Uncommon Love
21 De volta ao passado
Notas iniciais

...Três anos antes, Colégio Internacional Pinosierra – Madri, Espanha:
– Fala sério, Salvatore! – Brian Maths, o loiro mais gato daquele colégio e ala-armador do time de basquete disse em tom de zombaria para Elena enquanto ela ajeitava o rabo de cavalo em frente ao espelho de sua penteadeira e ele vestia a calça comprida em frente a cama bagunçada – Você nem conhece as garotas com quem vai competir este ano...
– Eu sei que eu sou a melhor, querido... – Falou convicta fazendo surgir um sorriso malicioso em Brian.
– Eu sei bem no que você é a melhor – ele disse se levantando e seguindo a seu encontro. A abraçou por trás e ela o beijou a boca.
– Epá! – Uma morena alta adentrou o quarto – Lá na frente ta escrito dormitório feminino Brian, não motel duas estrelas...
– Valeu Débora pelo aviso, mais agora já é meio tarde – ele disse dando as costas as duas morenas, mais antes de sair do quarto parou em súbito e voltou a olhar Elena a desafiou – Vamos ver se você é boa mesmo, Elena...
– Manda – ela respondeu virando-se e o encarando.
– Ganhe as 4 medalhas de ouro e eu arrumo o carro pra gente da uma volta fora desse maldito colégio.
– Fechado, Brian e você sabe que eu cobro!
– Débora, cuidado! Ainda não senta ai não! – ele gritou para a morena que estava prestes a sentar na beirada da cama de Elena. Rindo da cara de nojo que a garota fizera, ele as deu as costas e seguiu corredor a fora.
– Credo! – Débora resmungou – Vocês fizeram o que eu acho que fizeram aqui? – Elena balançou a cabeça com um riso sínico no rosto – Ai Elena...
– Como se você não tivesse dormido com Dylan noite passada...
– Enquanto você bebia lá atrás com o time de basquete? Ótimos exemplos de atletas vocês...
– Você vai sair conosco a noite ou não? – Elena perguntou mudando de assunto após colocar a mochila com seu material de natação e uma tolha nas costas.
– Você ouviu... Só se trouxer as 4 medalhas de ouro...
– Então separa mais tarde pra mim aquele vestido preto, o que deixa minha bunda grande, por que aquelas medalhas já tem dona... Dylan! – Elena deu de encontro com o moreno sem camisa que Débora adorava quando virou-se para seguir para o centro aquático do colégio – Olá Dylan! – Ela recomeçou na voz mais sensual que podia apalpando os músculos do garoto sobre a camisa de algodão personalizada da equipe de futebol americano da qual ele fazia parte – O que acha de ir me ver ganhar medalhas naquele maiô justo que eu visto?
– Sai pra lá, Elena Salvatore! – Débora foi ao encontro de Dylan empurrando Elena da frente do garoto que sorria abobalhado – Esse quarterback aqui é meu. Toma – falou após jogar a blusa da equipe de Natação na cara de Elena, em seguida puxou Dylan para dentro do quarto – Não vai esquecer isso...
– Esse quarto ta pior que motel, em... – Elena disse sorrindo após jogar a blusa em seu ombro direito – Volto as 18 horas!
– Tá! – Débora gritou fechando a porta do quarto atrás de si.
Elena revirou os olhos quando Débora tocou pela segunda vez no assunto Madri. Não queria lembrar do passado, não agora em que ela estava tão focada em seu presente. Elena, Damon e os amigos voltaram de Cancun na noite passada, e no mesmo voou veio Débora, sozinha, sem eira nem beira para New York. Damon concordou em acolhe-la no apartamento, quando ela, sem aviso prévio pediu a ele no aeroporto logo após Elena deixar bem claro que a casa estava cheia.
– Vai o não vai me dizer como você descobriu sobre o meu plano contra a Caroline? – Elena perguntou pela décima vez a Débora. Jogando-se na cama de Elena, a morena lhe fez uma careta.
– Ah, Elena... O importante é que aquela mulher teve o que mereceu... – Elena cruzou os braços a sua frente – Agghhhhhh! – Bufou sentando-se na cama – EU ERA A ARRUMADEIRA CRIATURA – falou como se aquilo fosse a coisa mais obvia do mundo – Você viajou e deixou aqueles bichinhos fofos que eram aqueles ratinhos embaixo da cama... Quando eu fui limpar o quarto, bati minha vassoura na caixa deles. Fora que você também deixou seu “super plano maquiavélico” na gaveta do criado mudo...
– Merda...
– Merda mesmo... Aquele plano tava uma bosta, Salvatore! – Débora deu de ombros – Fala sério... Se eu não tivesse colocado as tintas no meio e comprado aquelas baratinhas não teria graça nenhuma...
– Você deu uma cobra de presente – disse Elena devagar.
– É... sim, sim... Foi uma ideia boa, mais ainda acho que só você mesmo poderia ter aquela ideia de gênio que foi aquele bolo! Aquela foi ótima!
– É... Foi mesmo... – Elena concordou vencida e jogou-se na cama ao lado de Débora sorrindo – Daria tudo pra ver a cara da Caroline!
– Você perdeu, Elena! – ela virou-se na cama e com um sorriso malvado no rosto – Merda! Eu devia ter filmado!
– Filmado o que? – Danny perguntou despejando goela a baixo o pedaço de bolo de chocolate que segurava.
– Hey! – Elena grito e ele se espantou. Tossindo, tentou falar alguma coisa mais ela o interrompeu – Você não sabe bater mais não?
– Nunca precisei... – Danny rebateu rápido e Elena revirou os olhos – Anda, o que a morena ai devia ter filmado?
– Não é da sua c...
– O Taj Mahal – Elena disse cortando Débora o mais rápido que pode. Estava na cara desde que chegaram que nenhum dos dois havia gostado um do outro – Débora visitou a Alemanha antes de ir pro México.
– O Taj Mahal não é na Índia? – Danny perguntou reprimindo o riso. Para ele estava mais do que obvil que Elena estava mentindo.
– Há uma réplica na Alemanha... – Débora disse firme. Não havia uma réplica na Alemanha, mais disso ele não deveria saber...
– Hum... Bom... Elena, temos que conversar.
– Sobre? – Débora se pôs na conversa.
– Particular.
– Elena é minha melhor amiga, não temos segredos – ela respondeu ríspida. Danny arqueou a sobrancelha.
– É? A quanto tempo não se viam mesmo? – Perguntou tentando a irritar.
– Ok, ok – Elena falou por fim quando percebeu o olhar furioso de Débora. Sabia o quanto aquela garota se irritava facilmente com qualquer um que não fosse ela, a conhecia bem demais – Danny, eu vou ao seu quarto mais tarde.
– Certo – Danny respondeu fazendo com que Débora revirasse os olhos. Em seguida deixou o quarto com um sorrisinho no rosto.
– Fala sério! Esse cara é um mala! – Ela disse levantando-se da cama e apontando para a porta as suas costas.
– Um mala que tem um colchão extra no qual você dorme, Reigth – Elena fora categórica e Débora tornou a revirar os olhos – Agora me deixa passar que eu tenho que ir para a faculdade.
– Ta ai uma frase que eu nunca pensei que VOCÊ pronunciaria – Ela enfatizou o você e Elena deu uma risada desgostosa – Que horas você volta?
– A hora que acabar. Tente não criar confusão na casa do meu tio enquanto eu estou fora.
– Daria tudo por uma confusão com o seu tio, Elena Salvatore – Ela disse baixo quando Elena já havia fechado a porta. Com um pequeno impulso, jogou-se sobre a cama da outra cobrindo com o edredom o sorriso sínico em seu rosto.
Danny POV
Fala sério, Elena só pode ser uma completa tapada mesmo. Débora já está no apartamento a mais de uma semana e tudo que ela faz é dar em cima de Damon enquanto Elena está na rua. Desde que chegamos, eu tento puxar Elena para uma conversa mais essa garota nunca deixa. Ela ainda não criou, mais com certeza criará uma enorme confusão.
Nessa quarta-feira não foi diferente, Elena foi para a faculdade e a garota aproveitou-se de Kalleo mais uma vez para fazer Damon passar a manhã ao seu lado. Ele estava de folga do escritório porque Lexi tinha que estar em tempo integral no teatro supervisionando a peça e Genevieve havia viajado para encontrar a mãe. É outro tapado... Eu por outro lado estava aparentemente de férias forçadas já que Caroline fechou o escritório até que ela voltasse com Matt da casa da mãe dela.
– Damon será que você não vai me escutar também? – Perguntei aquele dia enquanto ele preparava o cereal com leite para o filho. Damon preparando cereal... Ta ai uma coisa que a dois meses eu achava improvável de acontecer – Essa garota é a maior chave de cadeia – cochichei a ultima parte para que Débora da sala não ouvisse.
– Um pé atrás é um pé atrás, Danny... – Ele debochou.
– Será que só eu não preciso de óculos por aqui? – Perguntei visivelmente irritado – Ela tá tramando algo além de estar dando em cima de você.
– Dando em cima de mim? Qual é Danny, ela e Elena são amigas...
– E daí? Elena é sua sobrinha e não impediu que você a pegas... – Ele me olhou feio e eu me calei repensando o que falar – Ok, olha... Porque você a deixou ficar aqui? Nem a conhece e pelo visto ela não faz nada da vida...
– E Elena fazia o que da vida quando veio morar aqui, Danny?
– E o quanto você quis que a Elena viesse morar aqui? Eu lembro muito bem dos 200 “Não” que você disse ao seu pai, tentando evitar que ela viesse para Nova Iorque e essa garota... Você a disse sim sem nem perguntar o que ela queria nos Estados Unidos.
– Débora é um anjo.
– Claro, e eu sou um colegial do 1º ano também, Damon... Me pergunto o que a Elena vai fazer quando perceber a picareta que essa “amiga” é...
– Ou você acordou com o pé esquerdo ou tem alguém com abstinência de trabalho aqui e não sou eu... – Damon me deu as costas e saiu com o cereal em mãos em direção a sala.
Fui atrás dele com uma xícara de café fresco feito por Mary em mãos. Damon entregou a tigela para Kalleo e enquanto ele comia, ela fazia de tudo para direcionar a atenção de Damon a ela lhe direcionando os mais falsos sorrisos.
– Damon, soube da Caroline? – Perguntei a ele no momento em que ela tocaria a mão na coxa direita dele. Sua atenção veio para mim e ela olhou-me de cara fechada.
– Matt me ligou ontem a noite, a mãe dela está bem, mais ele vai prolongar a viajem um pouco pra tentar fazê-la esquecer aquele episódio do aniversário em Cancun...
– Foi uma cena memorável – ela comentou deixando escapar um sorrisinho de lado.
– Não sabia que estava lá... – falei e ela fechou a mão em punho.
– Estava trabalhando na casa aquele dia – se recompôs rapidamente mais mesmo assim fiquei com um pé atrás.
– Elena sabia? – Perguntei já imaginando a resposta.
– Não, ela não me viu, eu queria fazer surpresa mais então ela viajou com o tio e quando voltou teve o problema da festa... Ela só me encontrou por acaso, no banheiro do quarto da empregada, que pelo que eu entendi era o quarto em que ela estava hospedada...
– Quarto da empregada? – Damon perguntou sem entender.
– Sim... Pelo que eu entendi, a loira amiga de vocês hospedou a Elena no quartinho da empregada – Caroline tinha culpa no cartório, tava na cara que estava armando para Elena desde a saída de Nova Iorque. A confusão da festa... Será que foi a Elena? Não... Ela viajou com o Damon... Mais pode muito bem ter sido a Débora...
– Danny, você sabia que era o quarto da empregada? – Damon me perguntou, fazendo-me acordar de meu devaneio.
– Não... Claro que não – respondi somente, pois realmente não sabia.
– Eu tenho que conversar com a Elena quando ela chegar... – Ele refletiu fechando os olhos.
– Não se preocupe – ela disse para Damon em uma voz tão doce para mim quanto limão, fazendo um discreto carinho na nuca dele – Conheço a Elena, ela não faria nada contra a amiga de vocês.
– Papai, eu quero mais – Kalleo anunciou, fazendo Damon abrir os olhos e reparar no que ela estava fazendo. Percebi isso por que ele me olhou com aquela cara de... Damon! Ele só podia ta de brincadeira com a MINHA cara se não havia percebido antes.
Elena só voltou para casa às 15 horas da tarde, graças aos céus, sem Bonnie em seu encalço. Não que eu não quisesse minha namorada ali, só que naquele momento eu precisava abrir os olhos daquela garota.
– O que ta fazendo no sofá a essa hora com uma garrafa de Heineken na mão? – Ela disse me repreendendo. Olhei para a garrafa e soltei um suspiro pesado.
– Eu sou o adulto de férias aqui, Elena – precisei falar aquilo – Vem – levantei e a puxei pelo braço em direção ao meu quarto, a empurrei para dentro dele e fechei a porta na chave.
– O que foi isso? Eu não vou transar com você... Pra isso você tem a Bonnie...
– Ótimo que está de bom humor, Elena – Falei em resposta ao sarcasmo dela – Eu tenho que falar com você sobre a...
– Débora – ela adivinhou – Tem que falar comigo sobre a Débora, estou certa?
– Está – respondi seco e ela revirou os olhos – Sabe o que ela está fazendo nesse momento?
– Ah, pode parar Danny – ela disse balançando a cabeça em negativo para mim e pousando a mão direita sobre a testa – EU SEI QUE VOCÊ NÃO GOSTOU DA DÉBORA A PRIMEIRA VISTA COMO FOI COMIGO – Despejou aquelas palavras em mim como se fosse a coisa mais óbvia e que só um sego não veria – Mais eu to farta de confusão, além disso, foi o Damon que a hospedou aqui... Não posso fazer nada.
– Isso por acaso quer dizer que você também não quer ela aqui? – Perguntei desconfiado pelo que ela acabara de falar, me soou estranho...
– Eu não disse isso, Danny – Falou na defensiva.
– E se eu te disse que ela quer o corpo do Damon nu?
Ela parou por um momento refletindo sobre o que eu acabara de falar e explodiu em risadas. E foi ai que eu me toquei sobre o quanto que aquilo havia soado gay.
– Fala sério, Danny! – As bochechas de Elena estavam vermelhas – Corpo nu?
– Eu vou melhorar... Ela ta afim do Damon e eu to assistindo tudo de camarote, Elena.
– Débora? – perguntou ainda em descrença, voltei a revirar os olhos – Damon não faz o tipo dela...
– Não? E qual o tipo dela? – Não acredito que estou discutindo sobre isso. Eu já sai do colegial faz tempo, qual é? Ok... Ela era minha melhor amiga e acho que esse é um dos belos momentos em que a frase “amigo é pra essas coisas” se encaixa perfeitamente, afinal, amigos sabem essas coisas... – Acho que aqui é o momento certo de você fazer uma pequena reflexão sobre a quanto tempo não encontrava essa Débora...
POV Elena
Não me entrava na cabeça que a Débora pudesse se interessar por alguém como Damon, ela nunca se interessava por caras mais velhos, fora assim com Dylan, com Justin, com Kaio e todos os outros que namorava... Eram sempre mais novos e com carinha de anjo... Eu é que ficava de olho nos mais velhos... Mais já havia três anos que Débora sumira do mapa e eu não tinha ideia o quanto da velha Débora havia mudado mesmo tendo em vista que eu não era em nem metade a mesma da época dela.
– Danny...
– Ok, não quer acreditar em mim – ele rebateu antes que eu pudesse continuar e seguiu para o seu armário – Mais eu sou um advogado e uma das primeiras coisas que se aprende na faculdade de direito é que, THAN THAN THAN THAN! – ele ergueu uma máquina de bater fotos que eu nunca tinha visto e trouxe até mim – Você não pode acusar ninguém sem apresentar provas contra essa pessoa.
– Bateu fotos da Débora? – perguntei sem acreditar...
– Claro que não Elena – ele respondeu mal humorado sem tirar os olhos da tela da câmera, e eu tive vontade de rir – Eu filmei a Débora – Disse por fim me entregando a câmera enquanto um vídeo em que estava Débora, Damon e Kalleo na sala do apartamento passava.
Engoli em seco tudo o que havia dito anteriormente. Débora estava sim dando em cima de Damon e, CÉUS! Descaradamente! E o bonitinho do meu tio parecia não estar notando nada... A raiva me subiu a cabeça e se não fosse Danny segurar a minha mão, eu teria tacado a câmera na parede.
– E agora? Acredita no paranoico do Daniel Dessai? – Danny me perguntou com a sobrancelha arqueada, parecia estar se divertindo com a minha expressão de raiva, mais eu dei de ombros.
– Aquela vadia me paga... Eu vou tirar isso a limpo agora. Cadê o Damon?
– Saiu pra deixar o Kalleo em casa... Olha... Sabe que não pode chegar no seu quarto com quatro pedras na mão pra tacar nela, mesmo que eu fosse adorar se você fizesse isso...
– Do que ta falando? – perguntei aturdida mesmo louca pra sair porta a fora.
– Aparentemente ela ta dando em cima do tio da “amiga”, não do cara que a amiga ama, sabe... Amar não no sentido de família, mais no sentido... No sentido... Ah você sabe o sentido...
– Já entendi – sabia onde ele queria chegar...
– Olha Elena, essa garota pode ter sido sua melhor amiga no passado, mais hoje... Hoje você não sabe mais quem ela é... Se chegar tirando satisfação a respeito do Damon... Se contar pra ela sobre você e o Damon... Bom, não sabemos se ela vai aceitar ou gritar aos quatro ventos sobre o relacionamento de vocês e como advogado, o Damon perderia muito prestigio e moral e poderia ser preso, você sabe.
Balancei a cabeça em concordância e segui para fora do quarto, em direção a cozinha. Eu não queria perder tempo, mais Danny tinha razão e eu não me perdoaria se alguma coisa acontecesse ao meu tio por minha culpa. Tomei três copos de água super gelados e o mais devagar que pude na tentativa de clarear as ideias e quando achei melhor segui direto para o meu quarto onde achei que encontraria Débora.
– O que você ta fazendo!? – gritei quando a vi mexer nas caixas em meu armário. Algumas fotos que eu havia trago e guardo ali estavam espalhadas pela cama, junto a vários CDs, algumas roupas intimas e cacarecos.
– Procurando um fone de ouvido, por que? – Ela respondeu simplesmente e sem nem me olhar – Ainda tem foto do Brian e da equipe de basquete de quando estudamos na Espanha e... Tem uma minha e do Dylan também – ela levantou o olhar e me encarou por um momento mostrando-me a foto em que ela e Dylan se abraçavam sentados na grama. Eu tinha fotos de quase todos os colégios que eu estudei e de quase todos os amigos que tive, mais poucas eu havia trago para Nova York e não me lembrava dessas de Madri. Ela tinha que encontrar logo essas... – Eu tinha 16 quando namorei o Dylan, Elena, mais eu realmente achava que poderia ficar com ele pra sempre...
– Eu não tenho fones de ouvidos guardados nessas caixas, Débora.
– Mais tem muitas lembranças, fotos, cartinhas dos admiradores secretos, versos escritos para o Brian... – ela ainda segurava a foto em que estava com Dylan – Ainda escreve naquele seu diário, sei lá, Rosa?
– Não, eu joguei fora aquele diário – respondi somente, tentando não entrar naquele assunto e voltar ao que eu estava fazendo ali pra inicio de conversa, segui para a cama e peguei uma das três caixas e comecei a guardar algumas das coisas que ela havia espalhado.
– A sua vida inteira estava nele – ela falou após levantar. Senti seu olhar sobre minhas costas. Recolhi o restante das fotos e alguns dos papeis que um dia eu rabisquei desejando que ela guardasse a foto que estava segurando em sua mala e simplesmente fosse embora – O que aconteceu com o Dylan estava escrito nele... Lembra? A única parte que você não me deixou ler antes de ir embora...
– Você sabe o que aconteceu com o Dylan, Débora – falei voltando a encara-la, tentando controlar a raiva.
– Só você, Elena, sabe o que aconteceu... Eu só tenho suspeitas.
– Débora, o que você veio fazer aqui? – perguntei quase gritando, ela sustentou meu olhar e apertou a foto nas mãos – Anda, Débora! O que você veio fazer em New York?
– Tentar recomeçar, Elena! – ela também gritou – Não é isso que você está fazendo aqui? Não é isso que você esta fazendo frequentando uma universidade?
– Terminou o ensino médio? – Não era uma provocação, era uma duvida que eu tinha, mais ela com certeza não havia entendido assim.
– Desculpa se só você era uma Supergirl, Salvatore! – Esse era o apelido que eu tinha em Madri. Supergirl, linda, desejada e a melhor entre as atletas de natação dos colégios da Espanha na minha idade. Aquele apelido já fora tudo pra mim mais agora, não significava mais tanto – Qual é, Elena? Acha mesmo que não continuei estudando? Eu me tornei a Supergirl daquele lugar depois que você foi embora! Qual o seu problema? Eu era sua melhor amiga! Devia estar mais feliz de eu estar aqui.
– Ta brincando, não é? Ta dando em cima do meu tio!
– Então ESSE é o problema? – Ela disse rindo, debochando – Não tão diferente do que você faria, Elena! Aliás, não tão diferente do que eu aprendi com você! Quem te disse? Aquele magricela do quarto ao lado?
– Não insulta o Danny, Débora!
– Qual é Elena! Não se faz de santa não, ou você acha que eu não lembro dos seus podres? Eu não sei do seu passado? Do que você fez com o Dylan!
– Eu não fiz nada com o Dylan! Qual o seu problema, Débora!? Vai mesmo ficar me ameaçando?
– Qual o SEU problema Elena!? – A encarei pensando em tudo que ela podia saber sobre mim, em tudo que eu não tinha coragem e nem cara pra contar para o Damon. Ela sustentou o meu olhar, talvez tentando me intimidar, ou porque fosse uma coisa que ela sabia que eu faria – Eu não to te ameaçando, até porque você nunca teve medo de ameaças por que nunca se importou com quem pudesse ouvir qualquer coisa sobre você e eu não acredito que você tenha mudado nesse ponto mesmo tendo certeza que você se importa muito com esse seu tio e ele com você, pra ta assim, toda nervosa e Elena... Eu não sou sua inimiga – Ela disse por fim dando-me as costas e saindo do quarto.
(...)
Damon chegou de noitinha e mesmo eu não estando com muito animo, saímos para jantar, de sobremesa tomamos sorvete no Central Park e ele voltou a registrar nossos momentos juntos com fotografias.
– Lena, a sua amiga te disse quanto tempo ficaria em casa? – Ele me pergunto quando estávamos retornando para o apartamento. Seu tom de voz vacilou um pouco e eu percebi logo o porque.
– Não sei – comecei e dei uma pequena pausa para que ele pudesse dizer alguma coisa, mais preferiu ficar em silêncio – Danny me contou que ela ta dando em cima de você...
– Ele tava tentando me falar, mais de verdade, Elena... Eu só me toquei disso hoje...
– Por isso quer saber se ela já vai embora?
– Danny não gosta dela também, o que é estranho por que... Bom... O Danny gosta de todo mundo...
Não conversamos muito mais do que isso e não havia nem sinal de Danny ou Débora quando chegamos, a casa estava em um completo silêncio e eu até cheguei a pensar que os dois haviam saído juntos também, o que nunca aconteceria... Mais meus pensamentos fugiram quando senti os braços de Damon em minha cintura enquanto adentrávamos o corredor. Ele colou seu corpo ao meu me fazendo estremecer. Meus pelos da nuca se eriçaram quando ele beijou-me o pescoço e seu halito quente e fresco chegou a me causar frenesi e o meu corpo chamava por Damon.
– Dorme aqui comigo? – Ele perguntou baixo em meu ouvido após encostar-me contra a parede. Pude fitar seus encantadores olhos azuis. Sorri e ele me beijou ferozmente. Estava prestes a o empurrar porta a dentro de seu quarto quando ouvi o um barulho na cozinha. O empurrei com a maior força que pude contra a parede contrária, mais sem se abater, Damon apenas olhou em direção a sala.
– Boa noite – A voz de Débora ecoou no corredor. Ela segurava um prato com alguns sanduiches e um copo de suco. Após olhá-los por um tempo e sem esperar realmente uma resposta ela seguiu em direção ao quarto de Elena fechando a porta as suas costas.
Nos entreolhamos.
– É melhor eu entrar... – Recomecei e ele balançou a cabeça em concordância.
– Tudo bem – ele aproximou-se e com um singelo sorriso a beijou-me.
No quarto, Débora estava sentada onde dormia, comia um dos sanduiches e mexia no celular. Estranhei sua indiferença, mais sem dar bola, segui para cômoda. Troquei de roupa ali mesmo, como fazia antigamente na frente de Débora e segui com meu celular em mãos para a minha cama.
– Ta tudo bem com você? – perguntei depois de um tempo sem ter certeza se aquilo era algo boa para dizer a Débora.
– Sim – ela deu de ombros, encarando-me pela primeira vez desde que entrei – Por que não estaria?
– Você tá muito calada... — respondi e um sorriso lateral apareceu e sumiu da face de Débora enquanto ela se voltada para o prato – O que tem de errado? Deixa eu adivinhar... Foi o Danny? – Débora balançou ligeiramente a cabeça, em seguida virou-se e puxou algo da parte de baixo do travesseiro que repousava as suas costas. Me arrependi da conversa na hora em que vi o que Débora tinha em mãos, a antiga foto em que ela estava com Dylan.
– Elena o que aconteceu com o Dylan no penhasco aquela noite em que você venceu a aposta, quando ganhou as 4 medalhas?
– Sabe o que aconteceu – eu disse somente, a fitando. Débora balançou a cabeça negativamente ao voltar o olhar para a foto. Fechei as mãos em punho pensando no que falar, a raiva de mi mesma e de lembrar do passado começava a pesar em meus ombros – Dylan e eu fomos até próximo da ponta, estávamos bêbados, estava escuro, só haviam resquícios de luz vindos de onde os carros estavam parados e a galera tinha ficado...
– Os gritos, Elena... – ela pediu uma explicação e eu fui forçada a parar. Respirei fundo antes de continuar, já relembrando o que havia dito a policia naquela madrugada.
– Estava frio e eu estava com aquele vestido preto mega justo que não cobria quase nada, no penhasco ventava bastante você sabe... O primeiro grito, o meu grito, foi pelo frio que eu senti. Dylan se empolgou Debby e gritou também, gritamos juntos e começamos a pular com a musica que vinha de onde todos estavam, jogamos as garrafas de bebidas no chão e elas quebraram, estávamos nos divertindo, não percebemos o perigo – A olhei nos olhos, mais a expressão de Débora estava fechada. Eu sabia que aquilo era tão difícil de ser escutado quanto lembrado por mim. Fechei os olhos e respirei fundo novamente – Ele caiu, desequilibrou e caiu.
– Caiu do penhasco... – Balancei a cabeça em concordância notando uma pequena gota de lagrima escorrer do olho direito de Débora. A garota assentiu enxugando a lagrima e estranhamente sorriu para mim – Mais pra que lembrar disso né? Anda, me conta como foi sua noite, Salvatore... – Assenti agradecendo por ela ter mudado de assunto, doía muito pensar o que havia acontecido. Eu me arrependia demais por aquilo.
Atendi o pedido de Débora contando sobre a noite, escondendo tudo que ela não podia saber, claro. Depois disso, desligamos as luzes e então eu pude descansar. Quem me dera...
Acordei molhada pelo suor que ainda escorria por meu corpo respirando com dificuldade pelo susto. O meu barulho acabou acordando Débora que levantou e abriu as cortinas da janela para que o sol que nascia pudesse iluminar o quarto.
– O que houve, Elena? – ela me olhou um tanto assustada tocando minha testa – Você esta bem? – Balancei a cabeça ainda respirando com dificuldade. Fechei os olhos tentando neutralizar os flashs de memórias do pesadelo. Ela levantou e logo me trouxe um copo de água – Toma, bebe – obedeci ainda de olhos fechados. – Agora me conta, com o que sonhou?
Eu não podia dizer a verdade a ela, eu nunca havia dito a verdade a ninguém, mesmo Debbie sendo minha melhor amiga, aquilo envolvia demais seus sentimentos que já estavam abalados. Fazia muito tempo que eu não havia tido pesadelos com o Dylan e aquilo me assustou, mostrando-me que eu ainda sentia a maldita culpa por aquele dia.
– Fala, Elena!
– Não, eu não quero lembrar! – gritei de volta, levantando-me enquanto ela me observava incrédula. Corri para onde estava a minha toalha e a tomei nos braços correndo para a cômoda e pegando o mais rápido que consegui a roupa para seguir depois para a faculdade.
– Elena! Elena para! Elena me escuta! Fala comigo!
– Não, Débora – disse com a voz falha, o sentimento torpe de fraqueza adentrando o meu corpo. Deixei Débora para trás batendo com força desnecessária a porta as minhas costas.
Quando levantei a cabeça no corredor meus olhos fitaram os de Danny. Com um short de linho, o peito desnudo e o cabelo completamente bagunçado, ele segurava um copo de capuchino da Starbucks provavelmente comprado por Mary que já devia estar na cozinha. Sua expressão despreocupada e sonolenta mudou completamente quando ele viu a primeira gota de lagrima escorrer pelo lado esquerdo do meu rosto.
– Hey! Elena? O que foi? – Não respondi, não tinha o que responder... Balancei a cabeça negativamente tentando segurar o choro enquanto eu segui o mais rápido que pude para o banheiro.
Tranquei-me e joguei a toalha sobre a pia. Me despi e entrei no Box ligando o chuveiro para que a água gelada caísse sobre mim. Deixei que as lagrimas despencassem misturando-se com a água forte do chuveiro enquanto eu me apoiava na parede para não cair. Queria que a água levasse as lembranças que vinham com tudo na minha cabeça, mais o sorriso canalha do Dylan aquela noite insistia em me atormentar. Ainda lembrava perfeitamente do barulho das garrafas de bebida caindo com força no chão e esparramando vidro perto dos nossos pés. Eu ainda tinha uma cicatriz no dedão do pé pois avia pisado forte e cravado um dos pedaços grandes do vidro espesso na minha carne. Eu sabia que o comportamento do Dylan aquela noite era por conta da bebida, mais isso não me impediu de agir por impulso e a culpa voltou a me perseguir. Eu só queria poder esquecer e me livrar de tudo de uma vez.
Débora POV
Eu tinha quase certeza que a reação de Elena tinha a ver com o que eu havia perguntado a ela noite passada pelo simples fato do “Eu não quero lembrar!” que ela disse quando eu pedi que me contasse sobre o pesadelo.
Aquilo era remorso, só podia ser... Sorri com essa ideia. Elena nunca sentia remorso, mais obviamente isso era mais uma das coisas que por algum motivo havia mudado nela.
Mesmo eu não sabendo qual a dela em New York, uma hora ou outra eu ia acabar descobrindo, no entanto numa coisa meu plano estava dando certo: ela estava lembrando.
Quando estava fugindo da minha família em Cancun, dei a sorte de trabalhar como faxineira justo no chalé que ela e os amigos iam se hospedar. Nem acreditei quando a vi, mesmo ela não me reconhecendo, abri um sorriso quando ela foi embora com a amiga com quem conversava, porque naquele momento, Elena acabava de virar um alvo, um alguém no qual eu depositaria todas as minhas energias. Mais eu sabia que, estando do jeito que eu estivesse, bem, mal, fugindo ou tentando me encontrar em algum lugar, eu largaria tudo se Elena Salvatore entrasse novamente na minha vida, porque Elena Salvatore era a causa do meu abismo pessoal. Então eu decidi que voltaria a vida dela pra arrancar de vez a confissão que eu tanto esperei e que ela nunca teve estomago e coragem para admitir. A Elena que eu conheci, forte, inabalável e com a alto estima nas alturas era uma farsa, porque a real Elena era fraca e incapaz de admitir seus erros, se é que o que ela fez com o Dylan pode ser considerado erro. Eu podia ver claramente que a nova Elena era completamente diferente da que eu conheci, as fraquezas estavam a mostra e eu estava desvendando uma por uma.
Sorri com a ideia de que agora ela pudesse estar mal realmente desejando que estivesse se desmanchando em lagrimas naquele banheiro.
– O que ta acontecendo com a Elena, garota? – Ouvi a voz de Danny soar de frente da porta que ele havia batido com força as suas costas, mantinha uma expressão preocupada enquanto me encara de braços cruzados com os cabelos rebeldes presos em um rabo de cavalo torto, vestindo uma blusa de algodão cinza e um short de linho qualquer. Danny... Elena adorava ele e eu ia adorar estragar tudo que ele sentisse por ela quando descobrir a verdade... O fitei me concentrando, tentando fazer o possível para não demonstrar saber de nada.
– Ela teve um pesadelo.
– Pesadelo? – ele me perguntou com uma voz descrente.
– É, acordou agitada, meio assustada, eu lhe dei um copo de água pedindo para que ela se acalmasse e me contasse com o que havia sonhado, mais ela disse que não queria lembrar, levantou e foi embora.
– Chorando, sem mais nem menos?
– Deve ter sido um pesadelo bem ruim... – ele continuou me encarando então eu fechei a cara e o peitei – O que é? Acha que eu coloquei o pesadelo na cabeça dela por um acaso?
– Quer saber? – ele me respondeu prontamente e eu balancei a cabeça – Eu não confio em você.
– Ah é? Por que? Você nem me conhece! O que pensa de mim afinal, advogado? Que eu sou uma mente criminosa do mal pronta para explodir o seu apartamento?
– Quem sabe, não é? Afinal, eu nem te conheço – ele disse irônico.
– Quer saber? Sai daqui! Se você não gosta de mim, eu também não gosto de você.
– Saiba que o meu sexto sentido me diz para ter cuidado e proteger a Elena, e eu acredito cada dia mais que é de você.
– Que coisa mais idiota! Sexto sentido? Pensei que isso fosse coisa de mulher! – provoquei quando ele me deu as costas.
– Isso é coisa de advogado criminalista, garota – ele disse, voltando a me encarar — e mesmo eu não estando atuando nessa área, eu tenho essa especialização e eu sou muito bom no que eu faço – ele disse por fim saindo do quarto. Respirei fundo, voltando ao meu normal. Eu tinha mais o que fazer essa manhã.
(...)
Eu já havia vindo a New York algumas vezes com meus pais quando era pequena e uma vez depois que Dylan morreu antes de eu dar adeus minha família, eu não conhecia toda a cidade, mais tinha certeza que poderia chegar a um endereço em especial: O centro de Jornalismo da City University of New York.
A algum tempo eu havia pesquisado na internet e descoberto sobre um certo “antigo amigo” que agora estudava jornalismo ali. O campus de jornalismo era enorme, mais ele fazia parte de uma das irmandades do local, então um aluno me serviu de guia e me levou direto a porta do dormitório de Brian Maths.
Respirei fundo antes de bater. Quando o fiz, ouvi uma voz gritar um “já vai!”, então esperei vir atender sem apressar.
– Sim? – O loiro um tanto mais alto mais com os mesmos olhos azuis claros que eu lembrava foi quem atendeu. Sua expressão descontraída de antes agora estava fechada e totalmente espantada por me ver ali. Sim, ele havia me reconhecido. Ponto para você, Débora Reigth.
– Não vai me convidar para entrar? Botar os papos em dia, Brian? – perguntei sem livrar meu tom do sarcasmo.
– Pensei que tiraria o dia livre pra mim! – ouvi uma voz fina em tom reclamão soar de dentro do apartamento. Estiquei-me ainda sorrindo para tentar ver lá dentro, mais apenas consegui enxergar uma cabeleira loira pois ele tapou minha visão.
– Querida, eu acho que eu tenho prioridade – disse desdenhosa a ela, já que Brian não disse nenhuma palavra.
– Quem é você? – ela perguntou, aproximando-se da porta para me encarar.
– Ex namorada... Mãe de dois filhos dele... – menti na cara de pau. Ela entreabriu a boca visivelmente chocada e empurrou Brian passando por mim e correndo pelo corredor.
– Hey! – ele gritou para mim quando se deu conta da gravidade do que eu havia dito, e logo em seguida procurou a loira pelo corredor – Kristin! Espera! Você é maluca? – perguntou para mim.
– Anda, vamos conversar.
– O que? Não! Eu não vou conversar com você Débora!
– Você não tem outra opção, Brian. Ou entra ai, ou o campus todo vai saber que você deixou sua mulher com dois filhos em Madri antes de vir pra cá!
– Ninguém vai acreditar nisso, Débora!
– Ah não? Quer mesm
o pagar pra ver, loirinho? A internet ta cheia de fotos de irmãosinhos loirinhos com a sua cara que eu posso muito bem espalhar por ai...
– E o que você ganha com isso, afinal?
– Nada, mais também não tenho nada a perder... Já um aspirante a jornalista de uma cidade onde a concorrência desleal é tão grande... Sabia que na sua universidade estudam mais de 260 mil estudantes em todos os turnos e que 26 mil deles estudam só jornalismo? Imagina nas outras universidades da “Big Apple”? Soube que pra ser um jornalista bem sucedido, você precisa ter um currículo impecável e isso diz respeito também a sua vida pessoal... – Ele me deu passagem e fechou a porta as nossas costas, encarou-me de cara fechada quando eu sentei-me na cama de solteiro da ponta (haviam mais três ali).
– Anda Reigth! Fala logo o que você quer!
– A cabeça da sua ex namorada...
– Do que você tá falando?
– Elena... Quem mais?
– Débora, pra que trazer a Elena do passado depois de tanto tempo?
– Diz isso porque não foi o seu namorado que morreu!
– O Dylan era meu amigo também! Que droga! Segue em frente!
– Você tava lá comigo, você viu o que ela fez, Brian! E nós não dissemos nada para a policia!
– Você não quis que falássemos! E quer saber, foi melhor assim! Melhor pra gente, melhor pra Elena e até melhor pro Dylan!
– Como pode dizer isso? – perguntei sem acreditar no que ele acabara de dizer – Eu não falei a policia porque pensei que conhecesse a Elena, mais eu tava enganada, ela sumiu de Madri! Sumiu como uma covarde!
– Débora, já faz mais de 3 anos, o caso foi fechado... E foi naquele mesmo mês. Não há nada que você e eu possamos fazer.
– Mais é claro que há! Ainda há tempo! A Elena tem que confessar e você e eu podemos fazê-la falar... Eu posso fazê-la falar. Eu só preciso que você faça uma coisa por mim quando tiver na hora certa – ele balançou a cabeça negando e me deu as costas – Brian, o Dylan adorava você...
– Adorava? – ele perguntou debochado – Adorava? – Repetiu virando-se para me encarar – Eu lembro muito bem o que eu vi, Reigth! Ele tava agarrando a minha garota! Eu gostava da Elena!
– Então viu ela se oferecer pra ele naquela noite como eu vi, Brian! Sem ter consideração comigo ou com você!
– Chega! Chega, ok?
– Não pode continuar protegendo a vadia da sua ex namorada! Elena Salvatore sacaneou comigo, com você e com o Dylan então para de tentar proteger a pele dela! Não estamos mais no ensino médio!
– Nem sabe onde a Elena está – ele rebateu voltando a me encarar nos olhos.
– Eu sei muito mais do que isso, loirinho. Eu estou hospedada na casa da Elena, a convite do próprio tio dela. Sabia que ela tinha um tio em New York? Também pensou que nunca mais ia ver ela depois de Madri, ma ela esta mais perto do que você imagina – eu segui em direção a porta e ele veio em meu encalço. Parei na frente dele, já de volta no corredor – Pensa bem, Brian... Quando eu precisar de você, e eu vou precisar, eu espero que façamos juntos a coisa certa dessa vez. Que façamos pelo Dylan e sem dó da Elena ou quem estiver perto dela.
– Eu espero que você não precise de mim, Débora. Eu não quero me meter na vida de ninguém, muito menos da família da Elena.
– Acredite, Brian... O tio dela e os amigos vão estar muito melhores sem a “Elena Problema” por perto.
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