Uncommon Love
28 Boas Notícias
Notas iniciais
POV Genevieve
– O que ela teve, Alaric? – Perguntei ao médico que passava pela recepção do hospital compenetrado em uma papelada, já fazia uma hora que havíamos chego e Elena dormia em um leito enquanto eu esperava notícias do médico. Ele olhou-me e me chamou até o balcão da recepção.
– Anne, está é Genevieve Levesque, ela é enfermeira e está com a paciente Elena Salvatore – concordei com a cabeça, mesmo sem entender a princípio – Pode liberar a entrada dela que nós precisamos ter uma conversa a respeito da Paciente.
A mulher olhou-me e em seguida concordou em um gesto com o médico e me deu uma plaquinha de identificação de visitante, como não era horário de visita e eu nem era parente de Elena, minha entrada no leito em que ela estava não havia sido autorizada, até aquele momento. Alaric era um dos médicos que atendia minha mãe quando ela ficou doente, por isso ele me conhecia.
– Você tem contato com os avós dela? – ele me perguntou assim que entramos no quarto.
– Não, eu só viajei para falar com ela, não moro mais na cidade – respondi ao fitar Elena. Ela ainda não havia acordado, naturalmente pelo fato de eles a terem dado alguma droga, mais eu ainda não via a necessidade disso – O que ela teve?
– Genevieve, eu não queria contatar os avós dela ainda, primeiro gostaria de explicar a situação para outra pessoa da família, o irmão de Stefan, Damon Salvatore, por exemplo... Mais como você não tem contato com eles eu...
– Damon está em Nova York, ela morava com ele antes de voltar pra cidade – falei, mesmo sabendo que Damon agora era interno de uma clínica psiquiatra e o motivo de eu vir as pressas falar com Elena. Pelo modo que Alaric falava, temi que o desmaio de Elena não tivesse uma causa simples e nesse caso, Damon devia ser avisado antes, vai que...
– Você pode ligar para ele?
– Posso tentar... – ele concordou suspirando.
– Esses são exames que eu pedi que fossem feitos – ele disse, entregando-me os papeis que carregava, alguns com observações escritas a caneta por ele – Elena está com uma anemia grave, mais reversível, ela deve ter sentido cansaço, falta de ar e por isso o desmaio, mais ainda falta chegar um último exame de sangue que pedi para ter certeza... – concordei com a cabeça – Como o sangue não estava sendo oxigenado corretamente, pedi uma transfusão para ela, então, também pedi um exame de tipagem sanguínea e comparei com o sangue dos pais dela, já que a mãe dela não era Rh negativo, quando ela nasceu, não foi feita a tipagem – Procurei dentre os papeis em que ele me dera.
– Aqui ta dizendo que o pai e a mãe são A(+), tecnicamente ambas as famílias tem chance de poder doar sangue para ela...
– Poderia ser... – ele olhou diretamente para ela e em seguida para mim – Mais Elena é B(-)...
– Impossível! – disse alarmada arqueando minhas sobrancelhas, então ele queria dizer que ela...
POV Damon
Estava de volta em casa. Depois de passar tantos dias fora e conviver com tanta gente diferente, voltar me fez perceber como aquele apartamento era solitário. Danny não estava em casa e Mary provavelmente já havia ido. Joguei a maleta sobre o sofá e, pensativo, coloquei as mãos na cintura. Precisava urgentemente ver e abraçar Kalleo.
– Damon! – Ouvi a voz familiar de meu amigo atrás de mim, virei-me no mesmo instante mais a expressão confusa e um tanto de desespero dele me preocupou, vinha com o celular próximo ao rosto, conversando com alguém – Graças a Deus, cara!
– Tudo bem, Danny? – perguntei aturdido.
– Não, nem um pouco! – ele respondeu arqueando o braço com o celular em mãos para mim, a fim de me entregar – atende, é pra você.
– Quem fala? – disse sem entender ao levar o telefone ao rosto.
– Damon! – um voz em tom amedrontado chamou meu nome – Damon!
– Sim – respondi.
– É Genevieve, Damon! Estou em Richmond, você precisa vir pra cá no primeiro voo.
– Por que? Aconteceu alguma coisa?
– Aconteceu! É a Elena, esta internada, o médico precisa falar com você urgente!
– Elena? – Mesmo sem entender porque minha presença era necessária e lutando para dar um fim em meu sentimento por aquela morena, era obvio que eu voltaria sem me importar com meu pai ou qualquer outro — Estou a caminho do aeroporto agora!
Peguei no mesmo instante a maleta de cima do sofá e passei por Danny voando depois de o devolver o celular.
– Espera! Vou com você! — Ele gritou na hora em que eu bateria a porta.
– Não. Não tem tempo pra você fazer as malas ou qualquer coisa!
– Malas? – ele perguntou ao vir em minha direção – Quem precisa disso? É a Elena!
Sorri.
– Vamos, seu idiota sumido! – ele falou ao girar a chave na tranca da porta de casa.
(...)
– Olha, minha querida! É caso de vida ou morte! – Gritei com a atendente que parecia que não havia ouvido uma palavra que eu dissera.
– Desculpe, senhor, mais o próximo voo para a Virgínia só sairá as 16h da tarde.
– A minha sobrinha ta internada! Eu respondo por ela! O avião ainda nem decolou, qual o seu problema?
– Senhor, vou chamar a segurança!
– O que ta acontecendo Mary Louise? – Uma morena disse entredentes. Vestida como aeromoça, a mulher não olhou-me a princípio.
– Nora, por favor diga a esses dois que eu não tenho poder para os colocar dentro do voou já que os passageiros estão acomodados...
– Senhor... – A morena então me olhou, fitando meus olhos – Eu conheço você? – Perguntou-me e logo em seguida riu da minha cara – Damon! Daniel!
– Nora! – Danny falou espantado, mais eu ainda não a havia reconhecido – Nora, nós precisamos chegar em Richmond o quanto antes! – Danny falou como se conhece a mulher a anos – A sobrinha do Damon ta internada, muito mal no hospital, é caso de vida ou morte.
– Sério? Minha nossa!
– Você tem poder para nos colocar dentro desse voo? – ele falou fitando com raiva a loira do balcão que nos olhava sem entender nada, assim como eu.
– Vou tentar... Licença Mary Lu, preciso falar com o comandante antes de a tripulação terminar de embarcar... – ela falou, puxando o telefone da recepcionista do gancho — Jay, é Nora – ela falou pós alguns instantes – Preciso da sua autorização para dois amigos comprarem uma passagem pro seu voo. Caso de vida ou morte! Qual é Jay, tu vais mesmo barrar? Ah... Foi o que pensei, nos vemos ai dentro! – ela devolveu o telefone para o gancho, sorrindo na direção de Danny – Pronto – ela me olhou e depois para a atendente loira – Jay e eu somos velhos amigos de voo... Mary Lu, venda as passagens pra eles rápido, o portão de embarque está quase fechando, vamos passar juntos! – A loira de cara fechada preparou as passagens e eu paguei no cartão de crédito, rápido, Danny e eu seguimos atrás de Nora até adentrarmos a aeronave. Ela nos deu um tchau piscando o olho na direção de Danny e nós seguimos para os acentos na última fileira do avião.
– Quem é a aeromoça? – perguntei após afivelar o cinto, como ela podia nos conhecer e eu não lembrava dela?
– É a Nora... Não lembra, da sua turma de Direito da faculdade...?
– Turma de direito? A aeromoça?
– Ela largou o curso, bebemos juntos no seu último dia no campus, o sonho dela era ser aeromoça... Vejo que está bem feliz – ele sorriu para ela que passava por nós pelo corredor.
– Ainda não lembro, mais que sorte que ela não quis ser advogada, eim?
– Pois é! – ele concordou, sorrindo. Não retribui, eu estava preocupado demais com Elena e ainda, preocupado comigo mesmo... Será que eu conseguiria voltar de lá sem traze-la junto? No mínimo eu precisaria me internar novamente na clínica... Seriam as 2h15min de voo mais longas da minha vida.
(...)
– Pensei que vocês não chegariam nunca! – Genevieve falou enquanto caminhava na nossa direção. O Hall de entrada do hospital estava quase vazio, apenas ela e mais quatro gatos pingados tentavam matar o tempo lá – O doutor está te esperando...
– E a Elena, como a Elena está?
– Sua Elena está bem. Já está acordada... – Minha Elena? Quem dera essas palavras fossem verdade. Danny me contou no caminho o plano que ele e Lexi haviam arquitetado, o motivo de Genevieve estar na cidade.
– Porque ela não foi para casa com os meus pais?
– Seus pais não foram avisados de que ela está aqui...
– E qual o problema? – Perguntei, ainda não fazia sentido.
– Na verdade são dois problemas... – ela respondeu inexpressiva, apenas deixava transparecer sua falta de vontade de estar no meio daquilo tudo – Eu vou conta-los para o Danny e você vai falar com o médico – ela acenou para o homem de cabelos meio loiros que acabara de chegar no salão, eu deveria o conhecer de algum lugar, sua fisionomia não me era estranha, ainda assim, eu não o reconhecia...
– Olá, Damon – ele me olhou meio intrigado, em seguida me deu um leve sorriso – Você cresceu, sou Alaric – ele disse estendendo a mão. A apertei rapidamente... Alaric, amigo do Stefan? Fazia muito tempo que eu não via esse cara, mais isso não tinha importância – Me siga, vamos falar sobre a Elena.
– Sim – concordei e o segui quando ele começou a andar. Olhei para trás onde Genevieve e Danny iniciavam uma conversa.
Pela janela dos quartos no corredor do hospital eu percebi porque a recepção estava vazia. Hora da visita, presumi.
– Está me levando para ver a Elena? – perguntei quando ele finalmente parou em frente a uma porta. Pela janela ao lado eu pude ver de relance uma parte do rosto dela, deitada no leito, vestindo um típico vestidão de hospital, ela cobria a testa com a mão direita. Provavelmente não me veria ali.
– Sim, mais antes, preciso te falar umas coisas – Assenti, esperando que assim ele logo começasse, me dando o motivo de eu estar ali ao invés de meus pais – Elena teve uma crise anêmica na praça – Anemia? Que estranho, ela não havia dito nada sobre anemia enquanto morava comigo – Desmaiou durante uma discussão com Genevieve...
– Discussão? – Perguntei sem entender.
– Sim, mais agora isso é o de menos, garoto...
– Tá, o que tem mais nessa história, então? Porque ela ainda está internada por um desmaio?
– Não foi só um desmaio, ela precisou de uma doação de sangue, suas hemácias não estavam conseguindo se aderir ao oxigênio e consequentemente...
– Olha doutor, eu sou advogado e não médico, pula essa parte – disse ríspido, nem um pouco interessado nesse papo biológicas... – Alguém de casa já doou sangue pra ela?
– Não, não poderiam provavelmente, as chances eram baixas e o caso dela foi classificado como urgência e...
– Já disse que pode pular para a parte principal.
– Elena não é filha do Stefan – ele falou me olhando com certa raiva pela minha impaciência e com aquela noticia, eu provavelmente estava com as órbitas esbugalhadas além da sobrancelha arqueada. Ele não falou nada, esperava que eu absorvesse a notícia.
– Que? Como assim a Elena não é filha do Stefan? – disse alto demais, sem acreditar e ele me olhou repreendendo-me.
– Fale baixo, ela está aqui dentro e não sabe ainda...
– Impossível a Elena não ser filha do Stefan! – disse, um tanto alto novamente. Ele volto a me olhar sugestivo.
– Qual o seu tipo sanguíneo? – ele me perguntou e de pronto eu respondi.
– A(+).
– O do seu irmão também Damon, assim como o da sua cunhada eram A(+). Elena é B(-), não pode ser filha do Stefan, o pai teria que ser do grupo B ou AB e teria que ser Rh(-).
– E como você tem tanta certeza do sangue deles? – perguntei acusador, mesmo sabendo que como médico ele deveria estar bem ciente do que estava me falando.
– Tenho os registros médicos da sua cunhada e do seu irmão da época do parto da Elena – ele estendeu alguns dos papeis que segurava, mais eu não os quis pegar. Se tudo o que tivesse me dizendo fosse mesmo verdade, Elena não era minha sobrinha! Tecnicamente não era incesto... Meu Deus, o que eu estava pensando? Era da nossa família que estávamos falando...
– Mais o que diabos...? Elena foi trocada na maternidade, então? – Seria mesmo possível ou eu estava só sonhando? Eu tomei algum remédio tarja preta na reabilitação e não lembro?
– Não, Elena é filha da Suzana sem dúvidas, eu mesmo fiz o parto dela, fui o obstetra o pré-natal todo! – Parei por um tempo, era complicada demais essa notícia. Como eu falaria para os meus pais? Fora que o meu pai não queria me ver nem pintado de ouro.
– Você tem noção do que ta me contando? – perguntei e ele acabou fazendo uma certa careta. Suzana traiu o Stefan?
– Tem mais uma coisa, Damon...
– O que, meu Deus? Sério que ainda tem mais? – Perguntei, visivelmente alterado.
– A Elena está gravida de 12 semanas, mais ou menos, e tenho quase certeza que ela não sabe – congelei.
– O que? – perguntei, a única coisa que consegui falar.
– Alguma ideia de quem seja o pai? – ele questionou.
É claro que eu tinha!
Adentrei aquele quarto em êxtase! Quase empurrei o médico para que saísse da minha frente. Elena me olhou aturdida, eu devia ter o sorriso mais idiota do mundo no rosto.
– Damon! – ela ralhou enquanto me aproximava da cama dela – Damon, o que está fazendo aqui? Se o seu pai te ver ele...
– Calma, Elena – falei ainda sorrindo – Calma, ele não está aqui, ele não sabe – sentei-me ao seu lado na cama e depositei minha mão direita sobre seu ventre, o rosto dela era um misto de insegurança, incertezas.
– Não, mesmo assim! O que se ta fazendo aqui? Quando você chegou?
– À pouco tempo, não te preocupa com nada, ta bom? Prometo que vamos resolver tudo – eu continuava sorrindo e ela sem entender.
– Do que você ta falando, Damon? Você tem que ir embora – eu acariciei seu ventre. Com certeza ela não sabia, porém, ainda me restava dúvidas pois ela estava quase chorando.
– Eu nunca mais vou sair de perto de você, Elena. Agora fica aqui mais um pouco, doutor Alaric ta de olho em você. Vou falar com a minha mãe...
– Não! – ela segurou meu braço quando eu fiz menção de levantar – Não, ta louco? Você não pode ir lá! Você tem que voltar para Nova York agora! – sorri.
– Já falei, fique calma – disse ao depositar um beijo em sua testa, quando voltei a encará-la, algumas lagrimas molhavam o seu rosto – Vou te dar boas notícias quando eu voltar, eu prometo!
– Damon! – ela chamou-me novamente quando eu já estava próximo a porta.
– Vou mandar o Danny entrar – falei sorridente, eu estava mais do que feliz – Ele deve ta louco pra te ver, Elena!
Disparei pelo corredor, deixando o quarto dela para trás. Avistei Danny com um sorriso bobo e Genevieve que ainda falava ao lado dele.
– Vá ver ela – disse para ele tentando não parar de andar.
– Damon, eu...! – ele tentou falar mais eu o cortei, não havia tempo, eu devia resolver os assuntos com nossa família e tirá-la dali o mais rápido que desse.
– Eu sei! Eu sei! – falei com um claro tom animado, diferente dele, Genevieve me olhava um tanto desconfiada, queria falar algo mais acredito que lhe faltava coragem – Fica com ela, estou indo falar com a minha mãe – Ele assentiu e eu continuei, indo em direção a rua.
Sai do hospital me dando conta de que eu estava longe da casa dos meus pais pra ir a pé e que não havia um taxi ou alguém que pudesse me dar uma carona por perto. Fechei a mão em punho, ainda olhando ao redor e quando finalmente me dei por vencido, retornei para a recepção do hospital.
– Pode chamar o doutor Alaric aqui, por favor.
– O doutor deve estar...
– Por favor, avise logo ele, não me faça invadir nada atrás desse homem! – dei meu melhor olhar ameaçador, mesmo sabendo que falei isso ainda sorrindo. Nada parecia poder estragar minha alegria. Ela apenas me lançou um olhar de repulsa e discou algum número em seu próprio celular.
Pouco tempo depois, o homem apareceu ao meu lado.
– Por um acaso você tem carro? – perguntei na maior cara de pau, sem me importar – preciso chegar na casa dos meus pais do outro lado da cidade.
– Civic preto no estacionamento. Nem um arranhão na minha pintura, moleque – ele disse quando ergueu a chave na minha frente.
– Relaxa, eu já tenho quase 30 – tomei a chave de sua mão e fui o mais rápido até o carro. Arranquei com vontade dali, o que fez os pneus cantarem no asfalto. Torci para que ele não tivesse escutado.
(...)
Parei em frente a grande casa, os jardins bem cuidados, a limpeza impecável do local e o chafariz dourado brilhante me fizeram lembrar a infância. Certa vez, quando eu tinha uns 7 ou 8 anos, eu havia derramado tinta azul no gramado da frente por conta de uma aposta que fiz com Stefan e, que com certeza, ele sabia que iria ganhar. Meu irmão mais velho adorava que eu fizesse travessuras que, pela sua idade e por ser o pupilo do papai, ele não podia se dar ao luxo de aprontar. Lembrei-me de como ele riu da cara de raiva do velho e da expressão incrédula da mamãe, Suzana e ele já namoravam a um certo tempo e cresci os vendo e os considerando o casal mais perfeito e feliz do mundo. Era difícil de aceitar o fato de Suzana o ter traído com qualquer pessoa que fosse.
Não havia outro carro ali, se a rotina do velho ainda fosse a mesma, ele estaria com a bunda sentada na poltrona de seu escritório no centro da cidade àquela hora, e só voltaria ao anoitecer. Sendo quase 16h, eu teria tempo suficiente para uma conversa com minha mãe. Adentrei a casa e na sala, um velho me fitou. Havia bastante tempo que eu não entrava ali, mais nada havia sido mudado de lugar.
– Menino Damon – o velho mordomo de meus pais, sr. Andrew parecia ter envelhecido 20 anos, mesmo eu sabendo que ele deveria ter a idade de meus pais – Pensei que não o veria mais... – Me contive para não dizer que compartilhávamos do mesmo pensamento.
– Sr. Andrew, eu preciso urgente falar com a mamãe.
– Sua mãe está na cozinha preparando um bolo para a jovem Elena. Eu vou chama-la.
– Não, não precisa, sei muito bem o caminho.
Apressei-me em direção a cozinha, aquela casa, mesmo tendo diminuído de tamanho agora que cresci, ainda assim era enorme. Voltando depois de tanto tempo, não poderia me arrepender de ter largado o padrão de vida que a minha família mantinha naquela cidade para morar em um dos quartos de uma república da faculdade, ou então, me arrepender de não ter aceitado a oferta de meu pai para trabalhar na empresa, que ele me fizera logo depois de formado (sim ele havia tido a cara de pau de me ligar depois do acidente que tive com meus amigos), eu preferi dividir um apartamento com Danny. Construí minha carreira e minha estabilidade com minhas próprias pernas e estar ali na casa deles depois de tantos anos, me deixava orgulhoso e me dava ainda mais coragem de falar tudo que eu precisava.
De costas, pude perceber que ela ostentava fios grisalhos, mais continuava linda como eu a via quando eu era criança, eu a adorava mais havia perdido minha fé nela quando cresci e percebi que meu pai facilmente a manipulava como queria. Ela virou-se com a fôrma do bolo em suas mãos protegidas por luvas térmicas e a depositou sobre a mesa antes de me ver.
– Mãe? – Fiz minha voz soar alto e quando seus olhos incrivelmente parecidos com os meus me encontraram, ela se assustou.
– Damon? – perguntou ao se recuperar, em seguida, uma lagrima caiu por seu rosto branco – É você mesmo, filho? – apenas balancei a cabeça em um sim, e ela veio até mim para me enlaçar em seus braços – Filho! O que está fazendo aqui? Seu pai...
– Deixa ele pra lá por um instante, mãe – falei me afastando dela – Precisamos falar sobre a Elena.
– Seu pai me contou o que estava acontecendo, filho – ela acariciou meu rosto com uma das mãos, parecia admirada por me ver – Precisa esquecer o que aconteceu e retornar com sua vida normal, Elena não está, volte para sua casa, desista de qualquer ideia absurda que esteja passando pela sua mente, Damon.
– Elena está no hospital, mãe.
– O que? – ela perguntou, mudando seu tom suplicante por um apreensivo – O que disse?
– Elena está internada. Eu vim de Nova York às pressas por que o médico não queria dar nenhuma notícia diretamente pra senhora ou o papai... Mãe – sua expressão confusa parecia se acentuar a cada palavra que eu dava, então resolvi dizer de uma vez – Elena não é filha do Stefan — Ela virou de costas para mim no mesmo instante, apoiando-se com as duas mãos na mesa de jantar. Agora a expressão de confusão era a que provavelmente pairava sobre o meu rosto – Mãe? – perguntei, pondo minhas mãos sobre suas costas, me aproximando dela – Mãe? A senhora ta bem?
– Você disse a ela? – ela me perguntou em um tom estranho, beirando o desespero e a súplica – Você disse a ela, Damon?
– Não – respondi, tirando minhas mãos de suas costas, me afastei sem entender sua reação a princípio – Não, ainda não disse.
– Ela não pode ficar sabendo, entendeu? – Ela falou, voltando a me encarar – Elena é sim filha do Stefan, Damon! – Neguei com a cabeça sem acreditar.
– A senhora sabia... A senhora sabia que ela não é filha do Stefan!
– Damon, você vai voltar agora para Nova York!
– Não! – balancei a cabeça incrédulo – Não! Eu não vou! Você tem noção do que eu passei? DO QUE NÓS PASSAMOS!
– Damon, isso é loucura! Por que essa fixação, meu Deus do céu!? Você não pode ficar com a sua sobrinha!
– Elena não é minha sobrinha! Ela não é filha do Stefan! Meu Deus! Ela não é filha do Stefan! Eu tive vontade de me matar, me julguei um monstro! Mais ela não é filha dele!
– Ela é filha dele sim! – ela fez seu grito se sobrepor ao meu e eu fitei seus olhos marejados.
– Eu a amo, mãe! Porque insiste nisso? – perguntei, agora era eu quem deixava lagrimas escaparem.
– Porque era isso que ele queria! – Ela segurou meus braços com certa força – Meu filho, o seu irmão era estéril mais ele amava a Suzana, ele queria muito vê-la carregar um filho deles – balancei a cabeça tentando espantar suas palavras inutilmente – Elena é fruto de uma inseminação, você era muito novo pra saber disso. Damon, olha pra mim! – ela me fez mirá-la nos olhos outra vez – Elena não é filha biológica do Stefan, mais isso não torna menos errado o que vocês fizeram.
– Ela precisa saber a verdade – rebati – Vocês não tinham o direito de esconder isso, mãe... Elena tem direito de escolha!
– Isso não importa, filho. O seu irmão a queria ela tendo os traços dele ou não, ela tem o seu sobrenome, foi criada como sua sobrinha e é assim que os seus pais e a sociedade veem vocês. Você não pode mudar isso, Damon. Larga essa sua ideia estúpida e volte pra sua cidade, volte pro seu trabalho, pensa no seu filho!
– Eu estou pensando no meu filho! Eu não vou sair de perto da Elena!
– Damon, para!
– A Elena ta grávida, mãe! – ela me soltou, dando um passo para trás. Deixando de me encarar, ela apertou as mãos contra o rosto.
– Damon... – ela pronunciou meu nome tristemente. Respirei fundo olhando pela primeira vez ao redor. Andrew e mais duas empregadas nos fitavam da entrada da cozinha, provavelmente espantados pela gritaria e tudo que havia sido revelado, quando perceberam meu olhar os três deram meia volta, saindo do cômodo, mais naquele momento aquilo não me preocupava.
– Emancipe a Elena, mãe – ela voltou a me encarar – Emancipe a Elena, dê a ela poder de decisão, você tem poder pra isso...
– Ela é uma criança, Damon – ela negou com um aceno – Não manche a memória do seu irmão... O seu pai...
– Isso não tem a ver com o Stefan! Eu amava o meu irmão! Droga, mãe! Por uma vez na vida, para de pensar no papai antes de qualquer coisa! Por causa dele eu só pude conhecer o meu primeiro filho depois que ele já tinha 5 anos, eu não pude ficar com a Lexi... E mesmo que você escolha continuar sem fazer nada, senhora Salvatore, eu não vou ficar longe da mulher que eu amo e do meu filho novamente, custe o preço que custar.
Ela me observou sair sem me dizer nada e eu não dei importância ao olhar curioso dos empregados. Sai porta a fora apressado e quase não percebi o homem que vinha a minha frente.
– Damon? – A voz autoritária me chamou, eu sabia muito bem a quem pertencia no momento em a escutei – Damon, o que faz aqui?
– Vim cuidar do que é meu! – Respondi sem nem lhe olhar, desliguei o alarme do carro, entrei e sai apressado em direção ao hospital.
(...)
Adentrei a recepção do hospital e segui direto em direção aos corredores. Atrás de mim uma voz feminina tentou me impedir, mais não dei ouvidos.
– Damon! – reconheci a voz do médico e parei em frente a porta do leito de Elena, pela janela de vidro percebi que Danny estava lá e que ela estava sentada com as constas no encosto da cama.
– Muito obrigada – agradeci ao estender as chaves do carro para que o médico pegasse, ele assentiu e as tomou.
– Pensei que tivesse dito a ela o que te falei – neguei com a cabeça – Bom, agora ela já sabe...
– Tudo? – Ele confirmou com um aceno.
– Os papeis da alta já estão prontos, um familiar precisa assinar e pagar a estadia da Elena. Vou deixar na recepção, quando ela estiver pronta você poderá assinar. Assenti, abri a porta do quarto e entrei, mais ele não me seguiu.
Elena me fitou e eu sorri, voltando a sentir-me feliz, ela sorriu de volta depositando dessa vez, sua mão sobre o ventre.
– Você já sabia naquela hora, não sabia? – ela perguntou animada e eu balancei a cabeça.
– Troca de roupa, meu amor, vamos embora – ela concordou, se levantando com um pulo. Sua rapidez lhe deu tontura e ela precisou se apoiar na cama – Você ta bem? – Danny levantou e lhe segurou por um momento. Ela me olhou quando se recuperou e acenou com a cabeça.
– Sim... Só acho que ainda não estou 100% — sorriu sem graça. Sem apoio, ela apanhou as roupas que estavam sobre uma pasta em cima do criado mudo ao lado do leito e seguiu para o banheiro.
Danny levantou-se e seguiu sorrindo de orelha a orelha até mim, os braços abertos. Aceitei seu abraço e o tapa nas costas que me deu.
– Parabéns, cara! – Ele me parabenizou e eu sorri de volta – Se for menina e parecer com a Elena, vai nos dar um trabalhão! Já da pra ver o mini Damon ou mini Elena benzinho no ultrassom! – falou animado até perceber que eu o fuzilava com o olhar — Merda! Estraguei a surpresa... – ele praguejou ao se dar conta do que havia dito, após puxar a pasta do crido mudo, ele me entregou – Se a Elena perguntar não diga que fui eu que te mostrei, cara! – ele me ameaçou com o dedo indicador.
Com certeza eu voltara a sorrir como um idiota, ao abrir a pasta, me deparei com o exame de ultrassom, o primeiro de Elena e nosso bebê. Era uma imagem borrada e escura demais, mais estava ali, o neném que carregava um pouco de nós dois.
– É o primeiro ultrassom do nosso bebê e você viu ele primeiro que eu! – era para soar ameaçador, mais a minha cara de abobalhado não espantaria nem uma mosca.
– Eu sou o padrinho! – ele questionou – Eu tenho direitos, droga...
– Você mostrou pra ele, Danny! – elena o olhou raivosa da entrada do banheiro.
– Eu não! Que fique bem claro que o ultrassom voou direto pra mão dele sozinho!
– Danny, eu...!
– Elena Salvatore! – a chamei e ela desviou o olhar bravo da direção de Danny e me olhou – Eu vou te fazer a mulher mais feliz do mundo!
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