Under the water
11 Michigan
Notas iniciais
Tris
Praguejo quando o despertador do celular toca, retirando-me de um sono não tão profundo. Hoje é meu primeiro dia de trabalho. Apesar do estado de Lynn, uma de minhas melhores amigas, tenho que continuar minha vida. Desligo-o rapidamente, querendo dar-me ao luxo de mais cinco minutos, afinal, é meu primeiro dia. Mas Tobias parece não entender. Ele abre a porta do meu, digo, seu quarto bruscamente.
– Está atrasada. – Sua voz invade o quarto. Xingo alguns palavrões direcionados a ele quando a luz do quarto é acesa, mas ele ri da situação e segue escada abaixo.
Estamos um pouco mais íntimos desde a transa no escritório. Pus inicio ao plano, definitivamente. Mas agora me pergunto se é o certo a fazer. Porra! Eu sou uma psicóloga, eu deveria saber lidar melhor com meus sentimentos.
Meu celular vibra.
“ Chris
Vamos loira oxigenada, é seu primeiro dia e os adolescentes estão loucos pra contar-lhes seus problemas inúteis.”
Christina é professora de matemática do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. E como já disse, eu nunca poderia imaginar a morena como professora.
“ Calma, porra. São 06:15 da manhã. Está acordada desde que horas?”
Jogo o celular na cama, e, poucos segundos depois, ele vibra novamente.
“ Chris
Will acordou mais cedo e resolvemos ter uma foda matinal.”
Pergunto-me se deveria contar o que aconteceu entre Tobias e eu. Mas mesmo se eu o fizer, não será por SMS. Levanto de uma vez da cama de casal King Size que Tobias comprara não havia nem um ano. O choque de meu corpo quente devido ao edredom com o ar frio de fora da cama me faz estremecer. Exatamente como estremeci quando Tobias entrou de uma vez em mim. Eu poderia jurar que minha virgindade havia voltado após oito meses sem sexo. Jogo a regata branca e minha calcinha no cesto de roupas-sujas e ligo o chuveiro.
[...]
A caixa de papelão em minhas mãos levam livros de psicologia que comprei durante a faculdade e alguns artigos pessoais. Tobias me levou em casa pra pegar as devidas coisas antes de me deixar na Lincoln Park. Lolli já se acostumou com a casa dele, e Rosa até pegou certo carinho com a cadela. Não consigo enxergar nada além de uma tonalidade bege, quase marrom, que o papelão possui, mas isso é o suficiente pra eu tropeçar. Meus livros e coisas cairiam no chão e eu pagaria o pior mico da minha vida pleno primeiro dia de trabalho se não fosse por um homem alto de cabelos negros que a segurou por mim.
– Opa. – Ele ajeita a caixa nos braços antes de me entrega-la. – Posso saber quem é você?
Seguro a caixa com cuidado, e desta vez consigo ver algo além dela. O homem alto sorri pra mim.
– Tris. – Digo. – Beatrice Prior, a nova psicóloga. E você é?
– Peter Hayes. Professor de literatura e o salvador da caixa.
Não hesito em soltar uma risada abafada com o que ouço.
– Okay Sr. Hayes, pode me ajudar a encontrar minha sala?
– Claro. Escadas, reto, direita, esquerda, segunda porta após o banheiro. – Ele gesticula cada palavra em direção à escada.
– Muito obrigada.
– Nos vemos.
Assinto com um breve sorriso e faço o percurso descrito. A porta da sala ainda tem escrito o nome da antiga psicóloga “Mariah Mendez”
– Veio do México. – Uma voz feminina faz cocegas em minha nuca.
– Christina! – Sorrio. – Eu poderia te abraçar agora, mas uma certa caixa me impede. Pode me ajudar? A chave está no bolso da calça.
Ela pega a chave e abre a porta pra mim. A sala que será apossada por mim é toda amadeirada, contendo uma escrivaninha de mogno e em par uma cadeira de couro marrom. Ao lado, uma estante de livros quase vazia e duas poltronas que aparentam ser extremamente confortáveis. Deixo a caixa em cima da mesa e faço uma leve massagem nos braços.
– Me lembre de nunca mais carregar tantos livros. – Digo pra Christina.
– Pode deixar. – Ela sorri e se senta na mesa, ao lado da caixa pra revirar a mesma. – Não trouxe nenhum vibrador? – Christina me olha incrédula, como se aquilo fosse inaceitável.
– Pelos Deuses Christina! Isso é uma escola, não um bordel. – Fuço a caixa retirando meus livros pra coloca-los no devido lugar. – Como foi hoje de manhã? Não é normal você acordar cedo demais, mesmo que pra transar.
– Tris, Tris. Tantos meses sem sexo te deixaram meio lesa. Aprenda pequena gafanhota: Nunca se recusa uma foda. Nem que comece às quatro e meia da madrugada. – A morena observa as unhas bem feitas, pintadas de um vermelho sangue.
Reviro os olhos e caminho até a estante de madeira escura com dois livros na mão e posiciono-os.
– Claro, porque algumas horas sem sexo realmente se transformaram em meses, assim, num passe de mágicas. – Volto à caixa e pego mais alguns livros.
Christina arregala os olhos castanho-escuros, quase negros, cercados pelos cílios com rímel.
– Que porra você falou Beatrice? Não me diga que foi com... – Ela hesita. – Não. Puta que pariu, você é louca? Vai mesmo continuar com aquele plano idiota?
– Não é idiota. E vou continuar. – A essas horas eu realmente duvido que não seja idiota, mas eu não desisto de algo no meio do caminho.
Agora é a morena que revira os olhos. Ela desce da mesa.
– Sabe que não concordo com isso né? – “O corpo fala” está nas mãos dela e os seus saltos batucam no chão amadeirado em direção a estante. – Mas se precisar de mim eu estarei aqui. Não vou dizer que não guardei nenhum rancor de Tobias, não consigo mentir. Ele merece vingança, ainda mais por não admitir o erro e continuar insistindo na história de que foi Nita quem o beijou. – Ela coloca o livro ao lado dos outros e se vira pra mim.
Rio fraco assim que levo meu olhar pro chão e me encosto na mesa.
– Parece maior do que da última vez que eu vi.
Christina ri alto e se senta ao meu lado. Conto detalhe por detalhe da tarde passada pra ela, que quase não pisca de tanto interesse.
– Oh my God. – Ela limpa uma lágrima falsa que “caia” do olho direito. – É muita emoção ouvir essas histórias de uma amiga encalhada.
[...]
– Entre. – Digo alto o suficiente pra pessoa de fora me ouvir.
– Srta. Prior. – Jeanine entra na sala, agora arrumada, e me cumprimenta. – É um prazer tê-la em minha escola. Espero que se adapte aos adolescentes... no mínimo estranhos que transitam pelos corredores. – Ela ri fraco, ainda mantendo o ar de superioridade, sua característica principal.
– Sra. Jeanine. – Retribuo o aperto de mãos e a risada. – Espero ajuda-los no que eu puder.
– Srta.
– Perdão, Srta. Jeanine. – Corrijo minha fala.
– Há uma menina no segundo ano. – Ela diz e se senta em uma das poltronas.
– Sim.
– É minha filha. – Ela sorri com orgulho. – Ela passa por alguns problemas no momento. Pode ser que passe aqui hoje, então peço que tente ao máximo ajuda-la. Sarah Matthews é uma adolescente difícil, mas é uma menina doce quando quer. Enfim, irei avisá-la de sua chegada. É mais provável que venham no almoço ou nos demais intervalos. Será encarregada também de receber pais de alunos junto aos professores.
– Claro, claro. Avise-a, estarei esperando.
A mulher de, em média, 40 anos se levanta. Nos despedimos e ela saí de minha sala, dando-me oportunidade de planejar as demais decorações.
[...]
– Esse é Peter. – Christina indica o homem, já conhecido por mim, com a mão. – Literatura. Matthew, química. – Um homem com óculos e o cabelo quase bagunçado levanta e acena a mão com um sorriso no rosto.
– Tris Prior, psicologia. – Sorrio em simpatia ao passar pelos outros. Sigo até a cafeteira e tento encher minha xícara branca, mas nenhum líquido sai além de uma água suja com borras de café. Uma careta de nojo surge em minha face.
– Que po... O que essa máquina tem?
Peter ri um tanto alto do outro lado da sala. Ele passa café do modo tradicional em cima do mármore escuro da pia.
– Está quebrada, Prior.
– Por que diabos não me disse antes? – Jogo a água suja na pia e lavo a louça branca.
– Iniciação. – Matthew diz e me entrega uma xícara cheia de café. – Você é de onde mesmo?
– Obrigada. – Digo. Tomo um gole do café quente e forte.
– Ela é de Chicago, mas se mudou pra Miami devido a alguns acontecimentos. – Christina fala, e antes que eu possa dizer algo, meu telefone celular toca. Afasto-me de todos assim que recebo um “sim” com a cabeça da maioria.
– Pai? Pai, que saudade! Pensei que nunca mais ia me ligar. Perdi todos os meus contatos por causa de uma burrada que fiz no celular, por isso não o liguei mais. Como vai Caleb?
– Beatrice. – Ele diz, seca e friamente. Meu pai se tornou um homem-geleira desde a morte de Natalie. – Caleb está bem e já marcou a data do casamento. Aliás, pediu pra te avisar pra estar em Miami daqui exatamente um mês. Passará o final de semana conosco por conta do casório.
– Ah. Claro, claro, pode deixar. Ele falou algo sobre acompanhante? Digo, acho que ele não precisará mais convidar alguém pra ir comigo. Irei com Tobias.
Não ouço mais nada por alguns segundos além dos demais professores conversando.
– Eaton?
– Exatamente.
– Não acho que seja uma boa ideia. Caleb e Eaton não se dão muito bem, você sabe disso.
Respiro fundo.
Lembro-me que Caleb quis matar Tobias depois do baile. Se não fosse por minhas súplicas, não duvido nada que Tobias estaria a sete palmos abaixo da superfície.
– Dou meu jeito.
– Que seja. – Uma voz feminina de fundo chama meu pai. – Preciso desligar. Peço pra Caleb te ligar ainda essa semana.
O telefone fica mudo e a tela brilha indicando que a chamada terminou.
Ele nem disse que sentia minha falta. Tomo outro gole do café enquanto observo o número que meu pai me ligou. Era um fixo, mas não o da minha casa. Sequer é um número de Miami.
– Não acredito que ele se mudou com aquela va...
– Tris. Tá tudo bem? – Christina me interrompe com uma cara preocupada.
– Claro. Aliás, o café está ótimo Matthew. – Sorrio e levo a xícara pra cima em direção a ele, indicando satisfação, e dando outro gole segundos depois.
Não. Não está tudo bem. Não está nada bem.
Nunca proibi que meu pai namorasse, muito pelo contrário, achei ótimo quando ele me disse que queria seguir em frente. Mas precisava ser com ela? Aquela mulher só quer o dinheiro e o luxo dos iates no nome Prior.
[...]
– Christina me disse que vem de boa família. Por que trabalha como psicóloga numa escola pública, exatamente? – Matthew veio até minha sala pra me entregar o mapa da escola e a ficha dos alunos que já frequentaram as outras psicólogas, mas acabou ficando pra conversarmos já que ele tem janela nessa aula.
– Na verdade não era nem pra eu estar aqui como psicóloga. Eu trabalhava como modelo comercial de uma grife de roupas, minha rotina era corrida a cada começo de temporada. Uma filial abriu em Chicago há alguns meses atrás, e fui a primeira a aceitar a mudança.
– Ainda não entendi o que está fazendo na Lincoln Park.
Rio fraco. Matthew faz caras engraçadas quando está com dúvidas.
– Fui demitida algumas semanas antes de me mudar. Acharam modelo melhor.
– Tris... isso é horrível.
– Me formei em psicologia em Miami, e, mesmo não tendo resolvido seguir a profissão, sempre foi meu sonho poder entender e ajudar as pessoas. Mas admito que meu objetivo principal sempre foi me entender.
– Conseguiu cumprir seu objetivo?
– Duvido que conseguirei, Matthew. – Digo. Ele ri enquanto ajeita os óculos de grau.
Batidas na porta invadem meus ouvidos.
– É melhor eu ir, sua primeira paciente chegou. – Ele se levanta.
– Como sabe que é ela? – Me levanto junto a ele, e caminhamos juntos até a porta.
– Jeanine deve ter convencido a filha a vir até aqui. Boa sorte. – Ele se despede assim que coloco a mão na maçaneta e a giro. Uma menina mais ou menos da minha altura, e com os cabelos loiros quase no mesmo tom que o meu, me espera na porta segurando um dos braços com a mão.
Ela leva os traços de Jeanine. Eu levo os traços de Jeanine.
– Sarah. – Sorrio ao recebê-la e dar passagem à garota. – Seja bem vinda. Sou Beatrice Prior, me chame de Tris. – Fecho a porta e giro a chave, seguindo em direção a uma das poltronas logo em seguida. A menina imita meu gesto e se senta na outra poltrona.
– Minha mãe contou sobre mim, não é? Que porra. – Assusto-me ao ouvir uma adolescente falar tal palavra, mas me acalmo quando lembro que eu era pior.
– Jeanine comentou sim sobre você, mas não quero que se sinta pressionada a estar aqui. A porta está trancada, mas eu a destranco assim que dizer que quer sair.
– Não. Não costumo desistir assim fácil das coisas.
Ela realmente parece comigo.
– Como quiser. – Limpo a garganta. É minha primeira “paciente”, e mesmo já assistindo várias aulas práticas e fazendo estágios, é extremamente difícil começar. – Tem quantos anos Sarah?
– 16. – Ela diz e se ajeita na cadeira, ficando mais a vontade. Ela não parece ter 16 anos, na verdade, seu rosto e corpo são uma mistura de criança com mulher, mas não exatamente dezesseis.
Perguntei mais algumas coisas pra Sarah, como: “Como é ser filha da diretora? Isso chega a te incomodar?”, “Sofre ou já sofreu bullying?”. Mas todas as respostas não me intrigaram.
– Já namorou?
Sarah se ajeita na cadeira, parecendo ainda desconfortável. Sua postura é corrigida e ela fica extremamente ereta, talvez querendo demonstrar indiferença.
– Sim. – Sua voz sai falha e rápida e seu olhar não é fixo no meu.
Investirei nisso.
– Se sente confortável em me contar sobre isso?
Ela afirma com a cabeça. Seus olhos estão quase marejados, sinto pena, mas devo insistir nisso para poder ajuda-la.
– Com quem?
– George Winslet.
– Terminaram? – Ela afirma.
– Traição? – Novamente afirma.
– Da sua parte ou da dele?
– Dele.
– Sente raiva de George, Sarah? Mágoa, saudade, ou algo do gênero?
Ela demora pra me responder e hesita em falar algumas vezes.
– Raiva. Mágoa. Ódio.
– Pretende fazer algo a respeito disso?
Ela solta uma risada quase que psicopata.
– É claro. Vingança. Ele não sairá impune disso, não vai mesmo.
Ela é exatamente igual a mim.
[...]
Passo o cinto. Tobias fecha a porta dos passageiros e se direciona para o banco do motorista.
– Como foi o primeiro dia? – Ele pergunta enquanto se ajeita no banco.
– Ótimo. Fui bem acolhida pelos professores, são... Simpáticos.
– Teve pacientes? Algum adolescente sedento por conselhos? – Ele ri. É irreal um adolescente procurar ajuda por conta própria, geralmente são todos cabeça-dura.
– Uma menina, nada demais.
Ele sorri sem me olhar e dá partida no carro.
– Está cansada demais pra sair? Queria te levar pra um lugar hoje.
– Pra onde exatamente? – Tento disfarçar meu desinteresse mexendo em meu Iphone.
– É surpresa. Na verdade, aposto que já foi antes, mas deve fazer alguns anos que não vai.
Não posso negar o convite. Estou na casa de Tobias, e ficar sozinha lá não é algo que eu queira.
– Claro. – Forço um sorriso. – Devo vestir algo em especial, Sr?
– Algo fácil de tirar.
Arrepio-me.
Por que ele iria querer algo fácil de tirar?
Ah.
Não seja trouxa, Tris. Penso.
[...]
Shorts jeans, regata branca solta e um sapatilha nude. Tobias me disse pra usar algo simples, e que um vestido não era boa ideia. Coloco o celular no bolso, mas não antes de conferir se tem alguma chamada perdida de Caleb.
Nenhuma.
– Você está linda.
– Como entrou aqui? – Digo assustada. Tobias está com metade do corpo dentro do quarto. Ele usa uma camiseta branca com uma estampa de “1989” em vermelho.
– Talvez porque a porta estava aberta? – O olho com certa raiva, erguendo uma sobrancelha. – Tá pronta?
Afirmo com um muxoxo enquanto pego uma bolsa de alça longa e a coloco no ombro. Descemos a escada de seu apartamento juntos.
– Sr. Eaton, posso ir embora? – Rosa entrega uma espécie de cesta a Tobias.
– Claro Rosa. E obrigado. – Ele sorri assim que pega a cesta. Seguimos pra fora do apartamento, e, dessa vez, fui obrigada a descer as escadas.
– Escuta. – Digo ofegante. – Não vou ficar descendo tudo isso de degraus todo santo dia. É melhor que se acostume com o elevador.
Tobias ri fraco enquanto entra no carro.
– Há quanto tempo não vai ao Michigan? – Ele diz calmamente. Sua voz está mais rouca do que o normal, e me causa arrepios internos a cada palavra dita.
– Não sei. – Digo. – Talvez seis anos.
– Costumávamos matar aula e ir lá. Lembra?
Afirmo com a cabeça quando as memórias vêm. Mordo meu lábio em saudade daquela época, quando eu não precisava de mais nada além de Tobias e de um par de all stars.
– Já foi lá à noite?
– Nunca. – Digo. Com certeza ele me levará lá. Minha curiosidade é atiçada, nunca vi esse lago durante a escuridão.
– Ótimo. – Ele coloca sua mão direita em minha coxa quando paramos no sinal vermelho. Sua mão, ao contrário da dos outros homens, é macia. Suas unhas estão cortadas e ele acaricia minha pele com suavidade.
“ Tobias me joga no sofá e se posiciona por cima de mim. Beija-me então desde meu pescoço até minha barriga, sem, em nenhum momento, separar o olhar do meu. Minha calcinha é arrancada em questão de segundos e voa pelo escritório. Mil pensamentos vêm a minha cabeça nesse momento, desde nossa primeira vez até a última. Cada toque e cada carícia, cada beijo e cada malícia no olhar. Meus pensamentos são interrompidos quando sua língua úmida toca minha intimidade, fazendo-me gemer e arquear meu corpo. Uma de minhas mãos vai pra cima e agarra o braço do sofá, enquanto a outra puxa seu cabelo com uma força referente ao prazer.
Ele sabe o que faz.
Sempre soube, penso.”
[...]
Tobias abre o porta-malas e pega um cobertor não tão novo. Estou encarregada de segurar a cesta. Ele o fecha e trava o carro. Caminhamos juntos por uma região não tão movimentada do lago e praia artificial de Michigan onde a areia macia faz cocegas em meus pés depois que seguro as sapatilhas com a outra mão.
– Por ali. – Ele aponta pra um sítio mais escuro, e eu o sigo até lá. O cobertor cinza e cheio de fiapos é estendido no chão, nos dando mais conforto pra sentarmos. Repouso a cesta no meio de nós, e Tobias faz questão de abri-la.
– Champanhe? – Rio. – Poderia jurar que ai tinha comidinhas de piquenique ou suco de uva em caixinha.
– Faça-me o favor. – Ele ri e abre a garrafa de vidro. Retiro duas taças envoltas em um pano branco. As desenrolo e estendo pra ele servir e em questão de segundos as taças são cheias pela bebida. Dou o primeiro gole e a aprecio-a lentamente.
– Por que me trouxe aqui?
– É um dos lugares que gosto de vir quando não tenho nada pra fazer, ou estou estressado demais. Mas hoje é um dia especial. Queria que conhecesse essa parte do Michigan.
– É lindo. – Sorrio e tomo outro gole, acompanhada por ele. – Realmente parece uma das praias de Miami vendo assim de noite, mas realmente não entendi o porquê de me trazer aqui.
– Não me faça perguntas, Prior. Só aproveite a porra da vista. – Tobias toma outro gole do champanhe.
Já falei que me arrepio a cada palavra que ele diz?
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