Under The Hell's Gaze
8 How Did I Get Here Again?
Notas iniciais
A euforia que sentiram durante a batalha começou a abrandar e as descargas de adrenalina constantes diminuíram, sendo substituídas pela exaustão e dor dos ferimentos, que quase se tinham esquecido que haviam sido infligidos.
Kuroko, que tinha a respiração cada vez mais abrandada, quase colapsou de costas do no chão, se não fosse pelos braços atentos e preparados de Kagami, que o segurou e impediu que se machucasse na queda. Logo os olhares dos outros se dirigiram para ele, alarmados e preocupados, mas, apoiando-se no ruivo, que envolveu no seu pescoço o braço de Kuroko e encolheu-se um pouco para facilitar o conforto do azulado; olhou todos e sorriu-lhe um pouco tentando relaxá-los.
– Kuroko, estás bem? Precisamos de voltar rapidamente, antes que esse corte infete e se torne um problema real... — a voz do homem que os comandou como um líder a batalha toda, Hyuuga Junpei, ressoou por entre o silêncio pesado.
– Eu estou bem, isso agora não importa...mais importante ainda.. — antes que protestassem, ofereceu-lhes um raro sorri honesto mas um tanto triste e desesperado. — Nós ganhamos, nós... realmente ganhamos isto...
– Tch, estavas à espera de outra coisa, chibi?! — Taiga sorriu-lhe abertamente e despenteou-lhe os cabelos, e a visão fez o seu coração acelerar reconfortantemente. Era confortável o calor dentro dele. Olhou e viu que todos o olhavam com gentilmente, sorrindo de volta. — Menos um...nós vamos derrotar todos que se meterem no nosso caminho de derrotar o Akashi...connosco aqui não te precisas de te preocupar...
– Obrigado Kagami-kun...todos vocês.. — sorriu de novo e levou uma mão ao estômago, como se algo lhe estivesse apertando o local. — Depois de eles perderem...o rosto do Kise-kun...por momentos, eu vi quem ele era antigamente...e isso me deixou tão feliz...talvez o antigo Kise-kun volte...todos eles...
Olharam para o menor um pouco confuso porém lembraram-se de tudo que o pequeno lhes havia contado sobre o passado e de como eles mudaram com o tempo. Foi então que, o antes feliz e inocente ruivo, se virou sério e determinado, com aquelas chamas inapagáveis nos olhos, e afirmou com toda a sua alma.
– Vamos derrotá-los...
– Eh? — Kuroko ficou apenas ingenuamente confuso.
– Vamos definitivamente derrotar todos da Geração dos Milagres...e trazê-los de volta ao que eram antes..e com a ajuda deles derrotamos o Akashi, fica tudo bem! E tu ficas feliz... — o pequeno ficou surpreendido mas depois riu-se um pouco e sorriu, deixando Kagami constrangido mas feliz.
– Sim...definitivamente vamos fazer isso... — por mais doloroso que fosse, em vez de concordância parecia que se queria convencer a si mesmo quando falava aquilo. E sabia bem o porquê disso.
– OE! Pombinhos! Podem parar de paquerar aqui, existem assuntos mais importantes a ser tratados! — os dois coraram muito e deixaram de se encarar enquanto conversavam pelo comentário de Hyuuga. — Todos estão em bom estado? Sem dificuldades de andar? A respirar bem?
Recebeu uma resposta positiva de todos e sentiu-se aliviado por tal.
– Que isto seja a maior e mais digna prova! — ergueu a voz e o punho para o ar, falando com um verdadeiro capitão. — Podemos ser poucos, mas somos uma forte armada! E com a nossa força junta iremos vingar por tudo o que aquele imperador nos fez e derrotá-lo! E agora, podemos contar também com a força da Kaijou!
Todos sorriram pelas palavras motivadoras, sentindo uma esperança surgir e uma coragem firme manter-se acesa.
– A princesa já fugiu para dentro da floresta há um bocado de tempo...é melhor irmos procurá-la antes que seja tarde demais... — Izuki, que se aproximou e pôs uma sugestiva mão nas costas de Hyuuga ao mencionar a Riko, propôs aquilo que fez o moreno tossir em falso mas concordar.
– S-Sim, c-claro....bem, vamos então!
– OH!
–X-
O galopar dos cavalos espalhava-se por entre a longa floresta e a corrida incessante movia rapidamente os corpos dos guerreiros da Kaijou. A viagem de volta ao reino ainda era longa e teriam de a fazer o mais depressa possível, para evitar ataques imprevistos e inseguros, ao soberano.
– Kise. — a voz do capitão dirigiu-se ao loiro, que cavalgava de seu lado, que pareceu despertar de um transe quando ouviu alguém mencionar seu nome. Este pareceu corar quando encontrou os olhos azuis ofuscantes, e mesmo em movimento, sentia-se estático e envergonhado pelo contacto visual. Lembrar-se do que fizeram na noite anterior no meio dos arbustos deixava-o muito embaraçado. — O que achas deles? Do Kuroko e do Kagami, quero dizer...
– Eu não sei...- suspirou e direcionou o rosto para a frente, concentrando-se em ir depressa. Odiava saber que os pensamentos que tinha em mente eram os que lhe pareciam ser mais verosímeis, mas era inevitável para ele raciocinar assim. — Mas de uma coisa eu sei. Se aquele tipo de amizade entre eles continuar...- lembrou-se dele, era impossível não se lembrar, eram idênticos demais. — Então eles vão acabar por se separar... — viu os olhos do outro se arregalarem e este pareceu confuso. Não o censurava por isso. — A maior diferença entre eu e os outros quatro não são nossas habilidades físicas. Todos têm uma capacidade especial que nem eu posso imitar. Percebi durante a batalha de hoje que o Kagami ainda está a aprender, ele, tal como os Guerreiros dos Milagres, tem uma habilidade única. Mas por enquanto ainda é só um amador que gosta da adrenalina da batalha. É imprudente. Porém, um dia, ele chegará ao nosso nível e afastar-se-á dos companheiros. Quando isso acontecer, realmente acreditas que o Kagami não vai ser uma pessoa diferente?...a história vai toda voltar-se a repetir...
– O que queres dizer com isso? Kise, estás a esconder-me alguma coisa, não estás? Podes confiar em mim, já te di--
– Não é nada, não é nada, Kasamatsu-senpai~~ — quando viu que o outro tentaria de novo tocar no assunto, olhou-o sério e suplicou com os olhos, algo que o calou. — Eu não quero falar do passado....não agora....por favor.... — conseguiu ainda ouvir um breve suspiro até receber um sorriso gentil do outro.
– Não há problema, não se desculpe, idiota...Vamos nos apressar! Não queremos chegar atrasados! — recebeu consentimento de todos e de uma pancada leve na barriga do cavalo para que este acelerasse. A sua mente já estava cheia demais do loiro. Mas não se importava porque amava-o.
– Kasamatsu-senpai?
– Hm?
– Eu amo-o, sabe?
– CALUDA! — deu-lhe um pontapé mesmo em movimento que fez o loiro cair do seu próprio cavalo, de cara no chão.
– QUE CRUEL!!
–X-
– SEI-CHAN! VOLTA JÁ PARA A CAMA!
O ruivo, que tentava lentamente escapar-se da prisão onde havia sido colocado desde que recebera o golpe perigoso no estômago, suspirou e olhou para o seu braço direito no comando do exército, que diferente de em público, o olhava como se fosse sua mãe.
– É assim que se fala para o teu imperador? Eu espero que imponhas mais respeito nas palavras, Reo. — mandou-lhe um olhar frio que fez o moreno engolir em seco, mas não se descompôs.
– Mas Sei-chan, tu precisas de te recuperar. Aquele bastardo do Kise Ryouta provocou uma ferida mais profunda do que parece, não podemos permitir danos no teu corpo lin-- no teu corpo, majestade. — Akashi pareceu tremer levemente de incómodo quando o nome do antigo companheiro fora mencionado com tanto desgosto e suspirou de novo, levando a mão para tocar nos seus abdominais cobertos pelo gesso que tapava a ferida. Por mais que soubesse a condição em que estava com todos eles, não gostava muito de lutar com eles. Bem, era o seu destino.
Por mais que o general continuasse a implicar, levantou-se e avançou até à pequena mesa colocado de lado da janela do seu quarto, onde tinha uma vista geral do reino. Sentou-se, encarando o tabuleiro de shogi com um jogo a decorrer, imaculado.
– Tenho medo que o Tetsuya vá acabar encontrando alguém que eu preferia que nunca mais visse....ele não.... — tocou a peça de general e levantou-a, apreciando os contornos da tinta com o polegar para depois avançá-la no jogo. Um sorriso insano formou-se no seu rosto. — Divertido...isto é tão divertido...
– Sei-chan.... — os olhos de Mibuchi estreitaram-se levemente de tristeza e apreensão. Nunca sabia o que se passava na cabeça do mais novo e isso preocupava-o muito. Ainda mais, quando por trás de toda aquela autoridade, momentaneamente, observava solidão exposta no olhar dele. Pensava que podia estar a alucinar. Mas naquele exato momento, de novo, viu ainda uma mais intensa mágoa nos seus olhos.
– É a tua vez de agires, Tetsuya...eu já dei o meu próximo passo....
–X-
– Aida-san, eu não quero se mal educado, mas por quanto mais tempo teremos de continuar a correr? — a voz do azulado fez-se cansada por entre eles, e direcionou a cabeça para a garota sorridente.
– Penso que não por muito mais tempo. Porquê? Já estás cansado, Kuroko-kun? — a morena ficou um pouco preocupada.
– Um pouco.
– COMO ASSIM UM POUCO?! SOU EU QUE ESTOU A CARREGAR CONTIGO, BASTARDO! — a cara de Kagami estava inflamada, enquanto corria incansavelmente, enquanto levava o menor às cavalitas, nas costas. Olhou irritado para cima, para ele, que pareceu indiferente com o comentário. — A ti não te cansa porque também não estás a correr, princesa!
– Não fales tão acusadoramente para ela, Kagami-kun. — Kuroko deu-lhe uma tapa na cabeça, com um olhar de desaprovação, que também foi enviado ao ruivo por Hyuuga.
– Confiem em mim, eu sei o caminho~~ é só avançarmos mais um pouco, e estamos de volta a casa.
– Mas Riko, tu disseste isso à horas...! — mesmo Hyuuga, que parecia sempre forte e austero, estava cedendo ao cansaço que vinha por, não só estar correndo à tempos, como por carregar também a princesa. Por mais que ela não fosse pesada, chegava ao extremo.
– Desculpe Hyuuga-kun...não queria te estar a forçar a levares comigo...
– Não...não faz mal...por ti eu não me importo...-sorriu meio carinhosamente, com as bochechas levemente coradas, e a garota pareceu ainda mais envergonhada.
Kuroko, que encarava a cena, olhou para Kagami, que olhou para si.
– Eu importo-me! — os dois encararam-se mas depois riram um pouco e distraíram-se da tensão anterior. Só não sabiam que os dois corações batiam aceleradamente por mais do que cansaço.
As pernas começavam a ficar bambas de correr em terreno irregular à tanto tempo e a respiração ficava ainda mais pesada. Mesmo o sol, que quando começaram a "dirigir-se a casa" estava bastante no alto, a iluminar-lhes o caminho, agora encaminhava-se para se esconder do outro lado do mundo.
– Riko...tu tens a certeza...
– Eu tenho total certeza--olhem! Já dá para ver um estabelecimento ali ao longe! Até dá para ver uma pessoa, se calhar é um conhecido meu! Oiii! Por favor pare aí! — o facto de finalmente verem se perto de descansar, motivou-os a todos a avançarem mais rápido. Mas quando chegaram, viram-se de encontro com algo que não esperavam.
–X-
– Eu realmente não entendo porque é que tu gostas tanto de ficar no escuro, sozinho, a cuidar das tuas unhas...isso é muito estranho, sabes... — falou numa voz sarcástica, um moreno que abriu uma porta que levava a um quarto escurecido e encarou um homem de cabelos de uma cor peculiar, que se concentrava em deixar as unhas o mais perfeitas possíveis.
– Tu é que és demasiado para o entender, idiota. Eu esforço-me ao máximo para que todas as probabilidades de falhar reduzam-se a nulas. Por isso é que vejo o horoscopo diariamente, pelas constelações, confirmo se tenho uma sorte positiva ou negativa, e ando sempre com um dos doze objetos sagrados da sorte. Quando tudo é efetuado, só preciso de confiar em deus para me recompensar. E é por isso que nunca falho. — ajeitou de leve os óculos de caiam antes de redirigir o olhar às mãos.
– Eu não te entendo...seja como for, é a minha vez de fazer patrulha nas muralhas. Vejo-te depois, Shin-chan. — sorriu antes de abandonar o lugar. — Ou devia-te chamar, senhor milagre? — pensou antes de correr para não chegar atrasado ao seu turno.
–X-
– Eh? Isto não é a minha casa.
Em vez de encontrarem a casa acolhedora, observaram grandes muralhas se formarem à frente deles, e um forte portão, guardado, estendia-se, imponente. Nem sabiam como tinha confundido aquilo com o local que habitariam. Alucinações por cansaço talvez.
– Este lugar... — Kuroko, que finalmente foi pousado no chão por Kagami, arregalou os olhos ao reconhecer o símbolo, pertencente ao reino. — Porque estamos aqui...? — O antigo e poderoso. Shuutoku.
("De todos..para minha infelicidade...quem devem encontrar vai ser ele...Shintarou..")
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