Undead World.
2 Capítulo 2 - Restoring.
Notas iniciais
A primeira noite na casa dos Pierce foi no mínimo estranha. Santana e Brittany ainda tinham que conviver com o fato de que já tiveram um caso, Puck se sentia meio inútil pois sempre ajuadava com tudo e lá era muito calmo, Marley e Kitty não se desgrudavam, Kurt e Charlie ajudavam Rachel com Beth e Quinn ... Bem, Quinn gastava metade do tempo fumando na sacada, pois se encontrasse Finn poderia socá-lo, mas realmente não tinha motivo.
Eram pouco mais de uma hora da manhã, e o choro de Beth não deixava ninguém dormir naquela casa, e aquilo era irritante. A garota de cabelos róseos levantou-se da cama de casal que dividia com Charlie pela falta de quartos, e ainda indignada pelo fato da irmã gêmea conseguir dormir em meio a tal barulho, saiu do quarto, dando de cara com a escuridão do corredor.
Andando até o último quarto do corredor, logo abriu a porta sem batidas ou permição, onde Rachel estava sentada na cama de casal tentando ninar a filha. Se Quinn se comoveu, não deixou transparecer.
Olhando ao redor do quarto iluminado apenas por velas, viu que as duas estavam sozinhas. Menos mal.
– Não consegue fazer essa criança ficar quieta não!? – Indagou do batende da porta, Rachel revirou os olhos. –
– Estou tentando, mas ela não quer ficar quieta! – Respondeu no mesmo tom, enquanto ninava a garotinha loira. –
– Você é mãe dela e não consegue fazer com que ela cale a boca? –
– Você também é mãe dela! – Rachel sussurrou/gritou, sem pensar. –
O choro de Beth se tornou incrivelmente menos incômodo, as duas ficaram quietas. Quinn aproximou-se lentamente, ainda com a expressão fria e carregada. Rachel esperou um tapa, ou até um sussurro ameaçador, porém a punk fez o improvável; Pegou a pequena nos braços e encarou-a, ainda séria e com o olhar sem vida.
Quinn passou os olhos pela garota; Eram tão parecidas, ela era definitivamente uma Fabray, com os traços delicados porém firmes, o nariz fino e os olhos verdes dourados. Mas algo nela lembrava Rachel, e a punk não tinha certeza do que era.
– Hm ... Olá, Bethany. Você não deve me conhecer e deve estar me estranhando por ser a cara da sua tia só que um pouco ... Diferente ... Bem, eu sou a .. Pessoa que te fez. Não como Frankenstein ou algo assim .. Você não deve conhecer e talvez nem irá, mas algum dia eu te conto a história, é legal. Eu preciso de um favor, pode fazer isso? Eu quero que você pare de chorar, assim todos aqui poderão descansar, ok? –
A garotinha parecida com ela ainda ameaçava chorar e Quinn poderia até estar segurando-a desajeitadamente, mas ao menos estava em silêncio. A punk não sabia o que fazer e Rachel observava tudo um tanto surpresa; Quinn disse com todas as letras que Beth era um problema dela, e agora estava lá, fazendo a garotinha parar de chorar. Se bem que não era tão estranho assim, afinal os mortos agora devoravam os vivos, Quinn se tornando uma mãe não era a coisa mais anormal no mundo.
A ex-loira encarava a garotinha e trocava alguns olhares com Rachel, em busca de uma certa aprovação sobre a relação com a pequena. Por um segundo, a punk imaginou se teria a mesma chance de interagir com a filha no mundo antigo onde os mortos não queriam devorar os vivos.
– Eu .. Hm – Ela tossiu de maneira forçada, arrastando a língua pelo piercing no lábio inferior. – Vou ... Tentar dormir um pouco. – Entregou a garotinha para Rachel, e sentiu algo em si ao notar que Beth acompanhava todos os seus movimentos com admiração. –
– Ok ... Boa noite. – Por que diabos ela desejou boa noite para a garota que abandonou-a grávida? –
– ... Boa noite. – Respondeu enquanto sustentava o olhar com Beth até sair do quarto. –
Ela passou a noite inteira junto de Kurt na sacada vigiando as ruas, mas na verdade era uma desculpa simples para que os dois fumassem enquanto conversavam, afinal, zumbis não pulam muros.
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O café da manhã foi apenas alguns cereais e leite, sem muita simpatia entre o grupo. Logo em seguida todos arrumaram alguma desculpa de algo para fazer e foram cada um para o seu canto. Aproveitando que a mesa da sala estava desocupada, Sam abriu um mapa enorme sobre a madeira rústica, logo chamando Quinn, Charlie, Puck, Marley e Santana para uma pequena ‘reunião’.
– O que foi, droga? – A latina ralhou, seu mau humor provavelmente ligado a Brittany e o término de namoro dias antes do mundo acabar. Depois disso, era um tanto ruim conviver na casa da ex-namorada, mesmo com as condições atuais. –
– Bem – Sam chamou, entrando na postura de um verdadeiro líder. – Eu acho que vocês já sabem que não podemos ficar aqui para sempre. Os mortos lá fora podem criar problemas, mas principalmente os vivos, e bem, estamos em uma cidade, e se existe no mapa, um dia alguém chegará aqui. –
Charlie assentiu demoradamente enquanto Quinn fitava todas as rotas que dariam em Lima, e seus prováveis perigos.
– Então eu planejo sair daqui o quanto antes. Não quero arriscar o pessoal. – Algo no rapaz parecia mudado. No McKinely do mundo antigo, Quinn simplesmente achava-o um perdedor idiota, mas agora ele se mostrava muito mais do que isso. –
– É, Sammy, mas como vamos fazer isso? Cara, mesmo sendo um carro bonito, não acho que o Ford do senhor Pierce pode levar o grupo todo para lá e para cá. Também tem a gasolina, e se não encontrarmos postos? E aliás, temos comida para sobreviver zanzando de um lado para o outro? – Indagou Marley, batucando na mesa, todos ficaram em silêncio refletindo sobre o que fora dito pela morena. –
Um lampejo de ideia passou pela cabeça de Charlie.
– E se pegarmos o carro? – Indagou para a irmã gêmea, e Quinn franziu o cenho. –
– Char, era do vô John, não acho que seria uma boa ideia ... –
– Qualquer coisa é bem-vinda. – Puck deu de ombros, sem saber ao certo do que as gêmeas falavam. –
Elas se entreolharam e por fim, Quinn assentiu.
– A casa dos nossos avós não é muito longe daqui, e meu avó tem ... Tinha um Cadillac original, o tanque deve estar cheio, nunca vi ele usar aquela coisa ... – A punk deu de ombros, e logo os adolescentes se entreolharam. –
– Certo ... Precisamos de mais comida se formos ir para a fazenda-
– Calma, hombre! – A latina interferiu. – Pra que fim de mundo quer nos levar? –
– Como eu ia dizendo – Ele lançou um olhar para Santana, que apenas revirou os olhos. – Minha família tem uma fazenda em Perry Township perto de Akron, não é tão longe daqui. – Disse, enquanto a ponta de seu dedo indicador marcava a rota no mapa. -
– Umas duas horas de viagem ... Dependendo do ‘transito’ e paradas, podemos chegar em quatro ou cinco, no máximo. – Disse Marley, analisando mentalmente o mapa, as rotas e os problemas no meio do caminho. –
– Ótimo ... Não temos tanta comida assim, então é bom ir atrás de mais. Sem dizer que tem uma criança aqui. – Charlie pronunciou-se, olhando fixamente para a irmã mais nova ao citar sua sobrinha. Quinn desviou o olhar. –
– Quem quiser ir junto já vá se preparando, vou sair logo. – A punk deu as costas para os outros, logo indo em direção ao quarto que dividia com a irmã para pegar suas coisas. –
...
Uma camiseta gasta do Nirvana, camisa flanela, jeans com os joelhos rasgados e All Stars surrados junto de um bastão de baseball com arame farpado, um facão de caça e a mochila vazia deixavam Quinn com uma aparência rebelde, uma considerável má influência, de acordo com os pais mais superprotetores e conservadores. Charlie não estava diferente da mais nova, tirando a camiseta do Batman. Elas eram o oposto uma da outra, mesmo sendo gêmeas.
Puck estava apenas com jeans, coturnos e uma camiseta de banda que ninguém conhecia, armado com um martelo e uma machadinha que pegara de um zumbi bombeiro.
Marley não estava muito diferente do amigo, tirando seus amados All Stars vermelhos, a chave Inglesa e os óculos escuros Ray Ban.
Por fim Santana e sua regata dos Ramones junto dos shorts jeans e os coturnos e uma marreta que sabe-se lá de onde ela arrumou. Aquilo causaria muito estrago.
– Não morra. É sério. – Charlie sorriu para a irmã mais nova, que apenas assentiu. –
Kitty e Marley se beijaram como se não houvesse amanhã e depois de um abraço demorado a loirinha deixou a morena ir. Quinn trocou um olhar rápido com Rachel e então Beth, e logo determinou que sobreviveria, custe o que custar, ela ajudaria o grupo a sobreviver.
Com a ajuda de uma escada posta apenas daquele lado do muro para auxiliar na saída, eles logo estavam na calçada. Isso após Sam liberar o caminho em frente à casa com o rifle de caça de seu pai, que graças a qualquer divindade tinha um silenciador, para os cervos não se assustarem com os tiros na mata, de acordo com Matthew Evans.
Andaram em silêncio sendo guiados pelo mapa humano (Leia-se; Charlie) esgueirando-se e evitando matar e chamar o mínimo possível de atenção. Quinn aproximou-se da irmã gêmea após atravessar a cabeça de um morto-vivo.
– Hmm ... Desde quando a Berry e ... Sabe, o Hudson, estão juntos? – Perguntou, tomando cuidado com as palavras. Não queria parecer sentimental, ou em algum caso, ciumenta. –
– Depois da fuga na confusão do McKinley, Rachel e eu fomos até a casa dela buscar Beth. Os pais dela não estavam e não atendiam o celular, até hoje não sabemos ao certo que fim tiveram os homens Berry. Coincidentemente encontramos Britt e Finn protegendo o resto do grupo e logo fomos para a casa dos Pierce. Finn e Rachel estão juntos desde então, mas eu sempre cuidei para que nada interferisse na vida de Beth, ela sabe que somos parentes, mesmo sendo tão nova. –
A mais velha colocou a mão no ombro da irmã gêmea, confortando-a apenas com olhar.
– Quinn, eu sei que você a ama. Beth e Rachel, na verdade. – Ela levantou o olhar para protestar, mas sabia que poderia ser verdade. –
– Ali deve ter comida. – Meneou a cabeça na direção de um mercadinho, apenas para mudar de assunto, mas Charlie entendeu e deixou com que a irmã tivesse o próprio espaço para lidar com os sentimentos. –
– Será que tem bolinhos? Tomara que tem bolinhos ... Fazem meses que não como um. – Marley suspirou tristemente ao lembrar-se do doce favorito, logo apoiou a chave Inglesa no ombro e partiu atrás dos amigos. –
As portas estavam abertas e as primeiras prateleiras vazias, e estava quieto, até de mais. Puck pegou uma pedra do chão e então tacou em algum lugar que fez um certo eco. Esperaram segundos, minutos ... Só podia ser ouvido as respirações nervosas e talvez até as gotas de suor caindo no chão.
E então vieram dois pobres coitados de corpos ossudos e magros, seus rostos estavam meio desfigurados, mas ainda lembravam humanos, coisa que não eram fazia tempo. Por dois golpes de Santana, estavam decapitados no chão.
– Nah, pensei que era a minha vez. – Marley deu de ombros. –
– Não, você matou o último, agora sou eu. Tá querendo trapacear é? – A latina estreitou os olhos, lançando um olhar mortal em direção a morena. –
O pequeno grupo adentrou o mercadinho e encheram as mochilas com o que puderam, desde enlatados até instantâneos. Não precisava ser vidente para saber que na mochila de Marley só tinha doces, mesmo que não fosse recomendável, era bom apreciar as pequenas coisas.
– Ok, não vamos voltar pelo caminho que viemos. Chamamos o mínimo de atenção o possível mas mesmo assim chamamos, e essas coisas são como ... Hm, lobos. Um sente o cheiro e eles vem em grupo. – Ninguém se surpreendeu quando Charlie retirou um caderno da mochila com vários mapas de vários tamanhos escondidos no meio de suas páginas. – Podemos voltar sem repetir o caminho. – Ela analisou o papel, guiando-se pelo mapa de Lima. –
Os resto do grupo assentiu e logo retiraram-se do estabelecimento, indo pela rua oposta na qual vieram. Com os mesmos cuidados de sempre, esgueiravam-se lentamente por trás dos carros nas ruas mais movimentadas. Como tinham tantos mortos em Lima que sempre pareceu tão deserta?
Em uma das ruas mais vazias do dia, encontraram um carro de polícia batido em um poste, a porta da frente estava escancarada e o policial, morto. Talvez não realmente, nunca se sabe.
Passaram em frente com cuidado, e Quinn permitiu-se espiar dentro do carro. Na mão do policial repousada no banco do carona, estava uma arma. Ao que indicava, ele havia atirado na própria cabeça ao ser mordido. Isso era o que acontecia com mentes fracas que não souberam lidar com o mundo em que foram jogados, ou os desesperados que não queriam se tornar cascas canibais sem vida.
– É uma arma de fogo ... Podemos precisar mais do que o rifle do Sam. – A punk pronunciou-se. – Eu vou pegar. –
– ... Cuidado. – Charlie e Marley alertaram, em uníssono. –
Ela respirou fundo e assentiu, logo criando coragem para fazer algo tão ariscado. Então inclinou-se para dentro do carro, passando com cuidado para não relar no corpo e então alcançou a arma. Logo voltou numa velocidade incrível, sentindo o pulso desacelerar com o tempo.
– Sabe usar uma arma? – Puck indagou, arqueando uma sobrancelha. –
– Assisti algumas series policiais. Só coloque o dedo no gatilho se for atirar, certo? – Ela empunhava a arma, balançando-a de um lado para o outro. – É mais pesada do que costuma parecer. –
Charlie deu mais uma vasculhada no carro e encontrou outra arma no banco de trás. A empunhadura estava quebrada, mas as balas estavam boas. Porém agora, Quinn só tinha nove tiros.
– Bem, vamos andando. – Marley chamou, enquanto mordia um bolinho de morango. -
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