Under The Hell's Gaze
9 Past Is a Stalking Shadow
Notas iniciais
– Devíamos voltar.
– Eh? Porquê toda a exaltação, Kuroko-kun? Pelo menos podemos pedir aos guardas por indicações, tenho a certeza que se tomarmos cuidado e mostrarmos que não somos perigosos, eles nos ajudam. — a voz da morena era afirmativa, porém não acalmou o nervosismo do azulado.
– Aqui não é seguro. Podem nos encontrar e não estamos em condição para lutarmos. É melhor se conseguirmos sair logo daqui. — o seu olhar ripostava com o da morena, mas a sua inexpressividade não parecia intimida-la minimamente. Onde estava a aparente garota vulnerável que era carregada por Hyuuga?
Antes que ela respondesse, o som de cavalgar ecoou pela floresta. Num reflexo, correram até a uns arbustos mais profundos e afastados da pequena trilha de terra que se formava um pouco além de onde estavam, em direção aos portões. Um esquadrão de cinco ou, talvez, seis cavalos, passou pelo local, e fez com que todos tentassem se esconder mais por entre as ervas escuras e ríspidas.
– O que é que estão a fazer aí? Não é muito difícil ver-vos, deviam saber disso. — uma voz brincalhona desviou-lhes a atenção para trás e ao virarem-se, encontraram um moreno, de estatura média, inclinado numa árvore, de braços cruzados, a olhá-los com um misto de desconfiança e divertimento.
O reflexo foi descontrolado e Kuroko pode jurar que viu cansaço nos olhos de Kagami, antes do segurar para que não avançasse. Estavam treinados para não serem apanhados despercebidos, pela guerra, pela morte. E o símbolo no vestimento do jovem à sua frente despertava ainda mais esses instintos.
– E um ataque por trás é algo muito cobarde, sabias...
– Ohh, mas quem disse que eu vos iria atacar? Calma, calma, eu estou aqui em paz. — ele ergueu as mãos mas no seu rosto ainda se mantinha um sorriso que perturbava a todos. — Mas gostava de saber o que estão a fazer, a rondar o meu reino.
– O "teu" reino? E quem és tu para afirmares isso dessa forma?! — algo fazia com que, lentamente, a fera dentro de Taiga se despertasse. E o azulado sempre temia a imprudência que vinha com ela.
– Kagami-kun, acalma-te, por favor.
– Nós somos fugitivos de Rakuzan. — Hyuuga deu um passo à frente.
– D..de Rakuzan? Isso ainda é bastante longe daqui.
– Estamos abrigados numa casa na floresta e planeamos afastarmo-nos ainda mais daquele reino mas acabámos por nos perder. Não temos quaisquer instrumentos de navegação e gostaríamos de, pelo menos, requisitar indicações para voltarmos para o lugar que procuramos. Não temos intenções de conflito ou de algo relacionado. — internamente, todos agradeciam o palavreado direto e calculado de Riko.
O moreno franziu o rosto por segundos, talvez a ponderar as opções e responsabilidades que vinham com aceitá-los. Já tinha trabalho
que chegava, não queria ser castigado por deixar entrar possíveis espiões. Mas se fossem, seriam extremamente amadores no trabalho
. Sem falar que a conversa parecia legítima.
Virou-lhes a costas e sinalizou com a mão para que o seguissem, correndo para buscar o cavalo que tinha prendido a uma árvore grande.
– ...Eu vou vos deixar entrar. Conheço alguém que estaria muito curioso em falar com habitantes de Rakuzan. Ah, e se me estiverem a mentir. — ele rodou parcialmente a cara para os encarar. — Eu garanto-me que voltam para o vosso lindo reino para serem mortos.
E aquilo não era maldade. Era o sorriso duro da guerra no rosto de um homem que cresceu cedo demais.
–X-
Definitivamente, o conforto eminente do castelo era incomparável. Embora pisassem território inimigo, sentiam alguma segurança, uma muralha que os separava da tortura constante de Rakuzan. Naquele momento, a mente só desejava distância daquele local.
– Shin-chan~~!! Eu trouxe gente que te pode interessar!! — até Kagami arregalou as sobrancelhas com a mudança no tom de voz do moreno.
– O que queres dizer com "trouxe gente"? O rei não te disse já para parares de buscar pessoas perdidas pelo bosque? Podem ser assassinos.
Takao entrou, sem qualquer formalidade, deixando o grupo parado na porta. Tratava-se de uma sala iluminada, repleta de altas prateleiras de madeira antiga, preenchidas com livros das mais variadas capas coloridas. No centro, uma grande mesa, onde papéis espalhados pareciam ter sido rabiscados; no meio de outra quantidade de livros e documentos, uma taça com um líquido que assemelhava uma sopa. Um homem alto e esguio, de cabelos verdes, trocava de folhas constantemente, à procura de alguma informação que esperava encontrar.
Quando Taiga tentou confirmar que Kuroko ainda estava com eles, viu o seu rosto perplexo e pálido.
– Mas eles são sobreviventes, Shin-chan!! — quando o esverdeado ia para abrir a boca para protestar e encará-lo, foi interrompido por um tom mais sério. — Eles vêm de Rakuzan.
E então, tão rápido como o sussurro, ele rodou o corpo, e os seus olhos estavam arregalados e segurados na figura de Kuroko. O Hyuuga não entendeu como ele conseguira distingui-lo no meio de todos, ainda mais com a sua estatura pequena, mas talvez nem Midorima pudesse dizer como. Não havia espaço para explicações.
– Kuroko! Tu estás vivo! Tu...realmente estás vivo! — os passos lentos levaram-no até ao pequeno, ao qual apalpou os braços, os ombros e o rosto, até suspirar de alívio e tentar recompor-se. Foi a mão de Takao, atrás de si, que o arrastou de volta à consciência.
– Queres que vá anunciar a presença deles por cá? Antes que os confundam por intrusos... — Kazunari sorriu de leve para o maior e este, no meio do seu choque, demonstrou pura apreciação nos seus olhos.
– Sim. Enquanto isso, todos vocês podem entrar e sentar-se na mesa. — ele indicou com o olhar para os guerreiros e afastou-se para que caminhassem. Fechou a porta e sentou-se na cadeira à ponta, para ter visão inteiro do local.
– Kuroko, vais ter a honra de nos apresentar o teu amigo? — os dois pareceram encolher-se um pouco por reflexo à palavra, mas logo disfarçaram.
– Peço desculpa, o meu nome é Midorima Shintarou, general no reino do exército de Shuutoku e médico profissional. — ele curvou-se o mais que podiam, e alguns, desajeitadamente, corresponderam o ato. Não estavam habituados à etiqueta.
– Já faz muito tempo, Midorima-kun. — este retirou os óculos para esfregar os óculos e depois encarar o menor.
– Eu pensava que estavas morto. Depois daquele dia...
– Eu consegui sobreviver por muita sorte. Depois fugi pelo bosque mas não consegui encontrar nenhum de vocês. Mesmo se tivessem encontrado... — Kuroko olhou para baixo.
– Nós íamos te ajudar, independentemente de quem fosse. Nenhum de nós te queria deixar para trás.
– Mas mesmo assim deixaram. — o rosto do azulado estava completamente inexpressivo, como se a sua alma acabasse de ser roubada.
– O Akashi disse que estavas morto! Ele disse que não valia a pena voltarmos, que te tinha visto a morrer engolido pelo fogo. — Tetsuya morde o lábio com força, com os punhos cerrados, e o rosto de Taiga, que observava tudo silencioso, ficou mais suave. A mão deste acariciou os cabelos claros e lentamente, este relaxou o aperto.
– ...só podia ter sido ele. — o comentário soltou-se como um sussurro.
– Tu sabes como ele nunca ficou o mesmo desde a morte do capitão. — Midorima encostou-se às costas da cadeira e olhou pela pequena janela, a ver o céu escurecer rapidamente.
– Nenhum de nós ficou o mesmo. — o silêncio permaneceu durante alguns momentos. — Encontrei o Kise-kun. Lutámos contra ele.
– Tu o quê?! — o mais velho quase se levantou num impulso. — Estão bem?
–Neste momento, perfeitamente melhor que antes.
– O que é que foste fazer...És doido. O Kise nunca te mataria mas duvido que ele estivesse sozinho e o general deles é bastante forte e impiedoso. Kasamatsu Yukio, pelo que me recordo. — o nome soava a familiar na mente de Kuroko.
– Ele está diferente, aliás, irreconhecível. No fim do combate, no entanto, vi um pouco do antigo ele. Tenho esperança de que não se alterou tanto. — esperanças falsas, era o que uma voz gritava na sua mente. Uma que ele preferia ignorar.
– Sabes como ele sempre foi instável e, quando nos conheceu, apoiou-se em nós. Mas depois de ele morrer, afastámo-nos todos e ele caiu desamparado. Ficou sem suporte. — de novo, o vazio reinou o instante e todos encontravam-se parados a tentar entender o dueto dos milagres.
– Desculpem estar a perturbar, mas não estamos a entender. Quem é essa pessoa? — o olhar que Riko vestia era tão compreensivo e sincero, que era impossível odiá-la por tocar num assunto pesado.
– Ele foi a pessoa que nos guiou para a guerra as primeiras vezes, mesmo que fosse somente um ano mais velho que nós, dos Guerreiros dos Milagres. Era um verdadeiro génio. — por uns segundos, a ponta dos lábios de Midorima curvou-se para cima. — O seu nome era—
Uma batida na porta e esta a ser aberta chamou-lhes a atenção. De lá apareceu Takao, um pouco ofegante da corrida que percorreu de um lado do castelo ao outro, que recebeu olhares irritados de grande parte das pessoas presentes na sala e outros monótonos, dos dois prodígios.
– Que foi? Interrompi alguma coisa? — ele coçou a nuca, apreensivo com a emoção exposta no rosto de Shintarou.
– Na verdade, és sempre inoportuno. O que a majestade disse?
– Ah, não tem qualquer problemas em eles passarem a noite nuns aposentos e aproveitarem uma refeição, desde que amanhã contribuam com toda a informação que possuírem de outros reinos. — o esverdeado acenou com a cabeça que sim e encarou-os de novo. Ele ainda era tão jovem mas o seu rosto já estava carregado pelo peso da luta infindável.
– Não que me importe mas é melhor passarem pela enfermaria e depois comerem para descansarem. Fizeram um longo caminho sem cavalos. Se não repousarem vão ser inutéis. — a sua voz era séria e estritamente profissional — não existia qualquer compaixão que pudesse demonstrar aquilo como um ato de preocupação. Para o azulado, era assustador como ele tinha mudado tanto, sem que os seus olhos o vissem. Não que estivesse uma relação especial de amizade com ele, aliás, antigamente, não conseguiam concordar com a mais simples tarefa.
Talvez depois de toda a catástrofe, não houvesse onde discordar.
–X-
– Mãe...eu não quero ir para a guerra. — a voz de um menino de 8 anos, trémula e insegura, ecoava na casa de madeira.
– Todo o reino está a contar contigo, Tet-chan, tu tens o que o teu pai sempre quis ter. — o tecido, que servia de cachecol, foi aconchegado no seu pescoço e uma mão fria deslizou pela bochecha do menino. — Vai e deixa a mamã orgulhosa.
– Mas...eu não...
– KUROKO!!! — o menino virou costas e não estava mais no conforto da sua casa, mas no meio de um campo de batalha enorme e sangrento. Os humanos caíam à sua volta e não sabia como distinguir o aliado dum inimigo quando este estava pintado de vermelho.
– Esta voz...Akashi-kun??! — respirou fundo, o ar escapando-lhe com o eco da voz desesperada do seu amigo. Sentiu uma mão no seu ombro e fitou a figura atrás de si, esperando ser algum inimigo. Em vez disso, lá estava a pessoa que mais considerava um irmão mais velho. Não via nada atrás dele, como se todas as suas preocupações desaparecessem no momento em que o encarava.
– Não faz mal...não fiques em pânico, pequeno. — o rapaz em sua frente era só um ano mais velho, mas todo o peso estava alojado nos seus ombros. Ele era mais um.
– Nijimura-senpai....eu não gosto de estar aqui.
– Não te preocupes, vai ficar tudo bem. — a mão dele esticou-se, para acariciar os seus cabelos azulados como sempre fazia. O melhor ato de aconchego. — Nunca te esqueças o quão importante és para o funcionamento deste exército.
Antes de sentir o calor dos seus dedos, uma espada trespassou-o (mas como? não tinha visto ninguém a aproximar-se) e o seu corpo caiu imóvel do seu lado.
– KUROKO!!! POR FAVOR, VEM ATÉ AQUI!! O...O NIJIMURA-SENPAI FOI FERIDO!!!
–X-
Quando acordou, a gritar, reparou como o quarto estava escuro e que as gotas de suor que lhe batiam nos seus braços refletiam a luz da noite. Só após uns segundos de respiração profunda é que se apercebeu que a passos da sua cama, Kagami estava levantado, a olhá-lo com um rosto assustado. Tinha-o acordado. Os outros três que dormiam naquele quarto pareciam enterrados no cansaço.
– Estás bem? — as sobrancelhas dele franziram-se em alvoroço.
– Sim, desculpa. — a sua voz já estava mais calma mas ainda ofegava. — Foi só um pesadelo.
– Não faz mal, eu também os tenho. — encararam-se por uns segundos antes do ruivo quebrar o contacto visual e virar-se para o seu futon.
– Kagami-kun! — acabou por falar mais alto. Na sua mente, não haviam consequências de acordar outras pessoas na residência. — Podes ficar comigo?
–Claro... — a lua estava sombria, com nuvens negras a trespassá-la, mas naquele momento os olhos de tigre foram ofuscados por um brilho prateado. Naquele momento, Tetsuya sentiu a sua barriga enrolada a relaxar com segurança.
O maior entrou na cama e deitou-se, deixando que o menor pousa-se a cabeça no seu ombro e encosta-se os corpos. Antes de um peso consumir os olhos de Kuroko, pareceu ouvir um sussurro.
"Sempre"
–X-
Na manhã seguinte, o sol parecia brilhar mais alto. Foram abençoados com uma noite de sono e agora, após outro banho refrescante, poderiam aproveitar a comida servida na mesa da salinha pequena. Esta era diferente da do dia anterior, onde conversaram com o Midorima. Parecia uma sala específica para conferências, mas ainda não falariam o rei. Provavelmente era onde os membros principais do exército comiam habitualmente.
O grupo entrou para ver servido um variado de frutas caras, que nunca conseguiam comer nos mercados de Rakuzan, carne, pão e alguns doces que nunca tinham visto. Rapidamente sentaram-se e serviram-se, acompanhando Midorima e Takao que, pouco depois, fizeram o mesmo.
– Eu sonhei com o Nijimura-senpai, Midorima-kun. — o talher foi largado da mão do esverdeado, mas rapidamente agarrado de novo.
– Entendo. É previsível, a conversa de ontem deve ter suscitado memórias do ocorrido.
– Quem é esse "Nijimura" vosso veterano, se me permitem perguntar. — Izuki, que tinha permanecido calado no dia anterior, decidiu interromper.
– Foi a pessoa que falamos ontem mas não chegamos a mencionar o seu nome porque alguém interrompeu. — um olhar severo na direção de Takao fê-lo praguejar baixinho.
– A culpa não é minha, era necessário informá-los da opinião da majestade, tu próprio o disseste, Shin-chan. — Kuroko fitou Kazunari, para perceber como ele sabia muito mais que os outros. No seu rosto estavam camadas de compreensão e mágoa então deduzia que o esverdeado o tivesse falado do que aconteceu. Ele pareceu bem desinformado quando irrompeu pela sala.
– Eu vi a imagem dele no campo de batalho, outra vez...preferia esquecer de vez. — as orbes azuis chocaram com as esmeraldas.
– É impossível, todos vimos o nosso amigo morto. — o contacto manteve-se.
– Eu sei que sim, eu estava lá. Mas não precisas de o dizer de tal forma, lembro-me bem de como era. A culpa não foi nossa.
– Ah, claro que foi. A culpa é de todos que o poderiam ter defendido e não defenderam. Isso inclui-nos a nós.
– Não estávamos perto, éramos crianças. — os punhos envolta dos talheres de Kuroko cerraram mas o seu corpo demonstrava zero emoções.
– Ele também era uma criança, tinha nove anos. Qual era a diferença? Fomos lá todos para morrer, mais valia ter sido um de nós. Qual é a nossa contribuição para o mundo, de qualquer forma? Estamos a destruir-nos uns aos outros. Ele estaria encontrando soluções para os problemas. — levantou as mãos para tocar no pendente que trazia o pescoço, de uma estrela de seis pontas. O seu item da sorte do dia.
– Não penso que seja burro mas não vejo como é nossa culpa tal como não vejo a solução para toda a catástrofe entre os reinos.
– Oh, se visses então juro que te contratava como conselheiro real. — o tom tão sarcástico e ríspido era raro na voz de Midorima. — Não o protegemos nem morremos então, como sobreviventes, devíamos estar a cuidar de tudo o que ele protegeu e não a esmagá-lo.
– E tu realmente achas que algum daqueles quatro vai baixar as armas? — no espaço entre cada palavra, havia um silêncio sepulcral instalado no quarto. Apenas o ocasional vento contra o metal do candelabro.
– Se o problema fosse apenas eles, Kuroko, então talvez tudo isto estivesse resolvido à mais tempo. O problema são os inapercebidos e... — este aproximou-se, inclinando-se na mesa, levantado. — ...iniciar lutas com essas pessoas não ajuda a encontrar a paz.
A mão de Tetsuya pareceu serrar-se numa faca e Kagami, quando se apercebeu do insinuado, tentou pegar numa adaga para atacar o esverdeado. Takao encostou uma faca à sua garganta num piscar de olhos e Midorima agarrou a mão ameaçadora de Kuroko.
– O que achas? Que agora deves ir à vez, enfrentar-nos a todos, como fizeste a Kise? Estás no reino onde trabalho, não terias hipóteses de escapar vivo. Não penses que essa é a grande solução. -ele encostou mais o rosto ao do azulado. — Não penses que somos todos inimigos. — afastou-se para falar ao grupo inteiro. — Nós pudemos ajudar a mudar o mundo para o vêm como melhor, caso concordarmos. Mas primeiro, precisamos de saber com quem estamos a lidar. O que são vocês, uma unidade? Tornem-se nalgo e depois, se realmente achares necessário, Kuroko, inicia uma luta.
Retirou a arma da mão do pequeno e espetou-a na madeira da mesa, no centro entre os dois. Depois, segurou na mão de Kazunari e arrastou-o para fora da sala.
– Shin-chan, não achas que foste um pouco extremo ali? Eu acho que ele estava apenas a tentar desabafar um pouco, como tu— — antes que completasse a frase, no meio do corredor, encostou-o à parede, com o rosto a um beijo de distância.
– Eles estão completamente perdidos e parecem dispersados uns dos outros. Se não se organizarem de uma vez, vão acabar mortos mais depressa do que gostava. — uma das mãos que pressionava nos ombros do moreno desceu pela sua cintura até assentar entre a mesma e as ancas. — Não gosto de ser o abre-olhos, mas não me deixou alternativa. — tocou com a ponta do nariz no pescoço dele. — Eles não têm mais ninguém....
Largou-o e prosseguiu a caminhar no corredor. — Eu tive te a ti.
–X-
– Kuroko, tu estás bem? — a voz de Hyuuga, que se ergueu quando Midorima saiu, despertou o azulado do transe em que ele ficou.
– Estou com uma vontade de espancar aquele—
– Kagami-kun, para, por favor. Ele, na verdade, tem razão. — foi a voz de Riko que os trouxe à realidade. Encararam-na de atenções fixas. — Neste momento, por mais que sejamos todos amigos e, em princípio, tenhamos o mesmo objetivo, estamos descoordenados. Não estamos a comunicar entre nós o seguinte nem como abordar com os outros. Eu sei que muitos de nós se conhecesse à pouco e que outros se conhecesse à muito mas não se relaciona bem. — um olhar reprovador foi lançado a Kagami e Hyuuga. — Mas temos de nos tornar um só. Partilhar ideias, e estes segredos que parecem criar tantas barreiras.
Kuroko olhou para baixo e mordeu o lábio. Mas antes que abrisse a boca, a mão de Mitobe nas suas costas, fê-lo virar-se. Este encostou o dedo à ponta do lábio esquerdo e desenhou um círculo até à ponta do lado direito. Depois fez um sinal de aprovação com a mesma mão. Estava a dizer-lhe que devia sorrir mais, que não havia problemas em sorrir.
Ali ele estava seguro.
– Kuroko-kun, eu sei que o teu passado é pesado por teres nascido na Teikou. Mas por favor, tenta-se abrir para nós.
– ...eu realmente peço desculpa por estar a causar tantos problemas. — o azulado curvou-se muito o que deixou todos a pedirem-lhe para largar a tradição. — Eu juro que vou tentar parar de esconder tudo. Sei que posso contar com vocês. — aquelas específicas palavras deixaram sorrisos nos rostos dos outros.
– Mas então, o que somos, como o Midorima disse? — a voz grossa de Kagami, que ainda mantinha o mesmo rosto, apenas um pouco mais suavizado, comentou.
– O que somos? Nós somos uma unidade, um grupo de guerreiros. — Koganei levantou os braços, em ânimo.
– Nós somos sobreviventes. Nós somos a Seirin. — a princesa aproximou-se e pegou na mão de Tetsuya. — Bem-vindo ao nosso reino.
Fale com o autor