam ter algumas dificuldades para agir naturalmente, ainda mais porque havia uma admiração quase cega ali.

– Kageyama, você é realmente incrível. – O ruivo repetia, enquanto o rapaz buscava encontrar a outra blusa o mais rápido possível. Não se sentia confortável em ser observado, muito menos elogiado. – Não faz tanto esforço, e é quase tão forte quanto o Tanaka.

– Eu me esforço bastante, pra ser honesto. – Retrucou, unindo as sobrancelhas em frustração. Onde havia enfiado a maldita camiseta?

– Mesmo? – Hinata realmente não acreditava naquelas palavras. – Não acredito. Tudo parece tão fácil pra você.

– Ah, você não faz ideia do quanto algumas coisas são difíceis pra mim. – Finalmente encontrou-a, se vestiu rapidamente e apressou-se para começar a fechar a quadra. O pequeno o seguia, carregando as mochilas dos dois, para que não esquecessem e tivessem de voltar depois.

– Que tipo de coisas? – Perguntou com curiosidade.

– Hm... – Fez uma pausa, tentando pensar. Realmente, não havia nada assim tão complicado em sua vida. Com exceção do rapaz à sua frente. – Eu diria tudo que envolve ter de me relacionar com os outros. Você sabe que eu não sou bom com nada disso.

– É mesmo. O Rei Egoísta. – O ruivo brincou, mas Kageyama não gostou nada de ouvir aquilo.

– Não me chame assim. – Pediu num tom vagamente ríspido.

Começaram a caminhar em direção à sorveteria mais próxima assim que terminaram de trancar tudo. Não devia levar mais de quinze minutos de caminhada. O assunto aparentemente ficara um pouco constrangedor após o “Rei Egoísta”, dando espaço para um silêncio levemente esquisito, mas o levantador não havia se importado tanto com aquilo quanto fizera parecer. Só não gostava muito de relembrar o apelido que costumava ter. Ainda sim, a impressão que Shouyou tinha era de ter realmente aborrecido o rapaz, o que poderia arruinar o passeio divertido até a sorveteria.

– Kageyama... – Estava um tanto hesitante. – Não acho que você seja ruim em se relacionar com os outros.

O moreno deu uma breve risada de deboche.

– Não precisa falar esse tipo de coisa pra me agradar. – Retrucou, despretensioso. No fundo, estava tenso com o encontro, por mais bobo que fosse, mas preferia não deixar transparecer. – Eu nunca fui muito bom nessa área.

– Você já teve uma namorada? – Hinata perguntou, do nada, fazendo Kageyama engasgar com a própria saliva. O ruivo era sempre tão direto com as perguntas que o assustava. Não deveria ser permitido que alguém tivesse tanta falta de cautela (ou bom senso).

– Por que você que saber? – Encarou-o, semicerrando os olhos.

– Não sei. – Riu, tentando descontrair a situação. A verdade é que Shouyou tinha certa curiosidade para saber disso. – Não consigo te imaginar com uma namorada. Mas eu também nunca tive uma, então não se preocupe.

– Claro que não teve. – Tobio comentou como se fosse algo óbvio. – Você é bem menor do que a maioria das garotas.

– Ei! – Hinata uniu as sobrancelhas, indignado. – Isso nunca foi problema. Nem todas as garotas gostam de caras enormes como você e o Tsukishima. Sabia?

– Sim, mas acho que anões também não são a preferência da massa. – Ironizou, levando um soco leve no braço. O ruivo não era exatamente a pessoa mais forte do universo, logo, Kageyama nem se importou com a ‘agressão’. – Hm... Não. Nunca tive uma namorada. – Respondeu, do nada, depois de algum tempo. Já haviam chegado à sorveteria e pedido seus sabores. Shouyou pegara um sorvete de melão, como Sugawara havia previsto, enquanto o levantador se contentara com um de limão. “Azedo até na hora de escolher o sabor do sorvete” segundo o pequeno. Sentaram-se na mesinha do lado de fora da sorveteria para pegar um pouco de ar fresco.

– Há! Eu sabia. – Hinata comeu uma colherada do sorvete animadamente, sorrindo vitorioso em seguida.

– Não tem nada de mais nisso. – O moreno retrucou, levemente incomodado. Era tão óbvio assim que ele nunca havia ficado com nenhuma garota?

– Mas você gosta de alguém, pelo menos? – “Céus. Por que ele está me fazendo esse interrogatório?” Engoliu seco, sem ter ideia do que responder. Certamente ‘não’ era a melhor alternativa, mas estava tentado a deixá-lo curioso. Infelizmente, não conseguia dizer nada sem pensar pelo menos duas vezes e analisar se era uma decisão sensata. Raramente agia por impulso, então, ficou alguns segundos refletindo sobre a questão.

– Acho que sim. – Disse, por fim. Hinata imediatamente começou a bombardeá-lo com perguntas como quem era a pessoa, como ela era, etc, etc. Obviamente Tobio ignorou boa parte delas. Ah... Mal ele sabia que era de quem Kageyama estava falando. – Oi. Pare de ser curioso. – O levantador cortou-o imediatamente, fazendo a expressão de Shouyou ficar semelhante a de um cachorrinho abandonado. Praticamente irresistível. Ainda bem que o levantador sabia agir racionalmente em situações como aquelas.

– Mas... Me fala. – Insistiu. – Eu conheço?

– Conhece.

– Fale mais sobre ela. Quando começou a gostar dela? – O ruivo questionou, repetindo essa mesma frase diversas vezes, apesar dos protestos do moreno, que definitivamente não sabia o que falar e simplesmente começou a comer o sorvete bem rápido para evitar tocar no assunto. Uma pena que havia pouco sorvete ali e não daria para enrolar por muito mais tempo. – Por favor. Por favor. Por favor.

– Ugh. Você é um porre. – Resmungou, arremessando o potinho do sorvete com muita lástima no lixo. Suspirou, sem jeito. O que poderia dizer sobre Hinata para ele mesmo? – Bem. Não sei o que dizer. Acho que faz uns meses. A pessoa tem uma presença muito... Marcante. E me irrita na maior parte do tempo. É bem desconfortável ficar no mesmo lugar que... Ela... Eu acho. Mas a gente funciona muito bem, quando quer. Então é meio legal. É bastante legal.

Ok. Aquilo definitivamente não parecia com uma declaração, mas isso não impedia Tobio de ficar extremamente corado e envergonhado. Havia sido realmente difícil juntar aquelas palavras, por mais ridículas que elas soassem. Seu coração batia muito, muito rápido mesmo. O menor tentava digerir aquelas palavras e interpretá-las corretamente. Quando a luz finalmente lhe iluminou, arregalou os olhos, um tanto surpreso pela descoberta que acabara de fazer.

– Wow, Kageyama. – Demorou alguns segundos para se pronunciar. – Desde quando você gosta do Tsukishima?

Notas finais
NÃO RESISTI, KJDFSDFJKJ. Hinata super lerdo e *apanha* Mereço review? :*