Notas iniciais
Hello leitores e leitoras , tudo bem com vocês? Então esse capitulo não fala tanto dos meninos e tal... Mesmo assim espero que gostem e eu estou preparando uns materiais especiais pra um próximo capitulo. E é isso .. boa leitura! bjs

O que me levava a pensar nisso? A ligação que meu pai acabou de receber. Observo ele sair do quarto preocupado, e voltar cabisbaixo. O rosto dele mostra tristeza e decepção, então uma frase se forma na minha cabeça: “Ele vai voltar para a guerra”. Uma lagrima discreta cai dos meus olhos e eu a seco rapidamente sem deixar que ninguém perceba. Fixo meus olhos na parede e me perco em pensamentos que traziam a minha infância, eu brincando com meu pai, nós dois indo tomar sorvete em um dia de calor, indo ao clube, correndo juntos, aprendendo um com o outro e sendo felizes. Derrepente parece que toda a minha vida mudou, parece que tudo se acabou, parece que até a última gota de alegria que eu ainda tinha se suicidou junto com essa ligação.

Os meninos então começam a brincar comigo, mas eu não posso ouvi-los então dou um sorriso forçado para eles e deixo que eles se divirtam, porque eu já não tinha mais vontade de me divertir. Meu pai se aproxima de mim e me da um beijo no rosto dizendo:

– Eu te amo minha filha, se cuida, até logo.

Uma lágrima correu pelo meu rosto. Meu pai sabia que eu tinha capacidade o suficiente para entender o que significava aquela ligação. Eu não se como, mas consigo força e voz para dizer:

– Eu também te amo pai.

Ele então diz pra mim:

– Quando o portão alguém abrir, o pássaro vai voltar a voar. Voará para longe. Ele pode chegar longe.

Sem entender se quer uma palavra do que isso possa ter significado, faço uma cara de não entendimento e sorrio pra ele. Ele retribui o sorriso e vai, vai embora, dessa vez, talvez sem volta. Mas eu tenho que ter esperanças. Debaixo da luz que ilumina o meu rosto quase me cegando nessa cama de hospital, eu tinha que ter esperanças.

O médico então aparece dizendo:

– Oi Mary.

–Oi – sorrio forçado.

–Como vai?

– Não sei – respondo rápido tentando esconder o meu sofrimento.

Ele sorri e continua:

–Vamos?

–Aonde? – digo estranhando

–Ah! Eu me esqueci de avisar, vamos te transferir, seu tratamento começará hoje mesmo.

Obedeço às ordens e vou andando até uma sala, ou será um quarto? Bem era o lugar em que eu ficaria. Não era grande e tinham outras pessoas. Bem, em meio a tantos problemas, uma sala que desse ao menos para eu dormir a noite já me deixaria alegre. Feliz não, mas alegre. Porem começo a observar melhor o local e na verdade era o lugar onde eu faria a minha primeira sessão de quimioterapia. Sentam-me em uma cadeira e injetam no meu braço algo que parecia ser soro. Não era. Eram quimioterápicos, que usariam na cura do meu tratamento. Passaram-se quatro horas então me liberaram disseram que eu ficaria em observação no hospital e não apresentando sintomas muito graves poderia ir para a casa. Assim que me sentei na cama olhei pelo vidro. Um rosto me observava, eu ficava com medo, e ele se aproximava da porta. A porta se abre é uma pequena menininha se aproxima de mim. “Ela tem câncer”. Penso. Ela usava uma boina para esconder a sua cabeça, já careca, era um amor , tinha os olhos azuis como uma piscina e as bochechas naturalmente rosadas. Eu sorri para ela e disse:

– Oi, como é o seu nome?

– Jennifer e o seu? – Ela responde.

– Mary – respondo sem tirar um sorriso do rosto.

– Você pode ler uma historia para mim?

– Claro! – me levanto e ajudo-a sentar do meu lado na cama.

–Eu ainda não sei ler – ela diz com lagrimas nos olhos – eu vou morrer sem aprender a ler.

– Você não vai morrer – uma lagrima cai dos meus olhos, mas mudo de assunto. – deixe me ver a historia?

Ela me entrega um livro, parece que é velho, então leio o titulo. “A princesa que queria voar” procuro pelo autor, mas não encontro nada, apenas páginas amarelas e uma historia que parece ter poucas imagens. Então começo a ler, era uma historia infantil, mas a mensagem que cada página passava era incrível, a historia de uma menina que se via presa a problemas e queria voar para fugir deles. Jennifer parecia gostar da historia, ela comentava e ria com as aventuras da personagem, era ótimo vê-la assim sorrindo. Por mais que tenha pouco tempo que eu tinha a conhecido, eu tinha me apegado a ela e era bom vê-la feliz. Percebo que alguém abre a porta. Era uma enfermeira. Ela chama por Jennifer, que vai ao encontro dela e a abraça. Então digo:

– Até logo Jen, depois termino essa historia pra você.

A feição até então inexpressível da enfermeira se torna uma feição que mistura pena e tristeza. Eu fico sem entender muito, mas eu acho que soube o que estava acontecendo, Jennifer estava morrendo. A historia não seria terminada. Lágrimas caiem involuntariamente dos meus olhos e um senso de indignação me consome. “Tão jovem e tão doce, tanto amor para que acabe assim” penso. Observo que o livro que Jen trouxe a mim permaneceu na cama eu decido guarda-lo talvez eu o lesse depois, talvez guardasse como lembrança daquele pequeno ser que me fez enxergar novamente a felicidade. Respiro fundo, um quarto tão quieto e tão silencioso, tão vazio, tão frio, porem bem iluminado. Imagino Harry aqui para dormir comigo ou Jen para me fazer ter vontade de sorrir novamente. Desabo em lagrimas até dormir...

Notas finais
Gostou ? Não gostou? Te espero nos reviews! xx