Undead World.
1 Capítulo 1 - The Beginning of The End.
Notas iniciais
Ela realmente não se lembrava o motivo para correr tanto. Tão desesperadamente. Até que os grunhidos e gemidos em suas costas trouxeram a triste e estranha realidade de volta. Os mortos. Os mortos que, de maneira anormal, passaram a reviver e então se tornaram canibais sem sentimentos. Suas mães e pais, esposas e maridos, filhos e filhas, e até seus cachorros foram devorados.
Fazia cinco meses que esse inferno começou. Algo deu errado em um projeto e a cobaia morreu. Em seguida voltou e matou metade do laboratório, depois os guardas, e aí o mundo. Pelo menos foi isso que liberaram no jornal.
Quinn havia perdido tudo, seus pais, suas irmãs, e sua vida normal. Atualmente, um pacote de salgadinhos é coisa rara.
– Marley, cuidado! – Kurt gritou para a irmã mais nova e então o taco de baseball esmagou a cabeça do morto-vivo. –
– Não se deixem preocupar com um ou dois, se ficarem assim serão cercados! – Puck alertou enquanto o martelo em suas mãos esmagava alguns crânios. –
Esse era o mundo atual. Há um ano atrás, Quinn, Puck, Santana, Marley e Kurt ainda eram os badass do McKinley que matavam aulas, fumavam e dormiam com as líderes de torcida, ou os jogadores, no caso de Kurt. Agora, eles tem que lutar contra mortos-vivos canibais para ainda questionarem se sobreviverão para ver o amanhã.
Lima já não era um lugar seguro. Foi afetado por último na escala ‘fim do mundo’, mas agora a vizinha velha e gentil de Quinn queria arrancar um pedaço dela na dentada.
Eles viraram uma esquina esperando dar de cara com mais milhares de zumbis, para encontrar apenas os corpos realmente mortos jogados no chão, suas cabeças estavam estouradas ou tinham uma marca de que fora atravessada por algo.
– Se escondam. – Quinn sussurrou; Se eles estavam assim foi porque alguém fez isso. E os humanos fariam qualquer coisa para sobreviver num mundo pós-apocalíptico. Você com certeza preferiria encarar os mortos canibais se pudesse evitar algum grupo sangue-frio armado até os dentes. –
Os adolescentes se esconderam atrás de alguns carros parados no meio da rua, nenhum tinha arma de fogo, então era só rezar para que o outro grupo também não tivesse. Quinn manteu um olho na mercearia no fim da rua; Com certeza estavam lá. Mesmo que o mundo já tinha acabado cinco meses atrás, não deveriam ter saqueado tudo das lojas, afinal, a maioria dos habitantes de Lima fugiu para as cidades grandes, tentar sorte com o governo. Praticamente todos morreram.
Duas pessoas saíram de lá. Um rapaz alto e uma garota loira, os dois com panos amarrados nas bocas e mochilas pesadas nas costas. Quinn reconheceu aqueles olhos, eram seus próprios olhos, e bem, já o rapaz ... Quase ninguém era tão alto assim.
Puck e a garota de cabelos róseos trocaram um olhar, e ela fez um sinal para que esperassem, e então, saiu de trás do carro. Os outros dois pararam.
– Q-Quinn!? –
– Charlie? –
As gêmeas Fabray se encararam. Ambas pensavam que a outra tinha morrido. Finn apenas arqueou uma sobrancelha.
– Madre de Díos, é você! – Santana correu em direção a irmã minutos mais velha de sua melhor amiga e então abraçou-a. –
Kurt, Marley e Puck sairam de outro carro e logo juntaram-se ao abraço. Eles eram muito amigos de ambas as gêmeas Fabray, e quando encontraram os zumbis Judy, Russel e Frannie, logo consideraram a ideia de que Charlie também havia morrido. Quinn ainda observava de longe, vez ou outra trocando algum olhar nada simpático com Finn.
– Despistamos uns mortos, mas não por muito tempo. Olhem, vamos embora. – A punk pediu enquanto passava lentamente a sola de seu Doc Martens gasto no asfalto. –
Charlie riu anasalado; Ela conhecia muito bem a irmã antissocial. Por dentro ela gritava e chorava de felicidade, mas odiava transparecer fraqueza. A loira apenas assentiu e então aproximou-se da irmã mais nova, abraçando-a delicadamente, como se a mais alta fosse sensível ao toque.
– Não estamos muito longe daqui, por que não nos acompanham? Tem conhecidos conosco, e o grupo aumentaria, dando mais chance de viver. – Pediu após soltar a irmã mais nova, olhando para a descida atrás de Quinn, onde um pequeno número de mortos se juntava. Eles não enxergavam bem, mas seu olfato era de outro mundo. –
– Só me diga que a Kitty está com vocês. – Marley pediu tristemente. Quando os adolescentes se separaram no McKinley no primeiro ataque em Lima, a multidão de alunos desesperados acabou separando-as. Desde então, Marley apenas desejava com todas as suas forças que a namorada estivesse viva. –
– Ela está bem. – Finn sorriu enquanto colocava uma mão amiga no ombro da morena, que limitou toda sua emoção em um sorriso largo, enquanto sentiu um certo alívio. Mas mesmo assim, preferia conferir pessoalmente. –
Os zumbis lutavam para subir na rua íngrime, mas aos poucos se aproximavam, e Marley queria abraçar Kitty como nunca, sem dizer que eles poderiam ter comida, e com um abrigo aparentemente seguro, pelo menos uma noite dormindo em algo confortável poderia recaregá-los para sobreviver mais um dia. E também, Charlie fazia falta.
– Iremos com vocês. – Quinn concluiu após encarar Puck, que apenas estava de braços cruzados esperando a decisão certa da punk, ou sua deixa para esmagar a cabeça de alguns mortos. Ele sorriu levemente e assentiu. –
Charlie sorriu abertamente e assentiu, logo em seguida chutou o peito de um zumbi que se aproximava. Ele rolou para trás e derrubou alguns em meio a queda.
– Strike! – A loira mais velha comemorou, e então deu as costas para Quinn, murmurando um “me sigam” enquanto passava pelos outros adolescentes, que apenas deram de ombros e resolveram seguir a Fabray. –
– Se não se importa, quem está com vocês? – Marley indagou ao alcançar a garota loira. –
– Sam, Britt, Tina, Kitty, Mike, Rachel e Beth. – Ela respondeu ofegante, vez ou outra usando apenas a ponta do facão roubado de uma loja de caça e pesca para empurrar um ou outro zumbi. Lima era pequena, mas tinha coisas que você pensa que nunca vai usar e acaba usando. –
Não muitas ruas longe do local do encontro inesperado, eles pararam em frente à grandes portões metálicos que guardavam uma casa imensa, também conhecida como a casa dos Pierce.
Sam estava sentado na sacada de um dos quartos e vigiava calmamente com um binóculo e um rifle que pertencera ao pai do loiro.
– Samuel! – Puck levantou os braços em comemoração ao ver o amigo vivo e bem, e o loiro repetiu o gesto. –
– Sem barulhos altos, lembra? – Santana indagou, enquanto ajustava a camiseta de alguma banda por baixo do colete de couro, e o judeu assentiu. –
Charlie andou até o muro e então jogou sua mochila do outro lado, logo em seguida segurou-se pela ponta dos dedos e pulou o muro. Depois foi Marley, Santana, Puck, Finn, Kurt e por último Quinn.
Marley nem pegou sua mochila e logo correu em direção à porta branca. Tudo ali parecia tão normal, mas por isso tão estranho. Era como se o fim do mundo não tivesse afetado em nada naquela casa tão normal onde a filha ia pra escola toda manhã e os pais iam para seus trabalhos. Tão normal, mas tão estranho.
Quinn pegou a mochila da amiga e a sua própria e então adentraram a casa. Marley e Kitty estavam abraçadas no meio da sala, e Brittany e Tina observavam a cena com sorrisos nos rostos. Sorrisos humanos, gente de verdade ... Fazia tempo que não viam isso.
– Finn, você voltou! – Uma voz chamou a atenção, talvez unicamente, de Quinn. –
A punk virou-se, e por um segundo, esqueceu que estava cansada, com fome, com dores e até mesmo o remorso de tirar a vida de toda sua família reanimada pareceu sumir, e então voltar com mais força ainda quando viu o que a diva carregava nos braços. Beth. Sua filha. A garotinha na qual sempre quisera distância.
Antes daquele inferno começar, quando sua vida no McKinley ainda se resumia em dormir com todas as garotas, Quinn se interessou pela novata que havia acabado de entrar. Ela tinha um namorado, mas não era um incômodo para a punk. Numa festa na casa de Puck, as duas dormiram juntas, e Rachel acabou engravidando. Porém, Quinn deixou bem claro que a criança era problema da judia e só dela. Sempre quis distância, não assumiu o bebê e a única coisa que teve participação foi o nome, Bethany, sua avó preferida, e também Beth era sua música favorita do KISS.
Por um resquício de pena, ela decidiu acompanhar o trabalho de parto, e quando Beth nasceu, ela nunca se sentiu tão culpada na vida por simplesmente fingir que uma coisa tão pequena como sua filha não existia. Porém, esse fora o único contato que tivera com a criança ou Rachel, já que a judia entendeu que Quinn não estava nem aí e nunca pediu ajuda para a loira. Afinal, era filha dela, só dela. Quinn não queria ser mãe de Beth.
Finn sorriu para a morena e logo procurou em sua mochila um pacote de fraldas, e passando por Quinn entregou-o para Rachel. A punk poderia até lutar contra, mas odiava ver que um idiota qualquer era mais pai para sua própria filha do que ela fora mãe.
– Berry – Ela sorriu de lado, meneando a cabeça em direção a Beth. – Como vão? – Indagou como o maldito sorriso desafiador e o jeito egocêntrico. –
– Bem, obrigada. – Apertando Beth contra si em uma ação protetora, a judia respondeu com um sorriso falso. –
Marley então soltou Kitty e depois de se beijarem por um longo tempo, ajustou o colete jeans com estampas de bandas que deixavam-na com um ar de badass.
– Sabem, está um inferno lá fora e eu to com fome então ... Tem alguma coisa pra comer aqui? Tirando a Kitty, claro. – Ela passou a língua pelo piercing no lábio enquanto deu um tapa fraco no quadril da loira, que encarou-a com um olhar malicioso. –
– Arrumem um quarto. – Santana revirou os olhos e então foi com Brittany em direção à cozinha. –
Quinn e Rachel ainda se encaravam, até que Charlie sussurrou algo sobre sua irmã podendo estar faminta e a punk assentiu lentamente, aos poucos desprendendo o olhar odioso de Finn interagindo com Rachel e Beth como se fosse o pai da criança.
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