Undead World.
22 Capítulo 22 - A time in peace.
Notas iniciais
Chloe era engraçada. Linda, inteligente. Deus, ela era perfeita! Charlie se perdia nos olhos azuis e no som melodioso da risada da garota ruiva, e quando percebia que encarava de mais, rapidamente corava, e Chloe achava aquilo fofo. Charlie era fofa.
Estão sentadas de baixo de uma árvore com provavelmente o dobro da idade das duas juntas, observando a belíssima lua cheia que ajudava as velas com a iluminação da pequena cidade de Calico.
— ... E eu estudava literatura inglesa em Barden, New Haven, estava no último ano. Fazia parte do Glee Club de lá, também. Fomos para Las Vegas numa competição, e nesse tempo eu ia ficar com os meus pais que estavam morando na cidade, e então tudo começou. Perdi minha mãe e minha noiva. – A ruiva suspira, recostando sua cabeça no ombro da garota loira. –
Charlie se sentiu estremecer. Noiva, Chloe teve uma noiva. Uma garota. Ela gostava de garotas. A mulher mais bonita e simplesmente adorável do apocalipse –Em sua opinião- gostava de garotas. O quão irreal era aquilo? Seria um tipo de recompensa por ter sobrevivido por tanto tempo? Ou alguém enviada por alguma divindade, como uma luz no fim do túnel?
— Desculpe por ter perguntado. Acho que você não se sente bem em falar sobre isso. – Diz Charlie, fitando suas mãos em seu colo. –
— Não, tudo bem – Chloe sorri, e a garota loira sente as maçãs do rosto esquentarem. – Mas já falamos tanto de mim, eu quero saber mais sobre você, Char. – Ela encara-a ansiosamente em busca de informação, e Charlie parece pensativa. –
— Hm, eu estava no último ano do colegial em Lima, fazia parte do clube de computação e de fãs de quadrinhos, meus fins de semanas se resumiam em muito café, energéticos, jogos e internet, uma vez ou outra saía com minhas irmãs, nada de mais. – Logo dá de ombros, e Chloe sorri animadamente. –
— Você fala como se você fosse um poço de tedio – A ruiva diz, fitando os olhos esverdeados com pequenos traços simples, porém adoráveis, de dourado. – E eu não acho isso. E provavelmente nem os rapazes ... Então, tinha algum namorado? –
Charlie sente a garganta fechar e a pulsação ficar descompassa, seu rosto parece quente, e por um momento, ela torceu para ter uma parada cardíaca apenas para não responder aquela pergunta.
— N-não. Eu gosto de garotas. – Ela diz rapidamente, um tanto nervosa, não por sua sexualidade, afinal Chloe teve uma noiva, mas sim pelo que ela e Quinn tinham ‘a mais’ do que as outras garotas. –
— Oh – A ruiva murmura, mas internamente, ela está pulando de alegria. – Então acho que vamos nos dar muito bem, não é mesmo? –
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Quinn estava deitada confortavelmente na banheira de água quente e espumante de seu quarto, ainda mal acreditando que estava tendo um banho relaxante de banheira , ela já tinha desistido disso fazia tempo, mas poderia voltar a se acostumar rapidinho.
Ela quase dormia com a paz que reinava por ali, e teria o feito se não tivesse sentido uma certa movimentação na água, e ao abrir os olhos, depara-se com Rachel observando-a adoravelmente, seu cabelo escuro preso em um coque desleixado.
— Hey. – A garota de olhos verdes murmura, em seu rosto um sorriso de lado. – Nenhum choro de criança ... Onde tá a pestinha? –
— Quinn! – A diva ralhou, fingindo irritação. – Já disse para não chamá-la de pestinha. Bem, Kitty se ofereceu para cuidar dela essa noite, ela disse que nós precisamos de descanso. –
— Imagino vários tipos de descanso, qual deles vai ser? – Quinn pergunta, um sorriso malicioso brinca em seus lábios. –
— Quinnie, você não pode se esforçar, lembra? Os pontos podem abrir e a sua costela está fraturada, aliás, vamos ver isso com o médico amanhã. – A morena cruza os braços como uma mãe preocupada. –
A diva se aproxima lentamente de Quinn e então senta em seu colo, e a de cabelos róseos se pergunta se Rachel não fez aquilo justamente para provocá-la. Quando ela leva suas mãos até a cintura da morena, os olhos castanhos lhe lançam um olhar severo e assustador.
— Sua saúde primeiro, Lucy Quinn. – Ela diz com um tom mais acolhedor, beijando a testa da mais alta que fizera uma careta emburrada. – Eu vou limpar seus pontos, então não se mecha. –
Os toques de Rachel na pele sensível causavam arrepios inexplicáveis em Quinn. A diva era cuidadosa e passava lentamente a parte macia da esponja sobre a sutura, com a maior preocupação o possível em não causar dor em Quinn.
A Fabray, por outro lado, só sentia os seios de Rachel pressionados contra os seus, a intimidade da diva roçando em seu membro semi-rígido, mas ela não iria realmente fazer nada, esperaria Rachel achar que fosse a hora certa, e então preferiu deixar seus pensamentos vagarem, na esperança de entreter sua mente com várias fantasias nada decentes.
— Sabe, Rach – Ela chama, e a diva murmura um ‘hm?’ – Eu vivia para orgulhar o meu pai. Ele vivia falando da Frannie e de como ela era um gênio por estudar em Yale, e Charlie por ser sempre a primeira da classe, e de mim, bem ... Eu era sua decepção. Seu fracasso. Ele nunca admitiu em voz alta, mas eu via nos seus olhos que ele já havia desistido de mim fazia tempo. Na época em que você engravidou de Beth, eu tinha em mente que eu não precisava mais orgulhá-lo, mas isso era uma mentira, mesmo não admitindo nem para mim mesma, eu ainda tentava fazer com que ele me notasse, sempre tentei. Você ficou grávida e eu fiquei com medo, que aquilo fosse cortar minha relação com ele de vez. Ele ficaria puto, me expulsaria de casa ou me mandaria pra um internato. Meus pais morreram sem saber de Beth. –
Quando Quinn abaixou tristemente a cabeça, Rachel terminou de limpar a sutura. A diva então pegou o rosto da mais alta entre as mãos, fitando os mesmo olhos que Beth possuía.
— Quinn, eu realmente não posso dizer que você orgulhou o seu pai ou não, mas eu sei que você me orgulhou. Você liderou esse grupo até aqui, manteve todos salvos o máximo que pôde, ajudou todos com as perdas que tivemos, Deus, você deu sua comida para Beth por dois dias quando não encontramos nada por aí! Eu não conheci seu pai, mas ele se orgulharia se te visse agora, esse mundo te mudou, Quinn. E bem, eu me orgulho de você agora. Você se tornou responsável, amadureceu. Há um ano atrás eu te odiava, você era só a idiota que me largou grávida, mas agora ... Agora você é minha namorada e mãe da nossa filha, e eu te amo, Quinn. –
As duas sorriram uma para a outra, e Rachel beijou calmamente a testa de Quinn, então as bochechas, e finalmente os lábios, abraçando-a como se nunca mais fosse soltar, o que, ao menos, era o que ela desejava.
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Com um certo receio, na manhã seguinte Quinn fora visitar o único médico da cidade junto de Rachel. O homem alto e de cabelo e barba brancos lhe receitou alguns remédios com intervalos específicos, repouso, nada de esforço e até mesmo uma dieta simples, coisas não muito diferentes do que Brittany lhe dissera.
O grupo se encontrava em um dos pequenos restaurantes da cidade, deliciando-se com um café da manhã muito mais vasto do que apenas enlatados com gostos completamente diferentes do que alegavam ser. Não haviam muitos derivados de animais, pois era complicado encontrar algo que não estragou, ou confiar na carne de um animal que pode estar infectado, mas mesmo assim estava ótimo.
Quinn e Rachel estavam na mesma mesa que Kitty e Marley, e Santana e Brittany. Marley tinha Beth no colo e fazia caretas estranhas e exageradas para a garotinha, enquanto sua namorada alimentava a criança. Tanto elas quanto Brittany e Santana nunca teriam a chance de ter filhos naquele mundo, por isso se prendiam maternalmente na única criança pequena do grupo, eram quase como suas outras mães. Sem dizer que Marley tinha um certo jeito com crianças, todas gostavam dela, afinal, mentalmente era como elas.
Kurt, Puck e Sam estavam sumidos, provavelmente conhecendo a nova cidade onde pretendiam passar muito tempo de suas vidas, e Charlie estava sentada numa mesa mais distante enquanto conversava animadamente com Chloe, sempre sendo observada pelo olhar curioso de Quinn; Sua irmã havia encontrado alguém. Ela não merecia mais sofrer pelas perdas, acreditando que se estivesse com Mike, ele não teria sido mordido e nem morrido, e consequentemente, nem Tina.
— Cara, só tem bolinho de baunilha – Marley comenta, fazendo uma careta tristonha. Ela amava seus doces, quase tanto quanto amava Kitty. – Triste. –
— Você prefere o de morango, não é? – Santana pergunta, e a garota de belíssimos olhos azuis assente. –
— Sabe, eu sempre me perguntei como vocês sabem tanto uma da outra. Quer dizer, nós três sempre fomos ‘os Três Mosqueteiros’ ou algo assim, mas vocês ... São vocês. – É a vez de Quinn murmurar, e as duas morenas se entreolham com semblantes risonhos. –
— Nós já namoramos. Dois meses, mas notamos que seriamos melhor como amigas. – A latina informa, indiferente, e nisso as quatro garotas arregalam os olhos; Marley e Santana, que não podem ficar nem um minuto sem competir para ver quem é a melhor em qualquer coisa, namoraram? –
Quinn gastou cinco segundos em choque, e quando finalmente conseguiu montar uma frase, sentiu algo em seu ombro. A mão de John, o homem ruivo segurava gentilmente seu ombro;
— Senhorita Fabray, podemos conversar lá fora? -
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