Under The Moons Light
1 Prólogo
Prefácio.
Hoje o dia parece estar mais claro, mais aconchegante apesar do frio hoje era diferente. O sol parecia estar mais brilhante tentando combater o dia gelado. Minha avó está estranhando a minha felicidade assim como ando estranhando a dela.
Visualizei da janela alta do meu quarto a figura pequena da minha avó cuidando atenciosamente das flores. Seu cabelo esbranquiçado brilha com a luz do sol e voam alguns fios soltos com a brisa fria da manhã. Todos os dias ao acordar ela dava devida atenção as suas flores, mas hoje estive percebendo que se concentrava mais, acordou mais cedo como se não fosse haver amanhã. Tola.
Fechei o diário e o joguei para baixo do travesseiro. Desci os dois lances de escada correndo em direção a porta e bati a mesma ao sair. Anny me esperava em seu carro para irmos ao churrasco na represa. Esperávamos por esse churrasco há duas semanas.
- O que estava fazendo, Cass? – Anny quis saber com tom de deboche – escrevendo em seu querido diário? – completou.
Ri tentando disfarçar e respondi:
- Talvez eu estivesse escrevendo naquela tolice, talvez não.
- E quando vai pra Fellows Town?
- Não sei, não estou com vontade de ir pra lá neste verão.
- Você também não foi pra lá no verão passado – Anny riu – para ficar com Henry e ir para a festa dos Antony.
- Fui há dois meses. E shh... Minha mãe pensa que eu estava num grupo de estudos.
Nos rimos gozando das mentiras contadas enquanto nos aproximávamos da represa.
Dava para ver alguns carros estacionados nas sombras das arvores, podia-se ouvir uma musica vindo de algum outro carro. Anny parou embaixo de uma das poucas sombras que restavam. Descemos em direção às bebidas.
Todos viraram seus olhares para nós enquanto aproximávamos, eu por ser a aniversariante e Anny por estar comigo. Sorri simpaticamente. Henry veio ao meu encontro e me deu um abraço apertado em seguida me beijou e, por algum motivo desconhecido as pessoas bateram palma.
Peguei um copo de cerveja e derramei um pouco na boca. Outros garotos comandavam a churrasqueira, alguns mudavam as musicas aleatoriamente, pelos cantos adolescentes bebiam, se beijavam e pulavam na água.
As pessoas vinham e me abraçavam tão rápido que quase nem dava para distinguir quem era quem, eu apenas dizia e repetia “ah, muito obrigada”. Eu estava a uma certa distancia de Henry mas podia ouvir a voz de seus amigos o encorajando para alguma coisa, seus olhares meio de canto as vezes me atingiam e percebiam que eu os estava encarando para saber mais sobre o assunto. Depois de uns minutos eles diminuíram o tom de voz e se afastaram um pouco mais então deixei de ouvir a conversa. Deixei a bebida no canto ao lado da arvore e corri pra beira da água onde Anny estava e me sentei por perto. Ri das pessoas por um tempo e ouvi uma voz me chamando. Henry. Me levantei batendo a palma das mãos no shorts e andei ate me dar de frente para ele.
- Sim?
- Então... É... – ele gaguejou – eu tenho algo pra te mostrar.
- A é? – falei com curiosidade – Então mostre.
- Eu preciso que venha comigo.
O segui em meio as arvores e vi seus amigos nos seguindo com os olhos ate nos perderem de vista. Íamos em direção à uma antiga propriedade que tinha na represa, de algum caseiro que devia morar ali há uns tempos atrás. Agora a casa se encontrava vazia com alguns vidros quebrados mas que foram tampados com jornal velho.
Henry empurrou a porta velha e entrou na casa. Eu observei ao redor para ver se não havia nenhum dos amigos de Henry nos seguindo. E como imaginei não havia ninguém então segui adentrando a casa logo atrás dele.
A casa cheirava a mofo abafado com algum tipo de vela aromatizante barata, no chão tinha um edredom estendido para fins não comentáveis. Henry fechou a porta logo atrás de mim e segurou na minha cintura. Soltei um suspiro que envolvia nervosismo junto a estresse. Em seguida me deu alguns beijos no pescoço que me fizeram arrepiar.
Eu realmente não correspondia a todos esses movimentos que Henry fazia sobre mim. Meu corpo somente queimava por dentro como uma febre alta por dentro passando por todas as minhas veias ate chegar ao coração fazendo-o assim bater cada vez mais forte.
- Você está quente! – ele falou passando a palma das mãos pelo meu braço.
Eu não coloquei uma palavra para fora da boca. Apenas queria que ele fosse embora e nunca mais me olhasse mas meu corpo estava paralisado, minha fala estava paralisada. E isso fazia que meu temperamento ficasse cada vez pior. Eu tinha a impressão de que minha cabeça pulsava, cada mínimo som fazia um estrondo enorme dentro da minha mente. Minha visão estava confusa, flashes estranhos se passavam pelos meus pensamentos, já não entendia mais nada. A presença de alguém ali só fazia piorar.
Henry se aproximou de meu rosto para me beijar e seus olhos ao se aproximarem dos meus se arregalaram mostrando medo e espanto. Abri a boca e soltei um gemido confuso, indistinguível no momento. Empurrei o corpo de Henry afastado do meu e tapei os ouvidos tentando melhorar a dor na cabeça. Agachei no chão e coloquei o rosto entre os joelhos ignorando tudo a minha volta. Henry tentou sair mas eu o impedi com medo que dissesse a todos que eu estava tendo ataques de loucura. Tudo parecia tão quente ali, como se estivesse em chamas. As imagens continuavam a atormentar a minha mente. Nelas, eu via minha avó, livros jogados, velas e um foco em chamas no qual minha avó dizia palavras em outro idioma do qual eu não compreendia. E as chamas só faziam aumentar em torno dela. Ela parecia muito mais perturbada do que eu.
- Cass... Você esta bem? — soou a voz tremula e assustada de Henry.
Eu apenas afirmei com a cabeça pois era impossivel liberar algum som da minha boca que não fosse um gemido.
Parei por um segundo e senti todo meu sangue pulsar pelas minhas mãos e minhas unhas tinha um comprimento maior e mais pontiagudo, aquilo assustava mais a mim do que ao Henry que estava paralisado ofegante olhando par a mim.
Nada se passava pela minha mente apenas os flashes que interrompiam a minha visão e por partes ver Henry caído desacordado no chão. A sensação de fogo em volta de mim me apavorava cada vez mais, e então o vazio me tomou e ate ceder meu corpo ao chão.
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