Notas iniciais
Hey, sweets! Como estão? Eu disse que o capítulo viria no Domingo, mais vim ver minhas notificações no Nyah e adivinha? A linda da Luana Melo recomendou Uncommon Love! Sério, fiquei muito feliz e quero agradecer por suas palavras lindas e inspiradoras, muito obrigada! Você é demais, garota! Boa leitura!

Elena POV

12 semanas após minha chegada, andando pelo corredor da mansão Salvatore eu, novamente, me senti uma intrusa ali. Por mais que o tempo passasse e eu tentasse me encaixar naquela realidade, seguindo aquela rotina, me adequando aquela cidade e sorrindo para tudo e todos, mais eu sentia que aquela vida não era minha.

Eu não pertencia aquele lugar.

A grande escadaria da sala deixava-me tonta a cada degrau. Passo a passo eu me obrigava a descer de encontro ao grande salão de entrada da mansão onde uma das empregadas terminava um afazer.

– Bom dia, senhorita Salvatore – ela me cumprimentou, mexi os lábios mais nem de longe aquilo poderia ser chamado de sorriso. Talvez minha cota de falsa alegria tivesse chego ao fim.

Na cozinha, minha avó sorriu pra mim, mais fui incapaz de retribuir novamente.

– O que houve, filha? Está se sentindo ruim? – ela perguntou enquanto despejava o café em uma xícara a minha frente. Estranhamente senti-me nauseada com o aroma.

– Não — respondi, engolindo em seco – Só não quero café hoje... – Afastei a xícara um tanto envergonhada.

– Tudo bem, querida. Que tal um suco de maracujá? – Ela me perguntou enquanto recolhia a xícara e a levava para junto das louças sujas. Assenti e ela colocou em um copo para mim.

Peguei um pedaço de bolo fatiado em um prato e o mordi.

Aquilo era estranho também...

Lembro-me vagamente de sentar a frente do que me parecia ser uma mesa enorme, cheia de coisas deliciosas como agora, e eu sabia que desejava aquela sensação de volta, mais fazia tanto tempo e agora eu tinha a sensação de estar incompleto.

Faltava algo... Faltava ele...

– Como é ele, Elena? – ela me perguntou, sua voz soava envergonhada – Como é... O meu neto?

– O que está cochichando, Clarissa? – A voz grossa do meu avô se fez ouvir no cômodo.

– Só perguntando como é Nova York, querido... – ela falou, seguindo para o servir.

– Não fale sobre isso com ela. Elena deve esquecer esse lugar.

Levantei da mesa no mesmo instante, sentindo seu olhar repreendedor sobre mim.

– Onde vai? – o homem perguntou de forma dura.

– À praça – respondi somente, saindo em direção ao jardim.

Caminhei por mais ou menos 15 minutos até encontrar um banco para sentar, naquela cidade tudo era perto e as pessoas eram alegres demais, só eu parecia não me encaixar ali. As crianças menores corriam em direção ao colégio com mochilas nas costas, sorrindo, apostavam corrida. Os adolescentes, não tão preocupados com o horário, batiam papo no banco próximo ao que eu estava. Aquela devia ser a minha infância, eu deveria ter um grupo de amigos e chegar atrasada todos os dias durante o ensino médio.

No entanto, nada daquilo fora meu. Aos 18 anos e sem ter ideia do que fazer da minha vida ali, eu voltei a pensar nele.

Como eu queria ter fugido quando ele me propôs naquele teatro....

Seus olhos marejados me cortavam o coração... Se eu não tivesse feito... Se eu tivesse agido de maneira diferente... Baixei a cabeça cobrindo o rosto com as mãos. O que eu podia esperar? Era minha culpa o que estava acontecendo.

– Não acha que é cedo demais e que a manhã está tão linda pra que você mostre um semblante tão triste? – Ouvi uma voz nova, alguém que eu não conhecia. Não queria conversar, então permaneci calada – Você veio da casa dos Salvatore, não foi?

– Sim – respondi com um suspiro, não estava nos meus planos conhecer ninguém novo.

– O que há de errado, pequena? – senti um pouco de raiva e vendo que eu não responderia, ele continuou – Sabe... Um amigo a muito tempo me disse que algumas mágoas tem âncoras, ficam presas em nós...

– Não acha estranho você querer saber da vida dos outros sem ao menos conhecer? – levantei o rosto e o encarei, ele tinha um semblante pacato e eu julguei ter quase quarenta anos, mais seu jeito de se aproximar me deixara com um pé atrás de início. Ele sorriu por um segundo antes de me responder.

– Eu acho que te conheço, Elena... É você que não consegue se lembrar de mim...

POV Damon

– Porque você não sai pra desenhar algo no jardim? – Dr. Herman sugeriu após folhear o caderno de folhas brancas dado a mim logo que iniciei a terapia – Nunca fui bom de matemática, Damon, mais pelas minhas contas apenas 10% do que está aqui não se referem a ela...

Ele ergueu o caderno na minha direção afim de devolve-lo. O tomei de suas mãos e o folheei mais uma vez... Mal sabia ele que estava erado... Ali tudo era sobre ela...

– O senhor tem razão... Suspirei mirando a janela as costas dele, por onde eu conseguia ver o céu – Melhor eu tentar mudar o foco dos meus desenhos – sorri em deboche.

– Sinto que passar os seus dias aqui não está te mudando nada, Damon... A terapia não esta surtindo efeito?

– Quero continuar tentando, em algum momento eu devo voltar ao normal.

– Muda alguma coisa se eu te falar mais uma vez que “esse” é o seu normal? Gastar dinheiro em uma clínica mais do que o necessário, fugindo das lembranças da sua sobrinha não vão fazer com que você supere a sua ida, ou ainda esse desejo que você diz sentir por ela. Não acredito que você tenha mais riscos de entrar em depressão, meu conselho é que você retorne a sua vida normal.

– Não estou pronto, não quero fazer isso – me neguei mais uma vez, ali eu não parecia mais maluco que os outros que moravam lá. Eu podia idealizar Elena da maneira que eu quisesse, mesmo que a noite, quando eu me deitasse em minha cama, eu me arrependesse por ter pensado nela.

Decidi seguir o conselho do Dr. Sentei-me no gramado do jardim e me coloquei a desenhar uma das únicas arvores daquele lugar. De onde eu estava a vista era boa, eu conseguia observar as nuances do sol que iluminava as folhas e tinha a visão perfeita do ninho no galho direito. Ela ia gostar daquele lugar, seria divertido sentar a sombra daquelas árvores para um piquenique, jogar conversa fora, desenhar seu rosto sorridente...

Como era possível que eu a desejasse tanto?

“Papai, eu vou casar com o tio Damon!” Lembrei daquele momento a muito tempo esquecido. Elena beirando os 5 anos apontou pra mim em plena praça, tão segura de si quanto uma criança pode ser. Eu ri demais da pose que ela fez... “Sai pra lá, pirralha! Eu só aturo você porque o Stefan manda!” Falei e ela fez bico cruzando os braços. Stefan gargalhou. Sentado no gramado ele a puxou e ela caiu sobre seu colo sorrindo “Vai por mim, filhote... Você não vai querer alguém como ele...” Ele debochou de mim e ela pareceu parar pra pensar, tentando entende suas palavras antes de se virar na direção dele “Tem razão, papai... Não é todo o tempo que eu gosto, ele é chato algumas horas...”

Como será que ela estava? Richmond não era um bom lugar pra ela morar, Elena estava acostumada a cidades grandes, pessoas a seu redor... Naquela cidade, todos se conheciam no primário, ainda crianças, aceitar alguém de fora era complicado, conseguir fazer amigos sem um intermediário ali era tarefa difícil... Sem falar na escola, não haveria uma graduação ao qual ela pudesse fazer naquele lugar, não o que ela amava, ela queria atuar... Então ela devia estar se sentindo sozinha...

Se pelo menos eu pudesse ajuda-la... Mais não havia como, enquanto meu pai estivesse por perto, todo o contato que eu poderia tentar ter com ela estava perdido. No momento em que eu pisasse naquela cidade, Giuseppe ficaria sabendo. Se eu fosse religioso, rezaria para que ela ficasse bem.

Suspirei pesadamente, o médico tinha razão. Fechei o caderno com o desenho pela metade e voltei a sala dele.

– Se eu voltar... Acredita que seguirei com a minha vida, de maneira normal?

– Não... – arqueei a sobrancelha direita – Ouça, Damon... Sua vida não é mais a mesma desde que deixou com que uma relação amorosa se desenrolasse entre você e a sua única sobrinha. Além disso, não é um segredo de três ou quatro pessoas, muitos estão envolvidos de certa forma, inclusive o seu filho, uma criança que não entende a gravidade da situação. Talvez discorde de mim, mais como profissional, interessado no bem-estar do paciente, seu pai levar Elena não foi um problema, foi uma solução...

– Mais... – tentei argumentar, porém ele me interrompeu.

– E se vocês continuassem juntos? Como faria para manter essa relação longe dos olhos dos outros? Como você mesmo disse, ela tem tudo para se tornar conhecida entre a mídia por seu talento, talento que você também tem, as pessoas te conhecem, eu pesquisei sobre você. Viveria com ela em Nova York, sobre o pretexto de cuidar da sobrinha até ela ter 21 anos e depois? Ela continuaria lá porque? Qual a desculpa que você daria?

– Iriamos embora, pra qualquer lugar, a hora em que ela pedisse...

– E o que isso mudaria, exatamente? Não poderia esconder que são. Você é advogado, sabe melhor do que eu como seria complicado pra você, entende de certa forma como funciona a mente das pessoas porque você tem que procurar uma brecha em suas opiniões formadas para conseguir muda-las, mais nem sempre isso é possível e poucas pessoas são manipuláveis.

Fechei os olhos para absorver tudo aquilo melhor, era isso que faltava, ninguém havia jogado toda essa merda sobre mim. Será por isso que eu não havia me dado por vencido? Eu estava pensando somente no agora e não no futuro que a minha relação com Elena poderia ter?

– Seu filho está crescendo, nessa fase em que ele está nada é problema, mais e quando ele começasse a estranhar a prima com você, quando ele começar a fazer perguntas? O que você responderia a ele? Mentiria até quando? E se ela, em algum momento, por algum descuido, engravidasse de você? Como fariam? Não poderiam esconder o parentesco do obstetra, seria uma gravidez de risco, todas as chances de ter uma criança saudável estariam contra vocês, ela poderia, inclusive, correr risco de vida. Você não pode dar ela um filho saudável, Damon. Nem uma vida saudável.

Sorri desgostoso desviando do olhar condenador do médico, é claro que ele tinha razão, afinal... Não havia forma de se construir uma família saudável ao lado da mulher que eu amava. Eu precisava, mais do que tudo, lutar contra o maldito sentimento, a cada palavra sua o meu coração sangrava, como se o atingisse com uma lâmina afiada. Levantei da cadeira em que eu estava e o dei as costas.

– Retorne pra sua casa, retorne pra sua vida, pros seus amigos, viaje, tente mudar um pouco sua rotina, o tempo vai curar as mágoas...

– Algumas mágoas têm âncoras, ficam presas em nós... Nada que já foi sentido é totalmente superável, doutor.

POV Elena

O nome dele era Alaric. O rosto ou suas feições não me eram familiares, mais ele me conhecia e me contou sua história. Relutante, eu não dei ouvidos ao que ele dizia a princípio, mais aos poucos, sua sinceridade demonstrada através de suas palavras e singelos sorrisos me fez escutá-lo.

– Eu queria dizer que vocês são parecidos, mais é difícil pra mim encontrar semelhanças entre você o Stefan, nem a cor do cabelo, nem a cor dos olhos ou o tom da pele... Não sei na personalidade, mais você é muito mais parecida com sua mãe.

Meus avós me diziam isso, que em nada eu lembrava os Salvatore, que os traços do meu rosto eram o da minha mãe, mais meu sorriso não era nem dela e nem do meu pai... A genética as vezes é estranha.

– Faz tanto tempo! – ele me olhava admirado desde o início, o que eu demorei a me acostumar – Seu pai ficaria boquiaberto com a mulher linda que se tornou, Elena...

Suas palavras ao mesmo tempo que me acalentavam, me faziam sentir remorso. Eu tinha certeza que meu pai não estaria feliz comigo, por tudo que eu fui desde que o perdi, mais eu não diria aquilo a ele, talvez eu precisasse me enganar um pouco com suas palavras para a dor que eu sentia diminuir.

Ele conhecia meu pai desde os 3 anos e haviam crescido juntos, eram amigos. Moraram juntos por um tempo quando saíram da cidade para estudar, não tinham o mesmo estilo e sempre discordavam das coisas, ele me disse também que meu pai era reservado, enquanto ele se disse ser um cara inquieto e amante dos prazeres do mundo. Que estranho, isso me lembrava Damon e Danny logo que cheguei na casa deles, Damon era tão na dele e levava o trabalho a sério demais, tanto que aquele seu jeito me dava raiva, diferente de Danny, que estava sempre sorrindo e disposto a tudo. Eu devia ter me apaixonado por ele, como eu pude gostar do cara chato? Sorri.

– Ahhh! Um sorriso! – ele disse em um tom alegre e eu desviei de seu olhar – Porque não me diz porque que você tem essa expressão triste no rosto?

– Quer saber? – Perguntei tentando ao máximo prender as lagrimas que estavam a fim de descer pelo meu rosto, àquela altura do campeonato, eu já não estava me importando se ele era um estranho ou não – Eu não sei onde é o meu lugar e eu tenho que descobrir isso! É, eu sei que não tem uma resposta fácil...

– Talvez você só precise de tempo – ele respondeu, como se fosse a coisa mais simples.

– Mais tempo? Eu já vaguei por muitos lugares diferentes e quando eu finalmente achei que havia encontrado a minha casa, o lugar para o qual eu voltaria todas as noites – já era involuntário, as lagrimas desciam pela minha face — eu fui obrigada a vir pra cá e estou perdida novamente... Se ao menos eu pudesse...

– Elena? – uma voz agora conhecida soou atrás de mim e eu desviei minha atenção para ela.

– Genevieve? O que está fazendo aqui? – perguntei tentando secar o rosto.

– Precisamos conversar, Elena.

– Senhorita Levesque? – Alaric perguntou em um tom de incerteza.

– Dr. Saltzman? – ela havia se alarmado, conhecia o amigo do meu pai? – Como vai o senhor? Conhece Elena?

– Por incrível que pareça, desde que nasceu... – ele disse calmo. Desde que nasci, o que?

– A gente tem que ir... Foi muito bom lhe encontrar, espero que possamos conversar melhor outro dia! Vem Elena... – Genevieve disse rápido e saio na minha frente.

– Tudo bem... Bom, até outra hora, pequena – ele sorriu em minha direção e eu acenei dando tchau com a mão.

Genevieve seguiu a passos largos e eu fiz um pouco de esforço para acompanha-la. Eu não a conhecia bem, mais ela me parecia estranha desde a hora em que falou comigo, foi então, que me ocorreu uma coisa...

– Hey! – gritei e ela parou, então eu pude alcança-la – Pra onde pensa que ta indo assim?

– Que tal pra mansão dos Salvatore, você deve ter um quarto, não? Já disse que precisamos ter uma conversa...

– Se você veio até aqui trazendo notícias do Damon ou a pedido dele, eu...

– Eu não trouxe noticia nenhuma do Damon, garota...

– Então o que você quer? – perguntei sem entender, estava ofegante, estranhamente eu havia cansado.

– Olha, eu só voltei nessa cidade por que o Danny e a Lexi precisaram de mim e não porque eu simpatizo com o caso que você tem com seu tio – ela cochichou acusadora e seu tom de voz, bem como o seu olhar despertou raiva em mim, fazendo com que eu me afastasse alguns passos dela.

– Que direito você tem de me olhar desse jeito?

– É assim que as pessoas normais vão olhar pra vocês dois, se quer saber, menina...

– Você não sabe nada sobre a gente! – gritei com raiva, não me importando se estávamos na praça ainda ou, muito menos, que escutaria – Quem você pensa que é pra falar de nós dois? Você não tem direito nenhum de nos julgar! – disse por último, levando a mão direita a região da costela oposta. Senti-me um tanto com falta de ar, mais não entendi o porque. Ainda assim, olhei para ela enquanto disferia suas palavras amargas sobre mim.

– Sinceramente, eu não tenho ideia do que ta se passando na cabeça da Lexi ou do Danny pra concordarem com tamanha indecência, tamanho pecado! Você e o Damon! É errado!

– O que veio fazer aqui a final? – Perguntei com minhas ultimas forças.

– Eu vim... – Subitamente minha vista ficou turva, e eu parecia suar frio. Perdi a noção de onde Genevieve estava e minhas pernas pareciam macarrões – Elena? Elena!? – Senti alguém me dar apoio, mais eu já não conseguia enxergar – Dr. Saltzman! Dr. Saltzman! Calma, Elena... Alaric!

– Elena, respira... Aplique os primeiros socorros para desmaio, Genevieve – forcei-me a abrir os olhos e o vi de relance, me olhava assustado enquanto tinha o telefone celular no ouvido – Anne, é o Ric, preciso de uma ambulância urgente, na praça, de frente para o Grill. Elena... Vai ficar tudo bem...

E então eu apaguei de vez.

Notas finais
E então? Muito complicada a situação dos dois... O que acham que a Elena tem? Espero que tenham gostado. Respostas e uma revelação que aproximará novamente os dois no próximo capítulo, estou tão ansiosa que não sei se conseguirei esperar até o fim de semana que vem para postar pra vocês! Comentem, favoritem, recomendem! Xx