Uncommon Love
24 Nada dura para sempre
Notas iniciais
“Provavelmente, quando tudo estiver decidido
Quem serão os sortudos que vão sobreviver ao percurso todo?
Apesar de você dizer que eu poderia ser a sua resposta
Nada dura para sempre, não importa como se sinta hoje” – Chances . Five For Fighting
POV Elena
– Anda seu moleque! – O tom de voz de um senhor de cabelos grisalhos soava ameaçador em direção a Damon. Ele separou-se de mim o mais rápido que pode em um susto, mais continuava ali, tão perto que eu podia sentir que estava amedrontado. Eu não entendia. Lembrava-me vagamente daquela voz, mais não do rosto da pessoa a qual pertencia – Quantas vezes eu vou ter que repetir? – Ele continuou gritando enquanto aproximava-se de nós, vindo principalmente em minha direção. Mais quem poderia ser? Damon continuava parado, como se tivesse visto um fantasma.
Senti sua mão firme apertar meu pulso direito e me puxar em sua direção. Eu estava pronta para gritar, mais a voz de Damon me calou.
– Pai! Pai, deixa ela! – Pai? Aquele era meu avô? Meu avô Giuseppe?
– Deixá-la? Deixá-la, Damon, como eu posso deixá-la? A quem mais eu poderia confiar a minha neta depois de ser traído por você, mais uma vez traído por você, Damon, meu próprio filho!
– Não... Pai eu...
– Cale-se! Cale-se seu covarde imundo! – Ele soltou-me de seu aperto e seguiu na direção de Damon socando-lhe o rosto com toda a força. Damon caiu no chão com a boca ensanguentada. Sem saber o que fazer apenas gritei quando vi meu avô erguer Damon pelo pescoço e o chocar contra a parede em que estávamos antes, sem que ele reagisse a violência.
– Não! – As lagrimas começaram a escorrer fortes pelo meu rosto e o desespero me atingiu. Damon não se mexia e nem conseguia falar, enquanto aquele homem o prensava contra a parede me fazendo de espectadora.
– Pensei que você finalmente tivesse tomado algum juízo, Damon! Você cometeu o pior crime dentro de uma família! Olha o que você fez com a memória do seu irmão! É assim que você honra o Stefan? Seu irmão te amava e você o desonra da pior forma possível!
– Não! Giuseppe, não! – Caroline entrou gritando no apartamento.
– Nathan! – Danny, que estava bem atrás dela gritou para Nathan que seguiu junto a ele na direção dos dois enquanto Caroline fechava a porta do apartamento – Solta ele! – com dificuldade ambos conseguiram puxar meu avô para longe de Damon, que novamente foi ao chão. Corri ao seu encontro, me ajoelhando ao lado dele. Não conseguia acreditar como um senhor de 50 e poucos anos poderia ter feito aquilo com Damon. O rosto todo ensanguentado, com cortes no supercilho e lábios, começando a inchar. Pedi para ele falar, mais não conseguia.
– Levante-se daí, Elena Salvatore! – Ele gritou – Me larguem!
– Por favor acalme-se – Caroline foi para a sua frente, tentando o fazer parar.
– Sai da minha frente, menina – ele a ignorou e seguiu novamente em minha direção, agarrando meu braço com força e me forçando a sair de perto de Damon.
– Me largue! Me solta! – esperneei.
– Você não vai passar mais nenhum dia perto deste imoral.
– Eu quis! – disse com veemência – Eu quis ficar com ele porque eu gosto dele, eu sinto atração por ele e sinto que o amo como você um dia deve ter amado a sua mulher.
– Você não sabe o que diz, menina! – Ele encarou-me nos olhos.
– Eu sei muito bem! Me solte, eu não irei a lugar nenhum com você!
– Você vai se não quiser que esse lixo amanheça na prisão estadual amanhã e pegue prisão perpétua por seus crimes hediondos! – Calei-me com a ideia de prejudica-lo. Damon tentou erguer-se mais sem forças acabou caindo novamente – Apartir desse momento você não é mais meu filho. Você não é mais um Salvatore e eu nunca mais quero vê-lo novamente.
Ele me puxou, forçando-me a seguir com ele. Em um ultimo vislumbre do apartamento vi Danny, enquanto socorria Damon, olhar na direção de Caroline e lhe dizer “Parabéns”. Voltei a chorar enquanto me dava conta do que realmente estava acontecendo.
POV Damon
Caroline fazia curativos em meu rosto enquanto eu pensava no que estava acontecendo. Nathan e Danny estava em seu quarto em meio aos vários livros de direto estudando uma possível estratégia de defesa ao incesto que meu pai poderia denunciar no dia seguinte, mais era perda de tempo. Causa perdida ao meu ver.
Ele estava certo, eu era um lixo. Desonrei Stefan e o nome Salvatore. O que ele diria pra mim nesse momento? Provavelmente não olharia mais na minha cara. Não voltaria a me chamar de irmão. Se ele soubesse como eu quis fugir desse sentimento...
– Não adianta se culpar agora – Caroline disse encarando-me como se soubesse até de meu desejo mais sombrio – Aconteceu, não devia, mais aconteceu e finalmente acabou.
– Não me sinto capaz de aceitar essa ideia – era a mais pura verdade. Minhas ações não seguiam a racionalidade do meu cérebro, apenas os desejos do meu coração e dessa forma, não sentia-me capaz de ficar longe de Elena. Sustentei seu olhar, mais ela desviou ao mergulhar o algodão na solução degermante em sua mão. Em seguida suspirou levando o algodão ao canto esquerdo de meu lábio inferior.
– Precisa esquecer o que aconteceu, Damon – Sorri em deboche, sentindo a ferida do lábio arder — Você é jovem, tem um filho e tem uma carreira brilhante pela frente, não se dê ao luxo de botar tudo a perder.
– O que faria se levassem o Matt de você? – Ela parou o que fazia e desviou o olhar.
– É diferente – disse arrumando as coisas dentro de uma maletinha de primeiros socorros que tínhamos no apartamento –É completamente diferente.
– Porque? Porque é diferente? Estamos falando de família aqui, não estamos? Não pode ser diferente...
– É claro que pode, e é... Você já era grande quando ela nasceu, você a viu crescer. Devia ser como um pai pra ela. É isso que significa ser tio.
– Você cresceu com o Matt, deviam agir como irmãos. Você devia conhecer as namoradas dele, selecionar elas, escolher uma preferida, brigar com ele por terminar com ela, como uma irmã faria.
Ela levantou-se e seguiu apressada em direção a porta.
– Caroline – Chamei e ela parou, porém, continuou de costas pra mim – Não pode mudar o que sente, terminou comigo. Por isso você voltou pra ele, independente do seu parentesco. Não tente julgar minhas ações com a Elena ou menospreze o que eu sinto por ela. Se você é feliz com ele, porque eu não seria?
Sem dizer uma palavra ela saiu porta a fora, deixando-me solitário com minha dor.
POV Danny
Sentia-me frustrado com tudo. Elena sendo forçada a ir embora, Caroline fingindo que nada aconteceu e fazendo curativos em Damon e Nathan e sua cara de tacho ali e eu formulando uma defesa para meu amigo cujo crime era amar.
– Você sabe que se ele for acusado, qualquer defesa é perda de tempo, isso é causa perdida.
Sorri de seu comentário.
– Causa perdida. É esse o seu julgamento pra um cara que esteve ao teu lado desde sempre...
– Não me interprete mal, Danny...
– Nathan eu já estou indo – Caroline apareceu à porta, Nathan balançou a cabeça e levantou-se, mais meu celular tocou antes que eu pudesse falar alguma coisa. Atendi após os dois saírem.
– Danny, onde está a Elena? – Lexi perguntou apressada – Precisamos dela na peça, a atriz principal pegou uma baita gripe. Preciso dela hoje.
– Não acredito que isso seja possível – respondi com pesar.
– O que? Como assim? Espera, eu estou chegando ai!
(...)
– Espera, ELE esteve aqui? – balancei a cabeça em um sim. Estávamos sentados no sofá da sala.
– Ele bateu no Damon e levou a Elena. As coisas dela estão todas no quarto.
– Tudo por causa do Teatro? – Claro que não era o teatro, mais eu sentia que não cabia a mim revelar isso. Era assunto de Damon e Elena e não meu. Queria que meus amigos pensassem isso também. Não dei resposta a ela – Como ele está?
– Mal, muito mal. A ultima vez que o vi assim foi quando... Você sabe...
– Não posso acreditar que a historia está se repetindo
Não estava. Não era o teatro ou qualquer coisa que “fazer arte” implicava. Quem dera fosse... Também não se tratava de uma namorada ainda grávida que fora embora, mais era algo tão grave quanto. A sanidade de Damon estava mais uma vez na corda bamba.
– Vamos lá, quero falar com ele – assenti ao pedido dela e seguimos para o quarto dele. Lá Damon estava imóvel sentado na cama, perdido em seus devaneios.
– Hey – Lexi o chamou, ajoelhando frente a ele – Hey, Damon. Eu sei o que está acontecendo – ele balançou a cabeça negando – É verdade, eu sei que seu desgraçado pai odeia a arte e tirou a Elena daqui por isso. Eu tenho um plano. Ela vai fazer um show hoje e eu vou te colocar no camarim para que conversem...
– O teatro não tem nada a ...
– É uma ótima ideia! – o interrompi.
– Mais precisamos encontrar ela...
– Deixa comigo – segui até ela e a tirei de perto dele antes que ele falasse o real motivo de Elena ter ido embora, mesmo sem ter ideia de como achar Elena. Talvez ela já estivesse a milhas daqui em um avião a caminho da Virgínia.
Quando chegamos na sala, ouvi batidas na porta. Fui atender.
– Senhor Salvatore mandou eu vir buscar as coisas de Elena – Um cara mal encarado vestido todo de preto olhou-me de cima a baixo.
– É claro, ele vai arrumar as coisas pra você. – Lexi respondeu me puxando ate o quarto de Elena.
– O que você está...?
– Arruma as coisas dela, eu vou descer e esperar ele sair e então eu sigo ele.
Entendi
– Vou pegar tuas chaves e o teu carro emprestado – Assenti.
– Estão em cima da mesinha.
POV Elena
– Já mandei que buscassem suas coisas.
– Eu não sou uma criança. Eu não vou com você — falei pelo que parecia ser a milésima vez, mais dessa vez ele não fingiu que não escutava.
– Você vai, você vai sim, Elena. Você é uma Salvatore e eu já te deixei ir uma vez, mais dessa agora você não vai.
– Não pode me obrigar.
– Não deixarei que o Damon saia impune.
– O que?
– Não deixarei que ele não tenha uma punição. Você vem comigo e nunca mais se aproximara dele.
– Não, eu tenho uma vida aqui. Foi o único lugar em que fui feliz de verdade...
– Então eu te deixo ficar – o encarei sem acreditar – Você pode ficar, mais Damon será processado e julgado pelo estado. O farei perder tudo e o farei pegar perpétua.
– É seu filho... Você tem um neto dele – falei com voz embargada, minha ultima tentativa era apelar para o lado paterno, mais eu sabia que as chances eram mínimas. As lágrimas escorriam forte mais uma vez.
– Não tenho e nunca vou ter. Damon não é meu filho. Eu evitei pensar assim da ultima vez que ele me envergonhou, Elena, mais agora ele passou de todos os limites que poderiam haver – ele respirou fundo e eu percebi que aquilo afetava meu duro avô de alguma forma – Damon não é mais um Salvatore. Damon e nem a criança que aquela namoradinha dele teve não são parte dessa família.
– Não pode decidir algo assim. O que a vovó pensaria?
– Sua avó concorda comigo em tudo.
– Com licença, senhor – um homem alto apareceu na sala – Trouxe as coisas da Elena pelos fundos.
– Não precisa desarrumar nada, Elena. Dependendo do que decida, nós partiremos na manhã seguinte.
Ouvi o som da campainha tocar e um dos brutamontes do meu avô atendeu a porta.
– Olá, eu poderia falar com Elena? Elena Salvatore. Me chamo Alexia.
Lexi.
– Hey, deixem ela entrar! – gritei e meu avô permitiu. Corri para abraçá-la.
– Concorde com tudo. Vou fazer você se encontrar com o Damon. – ela sussurrou em meu ouvido o mais baixo que pode – Você está convidada a fazer parte do elenco essa noite.
– Sério? – Sorri animada.
– Sim – ela respondeu feliz – Preciso de você lá, se não minha vida está acabada, Elena.
– Então considere-se sem vida, mocinha.
– Com licença, senhor, mais é de extrema importância que Elena vá hoje.
– Eu vou.
– Não... Como você conseguiu nosso endereço? É uma armadilha, não é?
– Do que o senhor está falando?
– Eu te conheço? Eu já te vi alguma vez? – ele perguntou desconfiado.
– Com certeza não – ela respondeu.
Juntei toda a coragem em meu peito e toda a força que consegui para não chorar.
– Eu vou com o senhor. Se me deixar participar essa noite eu volto pra Richmond com o senhor.
POV Damon
Meu coração palpitava em meu peito. Eu desejava ter dito tudo o que realmente estava acontecendo para Lexi, mais talvez ela não estivesse me ajudando a ver Elena se soubesse. Também me julgaria, eu tinha certeza.
Mais tão pouco importava esse julgamento agora, Elena estava atrás de uma daquelas porta e eu poderia planeja um modo de fugir com ela dali.
– Não pode demorar. 7 minutos no máximo. Me espera que eu vou te tirar daqui. – Assenti com a cabeça e entrei no camarim.
Elena usava um longo vestido azul que deslizava lindamente por seu corpo, os cabelos encaracolados eram presos para trás. Linda, porem de expressão triste.
– Elena, podemos sair daqui agora, ir pra qualquer lugar longe do meu pai.
– Não podemos – ela respondeu duramente – Não deixe que sua mente te pregue peças, por favor. Eu não posso estragar tudo que você tem, tirar a vida que construiu.
– Eu não me sinto capaz de ter uma vida longe de você, Elena... Nunca mais... Não posso deixar que você seja tirada de mim mais uma vez – eu já estava a frente dela, segurando em seus dois ombros.
– Não há um futuro em que nós possamos estar juntos, não há chances para nós, Damon. Já está decidido, eu volto com ele pra Richmond essa madrugada – uma lagrima escorreu por seu rosto – Por favor, não me procure mais, não volte a ter contato comigo – soltei seus ombros pelo impacto de suas palavras sobre mim – Você precisa me apagar da sua vida, Damon. Tio Damon.
– E se eu não conseguir? – perguntei, tudo que eu sabia naquele momento era que sem Elena, não existiria mais o Damon que estava ali.
– Nada dura para sempre, não importa como se sinta hoje.
Me afastando ao poucos, dei as costas e sai.
– Damon, Damon! – Lexi me abraçou. Estava tão perplexo pela rejeição de Elena que não correspondi – Preciso de você. A peça já vai começar e só você pode fazer alguma coisa tão em cima da hora – ela dizia palavras que me pareciam sem sentido e me puxava pelo corredor – Não precisa trocar de roupa, está perfeito assim – ela falava alisando meu blazer preto – Sem maquiagem, toma isso – falou para uma moça ao lado e me entregando papeis – Memoriza, fará par com a Elena, cortei a cena do beijo.
– 2 minutos! – gritou alguém no fundo.
– O que? Não... Não eu não posso, Alexia.
– Escuta aqui – ela mirou-me nos olhos – Se você não entrar naquele palco, tudo isso aqui estará perdido e a Elena não vai ter a estreia que ela tanto merece.
– Faz muitos...
– Muitos anos? Esquece. Esquece tudo como você esquecia quando estávamos juntos em um palco, não é mais a gente, é alguém mais especial do que éramos, alguém muito especial pra nós dois. Você precisa ler e precisa entrar lá porque você tem um dom artístico incrível que ninguém aqui presente tem. Não precisa fazer por mim, faz por ela.
Fechei os olhos tentando limpar a mente. Quando abri, comecei a ler o roteiro que Lexi me entregou.
Não acreditava que pudesse dar certo, mais fiz por Elena.
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