Undead World.
5 Capítulo 5 - Highway to Hell.
Notas iniciais
Mesmo fora das rodovias principais, acabaram encontrando um engarrafamento. Os carros, alguns soltando nuvens cinzentas de fumaça e outros completamente destroçados por alguma batida forte, impediam a passagem até de uma moto das menores. O Ford prateado parou ao lado do Cadillac vermelho-cereja e Quinn, Charlie, Puck, Santana e Marley desceram.
– Nada. Nem vivo ou morto. – Puck informou após dar uma pequena vasculhada na área com o binóculo preso em seu pescoço. Quinn assentiu. –
– Tomem cuidado, não queremos acionar o alarme de algum carro que o motorista se preocupou em trancar, né? – Marley indagou, seus óculos escuros Ray Ban como os de Quinn caindo sobre os olhos enquanto tomava goles da latinha de refrigerante em sua mão. –
– Marley tem razão. Cuidado para não fazerem barulho. – Disse Puck, sua camiseta do Pearl Jam com as mangas arregaçadas até os cotovelos. -
Eles logo foram em duplas/trios tirar os carros do caminho. Distraidamente, Charlie começou a cantarolar Satisfaction dos Rolling Stones, e todos acompanharam, cantando uma versão meio acapella, alguns até arriscavam uma dancinha improvisada (Leia-se; Puck e Marley). Quando a música acabou, entreolharam-se com ar de riso, e não demorou muito para começarem a gargalhar. Por mais idiota que tenha sido, ao menos coisas assim ainda mantinham o espírito humano dentro deles.
Acabou que todos desceram dos carros, pois demoravam de mais. O engarrafamento era extenso, começaram pouco depois do meio-dia e quando terminaram já eram quase três horas. Não tiveram problemas relacionados aos mortos, sempre um ou outro perdido aparecia por lá, não que não pudesse ser derrubado segundos depois de ser visto.
Quinn estava cansada e suada por conta do maldito sol quando moveu o último carro com ajuda de Puck. No banco de trás, havia uma cadeirinha e um ursinho de pelúcia. O carro estava em bom estado, então provavelmente saíram correndo com apenas coisas que realmente importavam. Pelo vidro de trás, a punk pegou o ursinho e o analisou; Estava inteiro e ainda tinha uma aparência bonitinha.
– Pra Beth? – Charlie indagou ofegante, limpando as gotas de suor da testa com as costas da mão. –
– É ... Acho que é bom ter uma distração para ela nesse mundo de merda. – Ela riu sem ar e quando coçou a cabeleira rosada, a camiseta dos Ramones conseguida após saquear uma loja de discos subiu um pouco. –
– Cara, olha o que eu achei! – Marley veio correndo com um freezer ‘mágico’ que não precisava de tomada (Era de energia solar, mas Marley não sabe como isso funciona), e de dentro dele tirou garrafas de cervejas extremamente geladas. Ironicamente, encontrou isso dentro de um caminhão, após matar um zumbi caminhoneiro preso no banco pelo cinto de segurança. –
O grupo pegou as garrafas, e após abrirem as tampas, juntaram-nas no centro de um círculo, fazendo um pequeno brinde.
– Pelo Finn! – Marley disse, um sorriso triste em seu rosto. –
– E também por mais um dia de vida! – Puck emendou, querendo concertar a atmosfera tristonha. –
E então permitiram que o líquido amarelo espumante escorresse por suas gargantas. Logo começaram a rir novamente.
– Não pode dirigir bêbado, sabiam? – Charlie indagou para sua gêmea e Noah. –
– Foda-se, as autoridades não existem mais. – Disse o rapaz, dando mais uma golada na garrafa. –
Logo beberam mais um pouco, jogaram conversa fora e por fim decidiram voltar. Marley pegou seu mais novo companheiro inseparável (Leia-se; Freezer mágico) e então voltaram em direção ao grupo.
– Que demora! – Kitty bufou, arqueando uma sobrancelha. –
– Awn, não fica bravinha. – Marley brincou com uma voz infantil, porém logo sentiu seu sangue gelar quando a namorada encarou-a com um olhar mortal. –
– Vamos ter que dormir em um acampamento, pela hora. – Disse Sam olhando em seu relógio, e Mike e Tina assentiram. –
Quinn aproximou-se de Rachel, que estava sentada no capô do Cadillac enquanto observava Beth se distrair com uma borboleta. Era incrível como uma criança via a paz e a pureza mesmo em um mundo devastado como o que estavam, e Rachel sentia pena de sua filha, pois sua inocência não pertencia á aquele mundo horrível.
– Parece cansada. – A diva observou, seu animo voltando aos poucos, ela sabia que teria que superar a morte de Finn cedo ou tarde. –
– Super. – Ela riu um pouco, logo aproximando-se de Beth que estava no colo da judia. A garotinha esqueceu-se completamente da borboleta colorida e focou sua atenção na outra mãe, sorrindo bobamente. O coração de Quinn derreteu. –
– Hey Beth, como vai minha pequenininha? – Ainda era um pouco estranho ver Quinn agir assim, mas o mundo em si se tornou estranho depois de tudo o que aconteceu. Ela passou a mão pelos cabelinhos loiros da pequena, uma cópia exata sua e de Charlie quando tinham sua idade. –
Ela riu ainda mais, e suas mãozinhas tocavam levemente o rosto de Quinn, passando por cima dos piercings no nariz, boca e sobrancelha, os óculos escuros, contornando os traços finos de sua mãe. Quando a punk entregou-a o ursinho de pelúcia azul claro, a garotinha abraçou-o e logo começou a brincar com sua mais nova distração.
Quinn sorriu para Rachel que sorriu de volta receosamente, ainda não tinha certeza sobre a nova Quinn. A ex-loira logo voltou sua atenção para o grupo reunido em volta do Ford, onde Charlie havia aberto um de seus queridos mapas no capô do carro. Ainda não estavam nem um pouco perto de Perry Township, quase nem haviam saído de Lima. Inferno!
...
Quando escureceu, estacionaram os carros um pouco fora da estrada e abriram acampamento sob a única árvore encontrada lá no meio do nada. Não haviam mortos, humanos, ou ao menos animais ali perto, era um completo vazio. Com três barracas, Puck, Sam e Quinn dividiam a vigília; Enquanto um dormia, dois ficavam atentos ao mínimo barulho o possível.
– Gene Simmons ou Duff McKagan? – Puck indagou, enquanto comia as batatas enlatadas quase sem gosto. Era isso ou morrer de fome. –
– ... Gene Simmons. – A garota respondeu, levando colheradas do feijão enlatado para sua boca. –
– Boa. – O rapaz assentiu. –
Ficaram em silêncio, apenas era escutado o som dos dois mastigando suas comidas e em seguida engolindo-as. Noah olhou para os lados e então pigarreou, chamando a atenção da punk.
– Como vai com a Berry? – Ele indagou em um sussurro. –
– Como assim? – Perguntou de volta, sem contato visual enquanto fitava os feijões dentro da lata. –
– Vamos fingir que ninguém viu que você tá se importando de mais com ela. Com a Beth eu até entendo, é sua filha, mas a Rachel ... Cara, você tá afim dela. – Explicou como se fosse óbvio, levando mais uma colherada de batatas em direção a sua boca. –
– Que nada. Eu só quero o bem da Beth, e a Rachel é mãe dela, é natural que tenhamos uma convivência um pouco diferente, ela é nossa filha. – Deu de ombros, tentando não acreditar no amigo. Mas era verdade, porém, ela tinha medo, de novo. –
No primeiro encontro, no mundo antigo, Quinn não assumiu Beth nem ajudou Rachel por sua reputação, não queria que todos do McKinley esquecessem que Quinn Fabray era perigosa. Em outras palavras, foi uma covarde ao não assumir sua responsabilidade. Agora, tinha medo justamente por isso. Foi tão cruel, insensível e egoísta com Rachel, que tinha medo de que a judia nunca quisesse-a por perto. Já achava raro que se falassem de vez em nunca.
Antes que pudessem continuar o assunto, Sam saiu da barraca espreguiçando-se, e logo Quinn deu de ombros e trocou de lugar com o amigo.
...
Aquela manhã estava meio fria. Os badass, pode-se dizer assim, do grupo vestiram suas jaquetas de couro enquanto os outros usavam roupas de frio comum ou cobertores. Beth enrolada em uma manta branca com os cabelos um tanto revoltos e uma carinha de sono enquanto se apertava em Rachel e matinha o ursinho de pelúcia preso ao peito era a coisa mais fofa que Quinn já viu na vida.
Brittany e Sam foram dar uma geral na área um pouco mais para frente pra ver se estava tudo certo, Puck e Santana ainda ficavam um pouco atentos com tudo, Tina e Mike comiam enquanto Charlie, Marley e Kitty conversavam aleatoriamente.
Quinn entrou na barraca onde Rachel e Beth estavam, e vendo que a judia parecia um tanto embaraçada, arqueou uma sobrancelha, até perceber que entrou bem na hora em que Rachel estava amamentando a pequena, e Quinn corou furiosamente pela primeira vez ao ver o seio de uma garota, ou o que era visível sem a cabeça de sua filha na frente.
– ... Só vim te chamar. Vamos partir logo, é bom pegar suas coisas. – Quinn informou com o semblante sério, porém o rosto vermelho e os olhos fitando algum canto aleatório da barraca. –
– Ok ... Quinn! – Chamou um tanto mais desesperada do que queria, e a punk parou o caminho para sair da barraca, virando-se para a judia ainda sem contato visual. – Obrigada, por tudo ... Você ... Você está sendo uma ótima mãe para Beth, será bom com que ela cresça com você por perto se acontecer algo comigo ... –
– Não diga isso! ... Eu não vou deixar nada acontecer com você ou ela. –
Em silêncio os olhares se cruzaram, e por que parecia tão quente lá dentro mesmo com o clima frio e úmido de fora? Quinn assentiu nervosamente e então deixou a barraca. Rachel perguntou-se se aquela tatuagem de cereja um pouco para à esquerda do umbigo da ex-loira, visível quando a camiseta se elevou um pouco, sempre esteve lá.
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