Undead World.
12 Capítulo 12 - And here come.
Notas iniciais
De todas as malditas coisas que a assustavam desde o começo do fim, aquela porta parecia ser a pior delas. Vamos, era só uma porta! Um pedaço de madeira que separava o andar de cima do porão ... E o que quer que tivesse lá em baixo. Marley empunhou o facão, tentando não imaginar centenas de walkers que alguém poderia ter prendido lá em baixo, e sem querer acabou se tornando um deles.
A mão que segurava o lampião tremia. Poderia ter coisas boas lá, afinal o falecido pai de Sam gostava de caçar, porém poderia ter coisas ruins. Muito, muito ruins.
Deu alguns chutes fracos na porta, e esperou minutos suando frio até ter certeza de que estava tudo limpo. Bem, certeza não era.
Ela respirou fundo e então levou a mão até a maçaneta, em seguida abrindo a porta de madeira com um rangido horrível. O ar vindo das escadas que desciam até a escuridão infinita era úmido e Marley não soube definir se sentiu frio ou calor.
Sua bota alcançou o primeiro degrau, que rangeu ao segurar seu peso, e a morena quase saiu correndo ao se assustar com o barulho surpreendentemente alto. A vela do lampião com a chama bruxuleante deixava tudo com um aspecto mais macabro e assustador do que já era. Estava de dia, no meio de uma tarde ensolarada e quente, mas lá em baixo era frio e escuro, logo Marley se perguntou o que alguém como ela foi fazer lá.
Ela desceu todos os degraus da escada podre, parando num quarto que não parecia ser muito grande, com o piso feito de pedras, parecia um calabouço da época medieval, pelo que se lembrava do livro de história. Ela costumava usar aquela página para dormir em cima quando Kitty obrigava-a a ir assistir alguma aula.
Deu alguns passos receosos em meio ao escuro, até que sentiu algo trombado em sua testa, e ela deu um pulo para trás, a respiração acelerou e seus batimentos cardíacos estavam tão rápidos que seu coração poderia estourar em menos de segundos. Era só uma linha presa em uma pequena lâmpada, uma espécie de interruptor. Bufou agradecendo mentalmente.
Continuou andando em linha reta, até encontrar algo que parecia uma cortina, e assim que puxou, uma janela que ela não tinha a mínima ideia de onde ficava iluminou o quarto todo. Havia uma prateleira que se expandia por todo a parede até o teto, com várias latas de comida, galões de gasolina e algumas ferramentas. Por que nenhum idiota foi ver o porão!?
Também havia uma mesa de madeira, onde existia uma mini-Shotgun, uma motosserra e uma besta. Ou o pai de Sam era um excelente caçador ou era um serial killer.
– Eu sou um gênio, caralho! – Ela chutou a parede enquanto gritava numa ação impensada, logo praguejando alguns palavrões ao sentir uma dor incômoda. –
...
– Então era aqui que ele escondia as coisas ... Ele sempre me proibiu de entrar aqui, agora entendi o motivo. – Sam deu de ombros, acertando o ar com o antigo bastão de baseball que pertencia ao seu irmão mais velho. – Podem pegar o que quiserem, mas acho melhor deixarmos a motosserra pra casos estremos. Faz muito barulho e é pesada para correr de uma horda de errantes, sem dizer que precisaríamos gastar gasolina. –
Marley logo tratou de pegar a mini-Shotgun e alguns cartuchos, Quinn prendeu a besta e algumas flechas em suas costas, agora poderia entregar sua arma para Rachel. Santana pegou a motosserra alegando que agora era dela e ela iria guardar no quarto dela, Puck pegou um bastão de aço vindo também da coleção do irmão atleta de Sam, e por último Charlie pegou uma machadinha com um sorriso psicopata.
– Hasta la vista – Marley engrossou a voz e fez uma careta séria, empunhando sua mais nova arma. – Baby. –
– Isso foi bem idiota. – A latina revirou os olhos, ainda admirando sua motosserra. –
Charlie empunhou sua machadinha e sorriu de uma maneira maníaca.
– Here’s Johnny! –
– ... Eu não entendi a referência. – Puck deu de ombros, passando a mão pelo moicano despenteado. – Aliás, teve referência? –
– O Iluminado, cara. – A loira revirou os olhos. – Aquele meme que o cara quebra a porta e ... Deixa. –
–------------------------------------------------------------------------------
– Você parece tensa. – Disse Brittany, colocando e tirando a ponta de sua faca da têmpora de um morto-vivo com uma velocidade impressionante. –
– Eu tô bem. – Santana mentiu. Mesmo que não existisse mais nenhum relacionamento com Brittany, o corpo da latina ainda contrariava sua mente, sentindo os pequenos arrepios ao lado da loira que a incomodavam desde a oitava série. –
– Olha nos meus olhos e diga que está bem. – Brittany pediu, seu tom sério fez Santana querer sair correndo. Sempre que acontecia algo, a loira pedia para que a latina a olhasse nos olhos e confirmasse a mentira, mas ela nunca conseguia. –
– ... Não dá. –Ela bufou, batendo levemente a testa na cerca um pouco mais baixa do que seu ombro. –
– Então vai dizer o que te incômoda ou prefere ficar em silêncio? – A loira indagou, derrubando um walker preso naquela parte da cerca. Santana quis se bater por não conseguir ser durona com Brittany. –
– Me desculpe por ter terminado com você. – Ela murmurou, Brittany continuou com a expressão neutra, focada no milharal em volta da casa. –
– Você tem direito de terminar um relacionamento se quiser, não precisa se desculpar. – Ela sorriu amigavelmente para Santana, a latina sentiu o coração derreter. Ela ainda amava Brittany, e havia terminado com a loira justamente porque ela estava sendo um atraso para sua garota amada. –
A loira fora aceita em Harvard, onde iria estudar matemática. Ela tinha o mundo inteiro a sua frente, e Santana se orgulhava disso. Mas Brittany não queria ir para não deixá-la, ela não conseguiria enfrentar isso tudo sem Santana. Então, a latina resolveu terminar com a loira, simplesmente por amor, pois Brittany merecia alguém melhor do que ela, que só passava de ano porque intimada os professores. Ela terminou pois amava Brittany, e não queria ser a âncora de sua namorada, impedindo-a de ter um futuro brilhante, e aquilo doeu, e doeu muito.
– E-eu ... Eu te amo, Britt – Ela foi cortada, a loira colou seus lábios, apertando-se em seu corpo com força. –
– Eu sei o que você fez por mim e eu te amo muito por isso, mas agora o mundo não é mais o de antes, não existe mais Harvard ou qualquer outra coisa que nos impeça de ficar juntas, e mesmo assim, é você que eu quero Sant. – A loira sorriu entre o beijo. –
Uma das coisas boas do fim do mundo, é que ele te aproxima de quem você mais ama.
–------------------------------------------------------------------------------
Quinn deveria estar de vigia na sacada, mas na verdade estava lá com Rachel, a judia sentada no parapeito agarrada ao seu pescoço enquanto as duas se beijavam quase com desespero, suas línguas exploravam o máximo o possível de suas bocas. Rapidamente Quinn desceu para o pescoço da morena, mordendo e marcando-a sem piedade, a judia gemia ao mínimo toque.
Quando a punk começou a beijar sua jugular e a diva pendeu a cabeça para trás, seus olhos focaram na estrada não muito longe dali, separada da casa pelo extenso milharal. Três walkers, perdidos no meio da estrada, suas roupas e corpos pareciam queimados. De primeira ela não ligou muito, continuou gemendo ao sentir os lábios quentes em seu pescoço.
Segundos depois de Quinn alcançar sua clavícula, Rachel viu outro zumbi, e então outro, mais outro ... Logo eram dezenas, arrastando-se e grunhindo, alguns até caiam um em cima do outro, levantavam-se desajeitadamente e voltavam a caminhar sem rumo.
– Quinn! – Ela apertou os ombros da punk, que arqueou uma sobrancelha, desgrudando da pele viciante de sua namorada. –
– O que que- Puta merda! – Sua mandíbula parecia ter se soltado do crânio. -
Uma horda.
Vários mortos, alguns um pouco queimados, vindos de Akron. Eles seguiram o barulho do carro desde aquele dia na cidade, e andando em bandos, poucos chegaram até lá comparados as centenas de Akron, mas ainda assim, eram muitos para eles, e as cercas não estavam prontas.
Escutaram o barulho de um disparo, seguido de uma comemoração; Marley ainda estava ensinando Kitty a se proteger no lado de trás da casa. Outro disparo, depois mais outro, mais comemorações. As duas suavam frio, torcendo para que os walkers na estrada não tivessem escutado. Tarde de mais, eles olhavam em volta como se estivessem procurando algo. Pararam por alguns minutos, apenas tentando decifrar de onde vinham os barulhos que os levariam para a próxima refeição, até que um deles tomou frente, indo em direção ao milharal.
– Merda, merda, merda! Rápido, avise todos, pegue Beth, guarde as coisas! – Ela gritava um monte de ordens, tentando manter a calma. Eles estavam fodidos, de novo. –
– Ok! Eu te amo. – Rachel sussurrou, colando seus lábios com os de Quinn por breve segundos. –
Quando a judia ia sair, a punk chamou por ela.
– Rach! Pegue isso – Estendeu sua Magnum para a diva, que pegou com um certo receio. – Seu pai era policial, eu sei que você sabe usar uma arma. –
– S-sim mas ... E você? – Indagou, a preocupação evidente em seu olhar. -
Ela empunhou o rifle de Sam que ficava lá para vigília, logo em seguida prendeu a besta em suas costas.
– Eles já escutaram mesmo ... Vou derrubar alguns daqui de cima. Por favor, se salve e salve Beth, eu vou descer assim que todos estiverem no carro ... Eu te amo. –
– Eu também te amo. -
Fale com o autor