Undead World.
11 Capítulo 11 - Hitting things.
Notas iniciais
Os Fabray eram de longe a perfeita família americana. Eram cristãos, tinham três lindas filhas e viviam em harmonia, ao menos era essa a intenção. Quinn Fabray levou uma surra na escola pelo fato dos alunos terem descoberto sua intersexualidade, depois disso se revoltou contra o mundo, engravidou uma garota e não assumiu sua filha. Charlie Fabray resolveu ser invisível para a sociedade com medo de que acontecesse o mesmo que a irmã mais nova. Frannie Fabray era a única que tentava manter a ordem entre toda a família, mesmo sabendo que eles nunca teriam uma boa convivência. Judy e Russel Fabray viviam um casamento falso e sem amor, repleto de traições e mentiras. Uma perfeita família americana.
Quinn acordou com um certo desconforto. Demorou para abrir os olhos, pois até levantar as pálpebras parecia doer. Assim que finalmente permitiu-se abrir os olhos, sentiu incômodo com a luz forte, na qual demorou para se acostumar, até que então notou que estava num quarto de hospital.
Um de seus braços estava quebrado, no outro recebia soro em sua veia. Havia um aparelho de respiração sobre sua boca. Notou, segundos depois, seus pais e irmãs. Judy disse algo sobre estar tudo bem, porém a loira cedeu ao cansaço, dormindo de novo.
Quando acordou novamente, estava de pé no jardim em frente à sua casa, tão bem cuidado e com flores escolhidas a dedo por Judy, parecia que faziam anos que não pisava lá. Passando a mão pelo rosto, logo correu até a porta branquíssima e entrou na casa, a sala de estar estava em completo silêncio.
– Charlie? Frannie? Mãe? Pai? – Chamou, sem nenhuma resposta. Passando os olhos pelas paredes, examinou os porta-retratos da família. Desde o casamento de seus pais ao nascimento de Frannie e depois das duas gêmeas. –
Escutou o barulho de algo se quebrando na cozinha, e rapidamente se esgueirou até lá. Teria que salvar sua família do que quer que sejam aquelas coisas que dominaram o McKinley.
Passando pela sala de jantar, logo se viu na cozinha, onde encontrou uma cena que nunca mais sairia de sua cabeça; Sua mãe e seu pai, com marcas de mordidas tão brutais que lhe arrancaram pedaços, o líquido espesso vermelho escuro se misturava ao pus negro, caindo em linhas até o chão. Eles seguravam pedaços de carnes ensanguentados sobre a boca, comendo-os como animais famintos. E o que eles devoravam ... Frannie. Ela jogou todo o seu café da manhã no chão da cozinha.
A filha mais velha dos Fabray estava caída no chão da cozinha, lagrimas escorriam de seus olhos enquanto sua boca deixava escapar rios de sangue, seu abdômen estava rasgado. Com suas últimas forças ela olhou para Quinn e movimentou os lábios dizendo um ‘me ajude’.
– Quinn! – Ela abriu os olhos, fitando Rachel que segurava Beth no colo, a garotinha loira chorava em berros. –
Passando a mão pelo rosto, percebeu que suava, e havia chorado enquanto dormia. Um espelho de frente para a cama entregou que estava mais pálida que o normal.
– O-o que houve? – Murmurou depois de alguns segundos, encarando a morena. –
– Você começou a gritar enquanto dormia, e então começou a chorar e acordou a Beth ... O que aconteceu? – Respondeu, dividida entre explicar o acontecido para a ex-loira e ninar uma Beth chorosa. –
– Me desculpe ... – Pediu um tanto envergonhada, e Rachel assentiu, beijando-a calmamente na bochecha. –
Quinn virou para o lado, ainda em silêncio. Beth finalmente parou de chorar e voltou a dormir, assim como Rachel, que abraçou a punk por trás. Ela ficou acordada até tarde naquela noite.
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Pouco depois das seis da manhã, Charlie, Marley, Puck e Quinn se juntaram para fortalecer a cerca.
– Fabray 02, o que aconteceu com a sua irmã? Ela gritou a noite inteira, e não foi num bom sentido pela cara dela. – Puck indagou ao aproximar-se de Charlie, enquanto pregava as tábuas nas vigas de madeira com arame que já existiam lá. –
– Eu perguntei e ela quase me decapitou só com o olhar. Acho bom deixar isso baixo por um tempo. – Respondeu de maneira pensativa, batendo no prego com seu martelo. –
– Ok ... E o lance dela com a Rachel? Já faz dois dias que elas tão dormindo no mesmo quarto ... –
– Eu ainda não perguntei nada pra ela, mas acho que se não é um namoro é um negócio próximo. Mas elas vão precisar de uma farmácia, e Akron deve estar uma coisa de outro mundo depois daquele ‘pequeno’ atentado com fogo. E nós já temos bebês o suficiente por aqui. – Murmurou, posicionando uma última tábua naquela parte da cerca. –
– Então cê falou com o cara certo – Ele deu um sorrisinho malicioso. – Eu tenho camisinhas. Pensei que arrumaria uma gata por aí mas ... Eu não vou usar por um bom tempo, eu acho. E a Quinn precisa mais. –
– Ok, comentário desnecessário. Só entregue pra ela. – Revirou os olhos ao escutar uma risada histérica e exagerada do rapaz de moicano, mas acabou rindo junto. –
...
Algumas horas mais tarde eles fizeram uma pequena pausa. Quinn estava sentada nos dois pequenos degraus que separavam a casa do gramado, comendo uma das poucas maçãs em bom estado que encontraram lá, enquanto observava Beth brincar com seu ursinho, vez ou outra caindo sentada, porém ria e logo voltava a correr por aí.
– E aí. – Charlie chamou, logo sentando-se ao lado da irmã gêmea. –
– ‘Eae ... – Murmurou em resposta. –
– Quinnie ... Você realmente não quer falar sobre ontem de noite? Só vi você gritar assim depois de Os Estranhos. –
A punk passou a mão pelos cabelos róseos, desarrumando-os mais do que antes, logo encarando o teto e bufando demoradamente. Beth riu alto ao cair sentada no chão.
– Tive um pesadelo. Judy e Russel devoravam Frannie, ela usou as últimas forças para me pedir ajuda. Isso aconteceu em Lima. –
Charlie sentiu um enorme vazio dentro de si, agora ela havia entendido o motivo de Quinn nunca dizer nada sobre a família, mesmo só entre as duas. Ela sentiu um aperto na garganta; O bom senso e o otimismo ainda lutavam em pensar que eles estavam vivos e bem, mas aquilo só confirmou suas suspeitas.
Sinceramente, o relacionamento de Quinn com seus pais estava em escala de péssimo até horrível, mas doeu vê-los assim, porém o pior foi Frannie. Ela amava sua irmã mais velha.
Lentamente apertou Charlie contra si com um braço, as duas entendiam a dor uma da outra naquele momento. Quando a gêmea mais velha ameaçou derrubar algumas lágrimas, uma Beth sorridente veio até elas, abraçando-as o máximo que podia com seus bracinhos. As gêmeas riram.
– Mama! – Ela levantou os braços em direção a Quinn, que pegou-a no colo entre risos, alguns um tanto forçados pois mesmo com a falta de alimentos necessários, Beth crescia e ganhava peso muito rápido. –
– Ah! – Charlie exclamou, assustando um pouco sua gêmea. – Isso me lembra ... – Ela fuçou um pouco no bolso de sua calça, até achar os pacotes prateados. – Não tenha mais filhos com a sua namorada. Não por agora. –
Quinn corou como nunca, pegando rapidamente os preservativos e guardando-os no bolso de trás da sua calça.
...
Pouco depois do almoço, lá pelo meio-dia, Quinn pediu para Charlie ficar de olho em Beth enquanto ela colocava seu plano em ação. Ela arrastou Rachel até o quarto da diva (Que seria mais o das duas) e trancou a porta, logo virando-se para a diva sentada na cama, encarando-a divertidamente.
– Hm ... Oi. – Disse, um tanto tímida de mais para a maior cafajeste do McKinley. –
– Hey. – Rachel respondeu com um sorrisinho bobo. –
A punk sentou-se ao lado da morena, fazendo qualquer coisa para disfarçar, mas mesmo nunca admitindo, ela estava nervosa. Lucy Quinn Fabray, nervosa na frente de uma garota. Sabe o quão irreal é isso?
– Hm, Rachel, sabe que eu adoro tudo em você? Eu fui idiota, muito, muito idiota com você, mas mesmo assim você seguiu em frente, lidou com aqueles otários falando mal de você na sua cara sobre a gravidez, deu uma ótima vida para Beth o máximo que pôde, durante todos esses meses nesse inferno manteve-a a salvo, protegeu-a ... Rach, você é incrível! –
A judia riu envergonhada, dando um soco fraco no ombro de Quinn.
– Obrigada. –
A punk levantou-se, passando lentamente a ponta de seu All Star preto no chão de madeira.
– Rachel, eu ... Eu desejo evitar amar desde os quinze anos, mas quando você chegou no McKinley ... Eu precisava te ter. Na festa do Puck estava tudo bem, e aí ... Eu lembrei que você tinha o Finn, e também lembrei da minha primeira ‘regra’, e no caso seria não amar. – Ela coçou levemente a cabeça. – Quando eu soube da Beth eu ... Eu não soube o que fazer. Eu entrei em pânico, e como qualquer idiota egoísta, eu gritei ‘foda-se’ e deixei vocês, e eu me odeio por isso. Muito, muito mesmo. Eu sempre te amei Rachel, mesmo negando, eu sempre te amei, e esperei até a porra do fim do mundo pra te dizer isso. –
Ela abraçou a diva, deitando-se levemente por cima da morena.
– Eu te amo, Rachel. Eu posso morrer amanhã ou depois, talvez daqui poucas horas, então ... Eu quero passar meu último suspiro com algo maior do que uma amizade ... – Ela respirou fundo, um pouco sem jeito. – Rachel, você aceitaria namorar com uma idiota que nem eu? –
A diva entrou em estado de choque. No fundo, mas bem no fundo mesmo, ela esperava algo assim, apenas em seus desejos mais íntimos que realmente nunca iriam se realizar, se ela pensasse bem.
Ela havia beijado Quinn. Mais de uma vez. E era bom. As duas estavam dormindo juntas há dois dias, em qualquer sentido que você quiser interpretar. Quinn se tornou uma ótima mãe para Beth ... E também uma ótima companheira para Rachel. Ela foi um ombro amigo para Rachel chorar quando sentiu falta de seus pais, assim como Rachel abraçou-a até dormir depois do pesadelo, por mais idiota que tenha sido, aproximou as duas. Elas eram conectadas, todo dia, de uma forma ou de outra. Olhares, toques, gestos, Beth. Quinn foi idiota no passado, mas correu atrás, e provou que realmente poderia ser melhor do que aquilo.
– ... Quinn, eu ... – Ela pegou o rosto da punk entre as mãos, beijando-a lentamente. – Eu te odeio, mas eu também te amo. – E então beijaram-se novamente. –
A punk deitou por cima da morena, logo em seguida retirando suas roupas. As duas tiveram a melhor tarde de suas vidas em meio a aquele inferno.
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Marley e Kitty se beijavam do lado de fora da casa, agarrada uma a outra de um jeito quase obsceno. Digamos que Marley não se importava em esconder sua relação nem um pouco, e Kitty ... Bem, é a vadia sexy. Como diz Santana, “Dos putas se completan”.
– Arrumem um quarto! – A latina revirou os olhos, jogando uma lasca de madeira na cabeça da morena. –
Marley revirou os olhos e mostrou um dedo para Santana, que retribuiu o mesmo gesto.
– Enfim – A morena murmurou para a loira. – Você sabe que bem, eu posso não estar aqui o tempo todo, então ... Eu preciso que você comece a se proteger. Sabe como matar um walker, né? –
Kitty franziu o cenho, encarando Marley como se fosse uma brincadeira idiota. Marley sempre esteve lá para ela, mas agora ... Bem, infelizmente as chances dela não estar eram maiores.
– Como assim? – Ela indagou, e a morena fez um gesto para que esperasse, e então entregou o facão para a loirinha. –
Com apenas um impulso ela pulou para o outro lado da cerca e começou a gritar como idiota. Um walker surgiu do meio do milharal, se arrastando desesperadamente pelo menor pedaço que conseguisse arrancar de Marley.
– Marley, que porra você tá fazendo? – Kitty gritou, e a morena apenas riu. –
– Não vale a pena te testar com um walker que não possa causar danos. Riscos reais, medidas drásticas. – Ele estava perto. –
– Marley, sai daí! – Mais perto. A morena recuou alguns passos. –
– Vai, direto na cabeça! – Mais perto. Ela riu. –
– Marley! – Gritou desesperada. Poucos passos e ... –
Kitty pulou a cerca com uma velocidade incrível, cortando a cabeça do morto-vivo segundos antes dele arrancar um pedaço de Marley. A morena comemorou, levantando os braços ao céu. Kitty apenas riu nervosa, logo abraçando-se na namorada como se sua vida dependesse disso.
– Faça isso de novo e eu nunca mais abro as pernas pra você. – Sussurrou, ainda em estado de choque. -
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