Notas iniciais
Geeeeente, acabei demorando de novo. E eu escrevi o planeamento deste capítulo acho que antes de Janeiro até então vejam o meu nivel de preguiça. Próximo video viral do youtube vai ser: "Autora ruim leva com pedras." Enfim xDDDD Novo cap, espero que gosteeem

– Kuroko, baixa-te! — o grito do seu parceiro ruivo fez despertar o seu reflexo interior e desviou-se da flecha que quase lhe acertou na nuca. Depois lançou-se e rebolou pelo chão antes de proteger-se de uma faca a si lançada.

– Kagami-kun, esquerda! — o maior ergueu a bainha metálica da sua espada para defender o primeiro embate com a arma de Takao antes de o empurrar e correr, para contra-ataque num golpe alto. Mas antes de acertá-lo, uma seta fez com que recuasse um passo, o suficiente para que o moreno chocasse contra si e levantasse a espada para acertar um golpe no braço de Taiga.

– Nem penses nisso, Takao-kun. — a colisão de armas do azulado e de Kazunari fez com que ambos se impulsionassem minimamente para trás e antes que Tetsuya fosse atingido por outro flecha, o ruivo apressou-se em agarrar no corpo do moreno e empurrá-lo para a trajetória da arma.

– Takao! — Midorima largou o arco e apressou-se para perto do menor, que gemia levemente, arrancado a seta da leve proteção nas suas costas. — Estás bem?

– Sim. Foi só um arranhão. — a careta no rosto de Kazunari exprimia o quão descontente ele estava com a situação de ter perdido o confronto. — Essa foi inteligente, Kagami.

– Aquela teria o matado completamente se fosse numa batalha real, Midorima. — o ruivo ofegava um pouco, limpando o suor que lhe escorria na testa. Continha um sorriso ao comprovar a vitória.

– Eu sei, idiota. — o esverdeado ajudou Takao a se levantar e concertou os óculos em seus olhos. — Deve ter sido um erro de cálculo na relação distância-tempo. Talvez devesse ter colocado um pouco mais de força.

– Não faz mal, eu tinha a certeza que não sobreviveria muito mais tempo se não tivesse a proteção de Kuroko, também. Não é verdade, Kuroko? — o ruivo sorriu para trás, procurando a resposta do menor mas não o encontrou. — Kuroko?

– Estou...um pouco cansado...Kagami-kun. — o azulado estava deitado no chão, com as armas espalhadas em sua volta.

– Não durmas no pátio de combate, idiota!

Haviam se passado duas semanas desde que ocorreu o que denominaram como "Renascimento da Seirin", embora se assemelhassem mais a um grupo de rebeldes que queria revolucionar a maior ditadura atual, o que para além de ser loucura, era incrédulo. Ainda se admiravam como o rei de Shuutoku concordou em deixá-los permanecer no seu castelo para treinar, com condições demasiado aceitáveis. Talvez fosse pois ter alguém que existiu no passado de Midorima fosse uma mais-valia. Ou apenas valorizavam a força de combater deles.

– Eles estão a melhorar muito rápido. — Riko constatou, observando atentamente como Kagami e Takao discutiam sobre a vitória do duelo. — Os seus reflexos e velocidade estão cada vez maiores, é impressionante.

– De quem? Do Kagami e do Kuroko? — Izuki, que a seu lado observou a luta, inclinou-se para a frente, como se conseguisse analisar o que a menina afirmava.

– Sim. De todos na verdade, todos mesmo. A cada treino que passa, os vossos corpos ficam cada vez mais preparados para qualquer guerra que possa vir. — isso me deixa realmente feliz, era o que a morena intencionava adicionar mas decidiu guardar para si. Não queria estragar as suas ilusões, de que sangue não voltaria a ser derramado como já fora.

– Ei! Vocês todos! — a voz de Miyaji, o segundo generalíssimo das tropas do reino, aproximou-se, captando a atenção dos garotos que brigavam no pátio. — Sua Majestade ordena a presença de todos na sala real, especialmente aos membros da Seirin. Ele deseja novas informações que se possam recordar. — uma das únicas razões para a estadia de todos era que já haviam vivido no império da Rakuzan. Já haviam sobrevivido pelo domínio de Akashi e teriam, pelo menos, alguma ideia do funcionamento geral. O rei não os obrigou a falar de tudo instantaneamente pois sabia que lentamente, novas memórias iam reaparecendo e era mais fácil acumular informações lentamente. Não havia muito tempo a gastar, porém, os cuidados necessitavam ser máximos quando se lida com o Imperador.

– Para que conste, foi um empate. — Takao largou a afirmação e correu para perto dos outros que se dirigiam até onde foram convocados. Kagami conteve um grunhido de raiva e segui-o, junto a Midorima e Kuroko.

– Se me permitem perguntar, que dia é hoje? — a voz suave do azulado chamou a atenção de Miyaji, que virou levemente o rosto para responder.

– 17 de Dezembro, se me recordo. — a pronúncia daquela data fez com que o movimento de Tetsuya parasse por completo, e os seus olhos se contorcessem com agonia. Poucos segundos depois, repararam como ele parecia transportado para outro mundo.

– Kuroko? Passa-se algo? — a voz de Hyuuga pareceu dar-lhe alguma vida e este ergueu o rosto, acenando com a cabeça de não mas sem fazer qualquer intenção de se mover.

– Chegou aquele período outra vez, não é verdade, Kuroko? Supera de vez. — a rigidez com que o esverdeado falava fez com que Tetsuya engolisse em seco. Takao tinha a certeza que sentiu a mágoa nas palavras do parceiro.

– Qual período? — o ruivo, que pareceu confuso, questionou Midorima.

– Posso apenas dizer...que Nijimura morreu nesta data. Parece que não é só a mim que assombra. — um silêncio instalou-se entre todos que apenas caminharam, trocando um olhar com o azulado, ainda espetado no mesmo local. Todos entendiam o que era o luto, a dor de perda, mesmo após anos e anos. Não era algo agradável de se falar. Kagami, no entanto, nunca foi alguém de se importar especialmente com ética e a forma como encarava Kuroko transmitia confiança, determinação. Não pena. Nunca pena.

– Vens? — esticou a mão a Tetsuya.

– Estou a ir.

–X-

– Estou a ir.

– Mas, Sei-chan! É muito perigoso ir sozinho pela floresta a dentro nesta altura do ano! Estamos a chegar perto da época festiva, grande parte das patrulhas estão a retornar. — o ruivo apenas limitou-se a andar até ao recinto onde se encontravam os cavalos, ignorando os generais que o seguiam. — Por favor, ouve-me, Sei-chan! É melhor pedirmos a umas das tropas de segurança viajarem consigo, fica muito mais seguro.

– Não. Isto é algo que tenho de fazer sozinho. Esta ordem é absoluta. — Akashi foi até à cela onde se encontrava o seu cavalo branco e pousou a mochila que carregava, pedindo aos guardados que o preparassem. Passou a mão no corpo do animal, numa carícia. — Para além do mais, o Yukimaru vai me proteger.

– Majestade! — Reo mudou a forma de como chamava o imperador ao ver os guardas se aproximarem, para realizarem o trabalho que lhes foi concedido. — Sabe que ele não o irá conseguir proteger tão bem quanto se fosse com outras pessoas.

– Estás a duvidar da minha força para cuidar de mim mesmo, então? — Seijuuro olhou-o de soslaio ao que o outro suspirou. Mas antes de responder, Nebuya, que se aproximava junto de Koutaro, comentou.

– Tem a certeza que vai ficar bem, Majestade?

– Sim, é apenas por uns dias. Eu consigo aguentar o que quer que me for lançado. — o menor sorriu quietamente, enquanto puxava o cavalo agora preparado para junto dos portões de saída, do lado este, na parte de trás do castelo. — Eikichi, vais ficar encarregado de comandar a defesa. Não quero mais ratos a fugirem da cidade. — o seu olhar endureceu. — Koutaro, tu ficas a comando do exército, caso alguém ataque, e Reo das ligações que os outros reinos possam querer vir fazer. Não lhes pudemos mostrar que eu estou ausente. — o som uníssono permitiu que Seijuuro lhes entregasse um olhar satisfeito e um sorriso. — Conto convosco.

– O Sei-chan cresceu tão depressa~. — Reo libertou um suspiro, sussurrando aquilo, fazendo o ruivo revirar os olhos e murmurar um "Por favor", antes de se preparar para subir no cavalo. — Sei-chan, espera um pouco.

– Hm? — o olhar confuso de Akashi foi substituído por um surpreso quando o maior o abraçou forte. Algum dos empregados que observaram o ato, pareceram ficar assustados com a reação que o imperador pudesse ter mas este apenas colocou os braços envolta do outro, um pouco sem jeito. Fazia tempo desde que Mibuchi fazia algo assim. Não desde que ele ainda era criança e estes cuidavam dele.

– Por favor, não morras. — o seu corpo foi apertado com um pouco de força mas o ruivo sorriu.

– Eu prometo que não vou morrer. — com essas palavras, Reo afastou o pequeno, com um sorriso no rosto. Koutaro correu para abraçá-lo também mas Akashi apenas desviou-se.

– Que maldade, Akashi-sama! — o loiro protestou.

– Boa viagem, Akashi-sama. — Nebuya manteve o seu olhar sério e recebeu um aceno de confirmação do ruivo antes que este montasse Yukimaru e partisse.

– Ah~ fica mais difícil vê-lo partir, não é? Com o passar do tempo, nunca se sabe o que vai acontecer, não é, Reo-nee? — Reo engoliu em seco ao ouvir o comentário de Hayama e Nebuya respondeu com um estalido de língua.

– Não somos os pais dele. — bufou.

– Mesmo assim fomos os únicos que o acolhemos e vimos crescer. — Reo encarou o moreno que apenas virou as costas, para se dirigir de volta ao castelo.

– Ele vai sempre voltar, não vejo qual é a preocupação.

"Até que um dia...ele não volta mais."

–X-

– Ne, Kuroko-kun! Vem cá ver só a técnica que aprendi no outro dia. — a voz entusiasmada do menino, que tinha um típico comportamento fechado e solitário, surpreendeu o azulado, que correu até ele. — É um contra-ataque para abordagens diretas então é ótimo para combates! Funciona assim. — o pequeno ergueu a arma que tinha em mãos demonstrando a situação. — Se a pessoa se proteger de um golpe de cima, rodamos o corpo e cortamos pelo estômago, estás a ver?

– Mas, Akashi-kun. — o ruivo, que continuava a fazer os movimentos do ataque, parou. — E se a outra pessoa tiver mais força que tu? Ela pode te empurrar.

– ...Vamos pensar que à partida a outra pessoa não tem mais força que eu.

– Ah, então é muito boa. — Kuroko sorriu.

– Vocês não podem pensar apenas se o inimigo for mais fraco, ele vai ser mais forte a maior parte do tempo, idiotas.

– Nijimura-senpai. — os dois ficaram mais tensos por ver um superior a ouvi-los mas este dispensou a rigidez deles com um movimento de mão.

– Não fujas das situações, Akashi. — o moreno deu um peteleco na testa do ruivo, que fez uma careta de protesto. — E tu não concordes com ele, Kuroko. — fez o mesmo a Tetsuya.

– Desculpe, Nijimura-senpai. — os dois disseram quase ao mesmo tempo, o que fez com que o maior libertasse um sorriso.

– Deixem-se disso. Akashi. — ele pegou na espada nas mãos do ruivo, pondo-se numa estância de combate. — Caso te empurrassem, terias de recuperar o equilibro instantaneamente para te esquivares do ataque por baixo e depois ferires um golpe de baixo para cima, entendes? — qualquer palavra pronunciada por Nijimura sempre os fazia calar-se e concentrar-se. Era talvez o único que realmente sempre captava a atenção de todos. — Vem aqui, tenta. — ele esticou a arma para o ruivo.

– Sim! — Kuroko reparou no sorriso no rosto do outro. Era impressionante como apenas Nijimura tinha a capacidade de fazer os olhos de Seijuuro brilharem daquela forma.

Ele gostava de mais uma vez puder ver aquele brilho.

–X-

– Gostava de saber como o Akashi-kun está.

Após a discussão breve com o Rei, que não os pressionou em falar o que sabiam sobre as forças armadas do Imperador, dirigiram-se para uma sala onde tomavam agora uma refeição em conjunto com alguns dos generais do reino. No meio das pausas para comer, a conversa entre todos era contagiante e animadora. No entanto, aquele comentário fez um silêncio se instalar no local.

– Estás a brincar, não estás, Kuroko? Depois de todas as atrocidades que ele te fez. — Hyuuga contorceu o rosto, enojado com as memórias das vezes em que curou os ferimentos profundos do menor.

– O Hyuuga tem razão. — a voz de Kagami saiu mais num murmúrio, fechando o rosto por concordar com o moreno. — Eu vi o que os guardas te fizeram naquele dia e vi bem como eles te olhavam. Eles não implicariam contigo caso fosses iguais aos outros, é o Akashi que os estava a comandar! Como ainda te podes importar com aquele filho da puta?

O azulado ficou quieto por uns segundos antes de suspirar. Recusava-se a encarar os outros pois sabia que eles tinham razão, que não havia porque ainda ter consideração pelo ex-companheiro. Ele sempre teve muita dificuldade em largar, e muita facilidade em perdoar. Mesmo com crimes tão horríveis como os dele.

Era exatamente por isso que o queria parar. Pôr um fim à devastação dele. Fazer com que ele parasse de se afundar.

– Lembraste-te de alguma coisa? — os olhos de Tetsuya arregalaram-se um pouco com a voz de Midorima, que concentrava-se apenas em digerir a comida. O azulado suspirou de novo, encarando o prato em que mal tocou. Shintarou pareceu entender a sua linguagem. — Ele realmente ficou diferente, depois da morte de Nijimura. Ele amava-o. — o rosto do esverdeado pareceu fechar-se ainda mais com as palavras.

– É.

"E tu amava-lo, não era, Midorima-kun?"

A tensão instalada permaneceu no ar durante uns segundos e ninguém sabia como quebra-la. Era um assunto em que não se podiam meter. Eles não souberam o que aconteceu. E sinceramente, o que quer que tinha acontecido parecia ser demasiado difícil de aceitar para os dois.

Foram passos apressados e a porta a ser aberta abruptamente que os alarmou.

– Atenção! Miyaji-sama, Midorima-sama, Takao-sama, é uma emergência! — o pobre soldado ofegava bastante, a sua voz desesperada. Imediatamente, levantaram-se.

– O que se passou? — Miyaji já pegava nas suas armas.

– Por favor, apressem-se. — ele respirou fundo e engoliu em seco. — Estamos a ser atacados pelo exército do reino Touou.

Notas finais
Gente, posso falar que adorei escrever este capítulo? Eu adoro escrever flashbacks e adoro escrever interação do Akashi com o Reo, o Nebuya e o Hayama, sério, amo kkkkk acho divertido demais. Embora o cap tenha ficado meio parado~~ Espero que tenham gostado! E obrigada a Tsuki Hikari, AkaUke, boku-tachi, ohhoney, Tia Julia, Lira Stark e Arqueira Yuuki por terem comentado no último capítulo~~ o vosso apoio é mais que apreciado