Under the water

5 Just friends, okay?


Notas iniciais
OOOI POVO *-* Pessoal, mil perdões pela demora desse capitulo. Passei mal a semana inteira e fui parar no pronto socorro duas vezes. Nesse momento to queimando de febre, e ainda tenho que estudar pra uma prova amanhã, como podem ver, estou ótima aushauhs. Enfim, esse capitulo tem referencias ao livro Insurgente, não é um "SPOOOILER" mas acho que vão perceber o que é. Peço que não me condenem, pode ser? ASUUAHS, juro que trago outros capítulos o mais rápido possível.

POV TRIS

Escuto batidas contínuas enquanto meus olhos se abrem lentamente. A luz de fora do quarto me incomoda à medida que Christina abre a porta, e põe metade de seu corpo pra dentro.

– Vamos Tris, acorda! O café já está na mesa e só falta você ficar pronta pra sairmos. – Sua voz sai aguda, como se estivesse irritada.

Solto um grunhido assim que a lâmpada se acende, a claridade ofusca minha visão e enxergo somente alguns pontos coloridos.

– Que horas são, Chris? – Digo em um muxoxo e esfrego o dorso da mão nos olhos, fazendo com que minha visão volte ao normal.

– 08h15min. – Seus passos ficam cada vez mais altos. O colchão onde me encontro cede pro lado esquerdo e consigo sentir ela me chacoalhar com uma das mãos. – Vaamos Tris! – Um suspiro preguiçoso escapa de mim. Ainda não me recuperei da mentira que contei pra Tobias de madrugada. Nem sei a última vez que fui tão convincente, mas fiz um esforço depois do conselho de Chris sobre esquecê-lo de uma só vez.

– Okay, okay. Me dê 15 minutos. – A morena sorri e assente com a cabeça enquanto caminha em direção ao corredor. Faço um pequeno esforço pra me sentar na cama ainda bagunçada. Pego o elástico que envolvia meu pulso e amarro meu cabelo em um rabo de cavalo frouxo.

Levanto-me e caminho vagarosamente para o pequeno armário onde deixamos as malas. Abro a porta que leva a minha bolsa e puxo seu zíper, de lá retiro um kimono de renda e um biquíni azul de cintura alta. Dirijo-me então para o banheiro das mulheres.

Jogo as roupas em uma prateleira de mármore perto da pia. Com as mãos livres, tranco a porta de madeira. Instintivamente meu olhar vai até o grande espelho redondo, e posso ver claramente minha cara ainda amassada. Abro a torneira no máximo e coloco a mão sob a água gelada. Hesito por um momento, mas após me acostumar pego uma certa quantidade e jogo em meu rosto. Talvez isso me faça despertar.

Quando sinto a água fria contra minha face, um turbilhão de pensamentos invade minha mente.

“ Christina, Will e Lynn brincam na piscina de casa jogando água um contra o outro. Me aproximo caminhando descalça pela beirada e posso sentir meus lábios formarem um sorriso fechado enquanto observo Tobias vindo em minha direção. Seu abdome definido me chama atenção, mas acho que deveria disfarçar isso. Nossos corpos se aproximam e agora me sinto completa. Meu queixo se encosta em seu ombro. Ele cheira a suor, ar puro e menta.”

Mordo meu lábio inferior reprimindo o pensamento. Talvez eu devesse ter sido mais gentil com Tobias. E ele comigo.

Desabotoo botão por botão da camiseta xadrez que vai até quase metade da coxa e visto a calcinha e o sutiã do biquíni, respectivamente. Coloco por cima o kinomo de renda branca que ganhei de papai pouco antes de voltar pra Chicago.

Recolho minhas roupas de dormir e sigo pro quarto. Abro novamente o armário e jogo as roupas sujas dentro de uma sacola branca separada. Pego uma bolsa de mão e lá coloco um protetor solar e uma toalha felpuda.

Consigo ouvir as conversas vindas da cozinha enquanto ainda atravesso o corredor. Uma mistura da voz de Tobias com Zeke e Shauna, e Christina com Will e Lynn.

À medida que me aproximo e a voz de Tobias vai ficando mais alta, sinto calafrios se alastrarem por todo meu corpo numa mistura de arrependimento pelo que eu disse ontem, e medo pelo que ele possa fazer.

– Bom dia. – Meu sorriso sai um tanto forçado, mas acho que consigo esconder bem. Todos me respondem, menos Quatro, que continua sentado mastigando um pedaço de pão. Seu olhar é vago e direto pra janela da cozinha.

Sigo até a mesa, tentando ignorar a frieza de Tobias, e pego um pão do mesmo que ele come. Mordo um pedaço e engulo seco quando Will diz:

– É melhor irmos logo. Todos prontos? – Will se levanta, ficando apoiado apenas pelas mãos na mesa de madeira bruta. O pessoal assente com a cabeça e alguns dizem um “Sim” por entre os dentes. – Por Deus, que animação!

~^~^~

Já estamos caminhando há vários minutos e posso sentir uma gota de suor escorrer pela lateral do meu rosto. Ouço o grito de Marlene que andava a alguns metros atrás de mim.

– Will! – Ela para e suspira. Suas mãos estão apoiadas nos joelhos e sua cabeça pra baixo. – Por favor, me diga que estamos perto.

Will solta uma risada e com as mãos abre um vão entre as folhas verdes lá presentes. O barulho da água caindo já nos acompanhava havia alguns minutos, mas agora ver... É totalmente diferente.

O verde das folhas misturado com o azul do céu e da água me deixou paralisada. Um sorriso se formou em meus lábios minha caminhada se tornou mais lenta quando decidi observar atentamente tudo a minha volta. O zumbido da cachoeira invadia meus ouvidos de tal forma que eu não escutava mais nada.

Meus pés me levam até uma pedra grande afastada da água e perto das árvores. Abro minha toalha em cima dela e me sento, contornando os joelhos com os braços. Meu corpo magro era escondido pelo kinomo. Christina e Uriah me convidam pra entrar na água, mas eu recuso sorrindo, quero aproveitar o máximo toda essa visão. Eles e os outros o fazem mesmo sem mim, mas não consigo observar Tobias junto. De repente ouço uma voz rouca contra minha nuca, e me viro instantaneamente.

– Tenho sempre que te lembrar de comer algo? – Quatro se senta ao meu lado, esticando apenas uma das pernas e mantendo a outra dobrada. Vejo um sanduíche natural em sua mão que está estendida em minha direção. Penso em recusar mas... não deu tempo de comer.

Sorrio gentilmente e pego o sanduíche da mão dele.

– Sobre ontem, Beatrice... – Ele fala enquanto observa os outros. – Não precisa me perdoar se não quiser.

– Não. – Minha voz sai rápida, e cubro minha boca com a mão. – Não.. Eu te perdoo sim, Quatro. Só.. Só quero que saiba que somos... – Minhas palavras saem travadas, acho que ele entendeu meu nervosismo.

– Apenas amigos. – Ele ri sem graça. – Eu sei. Apenas amigos, Tris. – Seu olhar encontra o meu.

Eu não sei se deveria me afastar de vez ou simplesmente ficar chateada com o que ele disse, então, só toco minha mão na dele em sinal de acordo.

~^~^~

O som das gotas de chuva batendo fortemente contra a janela do quarto me assusta, e é quando resolvo que é hora de me juntar aos outros.

Caminho um tanto rápido, me encolhendo a cada trovão que ouço. Vejo todos na sala, distribuídos pelos dois grandes sofás e pelos dois colchões de casal que estão no chão. As luzes estavam todas apagadas, e a única coisa que clareava o cômodo era a TV. Nela passava algum tipo de filme de terror sobre demônios, ou algo do tipo. Direciono-me até o meio do sofá e me espremo entre Chris e Lynn, cumprimentando todos com a cabeça. Christina, sem tirar os olhos do filme, me entrega uma parte do cobertor com as mãos, o qual eu puxo e coloco por cima de mim. Não devia fazer mais do que 12 graus. Tobias está deitado com os braços sob a cabeça no colchão a minha frente, seu cabelo quase toca no meu pé direito que está descalço. Não posso evitar pensar em nossa conversa hoje mais cedo. Será que ele falou sério em sermos só amigos mesmo? Quero dizer... Eu ainda o amo, aliás, nunca deixei de amar. Mas o medo de me decepcionar novamente me corrói.

Meu corpo inteiro se arrepia a cada estrondo vindo do céu. Lembro-me que quando eu era pequena Natalie me colocava nos braços e contava-me histórias sobre príncipes e princesas que sempre se casavam e viviam felizes para sempre. Me pergunto o porque de não ser assim na vida real.

Posso observar Tobias se levantar vagarosamente, tomando cuidado pra não atrapalhar ninguém a assistir o filme.

– Bem. – Ele finalmente está de pé. – Vou dormir se não se importarem. Qualquer coisa estou no quarto em que Lynn ficou ontem. – Consigo ver e ouvir um bocejo falso saindo de sua boca, a qual é coberta por sua mão quase no mesmo instante. Tobias caminha em direção ao corredor e logo desaparece na escuridão do mesmo.

~^~^~

Não se passam cinco minutos desde que Quatro foi se deitar e o filme chegou ao fim. Chris, Lynn, Shau e Marlene me convidam pra ir me deitar junto a elas já que os garotos iriam ficar na sala pra ver outro filme. Assinto com a cabeça e me levanto.

Seguimos em silêncio pelo corredor sombrio da casa. Apalpo as paredes enquanto caminho, já que não conseguia ver nada além do breu total. Christina acende a luz do nosso quarto e entramos todas em seguida, seguindo cada uma pra sua cama. O silêncio me incomodava, mas não vai ser eu quem vai puxar assunto, pode apostar. Deito-me sobre o colchão macio e puxo o edredom grosso que estava aos pés da cama. Tudo parece me incomodar, desde a frieza do edredom até a consistência do travesseiro. Forço meus olhos a se fecharem, e fico assim por vários minutos.

“Sinto a grama verde e fofinha fazer cócegas no meu corpo, e percebo que estou no jardim em frente a minha antiga casa. A luz do sol ofusca minha visão, então viro a cabeça pro lado e posso ver uma moça de cabelos negros se aproximar de mim lentamente, segurando uma bandeja com chá e biscoitos. Natalie. Eu deveria estar feliz em ter novamente mamãe por perto, mas por algum motivo não estou nem um pouco. Ela desvia o caminho e segue até uma mesa branca que está em meio ao gramado. Me levanto em um movimento e logo estou correndo pra ela. Assim que ela coloca a bandeja em cima da mesa, me abraça com força, força até demais. O ar não consegue mais sair ou chegar em meus pulmões, e é quando seus braços me soltam e suas mãos se guiam até meu pescoço, o apertando ferozmente. Seu rosto sorridente e gentil muda pra um rosto pálido e sem vida, apenas com uma cicatriz no meio. Seu cabelo negro e volumoso perde a cor, ficando grisalho, e seus olhos verdes e calmos se transformam em esferas totalmente negras. Tento juntar todas as minhas forças pra gritar ou me livrar dela, mas é em vão. Minha vista está escurecendo e de repente, não consigo ver mais nada.”

Acordo apavorada e sem pensar tapo minha boca com a mão direita pra evitar que o grunhido que solto virasse um grito. Minha respiração está ofegante e minha cabeça molhada pelo suor. Viro-me pro criado-mudo ao lado da cama e aperto o botão que liga o meu celular. 02:35 da manhã.

Enxugo as poucas lágrimas que escaparam dos meus olhos e me levanto vagarosamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível. A madeira da cama range algumas vezes, mas nada que possa acordar outra pessoa.

O som de meus pés contra o chão são altos devido ao silêncio que fazia. Aperto novamente o botão do celular o fazendo ligar e uso sua luz pra clarear o caminho que uso até o quarto em que Tobias está. Minha mão encontra a maçaneta fria da porta, e então eu travo.

“Você não deveria ceder tão fácil, Tobias de traiu, Tris. Ele não merece nada de você, nem seu perdão.” A voz de Christina ecoa em minha cabeça.

Mordo o interior da minha bochecha com força e depois de alguns segundos sinto o gosto do sangue. Giro a maçaneta suavemente com a intenção de abrir a porta, e é o que faço. A luz do meu celular se apaga, e só consigo ver alguma coisa por conta da luz da lua que vem da janela.

A porta se fecha atrás de mim e caminho com receio até a cama de casal em que Tobias dorme. Sento-me na beirada da cama, na altura de seu tronco e sem minha condição, minha mão se move até suas costas nuas e tatuadas. As pontas dos meus dedos contornam cada traço negro m sua pele.

Tobias se mexe, e percebo que o acordei.

– Perdão, eu, eu... – Me levanto em um movimento, me encolhendo contra o nada.

– Tris. –Ele leva uma das mãos até os olhos, os esfregando. – Vamos, se deite.

O obedeço após pensar por alguns segundos, e me deito receosamente ao seu lado. Um de seus braços é mais rápido e vai pra debaixo de minha cabeça, me levando ainda mais perto de seu corpo. Sua mão puxa o edredom pra me cobrir.

– O que aconteceu? – Meu rosto se encaixa perfeitamente em seu pescoço e fecho meus olhos, me concentrando apenas no seu cheiro, que é exatamente como antigamente. Ele também cheira a segurança, como uma caminhada por um pomar ensolarado.

– Eu... – Engulo a seco. – Sonhei com Natalie. – Um soluço escapa de minha garganta ao lembrar do pesadelo e não me preocupo em segurar as lágrimas.

Posso sentir que Tobias sorri. Sua mão afaga meus cabelos loiros, e ele acaricia minha nuca com cuidado.

– Ei, ei. Se acalma. Eu vou cuidar de você, tudo bem? Eu sempre vou cuidar de você. — Sua voz rouca e sonolenta me causa arrepios por todo o corpo.

A palma de minhas mãos estão contra seu peitoral e nossas pernas entrelaçadas por debaixo do edredom. Meus olhos finalmente estão se fechando, mas alguns segundos antes de cair no sono, a mão de Tobias leva uma mecha de cabelo pra trás de minha orelha. Ele sussurra ao pé da mesma.

– Porque eu te amo, Beatrice.

Notas finais
Gostaram povo bonito? Acham que eu mereço reviews? Favoritadas? Recomendações? FIQUEM SUUUPER A VONTADE *---* Adoro responder seus comentários, é hiper gratificante. Até o próximo capítulo