Notas iniciais
Não sabem como é extremamente GOSTOSO responder os comentários. Então se for um leitor fantasma, não só da minha, mas de qualquer história, deixe um comentário ou uma mensagem pro autor, é maravilho ver que outras pessoas estão gostando da história. Bom, o capítulo está no pov de Tobias, enjoy *-*

POV TOBIAS

Descer 15 andares de escada não é nada fácil, mas prefiro suar a entrar num elevador. É, minha infância com Marcus Eaton me causou isso, e não, ainda não me sinto bem o chamando de pai, mesmo sabendo que ele já está morto.

Marcus costumava me bater e me trancar em armários quando eu era pequeno. E pra ser sincero, nunca tive memórias muitas boas dele, muito menos depois que minha mãe, Evelyn, e ele se separaram. Não a culpo, eu faria o mesmo. Ela era agredida constantemente, já o peguei fazendo isso com uma barra de ferro e pra mim foi a gota d’agua. Foi nessa época que decidi começar a treinar boxe, não por prazer em espancar um saco vermelho, mas pra poder defender a mim e Evelyn daquelas mãos imundas. Depois da separação fui morar com ela, e consequentemente, mudei de escola. No novo colégio conheci Beatrice Prior, líder de torcida, loira, louca, teimosa, mimada e gostosa. E tudo nela me encantou.

Lembro-me de sua festa de 15 anos

“Observei a aniversariante dançar junto com um grupo de amigas enquanto comentava com Zeke, meu melhor amigo, o quanto eram gostosas. Parecíamos dois adolescentes tarados, e éramos.

– Aposto que eu consigo pegar Beatrice hoje. – Eu dizia a olhando enquanto tomava um gole de refrigerante. Lembro-me que odiava o gosto do álcool nessa época, e realmente queria ainda ser assim.

– Duvido. – Respondeu Zeke sem tirar os olhos de uma das garotas. – Ela não deu bola pra você desde que chegou, bro. – O disse em um tom debochado, finalmente se virando pra mim. A dança terminava, e Beatrice descia do palco pra agradecer seus parentes e amigos.

– Apenas observe. – Me desencostei da parede, e entreguei o copo que se encontrava em minha mão pra Zeke, que levantou os braços em sinal de rendição.

Aproximei-me da garota que experimentava alguma coisa da mesa de doces. Coloquei minhas mãos em sua cintura e Tris logo pulou em susto, se virando pra mim em seguida.

– Calma calma, mocinha. – Eu dizia rindo, imitando o sinal de rendição de Zeke. – Só vim pra te parabenizar Tris. – Quando a loira percebeu que era eu, não conseguiu segurar um riso gostoso e contagiante.

– Por Deus, Quatro. – Meu apelido no ensino médio. – Se me assustar assim de novo eu infarto, e não acho que queira ser o culpado da morte da aniversariante. – Ele se virava completamente pra mim, ficando de costas pra mesa de doces, encostando-se nela. Como alguém podia ser tão sexy assim?

– Não se preocupe Srta. Prior. Não sou tão mau. O salão foi uma boa escolha, porém, aposto que não parou pra olhar a vista lá de cima.- Disse, levando meu olhar pra porta que levava as escadarias do salão.

Beatrice encarou a porta por alguns segundos enquanto mordia o lábio inferior. Logo depois seu olhar voltou pro meu.

– Não mesmo, Sr. Eaton. Mas agora minha curiosidade despertou e espero que vá comigo. – Ela disse, ainda olhando em meus olhos. Estendeu uma de suas mãos pra mim, como se exigisse que eu a levasse.

Não disse nada, apenas me reverenciei e estendi minha mão direita, a qual foi tocada pela dela instantes depois.

Subi na velocidade que estava acostumado, mas vejo que a deixei pra trás.

– Tobias! – Ela grita ofegante enquanto segurava a barra de seu vestido – Pode me esperar, por gentileza?

~^~^~

Assim que chegamos ao terraço me debruço no parapeito, e ao mesmo tempo que olho pra baixo me sinto tonto. Merda. Me esqueci do medo de altura.

Tris se posicionou ao meu lado, olhando atentamente pra vista que tínhamos dali. O salão era afastado da cidade, então tudo que víamos eram as luzes acesas dos prédios a alguns quilômetros de distancia de nós.

Desvio meu olhar para o rosto da loira, com a intenção de me libertar da tontura. Estávamos tão perto que conseguia sentir sua respiração um tanto descompassada. Olho atentamente em seus olhos verdes, reparando uma pequena mancha na íris, era incrível como cada detalhe a fazia diferente. Levo o dorso da minha mão até sua bochecha, acariciando cuidadosamente, e logo em seguida coloco uma das mechas de seu cabelo loiro atrás da orelha, a fazendo soltar um leve sorriso. E puta que pariu, que sorriso lindo.

Nossas testas já estavam grudadas uma na outra, e como se já estivesse tudo ensaiado, nossos lábios finalmente se tocaram.”

Saio da recepção em direção ao estacionamento. É uma das vantagens de ser o dono da empresa, você pode sair quando quiser sem precisar dar explicações. Avisto meu Porsche e abro sua porta, jogando minha pasta no banco do passageiro. Sento-me segurando o volante com ambas as mãos e o encaro. Sinto que algo vai acontecer hoje.

A fome estava me matando, eram quase 17:00 e eu ainda não havia almoçado. Lembro-me de um café perto daqui e não penso duas vezes, é lá que vou comer algo.

~^~^~

Estaciono meu carro em frente ao café que eu costumava vir com Nita no começo do namoro. Por Deus, isso está lotado.

Desvio meu olhar procurando alguma mesa vazia, ou até mesmo uma cadeira pro balcão. Olho pras mesas perto da janela de vidro, até que avisto uma mulher loira, distraída, batucando as pontas dos dedos na mesa branca da lanchonete. Beatrice Prior.

Em questão de segundos a vejo se levantar e passar do meu lado, meu corpo se move sem minha permissão e seguro o braço de Tris com pouca força, tão pouca que ela consegue se soltar. Beatrice Prior voltou à Chicago. Estou paralisado em meio à lanchonete, meus olhos enxergam pessoas desviando de mim e gritando algo que mais parecia um xingamento, mas não ouço nada.

“Chego à Dauntless acompanhado de Tris. Eu vestia uma camiseta azul escuro, uma calça jeans preta e um tênis. Ela, ao contrário de mim, estava arrumada. Um vestido azul cobria seu corpo até menos da metade da coxa, realçando cada parte de sua silhueta. Caminhamos juntos até o meio da pista de dança da boate. Nossos corpos se movimentavam conforme a música não tão agitada, até que levo minhas mãos até a cintura de Tris, colando meu corpo no dela. Sinto seus braços contornarem meu pescoço e não consigo evitar um sorriso. Aquilo tudo é meu, ela toda, por inteiro é minha. E porra, que orgulho eu tenho.

Levo minha boca até o canto de sua orelha e mordo levemente o lóbulo da mesma. Assim que o faço, sinto suas unhas levemente contra minha nuca. Sussurro em seu ouvido em meio a música alta:

– Eu te amo, Tris.”

Saio da lanchonete rapidamente, esperando encontra-la fora. Isso é sério, Tobias? Obviamente Tris saiu correndo. Entro no carro e bato a porta, o barulho me desperta de um transe. Uma mistura de memórias, lembranças e uma pontada arrependimento invade minha cabeça. Beatrice voltou à Chicago.

~^~^~

A fome passou, e apesar de não ter comido nada o dia todo, resolvo não o fazer agora. Jogo minha pasta de documentos em cima do sofá e subo a escada.

Maldita loira, não consigo parar de pensar nela.

Entro no meu banheiro e ao mesmo tempo afrouxo o nó de minha gravata. Dou de cara com o grande espelho que cobria toda a parede, e o mar de memórias volta a minha cabeça.
Foi esse moleque que a fez sofrer tanto, esse moleque que a traiu.

Sinto uma imensa vontade de socar meu reflexo, mesmo sabendo que não adiantaria de nada.

Direciono-me até o Box, tirando o resto das minhas peças de roupa. Ligo o chuveiro e entro embaixo do mesmo, deixando a água quente escorrer em seu ritmo sobre meu corpo.

Aqueles olhos verdes... de alguma forma, de alguma forma esses olhos ainda mexem comigo.

Viro-me pra parede, encostando minha testa no azulejo gelado. Soco o mesmo com pouca força.

– Cale a boca, Tobias. Já se passaram seis anos, e depois do que aconteceu com Nita... – prefiro não continuar a frase. Fico parado nessa posição por um bom tempo até desligar o chuveiro e sair do banho. Coloco apenas uma calça de moletom. Enquanto seco meu cabelo com a toalha, avisto meu celular em cima da cama de casal em meu quarto com uma chamada perdida de Zeke. Que merda ele quer agora? Resolvo retornar a chamada, afinal, pra ele me ligar ao invés de me mandar uma mensagem deve ser algo importante. Ele atende no primeiro toque.

– Diga. – Eu digo antes de ele tentar falar algo. Sento-me na cama ainda tentando secar o cabelo.

Hey, doce Tobias. – Percebo um tom de ironia em sua voz, deve ter se irritado com meu bom humor. – Acho que tenho informações que podem te interessar.

Suspiro.

– E quais seriam essas informações, Zeke? – Já estava cansado, minha cabeça estava a mil, e mais informações não irão me ajudar.

– Beatrice Prior acaba de sair de meu restaurante.

– B-Beatrice? – Não consigo evitar gaguejar. – Como assim Zeke? — A toalha cai de minha mão sobre meus ombros.

– Ela chegou com Christina, seus olhos estavam vermelhos e parecia ter chorado pra caralho antes de vir pra cá. As duas não quiseram me contar nada, sabe de algo a respeito?

– Ah. N-Não, nem sabia que Beatrice estava em Chicago. — Resolvo mentir. Zeke é meu melhor amigo, mas não consigo simplesmente contar tudo de minha vida pra outra pessoa. — Como ela está? – Tento parecer o mais natural possível, e tenho certeza que não consegui.

– Bem, bem. Natalie morreu há alguns anos, e ela se mudou pra Miami com o pai e o irmão, mas agora resolveu voltar, algo como se reconstruir por aqui.

Natalia morreu? Por Deus, eu não sabia disso!

– Marcamos uma noite pra comemorarmos a volta de Tris. Não sei se posso lhe convidar, mas já se passou tanto tempo... Espero que já tenham superado isso. 20:00 no Zeke’s, bro. – Zeke desliga a chamada antes que eu possa responder algo.

Estou encarando o celular há algum tempo, e por algum motivo que não consigo encontrar.

“Beatrice me olha enquanto Christina a puxa pra longe, aceno com a cabeça soltando um breve sorriso. Mesmo no baile com a música alta eu não consigo parar de pensar em Marcus, queria tê-lo perdoado, talvez... Talvez eu não me sentisse mais o responsável por sua morte. Ele parecia tão frágil, seu tom de pele pálido me dava arrepios. Era meu pai acima de tudo...

Antes que meu pensamento termine, vejo Nita. Estava tão bêbada que eu poderia fazer qualquer coisa com ela e nem perceberia. Mas foi ela quem o fez.

– Tob... – A mesma caiu em meus braços antes mesmo de terminar meu nome, por instinto a segurei. Nunca fui fã dos amigos de Tris, mas nunca neguei que Nita era gostosa pra caralho. Sua pele branca, seus cabelos e olhos negros formavam um conjunto bonito.

– Nita. – Eu dizia ao mesmo tempo em que fazia força pra segura-la. – É melhor você... – Antes que eu perceba, meus lábios estão juntos aos dela. Droga, Tris pode chegar a qualquer momento.

Realmente foi o que aconteceu...”

Levanto-me, deixando o celular em meu criado-mudo. Abro meus guarda-roupas à procura de alguma coisa, alguma coisa que possa me lembrar Tris.

~^~^~

Meu quarto está um caos, mas é o que menos me importa no momento. Achei uma caixa na prateleira de cima, e dentro dela havia tudo que me restou de Tris, suas cartas apaixonadas e presentes, e... Uma foto. Nunca fomos o casal das fotos, raramente tirávamos uma. Mas essa era especial, não éramos nem namorados, apenas bons amigos.

Levanto-me vagarosamente, segurando o pequeno pedaço de papel com uma das mãos. Sinto um sutil sorriso se formar em meus lábios enquanto deito-me na cama, ainda encarando a foto.

Minhas pálpebras pesam, já deve ter passado das 2:00 da manhã. Antes que eu caia no sono, digo mesmo sabendo que ninguém além de mim poderia ouvir.

– Espero que um dia me perdoe Tris.

Notas finais
Comeeeentemmm povo, estou adorando respondê-los *---*