Uncommon Love
19 Proposta
Notas iniciais

Danny POV.
O ultimo mês havia se passado muito rápido e eu nunca havia presenciado uma atmosfera mais agradável em nosso apartamento. Ganhar a presença de Kalleo e ter de volta o convívio de Lexi e Genevieve, mesmo não de uma forma completa, conseguiu unir nosso grupo novamente.
Caroline nunca fora tão madura como agora. Todos nós, inclusive Lexi, nunca imaginaríamos que a nossa Dama de Ferro tinha um coração tão mole com crianças (bom, talvez o fato de Kalleo ser filho de Damon tenha ajudado). Caroline vem ver Kalleo todos os sábados e domingos e sempre da um jeito de trazer algumas guloseimas pra ele quando sabe que está aqui. Ela também se dispôs a cuidar de todo o processo de reconhecimento de paternidade, mesmo não sendo sua especialidade. Matt esteve pouco tempo por perto por conta das viagens com o time. Curiosamente seu rendimento em campo melhorava após um fim de semana conosco em NY. Cheguei a cogitar com Caroline a possibilidade de eles terem um bebê agora e, mais uma vez, tive mãos em volta do meu pescoço.
Nathan ficou sem falar com Damon duas semanas. Uma atitude infantil para um advogado de 27 anos bem resolvido de NY. O problema era que Nathan não era bem resolvido e, conhecendo ele como conhecíamos, não esperávamos outro tipo de atitude. Por baixo da pose de macho alfa, nosso amigo era mais um lobinho desmamado e a falta de honestidade de Damon no primeiro momento, combinada a volta de Genevieve sem aviso prévio reabriu feridas que nunca tinham sarado de verdade. Depois de 12 dias trabalhando de portas fechadas e ignorando a maioria de nossos telefonemas e mensagens, a própria Genevieve foi quem penetrou a bolha em que ele se isolava. Ela contou-me sem detalhes o que conversaram em uma das tardes em que veio deixar Kalleo em casa para Lexi.
Quase não acreditei quando ela me disse que foi até o apartamento de Nathan disfarçada de entregadora de pizza com o cabelo preso para trás em um rabo de cavalo e com o boné baixo sobre o rosto para que ele não a visse pelo olho mágico. Vestida toda de vermelho e com uma caixa de pizza pega da lata de lixo do vizinho de Lexi, ela o empurrou porta a dentro quando ele tentou dizer que não havia pedido pizza nenhuma. Pensando ser um assalto, Nathan sentou no sofá, baixou a cabeça e colocou as duas mãos sobre ela. Genevieve não se conteve ao tirar o boné, soltar o cabelo e vê-lo daquele jeito. Riu igual a uma condenada. Quando ele percebeu que era ela, desatou a xinga-la mesmo ela rindo sem parar. Genevieve disse que não percebeu quando ele parou de soltar palavrões e nem porque fizera isso antes de cessar sua crise de risos, mais eu (e intimamente ela também) sabia que ele fizera só para observá-la.
Sabe lá Deus, talvez com a ajuda de seus poderes místicos ou pelo fato de Nathan sempre ter tido uma queda por ela, Genevieve conseguiu convencê-lo a perdoar Damon e nos perdoar por o ter perdoado tão rápido.
Com a estreia da peça, Lexi nunca esteve tão atarefada e esse foi um dos motivos de Kalleo passar tanto tempo com a gente. A peça se tornou um sucesso de público e era encenada as terças, quintas, sábados e domingos. Lexi era obrigada a estar lá, além de acompanhar os outros dias de ensaios vespertinos que as vezes se tornavam noturnos. Como Genevieve trabalhava a tarde e também em regime de plantão como enfermeira, era difícil conciliar os horários com os de Kalleo.
Elena era quem quase sempre ficava com a criança. Como eu passava a tarde no escritório e Damon muitas vezes teve que fazer a mesma coisa, todas as vezes quando chegávamos, os dois nos contavam como fora seu dia. Era incrível vê-la toda animada. O brilho em seus olhos era diferente.
E Damon... Damon era o mais babão possível. Estava muito animado, semelhante a quando deu a festa para Elena ou quando ganhou um papel em uma novela junto a Lexi faz tempo. Todos percebemos o quanto a vinda de Kalleo estava o fazendo bem.
– Quero levá-lo para tomar sorvete hoje – Nathan levantou do sofá e seguiu em direção a Elena que segurava Kalleo parada na direção do corredor.
– Vocês vão engordar o meu filho desse jeito – Damon balançou a cabeça, logo em seguida, tomou um gole de água da garrafinha que segurava.
– Eu adoro engordar. É muito legal e gostoso – o menino disse já dos braços de Nathan. Fora instantâneo. Todos caíram na gargalhada.
– Garoto, você é sábio – disse quando recuperei meu fôlego, o rosto dele se iluminou em um sorriso de orelha a orelha. Nathan tirara uma folga de três dias do escritório, as coisas estavam calmas por lá e Damon não precisaria voltar para trabalhar aquela tarde. Quando Nathan e Kalleo passaram pela porta de entrada, Damon deu seu mais autentico sorriso lateral de felicidade, seguiu em direção a Elena e a abraçou por trás. Ela também abriu um sorriso e naturalmente eu abri o meu.
– Uou! – Lancei na direção deles e eles trocaram olhares. Minha surpresa fora tanta que levei a mão ao cabelo despenteado que em nada me incomodava. Ninguém havia me contado nada – Isso me parece uma coisa, mais eu não sei ao certo se é...
– É isso mesmo que esta pensando, Daniel – Damon disse naturalmente após depositar um beijo na bochecha de Elena e ela concordou balançando a cabeça.
– Damon! – disse em tom alto demais. Ele me olhou surpreso pelo tom, mais gargalhou – Tem que voltar a dividir as coisas com o melhor amigo... E isso serve pra você também mocinha... Fui uma espécie de cupido, sabia? Claro que o mérito é todo dele, ai... – Dei de ombros.
– Imaginei que você tinha alguma coisa mancomunada com Damon desde aquele discurso sobre leis no meu quarto a algum tempo a trás...
– Discurso sobre leis? – Damon perguntou sem entender.
– É, cara... Vai ter tempo para me agradecer depois... – peguei minha pasta que havia largado sobre o sofá e segui para a porta – Hasta la vista baby! – Soltei sem olhar para trás.
(...)
Caroline sorria de orelha a orelha em frente aos amigos sentados no sofá e poltronas da sala de estar do apartamento. Bonnie e eu estávamos em pé encostadas na parede do corredor que dava para os quartos. Damon segurava Kalleo e Lexi estava ao seu lado. Genevieve e Nathan nas poltronas. Matt ao lado de Lexi no sofá e Danny no braço do mesmo ao lado de Damon.
– Dá pra falar logo quanto o Damon vai ter que depositar todo o mês pra Lexi e o mini Damon pra começarmos logo a beber nesta linda noite de sábado, Caroline? – Nathan impaciente brincou, mais a loira bufou mesmo com as risadas baixas de Lexi, Genevieve, Danny e Matt. Quando Bonnie ousou rir, ela lançou um olhar feroz em nossa direção. Apenas arqueie a sobrancelha.
– US$ 6.600,00, pelos próximos 15 meses, dado a proporção do salário bruto de Damon e o atraso de 5 anos de pensão.
– É muito, Caroline. Eu pedi para não levar em conta os cinco anos, Damon não teve culpa – Lexi disse ríspida. Caroline revirou os olhos e olhou diretamente para Damon.
– E eu pedi para que a Carr acrescentasse os cinco anos com a correção de juros. Como você disse que vive muito bem com Kalleo com o seu salário, me certifiquei que vá tudo para uma poupança reservada para quando ele escolher uma faculdade.
– Aqui estão os papeis da poupança do Kalleo – Caroline estendeu algumas folhas grampeadas presas a uma prancheta de vidro em direção a Lexi junto a uma caneta. Lexi direcionou o olhar para Damon que assentiu com um movimento de cabeça, ela suspirou e pegou os papeis da mão de Caroline – Como representante legal do menino, assine ao lado do x com o seu nome completo em todas as folhas.
Ela não demorou muito tempo para assinar os papeis, mais demorava sempre alguns segundos para preencher com o nome os espaços em branco. Senti como se ela sentisse duvida no que estava fazendo e aquilo me incomodou de certa forma. Damon estava certo em tudo aquilo, mesmo quando cogitou a ideia de levar a criança até Richmond para que nossos avós o conhecessem. Damon nunca quis voltar a se aproximar do pai e ainda não queria, mais Kalleo merecia conhecer a família do mesmo modo que ele merecia conhecer o filho.
– Esses são os papeis de reconhecimento da paternidade. Aqui diz que o Damon reconhece ser pai do Kalleo sem a necessidade de um teste de DNA.
– Realmente não precisa, olha a cara desse moleque... – Nathan cochichou para Genevieve que sorriu em concordância.
– Ele tem razão – Danny concordou prendendo os cabelos em um rabo de cavalo sorrindo marotamente para Kalleo – Pula logo essa parte da explicação que os advogados estão cansados de saber e o Quarterback e as meninas não estão nem ai.
– Esse é o meu garoto – Nathan disse batendo palmas três vezes em referencia a forma como Danny cortou logo aquele assunto.
– Em fim – Caroline suspirou dando de ombros e estendeu novamente os papeis na prancheta e a caneta a Lexi – O filho fofo de vocês agora passa a se chamar Kalleo Julian Branson Salvatore.
Sorri bobamente naquele instante. Uma criança Salvatore... Claro, um filho meu teria Salvatore no nome, mais um filho meu era algo longe da realidade agora... Era Damon o pai, meu Damon. Exceto por Danny, mesmo que ninguém ali soubesse, aquela mudança de nome tinha um significado especial para mim. Eu não cresci com muitos Salvatores por perto, era só meus avós maternos e eu, mais aquela criança teria dois, além de tios que fariam tudo por ela.
– Bom, é isso – Caroline recolheu tudo e guardou em uma pasta amarela – Eu mesma levarei até o cartório. Bem vindo a nossa família, pequenino – Ela se inclinou e beijou o rosto da criança fazendo-a sorrir retribuindo.
– Você foi o máximo, Carr – ela piscou em agradecimento a ele. Lexi levantou e pegou Kalleo em seu colo.
– Valeu mesmo, Caroline – Lexi a agradeceu e ela sorriu fraco.
– Ah, qual é... Qualquer um de nós podia ter feito isso – Nathan disse me fazendo rir. Tinha razão. Caroline o lançou seu mais ameaçador olhar.
– Queria mesmo competir comigo? – ela o perguntou, seu sorriso lateral era desdenhoso – Em fim, sabemos que você não é páreo para Caroline Forbes – O sorriso que Nathan a lançou era desdenhoso como o meu já fora quando falava com ela – Bom, tenho uma proposta pra fazer a vocês, adultos.
– Proposta? – Damon perguntou.
– Pelo menos não está nos intimando – Danny disse olhando para Damon, Lexi e Genevieve soltaram um “É verdade” baixo.
– Deem uma chance a Carr – Matt falou sorrindo em direção a Caroline.
– Falou o Quarterback abobalhado por ela – Nathan disse balançando a cabeça. Bonnie e eu rimos um tanto alto demais, e ela voltou a nos encarar feio.
– Será que eu posso continuar, queridos? – ela falou olhando para cada um por vez. Todos balançara as cabeças e alguns “sim” foram soados – Proponho a nós uma viagem.
– Viagem, Caroline? – Genevieve a perguntou e eu pude perceber o receio em sua voz.
– É, viagem. Pensem... A quanto tempo nós não víamos? Quer dizer... Você tinha o Nathan e Danny como melhores amigos e sumiu Gê, além disso, vive trabalhando, mais coincidentemente, não tem plantões nem hoje, domingo ou segunda, dia 17 de março, feriado.
– Feriado? – perguntei.
– St. Patrick’s Day – ela me respondeu ríspida — O dia de St. Patrick padroeiro irlandês, esqueceram? Não é um feriado oficial, as lojas estão abertas e tudo mais, mais o povo daqui adora uma festa então...
– Como sabe que não tenho plantões?
– Fiz meu dever de casa. Lexi... Andei pesquisando e descobri que você pode tirar alguns dias de folga se estiver tudo correndo bem no que diz respeito a peça que ajuda a coordenar. Soube também que ela anda as mil maravilhas então, não tem muitas desculpas que você possa arranjar... Danny e eu estamos liberados do nosso escritório esses três dias e os treinos do Matt só recomeçam na quarta. Damon e Nathan, o movimento anda fraco lá no de vocês, tanto é que estão livres desde ontem a tarde... Alguém vai arranjar alguma desculpa para me dizer não? Falem agora, ou calem-se para sempre.
– Ela nos excluiu – Bonnie sussurrou em meu ouvido. Era claro que ela havia nos excluído, desde de quando usou a palavra “adultos” – Fora Kalleo, só nós duas somos menores...
– Eu sei, mais nem em sonho vamos ficar a ver navios. É o meu tio e meu primo sentados ali na frente e ao lado deles está o seu namorado, melhores amigos da Sherlock loira — tudo bem, Sherlock era um detetive e Caroline era uma advogada criminal, mais ela era tão excêntrica pra mim quanto Sherlock era nos livros que li, além de estarem ambos “lutando contra o mal”.
– Nós duas também não temos nada que nos impeça de participar da viajem – falei esbanjando em sua direção o mais largo e contente sorriso que consegui. Ela também sorriu a contra gosto, quase fazendo uma careta. Bonnie me lançou um olhar cúmplice e eu dei um aperto em sua mão direita.
– Eu topo – Nathan se pronunciou levantando a mão – Vou, seja lá pra onde quer nos levar...
– Cancun – ela disse animada, abrindo um sorriso – Quero que passemos dois dias e meio em Cancun.
– México, Caroline!? – Danny disse alarmado – Você não fala uma palavra em espanhol. Aliás, nenhum de nós fala muita coisa!
– Isso é verdade, nem “Nachos” o Nathan pronuncia direito – Genevieve disse o olhando e ele balançou a cabeça concordando.
– Ah, qual é, Danny? – ela disse passando a mão pelos cabelos – Fomos a frança e sobrevivemos. Qual o perigo da America latina?
– O perigo é tentar comprar uma garrafinha de água no supermercado e sair com um pneu de um trator.
– Damon tem razão – Genevieve disse gesticulando na direção de Damon.
– Contratamos um tradutor... Não é difícil... Vamos! – ela choramingou alto – Cancun é um sonho! E quero estar com meus melhores amigos lá...
– Não sei, Carr... – Damon disse tentando pensar em alguma coisa, mais eu já tinha a solução em minha cabeça e me encaminhei em direção ao centro da sala, onde Caroline estava.
– Eu tenho a solução dos problemas de vocês – sorri primeiramente a Caroline e depois olhei em direção a Damon – Eu falo inglês, português, parlo anche italiano, je parle aussi le français et... También aprendí a hablar español con fluidez.
O espanto foi geral. Todos me olharam admirados, inclusive Caroline, que balançou a cabeça em negativo ao meu lado enquanto eu sorria como se acabace de receber uma medalha por misturar os idiomas que conhecia.
– Alguém por favor traduz o que essa garota acabou de falar – Nathan disse ainda com cara de bobo.
– Acho que ela acabou de dizer que fala espanhol – Lexi foi quem respondeu.
– Você sabe falar quantos idiomas? – Danny estava tão abismado quanto Caroline, mais ela não tinha a coragem de me fazer nenhuma pergunta.
– Além de inglês, português, italiano, espanhol e Frances, também entendo o galego e sei algumas palavras em latim. Vantagem de se estudar pelo mundo.
– Bom, problema resolvido – Matt falou para Caroline.
– As passagens estão reservadas em meu nome no voo das 19 horas de hoje. Da tempo de fazerem tudo que quiserem antes da viajem, então, transfiram 397,00 Dólares até as 14 horas e confirmem com uma mensagem de texto. Vou estar a caminho da agencia de viagens a essa hora. Damon e Danny vão gastar mais...
– E onde vamos ficar? – Nathan perguntou, mais não parecia se importar tanto.
– Já aluguei uma casa boa para ficarmos. As despesas lá ficam por conta de vocês... – ela piscou alegre – Só espero não sofrer nenhum atentado antes da viagem – Ela me olhou e eu lhe lancei um sorriso falso.
– Nem sabia se íamos topar, Carr – Danny disse divertindo-se com ela.
– É claro que sabia... – Bonnie cochichou em meu ouvido quando voltei para o seu lado na parede.
– Estou com um pressentimento sobre essa viagem...
– E isso é bom? – ela perguntou.
– Depende do que você chama de “bom”. Meus pressentimentos nunca me decepcionaram, mais eu era uma peste, Bon Bon...
– Ihhhh – ela chiou baixo – Lá vem confusão... – e eu sorri em sua direção.
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