Unconsciously

3 Capitulo 2 - I promise you


Notas iniciais
Demorei ne? Desculpe mesmo, meus bloqueios são do tipo... demoram a passar... bem espero que gostem Y_Y

Durante o duro caminho da vida, você vai encontrar muitas mãos e alguns delas, em sua maioria, estarão fechadas, sem disposição para se abrir. E raro será encontrar aquelas que estarão abertas tentando ajudar. Muitos de nós chegamos a desconfiar quando uma delas se dispõe a nos erguer, serão diversas as vezes que hesitaremos, antes de enfim aceitar. Pois afinal depois de tantas recusas, o que se espera daquela que se dispôs a ajudar?

Quando se pensa muito a respeito, logo passam a surgir perguntas; “o que elas querem em troca?”, “porque estão fazendo isso?”, “se aceitar estarei fazendo a coisa certa?”. E por mais que tentemos de algum modo acreditamos, que se alguém quer nos ajudar por pura generosidade, sabemos que o mundo não é um lugar verdadeiro. Que a humanidade pode ser tão assustadora, quanto os monstros que um dia acreditamos existir dentro dos armários ou de baixo de nossas camas, afinal ela nos tirou a confiança cega que um dia depositamos quando criança.

Mas quem somos nós para entendermos nossas próprias motivações? Nossos próprios objetivos? Estamos navegando, sobre um barco que não tem um destino certo. Mesmo em nossas buscas por entender, ainda estamos perdidos, perdidos em nossa própria missão de saber o que o futuro nos espera, o que estamos esperando dele. Pois de algum modo toda a confusão que somos e de como agimos, surgiu ainda quando não poderíamos entender o porquê de estarmos aqui. Afinal você sabe o seu destino? Você entende porque a vida te coloca em prova e quando está prestes a desistir a mão que menos espera se ergue?

Emma não tinha idéia, não sabia como lidar com os acontecimentos ruins de sua vida e já não tinha esperanças de algum dia algo dar certo. Tinha posto suas mãos para o alto e deixado que o seu caminho fosse como sabe se la quem quisesse, pois estava cansada de ter fé, estava cansada de vencer desafios que ao menos tinha aceitado. Ela estava naquele momento desistindo de lutar por uma vida fadada ao fracasso.

– Olá!- é, novamente a vida estava ali desafiando-a sem ela própria querer, como se o “estou desistindo” tivesse sido ouvido e ignorado, e como uma aviso olhando pra ela os mesmos olhos marrons, de algumas horas mais cedo. — Não sei se ainda vale, mas gostaria de me desculpar sobre hoje mais cedo. — Emma estava atordoada, não sabia o que falar o que pensar, ela imaginou que nunca mais veria aquela mulher, era NY no fim, e estava longe da compreensão dela como tinha voltado para aquele lugar. — Está com fome? — como um aviso sua barriga roncou e apenas mexeu a cabeça constatando que sim estava faminta. — Quer comer algo? Há uma lanchonete a alguns passos daqui.

– Não precisa. — Respondeu a menina, abaixando novamente a cabeça e olhando para suas mãos, estava tão cansada e sim queria muito poder comer algo. Mas não sabia o porquê daquela mulher querer ajudar, estava confusa sobre como deveria agir, na verdade estava confusa desde o momento em que colocou os pés para fora de sua casa.

– Eu insisto.

O que ela tinha a perder? Já não tinha mais dinheiro, uma casa, comida e até mesmo dignidade. Estava em pedaços, sentada na calçada de um prédio chique que jamais poderia entrar. Então o que tinha para temer? Sua vida? Ela já estava tão desgastada que era o que menos importava agora.

– Tudo bem. — foi tudo que conseguiu falar quando decidiu que não tinha o que perder. Levantou ensopada e tremendo, tentando ficar em pé e seguir a mulher a sua frente.

Depois de andarem algumas quadras, estando as duas já ensopadas. Adentraram uma lanchonete aparentemente pequena e mal cuidada, mas a sua entrada não fazia jus ao conforto e primor dentro dela. Emma estava meio receosa de entrar ali, e notava que a mulher ao seu lado, era uma visita constante no local. As pessoas diziam “oi” e sorriam por onde ela passava e aquilo fez a loira se sentir deslocada e não muito bem vinda no lugar.

– Venho aqui desde meus 22 anos. — Sussurrou a mulher mais velha assim que se acomodaram em uma das últimas mesas e o silencio já não era mais tão confortável. — A propósito sou Regina.

– Emma — Disse tímida ao pegar a mão estendida de Regina em uma forma educada. Ainda estava meio sem saber o que fazer e apenas ficou a observar o local, a decoração era voltada aos anos 60, das cores às mesas, e aquilo encantou Emma que era apaixonada por design de interiores, o que a fez sorrir.

– O que gosta de comer? — Regina questionou ao pegar o cardápio e estender à menina a sua frente. Não sabia como fazer aquilo, mas queria fazer certo. Achou que se há levasse em um local familiar, ao menos para morena, faria com que ela não se sentisse um fardo que deveria ser escondido.

No fim Regina só queria saber o que houve para aquela menina estar na rua, queria ajudar, nunca tinha ajudado ninguém, mas a forma como a loirinha tinha a enfrentado e mostrado que mesmo com a aparência de fraca e cansada não deixaria ninguém passar por cima dela. A intrigou e a fez querer ajudá-la.

– Pode ser um lanche qualquer. — respondeu Emma, mordendo os lábios ao entregar o cardápio à morena sem ao menos abrir de volta.

– Bem vou pedir o meu favorito, que sem duvida é o melhor daqui. — Disse a morena animada e quando Emma concordou com a cabeça, chamou a garçonete que logo anotou o pedido e se foi. Deixando novamente as duas sozinhas e sem saber o que falar. — Tem quantos anos? — Depois de longos minutos enfim Regina tomou coragem para perguntar, estava curiosa e queria saber um pouco mais sobre aquela menina, que não parecia que estava nas ruas há muito tempo. Ela era bonita, tinha olhos verdes com ar inocente e magoados quando se parava para observá-los melhor.

– Tenho 18. — murmurou olhando para algum ponto qualquer, tentado entender o que estava fazendo ali. Sentia confiança naquela mulher a sua frente, que mais cedo parecia tão arrogante, mas agora se mostrava doce. No fim não sabia explicar, ela só queria fugir do mundo, estava cansada, seus ossos doíam de frio e sua barriga roncava. Porém durante todos aqueles dias que estava fora de sua casa, este momento fora o único que ela se sentiu bem.

– Tenho 30, caso queira saber. — falou sorrindo. Após alguns longos minutos viu a garçonete se dirigir a mesa que sentavam e as serviu com dois cachorros quentes tamanho família. Os quais fizeram Emma arregalar os olhos e Regina rir com a reação. — Sim, se algum dos meus clientes me virem aqui comendo isso, nunca acreditarão na minha seriedade e arrogância.

– Ainda estou tentando identificar a mulher do começo do dia. — Falou a loira rindo, pela primeira vez até então.

– Digamos que eu tenho um humor nada agradável durante a manhã. — disse por fim, deixando o silêncio calmo pairar sobre as duas enquanto saboreavam os lanches.

As duas se olhavam em compreensão, não entendiam bem os motivos. Emma era uma sem teto, e Regina uma mulher sozinha, mas de alguma forma assimilavam os sentimentos uma da outra. Sobre o que era se sentir abandonada pelo mundo ter tudo, mas ainda assim não ter nada. A loira tinha vivido com isso durante muito tempo, e a morena bem ela vivia constantemente tentando se provar para o mundo. No fim eram duas pessoas diferentes que conheciam o sentimento de solidão muito bem.

– Obrigada. — Sussurrou a mais nova assim que tinha terminado seu lanche, ela sabia o quanto era difícil encontrar alguém há lhe oferecer ajuda sem querer algo em troca. Na maioria dos poucos dias que estava na luta pela sobrevivência nas ruas, encontrou muitos homens que a desejavam e a oferecia qualquer coisa pelo seu corpo.

A lembrança de Portland ainda era vivida em sua mente, um homem alto que a prendia sobre o chão, que tentava a todo custo rasgar suas roupas. Aquilo ainda a fazia tremer e agradecer aos céus por seus gritos de socorro ter sido ouvido, por ser salva do porco que tentava romper a única dignidade que ainda conseguia carregar.

– Não vejo pelo que. — Sorrio Regina ao ver o rosto frustrado da menina a sua frente. Imaginando os horrores que ela deveria ter passado, ela se sentia triste por ver alguém tão jovem estava tão no fim do poço.

– Posso te perguntar algo? — questionou depois de alguns minutos em silencio, querendo entender a loira ao mesmo tempo queria ajudá-la seja como fosse. Ela não poderia deixar aquela criança sair pela porta, sem saber como seria o futuro e se ela estaria viva até amanhã.

– Sim.

– Como veio parar nas ruas? — perguntou sem saber se haveria resposta. Mas queria que Emma a respondesse, que mostrasse a ela que queria ser ajudada e assim a morena poderia pensar no que fazer para ajuda — lá.

– Meu pai morreu ainda quando era muito nova. — sussurrou, nunca contaria a outro estranho, mas naquele momento simplesmente precisava desabafar com alguém, e seu coração dizia que Regina era confiável. — Minha mãe me culpa pelo fato, bem foi o que sempre acreditei. — suspirou tentando organizar as idéias em sua cabeça e filtrar o que era possível revelar, o que poderia continuar a contar. — Ela se casou com meu tio, um homem desprezível que roubou meu pai e minha avó. — Deixou uma lágrima cair sobre seu rosto. Sabia que a culpa pela morte de sua avó e da tristeza de seu pai era de James e aquilo a fazia odiar sua mãe, odiar todos os anos que fora obrigada a sorrir para ele e aceitar toda aquela merda que fora sua vida após a morte de seu pai.

– Não me arrependo de sair de casa, odiava aquele inferno. — suspirou por fim deixando as lembranças do que mais doía só pra ela.

– Você não tinha dinheiro? — Perguntou Regina curiosa, também tinha sofrido com a rejeição de uma mãe, na verdade convivia com a preferência nítida de sua mãe a sua irmã. Mas provara à Cora que era capaz de muito, e se tornou tão grande quanto qualquer um poderia prever.

– Tinha, juntei durante anos. Planejei tudo, sabia que quando completasse 18 se não saísse de casa ela me expulsaria. Mas a vida tem um jeito engraçado de nos provar que nunca devemos confiar nas pessoas. — disse deixando as lágrimas caírem, lembrado da dor de ver o homem que amava e confiava, a roubando e tratando o amor deles como se nunca tivesse sido nada. — Agora estou eu aqui, na rua, sem um centavo no bolso esperando uma criança de um pai ladrão e traidor. Que deveria fugir comigo e não me roubar.

– Você esta grávida? — Regina questionou espantada ao olhar mais atentamente a menina a sua frente, desceu o olhar para seu ventre buscando indícios que havia vida ali.

– Sim. — tentou novamente segurar as lágrimas, mas estava exausta, não sabia o que faria dali por diante, estava cansada de esconder aquele peso só pra ela. Estava cansada de viver com a dor de todos os erros que cometera ela só precisava dizer mesmo que não planejava falar àquela mulher.

– Se acalme. — a morena disse ao se dirigir para o lado da loira e se ajoelhar a sua frente. — Ei criança, esta tudo bem. — falou para Emma quando a jovem sem notar se jogou para os braços da mais velha, como uma criança que precisava de proteção, e aquela mulher poderia ser a sua. — Vou cuidar de você. Eu prometo

Notas finais
Digam o que acharam meus amores