Under The Moons Light
2 Capítulo 1
Capitulo um
Abri os olhos. Suspirei. É hoje. Pensei. Levantei-me da cama me esticando para cima para despertar. Hoje saio daqui não para passar duas semanas do verão com a minha mãe, mas sim para passar o resto da vida. Ri. Apesar de tudo ainda consigo rir da situação.
As lembranças me assombram todas as noites enquanto durmo. Todos os dias acordo de um pesadelo feito de lembranças que eu nunca serei capaz de esquecer. P
Fui ate o banheiro e fiz forma de concha com as mãos para jogar agua fria no rosto para despertar.
Coloquei um casaco e a calça jeans, calcei o tênis e desci para checar se as coisas estavam certas. Desci saltitando as escadas. Minha mãe estava lá fora colocando minhas malas no carro. Ela se parece muito com a minha avó, cabelos castanhos escuros, encaracolados com exceção que os da minha mãe são mais compridos, passam apenas alguns centímetros do ombro, seu rosto é pequeno e redondo, sua pele é levemente bronzeada, combinam com seus olhos que são cor de chocolate e seus lábios cheios.
-Cassie! – ouvi a voz de minha mãe me chamar — querida temos que ir.
Agarrei a alça da mala maior e a puxei escada a baixo. Minha mãe já estava no carro arrumando o cabelo. Pigarrei para chamar atenção para que ela abrisse o porta-malas. Ela não ouviu então pigarrei mais alto. Dessa vez ela perece ter ouvido.
-A sim- ela disse- vou abrir para você.
Rimos uma da outra. E entrei no carro e seguimos viajem. Coloquei os fones de ouvido e peguei no sono novamente.
Após umas 3 ou quatro horas cochilando pelo caminho acordei e olhei pela janela novamente e alguns pingos começaram a cair, a chuva começou a aumentar, estava difícil de ver a estrada, mas eu pude ver a placa grande e verde “Bem-vindo a Fellows Town”.
Dez quilômetros depois paramos em frente a casa vitoriana que eu sempre comparava a cor a sorvete de creme, portas e janelas marrom com um gramado recém cortado e uma varanda com as três cadeiras que eu e mamãe costumávamos nos sentar sob uma luminária ao lado da porta que, eu costumava passar duas semanas todos os verões, não mudou nada desde o ultimo. Olhei pra minha mãe e ela sorriu pra mim.
Entrei na casa observando todos os detalhes para ver se minha mãe teria feito alguma mudança. Havia uma grande escada que dava a três portas, a sala de estar bem ajeitada como antes, o sofá cor de café combinado com o tapete e a mesinha de centro. A TV media fixada na parede era nova, e embaixo alguns enfeites. A cozinha também não mudou nada, uma lavadora prateada ao lado do fogão e a pia grande ao lado da geladeira da mesma cor da lavadora.
-Seu quarto é o mesmo querida.
-Eu me lembro mãe, só faz dois meses que estive aqui – respondi rindo.
Subi levando uma das malas ate lá. E comecei a arrumar as coisas em seu lugar de onde não as tiraria por um bom tempo.
-Olá. – disse Melanie encostada no batente da porta. Veio em direção a mim com um sorriso singelo raro de se ver e me abraçou. – você mudou.
-Espero que sim. – murmurei.
-Mas! – ela me soltou com um sorriso agora para me animar – o tempo passa mais devagar quando estamos desanimados.
-É – tentei acompanhar sua excitação.
-Bom você tem muito que fazer. Nos vemos amanhã na escola então?
Assenti.
Melanie me deu mais um abraço e foi embora.
Já é quase 9 da noite, minha mãe já esta se preparando para dormir.
Não estou nem um pouco cansada. Vou dar uma volta. Pensei. Então apanhei as chaves do carro e o casaco, pois fazia muito frio, comecei a dirigir, não sei pra onde eu vou, não faço ideia. As ruas já estavam escuras, tomei varias diferentes até que senti dentre todas as sensações estranhas, que devia parar, quando me dei por conta que estava numa antiga propriedade, no meio do nada. Minha respiração ficou mais forte, estava assustada, meu coração acelerando cada vez mais, tudo a minha volta começou a girar, meu corpo queimando por dentro até que eu caí naquele chão de terra com algumas gramas em meio a arvores. No céu, uma grande e brilhante lua cheia.
Pulei da cama com o despertador irritante da minha mãe, primeiro dia de aula na escola nova, segundo semestre que ótimo. Resolvi ir andando para pensar na noite anterior. Como fui parar em casa? O que aconteceu quando desmaiei? Por que posso ouvir essas pessoas a metros de distancia, todas, mas uma em especial, um coração frio como gelo, familiar. Quanto mais me aproximo mais posso sentir. Aja como uma garota normal, eu sou uma garota normal. Pesadelos acontecem.
Lá está Melanie Murray, avistei, minha antiga amiga de verões. Ri. Um pouco mais alta do que eu, seus cabelos naturalmente loiros e lisos caídos sobre os ombros pouco abaixo do seio, seus olhos grandes e pretos que fazem contraste com sua pele branca e seus lábios rosados.
Recebeu-me com um abraço apertado e disse:
-Você não mudou nada desde o ultimo verão! – ela disse me avaliando como sempre.
-Mel, foi há dois meses – falei rindo. – alias nos vimos ontem.
Rimos um pouco uma da outra e caminhamos até o hall de entrada da escola. Senti que cada vez mais aquele coração gélido se aproximava, então resolvi ignorar. Mais adiante nos encontramos com Bettany, alta com a pele bronzeada, cabelos negros como um puma, olhos verdes e estreitos, também não mudou nada desde o ultimo verão, ela e Melanie competem entre si desde a infância. Nos cumprimentamos e caminhamos comparando os horários das aulas. Atravessamos o corredor até a sala de aula, parei na porta, o coração frio estava também naquela aula. “Ótimo” pensei ironicamente.
Observei a sala à procura da figura familiar que me incomodara, lá esta ele, pele branca e macia, cabelos tão negros quanto o fundo de uma caverna obscura na floresta, seus olhos misteriosos e azuis como um dia sem nuvens, sua boca desenhada especialmente para seu rosto com traços definidos, um tanto atraente. Admito.
Procurei um lugar que fosse longe do dele, só havia uma cadeira sobrando e ficava a duas de distancia. Do meu lado estavam Bettany, e atrás dela o frio seguido por Melanie que ficou logo atrás dele.
Trocamos olhares algumas vezes, Melanie ficou de olho, prestando atenção em cada movimento. Flagrei-o me fitando umas três vezes.
O sinal tocou e Mel veio em minha direção, já posso imaginar sobre o que são suas perguntas, então me virei e olhei-a com um sorriso.
O resto da aula passou imperceptível. Rápido. Melanie e eu andamos até a saída da escola, comentando sobre a festa de começo de ano na escola, Melanie sempre preocupada com o que vestir e eu apenas concordando. O caminho todo – da escola até a minha casa – ouvi Melli falando sobre como Tyler era bonitinho, como Tyler era meigo, como Tyler era isso e aquilo. Eu apenas ria e concordava que sim com a cabeça.
Não que eu não estivesse prestando atenção em suas palavras, é que sinceramente, eu tinha outras coisas que me perturbavam. Como por exemplo, por que Nick me parecia familiar? Ou, o que houve na noite em que não me lembro de mais nada?
-Até mais, Cass.
-Até – respondi não correspondendo com seu entusiasmo.
Minha mãe deve estar almoçando alguma coisa fácil e rápida, já que ela não gosta de cozinhar. Ri enquanto abria a porta. Como eu havia dito, minha mãe estava almoçando um lanche que deve ter comprado na lanchonete da esquina perto de casa, tinha um para mim sobre a mesa. Pelo cheiro deve ser algum tipo de hambúrguer com um monte de outras coisas misturadas no meio de um pão.
- Oi mãe.
- Oi Cassie, tem um lanche para você aqui se estiver com fome.
- É eu vi e admiro seus dotes culinários, mãe – falei rindo com tom de deboche.
Nos duas rimos enquanto eu subia as escadas ate o meu quarto. Entrei fechei a porta, joguei minha mochila no chão e me joguei na cama soltando um suspiro. Meu telefone toca, é Melanie certamente deve estar preocupada com que roupa eu vou para a festa da escola, “Mell” “ Cass, você já escolheu a roupa que você vai a festa? Se você quiser eu posso ir aí e ajudar você e...” “Mel, eu posso colocar roupas em mim mesmo, ok? E hoje ainda é segunda feira, a festa é na sexta.” “Claro que você pode, só não sabe escolher elas”, comecei a rir “Tchau Mell, nos vemos amanhã na escola então.”. Desliguei o telefone e o joguei para o outro lado da cama. Avistei uns livros estranhos em cima da minha escrivaninha. Eu estava dividida entre a vontade de lê-lo e a preguiça de levantar. Me levantei e fui fuçar um pouco no meu armário, separei um dos meus casacos favoritos, porque o tempo está esfriando, um cachecol fino um mais claro do que o casaco, uma calça jeans e all star. Está ótimo, Melanie não terá do que reclamar, direi a ela que passei horas só pensando em como iria me vestir. Eu ri. E como restam algumas horas ate a festa, vou dormir e comer o lanche que já deve estar frio. Desci as escadas ate a sala e minha mãe estava saindo, acenei com a mão e me dirigi ate a cozinha e apanhei o pequeno pacote em cima da mesa e refrigerante na geladeira e retornei ate o meu quarto. Liguei a pequena TV e comecei a comer o meu “almoço” que minha mãe havia preparado e sem perceber peguei no sono logo depois.
Acabei acordando so no dia seguinte. Como eu consigo dormir tanto?
Me arrumei e segui ao carro de Melanie que me esperava estacionado em frente a garagem.
- Ansiosa? — ela perguntou.
-É...
- A festa Cassie. Ansiosa para a festa de sexta a noite? – ela perguntou entusiasmada.
- Sinceramente? – não correspondi ao seu ânimo.
- Vamos lá Cass – ela tentou me animar – vai ser bom para você.
- Tudo bem.
Vendo Nick ao chegar na escola. Fiquei curiosa pelo jeito como costumávamos desviar nossos olhares.
- Quem é? – perguntei apontando com a cabeça.
- Ah. Nick. Estuda aqui desde o primeiro ano. Quase não vem pra escola, mas nunca ninguém o chama a atenção ou algo do tipo. Não tem amigos, portanto ninguém sabe muito sobre a vida dele.
- Entendi.
- Interessada?
Melanie riu.
- Claro que não. – soltei uma risada quase falsa.
- Claro. – Melanie foi irônica.
- Quem é? – falei percebendo que Melanie observava alguém de longe.
- O que?
- O nome dele que te chama tanta atenção. – Ri.
- Ah. – ela riu também – Tyler.
Eu conhecia Tyler. Melanie tinha uma queda por ele desde o primário. Claro que ela namorou outros garotos, mas nenhum realmente serio.
- Tyler? – perguntei espantada. Ele havia mudado. Desde a ultima vez que eu o tinha visto – aquele mesmo Tyler?
- Sim – ela respondeu distraída.
- Mas ele não tinha isso embora?
- Sim. Voltou este ano.
Tyler estava conversando com alguns amigos. E de vez em quando olhava para Mel e encolhia os ombros e depois voltava a conversar.
Depois do almoço Melanie e eu íamos para o treino das cheerleaders, de onde eu saia exausta e passávamos no Old para tomar alguma coisa.
O resto da semana Melanie me lembrou da festa no campus da escola. E como seria bom pra mim me divertir um pouco e conhecer mais gente.
...
Na sexta feira cheguei da escola e fui direto para o meu quarto descansar para logo mais ir a festa com Melanie e acabei adormecendo.
Pulei da cama num movimento súbito. Melanie me mata se eu chegar atrasada nessa festa. Pensei. Olhei no relógio, 18:45, tenho quinze minutos para tomar banho e me vestir. Ouvi alguém batendo euforicamente na porta, minha mãe correu para atender.
- Sra. Blanton, cadê a Cass? – Melanie disse.
- Entre ela...
Claro, como não adivinhei?
Corri para o banheiro e joguei a roupa no chão, entrei embaixo do chuveiro, pois não havia tempo de esperar ate que a banheira enchesse. Pude ouvir os passos fortes da Melanie no assoalho ate chegar ao meu quarto, mal esperei que a espuma toda saísse do meu cabelo e desliguei o chuveiro e me embrulhei na toalha. Saí do banheiro e lá estava ela, com um casaco rosa claro de botões duplos e com preguinhas que iam um pouco abaixo dos bolsos da calça jeans preta, um cachecol fino num tom pouco mais escuro do que o casaco e uma sapatilha combinando com seu casaco, seus cabelos loiros caíam de um lado do ombro. De braços cruzados e batendo o peito do pé no chão.
- Cassie, temos pressa e eu espero que essa roupa que está na sua cama não seja a que você vai a festa.
- Essa festa nem é tão importante assim – falei rindo de sua euforia – não precisamos nos arrumar tanto assim.
- Terá garotos lá – ela falou enquanto eu me vestia – garotos bonitos, do terceiro ano, atletas, a menos é claro que você prefira o Nick.
Olhei para ela e sorri com ignorância. Acabei e descemos correndo ate o carro dela, ela dirigiu como se estivéssemos indo pegar um avião. Chegamos lá e Melanie olhava todas as garotas querendo avalia-las e todos os garotos desejando-os. Eu ri.
- Vou pegar uma bebida pra gente.
- Claro – respondi olhando todas aquelas pessoas.
Encostei em uma arvore e esperei ate que Melanie voltasse. Ignorei ao maximo tudo que podia sentir, corações, conversas e ate mesmo o Nick. Deu certo.
Ou não.
-Cassie Blanton.
Me virei e dei de cara com ele. Nick. Com uma camiseta preta e um moletom cinza de zíper aberto e uma calça jeans também preta.
-Como sabe o meu nome? Não nos conhecemos ainda.
-Digamos que você já seja bem conhecida por aqui – sorriu.
-E você é...
-Nick. Peters. Nick Peters – completou.
Pude ver Melanie voltando com dois copos de isopor provavelmente com cerveja, mas ela parou no meio do caminho quando viu que eu estava com Nick. Ri.
- Quer uma bebida?
- Melanie foi buscar – respondi rindo.
- Acho que você acabou de perder sua amiga e sua bebida pro Tyler – ele falou com tom de deboche.
Rimos juntos enquanto caminhávamos até a mesa de bebidas. Tinham muitos copos de isopor, cerveja e refrigerante. Pegou uma garrafa de cerveja pra ele e outra para mim então começamos a andar.
- Então... Cassie – ele começou – o que te trouxe a Seattle?
Minha mãe. Pensei e ri sozinha.
- É uma longa historia.
Bebi um gole da cerveja.
- Você não mora tão perto da escola, não é mesmo?
- Não – respondi rindo e virei a garrafa bebendo boa quantidade da cerveja.
Sentamos a beira da fogueira para assar marshmallows. Pude ver perfeitamente Mell e Tyler bebendo e dançando, não demoraria muito pra Melli agarrar ele. Eu ri.
Sem que eu percebesse já estava na terceira garrafa de cerveja. Não estava bêbada, não fico bêbada com facilidade, mas já estava num bom nível a ponto de cambalear levemente pelo caminho. Caminhei ate a mesa de bebidas e peguei uma quarta garrafa e Nick pegou um copo de refrigerante, ficamos vendo os garotos beberem direto do barril. Me virei e meu rosto ficou a menos de três centímetros do de Nick, pude sentir sua respiração quente se cruzar com a minha. Dei um sorriso bobo, minhas bochechas coraram então me desviei. Não esperei Melanie para ir embora, estava cansada e sabia que ela não precisaria da minha companhia pelo resto da noite. Fui caminhando chutando a pedrinhas do meu caminho deixando Nick para trás. Ele veio correndo ate que me alcançou.
- Posso te acompanhar ate em casa?
Olhei para ele e comecei a rir sem motivo enquanto caminhávamos ate o seu carro. No caminho dei as instruções, afinal de contas ainda sei onde eu moro. Foi a única coisa que conversamos no carro. As instruções ate a minha casa.
Mal me despedi, virei as costas e entrei em casa, a porta estava aberta e minha mãe já estava dormindo. Subi ate o meu quarto, tirei o casaco, os sapatos e me joguei na cama.
Abri os olhos. A claridade que vinha da janela fez com que eles se estreitassem, gemi de preguiça. Sábado.
Fui surpreendida logo cedo por uma dor de cabeça. Andei ate o banheiro e banhei o rosto com um pouco de agua fria para despertar e amenizar a dor.
Desci as escadas pulando alguns degraus como de costume. Na mesa um bilhete “Querida, fui a Tacoma buscar as coisas que ficaram na casa da vovó. Beijos mamãe”. Ri e subi de volta ao meu quarto. Uma completa bagunça então fui até o banheiro e liguei o chuveiro enquanto enchia a banheira fui me despindo
Volto a me olhar fixamente no espelho. Olho a banheira, está quase transbordando, desliguei o chuveiro e coloquei os pés na banheira, a água está morna, e então me afundei por inteiro.
“Vejo tudo em cinza, ampliado, sinto aguçadamente o cheiro dos outros animais. Um em especial...”.
Num súbito levantei a cabeça da água, assustada com as imagens que vi, encostei levemente o pescoço na borda da banheira e brinquei com as mãos na água ainda assustada. Depois de alguns minutos levantei e peguei a toalha pendurada próximo a banheira, me embrulhei e torci meus cabelos na banheira.
Caminhei ate o quarto e ouvi Mell batendo na porta da sala. Ri. Antes que eu pudesse gritar para que ela entrasse ela já estava subindo as escadas, Melanie não sabia esperar. Apanhei uma camiseta e um shorts e voltei ao banheiro para que pudesse me trocar.
-Cass – ouvi sua voz me chamar.
-Estou me trocando.
Sentada na cama com seu cabelo loiro preso de um lado só, Melanie me esperava balançando o pé como quem espera impaciente.
- Obrigada por não me avisar que esta viva em casa. – falou irônica.
Comecei a rir e responder:
- Desculpa. Só não quis...ahn... atrapalhar.
Ela pegou o travesseiro e atirou em minha direção.
- Tudo bem. Tyler e eu apenas conversamos, e marcamos outro encontro no qual você vai também. E com o Nick.
Dessa vez que atirou o travesseiro fui eu. E acabei bagunçando seu cabelo deixando-a furiosa e fazendo a gente rir uma da outra. Como ela pode?
- Eu não vou convidar Nick pra encontro nenhum – falei virando as costas para pentear os meus cabelos.
-Você vai sim, se você não convida-lo, eu convido por você. E se você não for Bettany vai adorar saber que não está interessada, você sabe que ela esta de olho nele não é?
Ela se levantou e pegou a escova das minhas mãos para passar nos seus fios loiros e em seguida ajeitou a parte de trás dos meus cabelos.
-Quando?
-Sexta á noite – ela falou comemorando – sabia que você não iria recusar.
-Mas... – tentei protestar.
-Não. Não se preocupe. Tyler vai chama-lo para você.
Bufei.
-Onde está D. Lucy que não a vi hoje?
-Denver. – respondi.
-Ah.
Melanie parecia distraída com os meus pertences.
-O que você vai fazer hoje? – perguntei querendo puxar assunto.
-Não sei. Que horas são?
-Quase duas da tarde.
-Poderíamos ir acampar nas cachoeiras.
Fiz uma careta de desdenho.
-Ou não. – ela completou.
-Poderíamos ir às cachoeiras e passar a noite aqui e pedir pizza.
-Sábado a noite, Cassie.
-Tudo bem – concordei – podemos sair para buscar a pizza.
-Claro. – Melanie sorriu irônica.
-Então. O que você sugere?
-Não sei. São duas da tarde ainda.
Melanie desceu as escadas em direção a seu carro. A segui entrando no mesmo.
Em geral, não íamos as cachoeiras para nadar. Mas para apreciar o espaço num lugar onde quase ninguém ía. Melanie e eu tínhamos feito a trilha uns dois anos atrás. A trilha dava pra um lado da cachoeira que só nós sabíamos e nunca nos preocupamos em divulgar a ninguém.
Ela estacionava o carro embaixo de uma arvore grande e velha na qual tinha os nossos nomes escritos em cima de uma data de quando tínhamos doze anos e contumavamos acampar com os pais de Mel. Me lembrava dos mínimos detalhes a cada vez que olhava.
Dali em diante seguíamos andando. Um percurso inclinado de mais ou menos cem metros.
Seguimos a trilha ate a margem do rio onde a cachoeira desaguava. Uma pedra grande era onde costumávamos nos sentar por horas. Batia uma fenda de sol que Melanie e eu adorávamos cochilar.
Depois de horas na margem da cachoeira. Já com o sol se abaixando, Melanie e eu resolvemos voltar. Seguimos a mesma trilha e entramos no carro.
Passamos pelo Old Fells e nos sentamos para tomar alguma coisa e logo fomos para minha casa.
Minha mae ainda não havia chego então Melanie passou a noite em casa.
Ao longo da semana Nick faltou da escola pelo menos umas três vezes. E quando ia não nos falávamos muito. Mas trocávamos olhares quase o tempo todo.
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