Notas iniciais
Olá! Viu, não demorei dessa vez u.u Estava inspirada hoje, e espero que continue assim por um bom tempo! uhasuahs. O capitulo passado teve poucos comentários :c estou triste, poxa :c parece que nem sentiram minha falta... Mas as que comentaram, muito obrigada, vocês conseguiram me tirar sorrisos! *-* Bom... esse capitulo conta um pouco sobre Lynn, e sobre como Tris e ela se conheceram. Usei a forma que conheci uma de minhas melhores amigas, na creche, pra retratar o acontecido. Espero que gostem! Beijos, COMENTEM! *-*

POV Tris

Meus olhos se abrem vagarosamente um de cada vez e depois de alguns segundos, percebo que não estou em casa. Minhas memórias voltam devagar à medida que eu me sento na cama e me lembro de que jantei com Tobias. Levo o dorso da minha mão direita até meu rosto e coço meus olhos, o que me faz ver alguns pontos luminosos. O criado-mudo ao meu lado esquerdo contém um papel branco e uma caneta do lado.

“ Bom dia. Não pude ir pro trabalho pois ainda está alagado lá perto, então suponho que também não possa ir pra casa tão cedo (risos). Sua roupa está em cima da poltrona cinza. Desça assim que acordar, a empregada fez café.”

Volto o bilhete pro mesmo lugar onde ele estava e meu olhar segue pra poltrona de veludo cinza posicionada perto da grande janela de vidro, que agora está fechada por uma cortina branca. Meus pés tocam o piso gelado e branco do quarto de Tobias e então eu me levanto ainda meio cambaleando e sigo pro local indicado. Retiro a camiseta de Tobias, que cobria até a metade da minha coxa e ainda tinha seu cheiro, e coloco meu vestido. O zíper, que vai até a metade das minhas costas, está completamente aberto. Minha mão vai até ele, e ergo o máximo que consigo. Não é uma roupa muito confortável pra uma manhã, porém, é a única. Minha bolsa está na poltrona também, então a abro e retiro meu smartphone de dentro, em seguida deslizo meu dedo pela tela para desbloqueá-lo e percebo que tenho algumas chamadas não atendidas e mais ou menos 56 SMS não lidos de Will, Chris, Shau, Zeke, Marlene e Uriah. Que porra tá acontecendo?

Abro a porta do quarto e dou de cara com o corredor.

– Puta que pariu. Não. Não! Sim... – Tobias falava ao telefone no andar debaixo. – Vou acordá-la, calma porra! Já vamos pro hospital, não se preocupe.

Hospital?

Desço a escadaria correndo e Tobias me repara. Paro quando os degraus se acabam e fico ali, por alguns segundos, segurando apenas o corrimão.

– O que aconteceu? Por que vamos pro hospital?

– Tris... – Ele diz. – Bom, antes de eu te contar, quero que mantenha a calma, pode ser?

– Me conta logo Tobias.

Meu coração está apertado. Não pode ter acontecido nada de bom.

“Os olhos de Lynn paralisaram num ponto que não consegui identificar e então ela caiu. Seu corpo se contorcia no chão e estava claro que ela não tinha autoridade alguma sobre seus movimentos. Tobias então percebeu o que aconteceu e foi correndo até o corpo dela.”

– Não. – Digo incrédula. – Não. É a Lynn, não é? O que aconteceu com a minha amiga? Me diz!

Corro até ele e agarro seu colarinho, como se eu tivesse alguma chance contra o homem musculoso que estava a minha frente. Ele apenas coloca suas mãos sobre as minhas e abaixa a cabeça.

– Ela... Tris, Lynn está em coma. – Tobias diz. Sua voz é fraca e ele parece não estar bem. Meus olhos agora são tomados pelas lagrimas, as mesmas que fazem minha visão ficar embaçada. Meu coração intercala entre paradas repentinas e batidas mais rápidas que o normal. Solto o colarinho da camisa de botões branca que Tobias usa, e levo as palmas das mãos pro meu rosto, o cobrindo por completo.

“ A tia abre a porta da sala de aula e uma menina da minha altura, mas um pouco menos feminina, entra.

– Meninos e meninas, essa é Lynn. Ela vai estudar com a gente de agora em diante.

O olhar dessa menina, ao contrário dos outros que entravam no meio do ano, não era de assustada, mas me passava confiança. Levantei da cadeira vermelha em que eu estava sentada e fui até ela.

– Oi. Meu nome é Beatrice! Você é Lynn, não é? Vem se sentar comigo e com a outra menina, você vai gostar.

Nunca fui o tipo de menina que fazia amizade com todas, mas algo nela me chamou atenção. Espero que essa amizade dure. Mamãe sempre me diz que uma amizade verdadeira é mais forte e mais importante do que um casamento.”

– Tris. – A voz rouca e baixa de Tobias vai contra minha boca entreaberta. – Come algo e vamos pro hospital, pode ser? – Suas mãos vão ate meus ombros.

Afirmo positivamente com a cabeça, embora o que eu menos queira no momento é ver uma de minhas melhores amigas em coma, sem responder a nada.

– Senhor Tobias, o café ainda está quente. Posso servir pra moça? – Uma moça de mais ou menos a nossa idade entra na sala, vestindo um conjunto de calça e camiseta pretas, apenas com os botões e as barras brancas.

Ele me olha nos olhos, e eu não consigo me fixar em outra coisa a não ser nos dele.

– Eu... Eu estou bem. Vamos pro hospital, certo? Deixe-me só pegar minha bolsa e meu sapato.

Tobias afirma com a cabeça e não diz nada, apenas me solta. Limpo as lágrimas que insisto em segurar e subo correndo a escada, sem nem olhar os degraus. Entro no quarto de Tobias e pego minha bolsa. Meus sapatos estão do lado da poltrona, então me sento nela e calço os saltos não tão altos. Arrumo o cabelo no espelho do quarto.

Desço as escadas.

– Senhora. – A empregada diz. – O senhor Tobias já está descendo pela escada, ele disse pra ir de elevador e se encontrarem lá embaixo.

Afirmo com a cabeça enquanto ela abre a porta de entrada do apartamento. Eu saio e sigo direto pro elevador que já estava aberto e com algumas pessoas entrando. Me junto ao grupo.

[...]

O percurso foi silencioso. Às vezes comentávamos o quanto gostamos de Lynn, e outras, apenas sorrimos com compaixão um pro outro. Lynn havia se aproximado de Tobias nesses anos que fiquei fora, não pra namorá-lo, mas sim como amiga. Nunca imaginei Lynn com um homem.

Assim que o carro para no estacionamento do hospital eu abro a porta e saio sem esperar Quatro. Ele aciona o alarme do carro e vem correndo até mim.

– Ela vai ficar bem, ok? Confia em mim.

Eu queria.

Entramos na sala principal do hospital e Tobias conversa com a balconista.

– Sexto andar, sala 637. Preciso de seus nomes. – A moça diz, pouco interessada, enquanto masca um chiclete.

– Tobias Eaton e Beatrice Prior.

– Podem ir.

Eu o sigo, e por mais incrível que pareça, ele vai em direção ao elevador.

– Não tem medo? – Digo. Minha voz é baixa e digna de quem acabou de chorar.

– Não vou te deixar nessa sozinha, ok? É só... É só eu pensar em coisas boas.

Pensar em coisas boas. Pensar em coisas boas.

“Eu grito junto com Lynn e Christina. Nosso pote de pipocas voa pelo colchão na sala. Nos entreolhamos e não conseguimos segurar o riso.

– Vocês são umas cagonas! – Lynn diz e me joga uma pipoca.

– Hey! Só gritei por sua causa, nem vem. – Minha voz se mistura com a risada.

– Fala sério. – Christina solta. – Temos mesmo que assistir filme de terror?”

A porta metálica se abre, dando visão a uma sala de espera em tons de verde. Avisto Christina andando de um lado pro outro, e ela me percebe também. Corro até ela, e ela até mim. Seu choro invade meus ouvidos e eu não consigo segurar o meu. Sua mão morena passa pelo meu cabelo e o tira do meu rosto.

– Ela vai ficar bem. Nossa amiga é forte, tá? É só uma falta de oxigenação no cérebro. Daqui a pouco ela vai estar com a gente, nos zuando por sermos tão hetero.

Solto um riso fraco, e antes que eu consiga responder, um médico sai do quarto de Lynn acompanhado por Marlene e Uriah. Ela chora e coloca a mão na barriga. Seu cabelo loiro escuro não é tão brilhoso como antes, e sua expressão e de dor. Não uma dor física, mas sim a dor de poder perder uma pessoa que ama.

– Mais um casal. – O médico diz enquanto preenche um formulário em sua prancheta de vidro.

Olho pra Hector, quieto, no canto de um dos sofás.

– Ele foi? – Pergunto pra Christina.

– Não. Não quiseram ir com ele. Vá você, e a mais próxima do garoto.

Afirmo com a cabeça.

– Eu e Hector. – Digo pro médico.

Hector olha em minha direção e solta um pequeno sorriso. Ele caminha até mim e me abraça. Não digo nada, aliás, foi o melhor que eu fiz. Entramos acompanhados pelo médico no quarto de Lynn. Seu corpo magro, porém forte, descansa em uma cama branca de hospital e ela respira com ajuda de aparelhos.

Seguro a mão do pequeno e nos aproximamos dela. A relação dos dois era forte, estranha, mas forte. Ela o irritava e ele a irritava, mas era o suficiente pra serem mais que irmãos, amigos.

Algumas pessoas, como Hector, não conseguem chorar ao se ver em uma situação triste como essa. Estudei isso na faculdade.

– Ouvi dizer em algum lugar que as pessoas em coma podem nos escutar, sabia? – Digo pro garoto. – Por que não tenta falar com sua irmã e pedir pra ela ficar bem?

Ele afirma com a cabeça. Apesar de não chorar, Hec está com uma expressão triste no rosto.

– Lynn... – Mal consigo ouvir sua voz, mas o importante é que ela ouça, não eu. – Acorda maninha. Eu aqui te esperando. Não me abandona. Com quem mais eu vou discutir se você me abandonar? Com quem mais eu vou brigar por um pedaço de bolo de chocolate que a mamãe fez? Em quem mais vou botar a culpa quando eu comê-lo sem permissão? – Ele pausa. — Em quem mais vou confiar se você morrer, Lynn? Me desculpa por ter dito que era a pior irmã do mundo sempre que brigávamos, eu estava enganado. Eu não poderia ter tido irmã melhor que você.

A mão dele segura a dela, a qual o dorso esta perfurado por algum tipo de agulha pra soro.

– Por que não tenta, tia Tris? – Ele diz mesmo sem me olhar. – Ela sempre dizia de você.

Engulo a seco ao ouvir sua declaração e demoro pra falar algo.

– Lynn...Sua careca azeda. – Um riso fraco escapa de meus lábios. – Me desculpa por ter partido e te abandonado aqui, por que quando mais precisou de mim, eu não pude ajuda-la. Desculpa-me Lynn, por tudo que eu disse e que te feriu. Sempre que eu precisei de você, você estava ao meu lado. Fica do meu lado agora. Eu preciso de você.

– O tempo acabou, tem mais um casal pra entrar antes que o horário de visitas acabe. – O médico me interrompe e assinto com a cabeça. Saímos do quarto logo depois do doutor. A mãe de Hector e Lynn havia finalmente chegado. O garoto corre pra seus braços e eu sigo em direção ao sofá, me sentando no meio de Chris e Tobias.

– Como foi lá? – Ele pergunta.

– Bem. Ela vai se recuperar. – Eu acho que vai se recuperar. Penso. – Você vai com a mãe dela?

– Vou. Só sobramos nós.

– Por que ela só chegou agora?

– Christina disse que foi acertar o cheque do hospital lá embaixo e não teve tempo pra vê-la.

– Ah.

Eu espero que se recupere Lynn. É tudo que eu mais quero nesse momento.

Tobias segue com a mãe de Lynn, Hector e Shauna pra dentro do quarto. Shauna, por sua vez, esta com a cabeça deitada no ombro de Zeke. Por momento decido não comentar nada, pena é o que ela menos quer ver no olhar dos outros agora.

[...]

Coloco o cinto de segurança na trava do mesmo.

– A água da Avenida abaixou, posso te deitar lá agora, mas vai ter que andar na lama. – Ele ri.- Vou te levar, certo? Sua York deve estar com saudades. – Tobias tenta amenizar a situação.

– Eu...

– Você...?

– Eu não quero ficar sozinha. Digo, eu não quero ficar nessa sozinha.

Ele me olha. Após alguns segundos em silêncio, ele diz:

– Que tal levar a Lolli pra minha casa e ficar um tempo por lá? Pelo menos até Lynn acordar. – Sua mão quente se posiciona em cima da minha. Eu não estava mentindo, eu realmente não quero ficar sozinha, não vou suportar se ficar. Não estou com cabeça pra pensar em vingança, muito menos em não confiar nele, só quero alguém que não me deixe sozinha.

Afirmo com a cabeça e ele acelera o carro.

[...]

É engraçado. Ontem à tarde eu estava desfazendo minhas malas, pois havia acabado de voltar de uma agradável viagem, e agora estou refazendo-as, porque estou indo passar um tempo na casa do meu ex-namorado. Isso soa um tanto esquisito.

Minhas duas bolsas estão nas mãos de Tobias, e a terceira, com as coisas de Lolli, em meu ombro. Ela está em meus braços, pois não conseguiria passar pela água sozinha, que cobre até metade de minha panturrilha. É nojento passar andando por toda essa água parada, mas e isso ou pular do prédio pra dentro do carro pelo teto solar. A porta do carro de Tobias não foi atingida pela água e eu agradeço mentalmente por isso. Ele joga minhas malas no banco traseiro e eu me sento no de caronas. Não sei se fiz certo em aceitar a proposta de ficar na casa dele, mas pouco me importa, pelo menos terei companhia, mesmo se for da empregada. Aliás, vou adorar ajuda-la com as tarefas.

Conversamos pouco durante o percurso, algumas vezes apenas comentando pelo que Lolli latia. Quando chegamos a seu prédio ele me ajudou a tirar as malas do carro e seguimos para o elevador de funcionários por causa do cachorro. Tobias estava superando seu medo, acredito, e eu estava gostando de participar disso.

Quando o elevador se abre, caminhamos até a porta de seu apartamento, que é aberta por ele segundos depois.

– Não sei como agradecer por me deixar ficar aqui.

– Eu sei... – Ele me fala e olha maliciosamente assim que coloca as malas no sofá.

– Não, nem vem. – Rio fraco. – É sério, obrigada mesmo.

– Não se preocupe com isso. Essa casa é muito grande pra apenas eu e Evelyn, e agora que ela está viajando, só piora as coisas.

Ele ainda mora com Evelyn? Nunca me dei tão bem com ela. Espero que demore pra voltar.

– Vem. Vai ficar no meu quarto e eu no de visitas.

Assinto com a cabeça e o sigo pela escada. Abrimos a porta de seu quarto, já todo arrumado pela empregada, e ele coloca as malas em cima da cama.

– Vou deixa-la sozinha. Não acho que terei que voltar pro trabalho depois do almoço, então se precisar de algo me chame.

– Claro.

– Não Tris. Estou falando sério. – Ele se aproxima de mim e Lolli, que agora está no chão, late. Mas ela parece ignora-la. – Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me chame. Não adianta vir pra minha casa e ficar sozinha sem contar seus problemas pra ninguém. Sei que é psicóloga, mas geralmente vocês entendem os outros melhor que a si mesmos.

E era verdade. Durante a época de faculdade, sempre que um amigo pedia conselhos eu o fazia, porque além de ajudá-lo, ele me ajudava treinando-me pro trabalho. Mas eu nunca consegui me entender, mesmo com seis anos de psicologia. E acredito que seja impossível.

– Pode deixar, Tobias. Eu o chamarei se precisar.

Ele se afasta significativamente de mim, e por um instante sinto falta do calor que seu corpo me passa.

– Rosa está fazendo o almoço, se arrume e desça pra comer, não fez isso até agora.

Assinto com a cabeça. Ele tem razão, não comi nada hoje. Não sinto fome mesmo assim, mas farei esforço pra engolir algo, afinal, sei o que Lynn me diria nessa situação.

“ Ou você come, ou eu enfio essa batata goela abaixo.”

Eu espero que fique bem. Eu realmente espero.

Notas finais
Comentem povo de Deus!