Under The Moons Light
3 Capitulo1. Parte 2
Minha mãe voltou na segunda feira de manhã, mas pouco nos falávamos também.
Na sexta feira Melanie passou a tarde toda comigo. Acompanhei-a ate a porta e estranhei que não tivesse me obrigado a ir fazer compras também. Fechei a porta e subi pro quarto. Comecei a revirar meu armário, tirei todas as roupas e comecei a olhar uma a uma. Varias que foram obrigadas a serem compradas outras que eu gostava mais. Desisto. Tem tempo ainda, vejo isso depois. Desci as escadas e fui ate a cozinha, abri a geladeira e peguei a jarra de água e despejei um pouco no copo e fui pra sala ver um pouco de TV pra passar o tempo. Ouvi o som do meu celular tocar e subi correndo as escadas ate o meu quarto. Um numero estranho, nunca tinha visto antes. Atendi. “Cassie?” a voz de Nick soou do outro lado. “Nick, como encontrou meu numero?” “Melanie me disse para ligar pra você para ver a que horas posso passar aí pra te buscar”. Inacreditável. Melanie é uma filha da mãe — resmunguei. “Cassie?” “as sete ta bom”. Desliguei e joguei o telefone no meio das roupas. Sentei perto da janela e voltei a revirar minhas roupas. Duas horas para escolher um casaquinho fino, calça jeans, uma blusa cinza e all star. Tenho tempo de tomar banho e alisar os meus cabelos. E é isso que fiz. Me dirigi ate o banheiro e comecei a me despir, liguei o chuveiro e me empurrei para debaixo dele deixando meu cabelo escorrer com a água. Coloquei quantidade de xampu o bastante para fazer esculturas engraçadas com o meu cabelo, tirei toda a espuma e massageei com condicionador e enxaguei. Apanhei a toalha e coloquei tampando o corpo, torci o cabelo e fui pro quarto. Vesti minha roupa e comecei a secar os cabelos com o secador, não demorou muito ate que estivesse totalmente seco e liso. Ajeitei-os e passei a mão sobre o casaco. Desci ate a varanda e me sentei em uma das cadeiras ate que Nick aparecesse, fiquei sentada uns 30 segundos. Nick chegou sorriu e foi abrir a porta para que eu pudesse entrar, sorri. Ele começou a dirigir. SMS de Mell “Cassie, espero que não se importe, não vou poder ir ao cinema com você e Nick. Amanhã te conto. Beijos.” Ótimo. Revirei os olhos e suspirei.
- Não achei que fosse tão cavalheiro.- debochei.
- Tento parecer apenas.
- Claro.
-Melanie e Tyler furaram?
-Sim – respondi – tudo bem não estava muito afim de ver um filme mesmo.
-Podemos fazer outra coisa se você quiser.
Fiz uma careta desdenhando.
- Na verdade você não gostaria de ir a lugar algum, não é? – ele riu.
- Pois é.
- Mas mesmo assim vamos dar uma volta por aí.
- Tanto faz. Vamos então. – assenti.
Entramos no carro e seguimos ate a praça da cidade.
- Então Cassie, mora na cidade há muito tempo? – ele quis puxar assunto.
- Não.
- Dificil. E o que a trouxe aqui?
Minha mãe. Pensei.
- Longa historia.
- Serio? – ele pareceu perder a paciência e freou o carro.
- O que?
Deci do carro e caminhei ate a calçada.
- Você não ajuda em nada. Qual é?
- E eu deveria? O que é que eu estou fazendo?
Nossa conversa começou a virar uma discussão.
- Você é uma menininha chatinha e mimada.
- E você é um intolerante. – levantei a voz quase a ponto de gritar.
Meu temperamento não era lá dos melhores.
- Chega. Vamos caminhar sem brigar ate o final da noite. – ele disse – pelo menos.
- Tá. – abaixei os olhos e começamos a caminhar.
Caminhamos em silencio por um bom tempo ate avistarmos uma barraca de algodão doce a qual eu caminhei em direção e ordenei para que o vendedor me vendesse um.
- Quer? – perguntei com o algodão doce em uma das mãos.
- Não. Obrigado.
- E você... – disse com a boca cheia – mora aqui há muito tempo?
Ele olhou e riu.
-Não, acabei de me mudar.
-E seus pais? – completei – irmãos, primos?
Ele suspirou.
-Longa historia.
Então caminhamos em silencio por alguns segundos e nos sentamos no banco para terminar de comer. Coloquei uma perna sobre a outra e sorri para Nick. Ele sorriu de volta. Nossos rostos se aproximaram, tanto que podia sentir sua respiração doce na minha face. Desviei olhando para o outro lado. Estava totalmente sem graça. Os cantos dos lábios de Nick se contorceram segurando o sorriso malicioso.
Bocejei.
-Com sono – ele riu.
-Não. Apenas cansada.
Olhei no relógio. 11h. A hora tinha passado tão rápido que nem percebemos passar o tempo.
Nick me conduziu ate o carro e abriu a porta para mim em seguida entrou no carro. Seguimos ate a minha casa sem trocar duas palavras, apenas alguns sorrisos e olhares. Estacionou em frente a minha casa e me acompanhou ate a porta, minha mãe já havia chegado e provavelmente estava dormindo.
-Então... – Nick começou – Boa noite.
-É... Boa noite.
Sorri e entrei olhando para trás enquanto ele andava ate o seu carro. Subi as escadas ate o meu quarto, peguei meu pijama e me joguei na cama. Me revirei para todos os lados ate que consegui pegar no sono.
“Vejo tudo em cinza, ampliado, sinto aguçadamente o cheiro dos outros animais. Um em especial...”
Acordei assustada ficando ereta sentada na cama com um pulo.
Há duas semanas venho tendo esse mesmo sonho todas as noites desde que me mudei pra cá e sonhei ter desmaiado na floresta. Deve ter alguma coisa errada comigo. Algo que eu não sei de onde vem ou o porquê. O que significa isso de ver tudo acinzentado, ampliado, olfato aguçado?
Preciso mesmo me distrair. Me levantei da cama e caminhei me espreguiçando até o meu armário, sem perceber tropecei em um par de tênis que estava no caminho. O peso do meu corpo pendeu para frente me fazendo bater com o braço na parede do armário. Quem estivesse na casa ouviria tamanho estrondo, mas como já imaginava não havia ninguém em casa. Escolhi logo uma roupa qualquer para ir à escola. Passei pelo espelho e fitei alguns segundos a imagem de um rosto com olheiras tão profundas como de alguém que não tivesse dormido durante a noite. Ignorei o detalhe e segui para o banheiro, abri o chuveiro e estiquei o braço para checar a temperatura da água, a qual me fez arrepiar de frio. Deixei o vapor da água esquentar o banheiro enquanto escolhia uma roupa. Imaginei as cobranças de Melanie então tentei me vestir o melhor possível. Ou não totalmente – pensei. Larguei as roupas sobre a cama e caminhei ao chuveiro para me lavar.
Não conseguia conter as imagens do meu sonho que insistiam em atormentar minha mente.
Suspirei.
Tentei desviar os pensamentos e deixei a água morna escorrer confortantemente dos meus cabelos e em seguida como uma cascata pela minhas costas. Puxei a toalha me embrulhando na mesma procurei as minhas peças de roupa para vesti-las. Coloquei uma calça jeans e uma camiseta.
Voltei a me olhar no espelho incomodada com as olheiras que se destacavam em meu rosto pouco bronzeado. Peguei a escova e comecei a passar pelos meus fios, deixando-os caídos sobre um único ombro.
Apanhei a minha bolsa, segui para fora do quarto rumo às escadas que davam acesso a sala de estar e a cozinha.
Um som de buzina chamou minha atenção para fora de casa.
-Melanie – falei comigo mesma.
Girei a maçaneta e abri a porta. Dei uns passos sobre a grama molhada do jardim e me dirigi ao carro de Mell.
-E aí? – ela quis puxar assunto.
-Oi.
Ela me encarou por um tempo.
-Não fale das olheiras. – a adverti antes que falasse.
-Ok. Vamos lá.
Melanie pegou o mesmo caminho de sempre: loja de bebidas e estrada para as cachoeiras.
Liguei o som no máximo e abri o vidro como de costume. Adorava a parte de colocar o rosto para fora do carro e sentir a brisa chacoalhar e bagunçar meus cabelos, era como se isso me fizesse esquecer certos episódios da minha vida. Coisas que eu não gostaria de ter vivido.
Melanie e eu sempre fazíamos um dueto no caminho, esse é o lado bom da estrada: ninguém pode nos ouvir cantar, é pro próprio bem de todos.
Tinha uma parte do bosque em que entrávamos, no qual só nós conhecíamos. Dessa vez não entramos por este lado. Isso quer dizer que haveria mais gente na nossa tarde. Claro, Mell adora fazer festinhas, por ela teria festas e bailes da escola todos os dias.
Na entrada haviam alguns carros parados e podia-se ouvir uma musica tocando. Descemos do carro levando a cerveja que tínhamos comprado no caminho e nos juntamos as outras pessoas. Não haviam muitas apenas alguns conhecidos da escola. E claro. Tyler e Nick, pude presumir.
Observei todas as pessoas que estavam em volta da cachoeira e nada de Nick. Eu estava errada, ele não estava lá.
-Procurando alguém, Cass?– Melanie falou dando ênfase a palavra alguém.
Ri um pouco sem graça e tentei disfarçar.
-Claro que não. Quem eu procuraria? – torci para que ela não respondesse.
E não respondeu. Fui salva por Tyler quando ela pretendia abrir a boca e debochar. Que é o seu forte.
Sorri para os dois e me sentei na beira do rio próxima a caída de água para que pudesse sentir as gotículas caírem sobre mim como chuviscos. O barulho da correnteza da água me acalmava, mas com toda aquela musica e pessoas falando não dava pra se ouvir nada.
Ouvi muito bem os passos de Bettany se aproximar de mim.
-Oi Cass – a voz sínica dela falou ao meu lado – você é bem quieta não é mesmo? Não gosta de festinhas na beira do rio? Há algo que tenha acontecido pra que você tivesse problemas com isso, querida?
Senti meu sangue ferver circulando a toda velocidade dentro das minhas veias e me segurei para não avançar em seu pescoço. Como ela sabia daquela historia? Ninguém na cidade sabia.
- Ou talvez esteja te faltando um par, não é mesmo? – ela continuou com as provocações.
Fechei o punho apertando a grama debaixo das minhas mãos. Descontei parte da raiva naqueles ramos de grama, mas não foi o bastante para que a vontade de me jogar em cima daquela garota passasse.
Cada vez mais eu sentia meu sangue ferver. Uma sensação borbulhante dentro de mim. Parecia que para as outras pessoas isso acontecia lentamente, mas para mim eram apenas questão de segundos. Não estava mais me agüentando, era involuntário, meus músculos pareciam dilatar, e a raiva aumentava, mas algo mais forte me empurrou pra dentro d’água, algo que so pude ver um borrão rasteiro passar ao meu lado e de repente já estava encharcada. Bufei. Tentei ver o que era. Nada. Não havia ninguém que pudesse ter me empurrado tão rápido sem que eu visse.
Todos olhavam para mim sem entender o que teria acontecido. Bettany já estava em pé sem demonstrar emoção ou expressão alguma. Dei algumas braçadas na água ate a margem e me levantei torcendo a camisa em seguida meu cabelo.
Uma garota veio em minha direção segurando uma toalha.
-Oi, sou Aurea – ela disse querendo ser simpática e entregando a toalha – se precisar de alguma coisa é só me procurar.
-Obrigada.
Preciso de respostas. Pensei. Mas é claro que isso seria meio impossível de uma garota desconhecida ou talvez de qualquer um que estivesse ali. Ri baixo para que só eu pudesse ouvir.
Me embrulhei na peça que havia emprestado e fiquei observando as outras pessoas se divertirem.
Gosto de observar a expressão das pessoas de longe, assim eu passei o tempo naquele lugar. Rindo olhando as pessoas de longe como elas se expressavam. Ate que começou a anoitecer e as pessoas tomaram conta de que era domingo e teriam de ir à aula no dia seguinte. Melanie, por sua vez foi uma das ultimas a sair. E levou mais um tempo para se despedir de Tyler. Na verdade um bom tempo. Ela dava beijinhos e em seguida olhava para ele pedindo por mais e pedindo também que ele a segurasse mais alguns minutos. Mas é claro que eu acabei com o clima num instante, bastou buzinar.
-Caramba, Cassie! – Melanie falou me repreendendo com o feito.
Gargalhei da forma como os dois se assustaram e olharam para o carro com os olhos arregalados. Pulei para o banco do passageiro ainda embrulhada na toalha e aguardei que Mell entrasse. Como previsto, ela estava com a cara fechada ainda um pouco zangada comigo. Pouco me importei. Como sempre.
-Entojante – debochei.
-Não tenho culpa que Tyler não fura comigo.
-Indireta sobre Nick, Melanie? – falei rindo.
-Não sei, se a carapuça serviu.
-Pois saiba que eu nem me importo que ele não venha.
-Claro que não – soou com tom de ironia.
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