Under the water
10 Job Interview - +18
Notas iniciais
Tobias
Já faz quase uma semana que Tris está em meu apartamento. O estado de Lynn não melhorou e nem piorou nesse intervalo de tempo, e isso vem corroendo a galega. Hoje é sua entrevista de emprego, então suponho que já deva estar acordada.
Meu relógio de pulso marca exatamente 07h15min, exatamente a hora que ouço saltos batucando contra os escada. Quase não reconheço a figura loira que se aproxima cada vez mais de mim. Ela veste uma camiseta branca de botões e uma calça preta formal, que vai até o tornozelo. Os saltos que faziam barulho nos degraus também são pretos, juntamente com o blazer que veste enquanto anda. Os óculos de graus posicionados em sua face são novidade pra mim.
– Não sabia que tinha problemas de visão. – Digo enquanto retiro uma torrada que acaba de sair da torradeira em cima da pia e me direciono novamente pra ilha da cozinha, onde esta meu notebook. Sento-me em uma das cadeiras brancas e altas, suspensas por um cilindro de metal.
– Astigmatismo. É fraco, mas esse óculos me deixa com uma cara mais séria. – Ela ri e imita meu gesto, pegando a torrada que restou e que acabara de saltar, sinalizando que estava pronta. – É estranho uma recém-formada em psicologia dizer que está apreensiva com uma entrevista de emprego?
–Absolutamente, sim.
– Droga. – Ela ri novamente, e só agora percebo que é de nervosismo. Rio fraco e deixo a torrada que restou em cima de um pires branco. Limpo minhas mãos no pano-de-prato que repousava no mármore da ilha e logo em seguida coloco as duas mãos no ombro da loira.
– Você. Vai. Se. Sair. Bem. – Eu digo. – Me ouviu?
Tris sorri e afirma com a cabeça. Porra. Que sorriso.
– Obrigada. – Seu lábio inferior é mordido levemente por ela ao mesmo tempo em que seu olhar é direcionado pra seus pés. – Por estar comigo nesse momento. Eu... Eu não aguentaria passar por isso sozinha.
Levanto seu queixo com meu dedo indicador dobrado. Meus olhos fixam-se nos dela, apenas com os óculos em nosso caminho. Aproximo-me então de seu rosto ao mesmo tempo em que suas mãos agarram, sem muita força, meus braços. Minha vontade agora é de beijá-la ferozmente, leva-la pra cama e a fazer nunca mais sair do meu lado. Mas não o faço. Apenas beijo sua testa. Sua cabeça se apoia perfeitamente no meu ombro direito de modo em que posso sentir sua respiração contra meu pescoço.
Nosso momento é interrompido assim que a empregada chega à cozinha.
– P-perdão Sr. Eaton, eu não queria atrapalhar. – Ela se retira rapidamente e eu não posso evitar uma gargalhada, que em segundos é acompanhada por Tris.
– Posso pedir uma carona até a Lincoln Park?
– Não precisava nem perguntar. – Enfio o ultimo pedaço de torrada na boca e visto meu paletó negro que repousava na cadeira vizinha. A loira avisa-me que vai pegar a bolsa e volta pro quarto. Ela tem dormido no meu, e eu no de hóspedes. Confesso que ela se apossou de meu guarda-roupas inteiro, e que parte de meus ternos agora estão guardados na cômoda, antes inutilizada. Antes que eu possa perceber, Tris desce novamente, desta vez segurando uma bolsa com alças curtas. Deixamos meu apartamento pouco tempo depois, e novamente, sou puxado pra dentro do elevador.
– Por que diabos quer que eu desça assim? Não vai dar pra manter meu corpo por tanto tempo sendo preguiçoso desse jeito!
Tris revira os olhos e bufa de leve.
– Quer parar de reclamar? Não posso ficar mais nervosa do que já estou. Não quero perder a chance de ser aceita nesse emprego.
– Desculpe.
Minhas mãos já não soam como antigamente, e percebo que meu coração é cada descida mais calmo.
Destravo o alarme do carro e abro a porta pra loira entrar. Sento-me no banco de motoristas, e, quando me preparo pra dar partida, percebo suas mãos tremendo.
– Tris... – Digo.
Ela me responde com um grunhido, sem nem sequer dirigir a visão até mim. Percebo que seus pensamentos estão longe, então aceno em frente a sua face, tirando-a do transe.
– O que falaria pra um paciente prestes a fazer uma entrevista de emprego?
Ela me olha e pensa. Suas mãos agarram as alças da bolsa.
– Que deveria confiar em si mesmo, no seu potencial. Que deveria apenas se concentrar na entrevista, e relaxar, assim teria mais chances de parecer confiante e conseguir a vaga. E mesmo se não conseguisse... – Ela pausa. – Tem Chicago inteira procurando por uma pessoa como ela.
–É tão difícil seguir seus conselhos?
–Eu deveria. Não deveria?
– Pergunte a si mesma.
[...]
O dia hoje está agitado. Minha secretária chega a cada cinco minutos me trazendo novos relatórios ou me dando recados dos gerentes das filiais. E não duvido nada que seja ela que esteja batucando minha porta a essa hora.
– Entre.
– Sr Eaton. – A moça de pele clara e cabelos castanho-escuro abre a porta e põe metade do corpo pra dentro.
– Diga, Nita.
– Posso autorizar a entrada de Beatrice Prior?
O que Beatrice está fazendo aqui?
– Claro. Aliás, faça isso rápido.
Nita assente com a cabeça e volta pra fora da sala, nem dando-se ao trabalho de fechar a porta de meu escritório. Segundos depois Tris entra no local. Seu semblante é triste, e temo o que pode ter acontecido.
– Tris? – Digo, levantando-me rapidamente de minha cadeira revestida de couro. – O que aconteceu?
O silêncio toma conta do lugar, e ouço apenas o som dos ponteiros do relógio se deslocando.
– Porra Tris! Me diga que merda está acontecendo. – Esbravejo, segurando a parte superior de seus braços com as mãos, e, ao mesmo tempo, tomando cuidado pra não machuca-la.
– Eu... Sou a nova psicóloga da Lincoln Park High School. – Sua expressão triste desaparece em um passo de mágicas, e um sorriso toma conta de sua face.
A encaro por cerca de cinco segundos, tempo suficiente pro sorriso desaparecer de seu rosto. Abraço-a então, com toda minha força, e, ao mesmo tempo, sendo retribuído.
– Não me assuste assim, porra! Pensei que... eu sei lá o que eu pensei! – Digo. Afasto-me segundos depois, sendo contagiado por seu riso gostoso. Seus olhos estão brilhando, e vejo uma Beatrice feliz. Mais feliz do que jamais havia visto. E isso me surpreende. Seguro seu rosto com as mãos, que são coberta pelas dela logo após. Nossos rostos se aproximam quase que por instinto e nossos lábios roçam um no outro. A boca entreaberta de Tris dá-me passagem pra iniciar o beijo. E é o que eu faço. Nossos lábios se completam e nossas línguas dançam calmamente em perfeita harmonia. Sua mão direita direciona-se até minha nuca, e arrepio-me ao sentir sua unha arranhar-se contra minha pele. Seus dedos se enroscam no meu cabelo não tão curto, e minha mão desce pra lateral de seu corpo, apertando-a. Tris arfa positivamente enquanto a empurro, juntamente ao meu corpo, até encontrarmos a parede.
Ela quer isso tanto quanto eu.
A mão delicada e de unhas pintadas da loira se guiam pela parece, caçando algo inexistente. Giro a chave que se encontra na maçaneta da porta, e sinto-a sorrir entre o beijo. Afastamo-nos quando o ar se fez necessário, me dando a oportunidade de tirar o blazer negro que cobria seus braços. O pedaço de pano vai parar perto de nossos pés. Dessa vez é ela quem me beija. Seu joelho sobre até meu quadril, e sua perna se entrelaça na minha. Suas mãos ágeis desabotoam botão por botão de minha camisa branca, já que meu paletó já não mais atrapalha. Seguro-a pela parte posterior da coxa, deixando-a totalmente ao meu controle. A coloco sentada em cima de minha mesa, sem sequer me preocupar com os papeis prontos a serem assinados por mim. Aproveito um momento de distração pós-tirada de camisa e começo a desabotoar a dela.
– Malditas casas apertadas! – Esbravejo entre o beijo, fazendo-a rir enquanto me ajuda com o problema. Admito que dois ou três botões devem ter voado pra algum lugar, mas não me importo. Retiro minha camiseta, e logo depois a dela. Levo minha mão ate suas costas, desfazendo o fecho do sutiã. Ela mesma se encarrega de livrar-se dele. Beijo e chupo seu pescoço com certa intensidade, fazendo-a gemer baixo.
Que gemido.
Acaricio um de seus seios com minha mão direita, logo depois trocando a mão por minha boca. Chupo e lambo seus seios, dando atenção especial ao bico, e intercalando os dois. Ouço-a gemer meu nome, baixo, pra que os empregados não escutem.
Em questão de segundos minha calça e a dela já estão jogadas no chão ou na mesa. Caminho, sem interromper o beijo, até o sofá cinza que havia em meu escritório. Deito-a no maior e me posiciono por cima. Uma trilha de beijos é formada desde seu pescoço até sua barriga. Retiro sua calcinha negra de renda com vontade, e não me dou o trabalho de ver onde foi parar. Minha língua percorre sua intimidade. Ela agarra meus cabelos com força e arqueia seu corpo pra trás, dando-me mais liberdade. Suas pernas se forçam pra fechar, mas não as deixo. Levo meu corpo pra cima novamente. Seu gemido vai contra minha boca, causando-me arrepios, assim que penetro meus dedos indicador e médio.
– Não feche os olhos. – Digo calmo, e ela assente minimamente com a cabeça.
Porra. Tris é linda. Mas não vou ser gentil, não conseguirei.
Levanto-me antes que ela atinja seu ápice, afinal, quero fazer isso junto. Retiro a cueca boxer que usava e a beijo novamente. Acaricio a lateral de seu corpo, e penetro de uma só vez meu membro em sua intimidade, a fazendo gemer um tanto alto.
– Shh. – Faço com a boca, indicando pra fazer silêncio. Não acho que Tris seja boa, mas é risco demais. Não quero nenhum empregado comentando amanhã que ouviu barulhos estranhos vindos da sala do chefe. Penetro mais uma vez. E outra. Quando vejo que já se acostumou com meu tamanho, aumento a velocidade e a força das estocadas. A beijo então, ferozmente, impedindo que seu gemido possa ser ouvido por alguém mais além de mim. Suas unhas arranham minhas costas com força, e me arrepio profundamente. Beijar seus lábios me enlouquece e incendeia, ainda mais agora que tenho, novamente, a oportunidade de estar dentro. As investidas tornam-se cada vez mais constantes, e o meu nome saindo dos lábios da loira em forma de gemido, também. Nossos corpos suados quase se misturam em perfeita harmonia. Seu quadril se mexe juntamente ao meu, dando-me sensação de prazer. Ela arqueia-se ainda mais, indicando que chegou ao ápice. E quando não consigo mais me segurar, derramo-me dentro dela. Nossas respirações ofegantes se fundem uma na outra. Ela sorri breve e levemente. Uma gota de suor desce por sua têmpora direita, atrapalhada somente pela mecha de cabelo que coloco atrás da orelha pouco tempo depois. Não sei quanto tempo continuei dentro dela. Não sei por quantas vezes mais nos beijamos. Mas sei que os dois chegaram ao principal objetivo.
[...]
Tris veio embora pra casa comigo. Não nos falamos muito depois da transa, mas o clima pós-foda é realmente agradável e leve. Subimos o elevador juntos, sem trocar uma palavra. E quando entramos em casa, percebi que Rosa havia deixado um bilhete em cima da mesa alta do hall.
“ Perdoe-me Sr. Tobias, tive que sair as pressas assim que recebi a noticia do estado de saúde de minha mãe. Não se preocupe, amanhã cedo estarei aí novamente.
Rosa.”
– Estamos sem jantar por hoje. – Digo.
– Não me olhe assim. Eu não vou cozinhar pra você. – A loira diz em tom de brincadeira enquanto se aproxima de mim e brinca com o nó de minha gravata.
Sorrio e mordo meus lábios. Eu sabia que ela não iria fazer isso.
– Não tem problema. Meu jantar já está em casa. – Sussurro perto de seu ouvido, e logo após sinto os pelos de seus braços se eriçarem.
– Não mesmo. – Ela diz. – Já comeu demais por hoje.
– Não mereço uma recompensa pelo meu bom trabalho? – Faço um bico com os lábios, e ela não hesita em gargalhar.
– Ligue pra porra da pizzaria, Eaton. – Ela diz enquanto se afasta de mim e se direciona pra escada. – Calabresa pra mim está ótimo.
– Já teve muita calabresa hoje, Srta. Prior. – Digo baixo, jurando que apenas eu escutaria.
– Eu ouvi! – Ela grita já do alto da escada, e entra em meu quarto, fechando a porta segundos depois.
[...]
Pago o entregador de pizzas e fecho a porta. As duas caixas de papelão em minhas mãos estão quentes, entregando que as pizzas acabaram de ser feitas. Tris desce as escadas, e percebo seus cabelos molhados, ainda pingando, por cima de seus ombros.
– Pepperoni e quatro-queijos em mão, Prior. — Coloco as pizzas em cima da mesa de centro, juntamente aos refrigerantes.
– Não. Toque. Na. Pepperoni. – Ela diz pausadamente, e aproxima-se de mim. Dá-me um selinho e só depois percebo que pegou uma fatia da linguiça que repousava sobre a pizza.
[...]
Filmes de terror e ação. Nunca pensei que assistiria isso com uma mulher. Mas talvez ela fosse diferente. É, talvez. As caixas de papel amontoadas e os copos sujos indicam que nos divertimos a noite. Tris tem um semblante leve no rosto, e isso me deixa feliz. Talvez fosse o que ela precisava... Uma noite de pizzas e filmes. Ou uma boa foda.
Fale com o autor