Unconsciously
4 Capitulo 3 - Some dragon to slay
Notas iniciais
Muitas pessoas quando mais novas criam planos para um futuro, tem sonhos sobre como sua vida será aos 30 anos, esperando que em algum momento dela esses tais planos se realizem. Porém, a verdade é que podemos alcançar alguns dos sonhos, mas ainda assim sempre seremos surpreendidos com alguma mudança que jamais pensaríamos ser uma possibilidade.
Regina nunca esperou encontrar uma menina como Emma em sua vida, ao menos pensou que no momento que a conhecesse mais a fundo passaria á jurar para si mesmo que encontraria um modo de como ajudá-la. Assim como nem em seus mais remotos planos, incluiria levar ela para sua casa. Mas naquele momento de sua vida, nem um pensamento ou julgamento sobre suas ações estava em pauta. Apenas sabia que precisava ajudar a menina a qual carregava os horrores da vida em seus ombros, que tinha em seu ventre uma vida que assim como a mãe precisava desesperadamente de sua ajuda.
– Seja bem vinda. — sussurrou a morena quando abriu a porta do apartamento luxuoso que possuía no One Madison que ficava entre a 5ª Avenida e o Central Park.
– Obrigada — Emma ainda se sentia insegura sobre confiar na mulher a sua frente, seus olhos possuíam lágrimas que não paravam de cair desde que se permitiu contar tudo que tinha passado. Ela não sabia os motivos de ter finalmente se aberto para alguém, mas se sentia mais leve, mesmo que sua cabeça gritasse que mal conhecia a mulher a sua frente. Na verdade só sabia seu nome e onde trabalhava, mas no fim tinha desistido de lutar, então porque não deixar o destino dar seu curso as coisas?
Quando Regina há algumas horas atrás se ajoelhou e deixou a mais nova chorar sobre si na lanchonete, soube no momento seguinte que traria para sua casa e tentaria achar um modo de ajudar aquela garota. Ainda estava processando como faria isso, mas sabia que na rua não poderia deixá-la, não quando em seu ventre carregava uma vida, uma sensação a qual infelizmente ela nunca mais poderia ter.
– Regina? — a loira sussurrou apos longos minutos de silencio, a qual se deslumbrava com o luxuoso apartamento em que acabava de entrar, as paredes eram todas de vidro que dava a visão completa da cidade tendo a sensação de que estava flutuando sobre ela. Emma nunca tinha visto qualquer coisa assim em sua vida, ela se sentia em um sonho, porém tinha outras coisas com as quais precisava lidar naquele momento.
– Oi? — respondeu rapidamente à morena passando a olhar para a loira de uma forma doce que parecia tão perdida em suas dúvidas internas que fizera a mais velha temer o que viria a seguir.
– Por que? — a questão fora dita em um som baixo, Emma tremia, ela não sabia se deveria questionar a mulher, afinal ela estava ajudando não? Para que levantar questões que poderia desmanchar a única esperança que conseguiu em tantos anos?
– Poderia te dar várias respostas, mas pela primeira vez em todos os meus 30 anos, não tenho idéia do que falar. — Suspirou derrotada ao olhar sua íris verde que demonstrava tanta insegurança, tanto medo. Fazendo Regina lembrar sua versão mais jovem, por diversas vezes trancada em lugares escuros, como forma de punição por sua desobediência. Ainda sentia as consequências, lembrava-se do gosto amargo de sangue em sua boca por seus gritos de desculpas e ter as palmas das mãos doloridas de tanto socar a porta. Por mais que os anos tenham se passado ainda era forte a lembrança da crueldade do colégio de freiras que sua mãe a tinha matriculado.
– Desculpe. — O sussurro veio após longos minutos de silêncio absoluto. Emma estava tensa, tinha mergulhado em seus próprios temores, estava com medo do que aquela mulher estava oferecendo a ela e há muito tempo não estava inteira para confiar seja em quem fosse. Sua vida toda fora uma sucessão de tragédias que até hoje impediram-na de se recuperar dos estragos. Seu pai, sua avó, sua mãe, James, Neal, todos eles haviam feito ela duvidar de qualquer pessoa disposta a ajudar. — Só queria entender como uma pessoa tão rica queria me ajudar.
– Às vezes não temos motivos, só sentimentos. — Regina disse tentando por um fim nas dúvidas que não levariam à lugar nenhum. Há não ser mais ao fundo dos esqueletos do armário. Porém naquele momento a morena não estava preparada para lidar com eles. — Quer conhecer o local? — por fim proferiu tentando sair daquele emaranhado de perguntas que se seguiriam até que uma delas desistisse daquela tentativa de ajuda mútua. Para uma era o escape das regras, da solidão e para a outra a salvação da tragédia que tinha se tornado sua vida.
– Sim.
…
Quando Emma já estava apar de todos os cômodos principais da casa, nem eram muitos, pois o triplex era bem arejado tendo poucas paredes e mais ligações entre um cômodo e outro. O primeiro andar era localizado na areá principal, junto com a sala de estar e mais ao fundo a cozinha, o segundo andar era uma aréa mais para o lazer, tendo uma pequena biblioteca e o escritório em um como separado. A loira se sentia em um filme ou em um sonho, pois tudo que via era muito diferente da simplicidade que sua família vivia, mesmo que eles possuindo dinheiro, nunca chegaria aos pés da fortuna que aparentemente aquela mulher possuía.
– Seu quarto. — Regina murmurou quando abriu uma das últimas portas do corredor do terceiro andar do Triplex, fazendo assim os olhos da mais nova brilharem. O aposento era gigante, maior que seu quarto antigo, a cama localizada no centro do quarto era de dorso, mas nada se comparava a visão que possuía. Todo o apartamento tinha aquela visão, porém a loira ainda se sentia boba por poder olhar para a cidade de cima.
– Obrigada. — longos minutos se passaram até Emma conseguir falar qualquer coisa que fosse, ainda não tinha total confiança na morena, ainda estava quebrada por dentro e não sabia onde chegaria com tudo que estava acontecendo. Mas naquele momento ela realmente se sentiu agradecida por alguns momentos de felicidade, de pensar que talvez alguém estava disposta a ajudar sem cobrar um preço tão alto em troca. — Muito obrigada mesmo.
– Não tem o que agradece, estou apenas me redimindo pela grosseria de mais cedo. — Regina sabia que não era só por aquele motivo, tinha muito mais sobre suas ações que nem ela própria estava disposta a admitir. — Se quiser tomar banho, posso emprestar alguma roupa confortável.
– Agradeceria muito. — fazia tanto tempo que Emma não sentia o calor de um chuveiro elétrico sobre sua pele, que o pensamento de enfim poder tomar banho quente fazia querer dançar.
– Vou buscar. — A morena disse sorrindo ao notar o entusiasmo da outra, finalmente se sentia feliz sobre suas ações como há muito tempo não sentia. — Bem meu quarto e na porta da frente, caso precisar de algo pode chamar. Mas pra todo o caso eu já volto. — falou e seguiu para o seu quarto, deixando a loira sozinha com seus pensamentos.
Quando Regina chegou a seu quarto, ainda sorria por saber que estava fazendo o certo e também ver a felicidade da menor fazia com que todos os seus conflitos internos entrassem em ordem. Mesmo que a pergunta feito a pouco ainda ecoasse em seus pensamentos, sabia que estava fazendo o certo, mesmo que algumas de suas questões fossem um pouco egoístas. Ajudar aquela menina parecia ser a coisa mais certa que tinha feito em seus 30 anos.
– Obrigada Elsa. — Regina sussurrou para o vazio, imaginando que onde Elsa, seu eterno anjo estivesse, ela saberia que sua ajuda para com Emma era a tentativa de se redimir, de finalmente fazer diferente.
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