Under the water
7 Revenge
Notas iniciais
Vingança. Essa é a palavra que lateja em minha cabeça desde o beijo de Tobias. Maldito homem.
O plano é simples: Finjo estar apaixonada e cedendo a seus “encantos” e quando ele finalmente se apaixonar por mim novamente, o trairei com um qualquer. Farei questão de que tenha uma visão privilegiada disso tudo.
Caminho quase apressada pro quarto de Tobias. Já se passa da meia noite. Ignoro os calafrios que o breu total me dá, agora só espero ter coragem pra girar a maçaneta. Eu o faço. A porta se abre vagarosamente, emitindo um rangido comum em estruturas antigas. Hora de por o plano em ação. Tobias está deitado sem camisa e seu corpo está virado pra parede paralela à porta. Devido à claridade vinda da varanda totalmente escancarada, tenho visão total das linhas e símbolos negros de sua tatuagem.
“ Tem certeza de que quer fazer isso? É definitivo. – Meu tom receoso desperta uma risada fraca de Tobias.
– Por que não? – Seu olhar encontra o meu ao mesmo tempo em que ele me entrega os decalques.
– Não sei se me acostumarei.
– É só uma tatuagem Tris, deixe de ser careta.
– O que significa? – Folheio os papeis em minhas mãos enquanto observo um símbolo em cada um.
– Coragem, altruísmo, franqueza, inteligência e amizade. – Ele me diz e aponta cada papel. Antes que possa me explicar melhor sobre cada um, o tatuador entra na pequena sala revestida de branco.
– Pronto Quatro?
– Claro Amah.
Eu o entrego os decalques que em questão de minutos são colados nas costas de Tobias. Acho que eu estava com mais medo do que ele, afinal, segurei sua mão com força e ele apenas retribuiu o gesto.”
– Não será um erro passar a noite comigo novamente, Prior? – Sua voz rouca toma conta do quarto enquanto vira seu corpo lentamente em minha direção.
– Esqueci meu celular aqui ontem. Pode-me dizer onde ele está?
– Procure. Não faço ideia de onde isso esteja.
Canalha.
– Por que mente Tobias? – Meus braços se cruzam enquanto o observo com um olhar de desprezo. – Me diz logo onde isso está e eu saio daqui.
– Me dê um motivo pra mentir pra você Beatrice.
– Talvez costume. Aliás, essa tatuagem simbolizando “franqueza” não significa nada. – Direciono-me até a cômoda de madeira e logo abro as gavetas onde Tobias havia deixado suas roupas. Vasculho-a em busca de meu smartphone.
– Pode decidir logo se acredita em mim ou não?
– Eu não sei mais no que acreditar Tobias. Não sem mais em quem acreditar. – Não viro meu corpo pra ele, apenas continuo procurando em meio as suas roupas.
Sinto suas mãos tocarem as laterais de meu corpo ao mesmo tempo em que um arrepio percorre por ele todo.
– Por que não acredita em mim Beatrice? – O ar quente que sai de sua boca se encontra com o lóbulo de minha orelha. Droga. Mil vezes droga.
Viro meu corpo em um movimento, mas não consigo livrar-me de suas mãos. Tobias me olha diretamente nos olhos e posso sentir nossos rostos se aproximarem o suficiente pra que sua respiração possa se fundir com a minha, que agora está sutilmente descompassada.
– Me dê um bom motivo pra o fazer.
– Talvez porque eu esteja falando a verdade. – Sua sobrancelha direita arqueia-se pra cima e posso sentir deboche de sua parte.
Idiota.
Respiro fundo assim que fecho meus olhos.
– Só. – Hesito. – Só me diga onde está meu celular e eu juro que saio daqui.
– Não quero que saia. – Sua voz rouca contra minha boca me faz estremecer. Sei no que isso daria na época em que namorávamos.
Meus olhos se abrem e encontram os seus, os mesmos olhos que me fizeram correr pra fora da lanchonete.
– Me dê esse celular agora ou vou gritar. Depois do que fez no restaurante do Zeke não será nada difícil te acusar de tentativa de estupro.
Ele ri e fecha os olhos ao mesmo tempo em que sua cabeça inclina-se levemente pra baixo.
– Como iria me acusar de tentativa de estupro se você veio até aqui?
– Ora. A bela moça só queria seu celular enquanto o rapaz a agarrou e tentou a violentar. – Sorrio enquanto mordo meu lábio inferior assim que termino de falar.
– Nada disso aconteceria se a bela moça parasse de ser cabeça dura, não acha? – Ele sussurra enquanto morde a ponta de minha orelha.
– Seria mais fácil, não?
Tobias afirma positivamente com a cabeça, mesmo sem trocar o olhar de superioridade que tem. Levo minhas mãos até seu peitoral nu, e o arranho levemente. Suas mãos seguram meu quadril com mais força.
– Acho que a bela moça pode tentar. – O digo no pé de sua orelha. Sinto os pelos de seus braços eriçarem contra os meus.
– Prossiga, Prior. – Meu rosto volta à posição anterior. Aproveito minhas mãos em seu peitoral e o empurro até a cama, o fazendo cair deitado na mesma.
“ – Não Tris. Ele está namorando com Nita. – Christina diz pelo telefone.
– Ah. – Acho que não sou boa em esconder sentimentos. – Felicidade aos dois.”
Levo meu corpo vagarosamente pra cima do dele. Mordo meu lábio inferior com leveza enquanto o olhava nos olhos. Sei o quanto ele gosta disso.
Nossos rostos estavam mais próximos do que nunca. Seu olhar juntamente com seu sorriso demonstra luxúria e desejo.
Não nego que também tenho atração por ele, afinal, sou mulher, é inevitável. Mas irei me segurar.
Como por instinto nossos lábios se aproximaram, iniciando agora um beijo feroz. Nossas línguas se moviam em perfeita harmonia, fazendo uma corrente de adrenalina percorrer todo meu corpo de forma com que eu cedesse por cima de seu corpo. Suas mãos seguem até a barra de minha regata preta, e posso a sentir levantar até metade de meu tronco. Separamo-nos somente pra retira-la por completo, deixando meus seios completamente nus em contato com seu peitoral. Sua mão direita toca minha nuca e me puxa, inutilmente, pra mais perto.
Levo uma de minhas mãos para o bolso de sua calça de moletom e de lá retiro meu smartphone. O sorriso entre o beijo é inevitável. Afasto então nossos rostos e o encaro nos olhos.
– Talvez da próxima. – Sussurro em seu ouvido antes de sair de cima de Tobias. Pego minha regata que estava jogada no colchão. Seu olhar de indignação pesa sob meu corpo, mas ignoro enquanto caminho rebolando até a porta de seu quarto e a fecho logo em seguida.
[...]
Fecho a porta do carro assim que Will coloca minha segunda e última mala no porta-malas.
– Gostou da viagem Tris? – Christina vira seu corpo, posicionado no banco da frente, pra trás.
– Amei Chris. – Digo. – Precisava de um tempo pra descansar e curtir a natureza. Nem me lembre de que vou voltar pro caos urbano e ter que voltar a trabalhar. – Nós duas rimos juntas.
– Escuta... Jeanine está à procura de uma psicóloga pra Lincoln Park High School. A outra... Bem, a outra fugiu. – Christina coça sua nuca. Ela definitivamente não sabe mentir.
Nunca imaginei Christina como professora, ainda mais pra um bando de adolescentes mimados.
– Discutiu com a outra?
– Bem. – Ela hesita. – Não foi uma discussão, eu apenas disse a verdade.
Eu sei bem como é discutir com Christina, ela não mede as palavras e pode levar uma psicóloga a fugir sim de seu local de trabalho.
– Bom, não vejo o porquê de não aceitar. Pode conversar com essa tal de Jeanine e ver se consigo o emprego?
– Claro Tris. – A morena sorri. – Te aviso tudo por SMS, prometo.
Nossa conversa silencia assim que Will entra no carro, e permanecemos assim por grande parte do percurso.
– Will? Pode parar na casa de Lynn? Quero me despedir dela e também tenho que pegar Lolli.
– Sim senhora, seu desejo é uma ordem. – Rio fraco com o que diz. Will sempre foi meu amigo, mas não posso negar que nesses seis anos ele foi a pessoa que eu mais me afastei. Não mantivemos contato, apenas algumas vezes em que eu ia visitar Christina.
“ – Não é isso Beatrice! Estou falando sério. Não faço ideia de como chegar em Christina, quero dizer, não vou bater na porta de sua casa e dizer “Olá, boa tarde, como vai? Afinal, estou apaixonado por você.” .
– Ué, é só fazer isso Will. Christina é e sempre foi direta, qual o problema de você ser também? – Guardo meu livro de Inglês no armário e pego o de Biologia. O fecho em seguida e logo depois começo então a caminhar em direção ao laboratório de ciências.
– Você diz como se fosse fácil. Não é! – Will protesta enquanto me segue.
– É mais fácil do que pensa, Will. A morena sempre foi caidinha por você, e apesar de sua franqueza ela nunca teve coragem de demonstrar isso abertamente. Sério, eu a conheço. É só dar brecha que ela vai partir pra cima.
Atravesso a porta do laboratório e sento em uma das poucas cadeiras vagas, que por sinal, é ao lado da de Chris.
Ela o fita com o olhar, e Will apenas sorri.
– Quando ele vai me notar Tris? – Ela se vira pra mim. Sua expressão é de tristeza.
– Já notou Christina, já notou.”
[...]
O carro de Will para em frente ao prédio onde fica o apartamento de Lynn. Abro a porta assim que ele para, e saio do carro. Vou de encontro com Lynn e nos abraçamos com certa intensidade.
– Vê se me visita, sua loira de farmácia. – Lynn diz enquanto sorri.
– Não diga como se não tivesse a mesma obrigação.
– Tia Tris! – Um grito masculino e ao mesmo tempo infantil invade meus ouvidos. Hector atravessa o saguão do prédio e a porta de entrada correndo com Lolli nos braços.
– Hec! – Me agacho e abraço os dois. Lolli late incomodada com o aperto. – Cuidou bem dela? — O olho com um olhar de advertência.
– Se não tiver cuidado bem da Lolli, quando ela crescer ela vai vir morder sua cara, vai deixar ela toda deform...
– Lynn! Para de assustar o moleque, nem parece irmã dele. – Rimos as duas.
Levanto-me segurando Lolli apenas pela coleira. Abraço novamente Lynn.
– Não me abandone de novo, ouviu? – Ela diz enquanto me aperta.
– Não fale como se eu tivesse te deixado sozinha no mundo.
– Foi quase.
[...]
Fecho a porta do apartamento assim que vejo Will entrar no elevador. Ele me ajudou a trazer as malas pra cima, seria difícil controlar Lolli e carregar as bolsas ao mesmo tempo.
A pequena YorkShire corre em direção a sua cama. Carrego minhas malas até meu quarto e as abro em cima da cama. Meu celular vibra.
“ Chris
Que tal almoçarmos juntas hoje?”
Não me parece uma má ideia, e nem tenho desculpas pra não ir. Arrumarei as malas depois.
“ Só nós? Quero conversar com você e não pode ser por mensagem. Aliás, não iremos no Zeke’s!”
“ Chris
Ah qual é. Conheço um restaurante maravilhoso no centro, aposto que vai gostar. É comida japonesa. Passo ai as 13:30.”
“ Yes sr.”
[...]
Encaro o vestido azul em cima da minha cama. Meu celular vibra novamente. Porra Christina, eu já concordei em ir.
“ Número desconhecido
Vai pagar por ontem à noite, Prior.”
Rio. Ainda não salvei o número de Tobias, então o faço antes de responder.
“ E como irei fazer isso?”
“ Tobias
Aceitando jantar comigo amanhã.”
Oportunidade perfeita.
“ Claro. Me pegue as 20h15min.”
O plano foi posto em ação. Atiçar Tobias é sempre a melhor opção quando se quer algo.
Coloco o vestido e calço uma sapatilha neutra. Abro meu guarda-roupas e pego uma bolsa pequena, apenas pro celular e o dinheiro.
Levo-me até o armário da dispensa e me agacho pra pegar a ração de Lolli, que em seguida é despejada em seu pratinho.
– Se comporte mocinha. – O digo devolvendo o saco a seu devido lugar.
Caminho em direção à saída. E finalmente ao elevador.
“ Tobias
As 20h00min”
Ajeito meu cabelo no espelho antes de respondê-lo.
“ Tanto faz.”
A porta do elevador se abre no térreo. Atravesso o saguão do prédio com calma e na mesma hora em que passo pela porta de entrada, Christina para o carro. Dou a volta no mesmo e abro a porta do passageiro e me sento segundos depois.
– Restaurante japonês, ein? Will realmente te fez bem. – O digo enquanto passo o cinto de segurança.
– Pare de ser besta, uma amiga minha é garçonete lá. Além disso, Will odeia comida japonesa. – Christina da partida no carro. Ela vira a cabeça sutilmente pra me olhar, mas logo volta à posição anterior. – Desembucha.
– Vou... – Deveria mesmo contar pra ela? – Vou me vingar de Tobias.
Encaro minhas unhas já sem esmalte algum que estão posicionadas acima de minhas coxas. Christina ri como se não estivesse acreditando.
– Tem 15 ou 23 anos?
– Ei! – Protesto. – Só não vou deixar barato o que aquele infeliz me fez.
E eu não vou mesmo. Tobias vai sentir na pele como é ser traído por alguém que ama.
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