Uncommon Love

20 Só nosso


Notas iniciais
Hey, Sweet! Quase um mês pra terminar essa continuação que, devo avisar, esta enorme. Primeiro, precisei de todo esse tempo para terminar por que apaguei e re-escrevi algumas vezes certas partes. Segundo, acho que ficou bem legal e que vão gostar. Terceiro, pensei em dividir o capítulo, mais acreditem, se fizesse isso, o deixaria sem graça. Quarto, algumas leitoras criticaram a fic no que diz respeito a relação de Damon e Elena e a grande participação que os amigos dele estão tendo na história, então o capítulo de Cancun trás especialmente um Damon amoroso e cuidadoso e é a porta de entrada para o romance deles ficar cada vez mais sério, por isso também montei esse banner de capítulo com fotos Nian que vocês vão entender assim como o título do capítulo no decorrer dele, quanto aos amigos, todos, sem exceção são muito importantes na história e se você prestar mais atenção, são eles que fazem o papel de família para Damon e assim será para Elena também, já que são tio e sobrinha e não convivem com suas famílias. Quinto, tem personagem nova na área e (spoiler) vai nos ajudar a entender sobre Elena e seu passado! Boa leitura!

Eram 18 horas quando Damon, Elena, Danny, Bonnie, Lexi e Kalleo adentraram o saguão do Aeroporto Internacional John F. Kennedy no Queens. Era evidente a chateação de Caroline ao ver Elena de mãos dadas a Damon e segurando Kalleo nos braços. Lexi carregava uma pequena mala e uma mochilinha com as coisas do filho, Bonnie e Danny também de mãos dadas sorriam entre conversinhas.

– Demoraram! – Caroline os recebeu com uma careta, mais a voz era de alívio – Vão logo fazer o Checkin.

– Calma, Loira – Elena disse revirando os olhos.

– Elena, colocou seu RG na minha carteira? – Damon perguntou lançando-lhe um rápido olhar e ela balançou a cabeça em um silencioso sim.

– Quer beber alguma coisa, Caroline? – Perguntou Elena a loira que teclava freneticamente no celular.

– Nem morta eu aceito qualquer coisa que venha de você, garota – ela respondeu em seu mais rude tom. Elena apenas sorriu. Bonnie aproximou-se dela sorrateiramente, pronta a cochichar em seu ouvido.

– Danny me contou sobre Caroline ser internada as vésperas de viajar com o seu tio. Por essa pergunta, é óbvio que você teve alguma coisa haver com isso...

– Onde vamos sentar? – Elena desvencilhou-se de Bonnie em um salto quando percebeu que o seu tio Damon se aproximava – Vou ao seu lado?

– Eu... – Ele não teve tempo de responder. Caroline tomou os papeis de sua mão.

– Com licença – Ela disse em alto tom para que todos os amigos a escutassem, o que não se fazia necessário, já que todos estavam próximos formando uma espécie de semi circulo – Me deem o de vocês...

Saiu recolhendo todos os bilhetes de embarque, Elena e Bonnie sorriram uma para a outra e balançaram a cabeça. Após dois minutos analisando os bilhetes, anunciou satisfeita o acento de cada um.

– Bennet e Dessai juntos A e B 8 – estendeu os bilhetes para Bonnie e Danny – Genevieve ta do lado do Nathan D e E 9. Matt e eu estamos na B e C 9 e família Salvatore D, E e F 8 – Caroline sorriu ao estender os bilhetes de Damon, Kalleo e Lexi, excluindo Elena descaradamente, o que lhe fez o sangue borbulhar de raiva.

– E a Elena, Carr? – Damon perguntou lhe dando um sugestivo olhar. Ela se recompôs, mais não a tempo de evitar um dos comentários de Nathan.

– Caroline ta doida por uma treta... – Genevieve lhe deu um disfarçado tapa nas costas, mais ele apenas sorriu irônico.

– Querida – A loira soltava as palavras como se fizesse o anuncio da nova coleção da Victoria's Secret – Você ficará na poltrona B número 30.

– O que? – Elena soltou um grito enraivecido, fazendo Nathan gargalhar e Damon dar Kalleo a Lexi. Danny mexeu nos cabelos preocupado – Você só pode ta de brincadeira, loira de farmácia.

– Elena... – A voz de Damon soou preocupada. Não queria passar a imagem de autoritário para Elena, especialmente agora que estavam tão bem, mais não poderia dar bandeira na frente de tanta gente.

– A cor dos meus cabelos é natural, garota.

– Você falou Família Salvatore – ela recomeçou, sem se importar com Damon – EU sou uma Salvatore!

– Eu me esqueço – ela recomeçou com sua voz mais sarcástica – Desculpe, estou mais familiarizada com a Lexi...

– Nem fudendo eu vou sentar isolada na ultima fileira! – Elena voltou a gritar, fazendo com que os olhares de muitas outras pessoas ao redor se voltassem para eles.

– Ok, amor – ela respondeu fingindo calma – Faça o titio Damon tentar mudar sua poltrona, ou te transferir para outro voo gastando mais dinheiro do que ele já vai gastar com você. Esse já está lotado.

– Caroline... – Agora era a voz de Matt que soava preocupada. As duas pareciam cada vez mais descontroladas, especialmente Elena. Danny poderia jurar que ela voaria no pescoço da loira.

Kalleo pediu baixo para que Lexi o colocasse no chão. Sem que ninguém percebesse, ele se encaminhou na direção de Elena e agarrou sua perna esquerda. Ela se assustou de inicio com o contato, mais se acalmou quando viu quem a avia lhe tocado.

– Tia Lena, não briga – o menino falou em tom baixo, mais suficientemente audível a ela e aos outros – Por favor... – Ela balançou a cabeça em um sim e o tirou um sorriso lateral.

– Eu não vou mais discutir, pequenino – falou, abaixando-se para pegá-lo nos braços.

– Nem você, Tia Carr?

– Eu não discuti, meu amor – respondeu estendendo o bilhete em direção a Elena, que o pegou de mau gosto para não contrariar a criança.

– Elena, se você quiser eu troco de lugar com você – Lexi se dirigiu a ela, mais Elena já havia repensado na decisão de não sentar na fileira 30.

– Não, ta tranquilo, Lexi – Ela respondeu chegando perto da outra loira para lhe entregar Kalleo – Eu vou lá atrás.

Voo 168978 Internacional com destino a Cancun, embarque no portão 5

– Agora que a brincadeira tava ficando legal – Nathan falou ao colocar a alça da pequena maleta sobre o ombro direito. Elena seguiu até Danny que segurava sua mochila marrom, a colocou nas costas e seguiu para o lado de Bonnie, cochichando em seu ouvido quando teve certeza que Danny nem ninguém ouviria.

– Quer me ajudar a fazer dessa viajem inesquecível, Bon Bon? – Ela perguntou com um sorrisinho lateral.

– E eu tenho escolha?

– Na verdade não...

– Isso é a cara da Rebekah...

– O que?

– Estragar festas, oras...

– Eu diria que é mais a cara de Dr. Klaus – Elena relembrou o episódio na mansão dos Mikaelson – Se lembra?

– Você não conhece a Rebekah como eu... Ela é o Klaus de saia...

– Acredite Bonnie, eu posso ser muito pior do que os dois juntos.

(...)

– Preciso que descubra algumas coisas pra mim – Elena disse para Bonnie quando desembarcaram no Aeroporo Internacional de Cancun às 03h30 da madrugada. A morena espantou-se pela chegada repentina de Elena e acabou deixando seu passaporte e um batom vermelho caírem no chão.

– Valeu, mente brilhante – ela disse ao ver o que tinha acontecido com o batom.

– Ahh, Bon... Te compro outro se topar me ajudar.

– Eu já topei, Elena. Fala logo o que tu queres...

– Simples – disse sorrindo de orelha a orelha ao entregar o passaporte ao fiscal mexicano. Eram as ultimas da fila e o grupo as esperava mais a frente – Vire amiga da Loira. Gracias! – Agradeceu ao receber o passaporte de volta.

– Só pode estar de brincadeira – Bonnie retrucou ao entregar o documento.

– Se você não virar, como eu vou descobrir os planos dela?

– Elena, não tem como virar amiga de uma advogada de renome da noite pro dia. Literalmente. Gracias.

– Tem que se aproximar dela. Usa o Danny pra isso, são sócios e você é criativa.

– Quer que eu use o seu melhor amigo como forma de conseguir arrancar informações que podem servir para prejudicar uma amiga de anos dele? – fingiu indignação forçando a voz enquanto caminhavam em direção ao grupo de amigos.

– Quero que use todo o seu talento de atriz em prol de algo muito maior e melhor que Caroline Forbes.

– Até que em fim chegaram – Caroline disparou em direção das duas com alguns pedaços de papeis em mãos. Matt a observava atento quando ela estendeu a mão com o papel para Elena e recomeçou a falar em uma calmaria desnecessária – Este é o endereço da casa em que vamos ficar. Tem três, porque precisamos de três taxis. Faça seu trabalho, nos arrume os taxis.

Sem responder, Elena seguiu em direção a fila de carros brancos com faixas azul marinho e a palavra taxi na lateral parados em frente ao aeroporto. Falando em espanhol, ela pediu para que parassem mais a frente onde um grupo de amigos seus esperavam para irem ao endereço escrito nas folhas que distribuiu. Voltou ao grupo e avisou que já estavam vindo.

Caroline, Matt, Genevieve e Nathan entraram no primeiro taxi. Damon sinalizou para que ela entrasse no taxi em que ele, Lexi e Kalleo (que dormia nos braços da mãe) iriam, mais ela negou com a cabeça e pediu para que Danny fosse com eles.

– Não, é perigoso. Vocês estão em outro país, não podem entrar em um taxi com um mexicano que não conhecem. E se ele sequestra vocês duas? – Danny falou baixo para que o velho motorista não ouvisse. Algo desnecessário, já que o homem usava um aparelho auditivo e tentava ainda decifrar o endereço no papel.

– Me poupe, Danny... – Elena respondeu rindo sem vontade – Você acha que esse velho vai nos sequestrar?

– Quem vê cara, não vê coração, Elena.

– Vocês vão logo atrás de nós. Anota a placa... Não tem perigo.

– Vocês não vem não? – Nathan gritou do banco da frente do primeiro taxi.

– Porque você não quer ir com o Damon? – Perguntou como que fazendo sua ultima tentativa.

– Tarefa da Faculdade. Temos que construir uma peça e a Elena teve algumas ideias durante a viagem. Só que é segredo absoluto. Ninguém pode saber do projeto, nem a nossa família. São regras do professor... Não conte a ninguém e não nos faça quebrar a regra novamente – Bonnie disse baixo e séria. Com ela, Danny não discutiu, apenas fechou a cara e deu meia volta em direção a outro taxi. Elena e Bonnie sentaram no banco de trás do taxi do velinho e eles seguiram viagem.

– Por favor, niña, me puedes leer la dirección? No entiendo esta carta – O velho estendeu o papel para Elena e ela o pegou.

– Rúa Flamingos. Siguiendo el Boulevard Kukulkan. Carta V, N º 178. – Ela respondeu com o endereço descrito no papel.

– Gracias.

– Anda Elena. Me diz o que pensou – Bonnie pediu impaciente.

– Eu listei o que preciso que descubra. 1º, você precisa descobrir quem alugou a casa para a Caroline.

– Não é bem uma casa...

– O que? – Elena perguntou sem entender, a própria Caroline havia dito que era uma casa.

– É uma casa, dentro de uma espécie de resort. Eu não sei explicar direito, Danny quem sabe... Parece que ela ainda vai buscar a chaves antes de entrarmos...

– Ta me dizendo que é uma espécie de...

– Olha, vou tentar explicar... Nós vamos para um resort. Vamos ter uma casa das muitas de lá, para o nosso grupo. O resort vai fornecer cozinheira, arrumadeira e faxineira durante esses dias.

– Você ta me saindo melhor do que a encomenda, Bennett – Elena sorriu a elogiando.

– É tudo o que consegui com o Danny durante a viagem...

– Bom, então temos uma mudança de planos – Elena deu uma pausa, reajustando suas ideias – Então... Bon, você vai ter uma coisa a fazer. Vai descobrir o motivo maior de Caroline querer reunir todos aqui.

– O quê? Como assim, Elena? – Perguntou novamente sem entender.

– Sherlock Loira não da ponto sem nó, e isso nós temos em comum. Tem alguma coisa a mais nesse fim de semana entre amigos... Eu não sei o que é, e nem o que ela ta pensando... Você tem que descobrir isso...

– Lena, eu não sei...

– Ela ta escondendo algo, vai por mim... – Elena parou para pensar por um instante — Señor, ¿ten en el camino de una tienda de animales las 24 horas abierta?

– No. Las tiendas de mascotas sólo se abren a las 08 de la mañana, chica.

– Señor, necesito que me ayudes con algo... – Ela recomeçou. Bonnie a olhava sem entender, fazia caretas tentando decifrar as palavras em espanhol pronunciadas de forma tão rápida pela amiga. O velho balançou a cabeça em concordância — ¿Si yo te pago, me dan 3 ratas, no hay ninguna calle, con hambre de una tienda de animales?

– Sí, señora. Puedo comprar por la mañana – O velho concordou em ajuda-la de bom grado — Voy a necesitar 70 pesos.

– Cien dólares cubren 70 pesos?

– Sí, señorita.

– Aquí está mi número de telefono – Ela pegou de sua mochila uma folha de papel e uma caneta que apoiou sobre o encosto de cabeça do banco e escreveu o seu numero de telefone –me puede llamar. Cuando vengas, puede detenerse en los Flamingos de la calle, lo haré al Señor. Te pagaré cuando usted trae el hambre, ¿de acuerdo?

– Sí, señorita.

– O que diabos vocês estavam falando, Elena? – Bonnie disse levemente irritada – Céus... Só em momentos assim para a gente se arrepender de não assistir as aulas de espanhol no colegial...

– Calma, Bon... – ela respondeu calmamente sem desviar o olhar da estrada – Pedi para que me comprasse 3 ratos.

– Ratos!? – ela perguntou alarmada. Odiava ratos.

– É, lindos ratinhos para “Carr” – Cantarolou – Señor, cien dólares compran algún tordo ¿también?

– Sí! – sorriu alegre.

– Por acaso “tordo” tem alguma coisa haver com sapo, Elena? – A voz de Bonnie soou temerosa. Elena apenas balançou a cabeça em concordância.

Elena! – Bonnie choramingou – Eu odeio esses bichos!

– Deixa de frescura, Bonnie Bennett – balançou a cabeça indignada – E trata de me ajudar a achar uma maneira de contrabandear esses bichos pra dentro da casa sem ninguém saber.

Da rua Flamingos e sobre a luz fraca do luar e alguns postes, Bonnie e Elena puderam enxergar as ondas que se chocavam contra a areia branca da praia. Era lindo, tão lindo quanto o outro lugar que Caroline havia planejado ir com Damon logo que ela chegou em Nova Iorque. Sorriu com a lembrança do que aquele fim de semana acabou resultando. Mais o sorriso cessou quando lembrou que eles não estariam sozinhos como naquela ocasião, mais sim, rodeados de pessoas que não sabiam um terço do que realmente era a relação dos dois. Damon agiria como o tio que nunca fora e nunca seria, se dependesse somente dela. Mais não dependia. Qualquer passo em falso que ele desse poderia lhe custar sua carreira e Elena tinha plena sabedoria disso.

Era bom Bonnie estar ali. Não só para ajudá-la a proporcionar novamente a Caroline um fim de semana inesquecível, mais para distraí-la do que seria uma verdadeira tortura. Damon agora tinha um filho e uma ex-namorada que um dia fora o amor de sua vida a tira colo. Para onde fosse, ela e a criança iriam juntos e Elena nunca se aproximaria como queria dele. Tentou ser forte quando Caroline anunciou “Família Salvatore” e a excluiu, mais não pode evitar bater boca com ela. Se não fosse Kalleo teria ido muito mais fundo e se metido em uma confusão com a outra. Queria correr para os braços de Damon quando chegassem na casa alugada, mais sabendo como Caroline a odiava, era capaz de entrar no quarto e se deparar com Lexi e Damon dividindo uma cama. Espantou esse pensamento rapidamente.

Decidiu que se concentraria em seu plano do mal. Não conseguiu evitar o desejo de se vingar de Caroline, sobre tudo por que não tinha muitas opções de coisas a fazer nesses dois dias e meio em Cancun. Ser babá de Kalleo estava fora de cogitação. Ele tinha a mãe, o pai e a “tia Gê” de prontidão. Curtir a praia sozinha era algo que odiava fazer. No Brasil, só saia se fosse rodeada pelos unicos amigos farofeiros que tinha. Havia Danny e Bonnie, mais segurar vela não era algo que ela curtisse. Pensou em Nathan, o solteirão amigo do tio que estava ali pra beber com os amigos... Mais ele poderia dar em cima dela e isso com certeza irritaria Damon. Se o tio foi capaz de pular no pescoço de Danny para “defender” a honra da sobrinha, o que faria agora que estavam de alguma forma... Juntos? Voltou a pensar em sua carreira, no advogado Damon Salvatore.

– Até que em fim chegamos – Bonnie anunciou bufando – Anda Elena, paga o velho...

– Eu não tenho dinheiro mexicano – Elena resmungou de volta – Chama o meu tio ai...

– 38 pesos, señorita – anunciou o homem a Elena alto demais. Ela balançou a cabeça de mal grado, tentando ser o menos mal agradecida possível, afinal, este homem era parte fundamental em seus planos. Bonnie lhe trouxe 50 pesos mexicanos e ela os entregou ao velho. Enquanto esperava ele reunir o troco, viu Caroline seguir com Matt até a entrada do que lhe parecia um resort mesmo. Ao pegar o dinheiro, murmurou um rápido “Gracias” e seguiu com Bonnie até o tio que agora segurava Kalleo e Danny que bocejava.

Caroline acenou na direção deles que seguiram até ela. A loira segurava algumas chaves na mão direita e uma folha de papel na qual lia alma coisa na esquerda.

– Nathan, quarto numero 5 – ela começou. Nathan seguiu até sua mão que agora estava estendida, procurou entre as chaves numeradas a de numero 5 e voltou para onde estava – Lexi, Genevieve e Kalleo ficaram no 2 – Genevieve foi até ela assim como Nathan – É um quarto com três camas... Damon, o seu é o quarto 1. Matt, o nosso é o 3 e Danny e a namorada ficam no 4 – ela finalizou com um sorriso novamente excluindo Elena.

– E eu não vou dormir aqui não? – Elena perguntou visivelmente irritada. Antes que continuasse, Damon a abraçou pela cintura a trazendo para perto de si. Já havia deixado Kalleo com Nathan sem que ela percebesse. A diferença de altura acabava dando a Elena a sensação de proteção e a aproximação de Damon lhe trazia uma calmaria imediata. Calou-se perante a postura imponente de Damon ao seu lado.

– Caroline, qual a chave do quarto da Elena? – Perguntou, a voz era grave e dura demais. Ele a encarou nos olhos e ela vacilou por um momento.

Sem responder, Caroline seguiu até o rapaz atrás de um balcão. O atendente falava pouco o inglês, mesmo com o forte sotaque latino, a dificuldade de entendê-lo não era problema para a loira. Ela voltou com uma chave ligeiramente menor que as outras e sem numeração.

– Seu quarto é o 6, Elena.

O grupo seguiu caminhando até o chalé de numero 16. Uma típica casa praiana. Possuía um belo jardim e uma sacada já com uma rede pendurada. A vista era belíssima e Elena sentiu-se ainda mais entorpecida pela brisa do mar e o som das ondas de encontro a areia. Damon ainda a abraçava, nada demais para os outros.

Nathan foi o primeiro a entrar na casa por estar com Kalleo nos braços. Lexi abriu a porta do quarto e ele deixou a criança na cama. A organização da casa estava impecável. Lhes esperando na sala, um casal de idosos lhes deu as boas vindas em espanhol e Elena esteve a frente agradecendo. Os outros soltaram “gracias”, o obrigado fácil que todos sabiam, menos Nathan, que ficou calado.

– Durma bem, querida – Damon sussurrou para Elena quando os outros já haviam passado por eles. O sorriso brotou rapidamente no rosto da morena e ela lhe beijou a face. Seguiu para a única porta no corredor sem numeração.

Ao adentrar no quarto fez uma careta. Pequeno, só possuía uma cama de solteiro com um travesseiro e um edredom, um criado mudo, uma cômoda (em cima um relógio), uma cadeira de madeira antiga a esquerda e uma janela que dava para os fundos da casa onde haviam algumas arvores medianas e se podia enxergar a rua por cima do muro baixo, mais com cerca elétrica. As paredes eram brancas e dois quadros estavam pendurados, um com uma bela pintura da praia e outro retratando uma fruteira.

– Simples demais – reclamou ao jogar a mochila sobre a cadeira. Tirou rapidamente o celular do bolso lateral e pois se a digitar uma mensagem para Bonnie.

Que quartos simples esses. Bateu saudades do apartamento do meu tio. Enviou o sms e procurou uma blusinha para dormir. Despiu-se pensando em fugir para o quarto de Damon, mais desistiu logo em seguida, lembrando-se de que a casa estava cheia. O que? Só pode estar brincando. Danny e eu estamos amando! Pela manhã nos falamos, tenho coisas a fazer...

– Coisas a fazer... Sei... – repetiu imaginando o que aquilo significava – Só podem estar pirando se acharam isso aqui bom.

Antes de deitar-se, decidiu arrumar as coisas importantes sobre a cômoda. Quando terminou, retirou o diário do fundo da mochila e pois se a escrever uma das ultimas folhas.

Para Caroline F.

Dia 15/03

Tarde inesquecível: três ratinhos fofos passeando em suas roupas de grife.

Noite inesquecível: Tour de sapos por seu quarto.

Dia 16/03

Manhã feliz no banheiro: dose pequena de laxante em seu suco (truque antigo. Melhorar)

Truque de mestre:

Elena deixou a ultima linha em branco. Reservou para o que Bonnie descobriria. Tinha certeza que algo Caroline faria. Rasgou a folha do diário e a guardou na primeira gaveta do criado mudo ao lado de uma bíblia. Tão Clichê, pensou. Depositou o diário fechado na mochila e esticou-se para desligar as luzes no interruptor ao lado direito da cômoda.

(...)

Damon demorou a pegar no sono. Durante o tempo de insônia, somente Elena fazia parte de seus pensamentos. Ela deve se sentir tão só, pensou. Referia-se ao fato de Bonnie e Danny terem todo o direito de fazer de Cancun, uma viagem romântica inesquecível. Tinha certeza de que era aquilo que Caroline e Matt fariam. Mais ele e Elena não tinham a mesma sorte. Somente Nathan estava ali por diversão e falta do que fazer. Sentiu que Caroline o queria aproximar de Genevieve, mais achava que Nathan não era o tipo romântico que viveria um romance com a linda amiga ruiva que a muito não via e um dia teve uma certa queda. Durante a breve conversa com Lexi no avião, pode perceber que ela só estava ali pelo filho. Nem ele próprio sabia exatamente porque estava ali. Todos perceberam pelo tom de voz de Carr que Elena não era bem vida e, se sua sobrinha não era bem vinda, que diabos ele tinha que aceitar essa viagem internacional? No fundo, Caroline só queria trazer de volta os velhos tempos, onde eles bebiam e farreavam sem se importar onde estavam. Mais não eram mais adolescentes ou universitários sonhadores. Eram adultos que construíram suas carreiras e agora se solidificavam e ele... Bom, ele já tinha um filho.

Por outro lado, tudo que ele queria era acordar Elena com um café na cama e uma rosa vermelha. Desejava ela ali em seus braços, sorrindo. Já não sentia mais a culpa pela paixão que nutria pela sobrinha. Por vezes espantou a ideia de Stefan querer sua morte por aquilo, mais agora, não conseguia imaginar o irmão o a cunhada de onde quer que estivessem, enraivecidos com ele. Ele amava Elena, a protegeria e a daria estrutura para tudo que quisesse fazer. Mais o que ele faria para que aqueles quase três dias não se tornassem pura perda de tempo para ela? Ou pior, fazê-la não se meter em confusão com Caroline...

No criado mudo estava um mapa de Cancun. Ele o pegou, sentou-se na cama e se pôs a ler. Não distante de onde estavam, uma ilha se destacava no oceano. Isla Mujeres. Leu e digitou na ferramenta de busca do IPhone preto.

Vários pacotes turísticos surgiram na tela. Dotada de várias pousadas e hotéis, ele viu na Ilha a chance perfeita de fazer dessa viagem inesquecível para Elena. Sorriu até lembrar de Lexi e Kalleo.

O que faria a respeito do filho? Damon irritou-se de imediato. Droga! Murmurou. Não levaria Lexi, seria o cumulo fazer a mulher que amava passar um dia inteiro com a ex-namorada dele e o filho a tira colo. Lexi estava fora e teria que confiar nele. Kalleo iria para onde ele fosse, Lexi devia isso a ele.

Certo do que faria, Damon ligou para o telefone do mais caro hotel listado em um site de uma agencia de turismo. Não sabia falar muitas palavras em espanhol, mais no site, era listado como atributos do hotel que camareiras, atendentes e todo o tipo de trabalhadores de lá falassem inglês. Reservou um quarto de casal do quinto andar com vista para o mar e a área de lazer com piscina do hotel. Um quarto de luxo para que ele, Elena e Kalleo pudessem deixar suas coisas e curtir a praia quando chegassem a tarde e voltassem para dormir a noite. Passariam um tempo só deles, sem ninguém que soubesse quem eram de verdade.

(...)

– Elena! – ouviu a voz de Bonnie fraca e algumas batidas na porta do quarto. Ainda de olhos fechados, Elena pediu que aquilo fosse um sonho e tentou dormir novamente – Elena! Abre a droga dessa porta! Elena!

Ainda de olhos fechados ela sentou-se na cama bocejando. Ao ouvir novamente as batidas na porta levanto resmungando e a abriu.

– É bom que tenha um ótimo motivo para me acordar as 5 horas da manhã, Bonnie.

– Eu tenho – ela respondeu segurando os dois braços de Elena – E são 9 horas da manhã.

– O que? – perguntou, uma lembrança vagava em sua mente.

– 9 horas, Elena...

– Droga! – correu até o telefone celular e observou três ligações perdidas de um telefone com DDD diferente do dos EUA – Merda! Você tem créditos?

– Tenho... – ela respondeu confusa, mais mostrou o celular a Elena. A amiga o pegou e discou o numero mexicano.

– Olá señor – falou rapidamente – Sí... Voy estar. Sí... O velho vem trazer minha encomenda – falou sorrindo ao devolver o celular para Bonnie – Vamos. Ele chega aqui em 5 minutos. Onde estão todos?

– Que eu saiba, Nathan ainda ta dormindo. Os outros estão na praia...

– Tio Damon e Danny também?

– Também...

– Então vamos...

– Espera! – Bonnie gritou antes que Elena passasse pela porta. Elena a lançou um olhar raivoso.

– O que é?

– Eu sei que é muito comum as pessoas saírem despenteadas só de regata e calcinha aqui no México, mais...

– Merda! – falou novamente fechando a porta atrás de si, fazendo Bonnie soltar uma gargalhada.

Vestiu o biquíni por baixo do short e de uma regata e em seguida disparou em direção a frente de casa com Bonnie em seu encalço. Seguiram para a rua Flamingos onde reconheceram o taxi da madrugada parado mais a frente de onde as havia deixado ontem. O velho lhes entregou duas caixas brancas medias quando ela lhe pagou os cem dólares combinados. Voltaram para a casa de mansinho, temendo serem pegas por qual quer um que fosse. Por sorte, ninguém havia retornado da praia e nem sinal de Nathan por ali tinha. Apenas uma moça da altura de Elena trajando um uniforme amarelo e roxo como o do casal de idosos que os recepcionou, varria a sala. As duas passaram por ela sem nem a olhar no rosto e seguiram na maior rapidez que puderam para o quarto.

– Eu senti! – Bonnie começou a resmungar – Eu senti eles pulando nas minhas mãos.

– Que bom, não estão mortos – Elena sorriu – Anda, põe essa caixa em baixo da cama.

Elena pegou o diário guardado no criado mudo e sentou na beirada da cama. Marcou com um X tudo o que ela tinha. Bonnie também sentou ao seu lado e pode ler o que estava escrito ali.

– Ei, Bon – ela recomeçou sem tirar os olhos do papel – Por que veio me acordar?

– Eu vim te dizer que eu descobri o que você queria – Elena a olhou com um sorriso de orelha a orelha.

– E porque diabos não disse logo?

– Você lembrou desses bichos e...

– E?

– E... Nossa, Elena. Que Merda de quarto você ficou! – acrescentou olhando ao redor.

– Como assim – Elena a perguntou alarmada – O seu quarto é melhor?

– Mil vezes – Bonnie deu de ombros – Nem se compara! E, Lena... Se você comparar... Esse não passa do quartinho...

– Da empregada! – Elena deu um salto da cama – Aquela vadia loira! Me colocou no quartinho da empregada! – Bonnie ficou calada enquanto Elena andava de um lado para o outro – Tudo bem... É guerra que ela queria... É guerra que eu vou dar a ela. Me diz! Me diz logo o que descobriu, Bon!

– Dia 16... Amanhã...

– Fala, criatura!

– É aniversário da Caroline. Danny me contou ainda agora que ela encomendou um bolo de dois andares e vai ter festa amanhã – Bonnie disse rapidamente e Elena parou com o susto. Bonnie a analisou sem saber se sacudia a amiga ou esperava ela reagir sozinha – Elena?

– Sério? – Elena perguntou — Isso é perfeito, Bonnie Bennet! – Gritou alto voltando a sorrir – É perfeito!

– O que você...?

– Me dá seu celular – Elena estendeu a mão e Bonnie passou o aparelho a ela rapidamente. Elena ligou para o ultimo numero da lista de chamadas efetuadas e voltou a falar em espanhol.

(...)

Da frente da casa e com Bonnie ao lado, Elena pode ver Damon brincando com Kalleo na areia. A visão a fez sorrir instantaneamente. Não havia nem sinal de Caroline ou Matt, mais Lexi tinha a mesma visão que ela, estava sentada em uma cadeira de praia embaixo de um pequeno quiosque. Genevieve e Nathan conversavam em outro quiosque mais próximo a casa e Danny vinha em sua direção.

– Pensei que não liberaria a minha namorada nunca, Salvatore – sorriu beijando Bonnie ao enlaçar com os braços sua cintura.

– Não se preocupa não que eu jogo em outro time...

– Elena! – Bonnie falou fazendo os dois rirem.

– Por que demoraram tanto? – Danny parecia um tanto desconfiado.

– Culpa da Elena... Não sabia que biquine escolher... – Bonnie novamente salvou a pátria.

– Não sabia que pensava tanto sobre “que biquine usar” – A voz de Danny soou debochada – Mais antes isso do que estarem tramando a terceira guerra mundial... – O olhar de ambas se encontrarão fazendo Danny voltar a sua preocupação inicial – Não estão tramando a terceira guerra mundial, estão?

– Que? – Bonnie perguntou de súbito.

– Claro que não! – Elena fingiu indignação levando as duas mãos a cintura.

Sentiu uma pequena preção na coxa esquerda. Ao olhar para baixou sorriu de imediato ao ver o semblante pidão de Kalleo.

– Vem Lena! Papai e eu estamos construindo uma fortaleza de areia!

Ela balançou a cabeça em positivo e segurou a mão do menino. Foi conduzida até o castelo de areia que ele e Damon tentavam construir.

– Querem ajuda? – Perguntou sorrindo na direção de Damon tirando a blusa rosa clara que usava.

– Não! – Kalleo negou de imediato enquanto Damon balançava a cabeça – Você é uma princesa, tia Lena... Tem que sentar lá do lado da mamãe...

– Ah, é? – perguntou desconcertada.

– Claro – Damon respondeu – Princesas não constroem fortalezas de areia...

– Tá ok então – disse sorrindo e seguiu até onde Lexi estava. Ao sentar-se, percebeu que a loira mandava mensagens apressada no celular.

– Bom dia, Lexi – cumprimentou chamando a atenção da loira.

– Bom dia, Elena – suspirou.

– Algum problema? – Elena perguntou rapidamente – É com a Caroline?

– Não... Sabe? Já tivemos muita desavença no passado mais estamos em uma maré de harmonia desde de que nos reencontramos, acho que Matt a faz bem... Sempre gostei dele... – sorriu pela dedução – É o teatro...

– O que houve lá? – Perguntou enquanto despejava o suco de limão de uma jarra em um dos copos dispostos no quiosque.

– Virginia, lembra dela? – Elena fez que sim com a cabeça – Quebrou a perna direita.

– Mesmo?

– É... – virou-se e se pois a encarar Damon e Kalleo na areia – Estou tentando de tudo é maneira encontrar alguma desculpa, mais... Não vai ter jeito... Vou ter que voltar pra Nova Iorque.

– Não... Deve ter algum jeito... Você ta de folga...

– O teatro é assim, Elena... O show tem que continuar...

– Mais e o Kalleo? Você vai deixar o Kalleo com o Damon, não vai? – Lexi não respondeu. Passou as mãos pelos cabelos e massageou as têmporas – Lexi... É a primeira vez que eles viajam juntos... Estão se divertindo tanto...

– Eu sei – ela respondeu – Eu sei... Eu queria que o Kalleo ficasse com o Damon, claro... Eu deixo ele ficar...

– Mais então...?

– O Kalleo não vai querer. Se eu disser que eu vou embora, ele vai querer ir comigo e o Damon merece esse tempo com o filho. Eu quero que ele tenha esse tempo, que fiquem íntimos... Por isso eu aceitei vir...

– Mamãe, Mamãe! — Kalleo gritou do lado de Damon — Papai construiu o portão por onde você e tia Lena irão entrar!

Lexi sorriu sem emoção.

– Lexi, não acho que ele vá querer ir com você... Sabe... Ele ta se divertindo muito e confia em nós...

– Espero que esteja certa mais Elena... Eu... Eu quero falar a respeito de outra coisa também...

– Pode falar sobre o que quiser — Elena tomou outro gole de sua limonada.

– Elena, tenha paciência com Caroline.

Sem entender por que Lexi decidirá lhe pedir aquilo, Elena assentiu.

– Caroline e eu nunca fomos amigas e brigamos bastante no passado e antes de me acertar com Damon, de namorar ele, quase nos afastamos por causa dela. Caroline sabe ser persuasiva e muito má quando quer. Percebi como ela vem tratando você e arrumando confusão...

– Acho que todos perceberam...

– O fato é que... Damon sempre foi parecido comigo e eu meio que sei como a cabeça dele funciona e sei que você é muito parecida com nós dois. Elena, eu não quero ser intromentida, nem nada, tudo que a Caroline ta fazendo contra você, ta sendo muito bem guardado aí dentro — Lexi apontou para o coração de Elena fazendo com que a morena engolisse um tanto de saliva — Você e Damon recomeçaram agora e Elena, do fundo do meu coração, não permita que Caroline estrague ou se meta entre o relacionamento que vocês estão reconstruindo depois de muitos anos longe. Seja paciente, em dois dias estarão de volta aquele apartamento sem ela ou qualquer um de nós por perto então... Deixe que ela tente arruinar esse fim de semana e pense que está conseguindo. Esteja sempre um passo a frente dela.

Lexi piscou para Elena e antes que a morena esboçasse reação as palavras da loira, Kalleo voltara a falar.

– Mamãe, eu quero ser um advogado também – pegando todos de surpresa, Kalleo levantou e se pôs de frente para o mar – Quero construir um castelo pra mim aqui nessa areia.

– Kalleo...

– Filho, mamãe tem que falar com você – Lexi disse cortando a fala de Damon. Ela levantou e segurou a mão do filho, logo em seguida, o conduziu até o quiosque e o sentou na mesa – Vou voltar para casa hoje a tarde.

(...)

Como Lexi previu, Kalleo não quis deixa-la e ficar. Chorou, pediu para que ela ficasse ou fosse no dia seguinte, mais era o teatro e ninguém melhor que Lexi sabia que o show tinha que continuar e para isso precisavam dela. Damon sentiu-se triste de imediato ao ouvi-la dizer que retornaria para casa aquela tarde e mesmo pensando que o filho tivesse toda a confiança do mundo nele, lhe disse não quando ele lhe pediu para ficar.

– Você sabe que não tem haver com confiança, Damon – Danny repetiu pela segunda vez tentando animá-lo para o final de semana – Tem haver com o fato de uma criança não querer se separar da mãe. Eu assisti a uma palestra quando estive em Paris sobre guarda compartilhada entre pais que nunca moraram juntos. Se a criança não mora com um dos dois é natural que ela tenha medo de se separar de quem ela mora por um período de tempo que não esta acostumada. Kalleo nunca passou uma noite no nosso apartamento, Lexi sempre o leva pra casa, entendeu?

– Claro... Claro... – ele disse enquanto tomava o ultimo gole da Heineken long neck que segurava – Bom, eu só queria que ele estivesse aqui para a surpresa que eu preparei...

– Do que está falando? – Danny perguntou descontraído, também bebendo sua cerveja.

– Aluguei um quarto em um hotel na Ilha das Mulheres. Não fica muito longe daqui. Queria levar Kalleo e Elena hoje e retornar só amanhã de tardinha...

– O que? – Danny perguntou alarmado. Não acreditava que Damon pudesse estar pensando em passar tanto tempo fora.

– O que foi, Danny? Parece que me ouviu confessar um crime... – Brincou ao abri outra cerveja.

– Bom... Foi quase isso, Damon – Danny esperou que Damon respondesse ou fizesse cara de quem lembrou, mais nada – É aniversário da Caroline amanhã, criatura!

– Merda... Sério?

– É claro... Ela sumiu porque tá supervisionando o preparo do bolo que encomendou. Não acredito que esqueceu...

– Esqueci – assentiu. Pensou por um instante dando uma nova golada na cerveja – Mais quer saber, eu não vou interromper meus planos por isso...

– Por isso? É a louca da Caroline, Damon...

– Exato. A entupa de Bourbon e ela nem vai notar que eu estou em uma ilha no Mar do Caribe.

– Está certo... – Danny deu de ombros largando a cerveja no balcão da cozinha – Vai, leva a Elena e a faça uma surpresa. Ela merece e vai gostar.

– Tenho que guardar minhas coisas na mala – ele falou também largando a cerveja.

– Damon! – Danny gritou quando ele estava para sair da cozinha fazendo com que Damon parasse para o observar.

– O que? – Perguntou sem entender.

– Você prefere que eu leve rosas vermelhas ou brancas? Sabe... Pro seu enterro quando a Caroline te matar... – Sorriu quando Damon em resposta o mostrou o dedo do meio.

(...)

Damon bateu duas vezes na porta do quarto de Elena as 14 horas, 30 minutos depois de ela e Bonnie entrarem no quarto após o almoço.

– Tio Damon! – ela disse sorrindo quando o viu parado a porta – Entra.

– Bom, acho que já terminamos... – Bonnie anunciou a Elena e ela acenou com a cabeça. Logo em seguida saiu do quarto a deixando sozinha com Damon.

– O quê...? – perguntou com um sorriso bobo pelo espanto quando ele tirou as mãos de trás das costas trazendo ao encontro dela uma rosa vermelha.

– Nunca ouviu ninguém dizer “Uma rosa para uma flor”, ou algo desse tipo?

– Já... “Ou algo desse tipo” – ela pegou a rosa da mão dele e o beijou carinhosamente os lábios. Quando se separaram, não pode o deixar de perguntar por que vestia camiseta e calça Jens.

– Bom, vim perguntar se não gostaria de passar um tempo comigo em um lugar que não esteja cheio de gente conhecida... Só eu e você...

Ela abriu um sorriso espontânea diferente de todos que deu desde que chegara no México. A ideia de ter Damon e ser de Damon sem medo ou qualquer receio que fosse em um paraíso como era Cancun fez seu coração se iluminar. Então lembrou-se do que planejava e o sorriso sumiu por um instante.

– O que houve, Elena? – Damon perguntou percebendo sua súbita mudança – Não quer ir?

– Não, é só que... – parou. Não podia contar o que ia fazer e muito menos arruinar uma coisa finalmente boa que estava para lhe acontecer no México dizendo “não” a oferta de Damon pelo prazer de estragar a festa de Caroline. Lembrou-se de Lexi e do conselho que ela dera e encarou Damon e seus cristalinos e hipnotizantes olhos azuis. Voltou a sorrir – É claro que eu quero ir!

(...)

– Cancelar? – Bonnie perguntou incrédula quando Elena lhe disse para onde iria e que só voltaria no fim do dia seguinte, então tudo que combinaram estaria cancelado – Elena você planejou tudo tão bem!

– Mais eu nunca perderia um tempo com meu tio, Bonnie, pelo prazer da desgraça daquela loira. Eu vou a uma ilha! Divirta-se comemorando o aniversario dela amanha! Só não deixe ninguém chegar perto do meu quartinho e dê resto de comida aos ratinhos...

– Você não existe, garota... E se depender de mim, eles morrem de fome! O que eu faço com o bolo que você encomendou?

– Dá para os pobres! Agora Bye Bye, estou indo para Isla de Las Mujeres! – Cantarolou estonteante enquanto saia do quarto de Danny e Bonnie de mochila nas costas.

(...)

Ao lado de Danny, de calça jens, camiseta branca, óculos escuros pendurado na gola e falando com alguém no celular, Damon a encarou com um sorriso no rosto. Seguiu a seu encontro com a alça da pequena maleta pendurada nos ombros.

– Pronta? – Perguntou a ela com a voz mais gentil do mundo, ela assentiu ainda sorrindo e ele segurou sua mão direita.

Pegaram um taxi que os levou até uma marina a norte do resort onde estavam. A vista do mar era belíssima e Elena se perguntou se aquilo não seria um sonho. Enquanto observava Damon conversar com um rapaz na recepção da marina se pôs a pensar no que planejou para Caroline e se perguntou se aquilo valeria a pena. Elena sabia que para a maioria das pessoas e Damon também, a resposta seria um curto e categórico “não”, mais ainda assim faria. Sem arrependimentos, mais de maneira nenhuma, colocaria qualquer coisa na frente de Damon, mesmo se aquilo significasse 300 dólares do pouco dinheiro que tinha ainda na sua poupança dado por seus avós, gastos a toa.

– Vamos de lancha – anunciou Damon a ela quando voltou com alguns anúncios turísticos da ilha em mãos.

– Tem coletes? – perguntou com uma expressão que Damon ainda não conhecia quando eles recomeçaram a andar em direção a lancha.

– Tem – Damon assentiu estudando seu olhar.

– E vamos bem devagar, não vamos?

– Está com medo, Elena? – Ele perguntou sorrindo. Ela nunca demonstrara medo desde que voltara a conviver com ele e isso o fez lembrar-se de algo.

– Não! – falou fingindo-se de ofendida – Eu só... – tateou em busca da melhor palavra – estou... Insegura! É... Estou insegura porque barcos chacoalham muito no mar e...

– Te compro um pote de sorvete de chocolate quando chegarmos ao hotel, Elena – sorriu em direção ao mar ao lembrar-se de quando ela era uma garotinha.

Se havia algo no mundo capaz de fazer Elena acalmar-se, essa coisa era sorvete de chocolate e ele percebeu que isso não mudara quando a viu Lambuzar-se dele em seu apartamento. Desde pequena, quando algo a assustava ou quando estava triste ou simplesmente feliz de mais corria para a geladeira e comia diretamente do seu pote.

– Sabe que não pode mais me comprar com sorvete de chocolate, Damon – zombou o fazendo balançar a cabeça.

– Eu não quero te comprar, Elena... – falou ao ajudá-la a subir na lancha – Eu realmente acho que não preciso disso... Mais eu sei que sorvete é capaz de acalma-la – ela assentiu – Não vamos demorar para chegar, meu amor.

Sorriu com por ele pronunciar aquelas palavras e se acalmou em instantâneo. Talvez não precisasse mais de sorvete, talvez só precisasse de... Damon.

– Pode pronunciar... – a voz falhou ao sentir uma pontada de vergonha pelo que estava prestes a pedir e se perguntou se não estava forçando alguma coisa, mais decidiu espantar a ideia da cabeça. Ele subiu na lancha ao seu encalço ainda esperando uma continuação.

– O que, Elena? – ela não respondeu, apenas virou-se e se sentou acomodando-se – Meu amor? Quer ouvir “meu amor”?

– Gosto como soa ao pronunciar “meu amor” – Falou ainda envergonhada quando ele sentou-se ao seu lado. Ninguém, nenhum namorado ou um dos caras com os quais chegou a ficar por mais de um mês a chamava de “meu amor”. Sempre ouvia muitos “Princesa”, “Baby”, talvez pelo simples fato de todos serem tão imaturos ou porque não acreditava que poderia encontrar o amor aos 16 anos de idade, mais sempre esperou ouvir de alguém com quem realmente se importasse e simplesmente sentiu-se ótima ao ouvir de Damon.

– Sabe que não precisa sentir-se envergonhada de falar qualquer coisa, esta bem? Qualquer coisa que quiser... Comigo – ela balançou a cabeça ao olhar em seus olhos. Ele a trouxe para perto a aconchegando em seu peito e a abraçou – Eu te amo, Elena.

– Eu te amo – ela falou baixo ao fechar os olhos.

(...)

O hotel era diferente de todos em que Elena já estivera na vida. O que melhor em que ela poderia comparar fora um hotel em que trabalhou por três dias quando finalmente conseguiu uma identidade falsa e fugiu do internato na Bélgica com uma de suas amigas da época. Seu emprego como camareira não durou muito porque seus avós e os pais da garota colocaram a polícia no caso no mesmo dia, o que resultou além de um constrangimento milenar na frente de pessoas com muito dinheiro e algumas famílias abonadas que curtiam as férias, na prisão do cara que vendia as identidades falsas. Como resultado, ela voltou para o Brasil e nunca mais viu aquela garota.

O hall de entrada do hotel Privilege Aluxes era muito amplo. Ao lado direito da entrada, uma espécie de sala de estar abrigava algumas pessoas que conversavam sorridentes em vários idiomas, alguns também mostravam fotos reveladas, em câmeras e em celulares e alguns simplesmente liam panfletos quietos. Havia também uma cascata montada na parede esquerda e um pequeno lago na base que funcionava como um aquário em que três crianças pareciam apontar para peixes. Olhando a frente e seguindo com Damon, Elena se deparou com a recepção, já se preparava para cumprimentar o atendente em espanhol quando viu a tabela de idiomas que eles falavam em um quadro na parede.

– Bom dia – Damon o cumprimentou a frente de Elena e ela fez coro a sua voz – Nós possuímos reserva para dois dias.

– A reserva esta em que nome, senhor? – o rapaz de que não parecia ter mais de 20 anos perguntou em um inglês com sotaque.

– Salvatore – Damon respondeu tirando a carteira do bolso.

– Ah, O.K. Quarto de casal, 5º andar, certo? – Damon assentiu em concordância – Preciso do cartão de crédito que usou para a reserva, Sr. Salvatore.

– Claro – Damon retirou o cartão da carteira e o entregou ao rapaz.

– Aqui está – O rapaz o entregou o cartão de crédito de volta e virou-se para um mostrador com vários cartões, pegou dois e voltou novamente a atenção a Damon e Elena – Tudo certo. Vocês podem usar estes cartões como chave para a fechadura eletrônica do quarto numero 79 no quinto andar. Os elevadores ficam seguindo pela direita e as escadas mais adiante. Tenham uma ótima estadia, Senhor e Senhora Salvatore.

– Obrigada – ambos responderam e seguiram pela direita como o rapaz lhes disse.

O corredor do quinto andar era extenso e o quarto 79 ficava ao fim do corredor. Da janela ao lado da entrada do quarto eles puderam ver a imensidão azul do mar do caribe.

– É lindo – Elena disse olhando para a vista da sacada do quarto após largar a mochila ao lado da cama. Damon se aproximou e a abraçou a beijando o rosto – É mais bonito que a Califórnia.

– Tive algumas oportunidades de conhecer Cancun antes, sempre me disseram ser um paraíso.

– E por que nunca veio? – Ela pergunto virando o rosto para o olhar nos olhos.

– Eu sempre estive centrado no meu trabalho, Lena, tinha o Nathan que me entendia e sempre recusei todos os convites que a Caroline fazia e a gente tomava um porre em Long Beach quando ela insistia em ir pra praia...

– Sempre a Caroline... – ela resmungou baixo voltando a olhar o mar.

– Mais chega de Caroline – Ele a puxou para dentro e a conduziu em direção a cama. Sorrindo ela saltou no colchão macio e ele deitou por cima dela – Somos só você e eu aqui, sem trabalho, sem faculdade, sem amigos das antigas...

– Sem ex-namoradas que me odeiam...

– Sem confusão – disse rindo alto do que ela acrescentou.

Eles se encararam por um certo tempo ao cessar os risos e Damon a beijou delicadamente não resistindo ao desejo. Elena continuou o beijo perguntando-se como ela podia ter ficado sem aquele contato com Damon por tanto tempo. Ela o puxou pela cintura diminuindo ainda mais o espaço entre seus corpos, seus dedos acariciando a pele dele por baixo da camisa fina de algodão, seguindo ao impulso de tirá-la, levantou-a até a altura de seu umbigo, mais ele a deteve cessando aquele delicioso beijo.

– Temos a noite toda para isso – Damon falou contrariando o que ele mesmo desejava – Mais poucas horas antes de escurecer. Vamos aproveitar esse paraíso.

– Ok – ela concordou levantando-se da cama atrás dele e com voz tristonha acrescentou – É você que quer adiar a melhor parte...

Ele sorriu balançando a cabeça em negativo. Abriu a maleta em cima da cama e tirou uma bermuda preta de surfista.

– Nem sabia que você vestia outra coisa além de calça comprida e de moletom – debochou cruzando os braços. Já de biquine desde de manhã e vestida de vestido vermelho, ela o obsevava próxima a porta da sacada.

– Você nunca foi a praia comigo – ele respondeu tirando a calça comprida e jogando sobre a cama ao lado da maleta. Ela mordeu os lábios ao vê-lo de sunga branca além da camisa – Elena! – falou quando percebeu que ela não tirava os olhos do “material” escondido em baixo de tanto pano branco.

– Você que tirou na minha frente – ela disse numa tentativa débil de se defender, arrancando algumas risadas dele que logo vestiu a bermuda.

– Vamos? – a chamou próximo a porta de saída ao depositar o celular e a carteira no único bolso que a bermuda tinha e colocar no rosto, os óculos escuros.

– Vamos – ela respondeu seguindo para sua mochila, tirando uma pequena bolsa cor cobre, o celular, os óculos escuros e uma mini carteira rosa. Seguiram abraçados até o hall de entrada do Hotel.

(...)

– Não vamos tomar banho de mar, vamos? – Elena perguntou levando em seguida o canudo do copo de milk-shake novamente a boca. Estavam sentados em um quiosque a beira mar e ele compenetrado, observava o mar.

– O que? – perguntou rindo. Ela fez uma careta.

– Perguntei se vamos tomar banho de mar...

– Claro – disse simplesmente, retirando o celular do bolso – Por que dessa pergunta? Estamos de frente para o mar, em um dia de sol e em uma praia sem muito movimento...

– Não trouxemos nenhuma toalha...

Ele se levantou e tirou a camisa, pegou novamente o celular e o colocou na direção de Elena. O som que soou denunciou a Elena o que ele havia feito, tirou uma foto dela.

– Bateu uma foto? – perguntou mesmo sabendo a resposta. Ele assentiu e tirou outra – Damon!

– Que?

– Se alguém ver...

– Ninguém vai ver e se verem... Você é minha sobrinha...

– Sério Damon, não acho...

– Quero registrar cada momento bom que passo com você, linda.

– Damon...

– Anda, levanta... Bate uma foto comigo...

Ela não levantaria se ele não a estendesse a mão. Sentia um certo receio em tirarem fotos juntos mesmo sabendo que o celular de Damon não era acessível a qualquer pessoa, mais a ideia de registrar seus momentos juntos a fez sorrir e aceitar o convite quando ele estendeu em sua direção a mão direita. Tiraram pelo menos umas cinco fotos só ali, brincando um com o outro com caretas e beijos.

Ele puxou com delicadeza o vestido vermelho dela para cima e a ajudou a tirar. Enquanto ela amarrava o cabelo em um coque, ele tirou a bermuda e enrolou o celular e a carteira depositando a trouxa perto do vestido e da bolsa dela no quiosque.

– Vem – segurou a mão dela a puxando de imediato fazendo-a correr em direção ao mar azul límpido. Elena sentiu um delicado choque quando as ondas do mar cobriram sua cintura.

Sem pestanejar, Damon mergulhou cortando as ondas. Adorava o mar, nunca tinha dito a ninguém e nem era frequentador assíduo de praia, mais adorava o mar. Não conseguia descrever o que era para ele um mergulho naquela imensidão azul mais, simplesmente, sentia-se bem.

Talvez Elena não compartilhasse do mesmo sentimento. Não havia mergulhado, continuava em pé sentindo as ondas tocarem seu corpo. Ele a observou por um instante antes voltar a nadar na direção dela. Ao sentir a areia a seus pés, Damon caminhou lentamente a seu encontro.

– Não vou molhar o cabelo ainda – Elena respondeu sem graça quando ele estava perto o suficiente para ouvir. Percebeu que ele esperava que ela tivesse mergulhado a seu encontro quando emergiu e olhou para os lados antes de procurar na direção da praia – Fico horrível com sal no cabelo...

– Deixa disso, Elena – Damon falou a segurando pela cintura, os rostos perigosamente perto.

– Falo sério – Deus como ele é lindo, pensou. O cabelo bagunçado e pingando água salgada pelo rosto, o sorriso torto e a barba por fazer era a combinação perfeita para Elena. Aquela barba... Ele nunca deixava a barba crescer, o rosto estava sempre liso... A barba dava um toque especial a Damon. Pensou em dizer isso, mais achou melhor guardar para sim ao elevar a mão direita para sentir o rosto dele com a presença dela. Beijou-o lentamente apreciando junto ao gosto leve e inebriantemente salgado, o toque do corpo quente dele no dela.

(...)

– Qual sua cor favorita? – Damon perguntou enquanto eles andavam pela feirinha ao ar livre próxima ao hotel. Diferente da praia onde estavam, haviam muitos turistas adquirindo e olhando souvenirs mexicanos.

– Não sei – Elena respondeu rápido com um suspiro.

– Como assim, não sabe qual sua cor favorita? – Ele perguntou mostrando-se novamente interessado depois de um tempo quando pararam em uma lojinha de artigos praieiros.

– As vezes acho que amo vermelho – ela respondeu calma empurrando os óculos escuros para cima da cabeça para olhar melhor as bolsas – Mais ai, eu olho o roxo e me pergunto, porque tão magnífico?

– Então sua cor preferida é o roxo? – ele perguntou aturdido, as costas dela.

– Não, Damon – sorriu com a dedução dele tomando uma bolsa cor verde azeitona nas mãos – Não, porque no outro dia eu simplesmente acordo desejando tudo que é cor verde, ou amarelo, ou azul... Eu não tenho uma cor favorita...

– Ou simplesmente você ame demais o arco-íris para decidir por só uma parte dele – ele a disse tomando nas mãos uma bolsa florida de várias cores. Era uma sugestão que ela tomou de bom grado.

Não compraram somente a bolsa, Damon escolheu para si um chapéu-panamá de cor amadeirada clara e um boné preto e comprou para ela um blusão cinza. Já era fim do dia quando decidiram voltar para o hotel. De mãos dadas, caminharam pela orla junto a outros turistas e moradores de lá.

– Porque comprou uma roupa de inverno? – Elena perguntou observando a sacola que ele carregava, estava ali o chapéu, a bolsa de Elena e o blusão que dava o volume.

– É para você, caso sinta frio a noite com sua regata.

– Sabe que é meio grande... – falou rindo lembrando-se do tamanho da roupa.

– Cabe em você – ele respondeu, certo do que estava afirmando – Experimenta – parou no meio do caminho a estendendo a sacola.

– O que? – perguntou aturdida – Aqui?

– É... Experimenta...

Sem o contrariar, ela pegou o blusão nas mãos e o vestiu por cima do vestido. E a analisou.

– O que achou? – perguntou Damon.

– Quente – ela respondeu com uma pitada de sarcasmo típica de Elena – E incrivelmente do meu tamanho...

– Ta vendo...

– Ok... Deixa eu tirar isso...

– Não... Uma foto – ele tirou o celular do bolso e a beijou tirando uma foto linda com o mar ao fundo – Ok, pode tirar – disse rindo a deixando livre.

Caminharam até o hotel sobre o por do sol. Com fome, antes de subirem decidiram jantar mesmo sendo cedo comparado ao horário em que estavam acostumados.

Damon foi o primeiro a anunciar que precisava de um banho. Entrou no banheiro vestido e com a toalha branca nos ombros. Elena jogou-se sobre a cama ao ouvir o som da água do chuveiro batendo contra o piso. Deleitou-se sorrindo maliciosamente ao imaginar Damon no banho. Decidida, tirou rapidamente o vestido que ainda usava e seguiu de biquíni para o banheiro.

Damon sorriu ao esticar-se no Box e vela pela parte transparente ela virou-se de costas e soltou uma a uma as amarras, primeiro a do pescoço, depois a das costas, então a lateral direita da parte de baixo e por fim, a lateral esquerda. Vendo-se completamente livre do biquíni, ela soltou o coque e os cabelos despencaram em cascata sobre as costas livres.

Aquela altura, Damon já controlava a respiração. Provocante, Elena virou-se e seguiu em sua direção e ele apenas afastou-se do vidro para dar passagem a ela. Entregando-se ao impulso, ele a segurou pela cintura aproximando perigosamente seus corpos. Sentiu o cheiro doce que ela emanava assim como o calor que vinha para ele através da pele parda dela. Antes que ele o fizesse, ela o beijou, sentindo a barba e a água que ainda descia pelo rosto dele afagarem o seu. Calmo e doce, o beijo era suave, pois nenhum dos dois desejava apressar aquele momento.

Elena separou-se de Damon seguindo para a água morna que despencava livre do chuveiro as costas dele. Ao fechar os olhos, deixou que a água lavasse todo o sal que ainda estava no seu corpo, quando sentiu-se pronta, virou-se para Damon que a encarava, não haviam dito nenhuma palavra e nenhum dos dois necessitava dizer. Pegou o sabonete que estava na pequena prateleira embutida na parede, era Erva Doce, adorava aquele cheiro, esfregou nas duas mãos a barra até obter uma fina espuma e seguiu para ele, deslizando as mãos pelos braços, peitoral, abdômen e por ultimo pescoço e (acariciando com o polegar) a região das bochechas, rosadas do sol. Terminou ali, decidiu não seguir para as partes baixas.

– Sua vez – disse finalmente, com um sorriso um tanto atrapalhado no rosto, não que não estivesse segura de si, mais não tinha certeza do que ele estaria achando daquilo – Pega – falou por fim, lhe entregando o sabonete.

Ele também a virou e quando a espuma fina estava em sua mão, ele deslizou as mãos massageando os ombros dos ombros até a clavícula, ela fechou os olhos apenas sentindo as mãos dele deslizarem pelos seus braços, depois delineando as curvas de seu corpo algumas vezes até voltar-se apenas para a região dos seios. Massageou-os delicadamente juntando-os eventualmente a fazendo arfar. Desistindo da brincadeira a beijou a nuca a trazendo cada vez mais para si. Ao colar seus corpos, Elena pode sentir o desejo dele e entregou-se ao seu próprio quando virou o corpo e o beijou vorazmente, ele a levou em direção ao chuveiro e a água limpou-os do sabão, deixando apenas o perfume delicioso de Erva doce em suas peles. Puderam tirar a água do rosto quando se separaram em busca de ar, mais logo colaram novamente os corpos um do outro em um novo beijo. Agora apoiada na parede, Elena levantou a perna direita na altura da cintura dele em um claro convite ao membro ereto dele.

Contrariando-a, ele a tirou da parede após desligar o chuveiro e a conduziu em meio a selinhos em direção a saída do Box e depois em direção ao quarto. Sem se importar com o quanto estavam molhados, ele a levou para a cama e posicionou-se em cima dela, voltando a lhe beijar.

Elena sorria entre os beijos quando levantou novamente a perna direita e a passou sobre a cintura dele. Entregando-se ao desejo e sem nenhum empecilho, Damon a penetrou, a fazendo gemer em seu ouvido. Naquele momento, pensou em todo o amor e em toda a felicidade que ele a fazia sentir e soube que pertencia a ele.

(...)

Elena sentou-se em uma das cadeiras na varanda do hotel com o diário fechado sobre as coxas. Haviam acabado de chegar de Arrecifes Garrafón, um parque natural situado na ilha. Estava cansada e já eram 17 horas da tarde. Passara o dia mergulhando com Damon, nadaram e conheceram uma caverna, saltara na tirolesa sobre o mar, jogaram vôlei na praia, praticaram Stand Up Paddle Surf e até fizeram uma caminhada em uma trilha na floresta. Agora descansava observando a vista da varanda, odiando intimamente ter que voltar ao encontro do grupo que deveria estar comemorando com Caroline seu aniversário.

Elena abriu a pagina limpa do diário que era marcada por uma caneta e uma foto que haviam ganho quando preparavam-se para adentrar o hotel a alguns minutos. Havia um fotografo de férias que registrou o beijo deles enquanto passeavam pelo calçadão da praia de volta ao hotel no dia anterior. Era uma foto linda e ele havia gostado muito. Sorriu quando pegou a caneta e voltou a escrever a baixo do que já havia registrado com suas palavras sobre o dia e os eventos anteriores enquanto Damon terminava o seu banho “Pretendo voltar a escrever isso novamente nesse diário, mais nesse momento, nenhuma outra frase expressa o modo como me sinto a respeito do tempo só nosso que passei com Damon na ilha: eu nunca estive tão feliz na minha vida.” Precisava grifar e destacar aquela parte. Pronto, está tudo aqui, pensou ao fechar o diário, guardando novamente a foto, notou que o celular vibrou no bolso da frente de seu short, era uma mensagem de Bonnie “Você não vai acreditar”, leu em voz baixa as palavras escritas em letras garrafais. Sem dar muita importância, virou-se para Damon quando ouviu seus passos no quarto. Estava na hora de voltar a realidade.

(...)

A viajem de volta a Cancun fora calma, os dois estavam abraçados sentados na parte da frente da lancha, pouco conversavam, preferindo o silencio e a calmaria da paisagem. Ao desembarcarem na marina, pegaram um taxi e seguiram para a casa alugada no resort.

Diferente do que ambos esperavam, não havia festa ou sinal de uma, apenas duas garrafas de ICE repousavam pela metade esquecidas na varanda.

– Será que não é aqui? – Damon perguntou quando ambos ultrapassavam a mureta.

– Sei lá... Ela pode ter alugado um outro espaço, quem sabe... – Elena respondeu.

Quando Damon abriu a porta, teve uma surpresa. Havia pedaços de papel machê, papel laminado e vidro colorido, copos de whisky quebrados, restos de balões, tinta verde, amarela e vermelha pelo chão e o que parecia ser um painel de felicitações quebrado em um canto da sala. Para completar a cena do que perecia ter sido um catastrófico aniversario, no meio da sala sobre uma mesa redonda estava um enorme bolo em forma de pênis preto (com uma parte da lateral “dilacerada”, mais ainda assim, com cara de pinto). Danny estava parado na lateral do bolo, vestia calça comprida, blusa social branca e um colete preto e estava coberto de tinta vermelha e um pó branco que Damon deduziu ser trigo. Digitava freneticamente no celular antes de notar a presença dele e de Elena ali. Bonnie estava sentada no sofá igualmente suja e olhando diretamente para Elena que naquele momento tapava a boca com as duas mãos nitidamente assustada com aquilo.

– Merda, Damon! Até que em fim vocês chegaram! – Danny disparou na direção de Damon, que permaneceu calado observando sem entender nada – Mandei mil mensagens e liguei centenas de vezes para os dois!

– Meu celular ta na mochila no silencioso – Elena falou baixo encarando o pênis preto.

– O meu ta na mala descarregado... O que houve aqui? A terceira guerra mundial? – Perguntou por fim Damon a Danny fazendo com que o outro balançasse a cabeça em concordância.

– Acho que podemos chamar assim, Salvatore – Nathan apareceu do corredor que levava aos quartos, igualmente sujo e com o celular em mãos – Matt me disse que estarão embarcando para os Estados Unidos em 30 minutos... – Falou em direção a Danny que assentiu.

– Eles foram embora? – Elena perguntou. Não estava entendendo nada, ela e Bonnie haviam cancelado os planos de estragar a festa de Caroline, fora que não havia nada sobre tintas no plano original... Tudo indicava que Bonnie havia dado continuidade a vingança sem ela, o que não fazia sentido, já que Bonnie não tinha nada a ver com a vingança e nem muito menos queria chegar perto dos bichos que Elena havia comprado e nem tinha, o que Elena julgava como “a maldade” necessária para agir sozinha.

– A mais ou menos uma hora e meia atrás – Danny respondeu.

– Vocês não fazem ideia do quão maluco esse dia foi! Teve ratos e baratas pelo quarto da Caroline e uma cobra saindo de uma caixa de presentes anônima junto dos nossos. Um bando de sapos apareceram pulando por aqui – Nathan apontou para o corredor a suas costas com o polegar — E esse bolo magnífico foi entregue no lugar do de princesa que a Caroline mandou fazer.

– Como se já não bastasse, para completar o desastre, Balões da decoração que ela também supervisionou, estouraram derramando tinta, confete e trigo na nossa cabeça – Bonnie completou.

– Seria mais hilário, se não tivesse feito a Caroline surtar – Genevieve apareceu secando o cabelo ruivo as costas de Nathan sorrindo.

– Primeiro ela meteu as mãos nessa parte arrancada do bolo – Danny continuou a historia apontando para o pinto preto – Depois saiu arrancando a decoração da parede e quebrando os copos gritando que nem uma louca, claro... Depois que o Matt e o Nathan mataram a cobra com dos pedaços de madeira arrancados do painel de fotos que ela montou...

– Fala sério... – Damon disse olhando diretamente para Danny. Parecia ainda não acreditar no que estava vendo.

– Eu disse – anunciou Genevieve a Nathan – Disse que ele faria essa cara de padeiro ao deixar queimar o pão...

– Vem Bonnie, vou te ajudar a se livrar dessa roupa e se limpar – Elena anunciou indo até o sofá e puxando Bonnie pelo braço.

– Dá pra me explicar o que aconteceu por aqui? Nós não tínhamos cancelado... Você fez tudo isso? – Elena disse ríspida. Já estavam em seu quarto e Bonnie tentava tirar alguma roupa da mala sem sujar nada.

– O que? Claro que não! Eu não tenho sangue de barata! Eu nunca ia soltar esses seus bichos e nem mandar uma cobra de presente pra ela!

– Fala baixo! – Elena a repreendeu quando o tom de voz dela soou alto de mais – Desculpa... Deixa eu te ajudar a achar uma roupa...

– Mais Elena... Se não fui eu, quem mais...

– Talvez sem esse avental horrível você tivesse me reconhecido – Elena virou-se instintivamente quando ouviu aquela voz vinda da direção da porta do banheiro. Não acreditava em quem estava vendo.

– Fala sério... – O espanto era tanto que de primeira, Elena só conseguiu repetir o que Damon disse na sala.

– Elena Salvatore! A quanto tempo... – Parada, com o uniforme dos empregados dobrado em seu braço e encostada no batente da porta, a garota de longos cabelos negros e rosto angelical que aparentava ter a mesma idade de Elena e Bonnie sorria em direção a elas.

– Débora Reigth – Disse por fim o nome da garota que sorriu ainda mais balançando a cabeça em concordância – Já faz um três anos mais ou menos... – Elena falou sem tirar os olhos dos da morena, constatando o tempo em que não se viam.

Notas finais
E então? O que acharam? Deixe suas sugestões, opiniões e criticas, são sempre bem vindas. Xoxo, Até o próximo!