Undead World.

19 Capítulo 19 - Chameleons.


Notas iniciais
Ai mds, ai mds, ai mds, quem morreu?

Lá estavam Charlie e Marley no pequeno depósito onde apenas os funcionários autorizados podiam entrar, de acordo com a pequena plaquinha na porta. A morena estava sentada do lado de fora de vigia, quase sendo engolida pelo tédio, enquanto Charlie pegava todos os itens da pequena lista que Brittany mandara.

A loira, que estava concentrada em ler o prazo de validade dos objetos esterilizados, logo jurou ter escutado um grunhindo não muito longe.

– Escutou isso? – Ela gritou para Marley. –

– Isso o quê? – Indagou a morena, fazendo desenhos aleatórios no chão, visivelmente entediada. –

– .. Nada. – E então voltou sua atenção para as prateleiras que aliás, estavam uma bagunça. –

Marley recostou a cabeça na parede, respirando fundo.

– Sabe, Charlie – Ela chamou, recebendo um ‘hm?’ como resposta. – Acha que teremos uma chance em Calico? Para recomeçar, voltar a nos preocupar com coisas idiotas como uma rachadura na parede ao invés de sobreviver para ver o amanhã ? –

– Espero que sim. – Respondeu a Fabray, com respostas curtas pois de acordo com ela, não conseguia falar e pensar ao mesmo tempo. –

Tomara que sim – Marley ressaltou. – Eu quero o bem para Kitty. Eu sempre pensei que nos casaríamos algum dia, talvez tivéssemos alguns filhos ... Uma garotinha de olhos azuis chamada Karley, como nós duas juntas ... Heh, eu tô parecendo uma idiota falando disso, não é? – A morena riu com os próprios pensamentos, e logo pôde escutar Charlie fazendo o mesmo. –

– Se o McKinley escutasse isso, hein? A Marley Rose fodona, que espancou o Karofsky e os amigos dele sozinha, se abrindo desse jeito. – Disse a loira com um tom divertido. –

– Bah, eles sabiam do Joe, me abrir não seria nada. –

Charlie parou no mesmo segundo o que estava fazendo, e logo criou-se um semblante confuso em seu rosto.

– Joe? Você acaba de falar que ama a Kitty-

– Não, idiota. – A morena riu novamente. – Joe é o nome do meu piercing. –

– ... Você é estranha, mas ... Todo mundo pode ver o seu piercing, é só olhar pra sua boca. – Charlie respondeu como se fosse óbvio. –

– Oh, não é esse. – E então riu com uma certa malícia. Dentro do depósito, Charlie sentiu as maçãs de seu rosto esquentarem. –

A Fabray finalmente terminou a lista, e assim que guardou o último tubo médico em sua mochila, novamente escutou os grunhidos, seguidos de gritos desesperados em uma língua bem parecida com espanhol.

– Dessa vez você escutou? – A loira indagou ao sair do deposito, deparando-se com uma Marley de semblante confuso, talvez até assustado ou preocupado. –

– Escutei. – As duas se entreolharam e então caminharam até a escadaria escura, e assim que Marley ligou a lanterna e iluminou os degraus sujos, puderam então ver Santana e Puck subindo os degraus em uma corrida quase perigosa, trombando um no outro e tropeçando algumas vezes. –

– Oh madre de Díos! – A latina gritou assim que subiu o ultimo degrau, ela e Puck estavam ofegantes e assustados, também um tanto sujos de sangue. –

– O que .. – Marley sussurrou para si mesma, e assim que iluminou o caminho traçado pelos amigos, se arrependeu amargamente de ter acordado naquela manhã. –

Mortos. Vários deles, subindo desajeitadamente a escadaria enquanto grunhiam e gritavam irritados. Eles atropelavam uns aos outros, deixando os mais lentos caírem ao se trombarem, dariam qualquer coisa por um misero pedaço de carne humana.

Os quatro se entreolharam, e sem esperar muito, dispararam até o fim do corredor, escutando os grunhidos atrás deles, enquanto o cheiro horrível de podridão invadia suas narinas.

– Por que corremos até aqui, não tem saída! – Puck gritou enquanto olhava de um lado para o outro desesperadamente, os mortos se aproximavam. Era incrível como que em bandos e visivelmente irritados, eles podiam ser perigosamente rápidos. –

– Me ajudem aqui! – Santana gritou enquanto se jogava de ombros na última porta do corredor, numa tentativa de arromba-la. –

Os quatro pegaram impulso do outro lado do corredor e correram como se suas vidas dependesse disso (O que era verdade), logo acertando seus ombros na porta de alumínio, que foi aberta à força. Assim que entraram, fecharam a porta com o peso de suas costas, sentindo as batidas fortes do outro lado, e os grunhidos altos encheram a pequena sala mal iluminada, que aparentemente, era a sala do zelador.

– Estamos fodidos. Nunca vamos sair daqui com vida. É isso, acabou! – Charlie murmurou, de repente se sentindo bem idiota por não ter feito muita coisa que poderia na vida. –

– T-tem uma porta ali – A latina meneou a cabeça em direção à uma outra porta de alumínio no canto da sala com uma pequena janelinha, onde a luz solar entrava com gosto. – Vá ver se está destrancada! –

Charlie assentiu e então descolou suas costas da porta, que pareceu pesar vinte vezes mais para os outros três que lutavam para não deixar que os walkers entrassem. A loira rapidamente girou a maçaneta com um certo desespero, e logo soltou o ar que nem sabia que havia segurado quando ela se abriu, revelando um pátio com vários cadáveres deitados sobre o chão, cobertos com mantas brancas.

Marley e Puck se entreolharam, e com um acordo silencioso, confirmaram um para o outro que fariam aquilo.

– Santana – Puck chamou. – Corra até a porta e ajude Charlie a chegar até os outros. Você é a maior chance que ela tem, sem dizer que ela doará o sangue para a Quinn. Eu e Marley atrasaremos eles. Feche-a e não olhe pra trás. –

– Não! – A latina gritou, encarando os amigos como se fossem loucos. –

– Vai logo Santana! – Marley gritou de volta, e com um olhar tristonho e cheio de significados, pegou a mão da latina cuidadosamente. – Por favor, vá e diga para Kitty que eu a amo. –

– ... Saíam daqui vivos, ok? – A latina pediu, visivelmente preocupada. Os dois assentiram. –

Com um ultimo olhar para a garota e o rapaz, Santana soltou-se da porta e correu em direção à Charlie, e com um certo pesar, fechou a porta atrás de si. Do outro lado, pôde escutar a outra porta se abrindo, e então os grunhidos e gritos daqueles bastardos que ao invés de medo, ela passou a ter uma raiva incontrolável . Sem dizer nada, pegou a mão de Charlie e então arrastou a garota loira pela escadaria alta que dava no pátio, e os mortos que estavam cobertos com mantas, agora levantavam-se, em estados avançados de decomposição.

Santana passou sem problemas sobre eles, matando-os sem dificuldades, seu olhar frio e decidido colocaria medo até mesmo em algo como os walkers. Assim que chegaram no muro baixo, a latina jogou sua mochila por cima, deixando-a cair do outro lado. Charlie fez o mesmo.

A morena levantou cuidadosamente a loira, que assim que alcançou a parte de cima, sentou-se e então estendeu a mão para a latina, e assim que puxou-a, acabou se desequilibrando, as duas caíram de costas no monte de terra do pequeno terreno baldio.

– Ow ... – Charlie gemeu de dor ao sentar-se então massagear lentamente a lombar, seu rosto contorcido em uma careta desconfortável . – Você tá bem? –

– Eu pareço bem? – Santana indagou com um certo sarcasmo enquanto batia as mãos contra a sujeira em sua camisa de flanela, numa tentativa falha de deixa-la mais limpa. — ... Foi mal. – Ela suspirou, estendendo uma mão para ajudar a loira a se levantar. –

– Tudo bem. Vamos, ainda temos que dar más noticias. – Charlie chamou, colocando sua mochila em suas costas. –

Santana fez o mesmo, e após trocar um olhar preocupado com a irmã gêmea de Quinn, apenas suspirou, e então fez seu caminho até um buraco no muro que dava direto até a rua.

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O caminho foi curto e silencioso, se Santana não escutasse Charlie suspirar de cinco em cinco minutos, juraria que a garota tinha morrido ali mesmo.

Quando estacionaram o carro onde estivera antes, Brittany, Sam, e Kitty foram correndo. Atrás deles, vinha um Kurt despreocupado, fumando descontraidamente um cigarro. Santana abraçou Brittany o mais forte que pôde, beijando-a inúmeras vezes.

– Como a Quinnie está? – A latina indagou segundos depois. –

– Instável, mas ela vai sobreviver. – Respondeu sorrindo infantilmente. –

– Ela é Quinn Fabray, nada abate aquela garota tão fácil! –

Kitty e Kurt se aproximaram de Charlie com semblantes confusos, olhando uma vez ou outra para trás da garota loira, em busca de Marley ou até mesmo Puck.

– Onde eles estão? – Os dois perguntaram em uma maldita sincronia, Charlie apenas abaixou a cabeça e meneou-a negativamente, dizendo em ações que eles não haviam conseguido. –

De repente, Kitty quis morrer. Ela não queria acreditar no que fora dito por Charlie. O mundo fora injusto com ela, tanto tempo acostumada a conviver com a dor acreditando que Marley tinha morrido, apenas para depois quando tivesse-a de volta, perde-la outra vez. Assim como ela, Kurt se sentiu quebrado; Havia sobrevivido por tanto tempo com a ultima pessoa de sua família em lugares muito mais perigosos que aquele para saber que depois, no final, sua irmãzinha havia morrido em um hospital.

A loira caiu de joelhos no chão, sentindo as lágrimas banharem seu rosto enquanto era amparado por Kurt, que também lutava para não derramar suas próprias lágrimas.

– Hey – Sam chamou, escondido atrás de seu binóculo. – O que é aquilo? –

– O quê? – Charlie indagou, fitando o rapaz loiro. – O quê? Me deixa ver, me deixa ver! –

Ele sorriu orgulhoso e então entregou seu binóculo para Charlie. A garota pegou-o e então;

– Oh meu Deus ... Oh meu Deus! – Ela gritou animada, chamando a atenção de todos. Até mesmo Quinn, que já estava acordada, saiu do Cadillac sendo seguida por Rachel que tinha Beth no colo. –

– Não se pode nem mais dormir em paz por aqui? – Quinn murmurou com um certo sarcasmo, escondendo as mãos nos bolsos da jaqueta de couro. –

– Quinnie! – Charlie gritou animada, correndo até a irmã gêmea e abraçando-a pelos ombros. – Como você está? –

– Com dor e frio, mas dá pra sobreviver não é? – Ela riu com sarcasmo, apertando a bochecha da sua gêmea com força, assim como sua avó fazia quando eram pequenas. – Obrigada por fazer tudo isso por mim. –

Novamente sorriram uma para a outra, em seguida abraçaram-se com cuidado.

O ronco de um motor pôde ser escutado, alto e claro, quando uma moto fora vista vindo naquela direção. Marley e Puck. O rapaz de moicano parou-a no meio da pista, e então os dois desceram da Harley Davison surrada e coberta por arranhões. Eles estavam sujos de sangue dos cabelos até os pés, ou no caso, botas.

– Chegaram com estilo, hein ... – Quinn murmurou. –

– Marley! – Kitty gritou, as lágrimas de tristeza sendo substituídas por lágrimas de felicidade. –

Logo a loira correu até os braços da morena, apertando-a com força. Segundos depois, Marley perdeu o equilíbrio e então as duas caíram no chão, com risos, lágrimas e beijos.

– Como vocês .. ? – Santana indagou. Não tinha jeito, era quase impossível sair de lá vivo. –

– Aquilo foi insano, cara – Puck pronunciou-se, apontando para as próprias roupas, sujas de sangue. – Nós matamos, tipo, trinta daqueles bastardos, e chegou uma hora em que eles ... Simplesmente se aproximavam de nós, nos cheiravam, e então passavam reto, e aí que eu me toquei, o cheiro! –

– Eles tem uma visão péssima, por isso se diferenciam de nós por conta do cheiro, e assim também que podem nos notar antes de nos ver. Quando o sangue deles espirrou em nós, foi um tipo de repelente, camuflagem. – Marley continuou, agora de pé enquanto tinha Kitty agarrada a si. – Depois disso, saímos de lá e procuramos qualquer coisa que pudesse nos trazer até aqui e, eu encontrei essa coisa linda aí. – Ela sorriu, apontando com o queixo para a motocicleta. –

– E isso realmente funcionou? Digo, essa coisa toda aí de sangue e camuflagem. – Quinn indagou, ignorando algumas pontadas nas costelas trincadas enquanto falava. –

– Bem, estamos aqui agora. – Puck respondeu. –

– O que você está fazendo aqui Quinn? – Brittany ralhou como uma mãe preocupada. – Você deveria estar de repouso! Aliás, eu tenho que tirar aquela bala das suas costas então vamos logo com isso! -

– Tá bom, tá bom, mãe. — A garota de cabelos rosados respondeu sarcasticamente, apenas para levar um tapa no ombro de Brittany. — Hey, garota enferma aqui. — Ela ralhou, passando a mão pelo local do tapa. -

Notas finais
Olha só, ninguém morreu :v Por mais que eu tentasse, eu realmente não conseguiria matar nenhum deles e.e Mas, além da Marley e o Puck serem praticamente duas versões de Chuck Norris, eles ainda trouxeram informação nova, ó que meigo :3