Undead World.

18 Capítulo 18 - Don't open, dead inside.


Notas iniciais
Hey, olá :v Tudo bem? Cara, esse capítulo me rendeu umas sete páginas, ficou muito grande! Muita coisa aconteceu e bem, ainda tá na metade :v Mas é o seguintchy; Eu fiz uma pequena pesquisa, e qualquer coisa que eu coloquei aqui relacionada à medicina pode estar ou não certa, pois apesar de eu ter feito uma certa pesquisa, algumas coisas que eu não consegui encontrar eu acabei baseando nas minhas aulas de biologia :v Mas como estamos num mundo fictício, apenas relevem e acreditem que funciona assim, ok? :v

A essa altura, Beth já chorava no colo de Kitty como se sua vida dependesse disso. Com dois passos desastrosos para trás, Quinn se afastou de Rachel apenas para fitar o rosto da diva tomado por uma expressão assustada, contornando seus traços com a ponta dos dedos. Com a voz rouca e falha, sussurrou enquanto acariciava a bochecha da morena;

– Você é linda. – E então sorriu, um sorriso fraco e quase sem graça, até que sua visão começou a se desfocar, e então Quinn perdeu a consciência novamente, caindo de lado no chão. –

Porém, antes que alcançasse o asfalto, Rachel segurou-a, caindo de joelhos no chão enquanto deitava-a cuidadosamente em seu colo. As costas da Fabray, molhadas de sangue, sujaram as mãos da diva ao segurá-la com cuidado para não encostar no ferimento.

– Quinn! – Rachel chamou, sentindo seus olhos arderem com as lágrimas que não se preocupava em segurar, derramando-as sobre o rosto da mais alta. – Quinn, não faça isso, Quinn! –

Algo dentro dela parecia quebrado. Não queria acreditar que Quinn havia levado um tiro, ou talvez já até tivesse caído morta em seus braços. Já havia perdido seus pais, Finn, Tina, Mike, não poderia perder Quinn também.

Rapidamente foi cercada pelo resto do grupo, até que Brittany ajoelhou-se ao lado de Rachel, rapidamente checando o pulso da garota desacordada.

– Ok, ela está viva, ela está viva! Mas saiam de cima, ela precisa respirar. – A loira ralhou, fazendo sinal para que se afastassem. – Puck – Chamou, e o garoto de moicano rapidamente se projetou ao seu lado. –

– Diga. –

– Coloque a Quinn deitada de costas para cima no capô de algum carro, rápido! – Brittany era filha de um dos melhores médicos de Lima, leu todos os livros de medicina do pai quando tinha apenas seus quatorze anos e também era fã de House e Grey’s Anatomy. Ela era a mais indicada para fazer ... o que quer que ela fosse fazer. –

O rapaz judeu rapidamente retirou Quinn com todo o cuidado do mundo dos braços de Rachel, logo seguindo Brittany, Charlie e Santana até o Cadillac. E Rachel ficou lá, encarando suas próprias mãos com um olhar perdido. Estava suja com o sangue de Quinn. Quinn, que a abandonou grávida. Quinn, que havia levado um tiro por ela.

– Rachel? – Kitty chamou com uma voz calma e gentil, aproximando-se lentamente da morena. Marley matou os walkers que a gangue utilizara na armadilha e logo sentou-se ao lado das duas, pegando a pequena Beth no colo enquanto Kitty consolava Rachel. –

– É minha culpa. – Ela sussurrou após alguns segundos. – Quinn levou o tiro que eu deveria ter levado. –

– Não, não é sua culpa. – A loira assegurou, colocando uma mão amiga no ombro da morena. Em dias passados, a Head Cheerio nem se importaria com isso, mas agora entendia o apoio que Rachel precisava. Num mundo onde você pode perder qualquer um em qualquer dia, você acaba se tornando mais humano ou se agarra à insanidade de braços abertos. – De qualquer jeito ele teria a acertado. Não é sua culpa, Rachel. –

As duas se abraçaram forte, e Kitty sentiu o ombro de sua regata umedecer com as prováveis lagrimas de Rachel, mas ela realmente não se importou. Nesse mundo, ela entendia a diva.

Já no capô do Cadillac, Puck deitou Quinn de costas para o céu. Brittany rapidamente retirou a camiseta da garota desacordada, deixando-a apenas com o sutiã preto. Em outra situação, Puck ou Sam teriam corado. Não que Puck tivesse vergonha de garotas ou qualquer coisa assim, mas ... Era Quinn, né.

– Puck, Sam, segurem as pernas dela o mais forte que puderem. – Brittany pediu, fazendo um coque desleixado com seus cabelos loiros. –

– O que você vai fazer, exatamente? – Sam indagou, arqueando uma sobrancelha. –

– Kurt, segure o tronco dela. Sant, segure os braços. Charlie, pegue uma maleta no banco de trás e um travesseiro, rápido. – A loira ditava as ordens, ignorando completamente Sam. –

Assim que Charlie voltou, Brittany agradeceu silenciosamente, abrindo a maleta ao lado de Quinn enquanto cuidadosamente, levantou-a e então colocou o travesseiro um pouco abaixo do peito direito da garota, onde o tiro havia pego em sua costela.

Na maleta haviam alguns livros sobre medicina com títulos e capas estranhos, lenços umedecidos, uma garrafa de álcool, ataduras, um kit de primeiros socorros básico, e máscaras e luvas descartáveis. Um tanto exagerado de mais, mas naquela situação estava ótimo, levando em consideração que eles estavam em uma estrada no meio do nada.

– O-o que é isso? – Charlie indagou, ajudando Santana a segurar os braços de sua irmã gêmea. –

– Bem, acho que você sabe que meu pai era médico – A loira respondeu, pegando os lenços e logo encharcando-os com o álcool. – Ele também era meio hipocondríaco – Ela soltou um riso fraco, escondendo a tristeza ao tocar no assunto. – E acabou incrementando um pouco o kit de primeiros socorros. –

– Segurem forte agora. Eu gosto muito de você, mas desculpe Quinn, isso vai doer. – E então pressionou o lenço contra o machucado, fazendo pressão numa tentativa de estancar a hemorragia. –

Segundos depois, a garota de cabelos rosados acordou urrando de dor; Aquilo parecia queimar sua pele, ardia como o inferno. Ela pressionava a testa contra o capô do Cadillac e gritava alto, os gritos que ecoariam na mente de Rachel por muito tempo.

– Me passe as ataduras, rápido! – Brittany ordenou, e Charlie assim o fez. –

Logo a garota loira levantou Quinn cuidadosamente e então enrolou as ataduras no tronco de Quinn, mantendo os lenços presos ao machucado. Brittany respirou fundo e retirou as luvas, que estavam cobertas pelo sangue de Quinn, assim como seus braços, e após deitá-la de lado, com a mão por baixo do pescoço, inclinando ligeiramente a cabeça para trás, disse;

– Isso vai evitar que ela morra, por enquanto. – A loira suspirou. Todos soltaram a garota baleada, uma vez que a mesma havia ficado inconsciente novamente. Logo tratou de checar o pulso e em seguida a respiração, andando de um lado para o outro ao redor do capô do Cadillac. –

– Por enquanto? – Kurt indagou, fazendo uma careta indecifrável. –

– Por enquanto. Ela perdeu muito sangue, a bala ainda está lá dentro, e acho que pela região, algumas costelas devem ter trincado ou até mesmo quebrado. Pelo lado bom, não vejo sinais de hemorragia interna. E isso – A loira levantou dois frascos de remédios com nomes um tanto complexos. – Estão vazios. Precisamos de antibióticos, anti-inflamatórios, pinças ... –

– Bem – Charlie pronunciou-se; — Tem uma cidade aqui perto. McLean, é pequena mas deve ter um hospital. Sem dizer que não deve passar de novecentos habitantes. –

Todos se entreolharam e suspiraram lentamente.

...

Deitada no banco traseiro do Cadillac, estava Quinn, pálida e fraca, de jaqueta e escondida em um cobertor de lã, mesmo no sol escaldante daquele dia, ela tremia de frio. Sua cabeça estava repousada no colo de Rachel enquanto a judia afagava seus cabelos rosados, preocupada com que talvez ela nunca mais pudesse acordar daquele sono profundo.

Do lado de fora, no capô do Ford, os vários mapas de Charlie estavam abertos, e todos estavam em volta, discutindo algum plano quase suicida.

– ... Então, quem vai? – Puck indagou, e todos se entreolharam. –

– Quinn vai precisar de um acompanhamento, por isso é bom que eu fique aqui. – Disse Brittany, logo após receber um olhar preocupado de Santana. –

– Nós também ficaremos – Sam falou, referindo-se a si mesmo e Kurt. – Aqueles caras poderiam estar em número maior, e pessoas são mais preocupantes que os walkers. Não foi um zumbi que atirou na Quinnie. –

– Eu vou. – Marley falou, decidida. Kitty, que segurava Beth no colo, sentiu-se estremecer. –

– Também. – Foi a vez de Santana. Brittany entrelaçou suas mãos, segurando-a com força. –

– Contem com Puckssauro aqui! – O rapaz riu, e Charlie revirou os olhos. – Mas Fabray02, é bom você ir também. Você é a mais nerd depois da Britt aqui, e vai saber o que pegar lá. –

A irmã de Quinn engoliu em seco, mas por fim assentiu.

– Ok, eu vou também ... – Disse um tanto a contra gosto. – Pela minha irmãzinha. – A ultima parte sussurrou mais para si mesma, porém Santana ouviu e logo lhe lançou um sorriso irônico. –

Novamente, Charlie revirou os olhos.

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Após uma despedida cheia de promessas de voltas, beijos e abraços, os quatro partiram no Ford do senhor Pierce. Marley, Santana e Puck fumavam e conversavam aleatoriamente, enquanto Charlie apenas observava a paisagem mórbida pela janela.

Em cerca de sete minutos, chegaram na pequena cidade de McLean, Texas. Nas ruas pacatas e assustadoramente silenciosas de mais, poderia se encontrar apenas um ou dois mortos-vivos, num estado tão decadente que estavam entrando em decomposição ainda em pé. E o cheiro ... Oh, o cheiro. Apenas quem já estava muito acostumado com aquilo conseguiria passar ali sem se desfazer da ultima coisa que havia comido ao sentir aquele cheiro de podridão e morte.

– Ali, o hospital. – Charlie apontou para um prédio branco que ocupava um quarteirão inteiro. –

– É, coisa linda, vamos ter que ir pra lá a pé. – Marley murmurou para a loira, apontando com o queixo para sua frente, onde três carros batidos em diagonal, sendo um deles de policia, impediam a passagem até a frente do hospital. –

Os quatro bufaram e então desceram do carro, com suas armas em mãos e mochilas nas costas. Assim que passaram ao lado da viatura que teve a porta do lado do motorista brutalmente arrancada pela batida, puderam ver o coitado policial preso ao banco apenas pelo cinto de segurança; Em seu pescoço havia uma marca de mordida, e estava sem o braço esquerdo. Quando sentiu o cheiro de carne humana, ele começou a grunhir e gritar.

Isso até que Marley entrou pelo lado do carona e enfiou a machadinha em sua testa.

– Sabe, não precisava matar ele. – Charlie murmurou, ajeitando a besta de Quinn em suas costas. Como ela conseguia ficar com aquela coisa? Era pesada de mais para carregar nas costas de um lado para o outro! –

– Queria ver se tem alguma arma aqui, mas ... Nada. – Ela suspirou, porém logo retirou o quepe do policial e colocou-o em sua própria cabeça. –

Assim que saiu do carro, os três encararam-na com visíveis pontos de interrogações estampados em seus rostos.

– Eu achei legal, tá bom? Cês tão é com recalque. – A morena cruzou os braços como se fosse a dona da razão, Charlie riu anasalado. –

– Claro. – Disse com um certo sarcasmo. Marley fez uma careta indignada, porém começou a rir logo depois. – Vamos indo. –

Na frente do hospital houvesse, talvez, a maior concentração de zumbis que encontraram naquela cidade, sendo entre dez ou quinze. Matavam-nos sem muita dificuldade, apenas indo para lá e para cá com suas armas brancas com um dança dessincronizada.

Santana atravessou a cabeça de um deles e, ficou em choque. Era uma criança. Uma garota que deveria ter uns sete anos de idade, loira e de olhos azuis, um pouco opacos e sem qualquer resquício de vida humana, mas ainda assim, eram azuis. Ela estava sem uma parte da pele da mandíbula e perambulava em sua direção, grunhindo e gemendo. Santana queria acertar o pé-de-cabra na cabeça dela, realmente queria, só não conseguia.

– Santana! – Puck gritou quando a pequena começou a se aproximar perigosamente de mais. –

Ela ficou ali, encarando aquela garotinha. Uma pobre alma perdida, que teve sua inocência roubada pelo próprio mundo, se tornando uma casca sanguinária e sem vida. A pequena abriu a boca para morder e, uma flecha atravessou sua têmpora, fazendo-a cair de lado, definitivamente morta.

Charlie aproximou-se e sem cerimônia alguma, retirou a flecha da cabeça da garotinha, limpando o sangue no próprio vestido anteriormente branco que a garota usava.

– Tudo bem? – Indagou a Fabray mais velha. –

– Ela ... Parecia a Britt quando nós nos conhecemos. – A latina murmurou, fechando os olhos demoradamente. Ela suspirou e então olhou para Charlie. – Vamos entrar. –

...

A recepção estava escura e sombria, a luz piscando como em um clichê de filme de terror denunciava um gerador ainda ligado em algum lugar. Deitada no balcão, estavam os restos de uma mulher com apenas ossos, um pouco de carne e sangue. Charlie sentiu seu estômago embrulhar quando o cheiro invadiu suas narinas.

Santana foi falar algo quando Puck fez sinal para que ficasse quieta, e então bateu a lâmina do facão diversas vezes contra a madeira do balcão. Minutos depois em silêncio, concluíram que pelo menos ali estava vazio.

– Certo. Puck e eu iremos procurar os medicamentos, Marley, você e Charlie procuram — A latina pegou um papelzinho do bolso de seu shorts jeans e entregou-o para a Fabray. – Isso. –

– Resumindo; Você não tem a mínima ideia de onde encontrar os instrumentos. –

– Exatamente! – A latina sorriu, e Charlie permitiu-se rir também. –

– Ok, vamos então. Boa sorte, não morram e qualquer coisa não gritem, só se for algo realmente muito perigoso. – A Fabray instruiu, e todos assentiram. –

– Espere, a Quinn não vai aguentar se tiver outra hemorragia, onde fica o sangue? – Puck indagou, e todas as garotas bateram as mãos nos rostos. –

– Sério? – Marley indagou, apontando para Charlie. –

– Ah, é. –

...

Após atravessarem o vasto corredor enjoativamente branco, com uma ou outra mancha avermelhada nas paredes e cadáveres em decomposição, finalmente chegaram nas escadas. As lâmpadas estavam quebradas, mas como nenhuma das duas queriam arriscar em um dos elevadores, decidiram ir por ali mesmo. Era incrível como a escuridão reinava, mesmo sendo aproximadamente duas horas da tarde. Marley acendeu a lanterna na qual a luz tremia minimamente, pois a morena já tinha visto cenas parecidas em filmes de terror, e nunca daria coisa boa.

– Você quer que eu segure a lanterna? – Charlie indagou enquanto pisava no primeiro degrau, virando-se para a morena. –

– N-não precisa ... – Marley riu nervosamente, porém seus olhos azuis se arregalaram quando a sombra apareceu no topo da escada. – Charlie! –

O morto foi dar um passo em direção à garota loira, porém acabou errando a escada e então rolou, levando Charlie consigo até o chão. Já no chão, a Fabray segurava-o pelos ombros com uma distância perigosíssima entre seus rostos, ela podia sentir o hálito horrível e os grunhidos que de longe sempre pareciam baixos e fracos, agora quase a ensurdeceram. Porém, ele parou de gemer quando Marley fincou a lâmina da machadinha na cabeça da criatura. Charlie empurrou-o de lado, respirando pesadamente, ainda pálida pelo susto e o medo.

– Oh meu Deus, você está bem? Ele te mordeu? Você engoliu alguma coisa dele? – A morena fazia perguntas rápidas, e a loira suspirou. –

– Não, não, e não. – Ela levantou-se, porém logo notou que estava tremendo e precisou se apoiar em Marley. – Só vamos pegar o que precisamos e dar o fora daqui o mais rápido o possível. –

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Eles não haviam encontrado absolutamente nenhum morto. Não que fosse uma coisa ruim, mas só era meio estranho. Santana guardou a última caixa do remédio em sua bolsa e então pegou duas garrafas d’água, logo destampando uma enquanto a outra estendeu para trás, oferecendo-a para Puck.

– Puck? Não tá com sede? – A latina indagou, e assim que se virou para trás, encontrou-se no quarto de hospital vazio. – Puck? –

Rapidamente colocou sua mochila nas costas e apertou a chave inglesa com força. Caminhou até o corredor e então lá no fundo, estava Puck, parado em frente à uma porta grande com dizeres que ele não soube dizer muito bem o que era de longe.

– Cara, o que cê tá fazendo? – Indagou, enquanto aproximava-se do amigo. –

– Olhe isso. – Ele respondeu, ainda sem virar para ela. –

Duas portas duplas de ferro com uma tábua de madeira segurando-as pelas maçanetas.

– ‘Não abra, mortos dentro’ ... – Santana leu em voz alta. –

Algo bateu contra a porta, e os dois se afastaram com o susto. Os grunhidos bem conhecidos por eles se manifestaram, e logo várias mãos saíram por uma única fresta. Novamente bateram contra a porta, e a tábua de madeira deslizou para a esquerda. Outra batida, e a tábua deslizou de novo. Outra, e então de novo, e finalmente outra, a tábua caiu no chão. Os dois se entreolharam; Estavam tão fodidos.

– Corra. Muito. Agora. – Foi a única coisa que Puck conseguiu silabar, até que então as portas se abriram. –

Os dois deram as costas para os mortos, correndo o máximo que podiam enquanto tropeçavam e trombavam um no outro.

– Fodeu! – Santana gritou. -

Notas finais
Viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiish, fodeo hein? :v Quem vive, quem morre?