Undead World.
9 Capítulo 9 - Dead or alive, we went back.
Notas iniciais
Estavam cercados, presos em um pequeno carro em um rio de mortos, que se forçavam para dentro do carro, em todas as janelas só se via mãos e rostos incrivelmente deformados. Quinn acreditou que aquele era o fim. Queria ao menos ter trazido um dos walkie-talkies e comunicar o grupo na fazenda, dizer que gostava especificamente de cada um deles e dizer a Rachel que a amava, que amava Beth e contaria com ela para ser uma ótima mãe para a garotinha (Não que já não fosse), que ela não merecia ser filha de alguém como Quinn.
– Tive uma ideia. – Charlie murmurou, uma chama de esperança se acendeu. –
– Diga. – Marley murmurou, seu olhar fixo com o de um walker que encarava-a com raiva, tentando arrombar o vidro de sua janela, porém ela continuava imóvel, nenhum pingo de medo ou pavor em seu rosto. –
Marley se divertia com os zumbis. Talvez isso entregasse que de fato ela se jogou de braços abertos a loucura, mas ela realmente não tinha mais medo, encarava isso tudo como um jogo, com um humor perverso relacionado aos mortos vivos. Achava engraçado a maneira como eles eram lerdos e desesperados, e gostava de matá-los para desestressar e relaxar. Não eram mais humanos mesmo.
– A garrafa ... Vocês já tomaram tudo? – Indagou para Quinn e Puck, virando-se para o banco traseiro com uma certa pressa. Mesmo matando vários, ainda se sentia desconfortável na presença de walkers. –
– Sobrou um pouco, o Puck tá tomando pra tentar relaxar. E é uma boa despedida ao mundo morrer assim, já acabou pra nós mesmo. – Quinn murmurou, apontando para o rapaz de moicano que tomava o whisky sem parar nem ao menos para respirar. –
Charlie tomou a garrafa de suas mãos sem cerimonia, o garoto se afogou um pouco, tossindo demoradamente enquanto observava sua camiseta favorita do Warrant encharcada pelo líquido meio dourado.
– Mas que porra ... ? – Ele murmurou, limpando os filetes da bebida que escapavam de sua boca com as costas das mãos. –
– Quinn, deve ter alguns galões de gasolina aí jogados pelo chão, me passe junto com o seu isqueiro, por favor. – A gêmea mais nova arregalou os olhos, assustada. Charlie não estaria pensando em fazer sua despedia desse mundo levando junto os zumbis, estava? Seria uma ação nobre, mas ... Não. –
Um tanto receosa ela entregou um galão que encontrou jogado no chão e seu isqueiro, apenas observando silenciosamente qualquer movimento brusco de Charlie. A garota loira retirou a tampa do galão vermelho e derramou o líquido para dentro da garrafa de whisky. Em um movimento rápido, rasgou a manga de sua camisa de flanela azul por cima da camiseta do Darth Vader e enroscou-a por dentro da garrafa.
– Tá-dá, salvando nossas vidas. – Disse com sarcasmo, sacando sua Magnum. – Se vocês não estivessem bêbados de mais para pensar direito, menos você, Mike – Ela piscou para o asiático pelo espelho. — Talvez teriam lembrado que walkers se afastam de qualquer sinal de luz, é muito forte para os olhos deles. – Murmurou ao abrir apenas uma fresta de seu vidro o suficiente para colocar o cano da arma para fora, os walkers mais próximos foram derrubados. –
Ela abriu o vidro e colocou fogo no pano xadrez o mais rápido que pôde antes que mais zumbis se aproximassem, e então jogou o Molotov para cima.
– Dá ré, Marley! – Gritou, uma vez que a quantidade de zumbi atrás deles mal se comparava as centenas em sua frente. –
No mesmo segundo que a morena atropelou alguns walkers (Coisa que fez o carro chacoalhar, como se passasse correndo em um quebra-molas) a bomba caseira caiu, e o fogo se espalhou em segundos. Alguns zumbis pegavam fogo por quase todo o corpo, outros rastejavam o mais rápido que podiam para algum lugar onde se espreitar e pegar sobreviventes desavisados futuramente, fugindo da claridade que incomodava seus olhos.
Com apenas alguns zumbis desavisados em frente o Cadillac, levando em consideração que tudo queimava em volta deles, já que alguns cadáveres definitivamente mortos espalhavam chamas até onde dava, Marley sorriu de lado e estalou o pescoço, os óculos escuros e a echarpe preta lhe davam um ar um tanto rebelde que naquele mundo seria visto como psicopata.
Ela ligou o toca fitas, Shout At The Devil explodiu dentro do carro. E então, pisou duro no acelerador, cantando pneu ao sair do lugar que agora fedia a cadáver queimado, se é que isso é possível. Pelo barulho no pedal, Charlie duvidou se a bota cano-curto e com algumas fivelas de Marley não havia soltado algo do lugar, mas depois veria isso se a viagem de volta não tivesse problemas como paradas repentinas.
...
Ao saírem de Akron, os três nem pareciam se lembrar que estiveram perto da morte, Mike continuava se recuperando do susto e Charlie estava novamente focada de mais em seu mapa para dizer algo.
– Deus, a Kitty não pode nem sonhar que isso aconteceu. – Marley murmurou após tragar o Black Stone de cereja, que agora pendia novamente na porta do carro, uma vez que Quinn insistiu em abaixar a capota. Agora ela e Puck estavam sentados em cima do porta-malas, pisando no estofamento. –
– Minha boca é um túmulo. – Charlie disse, nem ao menos tendo certeza do que fora dito pela morena. –
Seus olhos verdes agora olhavam para o espelho do carro, novamente fitando Mike, que ainda parecia preocupado, olhando para todos os lados como se um walker pudesse lhe atacar quando menos esperar. Os dois eram amigos, do tipo, melhores mesmo. Se se esforçasse um pouco mais, Charlie veria nitidamente a imagem dela e de Mike aos doze anos, correndo após a escola, para chegarem logo em casa e então jogarem a tarde inteira. Bons tempos, aqueles.
– Tá tudo bem? – Indagou para o asiático. Ele deu um pequeno pulo, assustando-se quando Charlie tocou-o gentilmente na perna. –
Quinn e Puck riam, bêbados na escala onde achariam graça de qualquer coisa, se bobear até um simples pássaro seria engraçado. Ninguém sabe como outras garrafas de bebidas surgiram misteriosamente na bolsa de Puck.
– Sim – Respondeu após alguns segundos. – Aquilo só ... Foi tipo, horrível e bem, ninguém parece ligar. – Ele deu de ombros, Charlie riu levemente. –
– Hah, todos ligam. Quase morremos lá. Mas só que ... Temos que aproveitar as boas coisas, certo? Se ainda estamos vivos, não vamos nos apegar a morte. –
Mike refletiu aquelas palavras até voltarem para a fazenda.
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Assim que Sam avistou o Cadillac vermelho na estrada com seu binóculo pela sacada de seu quarto (Anteriormente de seus pais), ele correu para abrir os portões de carvalho. Assim que o carro foi estacionado ao local onde se encontrava antes e todos desceram, o resto do grupo correu para recebe-los. Kitty e Kurt se agarraram em Marley, Santana e Puck bateram um high-five, enquanto Sam apertou Charlie até a garota jurar ter os ossos partidos, Tina se grudou em Mike, e por fim, Beth foi correndo até Quinn de uma maneira desajeitada, como se tivesse aprendido a andar horas antes, o que era verdade.
A punk se ajoelhou no chão e sorriu, os olhos um tanto marejados por trás dos óculos escuros, incentivando a filha a continuar em sua direção. A garotinha corria animada, vez ou outra parecendo perder o equilíbrio e então caía sentada, porém logo se levantava e continuava o caminho, animada, até que por fim caiu nos braços de Quinn, abraçando o abdômen à mostra pela blusa cropped dos Ramones.
Rachel vinha logo atrás da pequena com um sorrisinho tímido no rosto. Quinn prendeu o olhar em suas pernas à mostra pelos shorts jeans antes de fitar seu rosto.
– Eu disse que ia voltar bem. – Murmurou ao levantar-se carregando Beth nos braços. –
A judia riu enquanto sentia as bochechas esquentarem, colocando uma mecha castanha atrás da orelha. As duas ficaram encarando-se pelo que pareceu séculos, até que por algum motivo Beth ameaçou chorar, tirando-as da bolha particular.
Quinn pigarreou enquanto corava, e logo relembrou-os que tinham que pegar as coisas no porta-malas, mesmo sendo obviamente só mais uma desculpa para não ter que passar vergonha na frente de Rachel.
...
Como quase sempre, Santana reclamava em espanhol ao ajudar Sam a tirar os sacos de cimento do carro. De acordo com Quinn e os outros que foram para Akron, eles sofreram muito para pegar aquelas coisas, então era mais do que justo que recebessem uma folga pelo resto do dia, mas a latina duvidava se eles só estavam de frescura mesmo. Mas como estava devendo uma para Quinn pela camiseta nova do Pantera ...
– Esta mierda es pesado como el infierno! Maldita Fabray y sus mentiras estúpidas ... – Era um dos milhares xingamentos espanhóis que usava para amaldiçoar Quinn e toda sua família, que agora, biologicamente, só se referia a Charlie e Beth. -
Ao adentrar a pequena estufa para pegar um martelo, acabou encontrando ninguém menos que Brittany, sua ex-namorada. A garota loira terminava de checar as plantações quando virou-se para Santana, mas ao invés de sentir ... Bem, qualquer coisa que qualquer pessoa sentiria ao reencontrar a ex-namorada em um espaço privado, ela apenas sorriu infantilmente.
– Oi. – Santana fitou-a de cima a baixo, achando que Brittany deveria ter batido a cabeça ou algo assim. –
– ... E aí. – Disse a latina, que assim como Puck era a única do antigo grupo de skanks do McKinley que não precisava de cabelos tingidos ou piercings para parecer má, apenas uma boa jaqueta de couro e uma cara fechada já dava medo em todos. Todos menos Brittany. –
Ficaram encarando-se por alguns segundos, até que a latina andou em passos leves até a loira, passou por ela, pegou a droga do martelo e então voltou a posição inicial.
– ... Vão precisar de ajuda lá? – Brittany indagou, e Santana se sentiu um tanto constrangida, sem saber o que dizer. –
– Seria ... Seria útil. – Droga, por que disse isso? É tão difícil falar “Não, obrigada, eu e Sam podemos dar conta disso”? –
– Hm ... Ok, então vamos? – A loira novamente sorriu infantilmente. Tão fofa. –
– ... Vamos. -
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