Uncommon Love
25 Lexi
Notas iniciais

Eu estava louco.
Prestes a subir em um palco depois de ler o roteiro por poucos segundos e sem ensaiar nada para fazer par com a Elena na frente do meu pai que odiava artes cênicas e sabia de tudo que aconteceu entre ela e eu.
Conhecendo o meu pai, além de louco havia uma grande chance de eu estar prestes a morrer.
Entrei em cena, no primeiro ato da peça, para ser mais exato e sentei-me em um sofá de frente para a plateia, como mandava o roteiro. Foi então que senti o desgraçado frio na barriga. Não tinha ideia de quantas pessoas me olhavam naquele momento e depois de tantos anos parado, mesmo que eu já tivesse me aventurado naquele meio, sentia-me em minha estreia.
Meu pai estava em pé na plateia, mesmo distante de mim, eu tinha certeza que era ele, hesitei em sorrir e não o fiz, decidi atuar da melhor maneira que conseguisse não só por que era a verdadeira estreia de Elena, mais porque ele estava ali e eu pouco me importava com o que pudesse pensar depois disso. Que se dane, senhor Salvatore.
E finalmente nossa cena juntos chegou. 20º ato, em que nossos personagens foram forçados ao convívio, era uma cena em que havia uma pequena discussão porque eles não se gostavam a princípio.
Quando me viu sua expressão demonstrou espanto. Pedi aos céus para que ela não se perdesse em sua fala, Lexi a devia ter avisado, mais ali parecia que ela não sabia de nada. Então, magnificamente bem, Elena não hesitou em continuar a cena e eu também o fiz.
Ao fim da peça havia uma valsa para dançarmos e a cena do beijo que Lexi cortou e então as cortinas vermelhas se fecharam.
– Porque fez isso, porque estava aqui? – Elena perguntou soltando-se de mim quando as cortinas se fecharam por completo. Os outros atores que ali estavam, sem entender nada nos observavam. Lexi vinha nos cumprimentar quando percebeu o desconforto de Elena que parecia segurar as lagrimas a grande custo – Você não podia ter feito isso, não podia ter deixado as coisas mais complicadas!
– Elena – tentei chamar sua atenção mais ela correu no que me pareceu ser a direção dos camarins – Elena! – Chamei indo atrás dela, tirando de qualquer jeito qualquer pessoa que entrasse na minha frente – Elena!
Quando a alcancei, um pouco antes da saída, segurei seu pulso a forçando a me encarar.
– Me solta!
– Elena, me escuta...
– Não, não posso! Nós não podemos! Ele vai te fazer mal...
A beijei.
Em mais um momento de loucura minha naquela noite, eu a beijei, mais contrariando todas as minhas expectativas, Elena não retribuiu. Me empurrou e atônito, eu não reagi. Ela me observou por alguns segundos antes de finalmente explodir.
– Nunca mais encoste em mim! – gritou com toda a sua força. Como eu, parecia não se importar com quem pudesse estar por perto – Nunca mais chegue perto de mim! Não me procure, não ligue ou tente qualquer tipo de contato comigo. Isso acabou aqui!
– Elena?
– Você me ouviu, Damon! Tudo acaba aqui!
– Elena, o que você está dize... – tentei argumentar mais ela se afastava de mim cada vez com mais pressa.
– Tudo! Não há mais teatro, não há mais faculdade, não há mais Nova York ou eu e você, Damon. É fim da linha!
Joguei-me ao chão quando ela finalmente me deu as costas e correu em direção ao teatro. Tentei pensar em mais alguma coisa, mais alguma saída, mais nada me vinha a cabeça, nenhuma solução plausível ou algo com o qual pudesse argumentar. Eu havia perdido.
2 meses depois.
– Pai, quando a tia Elena vai voltar – Kalleo perguntou-me mais uma vez. Já havia perdido as contas de quantas vezes meu filho me perguntara sobre Elena e eu sempre me mantinha calado.
– Acho que é a sua mamãe, mini Damon – Danny o pegou no colo e o levou até a porta. Lexi estava lá e o pegou.
– Como se comportou? – Ela perguntou a Kalleo, que sorria.
– Bem, mamãe! – ela riu.
– Verdade? – Questionou-me e eu sorri de volta, da melhor maneira que pude.
– Sim – disse somente.
– Filho, que acha do seu tio Danny te levar pra tomar um sorvete antes da gente ir?
– Sim! – O pequeno gritou animado enquanto Danny seguia até ela sem entender o porque daquela ideia. Enquanto eles saiam, ela se aproximou de mim um pouco.
A encarei desconfiado, seus olhos eram curiosos na minha direção. Perguntei-me o que ela poderia estar pensando de mim.
– Ta legal, Damon – ela cruzou os braços e eu debrucei-me ainda mais no sofá. Não queria dizer nem ouvir mais nenhuma palavra – O que ta acontecendo?
– Nada – disse somente.
– Por que não me encara nos olhos? Olha na minha cara e me diz que você ta bem.
Eu não pude.
– Já faz 2 meses, Damon...
Me mantive calado, agarrado a esperança de que Lexi desistiria.
Inútil.
– Damon...
– Vai embora – Falei e ela se calou. Por alguns instantes pensei mesmo que ela iria, mais como sempre, sua teimosia falou mais alto. A minha também.
A ouvi se aproximar ainda mais do sofá, mais não a encarei.
– Porque deixou que ela fosse? – não respondi – Se sabia que ficaria assim, porque deixou que ele decidisse por vocês novamente?
– Não pude fazer nada.
– Como não? Você não é mais adolescente, Damon. Você pode decidir por ela agora!
– Você não sabe de nada, Alexia – a encarei com raiva, meus sentimentos reprimidos lutavam para vir a tona.
– Tem razão, eu não sei... Não sei, Damon, eu não entendo... Não consigo entender você.
– Eu já te disse que não pude fazer nada.
– Então para de se fechar assim – ela apontou em minha direção. Seus olhos denunciavam sua frustração – Fora o Danny, ninguém conseguiu ter contato com você. Nathan disse que você não aparece no escritório a semanas, Danny disse que você não faz nada a não ser se trancar no seu quarto em frente ao computador...
– Eu não larguei meu trabalho, faço ele daqui.
– Kalleo acha que você não está mais feliz com ele.
– O que? – perguntei sobressaltado.
– Seu filho disse que você não sorri, Damon. Ele só tem 5 anos e acha que sua falta de alegria é culpa dele.
A culpa desceu sobre mim com um peso de 6 toneladas. Kalleo não tinha culpa de nada e mesmo assim estava sendo afetado por minha falta de postura. Sim, postura. Tudo começou comigo cedendo a impulsos, desejos cruéis que me arruinaram, assim como à minha sobrinha, e mesmo assim, depois de tudo, eu não era capaz de esquecer os malditos sentimentos que nutria por ela.
Meu filho.
– Desculpe-me, Lexi...
– O que está fazendo com você mesmo, Damon? Vá busca-la! Ela é sua sobrinha, Damon!
– É exatamente por isso! – gritei a sobressaltando. Sem conseguir esconder, as lagrimas desceram pelo meu rosto. Me sentei direito e escondi o rosto com as mãos.
– Por que não me conta de uma vez o que aconteceu? – Sem me dar conta, ela afastou minhas mãos de meu rosto enquanto se ajoelhava a minha frente – Eu não entendo. Você não é assim...
Hesitei por um momento. A dúvida me fazia tremer.
– Eu amo a Elena
– Eu sei – ela disse como se fosse a coisa mais óbvia.
– Você não ta me entendendo – EU AMO a filha do meu próprio irmão.
– O que? – Ela franziu a testa, percebi que ela buscava ver a inocência no que eu havia acabado de falar. Ri em deboche, desviando de seu confuso olhar.
– Você não consegue ver? Estou desesperado porque me vejo como um estúpido nojento! Eu não consigo me livrar da culpa por pensar nela, Lexi...
– Damon... – Ela segurou minha mão, talvez ainda não tivesse se dado conta do que eu acabara de dizer.
– Nosso filho não merece um pai assim.
– Não, Damon, para! – senti seu aperto e sua aflição, mais era tarde para recuar no que eu dizia.
– Eu transei com a Elena, fiz planos impossíveis para uma vida a dois que nunca seriamos capazes de ter e isso tá me matando por dentro. Não te culpo se quiser tirar o Kalleo de perto de mim, sinto-me como um monstro!
– Não! – Ela me abraçou ao mesmo tempo que algumas lagrimas brotaram em seu rosto – Não, Damon, você não é!
– Não sei o que fazer, não sei o que fazer, Lexi! Eu não sei...
A porta se abriu e eu pude ver a expressão de espanto no rosto de Danny.
– Papai? – Kalleo murmurou sem entender, provavelmente espantado pelo meu rosto molhado. Lexi me soltou e seguiu até ele, o tirando do colo de Danny.
– Preciso que converse e brinque com o seu pai.
– Ele ta triste, mamãe?
– Sim e só você pode alegrar ele, você acha que consegue? – ele balançou a cabeça e ela o colocou no chão. Enquanto Kalleo vinha em minha direção ela entrou com Danny em seu quarto.
Danny POV
– Você... Sabe...? – foram as primeiras palavras de Lexi após me empurrar dentro do meu quarto. Pela cena lá fora, Damon havia dito tudo. Balancei a cabeça e ela compreendeu.
– Como isso foi acontecer, Danny? – me perguntou com voz pesada – Como ele pode deixar as coisas chegarem a tal ponto?
– Não julgue o Damon, Lexi – sai em sua defesa – Já bastam o Nathan e a Caroline.
– Eles também sabem? Caroline sabe?
– Quem você acha que trouxe o senhor Salvatore até aqui?
– Inacreditável! – ela gritou – Inacreditável!
– Calma...
– Ele ta destruído, Danny! Não aguento mais vê-lo assim! Como aquela criatura loira pôde fazer isso com ele? Caroline tava com a cabeça aonde, me diz?!
– O Kalleo ta na sala – disse na tentativa de a acalmar, porém mais lagrimas escorreram por seu rosto.
– Me mata ver o Damon assim – ela jogou-se contra a parede, a tomando como apoio – Me doi vê-lo sofrer por qualquer motivo... Não sabe quanto tempo eu demorei para parar de pensar na dor que ele devia estar sentindo quando eu fui embora depois do acidente, e quando eu descobri do Kalleo eu quase não me perdoei... O tempo passou e eu ainda não posso ser indiferente ao Damon... Temos que fazer alguma coisa – seus olhos eram suplicantes e eu agradeci por ela não o julgar mal. Eu realmente tinha medo de que se descobrisse, Lexi poderia tirar o filho de perto dele... Assenti com meu olhar fixo no seu.
– Lexi, realmente não se importa com o que realmente aconteceu entre eles?
– Não – ela respondeu firme – Não, Danny... Meu afeto por quem o Damon é não permite que o relacionamento dele e da Elena reflita no meu desejo de que ele seja feliz, da forma que quiser ser.
Sorri.
– Está falando sério?
– É claro que estou. Sou culpada pelo meu filho passar a vida toda longe do pai maravilhoso que eu sabia que o Damon seria e também sou culpada por fazer o único homem que amei sofrer por minha causa. Kalleo ama a Elena e se ela também gosta do meu filho, eu não me importo o tipo de relacionamento que ela e Damon manterão. Só temos que trazer ela de volta.
Sorri pelo discurso de Lexi, já formulando o que faríamos a seguir.
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